5Balanços de quantidade de movimento e de energia em escoamentos
Um bombeiro se firma contra a mangueira: a água que sai a trinta metros por segundo empurra de volta com centenas de newtons, embora nada toque o esguicho além de água. Um motor a jato pende de uma asa e puxa um avião pelo céu jogando ar para trás. Um irrigador de jardim gira sem motor algum. Em cada caso um fluido entra numa região, sai dela com outra quantidade de movimento, e a diferença é uma força. Este capítulo escreve as leis da mecânica — quantidade de movimento, momento angular, energia — não para uma massa fixa de fluido, mas para o fluido que atravessa uma região fixa, um sistema aberto: a forma com que os engenheiros dimensionam turbinas, foguetes, bombas e tubulações.
5.1 Balanços para um sistema aberto
Definição 5.1(Volume de controle; sistema aberto)
Um volume de controle (ou superfície de controle) é uma região fixa do espaço Σ atravessada pelo fluido; o fluido que está dentro dele num dado instante é um sistema aberto, que troca massa com o exterior pelas entradas e saídas de Σ. O sistema fechado ao qual as leis de Newton se aplicam é o fluido que está dentro de Σ no instante t, seguido até t+dt: ele ocupa então Σ menos o que saiu, mais o que entrou.
Teorema 5.2(Balanço de quantidade de movimento em regime permanente)
Para um escoamento permanente através de um volume de controle com uma entrada (seção S1, velocidade uniforme v1) e uma saída (S2, v2), sendo a vazão mássicaDm a mesma nas duas,
∑Fext=Dm(v2−v1),
onde ∑Fext é a soma de todas as forças externas sobre o fluido dentro de Σ: peso, forças das paredes e dos corpos em contato com ele, e as forças de pressão nas seções de entrada e de saída (P1S1n1 empurrando para dentro, −P2S2n2 na saída). Com várias entradas e saídas, o lado direito é a soma dos fluxos de quantidade de movimento que saem, Dm,ivi, menos os que entram.
Demonstração. Considere o sistema fechado S formado pelo fluido em Σ no instante t mais a fatia δm=Dmdt prestes a entrar por S1. Em t+dt ele consiste no fluido em Σ mais a fatia δm que saiu por S2. Sua quantidade de movimento passou de pΣ(t)+δmv1 a pΣ(t+dt)+δmv2; em regime permanente pΣ é constante, logo dpS=Dmdt(v2−v1). A segunda lei de Newton para S, cujas forças externas são (em primeira ordem) as que atuam sobre o fluido em Σ, dá o resultado. ∎
À esquerda: um volume de controle num escoamento permanente — a quantidade de movimento que sai por S2 menos a que entra por S1 é igual à soma das forças externas sobre o fluido de dentro, incluídas as forças de pressão nas duas seções. À direita: um jato detido por uma parede a empurra com Dmv; um jato revertido por uma concha Pelton que se move a u empurra com até 2Dm(v−u).
Exemplo 5.3(Jato numa parede; a mangueira de incêndio)
Um jato de seção s e celeridade v atinge perpendicularmente uma parede e se espalha sobre ela: a quantidade de movimento que sai na direção do jato é nula, de modo que a parede recebe F=Dmv=ρsv2 — 1.1kN para um jato de 5cm a 24m/s. Pelo mesmo balanço aplicado ao fluido na mangueira e no esguicho, o esguicho empurra o bombeiro para trás com Dmv: 20L/s a 30m/s dão 600N, o peso de uma pessoa. Se a parede recua a u, só Dm′=ρs(v−u) a alcança por unidade de tempo, e chega com a celeridade relativa v−u: F=ρs(v−u)2.
Proposição 5.4(Concha Pelton; empuxo de um foguete)
(i) Um jato de celeridade v e vazão mássicaDm é revertido de 180∘ por uma concha que se move a u na direção do jato: a força sobre a concha vale F=2Dm(v−u) (com Dm a vazão efetivamente interceptada pelas conchas móveis de uma roda), a potência Fu é máxima para u=v/2 e vale então 21Dmv2: toda a potência cinética do jato. (ii) Um foguete de massa m(t) que ejeta gás para trás com celeridade relativa ve e vazão mássicaDm=−dm/dt sofre o empuxo F=Dmve; no espaço livre sua celeridade aumenta de Δv=veln(m0/m1) (equação do foguete, de Tsiolkovski); sob gravidade, mdv/dt=Dmve−mg.
