Biologia universitária — 1.º ano · Bachelor Year 1
19Expressão gênica: transcrição e tradução
Um gene de trinta mil pares de bases é lido em um quarto de hora numa cópia de trabalho, reduzido a duas mil letras, enviado para fora do núcleo, e traduzido por vinte e cinco ribossomos ao mesmo tempo numa proteína de quinhentos aminoácidos — um a cada quatro segundos, enquanto a cópia durar. A célula gasta mais energia nisso do que em qualquer outra coisa que faça. Este capítulo acompanha a informação do DNA à proteína: a cópia de um gene em RNA, a edição desse RNA nos eucariotos, o código que mapeia trincas de bases em aminoácidos, o ribossomo que o lê, e o que acontece com uma proteína depois de pronta.
19.1 Do gene à proteína
Proposição 19.1 (O fluxo da informação)
A informação genética flui do DNA ao RNA e à proteína. A transcrição copia uma fita de um gene num RNA de mesma sequência que a outra fita (com U no lugar de T); a tradução lê o RNA mensageiro de três em três bases e monta os aminoácidos correspondentes num polipeptídeo. Cada etapa usa o pareamento de bases: DNA com RNA na transcrição, mensageiro com RNA transportador na tradução. A sequência de uma proteína é, assim, uma transcrição da sequência do gene dela, e a mudança de uma base pode mudar um aminoácido — o elo entre mutação e fenótipo. A informação não flui de volta da proteína ao ácido nucleico; a única etapa inversa, o RNA copiado em DNA pelos retrovírus, não toca em proteína.
19.2 A transcrição
Definição 19.2 (RNA-polimerase, promotor, transcrição)
A RNA-polimerase sintetiza RNA sobre um molde de DNA, de , a partir dos quatro ribonucleosídeos trifosfatados, sem iniciador. Ela começa num promotor, uma sequência logo a montante do gene que ela reconhece e à qual se liga; nas bactérias uma subunidade chamada (sigma) faz o reconhecimento, em dois trechos conservados dez e trinta e cinco pares antes do início. A enzima abre cerca de quinze pares da hélice numa bolha de transcrição, copia a fita molde (lida de ) num RNA idêntico em sequência à outra fita, a codificante, e avança a cerca de cinquenta nucleotídeos por segundo, refechando a hélice atrás de si; o RNA se desprende à medida que é feito. Ela para num terminador: nas bactérias, uma sequência autocomplementar cujo RNA se dobra num grampo que solta o transcrito. Muitas polimerases podem se seguir umas às outras ao longo de um gene, de modo que um transcrito pode ser iniciado a cada segundo.
Proposição 19.3 (Transcrição e processamento do RNA nos eucariotos)
Os eucariotos têm três polimerases: a I para os grandes RNAs ribossômicos, a II para os RNAs mensageiros, a III para os RNAs transportadores e os pequenos. A polimerase II não reconhece sozinha o promotor dela: um conjunto de fatores gerais de transcrição se monta sobre ele (numa sequência TATA cerca de trinta pares a montante em muitos genes) e recruta a enzima, e proteínas reguladoras ligadas perto ou longe modulam a velocidade (Capítulo 20). O transcrito primário é processado no núcleo: um capuz de guanina modificada é acrescentado à extremidade , uma cauda de umas duzentas adeninas (a poli-A) à extremidade , e os íntrons são removidos por splicing — um complexo de pequenos RNAs e proteínas, o spliceossomo, reconhece o GU do começo de cada íntron e o AG do fim dele, corta e une os éxons. Só então o mensageiro maduro é exportado para o citosol. Muitos genes sofrem splicing de mais de uma maneira (o splicing alternativo), de modo que um gene rende várias proteínas; os vinte mil genes humanos produzem talvez cem mil.
