Physics · Livro 4 · Bachelor Year 2

Física universitária — 2.º ano

Física universitária — 2.º ano · Bachelor Year 2

30A equação de Schrödinger e as funções de onda

Dispare elétrons um a um contra um par de fendas e registre onde cada um cai: um ponto aqui, um ponto ali, aparentemente ao acaso — e, após dez mil pontos, as franjas da experiência de Young, como se cada elétron tivesse passado pelas duas fendas e interferido consigo mesmo. O último capítulo do volume do primeiro ano encontrou essa estranheza: a luz vem em fótons, a matéria tem um comprimento de onda λ=h/p\lambda = h/p, e a posição e o momento não podem ser ambos precisos. O que ele não deu foi a equação — a regra que diz como evolui a onda associada a uma partícula, assim como a lei de Newton diz como evolui uma trajetória. Essa equação é a de Schrödinger (1926), e com ela a descrição quântica se torna uma teoria calculável: escreve-se uma função de onda ψ(x,t)\psi(x,t), cujo módulo ao quadrado é a probabilidade de encontrar a partícula, e resolve-se uma equação diferencial parcial linear. Este capítulo enuncia a equação, explica o que ψ\psi significa e o que não significa, encontra seus estados estacionários e os pacotes de onda da partícula livre, e mostra onde a mecânica de Newton reaparece — para tudo o que seja mais pesado que uma molécula.

Um microscópio eletrônico de transmissão: elétrons acelerados a cem quilovolts têm um comprimento de onda de alguns picômetros e sua função de onda, focalizada por lentes magnéticas, forma a imagem dos átomos de um cristal.
Um microscópio eletrônico de transmissão: elétrons acelerados a cem quilovolts têm um comprimento de onda de alguns picômetros e sua função de onda, focalizada por lentes magnéticas, forma a imagem dos átomos de um cristal.

30.1 O que o volume do primeiro ano nos deixou

Proposição 30.1 (As partículas são ondas)

Um fóton de frequência ν\nu tem a energia E=hν=ωE = h\nu = \hbar\omega e o momento p=h/λ=kp = h/\lambda = \hbar k; uma partícula material de momento pp se comporta como uma onda de comprimento de onda λ=h/p\lambda = h/p (de Broglie), com E=ωE = \hbar\omega e p=kp = \hbar k também — a difração de elétrons por cristais e a interferometria de nêutrons e mesmo de moléculas o confirmam; e nenhum estado pode ter uma posição e um momento mais precisos que ΔxΔp/2\Delta x\,\Delta p \ge \hbar/2 (Heisenberg). Com =h/2π=1.05×1034Js\hbar = h/2\pi = 1.05 \times 10^{-34}\,\mathrm{J}\,\mathrm{s}: um elétron a 100eV100\,\mathrm{eV} tem λ=0.12nm\lambda = 0.12\,\mathrm{nm}, o tamanho de um átomo; um grão de poeira de 1×1015kg1 \times 10^{-15}\,\mathrm{kg} a 1mm/s1\,\mathrm{mm}/\mathrm{s} tem λ=7×1016m\lambda = 7 \times 10^{-16}\,\mathrm{m}, menor que um núcleo — ele se comporta classicamente.

Demonstração. Recordado do volume do primeiro ano; a tarefa agora é a dinâmica da onda.

Um padrão de difração de elétrons registrado num microscópio eletrônico (um padrão de Kikuchi vindo de um cristal): elétrons de alguns picômetros de comprimento de onda, difratados pelos planos atômicos — a matéria se comportando como onda (NIST).
Um padrão de difração de elétrons registrado num microscópio eletrônico (um padrão de Kikuchi vindo de um cristal): elétrons de alguns picômetros de comprimento de onda, difratados pelos planos atômicos — a matéria se comportando como onda (NIST).

30.2 A função de onda

Definição 30.2 (Função de onda e regra de Born)

O estado de uma partícula que se move ao longo de xx é descrito por uma função de onda complexa ψ(x,t)\psi(x,t) tal que

 ⁣dP=ψ(x,t)2 ⁣dx\dd\mathcal P = |\psi(x,t)|^2\,\dd x

é a probabilidade de encontrar a partícula entre xx e x+ ⁣dxx + \dd x no instante tt (a regra de Born); daí a normalização ψ2 ⁣dx=1\int_{-\infty}^{\infty}|\psi|^2\dd x = 1, e os valores esperados x=xψ2 ⁣dx\langle x\rangle = \int x|\psi|^2\dd x, Δx2=x2x2\Delta x^2 = \langle x^2\rangle - \langle x\rangle^2. As funções de onda obedecem ao princípio de superposição: se ψ1\psi_1 e ψ2\psi_2 são estados possíveis, também o é αψ1+βψ2\alpha\psi_1 + \beta\psi_2 (normalizado), e as probabilidades contêm então o termo de interferência 2Re(αβψ1ψ2)2\operatorname{Re}(\alpha^*\beta\,\psi_1^*\psi_2). Um fator de fase global eiθ\eu^{\iu\theta} nada muda; uma fase relativa entre duas componentes superpostas muda a interferência.

Observação 30.3 (O que ψ\psi não é)

ψ\psi não é um campo clássico espalhado no espaço como E\vect E, nem uma nuvem de matéria: o elétron é sempre encontrado inteiro, num único ponto. ψ\psi é uma amplitude de probabilidade, o objeto que interfere; só ψ2|\psi|^2 é observado, e apenas estatisticamente, ao repetir a experiência com partículas preparadas de modo idêntico. Os pontos da fenda dupla são elétrons individuais; as franjas são ψ1+ψ22|\psi_1 + \psi_2|^2.

30.3 A equação de Schrödinger

Teorema 30.4 (Equação de Schrödinger)

Uma partícula de massa mm na energia potencial V(x)V(x) tem uma função de onda que obedece a

iψt=22m2ψx2+V(x)ψ.\iu\hbar\,\frac{\partial\psi}{\partial t} = -\frac{\hbar^2}{2m}\,\frac{\partial^2\psi}{\partial x^2} + V(x)\,\psi .