Demonstração. (i) No referencial da concha o jato chega a v−u e sai a −(v−u); o balanço de quantidade de movimento dá 2Dm(v−u) (a concha é perfeita: nenhuma perda de celeridade relativa). Potência 2Dmu(v−u), máxima em u=v/2. (ii) Quantidade de movimento do foguete mais o gás ejetado em dt: (m+dm)(v+dv)+(−dm)(v−ve)=mv no espaço livre, logo mdv=−dmve e v1−v0=veln(m0/m1); com gravidade a quantidade de movimento total varia de −mgdt. ∎
Exemplo 5.5(Um lançador)
Primeiro estágio: Dm=2500kg/s a ve=3000m/s: empuxo de 7.5MN, que ergue um foguete de 600t da plataforma a 7.5×106/6×105−g=2.7m/s2. Queimar 500t em 200s dá Δv=3000ln6−9.81×200=5400−2000=3.4km/s — a perda por gravidade é a razão de os lançadores subirem depressa, e o logaritmo a razão de eles serem construídos em estágios.
Exemplo 5.6(Força numa curva de tubulação)
Água a P e v num tubo de seção S dobra de 90∘. O balanço sobre o fluido no cotovelo: Fparede+PSex−PSey=Dm(vey−vex), de modo que a parede empurra o fluido com Fparede=−(PS+ρSv2)(ex−ey) e o fluido empurra o cotovelo para fora com (PS+ρSv2)2. Para D=20cm, P=3bar, v=3m/s: PS=9.4kN, ρSv2=0.28kN, força de 13.7kN ao longo da bissetriz — o termo de pressão domina, e é ele que os blocos de ancoragem de uma tubulação seguram.
5.2 Momento angular: turbinas e irrigadores
Teorema 5.7(Balanço de momento angular; equação de Euler das turbomáquinas)
Em regime permanente, o momento total, em relação a um ponto O, das forças externas sobre o fluido em Σ é igual ao fluxo de momento angular que sai menos o que entra: ∑MO=Dm(r2∧v2−r1∧v1). Para uma máquina rotativa (turbina ou bomba) de eixo Oz, com o fluido entrando no raio r1 com velocidade azimutal vθ1 e saindo em r2 com vθ2, o torque exercido pelo fluido sobre o rotor e a potência que ele entrega valem
Uma turbina retira do fluido o seu giro; uma bomba o introduz.
Demonstração. O mesmo argumento do sistema fechado, com r∧v no lugar de v. O torque sobre o rotor é o oposto do torque do rotor sobre o fluido; as forças de pressão nas superfícies de entrada e de saída (que são superfícies de revolução) não têm momento em relação ao eixo. ∎
Exemplo 5.8(O irrigador de jardim)
Dois braços de comprimento R ejetam água tangencialmente com celeridade relativa w; o irrigador gira a ω. A água entra pelo eixo sem momento angular e sai com rvθ=R(w−Rω) (celeridade azimutal absoluta w−Rω, oposta à rotação): o torque sobre os braços vale DmR(w−Rω). Em repouso ele vale DmRw; sem atrito o irrigador acelera até Rω=w — a água sai com celeridade absoluta nula e o torque se anula; com um torque de atrito Γf ele se estabiliza em ω=(w−Γf/DmR)/R.
À esquerda: o irrigador de jardim — a água deixa os braços tangencialmente com celeridade relativa w; o momento angular que sai gira os braços para o outro lado. À direita: uma turbina de admissão radial (um rotor Francis visto segundo seu eixo): o fluido entra pela borda com muito giro e sai perto do eixo com pouco; a diferença dos fluxos de momento angular é o torque sobre o rotor.