Evidências. Sharp e Roberts (1977) hibridizaram um RNA mensageiro viral com o DNA do gene dele e observaram os híbridos ao microscópio eletrônico: o RNA pareava com o DNA em vários trechos, e entre eles o DNA formava alças não pareadas — os íntrons, presentes no gene e ausentes da mensagem. Genes bacterianos, tratados do mesmo modo, não davam alças. O tamanho do transcrito primário de um gene, medido no núcleo, corresponde ao gene; o tamanho do mensageiro citoplasmático corresponde apenas aos éxons. ∎
19.3 O código genético
Definição 19.4 (O código genético)
O código genético mapeia trincas de bases do mensageiro, os códons, em aminoácidos. Dos 64 códons, 61 especificam os vinte aminoácidos e três (UAA, UAG, UGA) são sinais de parada; o AUG especifica a metionina e é também o códon de início, de modo que todo polipeptídeo novo começa com metionina. O código é degenerado — quase todos os aminoácidos têm vários códons, que diferem sobretudo na terceira posição —, não sobreposto, lido sem pontuação num quadro de leitura fixado pelo códon de início, e quase universal, o mesmo em bactérias, plantas e animais, com pequenas variantes nas mitocôndrias: um gene humano posto numa bactéria é lido corretamente.
| primeira | segunda base | terceira | |||
| base | U | C | A | G | base |
| U | Phe Phe Leu Leu | Ser Ser Ser Ser | Tyr Tyr parada parada | Cys Cys parada Trp | U C A G |
| C | Leu Leu Leu Leu | Pro Pro Pro Pro | His His Gln Gln | Arg Arg Arg Arg | U C A G |
| A | Ile Ile Ile Met | Thr Thr Thr Thr | Asn Asn Lys Lys | Ser Ser Arg Arg | U C A G |
| G | Val Val Val Val | Ala Ala Ala Ala | Asp Asp Glu Glu | Gly Gly Gly Gly | U C A G |
Proposição 19.5 (Como o código foi lido)
O código é um código de trincas não sobrepostas, e o significado de cada códon pode ser determinado quimicamente.
Evidências. Crick e Brenner (1961) fizeram mutações num gene de fago que acrescentavam ou removiam uma base: uma mudança dessas destruía a função do gene, e duas também, mas três inserções (ou três deleções) próximas umas das outras a restauravam — a mensagem é lida de três em três, a partir de um ponto de partida fixo, e uma inserção desloca o quadro de tudo o que vem depois. Nirenberg e Matthaei (1961) acrescentaram um RNA sintético só de uracilas a um extrato acelular de E. coli com os vinte aminoácidos: ele fabricou uma cadeia só de fenilalanina, de modo que UUU significa Phe; outros mensageiros sintéticos, e depois a ligação de trinucleotídeos isolados a ribossomos com os RNAs transportadores deles, atribuíram todos os sessenta e quatro até 1966. ∎
Exemplo 19.6 (Ler uma mensagem)
O mensageiro -…GCAUGGCUUUCGGAUAA…- é lido a partir do AUG: AUG GCU UUC GGA UAA — Met-Ala-Phe-Gly-parada: um peptídeo de quatro resíduos. Apague o primeiro G depois do AUG e o quadro se desloca: AUG CUU UCG GAU AA… — Met-Leu-Ser-Asp…, uma proteína diferente e de comprimento diferente. Troque UUC por UUU e nada muda: os dois são Phe, uma mutação silenciosa.
19.4 A tradução
Definição 19.7 (O RNA transportador e as sintetases dele)
Um RNA transportador (Capítulo 11) é o adaptador entre o códon e o aminoácido: o anticódon dele, três bases numa alça, pareia de modo antiparalelo com um códon da mensagem, e a extremidade dele carrega o aminoácido correspondente. O pareamento na terceira posição do códon é frouxo (a oscilação), de modo que uns quarenta tRNAs bastam para sessenta e um códons. Cada tRNA é carregado pela aminoacil-tRNA-sintetase própria dele, uma enzima que reconhece tanto o aminoácido quanto o tRNA e os une em duas etapas ao custo de um ATP (partido até AMP: duas ligações ricas em energia), revisando o aminoácido enquanto o faz. Essas vinte enzimas são onde o código é de fato implementado: o ribossomo não confere que aminoácido um tRNA carrega, apenas que o anticódon dele corresponde.
