Acione o interruptor e a lâmpada acende no ato; e no entanto os elétrons no fio de cobre derivam em direção a ela a uma fração de milímetro por segundo, e levariam horas para chegar. Um raio conduz trinta mil ampères por um canal da largura de um dedo; o nervo que move esse dedo conduz picoampères. O volume do Ano 1 tratou as correntes como números em fios, I=U/R; este capítulo as descreve como um campo — uma densidade de corrente em cada ponto da matéria —, escreve a lei segundo a qual a carga nunca é criada nem destruída, e deduz a lei de Ohm do vaivém dos elétrons num metal: o quadro microscópico por trás do resistor, do fusível e do sensor Hall.
O cobre, o condutor do mundo elétrico: nos fios deste cabo cerca de 1029 elétrons por metro cúbico derivam a uma fração de milímetro por segundo.
10.1 Densidades de carga e de corrente
Definição 10.1(Densidade de carga; densidade de corrente)
Na escala mesoscópica, a matéria carrega uma densidade volumétrica de cargaρ(M,t) (C/m3): a carga ρdτ em dτ. Uma superfície pode carregar uma densidade superficialσ (C/m2), e um fio uma densidade linear λ (C/m). Se os portadores da espécie i (carga qi, densidade numérica ni) se movem com velocidade média vi, a densidade de corrente vale
j=i∑niqivi(A/m2),
e a intensidade através de uma superfície orientada S é o fluxo I=∬Sj⋅ndS: a carga que atravessa S por unidade de tempo. Para uma única espécie, j=ρmv com ρm=nq a densidade de carga móvel.
Demonstração. Em dt os portadores da espécie i que atravessam dS são os que estão no cilindro oblíquo de base dS e geratriz vidt: em número nivi⋅ndSdt, com carga qi vezes isso. ∎
Exemplo 10.2(Como os elétrons derivam devagar)
O cobre tem um elétron de condução por átomo: n=ρCuNA/M=8900×6.02×1023/0.0635=8.5×1028m−3. Uma corrente de 10A num fio de 1.5mm2 dá j=6.7×106A/m2, e a velocidade de deriva vale v=j/ne=6.7×106/(8.5×1028×1.6×10−19)=0.5mm/s — duas horas por metro. A lâmpada acende no ato porque o campo que empurra os elétrons se estabelece ao longo de todo o fio em nanossegundos (ele viaja quase à velocidade da luz, como mostrou o cabo do Capítulo 8): todos os elétrons partem juntos, como a água numa mangueira cheia.
À esquerda: um tubo de corrente — em regime estacionário a mesma intensidade atravessa toda seção. À direita: um elétron num metal ziguezagueia entre colisões a cerca de 106 m/s; o campo acrescenta uma lenta deriva, oposta a E, de uma fração de milímetro por segundo.
Exemplo 10.3(Ordens de grandeza)
Um raio, 30kA num canal de 1cm de raio: j≈1×108A/m2. Um fio doméstico: 106–107. Um feixe de elétrons num tubo de raios catódicos, 1mA em 1mm2: 103. Uma fibra nervosa, 1nA em 10µm2: 102. O feixe de um acelerador de partículas, 1A numa mancha de 0.1mm2: 107 — no vácuo, sem colisão alguma.
10.2 Conservação da carga
Teorema 10.4(Conservação local da carga)
Em cada ponto,
∂t∂ρ+divj=0;
integrada num volume fixo V limitado pela superfície fechada Σ, dQV/dt=−Isai: a carga interna só varia pelo que atravessa a fronteira. Num regime estacionário (∂tρ=0), divj=0: o fluxo de j se conserva ao longo de um tubo de corrente, a mesma intensidade atravessa toda seção de um fio e as correntes que entram num nó igualam as que saem (lei dos nós de Kirchhoff).
Demonstração. Palavra por palavra o balanço de massa de Teorema 2.8, com ρ a densidade de carga e j sua corrente: a saída líquida de carga pelas seis faces de uma caixa fixa, por unidade de volume, vale divj, e nenhuma carga é criada. A forma integral soma as caixas (as faces interiores se cancelam). Para um tubo entre duas seções S1, S2 sem fluxo lateral, I1=I2; um nó é um volume pequeno com vários fios: ∑Ient=∑Isai. ∎
Observação 10.5(Onde a corrente para: o capacitor)
Um fio que alimenta a placa de um capacitor é um tubo de corrente que termina: o fluxo de j para dentro da placa vale I=dQ/dt, e carga se acumula — divj=0 ali, e o regime não é estacionário. E, no entanto, a mesma corrente I circula no fio do outro lado: algo deve levar o balanço através do vão. O Capítulo 11 lhe dá nome — a corrente de deslocamento — e faz da conservação da carga a pedra angular das equações de Maxwell.