5.3 Energy balance: pumps, turbines and losses
5.4 Balanço de energia: bombas, turbinas e perdas
Teorema 5.9(Balanço de energia mecânica de um escoamento permanente)
Para um fluido incompressível em escoamento permanente através de uma máquina (bomba ou turbina) entre uma entrada 1 e uma saída 2, com Pu a potência mecânica entregue ao fluido pelas peças móveis (positiva para uma bomba, negativa para uma turbina) e Pdiss≥0 a potência dissipada pela viscosidade,
Dividindo por ρgDV obtém-se o balanço em cargas (metros de fluido): H2−H1=Hbomba−Hperda, com H=P/ρg+v2/2g+z. Para um fluido perfeito sem máquina isso é Bernoulli; a potência hidráulica de uma bomba que eleva a carga de Hbomba vale ρgDVHbomba.
Demonstração. Teorema da energia cinética para o sistema fechado da demonstração de Teorema 5.2: em dt sua energia cinética varia de Dmdt(v22−v12)/2; o trabalho realizado sobre ele é o do peso, −Dmdtg(z2−z1), o das forças de pressão nas faces extremas móveis, (P1S1v1−P2S2v2)dt=(P1−P2)DVdt, o das peças móveis, Pudt, e o das forças viscosas internas, −Pdissdt (as paredes, em repouso, não realizam trabalho). Divida por dt. ∎
Exemplo 5.10(Dimensionar uma bomba)
Deseja-se elevar água em 30m a 20L/s por 100m de tubo de 10cm (λ=0.02): v=2.5m/s, perda de carga λ(L/D)v2/2g=0.02×1000×0.32=6.4m, carga cinética na saída 0.32m: Hbomba=36.7m, potência hidráulicaρgDVH=7.2kW, e 10kW de eletricidade com 70% de rendimento. A pressão na saída da bomba é ρgHbomba≈3.6bar acima da de entrada.
Proposição 5.11(Alargamento brusco: a perda de Borda–Carnot)
Quando um tubo de seção S1 desemboca bruscamente num tubo de seção S2>S1, o jato se espalha numa zona turbulenta e a pressão sobe a jusante, mas menos do que Bernoulli diria: a energia mecânica perdida por unidade de volume vale
ΔPperda=21ρ(v1−v2)2,
a energia cinética da velocidade relativa "perdida". Um escoamento que sai de um tubo para um grande reservatório (v2→0) perde toda a sua energia cinética.
Demonstração. Balanço de quantidade de movimento sobre o fluido entre o alargamento e uma seção a jusante onde o escoamento é de novo uniforme; a experiência mostra que a pressão na parede anular do alargamento vale P1 (o jato ainda não se espalhou). Logo (P1−P2)S2=Dm(v2−v1)=ρS2v2(v2−v1), ou seja, P2−P1=ρv2(v1−v2). Bernoulli daria 21ρ(v12−v22); a diferença é 21ρ(v1−v2)2. ∎
À esquerda: um alargamento brusco — o jato se espalha numa zona morta turbulenta e parte de sua energia cinética é dissipada. À direita: as frações da energia cinética a montante perdidas e recuperadas como pressão, em função da razão de seções; a perda é máxima para um jato que desemboca num reservatório.
Método 5.12(Montar um balanço)
(1) Desenhe o volume de controle: sua fronteira deve cortar o escoamento apenas onde a velocidade e a pressão são conhecidas ou procuradas (seções uniformes, jatos livres a P0, superfícies livres). (2) Liste as forças externas sobre o fluido de dentro: peso, forças das paredes (incógnitas, o alvo habitual), pressão nas seções cortadas. (3) Escreva o fluxo de quantidade de movimento que sai menos o que entra; para peças móveis, trabalhe no referencial da peça se o escoamento for permanente nele. (4) Para torques, o balanço de momento angular; para potências, o balanço de energia em cargas. (5) A força sobre a parede é o oposto da força da parede sobre o fluido; acrescente a pressão atmosférica que age no exterior do dispositivo se o que se quer é a força resultante sobre ele.
5.5 Exercises
5.6 Exercícios
Exercício 5.1★
Uma mangueira de incêndio entrega 25L/s por um esguicho de 3.0cm de diâmetro. Celeridade de saída; força de reação no esguicho; força do jato sobre uma parede que ele atinge perpendicularmente; sobre uma parede que recua a 10m/s.
