Physics · Livro 4 · Bachelor Year 2

Física universitária — 2.º ano

Física universitária — 2.º ano · Bachelor Year 2

6Ondas em cordas e barras: a equação de d’Alembert

Belisque a corda de um violão e uma forma corre por ela, bate no cavalete, volta e se acomoda no padrão estacionário cuja frequência você ouve como uma nota. Encoste o ouvido num trilho e você ouve o trem muito antes de ele chegar: uma compressão desce pelo aço a cinco quilômetros por segundo. O volume do Ano 1 descreveu essas ondas — progressivas, estacionárias, superpostas — sem dizer por que existem. Este capítulo deduz a equação que as governa, a equação de onda de d’Alembert, primeiro para o movimento transversal de uma corda, depois para o movimento longitudinal de uma barra construída, átomo a átomo, de massas e molas; ele calcula a energia que uma onda transporta e a impedância que decide o que acontece quando ela encontra uma mudança de meio.

6.1 A corda vibrante

Teorema 6.1 (Equação de onda de uma corda)

Uma corda de massa linear μ\mu, esticada com tração TT, faz pequenos deslocamentos transversais y(x,t)y(x, t) (inclinações xy1|\partial_xy| \ll 1). Então

2yt2=c22yx2,c=Tμ,\frac{\partial^2y}{\partial t^2} = c^2\,\frac{\partial^2y}{\partial x^2} , \qquad c = \sqrt{\frac{T}{\mu}} ,

a equação de d’Alembert, cuja solução geral é y=f(xct)+g(x+ct)y = f(x - ct) + g(x + ct): a superposição de uma forma que viaja para a direita e outra que viaja para a esquerda com celeridade cc, sem se deformar.

Demonstração. Isole o elemento entre xx e x+ ⁣dxx + \dd x, de massa μ ⁣dx\mu\,\dd x. Seus vizinhos o puxam ao longo da tangente à corda com a tração TT: horizontalmente TcosθTT\cos\theta \approx T nas duas pontas (não há movimento horizontal, de modo que TT é a mesma ao longo de tudo), verticalmente TsinθTxyT\sin\theta \approx T\partial_xy, o que dá a força resultante T[xy(x+ ⁣dx)xy(x)]=Tx2y ⁣dxT[\partial_xy(x + \dd x) - \partial_xy(x)] = T\,\partial_x^2y\,\dd x. Newton: μ ⁣dxt2y=Tx2y ⁣dx\mu\,\dd x\,\partial_t^2y = T\partial_x^2y\,\dd x. Para a solução, ponha u=xctu = x - ct, v=x+ctv = x + ct: a equação torna-se uvy=0\partial_u\partial_vy = 0 (regra da cadeia), de modo que vy\partial_vy só depende de vv, e y=f(u)+g(v)y = f(u) + g(v); reciprocamente, todo yy dessa forma a satisfaz. A gravidade, desprezada, é legítima quando TμgLT \gg \mu gL.

À esquerda: as forças sobre um elemento de corda — as duas trações não são paralelas quando a corda está curvada, e sua resultante é transversal. À direita: uma forma f(x - ct) viaja para a direita a c sem se deformar.
À esquerda: as forças sobre um elemento de corda — as duas trações não são paralelas quando a corda está curvada, e sua resultante é transversal. À direita: uma forma f(xct)f(x - ct) viaja para a direita a cc sem se deformar.

Exemplo 6.2 (Violão, piano, cabo)

A corda mi grave de um violão (μ=5.5g/m\mu = 5.5\,\mathrm{g}/\mathrm{m}, comprimento 0.65m0.65\,\mathrm{m}, 82.4Hz82.4\,\mathrm{Hz}) vibra em seu fundamental com λ=2L\lambda = 2L: c=2Lf=107m/sc = 2Lf = 107\,\mathrm{m}/\mathrm{s} e T=μc2=63NT = \mu c^2 = 63\,\mathrm{N}. A corda lá4_4 de um piano (aço, 1mm1\,\mathrm{mm}, μ=6.1g/m\mu = 6.1\,\mathrm{g}/\mathrm{m}, 0.38m0.38\,\mathrm{m}, 440Hz440\,\mathrm{Hz}): c=334m/sc = 334\,\mathrm{m}/\mathrm{s}, T=680NT = 680\,\mathrm{N} — e há cerca de 230230 cordas num piano, vinte toneladas de tração sobre uma placa de ferro fundido. Um cabo de 1kg/m1\,\mathrm{kg}/\mathrm{m} a 10kN10\,\mathrm{kN}: 100m/s100\,\mathrm{m}/\mathrm{s}.

6.2 Ondas estacionárias e modos

Proposição 6.3 (Modos de uma corda fixa nas duas pontas)

Uma corda fixa em x=0x = 0 e x=Lx = L admite as soluções senoidais estacionárias (modos próprios)

yn(x,t)=AnsinnπxLcos(ωntφn),fn=ωn2π=nc2L=nf1,n=1,2,3,y_n(x, t) = A_n\sin\frac{n\pi x}{L}\cos(\omega_nt - \varphi_n) , \qquad f_n = \frac{\omega_n}{2\pi} = n\,\frac{c}{2L} = n f_1 , \quad n = 1, 2, 3, \dots

— o fundamental f1=c/2Lf_1 = c/2L e seus harmônicos. O modo nn tem n1n - 1 nós entre as extremidades. Todo movimento da corda é uma superposição y=nyny = \sum_ny_n, com as amplitudes e as fases fixadas pela forma e pela velocidade iniciais (uma série de Fourier, como o volume de matemática deste ano estabelece): a mistura de harmônicos é o timbre da nota.

Demonstração. Procure y=F(x)cos(ωtφ)y = F(x)\cos(\omega t - \varphi): F+(ω/c)2F=0F'' + (\omega/c)^2F = 0, e F(0)=0F(0) = 0F=Asin(ωx/c)F = A\sin(\omega x/c), enquanto F(L)=0F(L) = 0 exige ωL/c=nπ\omega L/c = n\pi. Cada modo é também a soma de duas ondas progressivas: sinkxcosωt=12[sin(kxωt)+sin(kx+ωt)]\sin kx\cos\omega t = \tfrac12[\sin(kx - \omega t) + \sin(kx + \omega t)] — a onda e sua reflexão. A completude dos senos é o teorema de Fourier.

