Physics · Livro 4 · Bachelor Year 2

Física universitária — 2.º ano

Física universitária — 2.º ano · Bachelor Year 2

26Radiação térmica

Tudo o que é morno brilha. Uma mão, uma parede, um copo de água à temperatura ambiente irradiam invisivelmente, em comprimentos de onda perto de 10µm10\,\text{µ}\mathrm{m}, algumas centenas de watts por metro quadrado; aqueça um atiçador e a 600C600\,{}^{\circ}\mathrm{C} ele brilha em vermelho-escuro, a 1000C1000\,{}^{\circ}\mathrm{C} em laranja, a 2500C2500\,{}^{\circ}\mathrm{C} — o filamento de uma lâmpada — em branco; a superfície do Sol a 5800K5800\,\mathrm{K} irradia em branco-amarelado, sessenta megawatts por metro quadrado, e essa luz, após oito minutos de viagem, é o que mantém a Terra a uma temperatura em que a água é líquida. A radiação é o terceiro modo de transferência de calor e o único que atravessa o espaço vazio; é também o lugar em que a física clássica falhou e Planck, em 1900, teve de introduzir o quantum. Este capítulo enuncia a lei que ele encontrou, dela extrai os dois resultados que se usam a toda hora — o deslocamento de Wien e a lei de Stefan–Boltzmann — e aplica-os às trocas entre corpos, ao Sol e à Terra, e ao modelo de uma camada do efeito estufa que fixa nosso clima.

Aço na forja: a cor do brilho — vermelho-escuro, laranja, amarelo, branco — é um termômetro, porque o espectro da radiação térmica depende somente da temperatura.
Aço na forja: a cor do brilho — vermelho-escuro, laranja, amarelo, branco — é um termômetro, porque o espectro da radiação térmica depende somente da temperatura.

26.1 A radiação térmica e o corpo negro

Definição 26.1 (Radiação térmica, absortividade, corpo negro)

Todo corpo à temperatura TT emite radiação eletromagnética a partir da agitação térmica de suas cargas: sua radiação térmica. Sua superfície também recebe radiação do ambiente e absorve uma fração α\alpha dela (a absortividade, entre 00 e 11, em geral dependente do comprimento de onda), refletindo ou transmitindo o resto. Um corpo negro absorve tudo (α=1\alpha = 1 em todo comprimento de onda). Um pequeno furo na parede de uma cavidade fechada é o corpo negro prático: a radiação que entra é absorvida pelas paredes antes de conseguir achar a saída.

Proposição 26.2 (Radiação de equilíbrio e lei de Kirchhoff)

Dentro de uma cavidade fechada cujas paredes estão a TT, a radiação está em equilíbrio com as paredes e é universal: isotrópica, não polarizada, com uma densidade espectral de energia uν(T)u_\nu(T) (energia por unidade de volume e de frequência) que depende apenas de TT e ν\nu, e não do material ou da forma da cavidade. A radiação que sai de um pequeno furo numa cavidade dessas é a radiação de corpo negro a TT. Uma superfície que absorve a fração αν\alpha_\nu da radiação que recebe na frequência ν\nu emite, nessa frequência, a fração εν=αν\varepsilon_\nu = \alpha_\nu do que um corpo negro à mesma temperatura emitiria (sua emissividade): bons absorvedores são bons emissores.

Demonstração. Universalidade: ligue duas cavidades à mesma TT por um furo com um filtro que deixe passar uma única frequência; se as densidades diferissem, a energia fluiria de uma para a outra a temperaturas iguais, violando a segunda lei. Kirchhoff: coloque a superfície na cavidade à sua própria TT; em equilíbrio ela deve emitir em cada frequência exatamente o que absorve, ενuν=ανuν\varepsilon_\nu u_\nu = \alpha_\nu u_\nu.

26.2 A lei de Planck

Teorema 26.3 (Lei de Planck)

A densidade espectral de energia da radiação de corpo negro à temperatura TT vale

uν(T)=8πhν3c31ehν/kBT1,u_\nu(T) = \frac{8\pi h\nu^3}{c^3}\,\frac{1}{\eu^{h\nu/k_BT} - 1},

e a potência irradiada por uma superfície negra por unidade de área e por unidade de comprimento de onda (sua exitância espectral) vale

Mλ(T)=2πhc2λ51ehc/λkBT1.M_\lambda(T) = \frac{2\pi hc^2}{\lambda^5}\,\frac{1}{\eu^{hc/\lambda k_BT} - 1}.

Dois limites: para hνkBTh\nu \ll k_BT, uν8πν2kBT/c3u_\nu \approx 8\pi\nu^2 k_BT/c^3 (Rayleigh–Jeans: cada modo da cavidade carrega a energia clássica kBTk_BT — uma lei cuja integral diverge, a “catástrofe ultravioleta”); para hνkBTh\nu \gg k_BT, uν(8πhν3/c3)ehν/kBTu_\nu \approx (8\pi h\nu^3/c^3) \eu^{-h\nu/k_BT} (Wien: o fator de Boltzmann de um fóton de energia hνh\nu, Capítulo 29).

Demonstração. Admitida: a contagem dos modos da cavidade (8πν2/c38\pi\nu^2/c^3 por unidade de volume e de frequência, duas polarizações) pertence ao volume do terceiro ano, e a energia média de um modo, hν/(ehν/kBT1)h\nu/(\eu^{h\nu/k_BT} - 1) em vez do clássico kBTk_BT, é a hipótese quântica: a energia é trocada com o modo em quanta hνh\nu, de modo que os modos com hνkBTh\nu \gg k_BT ficam congelados. A relação Mλ ⁣dλ=(c/4)uν ⁣dνM_\lambda\,\dd\lambda = (c/4)\,u_\nu\,\dd\nu é o fator geométrico calculado no Teorema 26.5.

O espectro de Planck a três temperaturas: o pico se desloca para comprimentos de onda menores como 1/T (Wien) e a área cresce como T4 (Stefan). Só a curva mais quente põe boa parte de sua potência na banda visível.
O espectro de Planck a três temperaturas: o pico se desloca para comprimentos de onda menores como 1/T1/T (Wien) e a área cresce como T4T^4 (Stefan). Só a curva mais quente põe boa parte de sua potência na banda visível.
A função de Planck e seus dois limites: a equipartição clássica em baixa frequência e o corte exponencial de Boltzmann em alta frequência; o pico fica em x = 2.82 (por unidade de frequência).
A função de Planck e seus dois limites: a equipartição clássica em baixa frequência e o corte exponencial de Boltzmann em alta frequência; o pico fica em x=2.82x = 2.82 (por unidade de frequência).

