Toque num trilho de metal e num banco de madeira na mesma manhã fria: o trilho parece mais frio, embora um termômetro dê a ambos a mesma temperatura. Ponha uma panela no fogão e seu cabo esquenta só depois de um tempo; cave dois metros no verão e o solo ainda estará frio do inverno; um processador que dissipa cem watts num centímetro quadrado não derrete porque um bloco de alumínio com aletas está sobre ele. Tudo isso é condução do calor, o transporte de energia interna através da matéria pela agitação de suas moléculas, sem nenhum escoamento de matéria — e tudo isso obedece a uma lei, a de Fourier, e a uma equação, a equação do calor, que é a equação de difusão do capítulo anterior com a temperatura no lugar da densidade. Este capítulo monta a lei e a equação a partir de um balanço de energia, resolve-as nos casos que importam (paredes estacionárias e suas resistências térmicas, aquecimento periódico e a onda térmica, aletas de resfriamento), introduz a troca com um fluido (a lei de Newton e o número de Biot) e calcula a entropia que a condução cria — pois o calor só flui ladeira abaixo.
Um dissipador com aletas sobre um processador: cem watts conduzidos para fora de um centímetro quadrado de silício, espalhados por uma base metálica e entregues ao ar por aletas que multiplicam a superfície trinta vezes.
25.1 A lei de Fourier
Definição 25.1(Densidade de corrente de calor)
A densidade de corrente de calorjQ (em W/m2) é o vetor tal que a energia transferida por condução através de um elemento de superfície orientado dS durante dt vale jQ⋅dSdt; o fluxo térmico (uma potência, em watts) através de uma superfície S é Φ=∬SjQ⋅dS.
Teorema 25.2(Lei de Fourier)
Num meio em repouso cuja temperatura não é uniforme,
jQ=−λgradT,
onde a condutividade térmicaλ>0 (em W/m/K) depende do material e, fracamente, da temperatura. O calor desce o gradiente de temperatura, do quente para o frio — a segunda lei embutida numa lei linear.
Demonstração. Fenomenológica, como a lei de Fick, e com a mesma justificativa microscópica: as moléculas (ou os elétrons livres de um metal, ou as vibrações da rede) carregam sua energia num passeio aleatório, e mais dela vem do lado quente. ∎
Exemplo 25.3(Condutividades)
Metais (os elétrons carregam o calor tanto quanto a corrente — as condutividades acompanham uma à outra): cobre 400W/m/K, alumínio 240W/m/K, aço 50W/m/K. Sólidos isolantes: concreto 1.5W/m/K, vidro 1W/m/K, tijolo 0.8W/m/K, madeira 0.15W/m/K. Líquidos: água 0.6W/m/K. Gases: ar 0.026W/m/K — e os melhores isolantes, lã de vidro ou espuma a 0.04W/m/K, são em sua maior parte ar parado, aprisionado para que não possa convectar. Quatro ordens de grandeza do cobre ao ar.
25.2 O balanço de energia e a equação do calor
Teorema 25.4(Balanço local de energia)
Num sólido (ou num fluido em repouso) de massa volúmica ρ e calor específico c, com uma potência p liberada por unidade de volume (efeito Joule, uma reação química ou nuclear, radiação absorvida),
ρc∂t∂T=−divjQ+p,em uma dimensa˜oρc∂t∂T=−∂x∂jQ+p.
Demonstração. Primeiro princípio para a fatia entre x e x+dx (seção S, volume fixo, logo sem trabalho): sua energia interna ρcTSdx varia em dt pelo calor recebido, [jQ(x)−jQ(x+dx)]Sdt=−∂xjQdxSdt, mais pSdxdt. Em três dimensões o calor que entra num volume fixo através de sua superfície fechada vale −∬jQ⋅dS=−∭divjQdτ. ∎
Teorema 25.5(Equação do calor)
Para λ, ρ, c uniformes,
∂t∂T=aΔT+ρcp,a=ρcλ(a difusividade teˊrmica, em m2/s).