Ela é linear (superposição), de primeira ordem no tempo (a função de onda num instante a determina em todos os instantes posteriores) e complexa (ψ\psi não pode ser real: o i\iu é essencial). É um postulado, justificado por suas consequências.

Demonstração. Uma motivação, mais que uma demonstração. Uma partícula livre de momento preciso p=kp = \hbar k e energia E=ωE = \hbar\omega deve ser uma onda plana ψ=Aei(kxωt)\psi = A\eu^{\iu(kx - \omega t)}, para a qual itψ=ωψ=Eψ\iu\hbar\partial_t\psi = \hbar\omega\psi = E\psi e (2/2m)x2ψ=(2k2/2m)ψ=(p2/2m)ψ-(\hbar^2/2m)\partial_x^2\psi = (\hbar^2k^2/2m)\psi = (p^2/2m)\psi. A relação clássica E=p2/2mE = p^2/2m é assim reproduzida pela equação itψ=(2/2m)x2ψ\iu\hbar\partial_t\psi = -(\hbar^2/2m)\partial_x^2\psi, e a generalização natural para E=p2/2m+VE = p^2/2m + V acrescenta VψV\psi. Note que a equação deve ser linear para valer para superposições de ondas planas, e de primeira ordem no tempo com um i\iu para que eiωt\eu^{-\iu\omega t}, e não cosωt\cos\omega t, seja a dependência temporal — uma equação de onda real daria E2p4E^2 \propto p^4.

Proposição 30.5 (Conservação da probabilidade)

A densidade de probabilidade ρ=ψ2\rho = |\psi|^2 e a corrente de probabilidade

j=mIm(ψψx)=2im(ψxψψxψ)j = \frac{\hbar}{m}\operatorname{Im}\Big(\psi^*\frac{\partial\psi}{\partial x}\Big) = \frac{\hbar}{2\iu m}\Big(\psi^*\partial_x\psi - \psi\,\partial_x\psi^*\Big)

obedecem a tρ+xj=0\partial_t\rho + \partial_xj = 0: a probabilidade não é criada nem destruída, e ψ2 ⁣dx\int|\psi|^2\dd x permanece igual a 11. Para uma onda plana AeikxA\eu^{\iu kx}, j=A2k/m=ρvj = |A|^2\hbar k/m = \rho v: densidade vezes velocidade, como para qualquer escoamento.

Demonstração. t(ψψ)=ψtψ+ψtψ\partial_t(\psi^*\psi) = \psi^*\partial_t\psi + \psi\,\partial_t\psi^*; da equação e de sua conjugada, tψ=(i/2m)x2ψ(i/)Vψ\partial_t\psi = (\iu\hbar/2m)\partial_x^2\psi - (\iu/\hbar)V\psi, tψ=(i/2m)x2ψ+(i/)Vψ\partial_t\psi^* = -(\iu\hbar/2m)\partial_x^2\psi^* + (\iu/\hbar)V\psi^*; os termos em VV se cancelam e resta (i/2m)(ψx2ψψx2ψ)=xj(\iu\hbar/2m)(\psi^* \partial_x^2\psi - \psi\,\partial_x^2\psi^*) = -\partial_xj.

Proposição 30.6 (Momento, valores esperados e limite clássico)

O momento de um estado se obtém pelo operador p^=ix\hat p = -\iu\hbar\,\partial_x (que dá k\hbar k numa onda plana): p=ψ(ixψ) ⁣dx\langle p\rangle = \int\psi^*(-\iu\hbar\partial_x\psi)\dd x, e a energia pelo operador H^=(2/2m)x2+V\hat H = -(\hbar^2/2m)\partial_x^2 + V. Os valores esperados obedecem (Ehrenfest) a

 ⁣dx ⁣dt=pm, ⁣dp ⁣dt= ⁣dV ⁣dx:\frac{\dd\langle x\rangle}{\dd t} = \frac{\langle p\rangle}{m}, \qquad \frac{\dd\langle p\rangle}{\dd t} = -\Big\langle\frac{\dd V}{\dd x}\Big\rangle :

o centro do pacote de onda segue a lei de Newton exatamente quando VV é no máximo quadrático, e aproximadamente sempre que o pacote é estreito frente à escala em que VV varia — o limite clássico, que vale para qualquer objeto macroscópico porque \hbar é pequeníssimo.

Demonstração. Derive x=xψ2\langle x\rangle = \int x|\psi|^2, use tρ=xj\partial_t\rho = -\partial_xj e integre por partes:  ⁣dx/ ⁣dt=j ⁣dx=p/m\dd\langle x\rangle/\dd t = \int j\,\dd x = \langle p\rangle/m. A segunda relação é o mesmo cálculo uma ordem acima (admitido aqui).

30.4 Estados estacionários

Teorema 30.7 (Estados estacionários)

Se VV não depende do tempo, a equação tem soluções da forma separada

ψ(x,t)=φ(x)eiEt/,22mφ+Vφ=Eφ\psi(x,t) = \varphi(x)\,\eu^{-\iu Et/\hbar}, \qquad -\frac{\hbar^2}{2m}\,\varphi'' + V\varphi = E\varphi

(a equação de Schrödinger independente do tempo): os estados estacionários, de energia EE bem definida, cuja densidade de probabilidade φ2|\varphi|^2 não se move. As energias EE para as quais φ\varphi é aceitável (limitada, normalizável para um estado ligado) são os níveis de energia; a solução geral é uma superposição ψ=ncnφn(x)eiEnt/\psi = \sum_nc_n\varphi_n(x)\eu^{-\iu E_nt/\hbar}, e uma superposição de dois níveis tem uma densidade que oscila na frequência de Bohr ν21=(E2E1)/h\nu_{21} = (E_2 - E_1)/h — a frequência da luz que o átomo emite ou absorve.