À esquerda: os três primeiros modos de uma corda fixa nas duas pontas (f_n = nc/2L). À direita: uma corda pinçada no meio (triângulo) e os primeiros termos de sua série de Fourier — só aparecem harmônicos ímpares, com amplitudes que caem como 1/n2. À esquerda: os três primeiros modos de uma corda fixa nas duas pontas (f_n = nc/2L). À direita: uma corda pinçada no meio (triângulo) e os primeiros termos de sua série de Fourier — só aparecem harmônicos ímpares, com amplitudes que caem como 1/n2.
À esquerda: os três primeiros modos de uma corda fixa nas duas pontas (fn=nc/2Lf_n = nc/2L). À direita: uma corda pinçada no meio (triângulo) e os primeiros termos de sua série de Fourier — só aparecem harmônicos ímpares, com amplitudes que caem como 1/n21/n^2.

Exemplo 6.4 (A experiência de Melde)

Uma corda excitada numa ponta por um vibrador de frequência ff, com a outra ponta passando por uma polia até uma massa mm pendurada (de modo que T=mgT = mg): uma grande onda estacionária aparece sempre que ff é igual a um dos fn=(n/2L)mg/μf_n = (n/2L) \sqrt{mg/\mu} — ressonância do modo nn. Para L=1.2mL = 1.2\,\mathrm{m}, μ=1.0g/m\mu = 1.0\,\mathrm{g}/\mathrm{m} e f=50Hzf = 50\,\mathrm{Hz}, as massas que dão n=1,2,3n = 1, 2, 3 ventres são mn=4L2f2μ/n2g=1.47/n2m_n = 4L^2f^2\mu/n^2g = 1.47/n^2 kg: 1.47kg1.47\,\mathrm{kg}, 367g367\,\mathrm{g}, 163g163\,\mathrm{g}. Apertar a corda de um violão no décimo segundo traste reduz LL à metade e dobra f1f_1: a oitava; tocá-la de leve no meio, sem apertar, mata os modos ímpares e deixa o segundo harmônico — o harmônico natural.

6.3 Energia, potência e impedância

Proposição 6.5 (Energia de uma onda numa corda)

Uma corda transporta a energia por unidade de comprimento e a potência (fluxo de energia no sentido +x+x)

e=12μ(yt)2+12T(yx)2,P=Tyxyt,e = \tfrac12\mu\Bigl(\frac{\partial y}{\partial t}\Bigr)^2 + \tfrac12T\Bigl(\frac{\partial y}{\partial x}\Bigr)^2 , \qquad \mathcal P = -T\,\frac{\partial y}{\partial x}\,\frac{\partial y}{\partial t} ,

que obedecem ao balanço local te+xP=0\partial_te + \partial_x\mathcal P = 0. Para uma onda progressiva y=f(xct)y = f(x - ct), as densidades cinética e potencial são iguais e P=Z(ty)2\mathcal P = Z\,(\partial_ty)^2 com

Z=Tμ=μc=Tc,Z = \sqrt{T\mu} = \mu c = \frac Tc ,

a impedância da corda (kg/s\mathrm{kg}/\mathrm{s}): a razão entre a força transversal Txy-T\partial_xy exercida pela corda sobre o que está adiante e a velocidade transversal ty\partial_ty. Uma onda senoidal de amplitude AA transporta a potência média P=12Zω2A2\langle\mathcal P\rangle = \tfrac12Z\omega^2A^2.

Demonstração. O termo potencial é o trabalho da tração ao esticar o elemento: seu comprimento vale

 ⁣dx1+(xy)2 ⁣dx(1+12(xy)2),\dd x\sqrt{1 + (\partial_xy)^2} \approx \dd x\bigl(1 + \tfrac12(\partial_xy)^2\bigr) ,

de modo que o excesso de comprimento vezes TT12T(xy)2 ⁣dx\tfrac12T(\partial_xy)^2\dd x. A potência transmitida através de xx no sentido +x+x é a força transversal exercida pela parte esquerda sobre a direita, Txy-T\partial_xy, vezes a velocidade ty\partial_ty. Balanço:

te=μtyt2y+Txyxty,xP=Tx2yty+Txyxty,\partial_te = \mu\,\partial_ty\,\partial_t^2y + T\,\partial_xy\,\partial_x\partial_ty , \qquad -\partial_x\mathcal P = T\,\partial_x^2y\,\partial_ty + T\,\partial_xy\,\partial_x\partial_ty ,

iguais pela equação de onda. Para f(xct)f(x - ct): xy=ty/c\partial_xy = -\partial_ty/c, logo P=(T/c)(ty)2\mathcal P = (T/c) (\partial_ty)^2 e as duas densidades valem 12μ(ty)2\tfrac12\mu(\partial_ty)^2.

Proposição 6.6 (Reflexão e transmissão numa junção)

Uma onda de amplitude AiA_i chega, vinda de uma corda de impedância Z1Z_1, a uma corda de impedância Z2Z_2 unida a ela em x=0x = 0. A continuidade do deslocamento e da força transversal na junção dá os coeficientes de amplitude

r=ArAi=Z1Z2Z1+Z2,t=AtAi=2Z1Z1+Z2,r = \frac{A_r}{A_i} = \frac{Z_1 - Z_2}{Z_1 + Z_2} , \qquad t = \frac{A_t}{A_i} = \frac{2Z_1}{Z_1 + Z_2} ,

e as frações de energia R=r2R = r^2, T=4Z1Z2/(Z1+Z2)2\mathcal T = 4Z_1Z_2/(Z_1 + Z_2)^2, com R+T=1R + \mathcal T = 1. Uma extremidade fixa (Z2Z_2 \to \infty) reflete com r=1r = -1 (o pulso volta invertido), uma extremidade livre (Z2=0Z_2 = 0) com r=+1r = +1; impedâncias iguais transmitem tudo.

Demonstração. Ondas senoidais y1=Aicos(ωtk1x)+Arcos(ωt+k1x)y_1 = A_i\cos(\omega t - k_1x) + A_r\cos(\omega t + k_1x) para x<0x < 0, y2=Atcos(ωtk2x)y_2 = A_t\cos(\omega t - k_2x) para x>0x > 0, com o mesmo ω\omega dos dois lados. Em x=0x = 0: y1=y2y_1 = y_2Ai+Ar=AtA_i + A_r = A_t; a força Txy-T\partial_xy contínua (junção sem massa) dá Z1(AiAr)=Z2AtZ_1(A_i - A_r) = Z_2A_t (usando T1k1=Z1ωT_1k_1 = Z_1\omega). Resolva. Energias: as potências médias 12Zω2A2\tfrac12Z\omega^2A^2.