Vale tudo o que se disse da equação de difusão: linearidade, irreversibilidade, suavização, e as escalas L∼at, t∼L2/a.
Demonstração. Insira a lei de Fourier no balanço: ρc∂tT=λΔT+p. ∎
Exemplo 25.6(Difusividades e tempos)
Cobre a=1.1×10−4m2/s, ar 2×10−5m2/s, concreto e tijolo ≈5×10−7m2/s, água 1.4×10−7m2/s, madeira 1×10−7m2/s. O calor atravessa um centímetro de cobre num segundo, um centímetro de tijolo em três minutos, uma parede de 20cm num dia (razão pela qual paredes espessas suavizam o ciclo dia–noite), a meia espessura de 1.5cm de um bife em um quarto de hora (os tempos de cozimento variam com o quadrado da espessura), e um quilômetro de rocha em 1012s, trinta mil anos — a Terra ainda está esfriando desde sua formação.
25.3 Regime estacionário: resistências térmicas
Proposição 25.7(Resistência térmica de uma parede)
No regime estacionário sem fontes, uma parede de espessura e, área S e condutividade λ, entre as temperaturas T1 e T2, tem um perfil linear e transporta o fluxo
Φ=RthT1−T2,Rth=λSe(em K/W):
sua resistência térmica. A temperatura faz o papel do potencial, e o fluxo o da corrente: resistências em série (camadas de uma parede) se somam, resistências em paralelo (parede e janela) somam seus inversos. Para uma casca cilíndrica (o isolamento de uma tubulação) entre os raios r1<r2 e de comprimento ℓ, Rth=ln(r2/r1)/2πλℓ; para uma casca esférica, (1/r1−1/r2)/4πλ.
Demonstração.d2T/dx2=0: perfil afim, jQ=λ(T1−T2)/e uniforme, Φ=jQS. Em geometria cilíndrica Φ=−λ2πrℓdT/dr é o mesmo em todo r (não há acumulação), logo T=A−(Φ/2πλℓ)lnr; em geometria esférica, Φ=−4πr2λdT/dr dá T=A+Φ/4πλr. ∎
Proposição 25.8(Troca com um fluido: a lei de Newton)
Uma superfície sólida a Ts em contato com um fluido a Tf (longe da superfície) perde a densidade de fluxo
jQ=h(Ts−Tf),
onde o coeficiente de troca térmicah (em W/m2/K) resume a condução através da fina camada de fluido que adere à parede e a convecção que a renova: h≈5–25W/m2/K para o ar em convecção natural ou leve, 50–500W/m2/K para ar forçado, 103–104 para a água. A superfície acrescenta então uma resistência de película1/hS em série com a parede.
Demonstração. Fenomenológica: o movimento do fluido não é calculado, ele é resumido em h (medido, ou dado pelas correlações da mecânica dos fluidos). ∎
Uma parede composta e seu circuito térmico: película, tijolo, lã, película em série. À direita: o perfil de temperatura — quase toda a queda se dá através da camada de maior resistência, a lã, embora ela seja a mais fina.
Exemplo 25.9(Uma parede e uma janela)
Por metro quadrado: tijolo de 20cm a 0.8W/m/K, R=0.25m2K/W; as duas películas, 1/8+1/25=0.165m2K/W: total 0.415, ou seja, U=1/R=2.4W/m2/K e, para uma diferença de 20K, 48W/m2. Acrescente 10cm de lã de vidro, R=2.5m2K/W: o total é 2.9, U=0.34W/m2/K — sete vezes menos. Uma vidraça simples, 4mm a 1W/m/K, é toda película: R=0.004+0.165, U≈6W/m2/K; uma camada de 12mm de ar parado entre duas vidraças acrescenta 0.012/0.026=0.46m2K/W e divide a perda por mais de três.
Definição 25.10(Número de Biot)
Para um sólido de tamanho L que troca com um fluido, o número de Biot
Bi=λhL=resisteˆncia de pelıˊcula 1/hSresisteˆncia interna L/λS
compara as duas. Se Bi≪1 o sólido tem temperatura uniforme a cada instante e esfria como um todo, exponencialmente, com a constante de tempo τ=ρcV/hS; se Bi≫1 a superfície fica à temperatura do fluido e o interior conduz em seu próprio ritmo L2/a.