Definição 19.8 (O ribossomo)
O ribossomo é uma partícula de duas subunidades, cada uma de RNA ribossômico e proteínas (nas bactérias: uma subunidade pequena 30S e uma grande 50S, juntas 70S, ; os ribossomos eucarióticos são maiores, 80S). A subunidade pequena liga o mensageiro e o decodifica; a grande abriga os tRNAs e forma a ligação peptídica — o catalisador é o próprio RNA ribossômico. Três sítios de tRNA atravessam as duas subunidades: o A (aminoacil, onde entra o próximo tRNA carregado), o P (peptidil, que segura a cadeia em crescimento) e o E (saída).
Proposição 19.9 (O ciclo de alongamento)
A tradução começa quando a subunidade pequena encontra o códon de início — nas bactérias pelo pareamento de uma sequência do RNA ribossômico com um sítio logo a montante do AUG, e nos eucariotos ligando-se ao capuz e varrendo até o primeiro AUG — e o tRNA iniciador (de metionina) se acomoda no sítio P; a subunidade grande então se junta. Cada rodada de alongamento acrescenta um resíduo: um tRNA carregado cujo anticódon corresponde ao códon do sítio A é entregue por um fator de alongamento e conferido (um GTP); o RNA ribossômico da subunidade grande transfere a cadeia em crescimento do tRNA do sítio P para o aminoácido do tRNA do sítio A, formando a ligação peptídica; o ribossomo avança um códon (um segundo GTP), deslocando os tRNAs para P e E, e o vazio sai. Num códon de parada um fator de liberação entra no sítio A e a cadeia é hidrolisada e liberada. Os ribossomos bacterianos acrescentam de quinze a vinte resíduos por segundo, e os eucarióticos de dois a cinco; vários ribossomos leem uma mesma mensagem ao mesmo tempo, formando um polissomo.
Método 19.10 (Calcular a síntese de uma proteína)
- Comprimento: uma proteína de resíduos precisa de uma sequência codificante de nucleotídeos (incluído o códon de parada), dentro de um mensageiro mais longo pelas extremidades não traduzidas e, no gene, pelos íntrons.
- Tempo: divida pela velocidade de alongamento ( por segundo nas bactérias, nos eucariotos); a mensagem é lida por um ribossomo a cada nucleotídeos, de modo que a produção por mensagem é de uma cadeia a cada (espaçamento / velocidade) segundos.
- Energia: quatro ligações fosfatadas ricas em energia por resíduo (duas para carregar o tRNA, dois GTP no ribossomo), mais a transcrição da mensagem a duas por nucleotídeo, repartida entre todas as cadeias que essa mensagem rende.
- Fidelidade: cerca de um aminoácido errado a cada códons; uma proteína de resíduos sai errada em algum ponto numa cópia em vinte — tolerável porque as proteínas são substituíveis e os erros não são herdados.
19.5 Depois da tradução
Proposição 19.11 (O que acontece com um polipeptídeo novo)
A cadeia se dobra à medida que emerge, com a ajuda das chaperonas (Capítulo 12). O destino dela está escrito na sequência dela: um peptídeo-sinal na extremidade N liga uma partícula de reconhecimento de sinal que interrompe a tradução, acopla o ribossomo ao retículo endoplasmático e enfia a cadeia no lúmen dele (Capítulo 6); outras sequências dirigem proteínas para as mitocôndrias, os cloroplastos, o núcleo ou os peroxissomos depois da síntese; uma proteína sem sinal fica no citosol. Muitas proteínas são modificadas: a metionina inicial é removida, açúcares são presos no RE e no Golgi, fosfatos são acrescentados e retirados por quinases e fosfatases, lipídios são presos, pedaços são cortados (a insulina é fabricada como uma cadeia só e cortada em duas; os zimogênios são cortados para serem ativados). E toda proteína acaba degradada: marcada com a pequena proteína ubiquitina e desdobrada e digerida pelo proteassomo, depois de uma vida de minutos (proteínas reguladoras) a meses (hemoglobina) — de modo que as proteínas presentes são aquelas que a célula está fabricando naquele momento.