Demonstração. Insira φ(x)f(t)\varphi(x)f(t): if/f=(2φ/2m+Vφ)/φ\iu\hbar f'/f = (-\hbar^2\varphi''/2m + V\varphi)/\varphi, uma função de tt igual a uma função de xx, logo uma constante EE; f=eiEt/f = \eu^{-\iu Et/\hbar}. Para dois níveis, c1φ1eiE1t/+c2φ2eiE2t/2=c1φ12+c2φ22+2Re(c1c2φ1φ2ei(E2E1)t/)|c_1\varphi_1\eu^{-\iu E_1t/\hbar} + c_2\varphi_2\eu^{-\iu E_2t/\hbar}|^2 = |c_1\varphi_1|^2 + |c_2\varphi_2|^2 + 2\operatorname{Re}(c_1^*c_2\varphi_1^*\varphi_2\eu^{-\iu(E_2 - E_1)t/\hbar}). A completude dos estados estacionários é admitida.

Um estado estacionário: o perfil espacial (x) (aqui o estado fundamental de um poço) multiplicado por um fasor que gira à taxa E/; as partes real e imaginária giram uma na outra enquanto | |2 fica parado.
Um estado estacionário: o perfil espacial φ(x)\varphi(x) (aqui o estado fundamental de um poço) multiplicado por um fasor que gira à taxa E/E/\hbar; as partes real e imaginária giram uma na outra enquanto ψ2|\psi|^2 fica parado.
Uma superposição dos dois estados mais baixos de um poço: a densidade oscila de um lado para o outro na frequência de Bohr (E_2 - E_1)/h — uma carga que oscila e, portanto (), um dipolo que irradia exatamente na frequência da linha espectral.
Uma superposição dos dois estados mais baixos de um poço: a densidade oscila de um lado para o outro na frequência de Bohr (E2E1)/h(E_2 - E_1)/h — uma carga que oscila e, portanto (Capítulo 17), um dipolo que irradia exatamente na frequência da linha espectral.

30.5 A partícula livre: ondas planas e pacotes de onda

Proposição 30.8 (Partícula livre)

Para V=0V = 0 os estados estacionários são as ondas planas ei(kxωt)\eu^{\iu(kx - \omega t)} com

E=ω=2k22m,vφ=ωk=k2m,vg= ⁣dω ⁣dk=km=pm:E = \hbar\omega = \frac{\hbar^2k^2}{2m}, \qquad v_\varphi = \frac{\omega}{k} = \frac{\hbar k}{2m}, \qquad v_{\text{g}} = \frac{\dd\omega}{\dd k} = \frac{\hbar k}{m} = \frac{p}{m} :

as ondas de matéria são dispersivas; a velocidade de fase não tem significado físico, e a velocidade de grupo é a velocidade da partícula. Uma onda plana não é normalizável — uma partícula de momento perfeitamente preciso está espalhada por todo o espaço — de modo que uma partícula real é um pacote de onda, uma superposição de ondas planas sobre uma banda Δk\Delta k, localizada em Δx1/Δk\Delta x \sim 1/\Delta k, que se move a vgv_{\text{g}} e se alarga: um pacote gaussiano de largura inicial σ0\sigma_0 tem no instante tt a largura

σ(t)=σ01+(t2mσ02)2,τ=2mσ02,\sigma(t) = \sigma_0\sqrt{1 + \Big(\frac{\hbar t}{2m\sigma_0^2}\Big)^2}, \qquad \tau = \frac{2m\sigma_0^2}{\hbar} ,

e satisfaz ΔxΔp=/2\Delta x\,\Delta p = \hbar/2 em t=0t = 0 (o mínimo permitido) e mais depois.

Demonstração. A relação de dispersão decorre da equação; vgv_{\text{g}} como no Capítulo 8. A fórmula do alargamento vem da síntese de Fourier do pacote — cada componente eikx\eu^{\iu kx} adquire a fase eik2t/2m\eu^{-\iu\hbar k^2t/2m}, e a integral gaussiana com um coeficiente complexo dá uma gaussiana de largura crescente; a integral de Fourier é a ferramenta do volume de matemática do terceiro ano e admitimos o resultado. Fisicamente: o pacote contém momentos espalhados por Δp=/2σ0\Delta p = \hbar/2\sigma_0, e portanto velocidades espalhadas por Δv=/2mσ0\Delta v = \hbar/2m\sigma_0, e após tt as componentes mais rápidas ultrapassaram as mais lentas de Δvt\Delta v\,t — a fórmula diz exatamente isso.

À esquerda: a curva de dispersão da partícula livre, com a velocidade de grupo (tangente) e a velocidade de fase (corda até a origem), a metade dela. À direita: um pacote gaussiano que se move a v_ g e se alarga — com largura √2 vezes maior depois de = 2m _02/, o pico mais baixo e a área constante.
À esquerda: a curva de dispersão da partícula livre, com a velocidade de grupo (tangente) e a velocidade de fase (corda até a origem), a metade dela. À direita: um pacote gaussiano que se move a vgv_{\text{g}} e se alarga — com largura 2\sqrt2 vezes maior depois de τ=2mσ02/\tau = 2m\sigma_0^2/\hbar, o pico mais baixo e a área constante.

Exemplo 30.9 (Quem se alarga)

Um elétron localizado em σ0=1nm\sigma_0 = 1\,\mathrm{nm}: τ=2mσ02/=1.7×1014s\tau = 2m\sigma_0^2/\hbar = 1.7 \times 10^{-14}\,\mathrm{s} — após um nanossegundo seu pacote tem 60µm60\,\text{µ}\mathrm{m} de largura: um elétron deixado sozinho não fica quieto; ligado num átomo ele não se alarga porque o potencial o segura (um estado estacionário). Um grão de poeira de 1×1015kg1 \times 10^{-15}\,\mathrm{kg} localizado em 1µm1\,\text{µ}\mathrm{m}: τ=2×107s\tau = 2 \times 10^{7}\,\mathrm{s}, oito meses; uma bala: mais que a idade do universo. O alargamento quântico é real, e invisível para tudo o que se possa ver.

