Physics · Livro 4 · Bachelor Year 2

Física universitária — 2.º ano

Física universitária — 2.º ano · Bachelor Year 2

14Ondas eletromagnéticas em plasmas, condutores e dielétricos

Uma transmissão em ondas curtas atravessa um oceano ricocheteando na alta atmosfera, que a reflete como um espelho — e no entanto a mesma camada deixa passar sinais de televisão e de satélite. Uma colher de metal é brilhante, uma tela metálica na porta de um forno de micro-ondas retém as ondas enquanto você observa a comida através dela, e uma folha de vidro é transparente à luz e opaca ao ultravioleta. Em cada caso uma onda entra num material, as cargas do material respondem, e sua resposta muda a onda: sua celeridade, sua atenuação e até se ela se propaga ou não. Este capítulo trata os três modelos padrão de meio — um gás de elétrons livres, um condutor ôhmico e elétrons ligados — com o único método que dá conta de todos: acrescentar a corrente induzida às equações de Maxwell e ler a relação de dispersão.

14.1 Ondas num plasma

Definição 14.1 (Plasma; o modelo do elétron livre)

Um plasma é um gás globalmente neutro de elétrons livres (densidade nn, massa mm, carga e-e) e de íons positivos que, sendo milhares de vezes mais pesados, são tomados como fixos. A alta atmosfera (ionosfera, n1011n \sim 10^{11}101210^{12} m3^{-3}), um tubo de descarga, a coroa solar e — em frequências ópticas — os elétrons de condução de um metal são plasmas. As colisões são desprezadas (o período da onda é curto comparado com o tempo entre colisões). Sua frequência característica é a frequência de plasma

ωp=ne2ε0m,fp=ωp2π9Hz×n[m3]:\omega_p = \sqrt{\frac{ne^2}{\varepsilon_0m}} , \qquad f_p = \frac{\omega_p}{2\pi} \approx 9\,\text{Hz}\times\sqrt{n\,[\text{m}^{-3}]} :

de 3MHz3\,\mathrm{MHz} a 9MHz9\,\mathrm{MHz} para a ionosfera, e 2×1015Hz2 \times 10^{15}\,\mathrm{Hz} (ultravioleta) para um metal.

Teorema 14.2 (Relação de dispersão de um plasma)

Para uma onda OPPH transversal E=E0ei(ωtkx)\underline{\vect E} = \underline{\vect E}_0\eu^{\iu(\omega t - kx)} num plasma, os elétrons oscilam com v=eE/imω\underline{\vect v} = -e\underline{\vect E}/\iu m\omega e transportam a densidade de corrente j=γE\underline{\vect j} = \underline\gamma\underline{\vect E} com γ=ne2/imω\underline\gamma = ne^2/\iu m\omega; as equações de Maxwell dão então

k2=ω2ωp2c2.k^2 = \frac{\omega^2 - \omega_p^2}{c^2} .

Acima de ωp\omega_p a onda se propaga, com vφ=c/1ωp2/ω2>cv_\varphi = c/\sqrt{1 - \omega_p^2/\omega^2} > c e vg=c1ωp2/ω2<cv_g = c\sqrt{1 - \omega_p^2/\omega^2} < c, vφvg=c2v_\varphi v_g = c^2; abaixo de ωp\omega_p, k=iκk = -\iu\kappa com κ=ωp2ω2/c\kappa = \sqrt{\omega_p^2 - \omega^2}/c: a onda é evanescente, penetra numa distância 1/κ1/\kappa e é totalmente refletida (Capítulo 15); o plasma é então um espelho. Com ωωp\omega \gg \omega_p os elétrons não conseguem acompanhar e o plasma é transparente.

Demonstração. Equação do movimento m ⁣dv/ ⁣dt=eEm\,\dd\vect v/\dd t = -e\vect E (a força magnética evBevE/cev B \sim evE/c é desprezível para vcv \ll c, e o movimento dos íons é m/Mm/M vezes menor): imωv=eE\iu m\omega\underline{\vect v} = -e\underline{\vect E}. Então j=nev\underline{\vect j} = -ne\underline{\vect v}. O plasma permanece neutro para uma onda transversal (kE=0\vect k\cdot\vect E = 0ρ=0\rho = 0 por Gauss), de modo que Maxwell–Ampère diz ikB=μ0γE+iωμ0ε0E-\iu\vect k\wedge\underline{\vect B} = \mu_0\underline\gamma\underline{\vect E} + \iu\omega\mu_0\varepsilon_0\underline{\vect E} e Maxwell–Faraday B=kE/ω\underline{\vect B} = \vect k \wedge\underline{\vect E}/\omega; combinando, k2E=μ0(iωγω2ε0)(1)Ek^2\underline{\vect E} = \mu_0(\iu\omega\underline\gamma - \omega^2\varepsilon_0)(-1)\underline{\vect E}, ou seja, k2=ω2μ0ε0iωμ0γ=(ω2ne2/ε0m)/c2k^2 = \omega^2\mu_0\varepsilon_0 - \iu\omega\mu_0 \underline\gamma = (\omega^2 - ne^2/\varepsilon_0m)/c^2. As velocidades seguem como no Capítulo 8.

Observação 14.3 (Para onde vai a energia)

A condutividade é imaginária: jE=0\langle\vect j\cdot\vect E\rangle = 0, os elétrons tomam energia da onda durante meio ciclo e a devolvem no meio ciclo seguinte — um meio sem perdas, no qual a energia da onda se reparte entre os campos e a energia cinética dos elétrons, e viaja a vgv_g. As colisões acrescentam uma pequena parte real a γ\underline\gamma e uma pequena absorção: a camada D da ionosfera absorve as ondas médias de dia, e é por isso que as emissoras AM distantes chegam à noite.

Exemplo 14.4 (A ionosfera e o rádio)

Com n=1×1012m3n = 1 \times 10^{12}\,\mathrm{m}^{-3} na camada F, fp=9MHzf_p = 9\,\mathrm{MHz}: as transmissões em ondas curtas abaixo disso são refletidas (e podem saltar em torno da Terra entre a ionosfera e o solo), ao passo que o FM (100MHz100\,\mathrm{MHz}), a televisão e os enlaces de satélite atravessam. Uma onda de 3MHz3\,\mathrm{MHz} penetra apenas 1/κ=c/ωp2ω2=6m1/\kappa = c/\sqrt{\omega_p^2 - \omega^2} = 6\,\mathrm{m} na camada antes de retornar. Uma nave que reentra na atmosfera fica envolvida num plasma de n1018n \sim 10^{18} m3^{-3}, fp10GHzf_p \sim 10\,\mathrm{GHz}: o contato de rádio se perde por minutos.

À esquerda: a relação de dispersão de um plasma — nenhuma propagação abaixo de _p, e uma hipérbole que se aproxima da reta da luz acima. À direita: as ondas curtas abaixo da frequência de plasma são refletidas pela ionosfera e saltam em torno da Terra; frequências maiores escapam para o espaço. À esquerda: a relação de dispersão de um plasma — nenhuma propagação abaixo de _p, e uma hipérbole que se aproxima da reta da luz acima. À direita: as ondas curtas abaixo da frequência de plasma são refletidas pela ionosfera e saltam em torno da Terra; frequências maiores escapam para o espaço.
À esquerda: a relação de dispersão de um plasma — nenhuma propagação abaixo de ωp\omega_p, e uma hipérbole que se aproxima da reta da luz acima. À direita: as ondas curtas abaixo da frequência de plasma são refletidas pela ionosfera e saltam em torno da Terra; frequências maiores escapam para o espaço.