Proposição 26.4 (Lei do deslocamento de Wien)

A exitância espectral MλM_\lambda tem seu máximo em

λmaxT=hc4.965kB=2.90×103mK.\lambda_{\max}\,T = \frac{hc}{4.965\,k_B} = 2.90 \times 10^{-3}\,\mathrm{m}\,\mathrm{K} .

Um corpo a 300K300\,\mathrm{K} irradia sobretudo perto de 10µm10\,\text{µ}\mathrm{m}; o Sol (5800K5800\,\mathrm{K}) perto de 0.5µm0.5\,\text{µ}\mathrm{m}, no verde, onde o olho é mais sensível — não por acaso.

Demonstração. Com x=hc/λkBTx = hc/\lambda k_BT, Mλx5/(ex1)M_\lambda \propto x^5/(\eu^x - 1);  ⁣d/ ⁣dx=0\dd/\dd x = 05(ex1)=xex5(\eu^x - 1) = x\eu^x, ou seja, x=5(1ex)x = 5(1 - \eu^{-x}), cuja raiz não nula é x=4.965x = 4.965.

Teorema 26.5 (Lei de Stefan–Boltzmann)

Uma superfície negra a TT irradia, por unidade de área, a potência total

M=0Mλ ⁣dλ=σT4,σ=2π5kB415h3c2=5.67×108W/m2/K4;M = \int_0^\infty M_\lambda\,\dd\lambda = \sigma T^4, \qquad \sigma = \frac{2\pi^5k_B^4}{15h^3c^2} = 5.67 \times 10^{-8}\,\mathrm{W}/\mathrm{m}^{2}/\mathrm{K}^{4} ;

a densidade de energia da radiação de equilíbrio vale u=(4σ/c)T4u = (4\sigma/c)T^4 e sua pressão P=u/3P = u/3. Uma superfície cinzenta de emissividade ε\varepsilon irradia εσT4\varepsilon\sigma T^4.

Demonstração. Integre a densidade de Planck: u=uν ⁣dν=(8πh/c3)(kBT/h)40x3 ⁣dx/(ex1)u = \int u_\nu\,\dd\nu = (8\pi h/c^3)(k_BT/h)^4 \int_0^\infty x^3\,\dd x/(\eu^x - 1) e a integral vale π4/15\pi^4/15 (admitido da análise): u=(8π5kB4/15h3c3)T4u = (8\pi^5k_B^4/15h^3c^3)\,T^4. A potência que sai de um furo de área unitária na parede da cavidade é cu/4cu/4: a radiação é isotrópica, os fótons que se dirigem ao furo dentro do ângulo sólido  ⁣dΩ\dd\Omega sob o ângulo θ\theta em relação à sua normal carregam o fluxo cu( ⁣dΩ/4π)cosθc\,u\,(\dd\Omega/4\pi)\cos\theta, e cosθ ⁣dΩ/4π\int\cos\theta\,\dd\Omega/4\pi sobre o hemisfério exterior vale 1/41/4. Logo M=cu/4=σT4M = cu/4 = \sigma T^4. A pressão, como para todo gás isotrópico de partículas que se movem a cc, vale u/3u/3.

Exemplo 26.6 (Ordens de grandeza)

A 300K300\,\mathrm{K}: σT4=460W/m2\sigma T^4 = 460\,\mathrm{W}/\mathrm{m}^{2} — uma pessoa de 1.7m21.7\,\mathrm{m}^{2} irradia 800W800\,\mathrm{W}, mas recebe quase outro tanto das paredes a 293K293\,\mathrm{K}; a perda líquida, σA(T4T04)100W\sigma A(T^4 - T_0^4) \approx 100\,\mathrm{W}, é toda a produção metabólica do corpo, razão pela qual são necessárias roupas numa sala que parece amena. A superfície do Sol: σ(5800)4=6.4×107W/m2\sigma (5800)^4 = 6.4 \times 10^{7}\,\mathrm{W}/\mathrm{m}^{2}, total 3.9×1026W3.9 \times 10^{26}\,\mathrm{W}. O filamento de uma lâmpada a 2800K2800\,\mathrm{K}: 3.5×106W/m23.5 \times 10^{6}\,\mathrm{W}/\mathrm{m}^{2}, 60W60\,\mathrm{W} de meio centímetro quadrado de tungstênio. O fundo cósmico, 2.7K2.7\,\mathrm{K}: pico em 1mm1\,\mathrm{mm}, 3×106W/m23 \times 10^{-6}\,\mathrm{W}/\mathrm{m}^{2}, e 400400 fótons por centímetro cúbico do universo.

26.3 Trocas radiativas

Proposição 26.7 (Troca líquida e coeficiente radiativo)

Um pequeno corpo cinzento (emissividade ε\varepsilon, área SS, temperatura TT) dentro de um ambiente amplo a T0T_0 perde a potência líquida

P=εσS(T4T04)  4εσT03S(TT0)=hrS(TT0)para TT0T0,P = \varepsilon\sigma S\,(T^4 - T_0^4) \ \approx\ 4\varepsilon\sigma T_0^3\,S\,(T - T_0) = h_{\text{r}}S(T - T_0) \quad\text{para } |T - T_0| \ll T_0 ,

onde hr=4εσT036W/m2/Kh_{\text{r}} = 4\varepsilon\sigma T_0^3 \approx 6\,\mathrm{W}/\mathrm{m}^{2}/\mathrm{K} à temperatura ambiente — comparável à convecção natural: numa sala, a radiação leva cerca de metade do calor que sai de um corpo ou de um radiador. Entre duas grandes placas negras paralelas a densidade de fluxo líquida vale σ(T14T24)\sigma(T_1^4 - T_2^4); para placas cinzentas de emissividades ε1\varepsilon_1, ε2\varepsilon_2 ela vale σ(T14T24)/(1/ε1+1/ε21)\sigma(T_1^4 - T_2^4)/(1/\varepsilon_1 + 1/\varepsilon_2 - 1), e cada fina blindagem de radiação interposta a divide ainda mais — o princípio da garrafa térmica e da folha de ouro dos satélites.