Observação 30.10 (Energia e tempo)

Um estado que só existe durante Δt\Delta t — um átomo excitado de tempo de vida τ\tau, um trem de onda de comprimento cτc\tau — é uma superposição de energias espalhadas por ΔE/Δt\Delta E \sim \hbar/\Delta t: a relação de Fourier do Capítulo 18 entre a duração de um trem e sua largura espectral, agora aplicada a E=ωE = \hbar\omega. Um nível atômico de tempo de vida 10ns10\,\mathrm{ns} tem uma largura ΔE=7×108eV\Delta E = 7 \times 10^{-8}\,\mathrm{eV}, uma largura de linha natural de 16MHz16\,\mathrm{MHz}; a largura Doppler do Capítulo 23 (1.5GHz1.5\,\mathrm{GHz}) a esconde num gás, mas não num átomo frio ou num íon em repouso.

Método 30.11 (Trabalhar com funções de onda)

(1) Normalize; as probabilidades são ψ2\int|\psi|^2 sobre a região. (2) VV independente do tempo: procure φ(x)eiEt/\varphi(x)\eu^{-\iu Et/\hbar}, resolva a equação estacionária, imponha as condições de contorno — daí os níveis. (3) Superponha estados estacionários para a evolução; dois níveis batem em (E2E1)/h(E_2 - E_1)/h. (4) Movimento livre: vg=p/mv_{\text{g}} = p/m, tempo de alargamento 2mσ02/2m\sigma_0^2/\hbar. (5) Correntes: j=(/m)Im(ψψ)j = (\hbar/m)\operatorname{Im}(\psi^*\psi'); para Aeikx+BeikxA\eu^{\iu kx} + B\eu^{-\iu kx}, j=(A2B2)k/mj = (|A|^2 - |B|^2)\hbar k/m (sem termo cruzado). (6) Limite clássico: Ehrenfest, e λ\lambda frente ao tamanho do aparelho.

30.6 Exercícios

Exercício 30.1

Comprimentos de onda de de Broglie: um elétron a 100eV100\,\mathrm{eV}, 10keV10\,\mathrm{keV}, 100keV100\,\mathrm{keV} (use p=2mEp = \sqrt{2mE} e depois diga por que o último precisa de correção); um nêutron térmico (25meV25\,\mathrm{meV}, m=1.67×1027kgm = 1.67 \times 10^{-27}\,\mathrm{kg}); uma molécula de C60_{60} (m=1.2×1024kgm = 1.2 \times 10^{-24}\,\mathrm{kg}) a 200m/s200\,\mathrm{m}/\mathrm{s}; uma bola de tênis. Quais deles mostram interferência?

Solução

Solução de Exercício 30.1.

h/2mEh/\sqrt{2mE}: 0.123nm0.123\,\mathrm{nm}, 12.3pm12.3\,\mathrm{pm}, 3.9pm3.9\,\mathrm{pm} (a 100keV100\,\mathrm{keV} a energia cinética é um quinto de mc2mc^2; o momento relativístico dá 3.7pm3.7\,\mathrm{pm}); nêutron 0.18nm0.18\,\mathrm{nm}; C60_{60} 2.8pm2.8\,\mathrm{pm}; bola de tênis 1034m\sim 10^{-34}\,\mathrm{m}. Todos, menos a bola, já mostraram interferência.

Exercício 30.2

ψ(x)=Aex2/2a2\psi(x) = A\eu^{-x^2/2a^2}: AA (use eu2 ⁣du=π\int\eu^{-u^2}\dd u = \sqrt\pi); x\langle x\rangle, Δx\Delta x; probabilidade de encontrar a partícula em x<a|x| < a (erf(1)=0.84\operatorname{erf}(1) = 0.84) e em x<2a|x| < 2a (0.99950.9995).

Solução

Solução de Exercício 30.2.

A=(πa2)1/4A = (\pi a^2)^{-1/4}; x=0\langle x\rangle = 0, Δx=a/2\Delta x = a/\sqrt2; 0.840.84; 0.99950.9995.

Exercício 30.3

Verifique que φ(x)eiEt/\varphi(x)\eu^{-\iu Et/\hbar} resolve a equação quando φ\varphi resolve a estacionária. Frequência do fasor para E=1eVE = 1\,\mathrm{eV}; para uma superposição de dois níveis separados por 2eV2\,\mathrm{eV}, frequência e comprimento de onda da oscilação de ψ2|\psi|^2 — e da luz emitida.

Solução

Solução de Exercício 30.3.

A substituição dá Eφ=(2/2m)φ+VφE\varphi = -(\hbar^2/2m)\varphi'' + V\varphi. E/h=2.4×1014HzE/h = 2.4 \times 10^{14}\,\mathrm{Hz}; 4.8×1014Hz4.8 \times 10^{14}\,\mathrm{Hz}, 620nm620\,\mathrm{nm}: a luz vermelha que a transição emite.

Exercício 30.4

Tempo de alargamento τ=2mσ02/\tau = 2m\sigma_0^2/\hbar e largura após 1ns1\,\mathrm{ns} e 1s1\,\mathrm{s}: um elétron com σ0=1nm\sigma_0 = 1\,\mathrm{nm} e com σ0=1mm\sigma_0 = 1\,\mathrm{mm}; um próton com σ0=1nm\sigma_0 = 1\,\mathrm{nm}; um grão de 1×1012kg1 \times 10^{-12}\,\mathrm{kg} com σ0=1µm\sigma_0 = 1\,\text{µ}\mathrm{m}. Por que os objetos ficam onde são postos?

Solução

Solução de Exercício 30.4.

