Physics · Livro 4 · Bachelor Year 2

Física universitária — 2.º ano

Física universitária — 2.º ano · Bachelor Year 2

17Radiação de dipolo e espalhamento

Por que o céu é azul, e por que ele é mais azul a ângulo reto do Sol — e ali polarizado, como abelhas e fotógrafos sabem? Por que uma torre de rádio precisa ter dezenas de metros de altura, e por que ela nada irradia para cima? As duas perguntas têm a mesma resposta: uma carga elétrica oscilante irradia ondas eletromagnéticas, com uma potência que cresce com a quarta potência da frequência e um diagrama que se anula ao longo do eixo de oscilação. Este capítulo enuncia o campo do dipolo oscilante, o mais simples dos sistemas radiantes, dele extrai a antena e a radiação de uma carga acelerada, e o aplica às moléculas do ar, cada uma uma antena minúscula que reemite a luz do Sol: o espalhamento Rayleigh.

Uma torre de transmissão sob um céu azul: um dipolo vertical de dezenas de metros irradiando rumo ao horizonte e, acima dele, o céu iluminado por bilhões de dipolos moleculares que reirradiam o Sol.
Uma torre de transmissão sob um céu azul: um dipolo vertical de dezenas de metros irradiando rumo ao horizonte e, acima dele, o céu iluminado por bilhões de dipolos moleculares que reirradiam o Sol.

17.1 O campo de um dipolo oscilante

Teorema 17.1 (Campo de radiação de um dipolo elétrico)

Um dipolo de momento p(t)=p0cosωtez\vect p(t) = p_0\cos\omega t\,\vect e_z, de tamanho aa, na origem, irradia. Na zona de radiação — a distâncias rλ=2πc/ωar \gg \lambda = 2\pi c/\omega \gg a — seu campo, em coordenadas esféricas (r,θ,φ)(r, \theta, \varphi) em torno do eixo do dipolo, vale

E(M,t)=μ0ω2p04πsinθrcos(ω(tr/c))eθ,B=erEc:\vect E(M, t) = -\frac{\mu_0\,\omega^2p_0}{4\pi}\,\frac{\sin\theta}r\,\cos\bigl(\omega(t - r/c)\bigr)\,\vect e_\theta , \qquad \vect B = \frac{\vect e_r\wedge\vect E}c :

uma onda esférica, localmente plana — (E,B,er)(\vect E, \vect B, \vect e_r) um triedro direto com B=E/cB = E/c —, retardada do tempo de percurso r/cr/c, de amplitude que cai como 1/r1/r, proporcional à aceleração p¨=ω2p\ddot p = -\omega^2p do dipolo e a sinθ\sin\theta: máxima no plano equatorial, nula ao longo do eixo; polarizada no plano que contém o eixo.

Demonstração. Admitido neste nível.

Observação 17.2 (Como ler a fórmula)

A solução exata das equações de Maxwell (a partir dos potenciais retardados, além deste volume) contém também termos em 1/r21/r^2 e 1/r31/r^3; o último é o campo quase estático de dipolo do volume do Ano 1, Ep/4πε0r3\vect E \propto p/4\pi\varepsilon_0r^3, que domina na zona próxima rλr \ll \lambda; em rλ/2πr \sim \lambda/2\pi os dois se equivalem, e além disso só o termo em 1/r1/r sobrevive. Cada fator tem sua razão. O 1/r1/r: a potência através de uma esfera, E2r2\propto E^2r^2, não pode depender de rr. O ω2p0\omega^2p_0: o campo de uma carga em repouso ou em movimento uniforme não é radiativo; é a aceleração que irradia. O sinθ\sin\theta: um observador no eixo vê a carga ir e vir ao longo da linha de visada, sem aceleração transversal; no plano equatorial toda a aceleração é transversal. O retardo: o campo em MM no instante tt reflete o que o dipolo fez em tr/ct - r/c.