Demonstração. O corpo emite εσT4\varepsilon\sigma T^4 e absorve a fração α=ε\alpha = \varepsilon da radiação negra σT04\sigma T_0^4 que preenche o recinto (Kirchhoff). Linearize T4T044T03(TT0)T^4 - T_0^4 \approx 4T_0^3(T - T_0). Para as placas cinzentas, some as múltiplas reflexões (uma série geométrica).

Exemplo 26.8 (Geada sob um céu limpo, e a câmera térmica)

Numa noite limpa o céu irradia como um corpo a cerca de 250K250\,\mathrm{K} (a alta atmosfera seca), enquanto o ar junto ao solo está a 278K278\,\mathrm{K}. Uma folha ou o teto de um carro (ε=0.95\varepsilon = 0.95) equilibra sua perda radiativa para o céu contra a convecção vinda do ar (h=5W/m2/Kh = 5\,\mathrm{W}/\mathrm{m}^{2}/\mathrm{K}): εσ(T42504)=h(278T)\varepsilon\sigma(T^4 - 250^4) = h(278 - T)T266KT \approx 266\,\mathrm{K} — geada a 7C-7\,{}^{\circ}\mathrm{C} sobre a grama enquanto o termômetro marca +5+5. Uma nuvem (que irradia a 275K275\,\mathrm{K}) eleva TT a 277K277\,\mathrm{K}: sem geada. Uma câmera térmica mede a radiância perto de 10µm10\,\text{µ}\mathrm{m} e a converte em temperatura supondo ε0.95\varepsilon \approx 0.95; um metal polido (ε=0.1\varepsilon = 0.1) sobretudo reflete a sala e aparece à temperatura da sala, qualquer que seja a sua — daí a fita preta que os termografistas colam nas peças brilhantes.

26.4 O Sol, a Terra e o efeito estufa

Proposição 26.9 (Constante solar e temperatura efetiva)

O Sol (raio RR_\odot, temperatura de superfície TT_\odot) entrega à distância dd a densidade de fluxo S=σT4(R/d)2=1361W/m2S = \sigma T_\odot^4 (R_\odot/d)^2 = 1361\,\mathrm{W}/\mathrm{m}^{2} acima da atmosfera terrestre (a constante solar). Um planeta de albedo AA (a fração refletida) absorve (1A)SπR2(1 - A)S\pi R^2 e, em regime estacionário, a irradia de toda a sua superfície 4πR24\pi R^2 como um corpo negro à sua temperatura efetiva

Te=((1A)S4σ)1/4=255Kpara a Terra (A=0.30).T_{\text{e}} = \Big(\frac{(1 - A)S}{4\sigma}\Big)^{1/4} = 255\,\mathrm{K} \quad\text{para a Terra } (A = 0.30) .

Demonstração. Conservação da energia: absorvido == emitido, com a seção de choque πR2\pi R^2 para o feixe interceptado e a esfera inteira para a emissão (dia e noite, distribuídos pela rotação e pela circulação).

O efeito estufa de uma camada: a luz do Sol atravessa a atmosfera e aquece o solo; o infravermelho do solo é absorvido pela camada, que irradia metade para cima e metade para baixo — a superfície deve então irradiar o dobro do que recebe do Sol.
O efeito estufa de uma camada: a luz do Sol atravessa a atmosfera e aquece o solo; o infravermelho do solo é absorvido pela camada, que irradia metade para cima e metade para baixo — a superfície deve então irradiar o dobro do que recebe do Sol.

Proposição 26.10 (Modelo de efeito estufa de uma camada)

Envolva o planeta com uma fina camada de atmosfera transparente à luz do Sol mas que absorve todo o infravermelho emitido pela superfície e irradia como um corpo negro a TaT_{\text{a}} tanto para cima como para baixo. Em regime estacionário,

Ta=Te,Ts=21/4Te=303K.T_{\text{a}} = T_{\text{e}}, \qquad T_{\text{s}} = 2^{1/4}\,T_{\text{e}} = 303\,\mathrm{K} .

Se a camada absorve apenas a fração ε\varepsilon do infravermelho, Ts4=Te4/(1ε/2)T_{\text{s}}^4 = T_{\text{e}}^4/(1 - \varepsilon/2); os 288K288\,\mathrm{K} observados correspondem a ε0.78\varepsilon \approx 0.78. A superfície é mais quente que a temperatura efetiva porque recebe, além do Sol, o infravermelho que a atmosfera devolve para baixo — o efeito estufa, de 33K33\,\mathrm{K} na Terra, sem o qual os oceanos estariam congelados.

Demonstração. Balanço da camada: absorve σTs4\sigma T_{\text{s}}^4, emite 2σTa42\sigma T_{\text{a}}^4. Balanço do planeta visto do espaço: emite σTa4=(1A)S/4=σTe4\sigma T_{\text{a}}^4 = (1 - A)S/4 = \sigma T_{\text{e}}^4. Balanço da superfície: recebe (1A)S/4+σTa4=2σTe4(1 - A)S/4 + \sigma T_{\text{a}}^4 = 2\sigma T_{\text{e}}^4, emite σTs4\sigma T_{\text{s}}^4. Para a camada parcial, substitua o infravermelho absorvido e emitido por εσTs4\varepsilon\sigma T_{\text{s}}^4 e εσTa4\varepsilon\sigma T_{\text{a}}^4 e deixe a fração 1ε1 - \varepsilon da radiação da superfície escapar diretamente.

Os espectros do Sol e da Terra (cada um normalizado a seu pico) mal se superpõem: a atmosfera pode ser transparente a um e opaca ao outro. Sombreadas: as principais bandas de absorção infravermelha do vapor de água e do dióxido de carbono; entre elas, a janela de 8\,–13\, µ m pela qual a superfície irradia diretamente para o espaço.
Os espectros do Sol e da Terra (cada um normalizado a seu pico) mal se superpõem: a atmosfera pode ser transparente a um e opaca ao outro. Sombreadas: as principais bandas de absorção infravermelha do vapor de água e do dióxido de carbono; entre elas, a janela de 88\,13µm13\,\text{µ}\mathrm{m} pela qual a superfície irradia diretamente para o espaço.