14.2 Ondas num condutor ôhmico: o efeito pelicular

Teorema 14.5 (Efeito pelicular)

Num condutor ôhmico (j=γE\vect j = \gamma\vect E, com γ\gamma real, em frequências com ωτ1\omega\tau \ll 1 e ε0ωγ\varepsilon_0\omega \ll \gamma, ou seja, abaixo de 1×1016Hz\sim1 \times 10^{16}\,\mathrm{Hz} para o cobre) a corrente de deslocamento é desprezível e os campos obedecem à equação de difusão ΔE=μ0γtE\Delta\vect E = \mu_0\gamma\,\partial_t\vect E. Uma onda OPPH que entra no condutor em x=0x = 0 tem

k2=iμ0γω,k=1iδ,δ=2μ0γω,\underline k^2 = -\iu\mu_0\gamma\omega , \qquad \underline k = \frac{1 - \iu}\delta , \qquad \delta = \sqrt{\frac2{\mu_0\gamma\omega}} ,

de modo que E=E0ex/δei(ωtx/δ)\underline E = E_0\,\eu^{-x/\delta}\eu^{\iu(\omega t - x/\delta)}: ela é amortecida ao longo da profundidade de penetração δ\delta, com uma fase que também gira um radiano por δ\delta — um comprimento de onda 2πδ2\pi\delta, uma velocidade de fase ωδc\omega\delta \ll c. A corrente j=γE\vect j = \gamma\vect E fica confinada a uma camada de espessura δ\delta sob a superfície, e B\vect B atrasa-se em relação a E\vect E de 4545{}^{\circ}, com B=E2/ωδ|B| = |E|\sqrt2/\omega\delta. Para o cobre, δ=9.2mm\delta = 9.2\,\mathrm{mm} a 50Hz50\,\mathrm{Hz}, 0.21mm0.21\,\mathrm{mm} a 100kHz100\,\mathrm{kHz} e 2.1µm2.1\,\text{µ}\mathrm{m} a 1GHz1\,\mathrm{GHz}.

Demonstração. curlB=μ0γE\operatorname{\vect{curl}}\vect B = \mu_0\gamma\vect E (deslocamento descartado) e curlE=tB\operatorname{\vect{curl}}\vect E = -\partial_t\vect B: tomando o rotacional da segunda, ΔE=μ0γtE-\Delta\vect E = -\mu_0\gamma\partial_t\vect E (o condutor é neutro, divE=0\operatorname{div} \vect E = 0). Para ei(ωtkx)\eu^{\iu(\omega t - kx)}: k2=iμ0γωk^2 = -\iu\mu_0\gamma\omega, e i=(1i)/2\sqrt{-\iu} = (1 - \iu)/\sqrt2k=(1i)/δ\underline k = (1 - \iu)/\delta (a raiz que decai para dentro do condutor). Faraday: B=kE/ω=(1i)E/ωδ\underline B = \underline k\underline E/\omega = (1 - \iu) \underline E/\omega\delta, de módulo 2E/ωδ\sqrt2E/\omega\delta e fase π/4-\pi/4.

À esquerda: o campo dentro de um condutor — uma oscilação amortecida, morta em algumas profundidades de penetração. À direita: a profundidade de penetração do cobre e da água do mar em função da frequência: milímetros na frequência da rede, micrômetros em gigahertz; o mar só deixa entrar as ondas de rádio mais longas. À esquerda: o campo dentro de um condutor — uma oscilação amortecida, morta em algumas profundidades de penetração. À direita: a profundidade de penetração do cobre e da água do mar em função da frequência: milímetros na frequência da rede, micrômetros em gigahertz; o mar só deixa entrar as ondas de rádio mais longas.
À esquerda: o campo dentro de um condutor — uma oscilação amortecida, morta em algumas profundidades de penetração. À direita: a profundidade de penetração do cobre e da água do mar em função da frequência: milímetros na frequência da rede, micrômetros em gigahertz; o mar só deixa entrar as ondas de rádio mais longas.

Exemplo 14.6 (Consequências do efeito pelicular)

(i) Um fio de raio aδa \gg \delta conduz sua corrente num anel de espessura δ\delta: sua resistência sobe de 1/γπa21/\gamma\pi a^2 para cerca de 1/γ2πaδ1/\gamma 2\pi a\delta por metro — para um fio de cobre de 1mm1\,\mathrm{mm}, quatro vezes o valor em contínua a 1MHz1\,\mathrm{MHz} e cem vezes a 1GHz1\,\mathrm{GHz}. As bobinas de alta frequência usam fio "Litz" (muitos filamentos isolados) ou tubos prateados; os condutores da rede elétrica são encordoados com uma capa de alumínio. (ii) Uma caixa metálica atenua uma onda por ed/δ\eu^{-d/\delta} a cada espessura dd: uma caixa de alumínio de 1mm1\,\mathrm{mm} bloqueia 1MHz1\,\mathrm{MHz} em 100dB100\,\mathrm{dB}, mas 50Hz50\,\mathrm{Hz} quase nada — os campos magnéticos de baixa frequência exigem ferro. (iii) Os submarinos só recebem rádio de ondas muito longas (δ=2.3m\delta = 2.3\,\mathrm{m} a 10kHz10\,\mathrm{kHz} na água do mar); as minas são detectadas pelas correntes de Foucault que uma bobina induz nelas (Capítulo 11, com o tempo de difusão μ0γd2\mu_0\gamma d^2).

14.3 Ondas num dielétrico: o elétron ligado

Proposição 14.7 (Elétron ligado elasticamente; índice complexo)

Num isolante cada elétron está ligado a seu átomo: um deslocamento r\vect r em relação ao equilíbrio chama a força restauradora mω02r-m\omega_0^2\vect r e um amortecimento mΓ ⁣dr/ ⁣dt-m\Gamma\,\dd\vect r/\dd t (a energia irradiada ou entregue à rede). Excitado pela onda, mr¨=mω02rmΓr˙eEm\ddot{\vect r} = -m\omega_0^2\vect r - m\Gamma\dot{\vect r} - e\vect E; os elétrons deslocados dão ao meio a polarização (momento dipolar por unidade de volume) P=ner=ε0χ(ω)E\vect P = -ne\vect r = \varepsilon_0\underline\chi(\omega) \underline{\vect E}, com a suscetibilidade

χ(ω)=ωp2ω02ω2+iΓω,ωp2=ne2ε0m,\underline\chi(\omega) = \frac{\omega_p^2}{\omega_0^2 - \omega^2 + \iu\Gamma\omega} , \qquad \omega_p^2 = \frac{ne^2}{\varepsilon_0m} ,

e a corrente ligada j=tP\vect j = \partial_t\vect P. As equações de Maxwell dão então

k2=ω2c2(1+χ)=ω2c2n2,n=nin,\underline k^2 = \frac{\omega^2}{c^2}\,(1 + \underline\chi) = \frac{\omega^2}{c^2}\,\underline n^2 , \qquad \underline n = n' - \iu n'' ,

com nn' o índice de refração (velocidade de fase c/nc/n') e nn'' a extinção (a intensidade decai como e2nωx/c\eu^{-2n''\omega x/c}). Bem abaixo de uma ressonância (ωω0\omega \ll \omega_0, com Γ\Gamma desprezível), n21+ωp2/ω02+ωp2ω2/ω04n'^2 \approx 1 + \omega_p^2/\omega_0^2 + \omega_p^2\omega^2/\omega_0^4: o índice cresce com a frequência — dispersão normal, lei de Cauchy nA+B/λ2n \approx A + B/\lambda^2 — e a absorção é desprezível; perto de ω0\omega_0 o meio absorve, e logo acima dela nn' cai com ω\omega (dispersão anômala).

