Physics · Livro 4 · Bachelor Year 2

Física universitária — 2.º ano

Física universitária — 2.º ano · Bachelor Year 2

28Potenciais termodinâmicos

Estique depressa um elástico e encoste-o no lábio: ele está quente; deixe-o contrair e ele está frio. Pendure um peso nele e aqueça-o com um secador de cabelo: ele encurta. Nenhuma mola de aço se comporta assim, e a razão é que a tensão de um elástico não é questão de energia, mas de entropia — as cadeias esticadas têm menos maneiras de se arranjar. Para raciocinar sobre essas coisas é preciso saber o que um sistema a temperatura fixa, ou a temperatura e pressão fixas, tende a fazer, e quanto trabalho se pode extrair dele: perguntas que a energia interna e a entropia respondem apenas desajeitadamente, porque falam a língua de um sistema isolado. Este capítulo introduz as duas funções construídas para as condições do laboratório, a energia livre de Helmholtz F=UTSF = U - TS e a entalpia livre de Gibbs G=HTSG = H - TS, mostra que elas medem o trabalho recuperável e decrescem rumo ao equilíbrio, extrai de seus diferenciais as relações de Maxwell que ligam grandezas que ninguém julgaria aparentadas, e aplica tudo isso ao equilíbrio de duas fases, em que GG decide qual fase vence e devolve a fórmula de Clapeyron.

Gelo e água coexistindo num lago ao amanhecer: no ponto de fusão as duas fases têm a mesma entalpia livre por quilograma, e uma pequena mudança de pressão ou de temperatura desequilibra a balança — a inclinação de Clapeyron diz de quanto.
Gelo e água coexistindo num lago ao amanhecer: no ponto de fusão as duas fases têm a mesma entalpia livre por quilograma, e uma pequena mudança de pressão ou de temperatura desequilibra a balança — a inclinação de Clapeyron diz de quanto.

28.1 A identidade fundamental e suas variáveis

Proposição 28.1 (Identidade fundamental)

Para um sistema fechado de composição fixa, a energia interna, vista como função da entropia e do volume, satisfaz

 ⁣dU=T ⁣dSP ⁣dV,T=(US)V,P=(UV)S,\dd U = T\,\dd S - P\,\dd V, \qquad T = \Big(\frac{\partial U}{\partial S}\Big)_V, \quad P = -\Big(\frac{\partial U}{\partial V}\Big)_S ,

e a entalpia H=U+PVH = U + PV satisfaz  ⁣dH=T ⁣dS+V ⁣dP\dd H = T\,\dd S + V\,\dd P. Cada função, em suas variáveis naturais(S,V)(S,V) para UU, (S,P)(S,P) para HH — contém toda a termodinâmica do sistema: suas derivadas parciais dão as demais variáveis de estado. O segundo princípio seleciona o equilíbrio de um sistema isolado (UU, VV fixos) como o estado de SS máxima.

Demonstração. O primeiro princípio para uma transformação reversível,  ⁣dU=δQrev+δWrev=T ⁣dSP ⁣dV\dd U = \delta Q_{\text{rev}} + \delta W_{\text{rev}} = T\,\dd S - P\,\dd V, envolve apenas funções de estado e portanto vale para qualquer variação infinitesimal entre estados de equilíbrio. Acrescente  ⁣d(PV)\dd(PV) para HH.

Observação 28.2 (Por que novas funções)

As experiências não são feitas a entropia fixa. O balão de um químico fica à temperatura da sala e à pressão da atmosfera; um pistão num termostato trabalha a TT fixo. Queremos funções cujas variáveis naturais sejam (T,V)(T,V) e (T,P)(T,P), e que desempenhem, nessas condições, o papel que SS desempenha para um sistema isolado: dizer para que lado o sistema evolui e quanto trabalho ele pode fornecer. Uma transformada de Legendre — subtrair TSTS para trocar SS por TT como variável independente — as constrói.

28.2 Energia livre e entalpia livre

Definição 28.3 (Energia livre de Helmholtz, entalpia livre de Gibbs)

F=UTS(energia livre),G=HTS=U+PVTS(entalpia livre).F = U - TS \quad\text{(\emph{energia livre})}, \qquad G = H - TS = U + PV - TS \quad\text{(\emph{entalpia livre})}.

Ambas são funções de estado extensivas, medidas em joules.

Teorema 28.4 (Diferenciais e grandezas derivadas)

 ⁣dF=S ⁣dTP ⁣dV, ⁣dG=S ⁣dT+V ⁣dP;\dd F = -S\,\dd T - P\,\dd V, \qquad \dd G = -S\,\dd T + V\,\dd P ;

e daí, nas variáveis naturais (T,V)(T,V) de FF e (T,P)(T,P) de GG,

S=(FT)V,P=(FV)T,S=(GT)P,V=(GP)T,S = -\Big(\frac{\partial F}{\partial T}\Big)_V, \quad P = -\Big(\frac{\partial F}{\partial V}\Big)_T, \qquad S = -\Big(\frac{\partial G}{\partial T}\Big)_P, \quad V = \Big(\frac{\partial G}{\partial P}\Big)_T ,

e (Gibbs–Helmholtz) U=FT(F/T)V=T2(F/T)/TU = F - T(\partial F/\partial T)_V = -T^2\,\partial(F/T)/\partial T, H=T2(G/T)/TH = -T^2\,\partial(G/T)/\partial T. Conhecer F(T,V)F(T,V) ou G(T,P)G(T,P) é conhecer tudo: a equação de estado, a entropia, a energia, as capacidades térmicas.

Demonstração.  ⁣dF= ⁣dUT ⁣dSS ⁣dT=S ⁣dTP ⁣dV\dd F = \dd U - T\dd S - S\dd T = -S\dd T - P\dd V; do mesmo modo para GG a partir de  ⁣dH\dd H. Leia as derivadas parciais; para Gibbs–Helmholtz, FTTF=F+TS=UF - T\,\partial_TF = F + TS = U e T(F/T)=(TTFF)/T2=U/T2\partial_T(F/T) = (T\partial_TF - F)/T^2 = -U/T^2.