25.4 Aquecimento periódico: a onda térmica
Proposição 25.11(Onda térmica num semiespaço)
Se a superfície x=0 de um semiespaço é mantida a T(0,t)=T0+θ0cosωt, a temperatura no interior é, no regime estabelecido,
T(x,t)=T0+θ0e−x/δcos(ωt−δx),δ=ω2a:
uma onda que se propaga para dentro à velocidade ωδ=2aω e é amortecida ao longo de uma profundidade de penetraçãoδ por radiano de fase — de e−2π=2×10−3 por comprimento de onda. As oscilações rápidas penetram menos que as lentas.
Demonstração. Procure T=θ0ei(ωt−kx): iω=−ak2, logo k2=−iω/a, k=(1−i)ω/2a=(1−i)/δ (a raiz que decai para x>0). Tome a parte real. ∎
A onda térmica em três instantes: a oscilação da superfície penetra como uma onda amortecida, com a amplitude caindo como e−x/δ (tracejado) e a fase atrasada de x/δ — em x=πδ a temperatura é oposta à da superfície.
Exemplo 25.12(O solo, a adega e o vinho)
Solo, a≈5×10−7m2/s. Ciclo diário, ω=2π/86400s: δ=12cm — meio metro abaixo o dia desapareceu. Ciclo anual: δ=2.2m; nessa profundidade a variação de 10K entre verão e inverno cai a 3.7K e se atrasa de um radiano, dois meses: a adega é mais fria em março e mais quente em setembro, e a 5m ela está a 1K de ser constante — a adega que guarda o vinho. A mesma matemática dá a profundidade de penetração do eletromagnetismo (Capítulo 14): mesma equação, mesmo 2/(difusividade×ω).
25.5 Aletas
Proposição 25.13(A aleta de resfriamento)
Uma haste ou placa fina (seção S, perímetro p, condutividade λ) presa em x=0 a uma parede a T0, num fluido a Tf com o coeficiente h, tem a temperatura em excesso θ=T−Tf obedecendo a
dx2d2θ=m2θ,m=λShp;
para uma aleta longa, θ=θ0e−mx e a aleta evacua Φ=hpλSθ0 — tanto quanto uma superfície nua de comprimento λS/hp=1/m, com uma temperatura que caiu a θ0/e em x=1/m. Para uma aleta de comprimento finito L (ponta adiabática), θ=θ0coshm(L−x)/coshmL e sua eficiência — o fluxo dividido pelo de uma aleta isotérmica a θ0 — vale η=tanh(mL)/mL.
Demonstração. Balanço estacionário da fatia [x,x+dx]: conduzido para dentro, −λSθ′(x); para fora, −λSθ′(x+dx); perdido para o fluido, hpθdx: λSθ′′=hpθ. O fluxo na base é −λSθ′(0): λSmθ0 para a aleta longa, λSmθ0tanhmL para a finita, a comparar com hpLθ0. O número de Biot através da espessura da aleta, ht/λ, deve ser pequeno para o tratamento unidimensional. ∎
À esquerda: a temperatura ao longo de uma aleta, para uma aleta longa e duas finitas (ponta adiabática) — além de mx≈2 uma aleta acrescenta pouco. À direita: o balanço de uma fatia: condução ao longo dela, convecção para fora pelo perímetro.
Exemplo 25.14(Um dissipador)
Aletas de alumínio de 1mm de espessura (p/S≈2/t=2000m−1), 30mm de altura, em ar forçado com h=50W/m2/K: m=2h/λt=20m−1, mL=0.6, η=0.89 — as aletas trabalham a 89% de sua área. Trinta delas, com 60mm de largura, oferecem 0.11m2 onde o quadrado nu de 60mm oferecia 0.0036m2: uma resistência 1/ηhA=0.2K/W em vez de 5.6K/W; 100W elevam a base de 20K em vez de 560K. Aletas mais longas ganham pouco (a tanh satura), mais finas perdem eficiência: mL≈1 é o compromisso do engenheiro.