10.3 O modelo de Drude e a lei de Ohm
Proposição 10.6(Modelo de Drude; lei de Ohm local)
Modele os elétrons de condução de um metal como partículas livres (massa m, carga −e, densidade n) que sentem o campo E e, em média, perdem sua quantidade de movimento de deriva por colisões com a rede a cada τ segundos — uma força de atrito−mv/τ sobre a velocidade média:
mdtdv=−eE−τmv.
Num campo constante a deriva se estabelece, em alguns τ, em v=−eτE/m, e a densidade de corrente vale
j=γE,γ=mne2τ:
a lei de Ohm local, com γ a condutividade (S/m; seu inverso ρe=1/γ é a resistividade, Ωm). A razão μ=eτ/m entre a celeridade de deriva e o campo é a mobilidade (m2/(Vs)). Para um condutor de comprimento L e seção uniforme S percorrido por um j uniforme, integrar E=j/γ ao longo do comprimento dá U=EL=(L/γS)I: a resistência R=L/γS=ρeL/S do volume do Ano 1.
Demonstração. Com v=−eτE/m, j=−nev=(ne2τ/m)E. O transitório v(t)=v∞(1−e−t/τ) dura τ∼1×10−14s, instantâneo em qualquer escala de tempo de circuito. A resistência segue de ∫E⋅dl entre as extremidades. ∎
Exemplo 10.7(O cobre, a partir da condutividade medida)
Cobre: γ=6.0×107S/m, n=8.5×1028m−3: τ=mγ/ne2=9.1×10−31×6×107/(8.5×1028×2.56×10−38)=2.5×10−14s — vinte e cinco femtossegundos entre colisões. A celeridade aleatória dos elétrons num metal é de cerca de 1.6×106m/s (um efeito quântico, e não a térmica 3kBT/m≈1×105m/s), de modo que o livre caminho médio vale ℓ=vτ≈40nm, cem espaçamentos atômicos: os elétrons não colidem com os próprios átomos (um cristal perfeito é transparente para eles), mas com seus defeitos e com as vibrações térmicas — e é por isso que γ cai quando um metal é aquecido ou ligado. Mobilidade eτ/m=4.4×10−3m2/(Vs): 4mm/s por volt por metro.
Proposição 10.8(A lei de Ohm em alta frequência)
Para um campo senoidal Eeiωt a equação de Drude dá j=γ(ω)E com
γ(ω)=1+iωτγ0,γ0=mne2τ:
a condutividade é real e igual a seu valor em contínua enquanto ωτ≪1, ou seja, até cerca de 1×1013Hz no cobre — por toda a faixa de rádio e de micro-ondas; no infravermelho e no visível (ωτ≫1) ela se torna imaginária, γ≈ne2/imω: os elétrons oscilam livremente, fora de fase com o campo, e o metal se comporta como o plasma do Capítulo 14.
Demonstração.iωmv=−eE−mv/τ, donde v=−eτE/m(1+iωτ) e j=−nev. ∎
À esquerda: a condutividade de Drude em função de ωτ — real e constante em baixa frequência, imaginária além de 1/τ. À direita: o efeito Hall numa fita condutora — os portadores são empurrados de lado pelo campo, carregam as bordas, e o campo Hall transversal equilibra a força magnética.
A mesma lei j=∑niqiμiE vale para todo condutor; o que muda são n e μ. Metais: n∼1029, γ∼107 S/m. Semicondutores: n∼1016–1023, fixado pela dopagem e crescendo acentuadamente com a temperatura, com dois tipos de portadores (elétrons e lacunas) — donde os termistores e os diodos. Eletrólitos: íons de ambos os sinais, μ∼10−8–10−7 m2/(V s); água do mar γ≈5S/m, água de torneira 10−2, água pura 10−5. Isolantes (vidro, polímeros): γ≲10−12 S/m. O efeito Hall do volume do Ano 1, na forma local EH=−j∧B/nq, mede n e o sinal de q: no alumínio ou no zinco os portadores acabam sendo positivos — lacunas — e nenhum modelo clássico explica isso.