Exemplo 28.5 (O gás perfeito)

Para nn mols, U=ncVT+U0U = nc_{V}T + U_0 e S=ncVlnT+nRlnV+S0S = nc_V\ln T + nR\ln V + S_0 dão F(T,V)=nRTlnV+f(T)F(T,V) = -nRT\ln V + f(T): então P=VF=nRT/VP = -\partial_VF = nRT/V — a equação de estado sai de FF — e S=TFS = -\partial_TF devolve a entropia. Nas variáveis (T,P)(T,P), G(T,P)=nRTlnP+g(T)G(T,P) = nRT\ln P + g(T), de modo que V=PG=nRT/PV = \partial_PG = nRT/P, e a entalpia livre molar μ(T,P)=μ(T)+RTln(P/P)\mu(T,P) = \mu^\circ(T) + RT\ln(P/P^\circ) — o potencial químico do gás, que cresce com sua pressão: o gás escoa do μ\mu alto para o baixo, aqui da pressão alta para a baixa.

28.3 Trabalho máximo e sentido da evolução

Teorema 28.6 (Transformações monotérmicas)

Um sistema que troca calor com um único termostato a T0T_0, e cujas temperaturas inicial e final valem T0T_0, recebe durante qualquer transformação o trabalho

WΔF,i.e.Wrecuperado=WΔF:W \ge \Delta F , \qquad\text{i.e.}\qquad W_{\text{recuperado}} = -W \le -\Delta F :

a diminuição de FF é o trabalho máximo recuperável do sistema a temperatura fixa (atingido para uma transformação reversível) — daí energia “livre”: a parte de UU que pode virar trabalho, sendo o resto, TSTS, ligado. Se além disso a transformação for monobárica (pressão P0P_0 do lado de fora, pressões inicial e final iguais a P0P_0), o trabalho que não o da atmosfera (trabalho útil, por exemplo elétrico) satisfaz WuΔGW_{\text{u}} \ge \Delta G: ΔG-\Delta G é o trabalho útil máximo recuperável a TT e PP fixos (o trabalho de uma célula a combustível, de uma bateria).

Demonstração. Primeiro princípio: ΔU=W+Q\Delta U = W + Q. Segundo princípio com um termostato: ΔS=Q/T0+Sc\Delta S = Q/T_0 + S_{\text{c}}, Sc0S_{\text{c}} \ge 0, logo QT0ΔSQ \le T_0\Delta S. Portanto W=ΔUQΔUT0ΔS=Δ(UT0S)=ΔFW = \Delta U - Q \ge \Delta U - T_0\Delta S = \Delta(U - T_0S) = \Delta F, usando T=T0T = T_0 nas duas extremidades. Separando o trabalho da atmosfera P0ΔV-P_0\Delta V, W=WuP0ΔVW = W_{\text{u}} - P_0\Delta V e WuΔU+P0ΔVT0ΔS=ΔGW_{\text{u}} \ge \Delta U + P_0 \Delta V - T_0\Delta S = \Delta G.

Teorema 28.7 (Critérios de evolução e de equilíbrio)

Um sistema mantido a TT e VV fixos e que não recebe trabalho só pode evoluir de modo que FF diminua; seu equilíbrio é o estado de FF mínima. Um sistema mantido a TT e PP fixos e que não recebe trabalho útil só pode evoluir de modo que GG diminua; seu equilíbrio é o estado de GG mínima. (Mais geralmente, para um sistema em contato com um meio a T0T_0, P0P_0, a grandeza UT0S+P0VU - T_0S + P_0V diminui.)

Demonstração. Tome W=0W = 0 (resp. Wu=0W_{\text{u}} = 0) no teorema anterior: ΔF0\Delta F \le 0 (resp. ΔG0\Delta G \le 0), com igualdade para uma evolução reversível, isto é, de equilíbrio.

Exemplo 28.8 (Expansão isotérmica, real e ideal)

Um mol de gás a 300K300\,\mathrm{K} se expande de 1L1\,\mathrm{L} a 10L10\,\mathrm{L} em contato com o termostato: ΔF=RTln10=5.7kJ\Delta F = -RT\ln 10 = -5.7\,\mathrm{kJ}. Uma expansão reversível recupera 5.7kJ5.7\,\mathrm{kJ}; uma expansão contra a atmosfera a 1bar1\,\mathrm{bar} recupera apenas P0ΔV=0.9kJP_0\Delta V = 0.9\,\mathrm{kJ}; uma expansão livre no vácuo, nada. Os 5.7kJ5.7\,\mathrm{kJ} são o máximo que o gás e seu termostato podem dar para essa mudança de estado, por mais engenhosa que seja a máquina.

28.4 As relações de Maxwell

Teorema 28.9 (Relações de Maxwell)

Como  ⁣dF\dd F e  ⁣dG\dd G são diferenciais exatas (teorema de Schwarz sobre as derivadas segundas mistas),

(SV)T=(PT)V,(SP)T=(VT)P.\Big(\frac{\partial S}{\partial V}\Big)_T = \Big(\frac{\partial P}{\partial T}\Big)_V, \qquad \Big(\frac{\partial S}{\partial P}\Big)_T = -\Big(\frac{\partial V}{\partial T}\Big)_P .

Elas exprimem o inatingível (como a entropia varia com o volume ou a pressão a temperatura fixa) através da equação de estado. Duas consequências:

(UV)T=T(PT)VP,CPCV=T(PT)V(VT)P=TVα2κT,\Big(\frac{\partial U}{\partial V}\Big)_T = T\Big(\frac{\partial P}{\partial T}\Big)_V - P, \qquad C_P - C_V = T\Big(\frac{\partial P}{\partial T}\Big)_V\Big(\frac{\partial V}{\partial T}\Big)_P = \frac{TV\alpha^2}{\kappa_T} ,

com α=V1(V/T)P\alpha = V^{-1}(\partial V/\partial T)_P o coeficiente de dilatação e κT=V1(V/P)T\kappa_T = -V^{-1}(\partial V/\partial P)_T a compressibilidade isotérmica.

Demonstração. 2F/TV\partial^2F/\partial T\partial V calculada nas duas ordens: VS=TP-\partial_VS = -\partial_TP. O mesmo para GG. Depois  ⁣dU=T ⁣dSP ⁣dV\dd U = T\dd S - P\dd V a TT fixo dá (VU)T=T(VS)TP(\partial_VU)_T = T(\partial_VS)_T - P; e CPCVC_P - C_V segue de escrever S(T,V(T,P))S(T,V(T,P)): (TS)P=(TS)V+(VS)T(TV)P(\partial_TS)_P = (\partial_TS)_V + (\partial_VS)_T(\partial_TV)_P, multiplicado por TT.