Observação 26.11 (Por que a estufa é seletiva)

A luz do Sol tem seu pico em 0.5µm0.5\,\text{µ}\mathrm{m}, a radiação da Terra em 10µm10\,\text{µ}\mathrm{m}: os dois espectros quase não se superpõem, de modo que um gás pode ser transparente ao primeiro e absorvente para o segundo. O nitrogênio e o oxigênio não absorvem nem um nem outro; o vapor de água, o dióxido de carbono, o metano e o ozônio têm bandas de vibração no infravermelho e são os gases de efeito estufa. A janela entre 88\, e 13µm13\,\text{µ}\mathrm{m} é aquela pela qual a câmera térmica olha, aquela a que se referem os 250K250\,\mathrm{K} do céu noturno, e aquela que as tintas de resfriamento radiativo exploram. O vidro de uma estufa de verdade faz o mesmo (transparente a 0.5µm0.5\,\text{µ}\mathrm{m}, opaco a 10µm10\,\text{µ}\mathrm{m}), mas sobretudo ele bloqueia a convecção — o nome é um pouco injusto.

Método 26.12 (Estimativas de radiação)

(1) λmax=2900µmK/T\lambda_{\max} = 2900\,\text{µ}\mathrm{m}\,\mathrm{K}/T diz onde está o espectro; (2) εσT4\varepsilon\sigma T^4 por unidade de área; (3) trocas: emitido menos absorvido, linearizado como hr=4εσT3h_{\text{r}} = 4\varepsilon\sigma T^3 perto da temperatura ambiente; (4) um planeta: (1A)S/4=σTe4(1 - A)S/4 = \sigma T_{\text{e}}^4, depois as camadas; (5) compare com a condução e a convecção — a radiação vence em alta temperatura (T4T^4) e no vácuo; (6) atenção às emissividades: metais brilhantes 0.050.05\,, tintas, pele, água e solo 0.9\approx 0.90.980.98 no infravermelho, seja qual for sua cor visível.

26.5 Exercícios

Exercício 26.1

λmax\lambda_{\max} e σT4\sigma T^4 para: o Sol (5800K5800\,\mathrm{K}), um ser humano (310K310\,\mathrm{K}), o filamento de uma lâmpada (2800K2800\,\mathrm{K}), o fundo cósmico (2.73K2.73\,\mathrm{K}), o nitrogênio líquido (77K77\,\mathrm{K}), um atiçador em brasa (900K900\,\mathrm{K}). Quais são visíveis?

Solução

Solução de Exercício 26.1.

λmax\lambda_{\max}: 0.50µm0.50\,\text{µ}\mathrm{m}, 9.4µm9.4\,\text{µ}\mathrm{m}, 1.04µm1.04\,\text{µ}\mathrm{m}, 1.06mm1.06\,\mathrm{mm}, 38µm38\,\text{µ}\mathrm{m}, 3.2µm3.2\,\text{µ}\mathrm{m}; σT4\sigma T^4: 6.4×1076.4 \times 10^{7}\,, 520520\,, 3.5×1063.5 \times 10^{6}\,, 3.1×1063.1 \times 10^{-6}\,, 2.02.0\,, 3.7×104W/m23.7 \times 10^{4}\,\mathrm{W}/\mathrm{m}^{2}. Visíveis: o Sol e o filamento; o atiçador brilha em vermelho-escuro pela cauda de onda curta, um décimo de milésimo de sua potência.

Exercício 26.2

A partir de T=5772KT_\odot = 5772\,\mathrm{K}, R=6.96×108mR_\odot = 6.96 \times 10^{8}\,\mathrm{m}, d=1.496×1011md = 1.496 \times 10^{11}\,\mathrm{m}: a constante solar, a luminosidade do Sol, a potência interceptada pela Terra (R=6.37×106mR = 6.37 \times 10^{6}\,\mathrm{m}), e a mesma dividida por 8×1098 \times 10^9 pessoas. Compare com o consumo mundial de potência (2×1013W2 \times 10^{13}\,\mathrm{W}).

Solução

Solução de Exercício 26.2.

S=σT4(R/d)2=1360W/m2S = \sigma T_\odot^4(R_\odot/d)^2 = 1360\,\mathrm{W}/\mathrm{m}^{2}; L=4πd2S=3.8×1026WL = 4\pi d^2S = 3.8 \times 10^{26}\,\mathrm{W}; πR2S=1.7×1017W\pi R^2S = 1.7 \times 10^{17}\,\mathrm{W}; 2×107W2 \times 10^{7}\,\mathrm{W} por pessoa — nove mil vezes o consumo mundial.

Exercício 26.3

Uma pessoa: pele a 306K306\,\mathrm{K}, ε=0.98\varepsilon = 0.98, 1.7m21.7\,\mathrm{m}^{2}, numa sala a 293K293\,\mathrm{K}. Potência emitida, potência absorvida, perda líquida; o coeficiente radiativo hrh_{\text{r}}; compare com os 100W100\,\mathrm{W} do metabolismo e conclua a respeito das roupas e de uma sala a 20C20\,{}^{\circ}\mathrm{C} com paredes frias.

Solução

Solução de Exercício 26.3.

Emitidos 830W830\,\mathrm{W}, absorvidos 700W700\,\mathrm{W}, líquido 130W130\,\mathrm{W}; hr=4εσT03=5.6W/m2/Kh_{\text{r}} = 4\varepsilon\sigma T_0^3 = 5.6\,\mathrm{W}/\mathrm{m}^{2}/\mathrm{K}. Mais que o metabolismo: as roupas reduzem isso; paredes a 15C15\,{}^{\circ}\mathrm{C} acrescentam uns 50W50\,\mathrm{W} de perda — sente-se frio em ar morno entre paredes frias.

Exercício 26.4

Uma lâmpada de 60W60\,\mathrm{W}: filamento de tungstênio a 2800K2800\,\mathrm{K}, ε=0.35\varepsilon = 0.35. Área irradiante; comprimento de um fio de 50µm50\,\text{µ}\mathrm{m} com essa área; cerca de 8%8\% da potência é visível: potência luminosa; um LED que dê a mesma luz com 30%30\% de eficiência.

Solução

Solução de Exercício 26.4.

A=P/εσT4=49mm2A = P/\varepsilon\sigma T^4 = 49\,\mathrm{mm}^{2}; =A/πd=31cm\ell = A/\pi d = 31\,\mathrm{cm}; 4.8W4.8\,\mathrm{W} de luz; um LED de 16W16\,\mathrm{W}.