Elétron, 1nm1\,\mathrm{nm}: τ=1.7×1014s\tau = 1.7 \times 10^{-14}\,\mathrm{s}, 60µm60\,\text{µ}\mathrm{m} após 1ns1\,\mathrm{ns}, 60km60\,\mathrm{km} após 1s1\,\mathrm{s}; 1mm1\,\mathrm{mm}: τ=17s\tau = 17\,\mathrm{s}, inalterado após 1ns1\,\mathrm{ns}, +0.2%+0.2\% após 1s1\,\mathrm{s}; próton, 1nm1\,\mathrm{nm}: τ=3.2×1011s\tau = 3.2 \times 10^{-11}\,\mathrm{s}, 30nm30\,\mathrm{nm}, 30m30\,\mathrm{m}; grão: τ=600\tau = 600 anos. Para objetos visíveis τ\tau é astronômico — e o meio ao redor não para de localizá-los.

Exercício 30.5 ★★

Corrente. (a) Deduza a equação da continuidade. (b) jj para AeikxA\eu^{\iu kx}, para AsinkxA\sin kx, para Aeikx+BeikxA\eu^{\iu kx} + B\eu^{-\iu kx}. (c) Por que a ausência de termo cruzado no último caso é a afirmação de que os fluxos refletido e incidente simplesmente se subtraem? (d) Mostre que para uma função de onda real j=0j = 0: um estado estacionário ligado não transporta corrente.

Solução

Solução de Exercício 30.5.

(a) Proposição 30.5. (b) A2k/m|A|^2\hbar k/m; 00; (A2B2)k/m(|A|^2 - |B|^2)\hbar k/m. (c) Os fluxos incidente e refletido se subtraem sem termo de interferência: os coeficientes de transmissão e de reflexão podem ser definidos a partir dos fluxos. (d) ψψ\psi^*\psi' é real e sua parte imaginária é nula.

Exercício 30.6 ★★

Um pacote gaussiano. ψ(x,0)=Aeik0xex2/4σ2\psi(x,0) = A\eu^{\iu k_0x}\eu^{-x^2/4\sigma^2}. (a) AA, x\langle x\rangle, Δx\Delta x. (b) p\langle p\rangle com p^=ix\hat p = -\iu\hbar\partial_x. (c) Admitindo Δp=/2σ\Delta p = \hbar/2\sigma, verifique ΔxΔp=/2\Delta x\Delta p = \hbar/2. (d) Demonstre  ⁣dx/ ⁣dt=p/m\dd\langle x\rangle/\dd t = \langle p\rangle/m a partir da equação da continuidade.

Solução

Solução de Exercício 30.6.

(a) A=(2πσ2)1/4A = (2\pi\sigma^2)^{-1/4}, x=0\langle x\rangle = 0, Δx=σ\Delta x = \sigma. (b) k0\hbar k_0. (c) σ×/2σ=/2\sigma \times \hbar/2\sigma = \hbar/2. (d)  ⁣dx/ ⁣dt=xtρ=xxj=j=(/m)Imψψ=p/m\dd\langle x\rangle/\dd t = \int x\, \partial_t\rho = -\int x\,\partial_xj = \int j = (\hbar/m)\operatorname{Im}\int\psi^* \psi' = \langle p\rangle/m.

Exercício 30.7 ★★

Elétrons num tubo. Elétrons acelerados por 100V100\,\mathrm{V} percorrem 30cm30\,\mathrm{cm}. (a) Velocidade, comprimento de onda, tempo de voo. (b) Velocidades de fase e de grupo; qual é a do elétron? (c) Um pacote inicialmente de 10µm10\,\text{µ}\mathrm{m} de largura: tempo de alargamento, largura na chegada. (d) Difração por uma abertura de 0.3mm0.3\,\mathrm{mm} no caminho: espalhamento angular e mancha no anteparo. A imagem de raios é válida?

Solução

Solução de Exercício 30.7.

(a) 5.9×106m/s5.9 \times 10^{6}\,\mathrm{m}/\mathrm{s}, 0.123nm0.123\,\mathrm{nm}, 51ns51\,\mathrm{ns}. (b) vφ=3.0×106m/sv_\varphi = 3.0 \times 10^{6}\,\mathrm{m}/\mathrm{s}, vg=5.9×106m/sv_{\text{g}} = 5.9 \times 10^{6}\,\mathrm{m}/\mathrm{s}: a segunda. (c) τ=1.7µs51ns\tau = 1.7\,\text{µ}\mathrm{s} \gg 51\,\mathrm{ns}: inalterado. (d) λ/a=4×107rad\lambda/a = 4 \times 10^{-7}\,\mathrm{rad}, 0.1µm0.1\,\text{µ}\mathrm{m}: os raios servem bem.

Exercício 30.8 ★★

Fases. (a) Mostre que ψ\psi e eiθψ\eu^{\iu\theta}\psi dão as mesmas previsões. (b) Para ψ=(ψ1+eiαψ2)/2\psi = (\psi_1 + \eu^{\iu\alpha}\psi_2)/\sqrt2, escreva ψ2|\psi|^2 e mostre que α\alpha importa. (c) Na fenda dupla, o que são ψ1\psi_1 e ψ2\psi_2, e o que fixa sua fase relativa num ponto do anteparo? (d) Por que detectar por qual fenda o elétron passou destrói as franjas (qualitativamente)?

Solução

Solução de Exercício 30.8.

(a) ψ2|\psi|^2 e todos os valores esperados ficam inalterados. (b) 12(ψ12+ψ22)+Re(eiαψ1ψ2)\tfrac12(|\psi_1|^2 + |\psi_2|^2) + \operatorname{Re}(\eu^{\iu\alpha}\psi_1^*\psi_2). (c) As ondas vindas das duas fendas; sua fase relativa vale k(r2r1)k(r_2 - r_1). (d) O detector termina em estados diferentes para os dois caminhos; as duas componentes já não interferem, e o padrão é a soma de dois padrões de fenda única.

Exercício 30.9 ★★

Ehrenfest. (a) Para V=12mω2x2V = \tfrac12m\omega^2x^2, mostre que x\langle x\rangle obedece exatamente a x¨=ω2x\ddot{\langle x\rangle} = -\omega^2\langle x\rangle. (b) Para V=mgxV = mgx, x\langle x\rangle cai como uma pedra. (c) Para um VV geral, quando vale V(x)V(x)\langle V'(x)\rangle \approx V'(\langle x\rangle)? (d) Uma esfera de 1g1\,\mathrm{g} numa tigela: estime o tamanho de pacote necessário para que ela fosse “quântica” e compare com um átomo.