Exemplo 28.10 (O que as relações revelam)

Para um gás perfeito, T(TP)VP=0T(\partial_TP)_V - P = 0: a energia não depende do volume (a lei de Joule reencontrada) e CPCV=nRC_P - C_V = nR. Para um gás de van der Waals, (VU)T=a/Vm2(\partial_VU)_T = a/V_{\text{m}}^2: a pressão interna das atrações. Para a água líquida, (TP)V=α/κT=2.1×104/4.6×1010=4.6×105Pa/K(\partial_TP)_V = \alpha/\kappa_T = 2.1 \times 10^{-4}/4.6 \times 10^{-10} = 4.6 \times 10^{5}\,\mathrm{Pa}/\mathrm{K}: aquecer água num recipiente rígido e cheio de um kelvin eleva a pressão de 4.6bar4.6\,\mathrm{bar} (nunca vede uma garrafa cheia), e (VU)T1400bar(\partial_VU)_T \approx 1400\,\mathrm{bar} — a coesão do líquido; e no entanto cPcV=Tvα2/κT30J/kg/Kc_P - c_V = Tv\alpha^2/\kappa_T \approx 30\,\mathrm{J}/\mathrm{kg}/\mathrm{K}, menos de 1%1\% de cPc_P: para a matéria condensada as duas capacidades térmicas quase coincidem.

Proposição 28.11 (Elasticidade entrópica da borracha)

Para uma tira de comprimento LL sob a tensão ff,  ⁣dU=T ⁣dS+f ⁣dL\dd U = T\dd S + f\dd L e  ⁣dF=S ⁣dT+f ⁣dL\dd F = -S\dd T + f\dd L, de modo que (S/L)T=(f/T)L(\partial S/\partial L)_T = -(\partial f/\partial T)_L e (U/L)T=fT(f/T)L(\partial U/\partial L)_T = f - T(\partial f/ \partial T)_L. A borracha obedece, com boa aproximação, a f=Tφ(L)f = T\,\varphi(L) com φ>0\varphi > 0 para L>L0L > L_0: então (U/L)T=0(\partial U/\partial L)_T = 0 — a energia não muda ao esticar — e (S/L)T=φ(L)<0(\partial S/\partial L)_T = -\varphi(L) < 0: a tensão é entrópica, f=T(S/L)Tf = -T(\partial S/\partial L)_T, e a tira puxa de volta porque suas cadeias esticadas têm menos configurações. Consequências: esticada isotermicamente ela cede calor (Q=TΔS<0Q = T\Delta S < 0); esticada adiabaticamente ela esquenta; aquecida sob carga constante ela se contrai (f/Tf/T fixo significa φ(L)\varphi(L) fixo, de modo que a ff fixo φ\varphi deve cair quando TT sobe).

Demonstração. Relação de Maxwell a partir de  ⁣dF\dd F; o resto é substituição. A origem microscópica é o passeio aleatório do Capítulo 24: uma cadeia de NN elos de comprimento aa tem sua distância entre extremidades distribuída como uma gaussiana de variância Na2Na^2, de modo que o número de configurações com extensão LL vale ΩeL2/2Na2\Omega \propto \eu^{-L^2/2Na^2}, S=S0kBL2/2Na2S = S_0 - k_BL^2/2Na^2 e f=kBTL/Na2f = k_BTL/Na^2: uma mola cuja rigidez é proporcional à temperatura.

Tensão a extensão fixa em função da temperatura. À esquerda: borracha, f T — a tensão é entrópica, ( f/ T)_L > 0, de modo que esticar baixa a entropia e a tira esquenta. À direita: uma mola de aço, cuja tensão vem da energia das ligações e cai ligeiramente à medida que o metal amolece.
Tensão a extensão fixa em função da temperatura. À esquerda: borracha, fTf \propto T — a tensão é entrópica, (f/T)L>0(\partial f/\partial T)_L > 0, de modo que esticar baixa a entropia e a tira esquenta. À direita: uma mola de aço, cuja tensão vem da energia das ligações e cai ligeiramente à medida que o metal amolece.

28.5 Equilíbrio entre duas fases

Teorema 28.12 (Condição de coexistência)

Uma substância pura a TT e PP fixos, repartida entre duas fases de massas m1m_1, m2m_2 com entalpias livres por unidade de massa g1(T,P)g_1(T,P), g2(T,P)g_2(T,P), tem G=m1g1+m2g2G = m_1g_1 + m_2g_2; no equilíbrio GG é mínima, de modo que

  • se g1<g2g_1 < g_2 toda a matéria vai para a fase 1 (a fase estável é a de gg menor);
  • as duas fases só coexistem onde

    g1(T,P)=g2(T,P),g_1(T,P) = g_2(T,P) ,

    uma relação entre TT e PP: a curva de coexistência do diagrama de fases.

Ao longo dessa curva (Clapeyron),

 ⁣dP ⁣dT=s2s1v2v1=L12T(v2v1).\frac{\dd P}{\dd T} = \frac{s_2 - s_1}{v_2 - v_1} = \frac{L_{1\to2}}{T\,(v_2 - v_1)} .

Demonstração.  ⁣dG=(g1g2) ⁣dm1\dd G = (g_1 - g_2)\dd m_1 a TT, PP fixos (com m1+m2m_1 + m_2 fixo): GG diminui ao transferir massa para a fase de gg menor, até que essa fase fique sozinha ou até que g1=g2g_1 = g_2. Diferencie g1=g2g_1 = g_2 ao longo da curva com  ⁣dg=s ⁣dT+v ⁣dP\dd g = -s\,\dd T + v\,\dd P para cada fase: s1 ⁣dT+v1 ⁣dP=s2 ⁣dT+v2 ⁣dP-s_1\dd T + v_1\dd P = -s_2\dd T + v_2\dd P; e s2s1=L/Ts_2 - s_1 = L/T, já que a transição a TT, PP fixos é reversível. O volume do primeiro ano obteve esta fórmula a partir de um ciclo de Carnot; aqui ela sai de GG.

Entalpia livre por unidade de massa das três fases a pressão fixa: cada uma cai com a temperatura com a inclinação -s, o gás mais depressa; a fase estável é a linha mais baixa, e as transições ocorrem onde as linhas se cruzam. Os ramos superiores além de um cruzamento são os estados metastáveis (líquido super-resfriado, líquido superaquecido).
Entalpia livre por unidade de massa das três fases a pressão fixa: cada uma cai com a temperatura com a inclinação s-s, o gás mais depressa; a fase estável é a linha mais baixa, e as transições ocorrem onde as linhas se cruzam. Os ramos superiores além de um cruzamento são os estados metastáveis (líquido super-resfriado, líquido superaquecido).