À esquerda: o campo de radiação de um dipolo num ponto distante M — transversal, segundo e_, com B azimutal; nada é irradiado ao longo do eixo. À direita: o diagrama de radiação, uma rosca 2 cuja seção está desenhada.
À esquerda: o campo de radiação de um dipolo num ponto distante MM — transversal, segundo eθ\vect e_\theta, com B\vect B azimutal; nada é irradiado ao longo do eixo. À direita: o diagrama de radiação, uma rosca sin2θ\propto\sin^2\theta cuja seção está desenhada.

17.2 Potência irradiada

Proposição 17.3 (Potência de um dipolo; fórmula de Larmor)

O vetor de Poynting médio do campo do dipolo é radial,

Π=μ0ω4p0232π2csin2θr2er,\langle\vect\Pi\rangle = \frac{\mu_0\,\omega^4p_0^2}{32\pi^2c}\,\frac{\sin^2\theta}{r^2}\,\vect e_r ,

e a potência média total irradiada vale

P=μ0ω4p0212πc=p02ω412πε0c3.\mathcal P = \frac{\mu_0\,\omega^4p_0^2}{12\pi c} = \frac{p_0^2\omega^4}{12\pi\varepsilon_0c^3} .

Para uma única carga qq com aceleração aa (não relativística), a potência instantânea vale P=q2a2/6πε0c3\mathcal P = q^2a^2/6\pi\varepsilon_0c^3 (Larmor).

Demonstração. Π=E2/μ0c\langle\Pi\rangle = \langle E^2\rangle/\mu_0c com cos2=12\langle\cos^2\rangle = \tfrac12; integre sobre a esfera:

sin2θr2 ⁣dΩ=2πr20πsin3θ ⁣dθ=83πr2,P=μ0ω4p0232π2c8π3=μ0ω4p0212πc.\int\sin^2\theta\,r^2\dd\Omega = 2\pi r^2\int_0^\pi\sin^3\theta\,\dd\theta = \tfrac83\pi r^2 , \qquad \mathcal P = \frac{\mu_0\omega^4p_0^2}{32\pi^2c}\cdot\frac{8\pi}3 = \frac{\mu_0\omega^4p_0^2}{12\pi c} .

Larmor: p=qzp = qz, logo p¨=qa\ddot p = qa; substituir a média 12ω4p02=p¨2\tfrac12\omega^4p_0^2 = \langle\ddot p^2\rangle pelo valor instantâneo q2a2q^2a^2P=μ0q2a2/6πc\mathcal P = \mu_0q^2a^2/6\pi c.

Exemplo 17.4 (Uma antena e um fio)

Um fio curto de comprimento λ\ell \ll \lambda percorrido pela corrente I0cosωtI_0\cos\omega t é um dipolo com p˙=I0cosωt\dot p = I_0\ell\cos\omega t, ou seja, p0=I0/ωp_0 = I_0\ell/\omega: ele irradia P=μ0ω2I022/12πc=12RradI02\mathcal P = \mu_0\omega^2I_0^2\ell^2/12\pi c = \tfrac12R_{\text{rad}}I_0^2 com a resistência de radiação Rrad=2π3μ0ε0(λ)2790(/λ)2 ΩR_{\text{rad}} = \dfrac{2\pi}3\sqrt{\dfrac{\mu_0}{\varepsilon_0}} \Bigl(\dfrac\ell\lambda\Bigr)^2 \approx 790\,(\ell/\lambda)^2\ \Omega — a potência deixa o circuito como se por um resistor, sem aquecer nada. Um fio de 1m1\,\mathrm{m} a 1MHz1\,\mathrm{MHz} (λ=300m\lambda = 300\,\mathrm{m}): Rrad=9mΩR_{\text{rad}} = 9\,\mathrm{m}\Omega, menos que sua resistência de cobre, uma antena ruim; a 100MHz100\,\mathrm{MHz}: 88Ω88\,\Omega (a fórmula do dipolo curto já está sendo esticada aqui), uma boa antena. O dipolo de meia onda, =λ/2\ell = \lambda/2 com distribuição senoidal de corrente, tem Rrad=73ΩR_{\text{rad}} = 73\,\Omega (admitido) e um diagrama próximo do dipolo elementar — a antena padrão, das torres de rádio às "orelhas de coelho" dos televisores antigos. Um fio de rede de 1m1\,\mathrm{m} a 50Hz50\,\mathrm{Hz}: Rrad2×1011ΩR_{\text{rad}} \approx 2 \times 10^{-11}\,\Omega — os circuitos quase estacionários do Capítulo 11 nada irradiam.