Um pulso encontra uma junção com uma corda mais pesada (Z_2 = 4Z_1): uma parte é transmitida, mais lenta e mais estreita, outra é refletida invertida.
Um pulso encontra uma junção com uma corda mais pesada (Z2=4Z1Z_2 = 4Z_1): uma parte é transmitida, mais lenta e mais estreita, outra é refletida invertida.

6.4 Da cadeia de átomos à barra elástica

Proposição 6.7 (A cadeia de átomos; o módulo de Young)

Uma fila de massas idênticas mm separadas por aa e ligadas por molas de rigidez kk: se un(t)u_n(t) é o deslocamento da massa nn ao longo da fila,

mu¨n=k(un+1un)k(unun1)=k(un+12un+un1).m\ddot u_n = k(u_{n+1} - u_n) - k(u_n - u_{n-1}) = k(u_{n+1} - 2u_n + u_{n-1}) .

Quando o deslocamento varia lentamente de uma massa à seguinte (em comprimentos de onda λa\lambda \gg a), un(t)u(x,t)u_n(t) \to u(x, t) com un±1un±axu+12a2x2uu_{n\pm1} - u_n \approx \pm a\,\partial_xu + \tfrac12a^2\partial_x^2u, e a cadeia obedece à equação de d’Alembert

2ut2=c22ux2,c=akm=Eρ,\frac{\partial^2u}{\partial t^2} = c^2\frac{\partial^2u}{\partial x^2} , \qquad c = a\sqrt{\frac km} = \sqrt{\frac{E}{\rho}} ,

com ρ=m/a3\rho = m/a^3 a massa específica de um sólido feito dessas cadeias num arranjo cúbico e E=k/aE = k/a seu módulo de Young: a rigidez de uma barra de seção SS e comprimento \ell vale kS/a2a/=ES/kS/a^2\cdot a/\ell = ES/\ell, ou seja, a lei de Hooke F/S=EΔ/F/S = E\,\Delta\ell/\ell (tensão σ=Eε\sigma = E\varepsilon).

Demonstração. Cada mola é esticada pela diferença dos deslocamentos de suas pontas. Insira as expansões de Taylor: mt2u=ka2x2um\partial_t^2u = ka^2\partial_x^2u. Um cubo de lado aa por átomo dá ρ=m/a3\rho = m/a^3; uma barra de seção SS contém S/a2S/a^2 cadeias paralelas de /a\ell/a molas em série, de rigidez total (S/a2)(ka/)=(k/a)S/(S/a^2)(ka/\ell) = (k/a)S/\ell.

Proposição 6.8 (Ondas longitudinais numa barra)

Diretamente no contínuo: um elemento de barra entre xx e x+ ⁣dxx + \dd x, deslocado de u(x,t)u(x, t), sofre a deformação ε=xu\varepsilon = \partial_xu e é puxado pela tensão σ=Exu\sigma = E\partial_xu em cada face; Newton dá ρt2u=Ex2u\rho\,\partial_t^2u = E\,\partial_x^2u: as ondas longitudinais (de compressão) viajam a c=E/ρc = \sqrt{E/\rho}5100m/s5100\,\mathrm{m}/\mathrm{s} no aço (E=200GPaE = 200\,\mathrm{GPa}), 5000m/s5000\,\mathrm{m}/\mathrm{s} no alumínio, 3700m/s3700\,\mathrm{m}/\mathrm{s} no granito, 3500m/s3500\,\mathrm{m}/\mathrm{s} na madeira ao longo das fibras. A impedância vale Z=ρc=EρZ = \rho c = \sqrt{E\rho} por unidade de área, e as mesmas fórmulas de junção se aplicam — é assim que o ultrassom encontra uma trinca num trilho.

Demonstração. Força resultante sobre o elemento: S[σ(x+ ⁣dx)σ(x)]=SEx2u ⁣dxS[\sigma(x + \dd x) - \sigma(x)] = SE\partial_x^2u\,\dd x; massa ρS ⁣dx\rho S\dd x.

À esquerda: a cadeia de massas e molas — cada massa sente as duas molas que a cercam, e o limite contínuo é a equação de onda com c = a√k/m. À direita: um elemento de barra elástica puxado pela tensão em suas duas faces.
À esquerda: a cadeia de massas e molas — cada massa sente as duas molas que a cercam, e o limite contínuo é a equação de onda com c=ak/mc = a\sqrt{k/m}. À direita: um elemento de barra elástica puxado pela tensão em suas duas faces.

Observação 6.9 (O que a cadeia sabe e a barra não)

Procurar un=Acos(ωtkna)u_n = A\cos(\omega t - kna) na equação exata da cadeia dá ω=2k/msin(ka/2)\omega = 2\sqrt{k/m}\,|\sin(ka/2)|: para ka1ka \ll 1 isso é ω=ck\omega = ck, a equação de onda não dispersiva, mas quando o comprimento de onda se aproxima de 2a2a a frequência satura em 2k/m2\sqrt{k/m} e as velocidades de fase e de grupo diferem — a primeira relação de dispersão deste volume, o assunto do Capítulo 8. Para a=0.25nma = 0.25\,\mathrm{nm} e c=5km/sc = 5\,\mathrm{km}/\mathrm{s} o corte fica em ωmax=2c/a=4×1013rad/s\omega_{\max} = 2c/a = 4 \times 10^{13}\,\mathrm{rad}/\mathrm{s} (6THz6\,\mathrm{THz}): o sólido não pode vibrar mais rápido do que as molas de seus átomos permitem.

6.5 Exercícios

Exercício 6.1

A corda lá de um violão (110Hz110\,\mathrm{Hz}, L=65cmL = 65\,\mathrm{cm}, μ=3.0g/m\mu = 3.0\,\mathrm{g}/\mathrm{m}): celeridade das ondas, tração, comprimento de onda do fundamental na corda e do som no ar; frequência quando a corda é apertada no quinto traste (LL reduzido por um fator 25/122^{-5/12}).

Solução

Solução de Exercício 6.1.

c=2Lf=143m/sc = 2Lf = 143\,\mathrm{m}/\mathrm{s}; T=μc2=61NT = \mu c^2 = 61\,\mathrm{N}; λ=2L=1.3m\lambda = 2L = 1.3\,\mathrm{m} na corda, 340/110=3.1m340/110 = 3.1\,\mathrm{m} no ar; no quinto traste: 110×25/12=147Hz110 \times 2^{5/12} = 147\,\mathrm{Hz}.