Solução
Solução de Exercício 5.1.
s=7.1cm2, v=0.025/7.1×10−4=35m/s; F=Dmv=25×35=880N no esguicho e na parede; parede que recua: ρs(v−u)2=1000×7.1×10−4×25.42=460N.
Exercício 5.2★
Um motor de foguete ejeta 250kg/s a 3.0km/s. Empuxo; aceleração inicial de um foguete de 60t; aceleração quando 40t de propelente já queimaram; celeridade ganha após essa queima (no espaço livre, depois com gravidade, durante 160s).
Solução
Solução de Exercício 5.2.
F=250×3000=750kN; a0=750/60−9.81=2.7m/s2; a 20t: 37.5−9.8=28m/s2. Δv=3000ln3=3.3km/s no espaço livre; menos gτ=1.6km/s: 1.7km/s.
Exercício 5.3★
A água escoa a 2.0m/s e 4.0bar num tubo de 15cm que dobra de 90∘. Força exercida pela água sobre o cotovelo (intensidade e direção); que parte vem da pressão e que parte da variação da quantidade de movimento? O mesmo cotovelo com o tubo aberto ao ar logo depois da curva.
Solução
Solução de Exercício 5.3.
S=177cm2: PS=7.1kN, ρSv2=71N. Cada componente da força sobre o cotovelo vale PS+ρSv2=7.1kN: 10kN ao longo da bissetriz externa, 99% disso de pressão. Com a saída aberta (pressão efetiva nula ali): 7.1 kN na direção da entrada e 71N na direção da saída: 7.1kN, quase segundo o eixo de entrada.
Exercício 5.4★
Um motor a jato num banco de ensaio engole 80kg/s de ar parado e o expele a 550m/s (massa de combustível desprezível). Empuxo. Em voo a 240m/s, com a mesma celeridade de exaustão em relação ao motor: empuxo, potência propulsiva e potência cinética dada ao ar no referencial do motor; rendimento propulsivo.
Solução
Solução de Exercício 5.4.
F=80×550=44kN. Em voo: F=80(550−240)=25kN, Fv=6.0MW; Pcin=21×80×(5502−2402)=9.8MW; ηp=0.61=2×240/790.
Exercício 5.5★★
Roda Pelton. Um jato de 0.50m3/s a 60m/s atinge as conchas de uma roda de raio 0.80m. (a) Força e potência sobre as conchas com celeridade das conchas u (desvio perfeito de 180∘); u ótimo e a rotação correspondente em rpm. (b) Potência e rendimento no ótimo. (c) Conchas reais desviam o jato de 165∘: força e potência em u=v/2; rendimento. (d) Torque no ótimo; o que acontece com o torque à roda parada e na velocidade de disparo?
Solução
Solução de Exercício 5.5.
Dm=500kg/s. (a) F=1000(60−u) N, P=1000u(60−u); u=30m/s, ω=37.5 rad/s =360rpm. (b) 900kW=21Dmv2: 100%. (c) F=Dm(v−u)(1+cos15∘)=29.5kN, P=885kW, 98%. (d) Γ=FR=24kNm; com a roda parada a força dobra (Γ=48kNm); em u=v força e torque se anulam.
Exercício 5.6★★
Irrigador. Dois braços de 15cm terminam em bicos de 3.0mm; a vazão total é 0.20L/s. (a) Celeridade relativa de saída. (b) Torque em repouso. (c) Frequência de rotação com um torque de atrito no mancal de 5.0×10−3Nm; a frequência limite sem atrito. (d) Celeridade absoluta da água que sai, em cada caso.
Solução
Solução de Exercício 5.6.
(a) s=7.1mm2 por bico, 0.10L/s em cada: w=14m/s. (b) Γ0=DmRw=0.2×0.15×14=0.42Nm. (c) DmR(w−Rω)=5×10−3: w−Rω=0.17m/s, ω=93rad/s≈890rpm; sem atrito, Rω=w: 900rpm. (d) 0.17m/s para trás, e depois zero: a água cai direto no chão.