10.4 Energia: a lei de Joule local
Proposição 10.10(Lei de Joule local)
O campo elétrico entrega aos portadores, por unidade de volume e de tempo, a potência j⋅E; num condutor ôhmico ela vale
p=j⋅E=γE2=γj2(W/m3),
tudo isso convertido em calor pelas colisões (a energia cinética de deriva é desprezível e constante). Integrada num fio, ∫j2/γdτ=(L/γS)I2=RI2.
Demonstração. A força qE sobre cada portador trabalha à taxa qE⋅v; somada sobre os ndτ portadores: nqv⋅Edτ=j⋅Edτ (a força magnética não realiza trabalho). No regime permanente de Drude essa potência é igual à dissipada pelo termo de atrito, ou seja, transferida à rede. ∎
Exemplo 10.11(Um fio que aquece)
O fio de 1.5mm2 a 10A: p=j2/γ=(6.7×106)2/6×107=7.4×105W/m3, ou seja, 1.1W por metro — facilmente evacuados pelo ar em volta. Deixado por conta própria (sem resfriamento), o cobre (c=385J/(kgK), ρ=8900kg/m3) aqueceria a p/ρc=0.2K/s. A 100A no mesmo fio a taxa é cem vezes maior, 20K/s: ele funde em um minuto — o princípio do fusível, cujo fio fino é feito para fundir primeiro.
Proposição 10.12(Relaxação da carga num condutor)
Num condutor ôhmico uma densidade volumétrica de carga decai como ρ(t)=ρ0e−t/τr com
τr=γε0:
1.5×10−19s para o cobre, 2×10−12s para a água do mar, 10s para o vidro. Até frequências da ordem de 1/τr um condutor não carrega nenhuma carga em volume: todo excesso de carga corre para a superfície. A palavra "condutor" depende, portanto, da escala de tempo: a água do mar é condutora para ondas de rádio e isolante para a luz visível.
Demonstração. Conservação da carga com j=γE e a lei de Gauss na forma local, divE=ρ/ε0 (Capítulo 11): ∂tρ=−γdivE=−(γ/ε0)ρ. ∎
Método 10.13(Da lei local à lei integral)
Para achar a resistência de um condutor de forma qualquer: (1) use a simetria para escrever j (em regime estacionário seu fluxo se conserva, de modo que num tubo j× seção =I); (2) E=j/γ; (3) integre E ao longo de uma linha de um eletrodo ao outro: U=∫E⋅dl, e R=U/I; (4) confira com a potência Joule ∫j2/γdτ=RI2. Os mesmos passos dão a fuga de um cabo, a resistência do solo em torno de um para-raios ou a de um contato cônico.
10.5 Exercícios
Exercício 10.1★
Um fio de cobre de 2.5mm2 conduz 16A. Densidade de corrente, celeridade de deriva (n=8.5×1028m−3), tempo que um elétron leva para percorrer os 20m até uma tomada; campo elétrico no fio (γ=6.0×107S/m), queda de tensão em 20m e potência perdida.
Densidades de corrente: uma descarga de raio (30kA, raio 1cm); um feixe de elétrons (2mA, 0.5mm2); um axônio nervoso (1nA, raio 2µm); a corrente em anel da magnetosfera terrestre (1MA por cerca de 1×1014m2). Quais superam o fio do exercício anterior?
Solução
Solução de Exercício 10.2.
Raio, 3×104/π10−4=1×108A/m2; feixe, 4×103A/m2; axônio, 10−9/1.3×10−11=80A/m2; corrente em anel, 1×10−8A/m2. Só o raio supera os 6×106 do fio.
Exercício 10.3★
Resistividades a 20∘C: cobre 1.7×10−8Ωm, alumínio 2.8×10−8Ωm, ferro 1.0×10−7Ωm, níquel-cromo 1.1×10−6Ωm. Resistência de 100m de 2.5mm2 em cada um; seção de alumínio equivalente a 2.5mm2 de cobre, e a razão de massas (massas específicas 8900 e 2700kg/m3); comprimento de fio de níquel-cromo de 0.5mm para um aquecedor de 1kW e 230V.