Exemplo 28.13 (A água: inclinações e metastabilidade)

Fusão: L=334kJ/kgL = 334\,\mathrm{kJ}/\mathrm{kg}, vliqvgelo=9.1×105m3/kgv_{\text{liq}} - v_{\text{gelo}} = -9.1 \times 10^{-5}\,\mathrm{m}^{3}/\mathrm{kg}:  ⁣dP/ ⁣dT=1.3×107Pa/K\dd P/\dd T = -1.3 \times 10^{7}\,\mathrm{Pa}/\mathrm{K}, negativa — o gelo funde sob pressão, mas a 130bar130\,\mathrm{bar} por kelvin: os 70bar70\,\mathrm{bar} de um patinador baixam o ponto de fusão de apenas meio grau (a patinação funciona pelo atrito e por uma camada superficial pré-fundida), enquanto os 270bar270\,\mathrm{bar} sob três quilômetros de manto de gelo fundem sua base e a deixam deslizar. Vaporização a 100C100\,{}^{\circ}\mathrm{C}: L=2.26MJ/kgL = 2.26\,\mathrm{MJ}/\mathrm{kg}, Δv=1.67m3/kg\Delta v = 1.67\,\mathrm{m}^{3}/\mathrm{kg}: 3.6kPa/K3.6\,\mathrm{kPa}/\mathrm{K}92C92\,{}^{\circ}\mathrm{C} a 0.7bar0.7\,\mathrm{bar} numa montanha, 120C120\,{}^{\circ}\mathrm{C} numa panela de pressão a 2bar2\,\mathrm{bar}. Abaixo de 0C0\,{}^{\circ}\mathrm{C}, a água líquida tem gliqggelo(L/Tfus)(TfusT)=1.2kJ/kgg_{\text{liq}} - g_{\text{gelo}} \approx (L/T_{\text{fus}})(T_{\text{fus}} - T) = 1.2\,\mathrm{kJ}/\mathrm{kg} por kelvin de super-resfriamento: ela é metastável, não instável, e gotículas puras nas nuvens permanecem líquidas até 40C-40\,{}^{\circ}\mathrm{C} por falta de um núcleo.

Uma isoterma de van der Waals abaixo da temperatura crítica e a construção de Maxwell: a isoterma real segue a horizontal P_ sat, colocada de modo que as duas áreas sombreadas sejam iguais — a condição g_ liq = g_ vap, já que g = v\, P a T fixo. Os trechos crescentes do laço perto das extremidades são o líquido superaquecido metastável e o vapor supersaturado.
Uma isoterma de van der Waals abaixo da temperatura crítica e a construção de Maxwell: a isoterma real segue a horizontal PsatP_{\text{sat}}, colocada de modo que as duas áreas sombreadas sejam iguais — a condição gliq=gvapg_{\text{liq}} = g_{\text{vap}}, já que  ⁣dg=v ⁣dP\dd g = v\,\dd P a TT fixo. Os trechos crescentes do laço perto das extremidades são o líquido superaquecido metastável e o vapor supersaturado.

Observação 28.14 (Van der Waals e a construção de Maxwell)

A equação de van der Waals (P+a/v2)(vb)=RT(P + a/v^2)(v - b) = RT dá, abaixo de sua temperatura crítica Tc=8a/27RbT_{\text{c}} = 8a/27Rb, isotermas com um laço. O fluido real não segue o laço: em Psat(T)P_{\text{sat}}(T) ele salta do ramo líquido para o ramo vapor, e PsatP_{\text{sat}} é fixada por gliq=gvapg_{\text{liq}} = g_{\text{vap}}, ou seja, liqvapv ⁣dP=0\int_{\text{liq}}^{\text{vap}}v\,\dd P = 0 ao longo do laço: a horizontal recorta áreas iguais. Os trechos do laço em que (P/v)T>0(\partial P/\partial v)_T > 0 são mecanicamente instáveis; os trechos entre eles e a horizontal são metastáveis — o líquido superaquecido que “explode” num micro-ondas, o vapor supersaturado da câmara de nuvens.

Método 28.15 (Usar os potenciais)

(1) Identifique os vínculos: isolado \to SS máxima; T,VT,V fixos \to FF mínima; T,PT,P fixos \to GG mínima. (2) Trabalho máximo: ΔF-\Delta F a TT fixo, ΔG-\Delta G de trabalho útil a T,PT,P fixos. (3) Precisa de uma derivada de SS a TT fixo? Use uma relação de Maxwell e a equação de estado. (4) Duas fases: compare gg; coexistência g1=g2g_1 = g_2; Clapeyron para a inclinação; o sinal de Δv\Delta v dá o sinal da inclinação. (5) Potencial químico μ=g\mu = g por mol: a matéria escoa para o μ\mu menor.

28.6 Exercícios

Exercício 28.1

Para nn mols de gás perfeito, escreva F(T,V)F(T,V) e G(T,P)G(T,P) a menos de funções só de TT; reencontre a equação de estado a partir de cada uma; mostre que S=TFS = -\partial_TF dá a entropia conhecida.

Solução

Solução de Exercício 28.1.

F=nRTlnV+f(T)F = -nRT\ln V + f(T), G=nRTlnP+g(T)G = nRT\ln P + g(T); P=VF=nRT/VP = -\partial_VF = nRT/V, V=PG=nRT/PV = \partial_PG = nRT/P; TF=nRlnVf(T)-\partial_TF = nR\ln V - f'(T), a entropia nCVlnT+nRlnV+const.nC_V\ln T + nR\ln V + \text{const.} se f=nCVlnT+f' = -nC_V\ln T + \dots

Exercício 28.2

Um mol de gás, 300K300\,\mathrm{K}, de 1L1\,\mathrm{L} a 10L10\,\mathrm{L} num termostato: ΔF\Delta F, ΔU\Delta U, ΔS\Delta S; trabalho recuperado se reversível; se contra 1bar1\,\mathrm{bar}; se no vácuo; a entropia criada em cada caso.

Solução

Solução de Exercício 28.2.

ΔF=RTln10=5.7kJ\Delta F = -RT\ln 10 = -5.7\,\mathrm{kJ}, ΔU=0\Delta U = 0, ΔS=19.1J/K\Delta S = 19.1\,\mathrm{J}/\mathrm{K}. Reversível: 5.7kJ5.7\,\mathrm{kJ}, Sc=0S_{\text{c}} = 0; contra 1bar1\,\mathrm{bar}: 0.9kJ0.9\,\mathrm{kJ}, Sc=19.1900/300=16J/KS_{\text{c}} = 19.1 - 900/300 = 16\,\mathrm{J}/\mathrm{K}; no vácuo: nada, Sc=19.1J/KS_{\text{c}} = 19.1\,\mathrm{J}/\mathrm{K}.