Exercício 5.7★★
Voo pairado. Um helicóptero de 2.0t paira com um rotor de 10m de diâmetro. Modele o rotor como um disco que aspira ar parado e o empurra para baixo com celeridade uniforme vi no disco, e 2vi bem abaixo (admita o fator 2). (a) Empuxo em função de ρ, A, vi; valor de vi. (b) Potência dada ao ar (sua potência cinética bem abaixo). (c) Por que um rotor maior precisa de menos potência? (d) O mesmo cálculo para um drone de 1kg com quatro hélices de 25cm; compare a relação potência-peso.
Solução
Solução de Exercício 5.7.
(a) Dm=ρAvi, fluxo de quantidade de movimentoDm⋅2vi: T=2ρAvi2; A=78.5m2, T=19.6kN: vi=10m/s. (b) P=21Dm(2vi)2=Tvi=200kW. (c) P=T3/2/2ρA: dobrar a área divide a potência induzida por 2 — um rotor maior move mais ar mais devagar. (d) A=0.20m2, vi=9.81/0.47=4.6m/s, P=45W: 45W/kg contra 100W/kg — a carga do disco T/A é menor.
Exercício 5.8★★
Alargamento brusco. Água a 4.0m/s num tubo de 5cm entra num tubo de 10cm. (a) Celeridade a jusante; aumento de pressão segundo Bernoulli e segundo Borda–Carnot; perda em pascals e em metros de carga. (b) O mesmo alargamento feito gradual (um difusor) recupera 80% da elevação de Bernoulli: perda. (c) Perda quando o tubo de 5cm descarrega num grande reservatório. (d) Potência perdida nos casos (a) e (c), com a vazão dada.
Solução
Solução de Exercício 5.8.
(a) v2=1.0m/s; por Bernoulli, 21ρ(16−1)=7.5kPa; de fato, ρv2(v1−v2)=3.0kPa; perda de 4.5kPa=0.46m. (b) 6 kPa recuperados, 1.5kPa perdidos. (c) 21ρv12=8kPa, 0.82m. (d) DV=7.9L/s: 35W e 63W.
Exercício 5.9★★
Uma bomba tira água de um poço 5.0m abaixo dela e entrega 10L/s a um reservatório 25m acima, por 60m de tubo de 6cm (λ=0.025, mais uma perda localizada de 2v2/2g para as conexões). (a) Celeridade e perdas. (b) Carga da bomba e potência hidráulica; potência no eixo com 65% de rendimento. (c) Pressão na entrada da bomba (lado da sucção) e na saída. (d) A pressão de vapor da água é 2.3kPa: altura máxima da bomba acima do poço.
Solução
Solução de Exercício 5.9.
(a) v=0.01/2.83×10−3=3.5m/s, v2/2g=0.64m; atrito, 0.025×1000×0.64=16m, conexões 1.3m: 17.3m. (b) H=30+17.3+0.64=48m; ρgDVH=4.7kW; 7.2kW no eixo. (c) Entrada (sem perdas na sucção): P0−ρg(5+0.64)=45kPa; saída, 45+470=515kPa. (d) Pent≥2.3kPa: h≤(100−2.3)/9.81−0.64=9.3m (menos com perdas na sucção; 7–8m na prática).
Exercício 5.10★★★
Foguete de água. Uma garrafa de 2.0L contém 1.0L de água e ar a 5.0bar (absolutos); o bocal tem diâmetro de 2.2cm; garrafa vazia, 0.10kg. (a) Celeridade inicial de saída (Bernoulli, com a superfície da água em repouso) e empuxo; aceleração inicial. (b) À medida que a água sai, o ar se expande isotermicamente: pressão e celeridade de saída quando metade da água já saiu. (c) Estime a duração da propulsão e a celeridade atingida (despreze gravidade e arrasto, e trate o empuxo por seu valor médio). (d) O que a garrafa vazia faz depois que a água acabou, e por que um pouco de água (e não muita) dá a melhor altura?
Solução
Solução de Exercício 5.10.