Solução
Solução de Exercício 10.3.
R=ρeL/S: 0.68, 1.1, 4.0 e 44Ω. Alumínio: 2.5×2.8/1.7=4.1mm2, razão de massas (4.1×2700)/(2.5×8900)=0.50 — metade da massa. Aquecedor: R=2302/1000=53Ω, S=0.196mm2, L=RS/ρe=9.4m.
Exercício 10.4★
Drude: τ, mobilidade e livre caminho médio (celeridade aleatória 1.6×106m/s) para o cobre (γ=6.0×107S/m, n=8.5×1028m−3) e para a prata (γ=6.3×107S/m, n=5.9×1028m−3); condutividade de uma amostra de silício com n=1×1022m−3 e μ=0.14m2/(Vs); celeridade de deriva nessa amostra a 1kV/m.
Um capacitor de placas S é carregado por um fio com I(t). (a) Aplique a lei integral de conservação a uma superfície fechada que envolve uma placa: relacione I e a carga Q da placa. (b) Por que divj=0 na placa? (c) Um eletrodo esférico de raio a num meio condutor emite uma corrente radial I: j(r); verifique divj=0 para r>a (use divj=r21∂r(r2jr) para um campo radial). (d) Onde, então, a conservação da carga "quebra"?
Solução
Solução de Exercício 10.5.
(a) Corrente que entra, nenhuma que sai: dQ/dt=I. (b) A carga se acumula: ∂tρ=0. (c) j=(I/4πr2)er: divj=r21∂r(I/4π)=0. (d) Somente no eletrodo, onde a corrente é injetada pelo fio — uma fonte do fluxo.
Exercício 10.6★★
Fuga de um cabo coaxial. O isolante entre os condutores (raios a=1mm, b=3.5mm) tem γ=1×10−13S/m; aplica-se uma tensão U entre eles, e uma corrente radial de fuga I circula por comprimento L. (a) j(r) e E(r). (b) Mostre que a resistência de um comprimento L vale R=ln(b/a)/2πγL; valor por quilômetro. (c) Corrente de fuga e potência por quilômetro a 1kV. (d) Compare com a capacitância por comprimento 2πε0εr/ln(b/a): mostre que RC=ε0εr/γ e interprete com o tempo de relaxação.
Solução
Solução de Exercício 10.6.
(a) j=I/2πrL, E=j/γ, radiais. (b) U=∫abEdr=Iln(b/a)/2πγL: R=ln3.5/(2π×10−13×103)=2×109Ω por quilômetro. (c) 0.5µA, 0.5mW. (d) RC=ε0εr/γ=200s para εr=2.3: o cabo, carregado e isolado, descarrega-se pelo próprio isolante com o tempo de relaxação desse isolante.
Exercício 10.7★★
Condutividade complexa do cobre (τ=2.5×10−14s). (a) ωτ a 50Hz, 10GHz (micro-ondas), 30THz (infravermelho), 5×1014Hz (luz verde). (b) Módulo e fase de γ/γ0 em cada caso. (c) Até que frequência a lei de Ohm vale com 1% de precisão? (d) No visível, escreva γ e mostre que j está em quadratura com E: potência Joule média?
Solução
Solução de Exercício 10.7.
(a) ωτ: 8×10−12, 1.6×10−3, 4.7, 79. (b) ∣γ∣/γ0=1/1+ω2τ2: 1, 1, 0.21, 0.013; fase −arctanωτ: 0, −0.09∘, −78∘, −89∘. (c) ωτ≤0.14: f≤0.9THz. (d) γ≈ne2/imω: j atrasa-se em relação a E de 90∘, ⟨j⋅E⟩=0: nenhum aquecimento Joule — os elétrons oscilam livremente, como num plasma.
Exercício 10.8★★
Um fio-fusível de cobre de 0.20mm (cobre: γ=6.0×107S/m, ρ=8900kg/m3, c=385J/(kgK), funde a 1085∘C, calor latente 205kJ/kg). (a) Densidade de corrente e potência Joule por unidade de volume a 10A. (b) Tempo para fundir a partir de 20∘C se nenhum calor escapar (ignore o aumento da resistividade com a temperatura). (c) O mesmo a 30A. (d) Na realidade o fio perde calor para o ar: como isso fixa a corrente nominal de um fusível, e por que os fusíveis são selados num cartucho cheio de areia?