Exercício 6.2

Celeridade das ondas longitudinais no aço (E=200GPaE = 200\,\mathrm{GPa}, ρ=7800kg/m3\rho = 7800\,\mathrm{kg}/\mathrm{m}^{3}), no alumínio (70GPa70\,\mathrm{GPa}, 2700kg/m32700\,\mathrm{kg}/\mathrm{m}^{3}) e no chumbo (16GPa16\,\mathrm{GPa}, 11300kg/m311\,300\,\mathrm{kg}/\mathrm{m}^{3}). Tempo que um som leva para percorrer 1.0km1.0\,\mathrm{km} por um trilho e pelo ar (340m/s340\,\mathrm{m}/\mathrm{s}); o que ouve quem encosta o ouvido no trilho.

Solução

Solução de Exercício 6.2.

E/ρ\sqrt{E/\rho}: aço 5.1km/s5.1\,\mathrm{km}/\mathrm{s}, alumínio 5.1km/s5.1\,\mathrm{km}/\mathrm{s}, chumbo 1.2km/s1.2\,\mathrm{km}/\mathrm{s}. Em 1km1\,\mathrm{km}: 0.20s0.20\,\mathrm{s} pelo trilho, 2.9s2.9\,\mathrm{s} pelo ar — dois sons, primeiro o do trilho, separados por 2.7s2.7\,\mathrm{s}.

Exercício 6.3

Uma corda de fundamental 200Hz200\,\mathrm{Hz}: frequências e número de nós dos modos 2, 3 e 4; posições dos nós do modo 3; frequência do fundamental se a tração dobra, se o comprimento cai à metade, se a corda é trocada por outra três vezes mais pesada por metro.

Solução

Solução de Exercício 6.3.

400400, 600600 e 800800 Hz, com 11, 22 e 33 nós interiores; os nós do modo 3 ficam em L/3L/3 e 2L/32L/3. Com T×2T \times 2: 2002=283Hz200\sqrt2 = 283\,\mathrm{Hz}; com L/2L/2: 400Hz400\,\mathrm{Hz}; com μ×3\mu \times 3: 200/3=115Hz200/\sqrt3 = 115\,\mathrm{Hz}.

Exercício 6.4

Uma corda de 12m12\,\mathrm{m} (μ=0.20kg/m\mu = 0.20\,\mathrm{kg}/\mathrm{m}) é tracionada com 45N45\,\mathrm{N}; uma ponta está presa a uma parede. Um pulso é enviado da outra ponta. Celeridade; tempo para chegar à parede e voltar; forma do pulso que volta; o mesmo se a ponta distante estiver amarrada a um anel leve que desliza livremente num mastro.

Solução

Solução de Exercício 6.4.

c=45/0.2=15m/sc = \sqrt{45/0.2} = 15\,\mathrm{m}/\mathrm{s}; 24m24\,\mathrm{m} em 1.6s1.6\,\mathrm{s}; o pulso volta invertido (r=1r = -1); com o anel livre, volta direito (r=+1r = +1).

Exercício 6.5 ★★

Uma corda de piano para 440Hz440\,\mathrm{Hz}: aço (ρ=7800kg/m3\rho = 7800\,\mathrm{kg}/\mathrm{m}^{3}), diâmetro 1.0mm1.0\,\mathrm{mm}, comprimento vibrante 38cm38\,\mathrm{cm}. (a) μ\mu, celeridade das ondas, tração. (b) Tensão no fio; compare com a resistência do fio de piano, cerca de 2GPa2\,\mathrm{GPa}. (c) A mesma nota com um fio de 0.5mm0.5\,\mathrm{mm}: tração e tensão. (d) Por que as cordas graves são encapadas com cobre, em vez de feitas mais longas ou mais grossas?

Solução

Solução de Exercício 6.5.

(a) μ=ρπd2/4=6.1g/m\mu = \rho\pi d^2/4 = 6.1\,\mathrm{g}/\mathrm{m}; c=2Lf=334m/sc = 2Lf = 334\,\mathrm{m}/\mathrm{s}; T=μc2=690NT = \mu c^2 = 690\,\mathrm{N}. (b) σ=T/A=ρc2=0.87GPa\sigma = T/A = \rho c^2 = 0.87\,\mathrm{GPa}, margem 2.32.3. (c) T/4=170NT/4 = 170\,\mathrm{N}, a mesma tensão (ela só depende de ρc2\rho c^2). (d) Uma corda longa não cabe na caixa; um fio liso e grosso é rígido demais (muito inarmônico) e difícil de dobrar sobre o cavalete; o encapamento de cobre acrescenta massa sem rigidez.

Exercício 6.6 ★★

Melde. Uma corda de 1.5m1.5\,\mathrm{m} (μ=2.0g/m\mu = 2.0\,\mathrm{g}/\mathrm{m}) é excitada a 60Hz60\,\mathrm{Hz}; sua tração é fixada por uma massa pendurada. (a) Massas que dão 11, 22, 33 e 44 ventres. (b) Com 0.50kg0.50\,\mathrm{kg}: há ressonância? Qual o modo mais próximo. (c) A ponta excitada é de fato um nó ou um ventre? (d) Por que os ventres ficam tão grandes na ressonância, e o que os limita?

Solução

Solução de Exercício 6.6.

(a) mn=4L2f2μ/n2g=6.6/n2m_n = 4L^2f^2\mu/n^2g = 6.6/n^2 kg: 6.66.6, 1.651.65, 0.730.73 e 0.41kg0.41\,\mathrm{kg}. (b) n2=13.2n^2 = 13.2, n=3.6n = 3.6: não há ressonância, fica entre os modos 3 e 4 (o mais próximo é o 4, 0.41kg0.41\,\mathrm{kg}). (c) Praticamente um nó: a amplitude do excitador é minúscula comparada à dos ventres. (d) A energia é injetada em fase a cada período e se acumula; o amortecimento (ar, atrito interno, fuga pela polia) limita a amplitude.

Exercício 6.7 ★★

Uma onda y=Acos(ωtkx)y = A\cos(\omega t - kx) com A=2.0mmA = 2.0\,\mathrm{mm}, f=100Hzf = 100\,\mathrm{Hz} viaja numa corda (T=100NT = 100\,\mathrm{N}, μ=10g/m\mu = 10\,\mathrm{g}/\mathrm{m}). Celeridade, kk, comprimento de onda; velocidade e aceleração transversais máximas de um ponto; inclinação máxima; impedância; potência média transportada; energia contida em um comprimento de onda.