Exemplo 19.12 (Os números de uma célula)
Uma E. coli em crescimento contém uns ribossomos, cada um acrescentando vinte resíduos por segundo: resíduos por segundo, um milhão de proteínas de resíduos em uma hora — o próprio conteúdo dela, que é o que dobrar a cada hora exige. Metade da energia dela vai para a síntese proteica. Uma célula do fígado contém dez milhões de ribossomos e fabrica proteínas para semanas de uso, e não para a divisão; um plasmócito, que secreta anticorpo, dedica quase todos eles a uma única proteína e despeja duas mil moléculas por segundo.
19.6 Exercícios
Exercício 19.1 ★
Dê o RNA transcrito a partir da fita molde -TACGGATTC-, e a fita codificante.
Exercício 19.2 ★
Liste as três modificações por que passa um transcrito primário eucariótico antes de deixar o núcleo.
Solução
Solução de Exercício 19.2.
Um capuz (guanina modificada), uma cauda poli-A , e a remoção dos íntrons por splicing.
Exercício 19.3 ★
Usando a tabela do código, traduza -AUGCCGAAAGUUUGA-.
Solução
Solução de Exercício 19.3.
AUG CCG AAA GUU UGA: Met-Pro-Lys-Val, e então parada.
Exercício 19.4 ★
Cite os três sítios de tRNA do ribossomo e o que acontece em cada um.
Solução
Solução de Exercício 19.4.
A: o tRNA carregado que chega é admitido e conferido. P: o tRNA que carrega a cadeia em crescimento; a ligação se forma entre a cadeia dele e o aminoácido do sítio A. E: o tRNA esvaziado a caminho da saída.
Exercício 19.5 ★★
Um mensageiro de nucleotídeos tem de região não traduzida e de região não traduzida mais poli-A. Quantos resíduos tem a proteína? Quanto tempo um ribossomo leva para fabricá-la a quatro resíduos por segundo, e quantos ribossomos podem ler a mensagem ao mesmo tempo, a um por nucleotídeos?
Solução
Solução de Exercício 19.5.
Codificantes nucleotídeos: 599 resíduos (600 códons, um deles de parada). Tempo . Ribossomos ao mesmo tempo.
Exercício 19.6 ★★
Explique por que três inserções restauram o quadro de leitura de um gene enquanto uma ou duas não restauram, e com que se parece a proteína feita a partir da inserção tripla.
Solução
Solução de Exercício 19.6.
A mensagem é lida de três em três a partir de um início fixo; uma ou duas bases a mais deslocam todos os códons seguintes e o resto da proteína vira algaravia, em geral terminando numa parada prematura. Três bases a mais acrescentam um códon e restauram o quadro: a proteína tem um resíduo a mais e alguns errados entre as inserções, e muitas vezes ainda funciona.
Exercício 19.7 ★★
Uma mutação muda o códon CAG para UAG no meio de um gene de códons; outra muda CAG para CAA; uma terceira o muda para CGG. Dê o efeito de cada uma sobre a proteína.
Solução
Solução de Exercício 19.7.
CAG (Gln) para UAG (parada): a cadeia termina no resíduo 150, uma proteína truncada e quase certamente inativa (mutação sem sentido). CAG para CAA: continua Gln, silenciosa. CAG para CGG: Arg no lugar de Gln, uma substituição (mutação de sentido trocado) cujo efeito depende da posição.
Exercício 19.8 ★★
Explique por que a fidelidade da tradução repousa nas aminoacil-tRNA-sintetases, e não no ribossomo, e descreva um experimento que mostrou isso (uma cisteína presa ao tRNA dela é convertida quimicamente em alanina; onde a alanina vai parar?).
Solução
Solução de Exercício 19.8.
O ribossomo confere apenas o pareamento entre códon e anticódon; ele não consegue ver o aminoácido. Se a cisteína presa ao tRNA dela for convertida quimicamente em alanina, o ribossomo insere alanina onde quer que a mensagem diga cisteína: o que é lido é o tRNA, e não o aminoácido. Logo, a sintetase, que emparelha cada aminoácido com o tRNA certo, é a verdadeira tradutora.
Exercício 19.9 ★★
Calcule o custo em energia, em ligações ricas em energia, de uma proteína de resíduos, e a fração dele gasta no ribossomo.
Solução
Solução de Exercício 19.9.
ligações; os dois GTP do ribossomo por resíduo são metade delas, e os dois das sintetases, a outra metade.