Solução
Solução de Exercício 10.8.
(a) S=3.1×10−8m2, j=3.2×108A/m2, p=j2/γ=1.7×109W/m3. (b) Energia para fundir por unidade de volume ρ(cΔT+Lf)=8900(4.1×105+2.05×105)=5.5×109J/m3: 3.2s. (c) Nove vezes mais rápido: 0.36s. (d) A corrente nominal é aquela cujo aquecimento Joule o ar consegue evacuar mantendo o fio abaixo da fusão; a areia apaga o arco que, de outro modo, continuaria a conduzir através do vão depois de o fio fundir.
Exercício 10.9★★
Relaxação. (a) Deduza ∂tρ=−(γ/ε0)ρ da conservação da carga, da lei de Ohm e de divE=ρ/ε0. (b) τr para o cobre, a água do mar (γ=5S/m), a água de torneira (5×10−2S/m), o vidro (1×10−12S/m) e o PTFE (1×10−16S/m). (c) Até que frequência cada um é um "bom condutor" (com a carga relaxando dentro de um período)? (d) Um bastão de vidro eletrizado guarda sua carga por minutos: isso é coerente?
Solução
Solução de Exercício 10.9.
(a) ∂tρ=−divj=−γdivE=−γρ/ε0. (b) ε0/γ: 1.5×10−19s, 1.8×10−12s, 1.8×10−10s, 9s, 9×104 s. (c) f≲1/2πτr: 1018 Hz (o modelo de Drude falha muito antes), 90GHz, 0.9GHz, 0.02Hz, 2×10−6Hz. (d) Um bastão de vidro perderia sua carga em um minuto pelo volume; o vidro seco real está mais perto de 10−14 S/m (horas), e é a umidade da superfície que costuma descarregá-lo — coerente em ordem de grandeza.
Exercício 10.10★★★
Aterramento. Um eletrodo hemisférico de raio a=0.50m é enterrado rente à superfície de um solo de condutividade γ=0.010S/m; uma corrente I entra nele e se espalha radialmente pelo semiespaço. (a) j(r), E(r) e o potencial V(r) com V(∞)=0. (b) Resistência do aterramento, R=1/2πγa; valor. (c) Uma descarga de 20kA atinge a haste: potencial da haste; potencial em r=10m e 10.7m; a "tensão de passo" entre os pés de uma pessoa ali parada (pés a 0.7m um do outro, radialmente). (d) Por que o gado, com as quatro patas bem afastadas, morre com descargas próximas mais frequentemente que as pessoas?
Solução
Solução de Exercício 10.10.
(a) j=(I/2πr2)er, E=I/2πγr2, V=I/2πγr. (b) R=V(a)/I=1/2πγa=32Ω. (c) Vhaste=640kV; V(10)=32kV, V(10.7)=30kV: 2.1kV entre os pés. (d) As patas dianteiras e traseiras ficam a 1.5m uma da outra ao longo do raio: 4–5kV, e o caminho da corrente atravessa o coração.
Exercício 10.11★★★
Sensor Hall. Uma fita de espessura t e largura w conduz I ao longo de x num campo B segundo z. (a) A partir de EH=−j∧B/nq, mostre que a tensão Hall na largura vale VH=IB/nqt. (b) Fita de cobre, t=0.10mm, 1A, 1T: VH. (c) Um semicondutor dopado com n=1×1022m−3, mesma geometria: VH; por que os sensores usam semicondutores. (d) Um sensor com n=1×1022m−3, t=20µm, alimentado com 1mA, lê 10µV: campo medido. O que o sinal de VH informa?
Solução
Solução de Exercício 10.11.
(a) EH=jB/nq com j=I/wt: VH=EHw=IB/nqt. (b) 1/(8.5×1028×1.6×10−19×10−4)=0.7µV. (c) 6.3mV: VH∝1/n, e os semicondutores têm 106 vezes menos portadores. (d) B=VHnqt/I=10−5×1022×1.6×10−19×2×10−5/10−3=0.32T; o sinal de VH dá o sinal dos portadores (para um B conhecido), ou o sentido de B (para um sensor conhecido).