(a) v=2×4×105/1000=28m/s; s=3.8cm2, Dm=10.8kg/s, F=Dmv=2ΔPs=300N; a=300/1.1−9.8=260m/s2. (b) Ar a 1.5L: P=3.3bar, v=2×2.3×105/1000=22m/s. (c) Celeridade média de saída ≈22m/s: propulsão ≈10−3/(3.8×10−4×22)=0.12s; a equação do foguete com ve≈22m/s dá Δv≈22ln(1.1/0.1)=50m/s. (d) Os 2.5bar de ar restantes sopram para fora e acrescentam um pouco; água demais deixa pouco ar e a pressão desaba cedo, água de menos deixa pouca massa a lançar — cerca de um terço do volume é o ideal.
Exercício 5.11★★★
Turbina Francis. A água entra num rotor em r1=1.0m com vθ1=20m/s e sai em r2=0.50m sem giro; vazão de 30m3/s; rotação de 150rpm. (a) Torque e potência. (b) Carga extraída, H=P/ρgDV. (c) Se o rotor girasse a 200rpm com a mesma velocidade de entrada e o giro de saída se tornasse vθ2=3m/s no sentido da rotação: potência e a fração da carga transformada em giro de saída inútil. (d) Por que a roda Pelton é usada para grandes cargas e pequenas vazões, e a Francis para o contrário?
Solução
Solução de Exercício 5.11.
(a) Γ=Dmr1vθ1=3×104×20=600kNm, ω=15.7 rad/s, P=9.4MW. (b) H=P/ρgDV=32m. (c) Γ=3×104(20−1.5)=555kNm, P=11.6MW (carga de 39m); o giro de saída leva vθ22/2g=0.46m, cerca de 1%. (d) O jato de uma Pelton está à pressão atmosférica: precisa de grande carga para ser rápido, e sua vazão é limitada pelo bocal; um rotor Francis fica cheio de água sob pressão e passa grandes vazões com cargas moderadas.
Exercício 5.12★★★
Ressalto hidráulico. Num canal horizontal de largura unitária, a água de profundidade h1 que corre a v1 salta bruscamente para a profundidade h2 e a celeridade v2 (o degrau espumante abaixo de um vertedouro ou numa pia de cozinha). (a) Conservação da massa. (b) Balanço de quantidade de movimento sobre o fluido entre os dois lados do ressalto, sendo a pressão hidrostática de cada lado: mostre que 21gh12+v12h1=21gh22+v22h2. (c) Deduza h2/h1=21(−1+1+8Fr12) com Fr1=v1/gh1 (o número de Froude); um ressalto exige Fr1>1. (d) Carga perdida no ressalto, ΔH=(h2−h1)3/4h1h2; números para h1=0.20m, v1=4.0m/s, e a potência dissipada por metro de largura.
Solução
Solução de Exercício 5.12.
(a) v1h1=v2h2=q. (b) Força hidrostática por unidade de largura numa seção: ∫0hρg(h−z)dz=21ρgh2; quantidade de movimento: 21ρg(h12−h22)=ρq(v2−v1); divida por ρ e use q=v1h1=v2h2. (c) Com v2=v1h1/h2 e h1=h2: 21g(h1+h2)h2=v12h1, ou seja, (h2/h1)2+h2/h1−2Fr12=0; h2>h1 exige Fr1>1. (d) ΔH=(h1+v12/2g)−(h2+v22/2g)=(h2−h1)3/4h1h2. Fr1=2.86, h2/h1=3.57, h2=0.71m, v2=1.1m/s, ΔH=0.5143/0.57=0.24m; ρgqΔH=1.9kW por metro de largura.
O rotor de uma turbina Pelton: cada concha reverte o jato em quase 180∘, e a variação da quantidade de movimento da água é a força sobre a roda.
Os condutos forçados de uma usina hidrelétrica alimentam as turbinas lá embaixo: o balanço de quantidade de movimento do jato sobre as conchas de uma roda Pelton converte a carga de água em trabalho de eixo.
5.7 Problema: Jatos, foguetes e rotores
Problema 5.1
Problema de fim de semana — o que empurra um avião a jato, o que ergue um foguete, o que faz girar uma turbina e quanto custa bombear água morro acima
Parte I — O turbojato. Um motor num banco de ensaio admite Da=50kg/s de ar parado, queima Df=1.0kg/s de combustível e expele a mistura a ve=600m/s à pressão atmosférica.
Empuxo no banco de ensaio.