Demonstração. Amplitudes complexas: (ω02ω2+iΓω)r=eE/m(\omega_0^2 - \omega^2 + \iu\Gamma\omega)\underline{\vect r} = -e\underline{\vect E} /m; P=ner\underline{\vect P} = -ne\underline{\vect r}. Então, como no plasma, k2=ω2μ0ε0iωμ0γk^2 = \omega^2\mu_0 \varepsilon_0 - \iu\omega\mu_0\underline\gamma com j=iωP=iωε0χE\underline{\vect j} = \iu\omega\underline{\vect P} = \iu\omega\varepsilon_0 \underline\chi\underline{\vect E}, ou seja, γ=iωε0χ\underline\gamma = \iu\omega\varepsilon_0\underline\chi: k2=(ω2/c2)(1+χ)k^2 = (\omega^2/c^2) (1 + \underline\chi). (O plasma é o caso ω0=0\omega_0 = 0, Γ=0\Gamma = 0.) Expansão: 1/(ω02ω2)(1+ω2/ω02)/ω021/(\omega_0^2 - \omega^2) \approx (1 + \omega^2/\omega_0^2)/\omega_0^2.

O modelo do elétron ligado (de Lorentz): a parte real do índice cresce com a frequência abaixo da ressonância (dispersão normal: o violeta é mais lento que o vermelho no vidro), a parte imaginária tem máximo na ressonância (absorção), e o índice cai ao atravessar a ressonância (dispersão anômala).
O modelo do elétron ligado (de Lorentz): a parte real do índice cresce com a frequência abaixo da ressonância (dispersão normal: o violeta é mais lento que o vermelho no vidro), a parte imaginária tem máximo na ressonância (absorção), e o índice cai ao atravessar a ressonância (dispersão anômala).

Exemplo 14.8 (Vidro, água, ar)

O vidro tem suas ressonâncias eletrônicas no ultravioleta (ω01016\omega_0 \sim 10^{16} rad/s): no visível ele é transparente e dispersivo, n=1.51n = 1.51 a 700nm700\,\mathrm{nm} e 1.531.53 a 400nm400\,\mathrm{nm}, o bastante para um prisma abrir um arco-íris e para os pulsos de uma fibra se alargarem (Capítulo 8); no ultravioleta ele absorve — ninguém se bronzeia atrás de uma janela. A água tem, além disso, uma ressonância de rotação de suas moléculas polares perto de 20GHz20\,\mathrm{GHz} (uma relaxação de Debye, e não uma linha estreita): ela absorve fortemente as micro-ondas, o que aquece a comida e cega o radar na chuva, e tem n0n'' \approx 0 numa janela visível estreita — a janela através da qual os olhos evoluíram. O ar, com n1=2.9×104n - 1 = 2.9 \times 10^{-4}, ainda desvia o Sol poente em meio grau.

Observação 14.9 (Uma equação, três meios)

Todo meio linear entra nas equações de Maxwell através de sua corrente induzida j=γ(ω)E\underline{\vect j} = \underline\gamma(\omega)\underline{\vect E}, e a relação de dispersão é sempre k2=ω2/c2iωμ0γ(ω)\underline k^2 = \omega^2/c^2 - \iu\omega\mu_0\underline\gamma(\omega):

meioγ(ω)\underline\gamma(\omega)k2\underline k^2
plasmane2/imωne^2/\iu m\omega (imaginária)(ω2ωp2)/c2(\omega^2 - \omega_p^2)/c^2: corte
condutor ôhmicoγ\gamma (real)iμ0γω-\iu\mu_0\gamma\omega: efeito pelicular
dielétricoiωε0χ(ω)\iu\omega\varepsilon_0\underline\chi(\omega)(ω2/c2)(1+χ)(\omega^2/c^2)(1 + \underline\chi): índice

Um metal é os três, um após o outro: ôhmico abaixo de 1×1013Hz1 \times 10^{13}\,\mathrm{Hz}, um plasma (refletor) no visível e transparente no ultravioleta distante.

Método 14.10 (Ondas num meio)

(1) Escreva a equação do movimento das cargas e obtenha j=γE\underline{\vect j} = \underline\gamma\underline{\vect E}. (2) Insira em Maxwell–Ampère com o ansatz OPPH: k2=ω2/c2iωμ0γ\underline k^2 = \omega^2/c^2 - \iu\omega\mu_0\underline\gamma. (3) Tome a raiz com Imk0\operatorname{Im}k \le 0 (decaimento no sentido de propagação), separe em parte real (propagação, vφ=ω/kv_\varphi = \omega/k') e imaginária (atenuação). (4) Identifique os regimes em frequência — propagante, evanescente, absorvente — e a frequência característica (ωp\omega_p, 1/μ0γδ21/\mu_0\gamma\delta^2, ω0\omega_0). (5) Ache B\vect B por Faraday e, se necessário, o fluxo de Poynting e a potência dissipada.

14.4 Exercícios

Exercício 14.1

Frequências de plasma para n=1×1011m3n = 1 \times 10^{11}\,\mathrm{m}^{-3} (ionosfera à noite), 1×1012m31 \times 10^{12}\,\mathrm{m}^{-3} (de dia), 1×1018m31 \times 10^{18}\,\mathrm{m}^{-3} (bainha de reentrada), 8.5×1028m38.5 \times 10^{28}\,\mathrm{m}^{-3} (cobre), 1×105m31 \times 10^{5}\,\mathrm{m}^{-3} (espaço interestelar). Para cada uma, o que passa: uma emissora AM de 1MHz1\,\mathrm{MHz}, uma FM de 100MHz100\,\mathrm{MHz}, um sinal GPS de 1.5GHz1.5\,\mathrm{GHz}, a luz visível?

Solução

Solução de Exercício 14.1.

fp9nf_p \approx 9\sqrt n Hz: 2.8MHz2.8\,\mathrm{MHz}, 9MHz9\,\mathrm{MHz}, 9GHz9\,\mathrm{GHz}, 2.6×1015Hz2.6 \times 10^{15}\,\mathrm{Hz} (λp=115nm\lambda_p = 115\,\mathrm{nm}), 2.8kHz2.8\,\mathrm{kHz}. AM a 1MHz1\,\mathrm{MHz}: só pelo espaço interestelar. FM: pela ionosfera, mas não pela bainha. GPS: por tudo, menos pela bainha. Luz: por tudo, menos pelo cobre.