Exercício 26.5 ★★

Os dois limites. (a) Desenvolva o uνu_\nu de Planck para hνkBTh\nu \ll k_BT e identifique a energia por modo. (b) Mostre que a lei de Rayleigh–Jeans dá uma energia total infinita. (c) A 300K300\,\mathrm{K}, a frequência em que hν=kBTh\nu = k_BT; conclua que a radiação térmica de rádio e de micro-ondas é clássica. (d) No limite de Wien, interprete ehν/kBT\eu^{-h\nu/k_BT}.

Solução

Solução de Exercício 26.5.

(a) ex1x\eu^x - 1 \approx x: uν=(8πν2/c3)kBTu_\nu = (8\pi\nu^2/c^3)\,k_BTkBTk_BT por modo. (b) ν2 ⁣dν\int\nu^2\dd\nu diverge. (c) ν=kBT/h=6×1012Hz\nu = k_BT/h = 6 \times 10^{12}\,\mathrm{Hz} (50µm50\,\text{µ}\mathrm{m}): o rádio e as micro-ondas a 300K300\,\mathrm{K} estão bem dentro do regime clássico (o ruído de um resistor vale kBTk_BT por unidade de banda). (d) A probabilidade de encontrar o quantum hνh\nu excitado a TT: um fator de Boltzmann.

Exercício 26.6 ★★

Wien. (a) Deduza x=5(1ex)x = 5(1 - \eu^{-x}) e resolva-a numericamente com três algarismos. (b) Valor de λmaxT\lambda_{\max}T. (c) Mostre que uνu_\nu tem seu máximo em hν=2.82kBTh\nu = 2.82\,k_BT, e que isso não corresponde a c/λmaxc/\lambda_{\max}: por quê? (d) Temperatura de uma estrela cujo espectro tem pico em 290nm290\,\mathrm{nm}; sua cor ao olho.

Solução

Solução de Exercício 26.6.

(a) x=4.965x = 4.965. (b) hc/4.965kB=2.90×103mKhc/4.965k_B = 2.90 \times 10^{-3}\,\mathrm{m}\,\mathrm{K}. (c) x3/(ex1)x^3/(\eu^x - 1) tem máximo onde 3(1ex)=x3(1 - \eu^{-x}) = x: 2.822.82; as densidades por unidade de frequência e por unidade de comprimento de onda são funções diferentes ( ⁣dν=c ⁣dλ/λ2\dd\nu = c\,\dd\lambda/\lambda^2) e têm máximo em lugares diferentes. (d) 10000K10\,000\,\mathrm{K}; branco azulado.

Exercício 26.7 ★★

Stefan. (a) Efetue a integração da lei de Planck, dado 0x3 ⁣dx/(ex1)=π4/15\int_0^\infty x^3\dd x/(\eu^x - 1) = \pi^4/15, e o valor de σ\sigma. (b) Justifique o fator c/4c/4 entre a densidade e a exitância. (c) Dado 0x2 ⁣dx/(ex1)=2.404\int_0^\infty x^2\dd x/(\eu^x - 1) = 2.404, o número de fótons por unidade de volume a TT, e a energia média do fóton em unidades de kBTk_BT. (d) Fótons por centímetro cúbico a 300K300\,\mathrm{K} e a 2.73K2.73\,\mathrm{K}.

Solução

Solução de Exercício 26.7.

(a) u=(8π5kB4/15h3c3)T4u = (8\pi^5k_B^4/15h^3c^3)T^4, σ=cu/4T4=5.67×108W/m2/K4\sigma = cu/4T^4 = 5.67 \times 10^{-8}\,\mathrm{W}/\mathrm{m}^{2}/\mathrm{K}^{4}. (b) A isotropia e a projeção em cosθ\cos\theta: cosθ ⁣dΩ/4π=1/4\int\cos\theta\,\dd\Omega/4\pi = 1/4 sobre um hemisfério. (c) n=8π×2.404(kBT/hc)3=60.4(kBT/hc)3n = 8\pi \times 2.404\,(k_BT/hc)^3 = 60.4\,(k_BT/hc)^3; energia média (π4/15)/2.404=2.70kBT(\pi^4/15)/2.404 = 2.70\,k_BT. (d) 5×1085 \times 10^8 e 400400 por centímetro cúbico.

Exercício 26.8 ★★

Blindagens. Duas grandes placas negras a T1T_1, T2T_2. (a) Fluxo líquido. (b) Uma folha negra fina é colocada entre elas: sua temperatura e o novo fluxo. (c) nn folhas. (d) Placas cinzentas de emissividade ε\varepsilon: mostre que o fluxo é σ(T14T24)/(2/ε1)\sigma(T_1^4 - T_2^4)/(2/\varepsilon - 1) e calcule-o para superfícies polidas (ε=0.05\varepsilon = 0.05) a 300K300\,\mathrm{K} e 77K77\,\mathrm{K} — a garrafa térmica.

Solução

Solução de Exercício 26.8.

(a) σ(T14T24)\sigma(T_1^4 - T_2^4). (b) Ts4=(T14+T24)/2T_{\text{s}}^4 = (T_1^4 + T_2^4)/2; a metade. (c) 1/(n+1)1/(n + 1). (d) Somando as reflexões, σ(T14T24)/(2/ε1)\sigma(T_1^4 - T_2^4)/(2/\varepsilon - 1); ε=0.05\varepsilon = 0.05: 460W/m2/39=12W/m2460\,\mathrm{W}/\mathrm{m}^{2}/39 = 12\,\mathrm{W}/\mathrm{m}^{2} — uma garrafa de 0.05m20.05\,\mathrm{m}^{2} perde 0.6W0.6\,\mathrm{W}, evaporando um quarto de quilograma de nitrogênio por dia.

Exercício 26.9 ★★

Geada noturna. Superfície com ε=0.95\varepsilon = 0.95, céu a 250K250\,\mathrm{K}, ar a 278K278\,\mathrm{K} com h=5W/m2/Kh = 5\,\mathrm{W}/\mathrm{m}^{2}/\mathrm{K}. (a) Escreva o balanço e resolva-o para a temperatura da superfície. (b) Sob uma nuvem a 275K275\,\mathrm{K}. (c) Por que o vento impede a geada? (d) Por que um carro estacionado sob uma árvore escapa dela?

Solução

Solução de Exercício 26.9.