Em voo a v=250m/s (mesmo ve em relação ao motor): empuxo e potência propulsiva Fv.
Potência cinética dada ao gás, calculada no referencial do motor. Rendimento propulsivo ηp=Fv/Pcin; mostre que, desprezando a massa de combustível, ηp=2v/(v+ve).
O combustível libera 43MJ/kg: rendimento térmico do motor (potência cinética sobre potência térmica) e rendimento global.
Um turbofan usa a mesma potência cinética para acelerar 500kg/s de ar: celeridade de exaustão, empuxo e ηp a 250m/s. Por que os aviões de linha têm ventiladores enormes?
Por que um turbojato não pode fazer, parado, o trabalho de um foguete acima da atmosfera?
O reversor de empuxo no pouso desvia o fluxo do ventilador para a frente a 45∘ do eixo: força de frenagem para o turbofan da questão 5 a 70m/s, sendo a exaustão do ventilador então de 150m/s em relação ao motor; compare com o empuxo para a frente que o mesmo fluxo daria.
Parte II — O foguete. Um foguete de estágio único: massa inicial m0=300t, propelente 200t, celeridade de exaustão ve=3.0km/s, tempo de queima τ=150s a vazão mássica constante.
Aplique o balanço de quantidade de movimento ao foguete mais o gás ejetado em dt para deduzir mdv/dt=Dmve−mg num voo vertical.
Vazão mássica, empuxo e aceleração na decolagem e no fim da queima.
Integre para obter a celeridade no fim da queima; o que é a "perda por gravidade"?
Celeridade final com o mesmo foguete dividido em dois estágios de 100t de propelente cada um, sendo a massa vazia do primeiro estágio (20t) descartada antes de o segundo acender (despreze aqui a gravidade): compare com o estágio único.
Que celeridade de exaustão um estágio único precisaria para atingir a velocidade orbital (7.8km/s, desprezando a gravidade) com a mesma razão de massas? Comente a escolha dos propelentes.
Na decolagem o jato de exaustão (1333kg/s a 3km/s) atinge o defletor de chamas da plataforma e é desviado na horizontal: força sobre o defletor.
A exaustão do foguete também é um escoamento de fluido: por que o empuxo aumenta com a altitude num bocal real (pense na pressão sobre a seção de saída do bocal)?
Parte III — A roda Pelton. O jato da usina do capítulo anterior: DV=60m3/s a v=62.6m/s, repartido entre duas rodas; cada roda tem raio R=1.5m e conchas que desviam o jato de 165∘.
Força sobre as conchas de uma roda com celeridade das conchas u, e a potência; u ótimo.
Rotação no ótimo, em rpm; torque no eixo.
O gerador deve girar a um submúltiplo de 50Hz dividido pelo seu número de pares de polos: escolha o número de pares de polos.
Potência de uma roda e rendimento em relação à potência cinética do jato; potência elétrica total com 95% de rendimento do gerador.
Usando o balanço de momento angular (equação de Euler das turbomáquinas) numa concha, no ótimo: momento angular da água que entra e da que sai, por quilograma, e verifique o torque.
A carga cai de repente e a roda dispara em direção a u=v: o que acontece com a força e com o torque, e por que um defletor que desvia o jato faz parte de toda usina Pelton?
Parte IV — Bombear morro acima. A usina também serve de armazenamento: à noite 40m3/s são bombeados de volta pelo conduto forçado (400m, 3m, λ=0.015) ao reservatório 200m acima.
Perdas de carga no conduto a 40m3/s; carga necessária na bomba.
Potência hidráulica e potência elétrica consumida com 88% de rendimento da bomba.
Pressão no fundo do conduto durante o bombeamento; compare com seu valor em modo turbina (capítulo anterior).
Energia armazenada por noite de 8h (energia potencial da água elevada); rendimento de ida e volta do armazenamento se o modo turbina recupera 90% da carga disponível e o gerador 95%.
Faça o balanço dos quatro balanços usados neste problema (quantidade de movimento, momento angular, energia, massa) e o dispositivo que cada um dimensionou.
Solução
Solução de Problema 5.1.
1.F=(Da+Df)ve=51×600=30.6kN.