Exercício 14.2

Profundidade de penetração do cobre (γ=6.0×107S/m\gamma = 6.0 \times 10^{7}\,\mathrm{S}/\mathrm{m}) a 50Hz50\,\mathrm{Hz}, 1kHz1\,\mathrm{kHz}, 1MHz1\,\mathrm{MHz} e 1GHz1\,\mathrm{GHz}; do alumínio (3.6×107S/m3.6 \times 10^{7}\,\mathrm{S}/\mathrm{m}) a 1MHz1\,\mathrm{MHz}; da água do mar (5S/m5\,\mathrm{S}/\mathrm{m}) a 10kHz10\,\mathrm{kHz} e 1GHz1\,\mathrm{GHz}; do solo úmido (1×102S/m1 \times 10^{-2}\,\mathrm{S}/\mathrm{m}) a 1MHz1\,\mathrm{MHz}. Que frequências de rádio alcançam um submarino a 10m10\,\mathrm{m}?

Solução

Solução de Exercício 14.2.

Cobre: 9.2mm9.2\,\mathrm{mm}, 2.1mm2.1\,\mathrm{mm}, 65µm65\,\text{µ}\mathrm{m}, 2.1µm2.1\,\text{µ}\mathrm{m}; alumínio a 1MHz1\,\mathrm{MHz}: 84µm84\,\text{µ}\mathrm{m}; água do mar: 2.3m2.3\,\mathrm{m} a 10kHz10\,\mathrm{kHz}, 7mm7\,\mathrm{mm} a 1GHz1\,\mathrm{GHz}; solo: 5m5\,\mathrm{m} a 1MHz1\,\mathrm{MHz}. Um submarino a 10m10\,\mathrm{m} precisa de δ10m\delta \gtrsim 10\,\mathrm{m}: abaixo de cerca de 500Hz500\,\mathrm{Hz}.

Exercício 14.3

Um vidro obedece a n=1.50+4.5×103nm2/λ2n = 1.50 + 4.5 \times 10^{3}\,\mathrm{nm}^{2}/\lambda^2. Índice a 400nm400\,\mathrm{nm}, 550nm550\,\mathrm{nm} e 700nm700\,\mathrm{nm}; velocidades de fase; índice de grupo ng=nλ ⁣dn/ ⁣dλn_g = n - \lambda\,\dd n/\dd\lambda a 550nm550\,\mathrm{nm}; abertura angular de um feixe branco refratado no vidro sob incidência de 4545{}^{\circ}.

Solução

Solução de Exercício 14.3.

n=1.528n = 1.528, 1.5151.515, 1.5091.509; v=1.963v = 1.963, 1.9801.980, 1.987×108m/s1.987 \times 10^{8}\,\mathrm{m}/\mathrm{s}; ng=n+2B/λ2=1.545n_g = n + 2B/\lambda^2 = 1.545. Ângulos de refração arcsin(0.707/n)\arcsin(0.707/n): 27.5727.57{}^{\circ} e 27.9327.93{}^{\circ}: uma abertura de 0.360.36{}^{\circ}.

Exercício 14.4

Uma onda de 5MHz5\,\mathrm{MHz} encontra uma camada com n=2×1011m3n = 2 \times 10^{11}\,\mathrm{m}^{-3}: ela é refletida? Profundidade de penetração; o mesmo a 2MHz2\,\mathrm{MHz}; frequência mínima que atravessa uma camada de n=1.5×1012m3n = 1.5 \times 10^{12}\,\mathrm{m}^{-3}. Por que as faixas de ondas curtas "abrem" e "fecham" com a hora e com o ciclo solar?

Solução

Solução de Exercício 14.4.

fp=4.0MHzf_p = 4.0\,\mathrm{MHz}: 5MHz5\,\mathrm{MHz} passa; 2MHz2\,\mathrm{MHz} é refletida, penetrando c/ωp2ω2=14mc/\sqrt{\omega_p^2 - \omega^2} = 14\,\mathrm{m}. Para n=1.5×1012m3n = 1.5 \times 10^{12}\,\mathrm{m}^{-3}: 11MHz11\,\mathrm{MHz}. A densidade acompanha o fluxo ionizante do Sol — hora, estação e o ciclo de onze anos —, de modo que a maior frequência utilizável se desloca com eles.

Exercício 14.5 ★★

Resistência em alternada. Um fio de cobre de raio a=1.0mma = 1.0\,\mathrm{mm}. (a) Resistência em contínua por metro. (b) A 1MHz1\,\mathrm{MHz}: δ\delta; resistência aproximada por metro com a corrente confinada a um anel de espessura δ\delta; razão em relação à contínua. (c) A 100MHz100\,\mathrm{MHz}. (d) Por que uma bobina de NN espiras desse fio tem um fator de qualidade que deixa de melhorar com NN em alta frequência, e o que é o fio Litz?

Solução

Solução de Exercício 14.5.

(a) 1/γπa2=5.3mΩ/m1/\gamma\pi a^2 = 5.3\,\mathrm{m}\Omega/\mathrm{m}. (b) δ=65µm\delta = 65\,\text{µ}\mathrm{m}; R1/γ2πaδ=41mΩ/mR \approx 1/\gamma2\pi a\delta = 41\,\mathrm{m}\Omega/\mathrm{m}, 7.77.7 vezes a de contínua. (c) δ=6.5µm\delta = 6.5\,\text{µ}\mathrm{m}, 0.41Ω/m0.41\,\Omega/\mathrm{m}, 7777 vezes. (d) RfR \propto \sqrt f cresce tão rápido quanto LωL\omega quando o efeito pelicular domina, e cada espira acrescenta resistência; o fio Litz reúne muitos filamentos isolados mais finos que δ\delta, de modo que todo o cobre conduz.

Exercício 14.6 ★★

Blindagem. Uma caixa de alumínio (γ=3.6×107S/m\gamma = 3.6 \times 10^{7}\,\mathrm{S}/\mathrm{m}) de 1.0mm1.0\,\mathrm{mm} de espessura. Atenuação da amplitude do campo ao atravessar a parede, em dB, a 50Hz50\,\mathrm{Hz}, 10kHz10\,\mathrm{kHz} e 1MHz1\,\mathrm{MHz} (o fator ed/δ\eu^{-d/\delta}, desprezando a reflexão nas superfícies). Por que o campo magnético da rede é blindado com ferro (alta permeabilidade) em vez de cobre?

Solução

Solução de Exercício 14.6.

δAl=11.9\delta_{\text{Al}} = 11.9, 0.840.84, 0.084mm0.084\,\mathrm{mm}: d/δ=0.08d/\delta = 0.08, 1.21.2, 1212: 0.70.7, 1010, 103dB103\,\mathrm{dB}. A 50Hz50\,\mathrm{Hz} o condutor é transparente; o ferro de alto μr\mu_r desvia o fluxo (blindagem magnética) e ainda encolhe δ\delta por μr\sqrt{\mu_r}.

Exercício 14.7 ★★

Energia num plasma. Para a onda transversal de Teorema 14.2: (a) amplitude da velocidade dos elétrons e densidade de energia cinética 12nmv2\tfrac12nm\langle v^2\rangle. (b) Densidades médias de energia elétrica e magnética. (c) Mostre que a densidade total de energia vale 12ε0E02(1+)\tfrac12\varepsilon_0E_0^2(1 + \dots) — calcule o parêntese — e que Π\langle\Pi\rangle dividido por ela dá vgv_g. (d) Que fração da energia está nos elétrons em ω=2ωp\omega = 2\omega_p?

Solução

Solução de Exercício 14.7.