(a) εσ(T42504)=h(278T)\varepsilon\sigma(T^4 - 250^4) = h(278 - T): T266KT \approx 266\,\mathrm{K}. (b) 277K277\,\mathrm{K}. (c) Um hh maior prende a superfície ao ar. (d) A copa a 278K278\,\mathrm{K} substitui o céu a 250K250\,\mathrm{K}.

Exercício 26.10 ★★★

Planetas. (a) Temperaturas efetivas de Vênus (S=2600W/m2S = 2600\,\mathrm{W}/\mathrm{m}^{2}, A=0.75A = 0.75), da Terra e de Marte (S=590W/m2S = 590\,\mathrm{W}/\mathrm{m}^{2}, A=0.25A = 0.25). (b) Suas temperaturas de superfície são 737K737\,\mathrm{K}, 288K288\,\mathrm{K}, 215K215\,\mathrm{K}: aquecimento de estufa de cada um. (c) No modelo com nn camadas opacas, mostre que Ts4=(n+1)Te4T_{\text{s}}^4 = (n + 1)T_{\text{e}}^4; quantas camadas para Vênus? (d) A Lua: A=0.12A = 0.12, sem atmosfera, rotação lenta — temperatura do ponto subsolar, e por que o lado noturno cai a 100K100\,\mathrm{K}.

Solução

Solução de Exercício 26.10.

(a) 231K231\,\mathrm{K}, 255K255\,\mathrm{K}, 210K210\,\mathrm{K}. (b) 506K506\,\mathrm{K}, 33K33\,\mathrm{K}, 5K5\,\mathrm{K}. (c) Cada camada opaca irradia para cima e para baixo; os balanços dão Tk4=(k+1)Te4T_k^4 = (k + 1)T_{\text{e}}^4 a partir do topo: n100n \approx 100 para Vênus. (d) ((1A)S/σ)1/4=381K((1 - A)S/\sigma)^{1/4} = 381\,\mathrm{K}; sem atmosfera nada leva calor ao lado noturno, e o regolito armazena pouco: a superfície irradia o calor do dia em cerca de um dia e se estabiliza perto de 100K100\,\mathrm{K}.

Exercício 26.11 ★★★

Sensibilidade climática sem realimentações. (a) Linearize o balanço planetário: uma pequena forçante extra ΔF\Delta F (em W/m2\mathrm{W}/\mathrm{m}^{2}) no topo da atmosfera eleva a temperatura efetiva de ΔT=ΔF/4σTe3\Delta T = \Delta F/4\sigma T_{\text{e}}^3. Calcule 4σTe34\sigma T_{\text{e}}^3. (b) Dobrar o dióxido de carbono é uma forçante de cerca de 3.7W/m23.7\,\mathrm{W}/\mathrm{m}^{2}: ΔT\Delta T neste modelo. (c) A camada de mistura do oceano (50m50\,\mathrm{m} de água) armazena o calor: constante de tempo da resposta. (d) Por que as realimentações do vapor de água e do albedo do gelo tornam a sensibilidade real maior que a de (b)?

Solução

Solução de Exercício 26.11.

(a) 4σTe3=3.8W/m2/K4\sigma T_{\text{e}}^3 = 3.8\,\mathrm{W}/\mathrm{m}^{2}/\mathrm{K}. (b) 1.0K1.0\,\mathrm{K}. (c) C=2.1×108J/m2/KC = 2.1 \times 10^{8}\,\mathrm{J}/\mathrm{m}^{2}/\mathrm{K}, τ=C/4σTe35.6×107s\tau = C/4\sigma T_{\text{e}}^3 \approx 5.6 \times 10^{7}\,\mathrm{s}, dois anos. (d) Ar mais quente retém mais vapor de água (um gás de efeito estufa) e derrete gelo (albedo menor): ambos amplificam o aquecimento inicial.

Exercício 26.12 ★★★

Pirometria. (a) No limite de Wien, mostre que a razão das radiâncias em dois comprimentos de onda, λ1\lambda_1 e λ2\lambda_2, dá TT independentemente de uma emissividade cinzenta. (b) Uma barra de aço: M0.65/M0.9=0.10M_{0.65}/M_{0.9} = 0.10: temperatura. (c) Uma câmera térmica a 10µm10\,\text{µ}\mathrm{m} supõe ε=0.95\varepsilon = 0.95; ela olha para alumínio polido (ε=0.1\varepsilon = 0.1) a 350K350\,\mathrm{K} numa sala a 293K293\,\mathrm{K}: no regime linearizado, que temperatura ela indica? (d) Por que uma superfície pintada ao lado do alumínio, à mesma 350K350\,\mathrm{K}, é lida corretamente?

Solução

Solução de Exercício 26.12.

(a)

M1M2=(λ2λ1)5exp[hckBT(1λ11λ2)]:\frac{M_1}{M_2} = \Big(\frac{\lambda_2}{\lambda_1}\Big)^5\exp\Big[-\frac{hc}{k_BT}\Big(\frac{1}{\lambda_1} - \frac{1}{\lambda_2}\Big)\Big] :

ε\varepsilon se cancela. (b) T=14388µmK×0.427/(5ln1.385+ln10)=1570KT = 14\,388\,\text{µ}\mathrm{m}\,\mathrm{K} \times 0.427/(5\ln 1.385 + \ln 10) = 1570\,\mathrm{K}. (c) Recebido 0.1×350+0.9×293=299\propto 0.1 \times 350 + 0.9 \times 293 = 299; indicado (2990.05×293)/0.95299K(299 - 0.05 \times 293)/0.95 \approx 299\,\mathrm{K}: ela erra os 350K350\,\mathrm{K}. (d) Sua emissividade é justamente a suposta.

Os dois corpos negros deste capítulo: o Sol, a 5800\, K, visto pelo Solar Dynamics Observatory no ultravioleta extremo, e a Terra, a 288\, K, fotografada pela tripulação da Apollo 17 — picos em 0.5\, µ m e em 10\, µ m (NASA). Os dois corpos negros deste capítulo: o Sol, a 5800\, K, visto pelo Solar Dynamics Observatory no ultravioleta extremo, e a Terra, a 288\, K, fotografada pela tripulação da Apollo 17 — picos em 0.5\, µ m e em 10\, µ m (NASA).
Os dois corpos negros deste capítulo: o Sol, a 5800K5800\,\mathrm{K}, visto pelo Solar Dynamics Observatory no ultravioleta extremo, e a Terra, a 288K288\,\mathrm{K}, fotografada pela tripulação da Apollo 17 — picos em 0.5µm0.5\,\text{µ}\mathrm{m} e em 10µm10\,\text{µ}\mathrm{m} (NASA).