Exercício 10.12★★★
Eletrólito. Na água, os íons Na+ e Cl− têm mobilidades μ+=5.2×10−8m2/(Vs) e μ−=7.9×10−8m2/(Vs). (a) Mostre que γ=ne(μ++μ−) para n pares de íons por unidade de volume. (b) Água do mar, 0.5mol/L de NaCl: γ; compare com os 5S/m medidos. (c) Celeridades de deriva a 10V/m; que íon carrega mais corrente? (d) Uma coluna de água do mar de 1cm2 por 10cm conduz 1A: tensão, potência e tempo para aquecê-la em 10K (c=4.0kJ/(kgK)); por que os géis de eletroforese são resfriados.
Solução
Solução de Exercício 10.12.
(a) j=neμ+E+(−ne)(−μ−E): as duas espécies derivam em sentidos opostos e transportam corrente no mesmo sentido. (b) n=0.5×103×6.02×1023=3×1026m−3: γ=3×1026×1.6×10−19×1.31×10−7=6.3S/m (os íons se atrapalham mutuamente nessa concentração: 5S/m medidos). (c) 0.52µm/s e 0.79µm/s: o Cl− transporta 60%. (d) R=L/γS=200Ω, U=200V, P=200W em 10g de água: 10K em 2s — daí as placas de resfriamento das cubas de eletroforese.
10.6 Problema: O fio de cobre, do átomo à rede elétrica
Problema 10.1
Problema de fim de semana — um metro de fio doméstico examinado em quatro escalas: o elétron, as leis locais, o circuito e a linha de transmissão
Cobre: massa molar 63.5g/mol, massa específica 8900kg/m3, um elétron de condução por átomo, condutividade γ=6.0×107S/m a 20∘C, resistividade crescente ρe(T)=ρe(20)[1+α(T−20)] com α=4.0×10−3K−1; c=385J/(kgK). Fio: seção S=2.5mm2, comprimento 1m, corrente 16A.
O τ de Drude e a mobilidade; livre caminho médio com uma celeridade aleatória de 1.6×106m/s; a quantos espaçamentos atômicos (0.26nm) isso corresponde, e o que isso diz sobre aquilo com que os elétrons colidem?
As vibrações térmicas crescem com T, de modo que τ∝1/T grosseiramente: confira contra α perto da temperatura ambiente (dρe/ρe=dT/T daria α=1/293).
Campo elétrico no fio; tensão total ao longo do metro; a energia cinética de deriva por elétron comparada com kBT — o gás de elétrons é perturbado pela corrente?
Número de elétrons que atravessam uma seção do fio por segundo.
Carga dos elétrons de condução no metro de fio; a força que o campo exerce sobre todos eles juntos; compare com o peso do fio. Onde vai parar essa força (pense nas colisões)?
Parte II — As leis locais.
Potência Joule por unidade de volume e por metro.
O fio, no ar, perde calor à taxa h(T−Ta) por unidade de superfície com h=10W/(m2K) (convecção): elevação de temperatura de equilíbrio; verifique se a correção de resistividade importa.
O mesmo fio embutido num isolamento que só deixa passar h=2W/(m2K): nova elevação de temperatura, com a correção de resistividade incluída (resolva o balanço).
Deixado sem resfriamento algum, taxa de elevação de temperatura a 16A e a 160A (um curto-circuito); tempo para chegar ao ponto de fusão (1085∘C) no segundo caso; o que protege a instalação?
A 50Hz, ωτ=? A lei de Ohm é afetada? (O efeito pelicular do Capítulo 14 é outra questão.)
Escreva o tempo de relaxação ε0/γ do cobre; o que ele implica para a densidade de carga dentro do fio, e onde fica a carga que produz o campo E dentro do fio?
Parte III — Conservação da carga no circuito. O fio alimenta um capacitor C=100µF através de um interruptor; a corrente vale I(t)=I0e−t/τc com I0=16A, τc=1ms.
Carga que chega à placa; tensão final.
Aplique dQ/dt=−Isai a uma superfície fechada em torno da placa: que lado carrega uma corrente de condução e que lado não? Que grandeza deve, portanto, variar no vão?
Em t=0.5ms, taxa de variação da carga da placa; se as placas têm 1cm2 e estão separadas por 0.1mm de ar, taxa de variação do campo entre elas.