Exercício 28.3

Água e gelo a 1bar1\,\mathrm{bar}: mostre que gliqggelo(L/Tfus)(TfusT)g_{\text{liq}} - g_{\text{gelo}} \approx (L/T_{\text{fus}})(T_{\text{fus}} - T) perto de 0C0\,{}^{\circ}\mathrm{C} e calcule-o a 5-5\, e a +5C+5\,{}^{\circ}\mathrm{C} (L=334kJ/kgL = 334\,\mathrm{kJ}/\mathrm{kg}). Que fase é estável em cada caso; a outra é impossível?

Solução

Solução de Exercício 28.3.

Δg=ΔhTΔs\Delta g = \Delta h - T\Delta s com ΔhL\Delta h \approx L, ΔsL/Tfus\Delta s \approx L/T_{\text{fus}}. A 5C-5\,{}^{\circ}\mathrm{C}: gliqggelo=+6.1kJ/kgg_{\text{liq}} - g_{\text{gelo}} = +6.1\,\mathrm{kJ}/\mathrm{kg}, o gelo é estável e o líquido metastável (o super-resfriamento existe); a +5C+5\,{}^{\circ}\mathrm{C}: 6.1kJ/kg-6.1\,\mathrm{kJ}/\mathrm{kg}, o líquido é estável — gelo superaquecido não se observa, pois sua superfície funde primeiro.

Exercício 28.4

Inclinações de Clapeyron da água: fusão (Δv=9.1×105m3/kg\Delta v = -9.1 \times 10^{-5}\,\mathrm{m}^{3}/\mathrm{kg}) e vaporização a 100C100\,{}^{\circ}\mathrm{C} (L=2.26MJ/kgL = 2.26\,\mathrm{MJ}/\mathrm{kg}, Δv=1.67m3/kg\Delta v = 1.67\,\mathrm{m}^{3}/\mathrm{kg}). Ponto de fusão sob 70bar70\,\mathrm{bar}; ponto de ebulição a 0.7bar0.7\,\mathrm{bar} e a 2bar2\,\mathrm{bar}.

Solução

Solução de Exercício 28.4.

Fusão 1.3×107Pa/K-1.3 \times 10^{7}\,\mathrm{Pa}/\mathrm{K}; vaporização 3.6kPa/K3.6\,\mathrm{kPa}/\mathrm{K}. 70bar70\,\mathrm{bar}: 0.5K-0.5\,\mathrm{K}; 0.7bar0.7\,\mathrm{bar}: 92C92\,{}^{\circ}\mathrm{C}; 2bar2\,\mathrm{bar}: 127C\approx 127\,{}^{\circ}\mathrm{C} pela inclinação local (120C120\,{}^{\circ}\mathrm{C} de fato: a inclinação cresce).

Exercício 28.5 ★★

Maxwell. (a) Deduza as duas relações de Maxwell do capítulo e as duas que vêm de  ⁣dU\dd U e  ⁣dH\dd H. (b) Mostre que (U/V)T=T(P/T)VP(\partial U/\partial V)_T = T(\partial P/\partial T)_V - P; avalie-a para um gás perfeito e para um gás de van der Waals. (c) Água líquida: α=2.1×104K1\alpha = 2.1 \times 10^{-4}\,\mathrm{K}^{-1}, κT=4.6×1010Pa1\kappa_T = 4.6 \times 10^{-10}\,\mathrm{Pa}^{-1}: aumento de pressão por kelvin num recipiente rígido e cheio, e (U/V)T(\partial U/\partial V)_T. (d) Uma garrafa de vidro cheia e lacrada é aquecida de 10K10\,\mathrm{K}: comente.

Solução

Solução de Exercício 28.5.

(a) Também (T/V)S=(P/S)V(\partial T/\partial V)_S = -(\partial P/\partial S)_V e (T/P)S=(V/S)P(\partial T/\partial P)_S = (\partial V/\partial S)_P. (b) 00; a/v2a/v^2. (c) α/κT=4.6bar/K\alpha/\kappa_T = 4.6\,\mathrm{bar}/\mathrm{K}; Tα/κTP1400barT\alpha/\kappa_T - P \approx 1400\,\mathrm{bar}. (d) 46bar46\,\mathrm{bar}: a garrafa estoura.

Exercício 28.6 ★★

CPCVC_P - C_V. (a) Deduza CPCV=TVα2/κTC_P - C_V = TV\alpha^2/\kappa_T. (b) Gás perfeito. (c) Água a 300K300\,\mathrm{K}; cobre (α=5×105K1\alpha = 5 \times 10^{-5}\,\mathrm{K}^{-1}, κT=7×1012Pa1\kappa_T = 7 \times 10^{-12}\,\mathrm{Pa}^{-1}, ρ=8900kg/m3\rho = 8900\,\mathrm{kg}/\mathrm{m}^{3}); compare com cPc_P (41804180\, e 385J/kg/K385\,\mathrm{J}/\mathrm{kg}/\mathrm{K}). (d) Por que se pode falar de “a” capacidade térmica de um sólido?

Solução

Solução de Exercício 28.6.

(a) Teorema 28.9. (b) nRnR. (c) Água 29J/kg/K29\,\mathrm{J}/\mathrm{kg}/\mathrm{K} (0.7%0.7\%); cobre 12J/kg/K12\,\mathrm{J}/\mathrm{kg}/\mathrm{K} (3%3\%). (d) A diferença é desprezível para a matéria condensada.

Exercício 28.7 ★★

Borracha. Uma tira obedece a f=CT(LL0)f = CT(L - L_0) com C=1N/m/KC = 1\,\mathrm{N}/\mathrm{m}/\mathrm{K}. (a) (S/L)T(\partial S/\partial L)_T e (U/L)T(\partial U/\partial L)_T. (b) Variação de entropia, calor e trabalho ao ser esticada isotermicamente a 300K300\,\mathrm{K} de L0L_0 a L0+0.1mL_0 + 0.1\,\mathrm{m}. (c) Esticada adiabaticamente (capacidade térmica 4J/K4\,\mathrm{J}/\mathrm{K}): variação de temperatura. (d) Pendurada com um peso fixo e aquecida de 30K30\,\mathrm{K}: variação relativa de LL0L - L_0.

Solução

Solução de Exercício 28.7.