26.6 Problema: o balanço de energia da Terra e a lâmpada incandescente

Problema 26.1

Problema de fim de semana — corpos negros do Sol ao filamento

Dados: σ=5.67×108W/m2/K4\sigma = 5.67 \times 10^{-8}\,\mathrm{W}/\mathrm{m}^{2}/\mathrm{K}^{4}, λmaxT=2.90×103mK\lambda_{\max}T = 2.90 \times 10^{-3}\,\mathrm{m}\,\mathrm{K}, h=6.63×1034Jsh = 6.63 \times 10^{-34}\,\mathrm{J}\,\mathrm{s}, kB=1.38×1023J/Kk_B = 1.38 \times 10^{-23}\,\mathrm{J}/\mathrm{K}, c=3.00×108m/sc = 3.00 \times 10^{8}\,\mathrm{m}/\mathrm{s}; Sol: R=6.96×108mR_\odot = 6.96 \times 10^{8}\,\mathrm{m}, d=1.50×1011md = 1.50 \times 10^{11}\,\mathrm{m}; Terra: R=6.37×106mR = 6.37 \times 10^{6}\,\mathrm{m}, albedo 0.300.30.

Parte I — O Sol como corpo negro.

  1. O espectro solar tem pico em 0.50µm0.50\,\text{µ}\mathrm{m}: temperatura da superfície.
  2. Exitância da superfície e luminosidade total.
  3. Constante solar na Terra; densidade de energia e pressão da luz do Sol ali.
  4. Energia média do fóton (2.7kBT\approx 2.7\,k_BT) e número de fótons solares por segundo e por metro quadrado na Terra.
  5. O Sol irradia a essa taxa há 4.5×1094.5 \times 10^9 anos: energia emitida; compare com Mc2Mc^2 para M=2×1030kgM = 2 \times 10^{30}\,\mathrm{kg}.

Parte II — A Terra sem atmosfera.

  1. Potência absorvida pela Terra; temperatura efetiva.
  2. Por que o balanço divide por 44? Qual seria a temperatura no ponto subsolar de uma Terra sem rotação e sem atmosfera (A=0.30A = 0.30)?
  3. A Lua (A=0.12A = 0.12): temperatura subsolar; e por que seu lado noturno cai a 100K100\,\mathrm{K} (pense no calor armazenado no regolito durante o dia de duas semanas, 1×106J/m2/K1 \times 10^{6}\,\mathrm{J}/\mathrm{m}^{2}/\mathrm{K} efetivos).
  4. Comprimento de onda do pico de emissão da Terra; compare com o do Sol.
  5. Se mais gelo ou mais nuvens elevassem o albedo a 0.350.35, de quanto cairia a temperatura efetiva?

Parte III — O efeito estufa.

  1. Escreva os três balanços (espaço, camada, superfície) do modelo de uma camada e obtenha Ts=21/4TeT_{\text{s}} = 2^{1/4}T_{\text{e}}.
  2. Com uma camada que absorve a fração ε\varepsilon do infravermelho: Ts(ε)T_{\text{s}}(\varepsilon); o valor de ε\varepsilon que dá 288K288\,\mathrm{K}.
  3. Que gases absorvem, quais não absorvem, e em que banda de comprimentos de onda; o que é a janela atmosférica?
  4. O infravermelho devolvido ao solo pela atmosfera, em W/m2\mathrm{W}/\mathrm{m}^{2}, no modelo com ε=0.78\varepsilon = 0.78; compare com a luz do Sol absorvida.
  5. Uma forçante de 3.7W/m23.7\,\mathrm{W}/\mathrm{m}^{2} (dióxido de carbono dobrado): variação de temperatura ΔT=ΔF/4σTe3\Delta T = \Delta F/4\sigma T_{\text{e}}^3 sem realimentações.
  6. Capacidade térmica de uma camada de mistura oceânica de 50m50\,\mathrm{m} por metro quadrado e a constante de tempo da resposta.
  7. Por que as nuvens ao mesmo tempo resfriam (albedo) e aquecem (infravermelho) a superfície; que efeito vence à noite?

Parte IV — A lâmpada incandescente. Uma lâmpada de 60W60\,\mathrm{W} tem um filamento de tungstênio a 2800K2800\,\mathrm{K}, ε=0.35\varepsilon = 0.35; a fração da potência de um corpo negro que cai no visível (0.40.40.7µm0.7\,\text{µ}\mathrm{m}) vale 0.080.08 a 2800K2800\,\mathrm{K} e 0.140.14 a 3200K3200\,\mathrm{K}.

  1. Área irradiante do filamento; comprimento de um fio de 50µm50\,\text{µ}\mathrm{m} que a tenha; por que ele é enrolado?
  2. Comprimento de onda de pico; potência visível; eficiência luminosa.
  3. Resistência do filamento em funcionamento a 230V230\,\mathrm{V}; a resistividade do tungstênio é cerca de dez vezes menor à temperatura ambiente: corrente ao ligar, e uma consequência.
  4. A 3200K3200\,\mathrm{K}: a área necessária para os mesmos 60W60\,\mathrm{W} e a potência visível; por que não fazer toda lâmpada funcionar a 3200K3200\,\mathrm{K} (a taxa de evaporação do tungstênio praticamente dobra a cada 50K50\,\mathrm{K})?
  5. O que faz o ciclo do halogênio, e por que ele permite um filamento mais quente?
  6. Para onde vai o resto dos 60W60\,\mathrm{W}, e por que o vidro da lâmpada chega a 150C150\,{}^{\circ}\mathrm{C}?
  7. Tempo de resfriamento do filamento depois de desligado: estime-o a partir de sua massa (20mg20\,\mathrm{mg}, c=140J/kg/Kc = 140\,\mathrm{J}/\mathrm{kg}/\mathrm{K}) e de sua potência irradiada.
  8. Resuma: o que a temperatura de um corpo negro fixa, e o que o filamento, o Sol e a Terra têm em comum.
Solução

Solução de Problema 26.1.

1. 5800K5800\,\mathrm{K}.