Solução

Solução de Exercício 30.9.

(a) V=mω2x\langle V'\rangle = m\omega^2\langle x\rangle: exato. (b) V=mg\langle V'\rangle = mg: exato. (c) Quando o pacote é estreito frente à escala em que VV'' varia. (d) Seu comprimento de onda a 0.1m/s0.1\,\mathrm{m}/\mathrm{s} vale 1029m10^{-29}\,\mathrm{m}; o pacote teria de ser tão largo quanto a tigela para importar. O comprimento de onda térmico de um átomo, 0.1nm0.1\,\mathrm{nm}, é do tamanho dele próprio.

Exercício 30.10 ★★★

O vaivém. Numa caixa 0<x<L0 < x < L com paredes impenetráveis os estados estacionários são φn=2/Lsin(nπx/L)\varphi_n = \sqrt{2/L}\sin(n\pi x/L), En=n2h2/8mL2E_n = n^2h^2/8mL^2 (Capítulo 31). Tome ψ=(φ1eiE1t/+φ2eiE2t/)/2\psi = (\varphi_1\eu^{-\iu E_1t/\hbar} + \varphi_2\eu^{-\iu E_2t/\hbar})/\sqrt2. (a) ψ2|\psi|^2 em função do tempo. (b) Mostre que x=L/2(16L/9π2)cosω21t\langle x\rangle = L/2 - (16L/9\pi^2)\cos\omega_{21}t (use 0Lxsin(πx/L)sin(2πx/L) ⁣dx=8L2/9π2\int_0^L x\sin(\pi x/L)\sin(2\pi x/L)\dd x = -8L^2/9\pi^2). (c) Elétron, L=1nmL = 1\,\mathrm{nm}: E2E1E_2 - E_1, a frequência e o comprimento de onda da oscilação. (d) O que faz uma carga que oscila (Capítulo 17)? Conclua sobre as linhas espectrais.

Solução

Solução de Exercício 30.10.

(a) 12(φ12+φ22)+φ1φ2cosω21t\tfrac12(\varphi_1^2 + \varphi_2^2) + \varphi_1\varphi_2\cos\omega_{21}t. (b) L/2+cosω21txφ1φ2=L/2(16L/9π2)cosω21tL/2 + \cos\omega_{21}t\int x\varphi_1\varphi_2 = L/2 - (16L/9\pi^2)\cos\omega_{21}t. (c) 3h2/8mL2=1.13eV3h^2/8mL^2 = 1.13\,\mathrm{eV}, 2.7×1014Hz2.7 \times 10^{14}\,\mathrm{Hz}, 1.1µm1.1\,\text{µ}\mathrm{m}. (d) Ele irradia em ν21\nu_{21}: a linha; um estado estacionário puro não tem dipolo oscilante e não irradia.

Exercício 30.11 ★★★

O alargamento, deduzido. O pacote ψ(x,0)ex2/4σ02\psi(x,0) \propto \eu^{-x^2/4\sigma_0^2} é a superposição g(k)eikx ⁣dk\int g(k)\eu^{\iu kx}\dd k com g(k)eσ02k2g(k) \propto \eu^{-\sigma_0^2k^2} (admitido: a transformada de Fourier de uma gaussiana é uma gaussiana, de largura 1/2σ01/2\sigma_0 em kk). (a) Escreva ψ(x,t)\psi(x,t) dando a cada componente sua fase eik2t/2m\eu^{-\iu\hbar k^2t/2m}. (b) Complete o quadrado no expoente e admita eαk2+βk ⁣dk=π/αeβ2/4α\int\eu^{-\alpha k^2 + \beta k}\dd k = \sqrt{\pi/\alpha}\, \eu^{\beta^2/4\alpha} para α\alpha complexo de parte real positiva: mostre que ψ2|\psi|^2 é uma gaussiana de largura σ(t)=σ01+(t/2mσ02)2\sigma(t) = \sigma_0\sqrt{1 + (\hbar t/2m \sigma_0^2)^2}. (c) Interprete τ\tau por meio de Δv=Δp/m\Delta v = \Delta p/m. (d) Por que um pacote de fótons no vácuo não se alarga?

Solução

Solução de Exercício 30.11.

(a) ψeσ02k2ei(kxk2t/2m) ⁣dk\psi \propto \int\eu^{-\sigma_0^2k^2}\eu^{\iu(kx - \hbar k^2t/2m)}\dd k. (b) α=σ02+it/2m\alpha = \sigma_0^2 + \iu\hbar t/2m, β=ix\beta = \iu x: ψ2exp[x2/2σ02(1+(t/2mσ02)2)]|\psi|^2 \propto \exp[-x^2/2\sigma_0^2(1 + (\hbar t/2m\sigma_0^2)^2)]. (c) Δv=/2mσ0\Delta v = \hbar/2m\sigma_0, e Δvτ=σ0\Delta v\,\tau = \sigma_0. (d) ω=ck\omega = ck: sem dispersão, todas as componentes a cc.

Exercício 30.12 ★★★

Energia–tempo. (a) Um estado que decai como et/2τeiE0t/\eu^{-t/2\tau}\eu^{-\iu E_0t/\hbar} (probabilidade et/τ\eu^{-t/\tau}) é uma superposição de energias: admitindo que sua distribuição de energia é uma lorentziana de largura total Γ=/τ\Gamma = \hbar/\tau, dê Γ\Gamma para τ=10ns\tau = 10\,\mathrm{ns} (átomo), 1×108s1 \times 10^{-8}\,\mathrm{s}, 1×1023s1 \times 10^{-23}\,\mathrm{s} (uma ressonância hadrônica, em MeV). (b) Largura natural de linha do nível de 10ns10\,\mathrm{ns} em frequência; compare com a largura Doppler de 1.5GHz1.5\,\mathrm{GHz}. (c) Como se vê a largura natural (átomos frios, íons aprisionados)? (d) Relacione com o comprimento de coerência do trem de onda emitido.