(a) C(LL0)-C(L - L_0); 00. (b) ΔS=C(LL0)2/2=5×103J/K\Delta S = -C(L - L_0)^2/2 = -5 \times 10^{-3}\,\mathrm{J}/\mathrm{K}; Q=1.5JQ = -1.5\,\mathrm{J}; W=+1.5JW = +1.5\,\mathrm{J}. (c) +0.4K+0.4\,\mathrm{K}. (d) (LL0)1/T(L - L_0) \propto 1/T: 9%-9\%.

Exercício 28.8 ★★

Evaporação de uma poça. O potencial químico do vapor de água à pressão parcial pp vale μv=μv(T)+RTln(p/p)\mu_{\text{v}} = \mu_{\text{v}}^\circ(T) + RT\ln(p/p^\circ), e iguala o do líquido quando p=psat(T)p = p_{\text{sat}}(T). (a) Mostre que o líquido evapora quando p<psatp < p_{\text{sat}} e que o vapor condensa quando p>psatp > p_{\text{sat}}; defina a umidade relativa. (b) μliqμv\mu_{\text{liq}} - \mu_{\text{v}} a 50%50\% de umidade, 293K293\,\mathrm{K}. (c) Por que a roupa lavada seca mesmo a 20C20\,{}^{\circ}\mathrm{C}, e nunca a 100%100\% de umidade? (d) O orvalho: em que superfícies ele se forma primeiro, e por quê?

Solução

Solução de Exercício 28.8.

(a) A matéria vai para o μ\mu menor: μv<μliq\mu_{\text{v}} < \mu_{\text{liq}} quando p<psatp < p_{\text{sat}}; umidade =p/psat= p/p_{\text{sat}}. (b) RTln0.5=1.7kJ/mol-RT\ln 0.5 = 1.7\,\mathrm{kJ}/\mathrm{mol} em favor do vapor. (c) A evaporação só exige p<psatp < p_{\text{sat}}, e não a ebulição; a 100%100\% os potenciais são iguais. (d) Nas superfícies mais frias, cuja psat(Ts)p_{\text{sat}}(T_{\text{s}}) caiu abaixo do pp do ar — aquelas que irradiam para o céu noturno.

Exercício 28.9 ★★

Van der Waals. (P+a/v2)(vb)=RT(P + a/v^2)(v - b) = RT (molar). (a) Encontre o ponto crítico (vP=v2P=0\partial_vP = \partial_v^2P = 0): vc=3bv_{\text{c}} = 3b, Tc=8a/27RbT_{\text{c}} = 8a/27Rb, Pc=a/27b2P_{\text{c}} = a/27b^2. (b) Dióxido de carbono, Tc=304KT_{\text{c}} = 304\,\mathrm{K}, Pc=73.8barP_{\text{c}} = 73.8\,\mathrm{bar}: aa e bb. (c) Justifique a regra das áreas iguais de Maxwell a partir de gg. (d) Que trechos do laço são instáveis, quais metastáveis, e que fenômenos mostram os metastáveis?

Solução

Solução de Exercício 28.9.

(a) Padrão. (b) b=RTc/8Pc=4.3×105m3/molb = RT_{\text{c}}/8P_{\text{c}} = 4.3 \times 10^{-5}\,\mathrm{m}^{3}/\mathrm{mol}, a=27R2Tc2/64Pc=0.36Pam6/mol2a = 27R^2T_{\text{c}}^2/64P_{\text{c}} = 0.36\,\mathrm{Pa}\,\mathrm{m}^{6}/\mathrm{mol}^{2}. (c)  ⁣dg=v ⁣dP\dd g = v\,\dd P a TT fixo e gg igual nas duas extremidades: v ⁣dP=0\int v\,\dd P = 0 ao longo do laço. (d) Instável onde vP>0\partial_vP > 0; metastável entre os dois: o líquido superaquecido (que explode) e o vapor supersaturado (a névoa que espera por núcleos, a câmara de nuvens).

Exercício 28.10 ★★★

Clausius–Clapeyron integrada. Para a vaporização, despreze vliqv_{\text{liq}} e trate o vapor como perfeito. (a) Mostre que  ⁣dlnP/ ⁣dT=Lm/RT2\dd\ln P/\dd T = L_{\text{m}}/RT^2 (LmL_{\text{m}} molar) e integre para LmL_{\text{m}} constante. (b) Água, Lm=40.7kJ/molL_{\text{m}} = 40.7\,\mathrm{kJ}/\mathrm{mol}: PsatP_{\text{sat}} a 20C20\,{}^{\circ}\mathrm{C} a partir do 1bar1\,\mathrm{bar} a 100C100\,{}^{\circ}\mathrm{C}; compare com os 23mbar23\,\mathrm{mbar} medidos. (c) Preveja a pressão do ponto triplo (0.01C0.01\,{}^{\circ}\mathrm{C}) e compare com 611Pa611\,\mathrm{Pa}. (d) Mostre que a mesma lei decorre de Gibbs–Helmholtz aplicada a Δg\Delta g.

Solução

Solução de Exercício 28.10.

(a)  ⁣dP/ ⁣dT=LmP/RT2\dd P/\dd T = L_{\text{m}}P/RT^2: ln(P/P0)=(Lm/R)(1/T1/T0)\ln(P/P_0) = -(L_{\text{m}}/R)(1/T - 1/T_0). (b) 28mbar28\,\mathrm{mbar} contra 23mbar23\,\mathrm{mbar}LL é maior a 20C20\,{}^{\circ}\mathrm{C}. (c) 820Pa820\,\mathrm{Pa} contra 611Pa611\,\mathrm{Pa}. (d) (Δg/T)/T=L/T2\partial(\Delta g/T)/\partial T = -L/T^2 e Δg=0\Delta g = 0 ao longo da curva dão a mesma inclinação.

Exercício 28.11 ★★★

Osmose. O potencial químico de um solvente é abaixado por um soluto diluído: μ=μRTxs\mu = \mu^\circ - RTx_{\text{s}} (xsx_{\text{s}} a fração molar do soluto). Uma membrana só deixa passar o solvente; solvente puro de um lado, solução do outro, mesma TT. (a) Mostre que o equilíbrio exige uma pressão adicional Π\Pi sobre a solução com Πvm=RTxs\Pi v_{\text{m}} = RTx_{\text{s}}, ou seja, Π=cRT\Pi = cRT (van ’t Hoff). (b) Água do mar, c1.1mol/Lc \approx 1.1\,\mathrm{mol}/\mathrm{L} de partículas dissolvidas, 293K293\,\mathrm{K}: Π\Pi. (c) Trabalho mínimo para extrair um metro cúbico de água doce; compare com as instalações reais (3kWh/m33\,\mathrm{kWh}/\mathrm{m}^{3}). (d) Por que as células vegetais estouram em água pura e murcham em salmoura?