Exercício 19.10 ★★★
Nas bactérias os ribossomos começam a traduzir uma mensagem enquanto ela ainda está sendo transcrita; nos eucariotos eles não conseguem. Explique por quê (duas razões), e o que essa diferença torna possível nos eucariotos.
Solução
Solução de Exercício 19.10.
Nos eucariotos o transcrito é feito no núcleo e os ribossomos ficam no citosol, separados pelo envoltório; e o transcrito só é um mensageiro depois de ter sofrido splicing e recebido o capuz. A separação é o que torna possível o próprio processamento — o splicing alternativo, o controle da exportação, e uma verificação de que a mensagem está completa antes de ser lida.
Exercício 19.11 ★★★
Um gene de cinco éxons pode sofrer splicing incluindo ou pulando o éxon 3 ( nucleotídeos) e o éxon 4 ( nucleotídeos). Liste os mensageiros possíveis e diga quais deles conservam o quadro de leitura do éxon 5. O que isso mostra sobre o splicing alternativo?
Solução
Solução de Exercício 19.11.
Quatro mensageiros: com os dois éxons (190 nucleotídeos acrescentados), só com o 3 (90), só com o 4 (100), sem nenhum dos dois (0). O quadro se mantém se o comprimento acrescentado for múltiplo de 3: 0 e 90 o mantêm; 100 e 190 o deslocam, de modo que os mensageiros só com o éxon 4 ou com os dois éxons leem o éxon 5 fora do quadro e truncam a proteína. O splicing alternativo precisa respeitar o quadro, e é por isso que os éxons muitas vezes são múltiplos de três.
Exercício 19.12 ★★★
“O código é um acidente congelado: arbitrário, mas caro demais para mudar.” Discuta em um parágrafo: o que no código parece arbitrário, o que parece otimizado (a terceira posição, códons parecidos para aminoácidos parecidos), e por que uma mutação que mude a especificidade de uma sintetase é quase sempre letal.
Solução
Solução de Exercício 19.12.
Arbitrário: nada na química diz que UUU precise significar Phe; as atribuições são convenções mantidas pelas sintetases. Otimizado: a terceira posição é a mais degenerada, de modo que os erros e as mutações que caem ali são muitas vezes silenciosos, e os códons que diferem por uma base tendem a codificar aminoácidos parecidos, de modo que uma substituição costuma ser branda — o código minimiza o dano do erro. Congelado: uma sintetase que mudasse a especificidade dela alteraria de uma vez todas as proteínas da célula, aos milhares, no mesmo instante; quase nenhuma célula sobrevive a isso, e por isso o código não pode derivar e está fixado desde o ancestral comum de todos os seres vivos.
19.7 Problema: De um gene a uma proteína
Problema 19.1
Problema de fim de semana — um gene de trinta quilobases acompanhado até uma proteína de quinhentos resíduos: transcrição cronometrada, splicing pesado, ribossomos contados, energia e erros calculados, terminando no custo de uma proteína em ATP
Um gene humano ocupa com oito éxons que somam nucleotídeos de mensageiro maduro, dos quais são codificantes (500 resíduos mais a parada). A polimerase II transcreve a nucleotídeos por segundo; os ribossomos alongam a resíduos por segundo e se espaçam a um por nucleotídeos; a meia-vida do mensageiro é de . Custos: duas ligações ricas em energia por nucleotídeo transcrito, quatro por resíduo traduzido; tome uma ligação rica em energia como um ATP. Taxas de erro: por nucleotídeo transcrito, por códon traduzido.
Parte I — Transcrição e splicing.
- Quanto tempo uma polimerase leva para transcrever o gene?
- Que fração do transcrito primário é removida pelo splicing?
- Quantos nucleotídeos são transcritos para cada nucleotídeo de mensageiro maduro?
- Calcule o ATP gasto para transcrever um transcrito primário.
- Se uma polimerase partir a cada , quantas polimerases estão sobre o gene ao mesmo tempo, e quantos mensageiros o gene produz por hora?
- Calcule o número de íntrons e o comprimento médio deles.