Mostre que ε0dE/dt× área da placa é igual à corrente no fio — a grandeza que o Capítulo 11 acrescenta à lei de Ampère.
O fio é cortado e as duas pontas ficam a 1mm uma da outra no ar: que corrente circula (ar com γ≈1×10−14S/m)? Com que campo o ar rompe (3MV/m): que tensão no vão produz uma faísca?
Parte IV — A linha. Uma linha de 230V em cobre de 10mm2, com 500m de extensão (ida e volta: 1km de fio), alimenta uma fazenda que consome 40A.
Resistência, queda de tensão e potência perdida na linha; fração da potência entregue.
A mesma potência a 20kV com um transformador em cada ponta: corrente, queda e perda; conclua por que a transmissão é feita em alta tensão.
O alumínio (γ=3.6×107S/m, 2700kg/m3) é usado nas torres: seção para a mesma resistência de 10mm2 de cobre; massa por quilômetro para os dois; por que o alumínio ganha lá em cima e o cobre dentro da parede.
Um sensor Hall preso em torno da linha lê seu campo: para um alicate amperímetro com n=1×1022m−3, t=0.1mm, alimentado com 5mA num campo de 0.1T concentrado por um núcleo de ferro, a tensão Hall.
Depois da carga de um dia quente o fio fica a 80∘C: sua resistência então, e a perda adicional.
Um raio atinge a linha: 20kA durante 100µs. Energia dissipada no 1km de fio; elevação de temperatura se nada escapar; densidade de corrente — compare com a Parte I.
Faça o balanço: as cinco grandezas (n, τ, γ, j, E) que descrevem o fio em cada escala, e a lei que liga cada par.
Solução
Solução de Problema 10.1.
1.n=ρNA/M=8.4×1028m−3.
2.j=6.4×106A/m2, v=j/ne=0.47mm/s; 35min por metro.
3.τ=mγ/ne2=2.5×10−14s, μ=4.4×10−3m2/(Vs), ℓ=40nm, 150 espaçamentos: os elétrons colidem com defeitos e vibrações térmicas, não com os átomos.
4.ρe∝T dá α=1/293=3.4×10−3K−1, próximo do valor medido 4×10−3.
5.E=0.11V/m, U=0.11V; 21mv2=1×10−37J contra kBT=4×10−21J: o gás de elétrons não percebe a corrente.
6.I/e=1×1020 elétrons por segundo.
7.Q=neSL=3.4×104C; QE=3.6kN, contra um peso de 0.2N. O campo puxa a rede positiva com a força oposta; os elétrons entregam sua quantidade de movimento à rede por colisões: o fio como um todo não sente nada.
8.p=j2/γ=6.8×105W/m3, 1.7W/m.
9. Superfície πd=5.6×10−3m2 por metro: ΔT=1.7/(10×5.6×10−3)=30K; a resistividade sobe 12%, e a potência vai a 1.9W: ΔT≈35K.
10.ΔT=1.7(1+0.004ΔT)/(2×5.6×10−3): ΔT(1−0.6)=150, ΔT≈400K — perto da disparada térmica: os cabos enterrados devem ser desclassificados em corrente.
11.p/ρc=0.2K/s; a 160A, 20K/s: fusão em cerca de um minuto (menos, à medida que ρe sobe); o disjuntor abre em milissegundos.
12.ωτ=8×10−12: a lei de Ohm fica intacta.
13.ε0/γ=1.5×10−19s: nenhuma carga no interior; o campo no fio é feito por cargas em sua superfície, cuja densidade varia ao longo do fio.
14.Q=I0τc=16mC, V=Q/C=160V.
15. O lado do fio conduz I, e o lado do vão não conduz corrente de condução: a carga cresce, e com ela o campo elétrico no vão.
18.j=γE=10−14×2.3×105=2×10−9A/m2, 10−14 A pela seção: nada; ruptura a 3kV no milímetro.
19.R=1000/(6×107×10−5)=1.7Ω; ΔU=67V; P=2.7kW, 29% dos 9.2kW entregues.
20.I=0.46A, ΔU=0.8V, 0.35W: a transmissão em alta tensão divide a perda por (U2/U1)2.
21.10×6/3.6=17mm2; 89kg/km de cobre contra 45kg/km de alumínio: mais leve e mais barato nas torres; na parede, a seção menor do cobre cabe nos eletrodutos e nos terminais.