Solução

Solução de Exercício 6.7.

c=100m/sc = 100\,\mathrm{m}/\mathrm{s}, k=6.3rad/mk = 6.3\,\mathrm{rad}/\mathrm{m}, λ=1.0m\lambda = 1.0\,\mathrm{m}; vmax=ωA=1.3m/sv_{\max} = \omega A = 1.3\,\mathrm{m}/\mathrm{s}, amax=ω2A=790m/s2a_{\max} = \omega^2A = 790\,\mathrm{m}/\mathrm{s}^{2}; inclinação kA=0.013kA = 0.013; Z=Tμ=1.0kg/sZ = \sqrt{T\mu} = 1.0\,\mathrm{kg}/\mathrm{s}; P=12Zω2A2=0.79W\langle\mathcal P\rangle = \tfrac12Z\omega^2A^2 = 0.79\,\mathrm{W}; por comprimento de onda, P/f=7.9mJ\mathcal P/f = 7.9\,\mathrm{mJ}.

Exercício 6.8 ★★

Uma corda de μ1=2.0g/m\mu_1 = 2.0\,\mathrm{g}/\mathrm{m} é amarrada a outra de μ2=8.0g/m\mu_2 = 8.0\,\mathrm{g}/\mathrm{m}, ambas sob 20N20\,\mathrm{N}. (a) Celeridades e impedâncias. (b) Coeficientes de reflexão e de transmissão em amplitude para uma onda vinda da corda leve; e vinda da corda pesada. (c) Frações de energia nos dois casos; verifique que somam um. (d) Um pulso de 1cm1\,\mathrm{cm} de altura e 10cm10\,\mathrm{cm} de largura chega pela corda leve: altura e largura dos pulsos transmitido e refletido.

Solução

Solução de Exercício 6.8.

(a) c1=100m/sc_1 = 100\,\mathrm{m}/\mathrm{s}, c2=50m/sc_2 = 50\,\mathrm{m}/\mathrm{s}; Z1=0.20kg/sZ_1 = 0.20\,\mathrm{kg}/\mathrm{s}, Z2=0.40kg/sZ_2 = 0.40\,\mathrm{kg}/\mathrm{s}. (b) Vindo da corda leve: r=1/3r = -1/3, t=2/3t = 2/3; vindo da pesada: r=+1/3r = +1/3, t=4/3t = 4/3. (c) R=1/9R = 1/9, T=4×0.08/0.36=8/9\mathcal T = 4 \times 0.08/0.36 = 8/9 nos dois casos. (d) Transmitido: 0.67cm0.67\,\mathrm{cm} de altura e 5cm5\,\mathrm{cm} de largura (mesma duração, metade da celeridade); refletido: 0.33cm-0.33\,\mathrm{cm}, 10cm10\,\mathrm{cm}.

Exercício 6.9 ★★

Um fio de aço de 2.0m2.0\,\mathrm{m} e diâmetro 1.0mm1.0\,\mathrm{mm} se alonga 1.0mm1.0\,\mathrm{mm} sob 80N80\,\mathrm{N}. (a) Módulo de Young. (b) Celeridade das ondas longitudinais. (c) Frequência fundamental da vibração longitudinal do fio quando ele é engastado nas duas pontas, e da sua vibração transversal sob aquela tração; por que são tão diferentes? (d) Rigidez kk e massa mm de um "átomo" no modelo da cadeia, para a=0.25nma = 0.25\,\mathrm{nm}.

Solução

Solução de Exercício 6.9.

(a) E=F/AΔ=80×2/(7.85×107×103)=2.0×1011PaE = F\ell/A\Delta\ell = 80 \times 2/(7.85 \times 10^{-7} \times 10^{-3}) = 2.0 \times 10^{11}\,\mathrm{Pa}. (b) c=5.1km/sc = 5.1\,\mathrm{km}/\mathrm{s}. (c) Longitudinal: c/2=1.3kHzc/2\ell = 1.3\,\mathrm{kHz}; transversal: T/μ=114m/s\sqrt{T/\mu} = 114\,\mathrm{m}/\mathrm{s}, f=29Hzf = 29\,\mathrm{Hz} — a tração submete o fio a 100MPa100\,\mathrm{MPa}, 5×1045 \times 10^{-4} de EE, de modo que a celeridade transversal vale 5×104\sqrt{5 \times 10^{-4}} da longitudinal. (d) k=Ea=50N/mk = Ea = 50\,\mathrm{N}/\mathrm{m}; m=ρa3=1.2×1025kgm = \rho a^3 = 1.2 \times 10^{-25}\,\mathrm{kg} (cerca de 7070 unidades de massa atômica).

Exercício 6.10 ★★★

A corda pinçada. Uma corda fixa em 00 e LL é puxada de lado em x=L/2x = L/2 até a altura hh (forma triangular) e solta em repouso. (a) Escreva a solução como nbnsin(nπx/L)cos(ωnt)\sum_nb_n\sin(n\pi x/L)\cos(\omega_nt) e mostre que bn=8hn2π2sinnπ2b_n = \dfrac{8h}{n^2\pi^2}\sin\dfrac{n\pi}2. (b) Que harmônicos estão ausentes, e por quê? (c) Energia do modo nn (En=14μLωn2bn2E_n = \tfrac14\mu L\omega_n^2b_n^2); fração do total no fundamental. (d) A corda é pinçada em L/5L/5: que harmônicos se anulam? Por que um violonista belisca perto do cavalete para obter um som mais brilhante?

Solução

Solução de Exercício 6.10.

(a) bn=2L0Ly(x,0)sin(nπx/L) ⁣dxb_n = \frac2L\int_0^Ly(x, 0)\sin(n\pi x/L)\dd x com o triângulo y=2hx/Ly = 2hx/L em [0,L/2][0, L/2] (e simétrico): integre por partes, bn=8hsin(nπ/2)/n2π2b_n = 8h\sin(n\pi/2) /n^2\pi^2. (b) Os nn pares se anulam: o ponto médio, que é nó de todo modo par, é justamente o ponto puxado. (c) En=14μLωn2bn2n2/n4=1/n2E_n = \tfrac14\mu L\omega_n^2b_n^2 \propto n^2/n^4 = 1/n^2 (nn ímpar): o fundamental fica com 1/ıˊmparn2=8/π2=81%1/\sum_{\text{ímpar}}n^{-2} = 8/\pi^2 = 81\%. (d) bnsin(nπ/5)/n2b_n \propto \sin(n\pi/5)/n^2: anulam-se n=5,10,n = 5, 10, \dots. Perto do cavalete o fator sin(nπx0/L)\sin(n\pi x_0/L) é pequeno para os modos baixos e continua crescendo para os altos: proporcionalmente mais harmônicos agudos, um som mais brilhante.