2. 6.4×107W/m26.4 \times 10^{7}\,\mathrm{W}/\mathrm{m}^{2}; 3.9×1026W3.9 \times 10^{26}\,\mathrm{W}.

3. L/4πd2=1.37×103W/m2L/4\pi d^2 = 1.37 \times 10^{3}\,\mathrm{W}/\mathrm{m}^{2}; u=S/c=4.6×106J/m3u = S/c = 4.6 \times 10^{-6}\,\mathrm{J}/\mathrm{m}^{3}; P=S/c=4.6×106PaP = S/c = 4.6 \times 10^{-6}\,\mathrm{Pa} se absorvida, o dobro se refletida.

4. 2.7kBT=2.2×1019J2.7k_BT = 2.2 \times 10^{-19}\,\mathrm{J} (1.35eV1.35\,\mathrm{eV}); 6×10216 \times 10^{21} fótons por segundo e por metro quadrado.

5. 3.9×1026×1.4×1017=5.5×1043J3.9 \times 10^{26} \times 1.4 \times 10^{17} = 5.5 \times 10^{43}\,\mathrm{J}; Mc2=1.8×1047JMc^2 = 1.8 \times 10^{47}\,\mathrm{J}: três décimos de milésimo de sua massa.

6. 1.2×1017W1.2 \times 10^{17}\,\mathrm{W}; Te=255KT_{\text{e}} = 255\,\mathrm{K}.

7. Interceptada em πR2\pi R^2, emitida de 4πR24\pi R^2 graças à rotação e aos ventos; só o ponto subsolar: ((1A)S/σ)1/4=360K((1 - A)S/\sigma)^{1/4} = 360\,\mathrm{K}.

8. 381K381\,\mathrm{K}; à noite o calor armazenado (CΔT\sim C\Delta T) escoa por radiação com a constante de tempo C/4σT31diaC/4\sigma T^3 \approx 1\,\mathrm{dia}, curta frente à quinzena de escuridão: o solo cai até onde sua radiação iguala o filete que vem de baixo, 100K100\,\mathrm{K}.

9. 10µm10\,\text{µ}\mathrm{m}, vinte vezes o do Sol.

10. (0.65/0.70)1/4=0.982(0.65/0.70)^{1/4} = 0.982: 4.7K4.7\,\mathrm{K} menos, 250K250\,\mathrm{K}.

11. Espaço: σTa4=σTe4\sigma T_{\text{a}}^4 = \sigma T_{\text{e}}^4; camada: σTs4=2σTa4\sigma T_{\text{s}}^4 = 2\sigma T_{\text{a}}^4; superfície: σTs4=σTe4+σTa4\sigma T_{\text{s}}^4 = \sigma T_{\text{e}}^4 + \sigma T_{\text{a}}^4. Logo Ts=21/4Te=303KT_{\text{s}} = 2^{1/4}T_{\text{e}} = 303\,\mathrm{K}.

12. Ts4=Te4/(1ε/2)T_{\text{s}}^4 = T_{\text{e}}^4/(1 - \varepsilon/2); (288/255)4=1.63(288/255)^4 = 1.63ε=0.77\varepsilon = 0.77.

13. O vapor de água, o dióxido de carbono, o metano e o ozônio absorvem no infravermelho (bandas de vibração: H2_2O em torno de 6µm6\,\text{µ}\mathrm{m} e além de 17µm17\,\text{µ}\mathrm{m}, CO2_2 em 15µm15\,\text{µ}\mathrm{m}); N2_2 e O2_2 não (sem dipolo); a janela vai de 88\, a 13µm13\,\text{µ}\mathrm{m}.

14. Ta4=Ts4/2T_{\text{a}}^4 = T_{\text{s}}^4/2: εσTa4150W/m2\varepsilon\sigma T_{\text{a}}^4 \approx 150\,\mathrm{W}/\mathrm{m}^{2}, contra 238W/m2238\,\mathrm{W}/\mathrm{m}^{2} de luz solar absorvida (uma atmosfera de várias camadas devolve mais, uns 330W/m2330\,\mathrm{W}/\mathrm{m}^{2}).

15. 3.7/3.81K3.7/3.8 \approx 1\,\mathrm{K}.

16. 2.1×108J/m2/K2.1 \times 10^{8}\,\mathrm{J}/\mathrm{m}^{2}/\mathrm{K}; τ5.6×107s\tau \approx 5.6 \times 10^{7}\,\mathrm{s}, dois anos.

17. Elas refletem a luz do Sol e irradiam infravermelho para baixo; à noite só o segundo age: as noites nubladas são mais quentes.

18. 49mm249\,\mathrm{mm}^{2}; 31cm31\,\mathrm{cm}; enrolado para caber e para reduzir as perdas convectivas para o gás de enchimento.

19. 1.04µm1.04\,\text{µ}\mathrm{m}; 4.8W4.8\,\mathrm{W}; 8%8\%.

20. R=V2/P=880ΩR = V^2/P = 880\,\Omega; frio 88Ω88\,\Omega: 2.6A2.6\,\mathrm{A} em vez de 0.26A0.26\,\mathrm{A} — as lâmpadas queimam ao serem ligadas.

21. 49×(2800/3200)4=29mm249 \times (2800/3200)^4 = 29\,\mathrm{mm}^{2}; 8.4W8.4\,\mathrm{W} visíveis; oito duplicações da evaporação, uma vida 250250 vezes mais curta — horas.

22. O tungstênio evaporado se liga ao halogênio e é devolvido ao filamento quente em vez de enegrecer o vidro: um filamento mais quente com vida normal, num pequeno bulbo de quartzo.

23. 55W55\,\mathrm{W} de infravermelho e de condução pelo gás; o vidro absorve parte do infravermelho.

24. C=2.8×103J/KC = 2.8 \times 10^{-3}\,\mathrm{J}/\mathrm{K}; com PT4P \propto T^4, o tempo para reduzir TT à metade vale 7CT0/3P0.3s7CT_0/3P \approx 0.3\,\mathrm{s} — e o brilho segue a rede com um atraso de 0.04s0.04\,\mathrm{s}, razão pela qual ele quase não cintila.

25. A temperatura fixa a forma e o pico do espectro (λmaxT\lambda_{\max}T), e o total (σT4\sigma T^4); filamento, Sol e Terra são três corpos negros, a 28002800\,, 58005800\, e 288K288\,\mathrm{K}, cada um equilibrando o que recebe contra σT4\sigma T^4.

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