À esquerda: a distribuição de corrente num dipolo de meia onda, máxima na alimentação e nula nas pontas. À direita: a resistência de radiação de um dipolo curto, 790( / )2 ohms, e os 73\, do dipolo de meia onda.
À esquerda: a distribuição de corrente num dipolo de meia onda, máxima na alimentação e nula nas pontas. À direita: a resistência de radiação de um dipolo curto, 790(/λ)2790(\ell/\lambda)^2 ohms, e os 73Ω73\,\Omega do dipolo de meia onda.

Exemplo 17.5 (Um elétron que irradia)

Num tubo de raios X um elétron de 50keV50\,\mathrm{keV} (v=1.2×108m/sv = 1.2 \times 10^{8}\,\mathrm{m}/\mathrm{s}) para em 1µm1\,\text{µ}\mathrm{m} de tungstênio: av2/2d=7×1021m/s2a \sim v^2/2d = 7 \times 10^{21}\,\mathrm{m}/\mathrm{s}^{2}, potência de Larmor 1.2×104W1.2 \times 10^{-4}\,\mathrm{W} durante 1.6×1014s1.6 \times 10^{-14}\,\mathrm{s}: 2×1018J2 \times 10^{-18}\,\mathrm{J}, cerca de 0.02%0.02\% de sua energia irradiada como a "radiação de freamento" (bremsstrahlung) do tubo — o resto é calor, e o anodo é refrigerado. O elétron clássico de um átomo de hidrogênio, acelerado a v2/r=9×1022m/s2v^2/r = 9 \times 10^{22}\,\mathrm{m}/\mathrm{s}^{2}, irradiaria 5×108W5 \times 10^{-8}\,\mathrm{W} e espiralaria até o núcleo em 1×1011s1 \times 10^{-11}\,\mathrm{s}: a física clássica proíbe os átomos, e o Capítulo 30 os resgata.

17.3 Espalhamento Rayleigh: o céu azul

Proposição 17.6 (Espalhamento por um elétron ligado)

Uma onda de amplitude E0E_0 e frequência ω\omega incide num átomo modelado como um elétron ligado elasticamente de ressonância ω0ω\omega_0 \gg \omega (Capítulo 14): o elétron oscila com amplitude eE0/mω02eE_0/m\omega_0^2, o átomo vira um dipolo p0=e2E0/mω02p_0 = e^2E_0/m\omega_0^2 em fase com o campo, e reirradia a potência P=p02ω4/12πε0c3\mathcal P = p_0^2\omega^4/12\pi \varepsilon_0c^3. A razão entre essa potência e a intensidade incidente é a seção de choque de espalhamento

σ=Pε0cE02/2=8π3re2(ωω0)4,re=e24πε0mc2=2.8×1015m:\sigma = \frac{\mathcal P}{\varepsilon_0cE_0^2/2} = \frac{8\pi}3\,r_e^2\Bigl(\frac\omega{\omega_0}\Bigr)^4 , \qquad r_e = \frac{e^2}{4\pi\varepsilon_0mc^2} = 2.8 \times 10^{-15}\,\mathrm{m} :

a lei de Rayleigh, σω41/λ4\sigma \propto \omega^4 \propto 1/\lambda^4. Para um elétron livre (ω0=0\omega_0 = 0) a seção de choque vale σT=8πre2/3=6.65×1029m2\sigma_T = 8\pi r_e^2/3 = 6.65 \times 10^{-29}\,\mathrm{m}^{2}, independente da frequência (espalhamento Thomson).