Exercício 6.11 ★★★

Dispersão da cadeia. (a) Insira un=Acos(ωtkna)u_n = A\cos(\omega t - kna) na equação da cadeia e deduza ω(k)=2ω0sin(ka/2)\omega(k) = 2\omega_0|\sin(ka/2)|, com ω0=k/m\omega_0 = \sqrt{k/m}. (b) Velocidade de fase ω/k\omega/k e velocidade de grupo  ⁣dω/ ⁣dk\dd\omega/\dd k; seu limite comum para ka0ka \to 0; seus valores em ka=πka = \pi. (c) Com que aspecto fica a onda em ka=πka = \pi? Por que não existe onda de comprimento de onda menor que 2a2a? (d) Para o aço (c=5.1km/sc = 5.1\,\mathrm{km}/\mathrm{s}, a=0.25nma = 0.25\,\mathrm{nm}): ω0\omega_0, a frequência máxima e o comprimento de onda de um ultrassom de 1MHz1\,\mathrm{MHz} — ele é dispersivo?

Solução

Solução de Exercício 6.11.

(a) mω2=k(2coska2)=4ksin2(ka/2)-m\omega^2 = k(2\cos ka - 2) = -4k\sin^2(ka/2). (b) vφ=2ω0sin(ka/2)/kv_\varphi = 2\omega_0\sin(ka/2) /k, vg=ω0acos(ka/2)v_g = \omega_0a\cos(ka/2); ambas ω0a=c\to \omega_0a = c quando ka0ka \to 0; em ka=πka = \pi: vφ=2c/πv_\varphi = 2c/\pi, vg=0v_g = 0. (c) Os vizinhos se movem em oposição de fase: uma onda estacionária que nada transporta; um kk além de π/a\pi/a dá o mesmo conjunto de deslocamentos que algum k=k2π/ak' = k - 2\pi/a — nenhuma onda nova. (d) ω0=c/a=2.0×1013rad/s\omega_0 = c/a = 2.0 \times 10^{13}\,\mathrm{rad}/\mathrm{s}, fmax=ω0/π=6.5THzf_{\max} = \omega_0/\pi = 6.5\,\mathrm{THz}; a 1MHz1\,\mathrm{MHz}: λ=5.1mm=2×107a\lambda = 5.1\,\mathrm{mm} = 2 \times 10^7a, ka3×107ka \sim 3 \times 10^{-7}: perfeitamente não dispersivo.

Exercício 6.12 ★★★

Corda pendurada, chicote que estala. (a) Uma corda uniforme de comprimento LL pende do teto: tração à altura xx acima da ponta livre; celeridade local das ondas c(x)c(x). (b) Tempo que um pulso leva de baixo até em cima; valor para L=10mL = 10\,\mathrm{m}; por que a forma do pulso muda. (c) Um chicote afina, com μ\mu decrescendo rumo à ponta, a tração ficando (quase) constante durante o golpe: como a celeridade varia ao longo dele? (d) Admitindo que a energia do pulso se conserva e que sua duração permanece constante, mostre que a amplitude de sua velocidade transversal cresce como μ1/4\mu^{-1/4} e estime a celeridade da ponta de um chicote cujo μ\mu cai por um fator 10410^4 do cabo à ponta, se a mão imprime 10m/s10\,\mathrm{m}/\mathrm{s}. (O estalo é um estrondo sônico.)

Solução

Solução de Exercício 6.12.

(a) T(x)=μgxT(x) = \mu gx, c=gxc = \sqrt{gx}. (b) t=0L ⁣dx/gx=2L/g=2.0st = \int_0^L\dd x/\sqrt{gx} = 2\sqrt{L/g} = 2.0\,\mathrm{s}; a parte de cima de um pulso anda mais rápido que a de baixo: ele se estica. (c) c=T/μc = \sqrt{T/\mu} cresce rumo à ponta. (d) Energia Pτ=ZV2τ=TμV2τ\approx \mathcal P\tau = ZV^2\tau = \sqrt{T\mu}V^2\tau constante: Vμ1/4V \propto \mu^{-1/4}; um fator 10410^4 em μ\mu×10\times10: 100m/s100\,\mathrm{m}/\mathrm{s} — um chicote real ganha o resto com a alça que se desenrola, que concentra ainda mais a energia, e a ponta ultrapassa a velocidade do som.

Por dentro de um piano de cauda: cerca de duzentas cordas de aço de comprimento e espessura graduados, cada uma afinada por sua tração a um fundamental c/2L; as cordas graves são encapadas com cobre para ganhar massa.
Por dentro de um piano de cauda: cerca de duzentas cordas de aço de comprimento e espessura graduados, cada uma afinada por sua tração a um fundamental c/2Lc/2L; as cordas graves são encapadas com cobre para ganhar massa.

6.6 Problema: O piano, do martelo ao tampo harmônico

Problema 6.1

Problema de fim de semana — uma corda de piano desmontada: sua tração e sua rigidez, o golpe do martelo e os harmônicos que ele cria, o cavalete que escoa sua energia para o tampo harmônico, e um trilho que carrega a mesma equação

Parte I — A corda. A corda lá4_4 de um piano (440Hz440\,\mathrm{Hz}): aço, E=200GPaE = 200\,\mathrm{GPa}, ρ=7800kg/m3\rho = 7800\,\mathrm{kg}/\mathrm{m}^{3}, diâmetro d=1.0mmd = 1.0\,\mathrm{mm}, comprimento vibrante L=38cmL = 38\,\mathrm{cm}. Cada nota acima do registro grave tem três cordas dessas; o piano tem 230230 cordas.

  1. Massa linear, celeridade das ondas e tração da corda.
  2. Tensão de tração no fio; o fio rompe a 2.0GPa2.0\,\mathrm{GPa}: a margem de segurança, e por que a última volta do afinador é a perigosa.
  3. Estime a tração total sobre a placa, supondo todas as cordas na mesma tração.
  4. A corda mais grave (lá0_0, 27.5Hz27.5\,\mathrm{Hz}) tem 1.9m1.9\,\mathrm{m}; se ela fosse um fio de aço liso à mesma tração, de que μ\mu e de que diâmetro precisaria? Ela é, na verdade, um núcleo de aço encapado com cobre: explique.
  5. Modos da corda lá4_4: frequências dos oito primeiros harmônicos; quais deles ficam num intervalo consonante com o fundamental (oitava, quinta, quarta, terça maior) e quais não?
  6. A corda vibra em seu fundamental com amplitude de 0.50mm0.50\,\mathrm{mm} no ventre: energia armazenada (a energia de um modo vale 14μLω2A2\tfrac14\mu L\omega^2A^2).
  7. Escreva o fundamental como soma de duas ondas progressivas; dê a amplitude de cada uma e a potência média que cada uma transporta.