(a) v0=eE0/mωv_0 = eE_0/m\omega; 12nmv2=ne2E02/4mω2=14ε0E02ωp2/ω2\tfrac12nm\langle v^2\rangle = ne^2E_0^2/4m\omega^2 = \tfrac14\varepsilon_0 E_0^2\,\omega_p^2/\omega^2. (b) 14ε0E02\tfrac14\varepsilon_0E_0^2 e 14ε0E02(1ωp2/ω2)\tfrac14\varepsilon_0E_0^2(1 - \omega_p^2/ \omega^2). (c) A soma vale 12ε0E02\tfrac12\varepsilon_0E_0^2 (o parêntese vale 11); Π=E02k/2μ0ω\langle\Pi \rangle = E_0^2k/2\mu_0\omega, e a razão dá c2k/ω=vgc^2k/\omega = v_g. (d) 1414/12=1/8\tfrac14\cdot\tfrac14 /\tfrac12 = 1/8.

Exercício 14.8 ★★

Dispersão dos pulsares. Pulsos de rádio de um pulsar atravessam uma distância LL de plasma interestelar (nn \ll qualquer coisa, ωωp\omega \gg \omega_p). (a) Mostre que o atraso de grupo vale t(L/c)(1+ωp2/2ω2)t \approx (L/c)(1 + \omega_p^2/2\omega^2). (b) O atraso entre as chegadas em f1f_1 e f2f_2 vale Δt=e28π2ε0mcnL(1f121f22)\Delta t = \dfrac{e^2}{8\pi^2 \varepsilon_0mc}\,nL\Bigl(\dfrac1{f_1^2} - \dfrac1{f_2^2}\Bigr): calcule a constante. (c) Um pulsar a L=1kpc=3.1×1019mL = 1\,\mathrm{kpc} = 3.1 \times 10^{19}\,\mathrm{m} através de n=3×104m3n = 3 \times 10^{4}\,\mathrm{m}^{-3}: atraso entre 400MHz400\,\mathrm{MHz} e 1.4GHz1.4\,\mathrm{GHz}. (d) Os astrônomos medem Δt\Delta t e conhecem nn: o que eles obtêm? (A medida de dispersão, a régua padrão de distâncias para pulsares.)

Solução

Solução de Exercício 14.8.

(a) 1/vg=(1/c)(1ωp2/ω2)1/2(1+ωp2/2ω2)/c1/v_g = (1/c)(1 - \omega_p^2/\omega^2)^{-1/2} \approx (1 + \omega_p^2/2\omega^2)/c. (b) Δt=(Lωp2/2c)(1/ω121/ω22)\Delta t = (L\omega_p^2/2c)(1/\omega_1^2 - 1/\omega_2^2) com ωp2=ne2/ε0m\omega_p^2 = ne^2/\varepsilon_0m e ω=2πf\omega = 2\pi f: constante e2/8π2ε0mc=1.34×107e^2/8\pi^2\varepsilon_0mc = 1.34 \times 10^{-7}\, (SI). (c) nL=9.3×1023m2nL = 9.3 \times 10^{23}\,\mathrm{m}^{-2}, (1/f121/f22)=5.7×1018s2(1/f_1^2 - 1/f_2^2) = 5.7 \times 10^{-18}\,\mathrm{s}^{2}: Δt=0.72s\Delta t = 0.72\,\mathrm{s}. (d) A coluna nLnL (a medida de dispersão) e, com um modelo de nn, a distância.

Exercício 14.9 ★★

Uma linha espectral. Num gás rarefeito (n1+χ/2\underline n \approx 1 + \underline\chi/2) o modelo de Lorentzn=12Imχn'' = \tfrac12\operatorname{Im}\underline\chi. (a) Mostre que perto de ω0\omega_0, nωp24ω0Γ/2(ω0ω)2+Γ2/4n'' \approx \dfrac{\omega_p^2}{4\omega_0}\,\dfrac{\Gamma/2}{(\omega_0 - \omega)^2 + \Gamma^2/4}, uma lorentziana de largura total Γ\Gamma. (b) Coeficiente de absorção α=2nω/c\alpha = 2n''\omega/c no centro. (c) Vapor de sódio, n=1×1017m3n = 1 \times 10^{17}\,\mathrm{m}^{-3}, λ0=589nm\lambda_0 = 589\,\mathrm{nm}, Γ=6×107s1\Gamma = 6 \times 10^{7}\,\mathrm{s}^{-1}: α\alpha no centro e a espessura que absorve 90%90\% (ignore o alargamento Doppler, que na verdade alarga a linha cem vezes). (d) Esboce n1n' - 1 ao longo da linha; onde a dispersão é anômala?

Solução

Solução de Exercício 14.9.

(a) Imχ=ωp2Γω/[(ω02ω2)2+Γ2ω2]\operatorname{Im}\underline\chi = \omega_p^2\Gamma\omega/[(\omega_0^2 - \omega^2)^2 + \Gamma^2\omega^2] com ω02ω22ω0(ω0ω)\omega_0^2 - \omega^2 \approx 2\omega_0(\omega_0 - \omega): n=12Imχn'' = \tfrac12\operatorname{Im}\underline\chi é a lorentziana enunciada. (b) n(ω0)=ωp2/2ω0Γn''(\omega_0) = \omega_p^2/2\omega_0\Gamma, α=2nω0/c=ωp2/Γc\alpha = 2n''\omega_0/c = \omega_p^2/\Gamma c. (c) ωp2=3.2×1020s2\omega_p^2 = 3.2 \times 10^{20}\,\mathrm{s}^{-2}: α=1.8×104m1\alpha = 1.8 \times 10^{4}\,\mathrm{m}^{-1}; ln10/α=0.13mm\ln10/\alpha = 0.13\,\mathrm{mm}. (d) n1(ω0ω)/[(ω0ω)2+Γ2/4]n' - 1 \propto (\omega_0 - \omega)/[(\omega_0 - \omega)^2 + \Gamma^2/4]: positivo abaixo, negativo acima, decrescente dentro de ±Γ/2\pm\Gamma/2 da linha — anômala ali.

Exercício 14.10 ★★★

Aquecimento Joule na película. Uma onda E0eiωtE_0\eu^{\iu\omega t} (segundo yy) entra num condutor que preenche x>0x > 0. (a) Escreva E(x,t)\underline E(x, t) e deduza B(x,t)\underline B(x, t) (segundo zz) por Faraday. (b) Vetor de Poynting médio na superfície: mostre que Πx(0)=E02/2μ0ωδ\langle\Pi_x(0)\rangle = E_0^2/2\mu_0\omega\delta. (c) Potência Joule média por unidade de área, 012γE2 ⁣dx\int_0^\infty\tfrac12\gamma|\underline E|^2\dd x: mostre que ela é igual a (b). (d) Exprima o resultado como 12RsH02\tfrac12R_sH_0^2 com H0=B0/μ0H_0 = B_0/\mu_0 o campo magnético de superfície e Rs=1/γδR_s = 1/\gamma\delta a resistência superficial; valor para o cobre a 1GHz1\,\mathrm{GHz}, e a perda de uma cavidade de micro-ondas cujas paredes carregam H0=100A/mH_0 = 100\,\mathrm{A}/\mathrm{m}.

Solução

Solução de Exercício 14.10.