25.6 A entropia criada pela condução
Proposição 25.15(Produção de entropia)
Um fluxo Φ conduzido de um corpo a Th para um corpo a Tc<Th através de uma parede estacionária cria entropia à taxa
S˙c=Φ(Tc1−Th1)>0;
localmente, a condução cria σs=λ(gradT)2/T2≥0 por unidade de volume e de tempo — nula somente onde a temperatura é uniforme. A condução do calor é irreversível: a mesma energia, entregue a uma temperatura mais baixa, pode fornecer menos trabalho.
Demonstração. O estado da parede não muda, de modo que sua entropia é constante: o corpo quente perde Φ/Th por unidade de tempo, o frio ganha Φ/Tc; a diferença é criada. Localmente, o balanço de entropia ∂t(ρs)+div(jQ/T)=σs com ρT∂ts=−divjQ dá σs=jQ⋅grad(1/T)=−jQ⋅gradT/T2=λ(gradT)2/T2. ∎
Método 25.16(Estimativas de condução)
(1) Estacionário: monte o circuito térmico — paredes e/λS, películas 1/hS, cascas ln(r2/r1)/2πλℓ; série e paralelo. (2) Transitório: Bi=hL/λ; se pequeno, τ=ρcV/hS; se grande, t∼L2/a. (3) Periódico: δ=2a/ω, amortecimento e−x/δ, atraso x/δ. (4) Fontes: p por unidade de volume, perfis parabólicos. (5) Aletas: m=hp/λS, η=tanh(mL)/mL. (6) Entropia: Φ(1/Tc−1/Th).
25.7 Exercícios
Exercício 25.1★
Uma parede de tijolo de 20cm de espessura (λ=0.8W/m/K), de 100m2, entre 20∘C dentro e 0∘C fora (superfícies a essas temperaturas): densidade de fluxo, fluxo total; com 10cm de lã de vidro (0.04W/m/K) acrescentados.
Solução
Solução de Exercício 25.1.
j=λΔT/e=80W/m2; 8kW; com a lã R=0.25+2.5=2.75m2K/W: 7.3W/m2, 730W.
Exercício 25.2★
Difusividades: cobre (λ=400, ρ=8900, c=385J/kg/K), concreto (1.5, 2300, 900), madeira (0.15, 600, 2500). Tempos para o calor atravessar 1cm e 20cm de cada um; a crosta de 30km da Terra.
Solução
Solução de Exercício 25.2.
a: 1.2×10−4m2/s, 7×10−7m2/s, 1×10−7m2/s. 1cm: 0.9s, 140s, 1000s; 20cm: 6min, 15h, 5dias; crosta (a∼1×10−6m2/s): 1015s, trinta milhões de anos.
Exercício 25.3★
Vidro simples (4mm, λ=1W/m/K) com películas hi=8, ho=25W/m2/K; vidro duplo com uma camada de 12mm de ar parado (0.026W/m/K): valores de U e fluxos para 20K. Por que o vidro duplo real é cerca de duas vezes pior que esta estimativa, e o que fazem o argônio e os revestimentos de baixa emissividade?
Solução
Solução de Exercício 25.3.
Simples: R=0.169, U=5.9W/m2/K, 118W/m2; duplo: R=0.63, U=1.6W/m2/K, 32W/m2. A folga convecta e as vidraças trocam por radiação (cerca de metade da transferência real); o argônio conduz menos e convecta menos, e um revestimento de baixa emissividade suprime a radiação.
Exercício 25.4★
Cozimento: a=1.4×10−7m2/s para a carne. Tempo para o centro de um bife de 3cm sentir a frigideira; de um assado de 12cm. Um peru duas vezes mais pesado: quanto mais tempo (a dimensão varia com a raiz cúbica da massa)?
Solução
Solução de Exercício 25.4.
L2/a com a meia espessura: 27min; assado: 16×, 7h; t∝L2∝m2/3: ×1.6.