Parte II — O martelo. O martelo golpeia a corda em x0=L/8x_0 = L/8, dando-lhe, em t=0t = 0, uma velocidade v0v_0 num trecho curto de largura ww em torno de x0x_0 e nenhum deslocamento.

  1. Escreva a solução geral y=nBnsin(nπx/L)sin(ωnt)y = \sum_nB_n\sin(n\pi x/L)\sin(\omega_nt) e mostre, usando a ortogonalidade dos senos, que Bn=2Lωn0Ly˙(x,0)sinnπxL ⁣dxB_n = \dfrac{2}{L\omega_n}\int_0^L\dot y(x, 0)\sin\dfrac{n\pi x}L\,\dd x.
  2. Para um golpe estreito (wL/nw \ll L/n), mostre que Bn2v0wLωnsinnπx0LB_n \approx \dfrac{2v_0w} {L\omega_n}\sin\dfrac{n\pi x_0}{L}.
  3. Que harmônicos estão ausentes para x0=L/8x_0 = L/8? Por que os fabricantes de piano golpeiam entre L/7L/7 e L/8L/8 (veja a questão 5)?
  4. Descreva o movimento na imagem das ondas progressivas: o que parte do ponto golpeado, o que acontece nas extremidades e ao cabo de que tempo o estado inicial se repete.
  5. Uma corda real é ligeiramente rígida: seus modos são fn=nf11+Bn2f_n = nf_1 \sqrt{1 + Bn^2} com B=π3Ed4/(64TL2)B = \pi^3Ed^4/(64TL^2) (admitido). Calcule BB e o quanto o oitavo harmônico fica agudo, em por cento e em cents (1cent1\,\mathrm{cent} = uma razão de frequências 21/12002^{1/1200}).
  6. Por que os afinadores de piano "esticam" as oitavas (afinam as notas agudas um pouco mais altas)?

Parte III — O cavalete e o tampo harmônico. A corda passa por um cavalete colado ao tampo harmônico; o tampo comporta-se, no cavalete, como uma corda de impedância Zb=2000kg/sZ_b = 2000\,\mathrm{kg}/\mathrm{s}.

  1. Impedância ZsZ_s da corda; coeficiente de reflexão em amplitude no cavalete.
  2. Fração da energia da onda transmitida ao tampo a cada reflexão.
  3. Número de reflexões por segundo no cavalete; deduza a constante de tempo do decaimento da energia e o tempo para o som cair 60dB60\,\mathrm{dB} (um fator 10610^6 em energia).
  4. Potência que escoa para o tampo logo após o golpe da questão 6; compare com a potência de uma conversa tranquila, cerca de 1×105W1 \times 10^{-5}\,\mathrm{W} de som.
  5. Por que uma corda sozinha é quase inaudível, e o que o tampo faz a respeito? (Pense na impedância do ar, ρc400kgm2s1\rho c \approx 400\,\mathrm{kg}\,\mathrm{m}^{-2}\,\mathrm{s}^{-1}, vista através de uma superfície pequena contra uma grande.)
  6. Com o abafador levantado, a corda lá3_3 (220Hz220\,\mathrm{Hz}) começa a soar quando se toca lá4_4: por quê?
  7. Um fabricante quer uma sustentação mais longa: ZbZ_b deve ser aumentada ou diminuída, e o que se perde com isso?

Parte IV — O trilho. Um trilho de aço (E=200GPaE = 200\,\mathrm{GPa}, ρ=7800kg/m3\rho = 7800\,\mathrm{kg}/\mathrm{m}^{3}, seção 70cm270\,\mathrm{cm}^{2}).

  1. Celeridade das ondas de compressão; tempo para o som de um trem percorrer 5km5\,\mathrm{km} pelo trilho e pelo ar.
  2. Uma martelada envia um pulso de compressão por um trecho de trilho de 25m25\,\mathrm{m} com extremidade livre: tempo do eco; o eco é uma compressão ou uma rarefação?
  3. Uma sonda ultrassônica de 2MHz2\,\mathrm{MHz} procura trincas: comprimento de onda no aço; coeficiente de reflexão em amplitude numa trinca aço–ar (impedância do ar 400kgm2s1400\,\mathrm{kg}\,\mathrm{m}^{-2}\,\mathrm{s}^{-1}); por que uma trinca fina é vista tão bem.
  4. Terremotos: na rocha, as ondas de compressão (P) viajam a 6.0km/s6.0\,\mathrm{km}/\mathrm{s} e as de cisalhamento (S) a 3.5km/s3.5\,\mathrm{km}/\mathrm{s}. Uma estação registra a onda S 20s20\,\mathrm{s} depois da onda P: distância até a fonte.
  5. Numa tabela, reúna as cinco celeridades de onda deste problema (corda, trilho, P na rocha, S na rocha, ar) com a rigidez e a inércia que fixam cada uma.
Solução

Solução de Problema 6.1.

1. μ=ρπd2/4=6.1g/m\mu = \rho\pi d^2/4 = 6.1\,\mathrm{g}/\mathrm{m}; c=2Lf=334m/sc = 2Lf = 334\,\mathrm{m}/\mathrm{s}; T=μc2=685NT = \mu c^2 = 685\,\mathrm{N}.

2. σ=ρc2=0.87GPa\sigma = \rho c^2 = 0.87\,\mathrm{GPa}: margem 2.32.3. Como Tf2T \propto f^2, um semitom acima acrescenta 12%12\%, e uma oitava acima quadruplica a tensão, 3.5GPa3.5\,\mathrm{GPa} — a corda arrebenta.

3. 230×685160kN230 \times 685 \approx 160\,\mathrm{kN}, dezesseis toneladas.

4. c=2Lf=105m/sc = 2Lf = 105\,\mathrm{m}/\mathrm{s}; a 685N685\,\mathrm{N}: μ=T/c2=63g/m\mu = T/c^2 = 63\,\mathrm{g}/\mathrm{m}, ou seja, uma vara de aço de 3.2mm3.2\,\mathrm{mm} — rígida demais para vibrar harmonicamente ou para dobrar sobre o cavalete; um núcleo fino encapado com cobre dá a massa sem a rigidez.