(a) E=E0ex/δei(ωtx/δ)\underline E = E_0\eu^{-x/\delta}\eu^{\iu(\omega t - x/\delta)}, B=kE/ω=(1i)E/ωδ\underline B = \underline k\underline E/\omega = (1 - \iu)\underline E/\omega\delta. (b) Πx=12Re(EB)/μ0=E02/2μ0ωδ\langle\Pi_x\rangle = \tfrac12\operatorname{Re}(\underline E \underline B^*)/\mu_0 = E_0^2/2\mu_0\omega\delta em x=0x = 0. (c) 012γE02e2x/δ ⁣dx=γE02δ/4=E02/2μ0ωδ\int_0^\infty\tfrac12\gamma E_0^2 \eu^{-2x/\delta}\dd x = \gamma E_0^2\delta/4 = E_0^2/2\mu_0\omega\delta, usando γ=2/μ0ωδ2\gamma = 2/\mu_0\omega\delta^2. (d) H0=2E0/μ0ωδH_0 = \sqrt2E_0/\mu_0\omega\delta, de modo que 12RsH02=E02/γμ02ω2δ3=E02/2μ0ωδ\tfrac12R_sH_0^2 = E_0^2/\gamma\mu_0^2\omega^2\delta^3 = E_0^2/2\mu_0\omega\delta. Cobre a 1GHz1\,\mathrm{GHz}: Rs=1/γδ=8mΩR_s = 1/\gamma\delta = 8\,\mathrm{m}\Omega; 12×8×103×104=40W/m2\tfrac12 \times 8 \times 10^{-3} \times 10^4 = 40\,\mathrm{W}/\mathrm{m}^{2}.

Exercício 14.11 ★★★

Por que os metais brilham. Trate os elétrons de condução da prata (n=5.9×1028m3n = 5.9 \times 10^{28}\,\mathrm{m}^{-3}) como um plasma sem colisões em frequências ópticas. (a) ωp\omega_p e o comprimento de onda correspondente. (b) A 500nm500\,\mathrm{nm}: kk é imaginário — profundidade de penetração; a onda é totalmente refletida (sem absorção neste modelo): a prata é um espelho. (c) E a 200nm200\,\mathrm{nm}? Daí a "transparência no ultravioleta" dos metais alcalinos. (d) A prata real reflete 95%95\%, e o ouro parece amarelo: o que o modelo deixa de fora (pense nas colisões e nos elétrons ligados cujas ressonâncias caem no visível, no caso do ouro)?

Solução

Solução de Exercício 14.11.

(a) ωp=1.4×1016rad/s\omega_p = 1.4 \times 10^{16}\,\mathrm{rad}/\mathrm{s}, λp=2πc/ωp=140nm\lambda_p = 2\pi c/\omega_p = 140\,\mathrm{nm}. (b) ω=3.8×1015rad/s<ωp\omega = 3.8 \times 10^{15}\,\mathrm{rad}/\mathrm{s} < \omega_p: 1/κ=c/ωp2ω2=23nm1/\kappa = c/\sqrt{\omega_p^2 - \omega^2} = 23\,\mathrm{nm}, reflexão total. (c) Ainda abaixo de ωp\omega_p: refletora; a transparência só além de 140nm140\,\mathrm{nm} (no sódio, 210nm210\,\mathrm{nm}). (d) As colisões dão uma parte real a γ\underline\gamma e alguns por cento de absorção; as ressonâncias de elétrons ligados no visível (ouro, cobre) absorvem o azul e colorem o metal.

Exercício 14.12 ★★★

Água no micro-ondas. A orientação das moléculas polares da água dá uma suscetibilidade χ=χs/(1+iωτ)\underline\chi = \chi_s/(1 + \iu\omega\tau) (relaxação de Debye), com χs80\chi_s \approx 80, τ=8ps\tau = 8\,\mathrm{ps}, sobre uma constante χ4\chi_\infty \approx 4. (a) Partes real e imaginária de εr=1+χ+χ\underline\varepsilon_r = 1 + \chi_\infty + \underline\chi a 2.45GHz2.45\,\mathrm{GHz} e a 20GHz20\,\mathrm{GHz}. (b) Índice complexo e o comprimento de absorção 1/(2nω/c)1/(2n''\omega/c) da intensidade a 2.45GHz2.45\,\mathrm{GHz}: a que profundidade um forno cozinha? (c) Potência absorvida por unidade de volume para uma amplitude de campo E0E_0 na água: 12ωε0εE02\tfrac12\omega\varepsilon_0\varepsilon''E_0^2; valor para E0=2kV/mE_0 = 2\,\mathrm{kV}/\mathrm{m}. (d) Por que se usa 2.45GHz2.45\,\mathrm{GHz} e não os 20GHz20\,\mathrm{GHz} de absorção máxima?

Solução

Solução de Exercício 14.12.

(a) ωτ=0.12\omega\tau = 0.12: εr=849.7i\underline\varepsilon_r = 84 - 9.7\iu; a 20GHz20\,\mathrm{GHz}, ωτ=1\omega\tau = 1: 4540i45 - 40\iu. (b) n9.20.53i\underline n \approx 9.2 - 0.53\iu; c/2nω=1.8cmc/2n''\omega = 1.8\,\mathrm{cm}: o forno cozinha os dois centímetros externos, e a condução faz o resto. (c) 12×1.54×1010×8.85×1012×9.7×4×106=2.6MW/m3\tfrac12 \times 1.54 \times 10^{10} \times 8.85 \times 10^{-12} \times 9.7 \times 4 \times 10^6 = 2.6\,\mathrm{MW}/\mathrm{m}^{3}. (d) A 20GHz20\,\mathrm{GHz} o comprimento de absorção seria de um milímetro: só a casca cozinharia; 2.45GHz2.45\,\mathrm{GHz} penetra e é uma faixa livre.

Uma estação transmissora de ondas curtas ao anoitecer: suas ondas, alguns megahertz abaixo da frequência de plasma da ionosfera, estão prestes a ser refletidas de volta ao solo a mil quilômetros de distância.
Uma estação transmissora de ondas curtas ao anoitecer: suas ondas, alguns megahertz abaixo da frequência de plasma da ionosfera, estão prestes a ser refletidas de volta ao solo a mil quilômetros de distância.
A aurora austral fotografada da Estação Espacial Internacional: partículas vindas do Sol, guiadas pelo campo magnético da Terra, excitam o plasma da alta atmosfera — a ionosfera cuja frequência de plasma reflete as ondas de rádio (NASA).
A aurora austral fotografada da Estação Espacial Internacional: partículas vindas do Sol, guiadas pelo campo magnético da Terra, excitam o plasma da alta atmosfera — a ionosfera cuja frequência de plasma reflete as ondas de rádio (NASA).

14.5 Problema: A ionosfera, a porta do forno e o prisma

Problema 14.1

Problema de fim de semana — três materiais vistos por uma onda: o plasma que encurva os sinais de GPS, o metal que retém as micro-ondas e o vidro que abre a luz branca

Parte I — A ionosfera e o GPS. Densidade eletrônica na camada F, n=1×1012m3n = 1 \times 10^{12}\,\mathrm{m}^{-3}; a coluna total de elétrons ao longo de um trajeto vertical vale NT=n ⁣dz=2×1017m2N_T = \int n\,\dd z = 2 \times 10^{17}\,\mathrm{m}^{-2} de dia. GPS: f1=1575MHzf_1 = 1575\,\mathrm{MHz}, f2=1228MHzf_2 = 1228\,\mathrm{MHz}.