Solução

Solução de Exercício 28.11.

(a) μ\mu igual dos dois lados da membrana: μ(P+Π)RTxs=μ(P)\mu^\circ(P + \Pi) - RTx_{\text{s}} = \mu^\circ(P), ou seja, vmΠ=RTxsv_{\text{m}}\Pi = RTx_{\text{s}}, Π=cRT\Pi = cRT. (b) 27bar27\,\mathrm{bar}. (c) ΠV=2.7MJ=0.75kWh\Pi V = 2.7\,\mathrm{MJ} = 0.75\,\mathrm{kWh} por metro cúbico; as instalações reais gastam quatro vezes mais. (d) A água escoa para o potencial menor: para dentro da célula rica em soluto, e para fora dela na salmoura.

Exercício 28.12 ★★★

A cadeia. Uma cadeia polimérica de NN elos de comprimento aa: o número de configurações com vetor entre extremidades de comprimento LL ao longo da tira vale ΩeL2/2Na2\Omega \propto \eu^{-L^2/2Na^2} (o passeio aleatório). (a) S(L)S(L) e, a UU fixo, a tensão f=TS/Lf = -T\,\partial S/\partial L. (b) A rigidez da cadeia e sua dependência com a temperatura. (c) N=1000N = 1000, a=0.5nma = 0.5\,\mathrm{nm}, 300K300\,\mathrm{K}, L=10nmL = 10\,\mathrm{nm}: ff; quantas cadeias em paralelo dão 30N30\,\mathrm{N}? (d) Estime o módulo de Young de uma borracha com 102610^{26} cadeias por metro cúbico, cada uma de N=100N = 100.

Solução

Solução de Exercício 28.12.

(a) S=S0kBL2/2Na2S = S_0 - k_BL^2/2Na^2; f=kBTL/Na2f = k_BTL/Na^2. (b) kBT/Na2Tk_BT/Na^2 \propto T. (c) 1.7×1013N1.7 \times 10^{-13}\,\mathrm{N}; 1.8×10141.8 \times 10^{14}. (d) EnkBT0.4MPaE \sim nk_BT \approx 0.4\,\mathrm{MPa}.

28.7 Problema: o elástico e o diagrama de fases da água

Problema 28.1

Problema de fim de semana — a entropia que puxa, e as fases que competem

Parte I — O elástico. Uma tira de massa 2g2\,\mathrm{g} (capacidade térmica 4J/K4\,\mathrm{J}/\mathrm{K}) tem a tensão f=CT(LL0)f = CT(L - L_0) com C=1N/m/KC = 1\,\mathrm{N}/\mathrm{m}/\mathrm{K}; a 300K300\,\mathrm{K} e LL0=0.1mL - L_0 = 0.1\,\mathrm{m}, f=30Nf = 30\,\mathrm{N}.

  1. Escreva  ⁣dU\dd U e  ⁣dF\dd F para a tira ( ⁣dU=T ⁣dS+f ⁣dL\dd U = T\dd S + f\dd L).
  2. Deduza a relação de Maxwell (S/L)T=(f/T)L(\partial S/\partial L)_T = -(\partial f/\partial T)_L.
  3. Mostre que (U/L)T=0(\partial U/\partial L)_T = 0 para esta tira: o que isso significa?
  4. Estiramento isotérmico de L0L_0 a L0+0.1mL_0 + 0.1\,\mathrm{m} a 300K300\,\mathrm{K}: ΔS\Delta S, calor QQ, trabalho WW; verifique ΔU=0\Delta U = 0.
  5. O mesmo estiramento feito adiabaticamente: variação de temperatura.
  6. A tira sustenta um peso fixo; ela é aquecida de 30K30\,\mathrm{K}: novo LL0L - L_0. Descreva o “motor de borracha” (uma roda com raios de borracha aquecidos de um lado).
  7. Uma cadeia de NN elos de comprimento aa tem ΩeL2/2Na2\Omega \propto \eu^{-L^2/2Na^2}: S(L)S(L) e f(L,T)f(L,T); por que a rigidez cresce com TT?
  8. N=1000N = 1000, a=0.5nma = 0.5\,\mathrm{nm}, L=10nmL = 10\,\mathrm{nm}, 300K300\,\mathrm{K}: ff para uma cadeia e o número de cadeias para 30N30\,\mathrm{N}.
  9. Por que uma mola de aço se comporta ao contrário (tensão que cai com TT a comprimento fixo)?

Parte II — O diagrama de fases da água. Dados: Lfus=334kJ/kgL_{\text{fus}} = 334\,\mathrm{kJ}/\mathrm{kg}, vgelo=1.091×103m3/kgv_{\text{gelo}} = 1.091 \times 10^{-3}\,\mathrm{m}^{3}/\mathrm{kg}, vliq=1.000×103m3/kgv_{\text{liq}} = 1.000 \times 10^{-3}\,\mathrm{m}^{3}/\mathrm{kg}; Lvap=2.26MJ/kgL_{\text{vap}} = 2.26\,\mathrm{MJ}/\mathrm{kg} a 100C100\,{}^{\circ}\mathrm{C}, vvap=1.67m3/kgv_{\text{vap}} = 1.67\,\mathrm{m}^{3}/\mathrm{kg}; Lm=40.7kJ/molL_{\text{m}} = 40.7\,\mathrm{kJ}/\mathrm{mol}; ponto triplo 0.01C0.01\,{}^{\circ}\mathrm{C}, 611Pa611\,\mathrm{Pa}; ponto crítico 647K647\,\mathrm{K}, 221bar221\,\mathrm{bar}.