5. 440440, 880880, 13201320, 17601760, 22002200, 26402640, 30803080 e 3520Hz3520\,\mathrm{Hz}: 22, 44 e 88 são oitavas; 33 e 66, uma quinta acima de uma oitava; 55, uma terça maior justa acima de duas oitavas; 77 (3080/1760=1.753080/1760 = 1.75) é uma sétima menor abaixada — dissonante.

6. E=14μLω2A2=0.25×6.1×103×0.38×(2π×440)2×(5×104)2=1.1mJE = \tfrac14\mu L\omega^2A^2 = 0.25 \times 6.1 \times 10^{-3} \times 0.38 \times (2\pi \times 440)^2 \times (5 \times 10^{-4})^2 = 1.1\,\mathrm{mJ}.

7. Asinkxcosωt=12A[sin(kxωt)+sin(kx+ωt)]A\sin kx\cos\omega t = \tfrac12A[\sin(kx - \omega t) + \sin(kx + \omega t)]: duas ondas de amplitude 0.25mm0.25\,\mathrm{mm}; Z=μc=2.0kg/sZ = \mu c = 2.0\,\mathrm{kg}/\mathrm{s}; cada uma transporta 12Zω2(A/2)2=0.49W\tfrac12Z\omega^2(A/2)^2 = 0.49\,\mathrm{W}.

8. y˙(x,0)=nBnωnsin(nπx/L)\dot y(x, 0) = \sum_nB_n\omega_n\sin(n\pi x/L); multiplique por sin(mπx/L)\sin(m\pi x/L) e integre, usando 0Lsinsin=L2δmn\int_0^L\sin\sin = \tfrac L2\delta_{mn}.

9. O integrando é v0sin(nπx/L)v_0\sin(n\pi x/L) numa largura ww em torno de x0x_0, onde o seno é praticamente constante.

10. sin(nπ/8)=0\sin(n\pi/8) = 0 para n=8,16,n = 8, 16, \dots; e como Bn/B1=sin(nπ/8)/(nsin(π/8))B_n/B_1 = \sin(n\pi/8)/(n\sin(\pi/8)), o sétimo harmônico é reduzido a 1/71/7 do primeiro, ao passo que os consonantes de 22 a 66 guardam de 0.90.9 a 0.30.3: a sétima dissonante fica domada.

11. Dois pulsos de velocidade deixam o ponto golpeado em sentidos opostos, refletem-se invertidos nas extremidades, se cruzam e se recombinam; o estado inicial se repete depois de 2L/c=1/f1=2.3ms2L/c = 1/f_1 = 2.3\,\mathrm{ms}.

12. B=π3×2×1011×1012/(64×685×0.144)=9.8×104B = \pi^3 \times 2 \times 10^{11} \times 10^{-12}/(64 \times 685 \times 0.144) = 9.8 \times 10^{-4}; 1+64B=1.031\sqrt{1 + 64B} = 1.031: +3.1%+3.1\%, 1200log2(1.031)=531200\log_2(1.031) = 53 cents.

13. Os harmônicos de uma nota grave ficam acima dos múltiplos exatos; para fazê-los coincidir com os fundamentais das notas mais agudas (e evitar batimentos), afinam-se as agudas um pouco mais altas.

14. Zs=μc=2.0kg/sZ_s = \mu c = 2.0\,\mathrm{kg}/\mathrm{s}; r=(22000)/2002=0.998r = (2 - 2000)/2002 = -0.998.

15. 1r24Zs/Zb=4×1031 - r^2 \approx 4Z_s/Z_b = 4 \times 10^{-3}.

16. c/2L=440c/2L = 440 reflexões por segundo: taxa de decaimento 440×4×103=1.8s1440 \times 4 \times 10^{-3} = 1.8\,\mathrm{s}^{-1}, τ=0.56s\tau = 0.56\,\mathrm{s}; ln106/1.8=7.7s\ln10^6/1.8 = 7.7\,\mathrm{s} para 60dB60\,\mathrm{dB}.

17. 1.1mJ×1.8s1=2mW1.1\,\text{mJ} \times 1.8\,\text{s}^{-1} = 2\,\mathrm{mW} — duzentas vezes uma conversa tranquila; é isso que se ouve.

18. Um fio de 1mm1\,\mathrm{mm} quase não empurra ar: o ar escorrega em volta dele e sua potência irradiada é desprezível. O tampo recebe a energia da corda pelo cavalete e move ar num metro quadrado: um casamento de impedâncias por área.

19. 440Hz440\,\mathrm{Hz} é o segundo harmônico de lá3_3: o cavalete excita essa corda num de seus modos — ressonância simpática.

20. Aumentar ZbZ_b: menos energia escapa por reflexão, e a nota dura mais — e soa mais fraca.

21. c=5.1km/sc = 5.1\,\mathrm{km}/\mathrm{s}: 1.0s1.0\,\mathrm{s} pelo trilho, 15s15\,\mathrm{s} pelo ar.

22. 50/5064=10ms50/5064 = 10\,\mathrm{ms}; a tensão deve se anular numa extremidade livre: uma compressão volta como uma rarefação.

23. λ=2.5mm\lambda = 2.5\,\mathrm{mm}; Zac¸o=ρc=4×107kgm2s1Z_{\text{aço}} = \rho c = 4 \times 10^{7}\,\mathrm{kg}\,\mathrm{m}^{-2}\,\mathrm{s}^{-1} contra 400400: r1r \approx -1, reflexão total: qualquer trinca aberta, por mais fina que seja, devolve um eco.

24. Δt=d(1/3.51/6)=d×0.119s/km\Delta t = d(1/3.5 - 1/6) = d \times 0.119\,\mathrm{s}/\mathrm{km}: d=170kmd = 170\,\mathrm{km}.

25. Corda, 334m/s334\,\mathrm{m}/\mathrm{s} (TT, μ\mu); trilho, 5.1km/s5.1\,\mathrm{km}/\mathrm{s} (EE, ρ\rho); P na rocha, 6km/s6\,\mathrm{km}/\mathrm{s} (módulo de compressão, ρ\rho); S na rocha, 3.5km/s3.5\,\mathrm{km}/\mathrm{s} (módulo de cisalhamento, ρ\rho); ar, 340m/s340\,\mathrm{m}/\mathrm{s} (γP\gamma P, ρ\rho — próximo capítulo).