Demonstração. Do modelo de Lorentz com ωω0\omega \ll \omega_0 e amortecimento desprezível, r=eE/mω02\underline{\vect r} = -e\underline{\vect E}/m\omega_0^2; insira p0p_0 na potência e divida por I=ε0cE02/2I = \varepsilon_0cE_0^2/2; o rer_e reúne as constantes. Para o elétron livre, r=eE/mω2\vect r = e\vect E/m\omega^2 (em oposição de fase), p0=e2E0/mω2p_0 = e^2E_0/m\omega^2, e os ω4\omega^4 se cancelam.

Exemplo 17.7 (Céu azul, pôr do sol vermelho, nuvens brancas)

A luz violeta (400nm400\,\mathrm{nm}) é espalhada (700/400)4=9.4(700/400)^4 = 9.4 vezes mais que a vermelha: o céu, iluminado pela luz solar espalhada, é azul (e não violeta: o Sol emite menos violeta e o olho o enxerga mal). No poente a luz direta atravessa quarenta vezes mais ar que ao meio-dia e perde seu azul para o céu de outros lugares: ela avermelha. Cada molécula do ar espalha com σ5×1031m2\sigma \approx 5 \times 10^{-31}\,\mathrm{m}^{2} a 550nm550\,\mathrm{nm}; com n=2.5×1025m3n = 2.5 \times 10^{25}\,\mathrm{m}^{-3} o livre caminho médio 1/nσ1/n\sigma vale 80km80\,\mathrm{km}: um décimo da luz verde é espalhado no caminho de descida pela atmosfera, e um terço do violeta. As gotículas das nuvens, muito maiores que λ\lambda, não são espalhadores de Rayleigh: elas espalham todas as cores igualmente — branco.

Proposição 17.8 (Polarização por espalhamento)

A luz natural que viaja segundo xx induz dipolos no plano yzyz. Um observador que olha segundo yy (a 9090{}^{\circ} do feixe) não recebe radiação alguma das componentes do dipolo segundo yy (sua linha de visada) e recebe toda a radiação das componentes segundo zz: a luz espalhada é polarizada retilineamente segundo zz, perpendicularmente ao plano que contém o feixe e a linha de visada. Em outros ângulos ela fica parcialmente polarizada, com grau (1cos2χ)/(1+cos2χ)(1 - \cos^2\chi)/(1 + \cos^2\chi) para o ângulo de espalhamento χ\chi.

Demonstração. A luz natural incidente tem um E\vect E com componentes médias iguais segundo yy e zz; o dipolo segundo yy não irradia rumo a yy (sinθ=0\sin \theta = 0), e o segundo zz irradia sinθ=1\propto\sin\theta = 1. No ângulo χ\chi a contribuição da componente yy fica reduzida de cos2χ\cos^2\chi em intensidade.

Luz do Sol espalhada por uma molécula do ar: o dipolo induzido tem componentes perpendiculares ao feixe; um observador a 90 recebe apenas a componente perpendicular à sua linha de visada — luz polarizada retilineamente. É ali que o céu é mais azul e mais polarizado.
Luz do Sol espalhada por uma molécula do ar: o dipolo induzido tem componentes perpendiculares ao feixe; um observador a 9090{}^{\circ} recebe apenas a componente perpendicular à sua linha de visada — luz polarizada retilineamente. É ali que o céu é mais azul e mais polarizado.