Exercício 25.5★★
Fonte interna. Um cilindro de raio R libera p por unidade de volume; superfície a Ts. (a) Mostre que T(r)=Ts+p(R2−r2)/4λ. (b) Fio de cobre, R=1mm, j=1×107A/m2, γ=6×107S/m: p e a diferença entre o centro e a superfície. (c) Vareta de combustível nuclear, R=5mm, p=3×108W/m3, λ=3W/m/K: mesma pergunta. (d) Comente.
Solução
Solução de Exercício 25.5.
(a) (rT′)′/r=−p/λ com T′(0)=0. (b) p=j2/γ=1.7×106W/m3; pR2/4λ=1×10−3K. (c) 625K. (d) Um fio é isotérmico; o centro de uma pastilha de combustível fica centenas de kelvins acima de sua superfície — a densidade de potência de um reator é limitada pela condução no combustível.
Exercício 25.6★★
O solo. (a) Deduza δ=2a/ω. (b) Solo, a=5×10−7m2/s: profundidades de penetração diária e anual. (c) Profundidade em que a amplitude anual é um décimo da da superfície; atraso de fase ali. (d) Um cano de água não deve congelar onde a temperatura da superfície no inverno cai a −10∘C em torno de uma média de 10∘C: profundidade mínima (onda anual).
Solução
Solução de Exercício 25.6.
(a) Proposição 25.11. (b) 12cm; 2.2m. (c) δln10=5.2m; atraso 2.3rad, 130 dias. (d) A amplitude de 20K deve cair pela metade: x=δln2=1.5m.
Exercício 25.7★★
Biot. (a) Esfera de cobre de raio 1cm, no ar (h=10W/m2/K): número de Biot, constante de tempo de seu resfriamento. (b) Uma batata (λ=0.5W/m/K, a=1.4×10−7m2/s, raio 3cm) num forno com h=20W/m2/K: número de Biot; que tempo governa seu cozimento? (c) Por que a esfera de um termopar é feita pequena? (d) Por que uma xícara de café esfria mais depressa quando mexida ou soprada — que resistência muda?
Solução
Solução de Exercício 25.7.
(a) Bi=hR/3λ≈10−4; τ=ρcR/3h=1100s. (b) Bi=1.2: nenhum dos dois limites; o tempo interno R2/a≈6000s governa. (c) R pequeno: τ minúsculo e número de Biot pequeno. (d) A resistência de película 1/h, a dominante, cai.
Exercício 25.8★★
Uma aleta. (a) Deduza θ′′=m2θ e a solução da aleta longa. (b) Aleta de alumínio de 1mm de espessura e 30mm de altura, em convecção natural com h=20W/m2/K: m, mL, eficiência. (c) Por que fator a aleta multiplica a área de troca de sua base, e o fluxo? (d) Por que uma aleta muito longa ou muito fina é um desperdício de metal?
Solução
Solução de Exercício 25.8.
(a) Proposição 25.13. (b) m=2h/λt=13m−1, mL=0.39, η=0.95. (c) Área ×2L/t=60, fluxo ×57. (d) Além de mL≈2 o comprimento extra está à temperatura do fluido; uma aleta mais fina tem m maior e eficiência menor.
Exercício 25.9★★
Tubulações. (a) Deduza a resistência de uma casca cilíndrica. (b) Uma tubulação de vapor, de raio externo 5cm a 150∘C, envolvida em 5cm de lã de vidro, com ar a 20∘C e h=10W/m2/K do lado de fora: perda por metro, comparada com a da tubulação nua. (c) Mostre que a resistência total do isolamento mais a película tem um mínimo no raio críticorc=λ/h. (d) Para um fio elétrico de raio 1mm com uma capa plástica (λ=0.2W/m/K), a capa esfria ou aquece o cobre?
Solução
Solução de Exercício 25.9.