2.F=51×600−50×250=18.1kN; Fv=4.5MW.
3.Pcin=21×51×6002−21×50×2502=7.6MW; ηp=0.59. Com Df=0: ηp=2v(ve−v)/(ve2−v2)=2v/(ve+v)=500/850.
4. Calor de 43MW: térmico 7.6/43=18%; global 4.5/43=10%.
5.21×500(ve′2−2502)=7.6×106: ve′=305m/s; F=500×55=27.5kN; ηp=500/555=0.90. Mover mais ar mais devagar dá mais empuxo para a mesma potência: daí os ventiladores enormes.
6. Ele precisa do ar externo tanto como fluido de trabalho quanto como oxidante; um foguete leva os dois.
7. O ar entra a 70m/s (para trás, no referencial do motor) e sai com uma componente para a frente 150cos45∘=106m/s: a quantidade de movimento dada ao ar aponta para a frente, 500(106+70)=88kN de frenagem; o mesmo fluxo expelido para trás daria 500(150−70)=40kN de empuxo.
8. Em dt o sistema (foguete m + gás Dmdt ejetado a v−ve): (m−Dmdt)(v+dv)+Dmdt(v−ve)−mv=−mgdt, donde mdv/dt=Dmve−mg.
9.Dm=1333kg/s; F=4.0MN; a=13.3−9.8=3.5m/s2 na decolagem, 40−9.8=30m/s2 no fim da queima.
10.v=veln(m0/m)−gt: 3000ln3−9.81×150=3296−1472=1.8km/s; a perda por gravidade é de 1.5km/s.
11. Estágio 1: 3000ln(300/200)=1.2km/s; descarta 20t; estágio 2: 3000ln(180/80)=2.4km/s: 3.6km/s contra 3.3km/s do estágio único (com gravidade a diferença aumenta).
12.ve=7800/ln3=7.1km/s: nenhum propelente químico chega lá (hidrogênio–oxigênio dá 4.5km/s); o escalonamento é obrigatório.
13. O fluxo vertical de quantidade de movimento do jato Dmv=4.0MN é retirado e um fluxo horizontal igual é criado: uma força de 4MN para baixo mais 4MN de lado, 5.7MN ao todo.
14. O balanço no motor inclui (Pe−P0)Se na seção de saída; como P0 cai com a altitude, esse termo cresce: o empuxo sobe uns 10–15% no vácuo.
15.Dm=3×104kg/s por roda: F=Dm(v−u)(1+cos15∘)=1.97×3×104(62.6−u); P=Fu, máxima em u=v/2=31.3m/s.
17.f=pn/60: p=3000/199≈15 pares de polos, n=200rpm.
18.P=Fu=58MW; potência do jato 21Dmv2=59MW: 98%; 2×58×0.95=110MW.
19. Na entrada: Rv=94m2/s por kg. Na saída: celeridade azimutal absoluta u−(v−u)cos15∘=1.1m/s, ou seja, 1.6m2/s. Γ=Dm(94−1.6)=2.8MNm — como em 16.
20. Quando u→v a celeridade relativa, a força e o torque se anulam: nada freia a roda, que dispara; o defletor tira o jato das conchas em menos de um segundo, enquanto a válvula-agulha fecha devagar o bastante para evitar o golpe de aríete.
21.v=5.7m/s, v2/2g=1.6m; perda 0.015×133×1.6=3.3m; carga da bomba 200+3.3+1.6=205m.
22.ρgDVH=9810×40×205=80MW; 91MW elétricos.
23.P=P0+ρg(200+3.3)+21ρv2≈21bar absolutos, contra 20.3bar em modo turbina: agora as perdas se somam à carga estática em vez de subtrair-se dela.
24.V=40×28800=1.15×106m3, E=ρgV×200=2.3×1012J=630MWh; consumidos 91×8=730MWh; recuperados 630×0.9×0.95=540MWh: ida e volta, 74%.
25. Quantidade de movimento: o empuxo do motor a jato e o do foguete, a força na Pelton. Momento angular: o torque da turbina (Euler). Energia: a carga e a potência da bomba, o rendimento do armazenamento. Massa: toda vazão, e a perda de massa do foguete.