Solução

Solução de Exercício 30.12.

(a) Γ=/τ\Gamma = \hbar/\tau: 6.6×108eV6.6 \times 10^{-8}\,\mathrm{eV}; 6.6×108eV6.6 \times 10^{-8}\,\mathrm{eV}; 66MeV66\,\mathrm{MeV}. (b) 1/2πτ=16MHz1/2\pi\tau = 16\,\mathrm{MHz}, cem vezes menos que a Doppler. (c) Em átomos frios e íons aprisionados a largura Doppler desaparece e a largura natural é atingida — a base dos padrões de frequência. (d) cτ=3mc\tau = 3\,\mathrm{m}, o comprimento do trem.

30.7 Problema: o elétron num tubo e o alargamento de um pacote de onda

Problema 30.1

Problema de fim de semana — quando um elétron é partícula, quando é onda

Dados: h=6.63×1034Jsh = 6.63 \times 10^{-34}\,\mathrm{J}\,\mathrm{s}, =1.05×1034Js\hbar = 1.05 \times 10^{-34}\,\mathrm{J}\,\mathrm{s}, me=9.11×1031kgm_{\text{e}} = 9.11 \times 10^{-31}\,\mathrm{kg}, e=1.60×1019Ce = 1.60 \times 10^{-19}\,\mathrm{C}, mp=1.67×1027kgm_{\text{p}} = 1.67 \times 10^{-27}\,\mathrm{kg}.

Parte I — O tubo de raios catódicos. Os elétrons saem de um cátodo quente com energia desprezível, são acelerados por U=20kVU = 20\,\mathrm{kV}, atravessam uma abertura de 0.3mm0.3\,\mathrm{mm} e atingem um anteparo a 40cm40\,\mathrm{cm}.

  1. Velocidade e momento (não relativísticos); comprimento de onda de de Broglie.
  2. A energia cinética vale 4%4\% de mc2mc^2: o tratamento não relativístico é aceitável para este problema?
  3. Tempo de voo até o anteparo.
  4. Difração pela abertura: espalhamento angular λ/a\sim\lambda/a e a mancha que ele produz no anteparo; compare com um pixel (0.3mm0.3\,\mathrm{mm}).
  5. Heisenberg na abertura: Δpy/2a\Delta p_y \gtrsim \hbar/2a dá o mesmo espalhamento — verifique.
  6. Um pacote de 0.3mm0.3\,\mathrm{mm} de largura ao longo do feixe: tempo de alargamento 2mσ02/2m\sigma_0^2/\hbar e largura no anteparo.
  7. Placas de deflexão aplicam uma força transversal: pelo teorema de Ehrenfest, como se move y\langle y\rangle? Conclua que o tubo é um dispositivo clássico.
  8. Velocidade de fase da onda do elétron; por que não é paradoxal que ela diferir da velocidade do elétron?

Parte II — Pacotes de onda.

  1. Para um pacote gaussiano de largura σ0\sigma_0: Δp\Delta p e a dispersão de velocidades Δv\Delta v.
  2. Tempo de alargamento para um elétron com σ0=0.1nm\sigma_0 = 0.1\,\mathrm{nm}, 1nm1\,\mathrm{nm}, 1µm1\,\text{µ}\mathrm{m}; para um próton com 1nm1\,\mathrm{nm}; para um vírus (1×1017kg1 \times 10^{-17}\,\mathrm{kg}) com 10nm10\,\mathrm{nm}.
  3. Um elétron num átomo de hidrogênio está localizado em 0.1nm0.1\,\mathrm{nm} e não se alarga: por quê?
  4. Um elétron livre a 1eV1\,\mathrm{eV} com σ0=1nm\sigma_0 = 1\,\mathrm{nm}: que distância ele percorre antes que sua largura dobre? Compare com o comprimento de onda.
  5. Num metal, os elétrons de condução são ondas de λ0.5nm\lambda \approx 0.5\,\mathrm{nm} por todo o cristal: em que sentido eles estão “deslocalizados”?
  6. Um microscópio eletrônico a 100keV100\,\mathrm{keV} tem λ4pm\lambda \approx 4\,\mathrm{pm} e, no entanto, resolve apenas 0.1nm0.1\,\mathrm{nm}: por quê (suas lentes magnéticas aceitam um semiângulo de cerca de 10mrad10\,\mathrm{mrad})?
  7. Dê o critério que decide se um objeto deve ser tratado com uma função de onda ou com Newton.

Parte III — Estados estacionários e transições. Um elétron está confinado em 0<x<L=1nm0 < x < L = 1\,\mathrm{nm}; φn=2/Lsin(nπx/L)\varphi_n = \sqrt{2/L}\sin(n\pi x/L), En=n2h2/8mL2E_n = n^2h^2/8mL^2.

  1. E1E_1, E2E_2, E3E_3 em elétron-volts; as frequências de Bohr ν21\nu_{21}, ν31\nu_{31} e os comprimentos de onda.
  2. Verifique que φneiEnt/2|\varphi_n\eu^{-\iu E_nt/\hbar}|^2 é independente do tempo; onde o elétron é mais provável no estado fundamental?
  3. Para ψ=(φ1eiE1t/+φ2eiE2t/)/2\psi = (\varphi_1\eu^{-\iu E_1t/\hbar} + \varphi_2\eu^{-\iu E_2t/\hbar})/ \sqrt2: ψ2|\psi|^2 em t=0t = 0 e em t=T21/2t = T_{21}/2; esboce.
  4. x(t)\langle x\rangle(t) (dado 0Lxφ1φ2 ⁣dx=16L/9π2\int_0^Lx\varphi_1\varphi_2\dd x = -16L/9\pi^2): amplitude do vaivém.
  5. O dipolo oscilante exe\langle x\rangle irradia: em que frequência, e o que isso diz sobre as linhas espectrais e sobre a estabilidade dos estados estacionários?
  6. Energia do estado ψ\psi: é E1E_1, E2E_2 ou outra coisa? O que dá uma medida?