(a) Proposição 25.7. (b) Lã ln2/2πλ=2.76Km/W, película externa 1/2πr2h=0.16: 45W/m; nua, 2πr1hΔT=410W/m. (c) d/dr[ln(r/r1)/2πλ+1/2πhr]=0 em r=λ/h. (d) rc=2cm>1mm: a capa aumenta a perda — ela esfria o cobre.
Exercício 25.10★★★
Entropia. A parede do Exercício 25.1 (nua) entre 293K e 273K. (a) Entropia criada por segundo. (b) Calcule ∫σsdV com o perfil linear e verifique que concorda. (c) Entropia criada uma vez isolada. (d) O trabalho que uma máquina reversível poderia ter extraído dos 8kW entre essas temperaturas, e o que resta dele depois da parede.
Solução
Solução de Exercício 25.10.
(a) 8000(1/273−1/293)=2.0W/K. (b) σs=λT′2/T2 com T′=100K/m; ∫σsdx=λT′(1/Tc−1/Th)=j(1/Tc−1/Th); vezes 100m2: o mesmo. (c) 0.18W/K. (d) Φ(1−Tc/Th)=550W; nada — o calor agora está a Tc (TcS˙c=550W).
Exercício 25.11★★★
Por que o metal parece frio. (a) Para a onda térmica, calcule o fluxo na superfície jQ(0,t) e mostre que ele se adianta à temperatura da superfície de π/4, com a amplitude λρcωθ0. A grandeza b=λρc é a efusividade. (b) Dois semiespaços a T1 e T2 são postos em contato: admitindo que cada um segue então um perfil erfc com a temperatura de superfície comum Tc, e escrevendo a continuidade do fluxo no contato, mostre que Tc=(b1T1+b2T2)/(b1+b2). (c) Pele (b≈1000J/m2/K/s1/2, 33∘C) tocando cobre (b=37000) ou madeira (b=400) a 20∘C: temperaturas de contato. (d) Por que um piso de cerâmica parece mais frio que um tapete à mesma temperatura, e por que a sensação é apenas transitória?
Solução
Solução de Exercício 25.11.
(a) jQ(0,t)=−λ∂xT=λθ02/δcos(ωt+π/4)=λρcωθ0cos(ωt+π/4). (b) O fluxo de cada lado no contato vale bi∣Ti−Tc∣/πt; iguale: Tc=(b1T1+b2T2)/(b1+b2). (c) Cobre 20.3∘C, madeira 29∘C. (d) Cerâmica b≈1500, tapete ≈100; a fórmula vale enquanto os dois corpos parecerem semi-infinitos; assim que as frentes de calor alcançam a irrigação sanguínea e o outro lado do objeto, o regime estacionário depende do calor efetivamente fornecido.
Exercício 25.12★★★
Resfriar uma placa. Uma placa −L<x<L a T0 é mergulhada em t=0 num banho a Tf com h→∞. (a) Mostre que θ=T−Tf admite as soluções cos(knx)e−akn2t com kn=(2n+1)π/2L. (b) Desenvolva a condição inicial em série de Fourier sobre esses modos e escreva a solução completa. (c) Depois dos primeiros instantes, que modo sobrevive, e qual é a constante de tempo? (d) Tempo para o centro de um bife de 3cm (a=1.4×10−7m2/s) chegar a 1% do banho.
Solução
Solução de Exercício 25.12.
(a) Substitua; θ(±L)=0 dá cosknL=0. (b) an=4θ0(−1)n/(2n+1)π; θ=∑ancos(knx)e−akn2t. (c) n=0, τ=4L2/π2a. (d) τ=650s; centro (4/π)e−t/τ=0.01: t=4.8τ≈52min.
25.8 Problema: isolar uma casa, resfriar um processador
Problema 25.1
Problema de fim de semana — condução na escala de um edifício e de um chip
Dados: tijolo λ=0.8W/m/K, ρ=1800kg/m3, c=840J/kg/K; lã de vidro 0.04W/m/K; vidro 1W/m/K; ar parado 0.026W/m/K; alumínio 240W/m/K, ρ=2700kg/m3, c=900J/kg/K; silício 150W/m/K; pasta térmica 5W/m/K; solo a=5×10−7m2/s, λ=1W/m/K; películas hi=8, ho=25W/m2/K.