Observação 17.9 (Por que a luz azul chega até nós)

Num meio perfeitamente uniforme as ondas espalhadas por moléculas vizinhas interfeririam destrutivamente em todas as direções, menos para a frente (o índice de refração é essa onda espalhada para a frente). São as flutuações da densidade do ar — as moléculas não estão numa rede — que deixam uma intensidade espalhada resultante, proporcional ao número de moléculas, como se calculou acima para uma só (Einstein, 1910). A mesma aleatoriedade torna a luz do céu incoerente de ponto a ponto.

Método 17.10 (Estimativas de radiação)

(1) Identifique o dipolo: p0=q×p_0 = q\,\times amplitude, ou I0/ωI_0\ell/\omega para um fio. (2) Campo à distância rr: Eμ0ω2p0sinθ/4πrE \approx \mu_0\omega^2p_0\sin\theta/4\pi r; potência: μ0ω4p02/12πc\mu_0\omega^4p_0^2/12\pi c. (3) Para uma carga acelerada use Larmor; para uma antena, a resistência de radiação. (4) Para o espalhamento, calcule o dipolo induzido pela resposta do meio (modelo de Lorentz) e divida a potência irradiada pela intensidade incidente. (5) Lembre-se dos zeros: nada ao longo do eixo de oscilação, donde a polarização a 9090{}^{\circ} e o ângulo de Brewster do Capítulo 15.

17.4 Exercícios

Exercício 17.1

Uma antena curta de 1.0m1.0\,\mathrm{m} conduz 2.0A2.0\,\mathrm{A} (amplitude) a 100MHz100\,\mathrm{MHz}. Amplitude do dipolo p0p_0; amplitude do campo a 1km1\,\mathrm{km} no plano equatorial e a 3030{}^{\circ} do eixo; potência irradiada; resistência de radiação.

Solução

Solução de Exercício 17.1.

p0=I0/ω=3.2×109Cmp_0 = I_0\ell/\omega = 3.2 \times 10^{-9}\,\mathrm{C}\,\mathrm{m}; E=μ0ω2p0sinθ/4πrE = \mu_0\omega^2p_0\sin\theta/4\pi r: 0.13V/m0.13\,\mathrm{V}/\mathrm{m} em θ=90\theta = 90^\circ, 0.063V/m0.063\,\mathrm{V}/\mathrm{m} a 3030{}^{\circ}; P=μ0ω4p02/12πc=175W\mathcal P = \mu_0\omega^4p_0^2/12\pi c = 175\,\mathrm{W}; Rrad=2P/I02=88ΩR_{\text{rad}} = 2\mathcal P/I_0^2 = 88\,\Omega.

Exercício 17.2

Resistência de radiação de um fio de 1m1\,\mathrm{m} a 100kHz100\,\mathrm{kHz}, 1MHz1\,\mathrm{MHz}, 10MHz10\,\mathrm{MHz} e 100MHz100\,\mathrm{MHz}; compare com sua resistência de cobre (1mm1\,\mathrm{mm} de diâmetro, com o efeito pelicular nas frequências mais altas, δ=0.2mm\delta = 0.2\,\mathrm{mm} a 100kHz100\,\mathrm{kHz}); rendimento (irradiado sobre total) em cada caso. Por que os transmissores de ondas longas têm torres de centenas de metros?

Solução

Solução de Exercício 17.2.

790(/λ)2790(\ell/\lambda)^2: 8.8×105Ω8.8 \times 10^{-5}\,\Omega, 8.8×103Ω8.8 \times 10^{-3}\,\Omega, 0.88Ω0.88\,\Omega, 88Ω88\,\Omega. Cobre: 0.0260.026, 0.0840.084, 0.270.27, 0.84Ω0.84\,\Omega (efeito pelicular): rendimentos de 0.3%0.3\%, 10%10\%, 77%77\% e 99%99\%. Em comprimentos de onda longos, só uma torre que seja uma boa fração de λ\lambda tem resistência de radiação acima de suas perdas.