  1. Frequência de plasma da camada F; o GPS passa? E uma onda curta de 5MHz5\,\mathrm{MHz}?
  2. Mostre que, para ωωp\omega \gg \omega_p, a velocidade de grupo vale vgc(1ωp2/2ω2)v_g \approx c(1 - \omega_p^2/2\omega^2) e a velocidade de fase c(1+ωp2/2ω2)c(1 + \omega_p^2/2\omega^2).
  3. Atraso de grupo adicional do sinal GPS ao atravessar a camada: mostre que Δt=e28π2ε0mcNTf2\Delta t = \dfrac{e^2}{8\pi^2\varepsilon_0mc}\,\dfrac{N_T}{f^2} e calcule-o para f1f_1; o erro de distância cΔtc\,\Delta t.
  4. O receptor usa as duas frequências: dos dois atrasos ele remove o erro. Exprima NTN_T em função de Δt1Δt2\Delta t_1 - \Delta t_2; que precisão sobre a diferença de atrasos dá NTN_T com 1%1\%?
  5. Quantos ciclos extras da portadora representa o atraso da questão 3 em f1f_1?
  6. A fase da portadora é adiantada do mesmo tanto que o grupo é atrasado: por quê (sinais das duas correções)? Qual delas importa para um receptor que conta ciclos da portadora?
  7. À noite NTN_T cai dez vezes: erro para um receptor de frequência única de dia e de noite.
  8. Uma explosão solar eleva nn na camada D (80km80\,\mathrm{km}) a 1×1010m31 \times 10^{10}\,\mathrm{m}^{-3}, com muitas colisões: que serviços de rádio são atingidos, e por que o GPS só se degrada um pouco?

Parte II — A porta do forno. As paredes da cavidade e a tela da porta são de aço (γ=1.0×106S/m\gamma = 1.0 \times 10^{6}\,\mathrm{S}/\mathrm{m}); os furos da tela têm 1.0mm1.0\,\mathrm{mm} de largura numa chapa de 0.5mm0.5\,\mathrm{mm} de espessura; f=2.45GHzf = 2.45\,\mathrm{GHz}, P=800WP = 800\,\mathrm{W}.

  1. Profundidade de penetração no aço a 2.45GHz2.45\,\mathrm{GHz}; a parede é "espessa"?
  2. Resistência superficial Rs=1/γδR_s = 1/\gamma\delta; com um campo magnético de superfície de amplitude H0=30A/mH_0 = 30\,\mathrm{A}/\mathrm{m} nas paredes (1m21\,\mathrm{m}^{2}), potência perdida nas paredes, 12RsH02\tfrac12R_sH_0^2 por unidade de área; fração de PP.
  3. Num furo de largura aλa \ll \lambda o campo não pode se propagar (o furo é um guia de ondas abaixo do corte, Capítulo 16): ele decai como eπz/a\eu^{-\pi z/a} ao longo da espessura zz. Atenuação da amplitude ao atravessar a chapa de 0.5mm0.5\,\mathrm{mm}, em dB.
  4. Por que se enxerga através da tela (comprimento de onda da luz contra o tamanho do furo), ao passo que as micro-ondas não saem?
  5. A janela de vidro é um dielétrico com εr=40.02i\underline\varepsilon_r = 4 - 0.02\iu: índice, e o comprimento de atenuação da intensidade nele; o vidro é aquecido?
  6. Um garfo metálico no forno: o campo em suas pontas fica reforçado; com a profundidade de penetração da questão 8, estime a densidade de corrente na superfície para H0=300A/mH_0 = 300\,\mathrm{A}/\mathrm{m} (use jH0/δj \approx H_0/\delta na superfície) e o aquecimento local j2/γj^2/\gamma — por que as faíscas?

Parte III — O fio em radiofrequência. Um fio de cobre de raio a=0.5mma = 0.5\,\mathrm{mm} (γ=6×107S/m\gamma = 6 \times 10^{7}\,\mathrm{S}/\mathrm{m}) numa bobina de aquecedor por indução de 13.56MHz13.56\,\mathrm{MHz} conduz 20A20\,\mathrm{A} eficazes.

  1. Profundidade de penetração; seção condutora efetiva; resistência em alternada por metro contra a de contínua.
  2. Potência dissipada por metro de fio da bobina; temperatura que o fio atingiria com resfriamento convectivo h=20W/(m2K)h = 20\,\mathrm{W}/(\mathrm{m}^{2}\,\mathrm{K}).
  3. A bobina induz correntes numa peça de aço (γ=1×106S/m\gamma = 1 \times 10^{6}\,\mathrm{S}/\mathrm{m}, μr1\mu_r \approx 1 quando quente): profundidade de penetração ali; por que o aquecimento por indução aquece apenas uma camada superficial, e como isso é usado para temperar engrenagens?
  4. Para reduzir a perda da bobina, o fio é trocado por um tubo de cobre de 3mm3\,\mathrm{mm} com água por dentro: nova resistência por metro; o interior do tubo conduz corrente?
  5. Em que frequência a profundidade de penetração no cobre seria igual ao raio do fio? Abaixo dela, que aproximação substitui a fórmula do "fio espesso"?

Parte IV — O prisma. Um vidro tem n(λ)=1.500+5.0×103nm2/λ2n(\lambda) = 1.500 + 5.0 \times 10^{3}\,\mathrm{nm}^{2}/\lambda^2, com sua ressonância em λ0=100nm\lambda_0 = 100\,\mathrm{nm}.

  1. Verifique que a forma de Cauchy segue do modelo de Lorentz bem abaixo da ressonância, e que ωp2/ω02=n2()1\omega_p^2/\omega_0^2 = n^2(\infty) - 1: valor de ωp2/ω02\omega_p^2/\omega_0^2 e do nn efetivo deste vidro.
  2. Índice e velocidade de fase a 400nm400\,\mathrm{nm} e 700nm700\,\mathrm{nm}; índice de grupo a 550nm550\,\mathrm{nm}; atraso entre as duas cores ao longo de 1km1\,\mathrm{km} desse vidro numa fibra.
  3. Um prisma de 6060{}^{\circ} no desvio mínimo para 550nm550\,\mathrm{nm}: desvio (use nsin(A/2)=sin((A+D)/2)n\sin(A/2) = \sin((A + D)/2)); distância angular entre 400nm400\,\mathrm{nm} e 700nm700\,\mathrm{nm} (derive); num anteparo a 2m2\,\mathrm{m}, a largura do espectro.
  4. Por que o vidro é opaco a 200nm200\,\mathrm{nm}, e qual é a sua cor se um traço de ferro acrescenta uma ressonância fraca a 700nm700\,\mathrm{nm}?
  5. Na imagem de Lorentz, por que o azul é mais desviado que o vermelho pelo prisma?
  6. Numa tabela, dê, para a camada F, o aço, o cobre e o vidro em suas frequências de trabalho, a natureza de γ\underline\gamma e o destino da onda.
Solução

Solução de Problema 14.1.

1. fp=9MHzf_p = 9\,\mathrm{MHz}: o GPS passa, a onda curta é refletida.

2. k=(ω/c)1ωp2/ω2k = (\omega/c)\sqrt{1 - \omega_p^2/\omega^2}: vφ=ω/kc(1+ωp2/2ω2)v_\varphi = \omega/k \approx c(1 + \omega_p^2/ 2\omega^2), vg= ⁣dω/ ⁣dk=c2k/ωc(1ωp2/2ω2)v_g = \dd\omega/\dd k = c^2k/\omega \approx c(1 - \omega_p^2/2\omega^2).