Parte I — A casa. Uma casa tem 100m2 de paredes (tijolo de 20cm) e 20m2 de janelas de vidro simples (4mm); dentro 20∘C, fora 0∘C.
Resistência por metro quadrado apenas do tijolo; densidade de fluxo se suas faces estivessem às duas temperaturas.
Com as duas películas: R e U=1/R por metro quadrado; o mesmo com 10cm de lã de vidro acrescentados.
U do vidro simples; de um vidro duplo com 12mm de ar parado.
Perda total da casa antes e depois de isolar as paredes e duplicar as janelas.
Ao longo de uma temporada de aquecimento de 2500 graus-dia (a integral da diferença de temperatura ao longo da temporada, em Kdia), energia perdida antes e depois, em quilowatt-horas.
Temperatura da face interna da parede, nua e isolada; por que uma parede fria é desconfortável e cria mofo?
Tempo de difusão através do tijolo; o que ele faz com o ciclo dia–noite?
Profundidade em que a variação diária cai a 1%; amplitude anual a 2.2m e a 5m para uma variação de 10K na superfície.
Atraso de fase a 2.2m, em dias: quando a adega é mais fria?
Fluxo de calor na superfície devido à onda anual (amplitude e fase); compare sua amplitude com o fluxo geotérmico de 0.06W/m2.
O gradiente geotérmico vale 30K/km: confira-o contra o fluxo e λ, e explique por que ele é invisível nas estações da adega.
Parte III — O processador. Um chip dissipa 100W numa pastilha de 1cm2 e 0.5mm de espessura; uma camada de 50µm de pasta sobre 10cm2 o une a um dissipador de alumínio: base de 60mm×60mm×5mm, trinta aletas de 60mm de largura, 30mm de altura e 1mm de espessura; um ventilador dá h=50W/m2/K; ambiente a 25∘C.
Densidade de fluxo através da pastilha; resistência da pastilha.
Resistência da pasta; e se uma folga de ar de 50µm a substituísse.
Parâmetro de aleta m, mL, eficiência; verifique o número de Biot através da espessura da aleta.
Área total das aletas e resistência das aletas; resistência da base (condução através de 5mm); temperatura de junção.
O mesmo sem aletas (quadrado nu de 60mm): conclusão.
O ventilador para (h=10W/m2/K): temperatura de junção; o que faz o processador a 100∘C?
Massa e capacidade térmica do dissipador; sua constante de tempo RC; e a da pastilha sozinha (0.1g, 700J/kg/K).
Por que os bons dissipadores têm base de cobre ou tubos de calor?
Parte IV — Entropia.
Entropia criada por segundo pelo envelope nu da casa (questão 4) entre 293K e 273K; depois do isolamento.
Entropia criada pelos 100W do chip ao passarem da junção ao ambiente; e pela conversão do trabalho elétrico em calor na pastilha.
Mostre que, para uma parede, ∫σsdV=Φ(1/Tc−1/Th).
Resuma em cinco linhas o que governa uma parede, uma aleta, uma adega e um chip.
21. O calor deve se espalhar de 1cm2 para 36cm2: o cobre reduz essa resistência de espalhamento à metade; um tubo de calor transporta calor por evaporação e condensação, com uma condutividade efetiva cem vezes a do cobre.
22.7200(1/273−1/293)=1.8W/K; 0.33W/K.
23.100(1/298−1/324)=0.027W/K; 100/324=0.31W/K — dez vezes mais: transformar trabalho em calor é a grande irreversibilidade.
24.∫λT′2/T2dx=λT′[−1/T]=j(1/Tc−1/Th).
25. Parede: resistências em série, e o pior condutor manda. Aleta: m=hp/λS, mL≈1. Adega: δ=2a/ω, amortecimento e atraso juntos. Chip: uma cadeia de resistências da pastilha ao ar, com a área das aletas fazendo o trabalho. Em toda parte: o calor flui para baixo e cria entropia ao fazê-lo.