- O spliceossomo remove cada íntron em cerca de um minuto, em paralelo. É o splicing ou a transcrição que determina o tempo do gene ao mensageiro?
- Calcule o comprimento físico do gene e o do mensageiro maduro ( por nucleotídeo).
Parte II — Tradução.
- Quanto tempo um ribossomo leva para traduzir a proteína?
- Quantos ribossomos leem um mensageiro ao mesmo tempo?
- Quantas moléculas de proteína um mensageiro rende por hora?
- Ao longo da meia-vida de dele, quantas ele rende no total (uma mensagem de meia-vida rende, em média, horas de produção plena)?
- Calcule o ATP gasto para traduzir uma proteína.
- Calcule o ATP gasto na transcrição por proteína, repartindo o custo do transcrito entre as proteínas da questão 12.
- Calcule o custo total de uma proteína e a fração dele devida à tradução.
Parte III — Erros.
- Calcule a probabilidade de um dado mensageiro carregar pelo menos um erro de transcrição nos nucleotídeos codificantes dele.
- Calcule a probabilidade de uma dada molécula de proteína carregar pelo menos um erro de tradução.
- Cerca de um quarto das mudanças de nucleotídeo é silenciosa e um terço das substituições de aminoácido é inofensivo. Que fração das moléculas de proteína produzidas é defeituosa?
- Um mensageiro defeituoso rende proteínas defeituosas por duas horas; uma proteína defeituosa é uma única molécula. Explique por que a célula pode se dar ao luxo de uma taxa de erro de tradução dez vezes a de transcrição, e as duas muito acima da de replicação.
Parte IV — O orçamento da célula. A célula fabrica cópias dessa proteína por hora e, ao todo, resíduos de proteína por dia.
- Quantos mensageiros desse gene precisam estar presentes ao mesmo tempo (cada um rendendo o número da questão 11)?
- Quantos ribossomos ficam ocupados por essa proteína?
- Calcule o ATP diário que a célula gasta em toda a síntese proteica dela (quatro por resíduo) e, a , a potência em watts para uma célula de .
- Compare com a potência total da célula, se ela consumir ATP por segundo.
- Um fármaco bloqueia o spliceossomo. Preveja o efeito dele sobre essa proteína e sobre uma proteína bacteriana.
- Enuncie o resultado: o custo em ATP de uma molécula da proteína, repartido entre tradução e transcrição, e o tempo do início da transcrição até a primeira proteína pronta.
Solução
Solução de Problema 19.1.
1. , cerca de . 2. . 3. . 4. ATP. 5. polimerases sobre o gene; 360 mensageiros por hora. 6. Sete íntrons, com média de nucleotídeos. 7. A transcrição (); os íntrons sofrem splicing à medida que são feitos, e o último acrescenta só um minuto. 8. Gene ; mensageiro . 9. . 10. . 11. Uma cadeia termina a cada : 180 por hora. 12. de produção plena: cerca de 520 proteínas. 13. ATP. 14. ATP por proteína. 15. Cerca de 2100 ATP, deles na tradução. 16. . 17. . 18. Transcrição: dos mensageiros defeituosos, e portanto das proteínas; tradução: ; cerca de das moléculas. 19. Um erro de proteína fica confinado a uma molécula, que logo é degradada; um erro de mensageiro é copiado em centenas de proteínas; um erro de replicação é herdado por todos os descendentes para sempre. O custo de um erro, e portanto a exatidão que vale a pena pagar, sobe a cada passo para trás. 20. mensageiros presentes. 21. ribossomos. 22. ATP por dia , por dia, ou seja, — por micrômetro cúbico. 23. ATP por segundo são por dia: a síntese proteica é um centésimo disso nessa célula de renovação lenta (numa bactéria em divisão ela é a metade). 24. Nenhum mensageiro maduro: os transcritos primários se acumulam no núcleo e a proteína desaparece à medida que os mensageiros dela se degradam, em poucas horas. A proteína bacteriana, cujo gene não tem íntrons, não é afetada. 25. Cerca de 2100 ATP por molécula — 2000 para a tradução, e cem para a parcela dela no transcrito; a primeira proteína depois de de transcrição, um minuto de processamento e exportação, e de tradução: cerca de vinte minutos.