3. Δt=(1/vg1/c) ⁣dz=ωp2 ⁣dz/2cω2=e2NT/2ε0mcω2=(e2/8π2ε0mc)NT/f2=1.34×107×2×1017/2.48×1018=11ns\Delta t = \int(1/v_g - 1/c)\dd z = \int\omega_p^2\dd z/2c\omega^2 = e^2N_T/2\varepsilon_0 mc\omega^2 = (e^2/8\pi^2\varepsilon_0mc)N_T/f^2 = 1.34 \times 10^{-7} \times 2 \times 10^{17}/2.48 \times 10^{18} = 11\,\mathrm{ns}: 3.2m3.2\,\mathrm{m}.

4. NT=(Δt1Δt2)/K(1/f121/f22)N_T = (\Delta t_1 - \Delta t_2)/K(1/f_1^2 - 1/f_2^2); a diferença vale 7ns7\,\mathrm{ns}: para 1%1\% é preciso 0.07ns0.07\,\mathrm{ns}.

5. vφv_\varphi excede cc tanto quanto vgv_g fica aquém: a fase da portadora chega adiantada, enquanto a modulação chega atrasada. Um receptor de fase de portadora aplica a correção com o sinal oposto.

6. 3.2m3.2\,\mathrm{m} de dia, 0.3m0.3\,\mathrm{m} de noite.

7. fp=0.9MHzf_p = 0.9\,\mathrm{MHz} com colisões: as ondas médias e curtas são absorvidas (um apagão de rádio); o GPS a 1.5GHz1.5\,\mathrm{GHz} sofre uma absorção 1/ω2\propto 1/\omega^2, desprezível.

8. f1Δt=1.575×109×1.1×108=17f_1\Delta t = 1.575 \times 10^9 \times 1.1 \times 10^{-8} = 17 ciclos.

9. δ=2/μ0γω=10µm\delta = \sqrt{2/\mu_0\gamma\omega} = 10\,\text{µ}\mathrm{m}: uma parede de um milímetro tem cem profundidades de penetração.

10. Rs=1/γδ=0.1ΩR_s = 1/\gamma\delta = 0.1\,\Omega; 12RsH02=45W/m2\tfrac12R_sH_0^2 = 45\,\mathrm{W}/\mathrm{m}^{2}: 45W45\,\mathrm{W}, 6%6\%.

11. eπ×0.5=0.21\eu^{-\pi \times 0.5} = 0.21: 14dB-14\,\mathrm{dB} em amplitude e 27dB-27\,\mathrm{dB} em potência (e o furo minúsculo já acopla pouco, para começar).

12. A luz, λ=0.5µm\lambda = 0.5\,\text{µ}\mathrm{m}, é duas mil vezes menor que os furos e passa; a micro-onda, λ=12cm\lambda = 12\,\mathrm{cm}, é cem vezes maior.

13. n=20.005i\underline n = 2 - 0.005\iu; c/2nω=1.9mc/2n''\omega = 1.9\,\mathrm{m}: o vidro quase não é aquecido.

14. jH0/δ=3×107A/m2j \approx H_0/\delta = 3 \times 10^{7}\,\mathrm{A}/\mathrm{m}^{2}, j2/γ=9×108W/m3j^2/\gamma = 9 \times 10^{8}\,\mathrm{W}/\mathrm{m}^{3} numa camada de dez micrômetros: as pontas aquecem em milissegundos, emitem elétrons, ionizam o ar — faíscas.

15. δ=18µm\delta = 18\,\text{µ}\mathrm{m}; seção 2πaδ=5.6×108m22\pi a\delta = 5.6 \times 10^{-8}\,\mathrm{m}^{2} contra πa2=7.9×107m2\pi a^2 = 7.9 \times 10^{-7}\,\mathrm{m}^{2}: Rca=0.30Ω/mR_{\text{ca}} = 0.30\,\Omega/\mathrm{m}, catorze vezes a de contínua.

16. RI2=120W/mRI^2 = 120\,\mathrm{W}/\mathrm{m}; superfície πd=3.1×103m2\pi d = 3.1 \times 10^{-3}\,\mathrm{m}^{2} por metro: ΔT1900K\Delta T \approx 1900\,\mathrm{K} — ele fundiria; essas bobinas são tubos refrigerados a água.

17. δ=0.14mm\delta = 0.14\,\mathrm{mm}: a corrente induzida, e o calor, ficam num décimo de milímetro; um pulso curto seguido de têmpera endurece a superfície de uma engrenagem, enquanto o núcleo permanece tenaz.

18. R=1/γ2πaδ=0.10Ω/mR = 1/\gamma2\pi a\delta = 0.10\,\Omega/\mathrm{m}, três vezes menos; o interior não conduz nada — daí um tubo, com o líquido de refrigeração onde o cobre seria desperdiçado.

19. δ=a\delta = a em f=1/πμ0γa2=17Hzf = 1/\pi\mu_0\gamma a^2 = 17\,\mathrm{Hz}; abaixo disso a corrente é uniforme e vale a fórmula de contínua.

20. n21+ωp2/ω02+(ωp2/ω02)(λ0/λ)2n^2 \approx 1 + \omega_p^2/\omega_0^2 + (\omega_p^2/\omega_0^2)(\lambda_0/\lambda)^2: a forma de Cauchy com n()21=ωp2/ω02=1.25n(\infty)^2 - 1 = \omega_p^2/\omega_0^2 = 1.25 para n()=1.5n(\infty) = 1.5.

21. n=1.531n = 1.531 e 1.5101.510, v=1.96v = 1.96 e 1.99×108m/s1.99 \times 10^{8}\,\mathrm{m}/\mathrm{s}; ng(550)=1.550n_g(550) = 1.550; ng(400)ng(700)=0.063n_g(400) - n_g(700) = 0.063: 210ns210\,\mathrm{ns} por quilômetro.

22. sin((A+D)/2)=1.5165×0.5\sin((A + D)/2) = 1.5165 \times 0.5: D=38.6D = 38.6{}^{\circ};  ⁣dD=2sin(A/2) ⁣dn/cos((A+D)/2)=1.53 ⁣dn\dd D = 2\sin (A/2)\dd n/\cos((A + D)/2) = 1.53\,\dd n: ΔD=1.85\Delta D = 1.85{}^{\circ}, 6.5cm6.5\,\mathrm{cm} a 2m2\,\mathrm{m}.

23. A 200nm200\,\mathrm{nm} a frequência se aproxima da ressonância e nn'' cresce: opaco. Uma ressonância fraca a 700nm700\,\mathrm{nm} absorve o vermelho: vidro verde.

24. O azul está mais perto da ressonância do ultravioleta: os elétrons ligados respondem mais, nn é maior, e o desvio também.

25. Camada F a 1.5GHz1.5\,\mathrm{GHz}: γ\underline\gamma imaginária, propagação com pequeno atraso de grupo. Aço a 2.45GHz2.45\,\mathrm{GHz}: γ\underline\gamma real, efeito pelicular, reflexão. Cobre a 13.56MHz13.56\,\mathrm{MHz}: o mesmo, com uma película de 18µm18\,\text{µ}\mathrm{m}. Vidro no visível: iωε0χ\iu\omega\varepsilon_0\chi, índice real, um meio dispersivo transparente.

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