  1. Esboce g(T)g(T) para o gelo, o líquido e o vapor a 1bar1\,\mathrm{bar}; justifique a ordem das inclinações e localize as transições.
  2. Deduza a fórmula de Clapeyron a partir de g1=g2g_1 = g_2.
  3. Inclinação da curva de fusão; seu sinal, e por que ele é incomum.
  4. Um patinador: 700N700\,\mathrm{N} sobre 1cm21\,\mathrm{cm}^{2}: variação do ponto de fusão; conclua sobre a explicação popular da patinação.
  5. Sob 3km3\,\mathrm{km} de gelo (ρ=917kg/m3\rho = 917\,\mathrm{kg}/\mathrm{m}^{3}): pressão e ponto de fusão; consequência para o manto de gelo.
  6. Inclinação da curva de vaporização a 100C100\,{}^{\circ}\mathrm{C}; ponto de ebulição a 0.7bar0.7\,\mathrm{bar} e a 2bar2\,\mathrm{bar}.
  7. Integre Clausius–Clapeyron com um vapor perfeito e LmL_{\text{m}} constante; PsatP_{\text{sat}} a 20C20\,{}^{\circ}\mathrm{C} e no ponto triplo; comente a exatidão.
  8. No ponto triplo, compare as inclinações das curvas de sublimação e de vaporização (Lsub=Lfus+LvapL_{\text{sub}} = L_{\text{fus}} + L_{\text{vap}}).
  9. Água super-resfriada a 10C-10\,{}^{\circ}\mathrm{C}: gliqggelog_{\text{liq}} - g_{\text{gelo}}; por que as gotículas das nuvens podem ficar líquidas até 40C-40\,{}^{\circ}\mathrm{C}?
  10. O que acontece com Δv\Delta v, LL e a inclinação no ponto crítico; o que é um fluido supercrítico?

Parte III — Aplicações.

  1. Explique a construção das áreas iguais de Maxwell numa isoterma de van der Waals a partir da continuidade de gg.
  2. A água superaquecida num micro-ondas “explode”: que ramo da isoterma, e por que o perigo?
  3. Liofilização: descreva o caminho no diagrama (P,T)(P,T) e por que a água sai sem fundir.
  4. Por que um prato com água evapora a 20C20\,{}^{\circ}\mathrm{C} em ar seco e para em ar saturado — em termos de potenciais químicos?
  5. Uma panela de pressão a 2bar2\,\mathrm{bar}: por que a comida cozinha tão mais depressa (a velocidade da química praticamente dobra a cada 10K10\,\mathrm{K})?
  6. Resuma: que potencial para que vínculo, e o que as relações de Maxwell trazem.
Solução

Solução de Problema 28.1.

1.  ⁣dU=T ⁣dS+f ⁣dL\dd U = T\dd S + f\dd L;  ⁣dF=S ⁣dT+f ⁣dL\dd F = -S\dd T + f\dd L.

2. Schwarz aplicado a  ⁣dF\dd F.

3. fTTf=CT(LL0)CT(LL0)=0f - T\partial_Tf = CT(L - L_0) - CT(L - L_0) = 0: a energia não muda; a força de retorno é entrópica.

4. ΔS=5×103J/K\Delta S = -5 \times 10^{-3}\,\mathrm{J}/\mathrm{K}; Q=1.5JQ = -1.5\,\mathrm{J}; W=+1.5JW = +1.5\,\mathrm{J}; soma nula.

5. +0.4K+0.4\,\mathrm{K}.

6. LL01/TL - L_0 \propto 1/T: 9.1cm9.1\,\mathrm{cm}, uma contração de 9mm9\,\mathrm{mm}; os raios aquecidos encurtam, o centro de massa do aro se desloca e a roda gira.

7. S=S0kBL2/2Na2S = S_0 - k_BL^2/2Na^2; f=kBTL/Na2f = k_BTL/Na^2; a penalidade de entropia é paga em kBTk_BT.

8. 1.7×1013N1.7 \times 10^{-13}\,\mathrm{N}; 1.8×10141.8 \times 10^{14} cadeias.

9. Sua força é energética (LU0\partial_LU \ne 0); aquecer amolece as ligações, de modo que ff cai com TT.

10. Inclinações s-s, com sgas>sliq>sgelos_{\text{gas}} > s_{\text{liq}} > s_{\text{gelo}}; a linha mais baixa é a fase estável; cruzamentos em TfusT_{\text{fus}} e TvapT_{\text{vap}}.

11. Teorema 28.12.

12. 1.3×107Pa/K-1.3 \times 10^{7}\,\mathrm{Pa}/\mathrm{K}; negativa porque vliq<vgelov_{\text{liq}} < v_{\text{gelo}}.

13. 70bar70\,\mathrm{bar}: 0.5K-0.5\,\mathrm{K} — não é assim que se patina a 10C-10\,{}^{\circ}\mathrm{C}; o atrito e a camada superficial quase líquida é que fazem isso.

14. 270bar270\,\mathrm{bar}, 2K-2\,\mathrm{K}: com o fluxo geotérmico, a base funde e o manto desliza.

15. 3.6kPa/K3.6\,\mathrm{kPa}/\mathrm{K}; 92C92\,{}^{\circ}\mathrm{C}; cerca de 127C127\,{}^{\circ}\mathrm{C} (120120\, de fato).

16. 28mbar28\,\mathrm{mbar} (2323\,), 820Pa820\,\mathrm{Pa} (611611\,): LL cresce quando TT cai; erros de 202030%30\%.

17. O mesmo Δv\Delta v, de modo que a razão das inclinações vale Lsub/Lvap=1.15L_{\text{sub}}/L_{\text{vap}} = 1.15: a curva de sublimação é mais íngreme — um bico no ponto triplo.

18. 12kJ/kg12\,\mathrm{kJ}/\mathrm{kg}; o gelo precisa nuclear, e um núcleo pequeno custa mais energia de superfície do que ganha: as gotículas puras esperam, até 40C-40\,{}^{\circ}\mathrm{C}.

19. Δv0\Delta v \to 0, L0L \to 0, com razão finita: a curva termina; além dele, um único fluido que passa continuamente de um estado tipo líquido a um tipo gás.

20.  ⁣dg=v ⁣dP\dd g = v\,\dd P a TT fixo; gg igual nas duas extremidades da horizontal: v ⁣dP=0\int v\,\dd P = 0, áreas iguais.

21. O ramo do líquido superaquecido: nenhum núcleo de bolha numa xícara lisa; uma perturbação o faz ferver de uma vez.

22. Congelar, bombear abaixo de 611Pa611\,\mathrm{Pa}, aquecer suavemente: o caminho cruza a curva de sublimação, nunca a de fusão; a estrutura é preservada.

23. μv(p)<μliq\mu_{\text{v}}(p) < \mu_{\text{liq}} quando p<psatp < p_{\text{sat}}; iguais na saturação.

24. 120C120\,{}^{\circ}\mathrm{C} em vez de 100100\,: quatro vezes mais depressa.

25. SS para o isolado, FF para T,VT,V fixos, GG para T,PT,P fixos; ΔF-\Delta F, ΔG-\Delta G são o trabalho recuperável; as relações de Maxwell transformam derivadas de SS na equação de estado.

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