Parte IV — Interpretação.

  1. Na experiência da fenda dupla com um elétron de cada vez, o que é aleatório e o que não é?
  2. Escreva a corrente de probabilidade de AeikxA\eu^{\iu kx} e relacione-a com um feixe de nn elétrons por unidade de comprimento à velocidade vv.
  3. Por que a equação de Schrödinger deve ser complexa e de primeira ordem no tempo (duas razões)?
  4. Resuma em cinco linhas: a função de onda, a equação, os estados estacionários, o pacote, o limite clássico.
Solução

Solução de Problema 30.1.

1. v=2eU/m=8.4×107m/sv = \sqrt{2eU/m} = 8.4 \times 10^{7}\,\mathrm{m}/\mathrm{s}; p=7.6×1023kgm/sp = 7.6 \times 10^{-23}\,\mathrm{kg}\,\mathrm{m}/\mathrm{s}; λ=8.7pm\lambda = 8.7\,\mathrm{pm}.

2. Erros de alguns por cento: aceitável para estimativas (λ=8.6pm\lambda = 8.6\,\mathrm{pm} exatamente).

3. 4.8ns4.8\,\mathrm{ns}.

4. λ/a=3×108rad\lambda/a = 3 \times 10^{-8}\,\mathrm{rad}: 12nm12\,\mathrm{nm}10410^4 vezes menor que um pixel.

5. Δθ=Δpy/p/2ap=λ/4πa\Delta\theta = \Delta p_y/p \sim \hbar/2ap = \lambda/4\pi a: a mesma ordem.

6. τ=1.6ms4.8ns\tau = 1.6\,\mathrm{ms} \gg 4.8\,\mathrm{ns}: inalterado.

7.  ⁣dpy/ ⁣dt=eE\dd\langle p_y\rangle/\dd t = eE exatamente para um campo uniforme: y\langle y\rangle segue a parábola clássica; o tubo é um instrumento clássico.

8. v/2=4.2×107m/sv/2 = 4.2 \times 10^{7}\,\mathrm{m}/\mathrm{s}; só a velocidade de grupo é observável; a fase de uma onda plana não carrega sinal (e depende do zero arbitrário de energia).

9. Δp=/2σ0\Delta p = \hbar/2\sigma_0, Δv=/2mσ0\Delta v = \hbar/2m\sigma_0.

10. 1.7×1016s1.7 \times 10^{-16}\,\mathrm{s}, 1.7×1014s1.7 \times 10^{-14}\,\mathrm{s}, 1.7×108s1.7 \times 10^{-8}\,\mathrm{s}; próton 3.2×1011s3.2 \times 10^{-11}\,\mathrm{s}; vírus 20s20\,\mathrm{s}.

11. Ele está num estado estacionário: o potencial segura o pacote; φ2|\varphi|^2 não se move.

12. v=5.9×105m/sv = 5.9 \times 10^{5}\,\mathrm{m}/\mathrm{s}; a largura dobra em t=3τ=2.9×1014st = \sqrt3\tau = 2.9 \times 10^{-14}\,\mathrm{s}: 17nm17\,\mathrm{nm}, uns catorze comprimentos de onda.

13. Suas funções de onda se estendem por todo o cristal: um momento definido, nenhuma posição definida.

14. Resolução λ/α=4pm/0.01=0.4nm\sim\lambda/\alpha = 4\,\mathrm{pm}/0.01 = 0.4\,\mathrm{nm}: são as aberrações das lentes magnéticas que limitam a abertura, não o comprimento de onda.

15. Compare λ\lambda com os tamanhos em jogo (aberturas, a escala de VV), e o tempo de alargamento com o tempo de observação.

16. 0.380.38\,, 1.501.50\,, 3.38eV3.38\,\mathrm{eV}; ν21=2.7×1014Hz\nu_{21} = 2.7 \times 10^{14}\,\mathrm{Hz} (1.1µm1.1\,\text{µ}\mathrm{m}), ν31=7.3×1014Hz\nu_{31} = 7.3 \times 10^{14}\,\mathrm{Hz} (410nm410\,\mathrm{nm}).

17. O fasor tem módulo um; em x=L/2x = L/2.

18. Em t=0t = 0 a densidade se acumula na metade esquerda; em T21/2T_{21}/2, na direita.

19. x=L/2(16L/9π2)cosω21t\langle x\rangle = L/2 - (16L/9\pi^2)\cos\omega_{21}t: amplitude 0.18L=0.18nm0.18L = 0.18\,\mathrm{nm}.

20. Em ν21\nu_{21}: a linha espectral; um estado estacionário não tem dipolo oscilante e é estável; a superposição irradia até descer a φ1\varphi_1.

21. Não é definida: E=(E1+E2)/2=0.94eV\langle E\rangle = (E_1 + E_2)/2 = 0.94\,\mathrm{eV}; uma medida dá E1E_1 ou E2E_2, cada um com probabilidade um meio.

22. Aleatório: onde cada elétron cai; não aleatório: o padrão ψ2|\psi|^2 que as quedas constroem.

23. j=A2k/mj = |A|^2\hbar k/m: com A2=n|A|^2 = n elétrons por unidade de comprimento, nvnv elétrons por segundo.

24. De primeira ordem, para que ψ(x,0)\psi(x,0) seja uma descrição completa que fixa o futuro; complexa, para que uma energia definida tenha a única dependência temporal eiEt/\eu^{-\iu Et/\hbar} e para que E=p2/2mE = p^2/2m apareça.

25. ψ\psi é a amplitude cujo quadrado é a probabilidade; ela obedece à equação linear de Schrödinger; os estados estacionários carregam um fasor e densidades fixas; um pacote livre se move a p/mp/m e se alarga em 2mσ02/2m\sigma_0^2/\hbar; Ehrenfest devolve Newton para o que é grande.

Termos definidos neste capítulo

Ver todos os 393 termos do glossário