Exercício 17.3

Razão entre o espalhamento Rayleigh da luz de 400nm400\,\mathrm{nm}, 550nm550\,\mathrm{nm} e 700nm700\,\mathrm{nm}; e o dos comprimentos de onda de radar de 3cm3\,\mathrm{cm} e 10cm10\,\mathrm{cm} por gotas de chuva (se elas fossem pequenas o bastante — não são bem); por que o radar meteorológico usa comprimentos de onda curtos para ver a chuva e longos para ver através dela?

Solução

Solução de Exercício 17.3.

400:550:700=9.4:2.6:1400 : 550 : 700 = 9.4 : 2.6 : 1. (10/3)4=120(10/3)^4 = 120: o radar de 3cm3\,\mathrm{cm} vê gotas pequenas cem vezes melhor; o de 10cm10\,\mathrm{cm} enxerga através da chuva o que está atrás.

Exercício 17.4

Grau de polarização da luz do céu a 3030{}^{\circ}, 6060{}^{\circ}, 9090{}^{\circ} e 120120{}^{\circ} do Sol; para onde no céu um fotógrafo deve apontar um polarizador para o azul mais escuro, e o que acontece quando o Sol está a pino? Por que o máximo real é de apenas cerca de 75%75\% (pense no espalhamento múltiplo e no que o solo reflete)?

Solução

Solução de Exercício 17.4.

sin2χ/(1+cos2χ)\sin^2\chi/(1 + \cos^2\chi): 0.140.14, 0.600.60, 11, 0.600.60. Aponte a 9090{}^{\circ} do Sol (um grande círculo no céu); com o Sol a pino, todo o horizonte está a 9090{}^{\circ} e polarizado ao longo dele. O espalhamento múltiplo, o reflexo do solo e a anisotropia das moléculas acrescentam luz não polarizada: cerca de 75%75\%, no melhor caso.

Exercício 17.5 ★★

(a) Integre o vetor de Poynting do dipolo sobre uma esfera e confira P=μ0ω4p02/12πc\mathcal P = \mu_0\omega^4p_0^2/12\pi c. (b) Fração da potência irradiada dentro de 3030{}^{\circ} do plano equatorial. (c) Ângulo de meia potência: em que θ\theta a intensidade é metade do máximo? (d) O "ganho" do dipolo, intensidade máxima sobre a média isotrópica: mostre que vale 1.51.5.

Solução

Solução de Exercício 17.5.

(a) sin2θ ⁣dΩ=8π/3\int\sin^2\theta\,\dd\Omega = 8\pi/3. (b) 60120sin3θ ⁣dθ/(4/3)=0.917/1.333=69%\int_{60^\circ}^{120^\circ}\sin^3\theta\,\dd\theta/ (4/3) = 0.917/1.333 = 69\%. (c) sin2θ=12\sin^2\theta = \tfrac12: θ=45\theta = 45{}^{\circ}, um feixe de 9090{}^{\circ} de abertura. (d) Máximo 11 contra a média 2/32/3: 1.51.5.

Exercício 17.6 ★★

Perto e longe. (a) Escreva o campo quase estático de um dipolo em θ=90\theta = 90^\circ, Eqs=p/4πε0r3E_{\text{qs}} = p/4\pi\varepsilon_0r^3, e o campo radiativo; a que distância r0r_0 suas amplitudes se igualam? Exprima r0r_0 em função de λ\lambda. (b) Para uma antena de 1MHz1\,\mathrm{MHz}, quanto vale r0r_0; que campo sente um receptor a 10m10\,\mathrm{m} e a 10km10\,\mathrm{km}? (c) Um celular de 1GHz1\,\mathrm{GHz} segurado a 2cm2\,\mathrm{cm} da cabeça: zona próxima ou distante? (d) Por que o campo próximo não leva potência resultante embora?

Solução

Solução de Exercício 17.6.

(a) p/4πε0r3=ω2p/4πε0c2rp/4\pi\varepsilon_0r^3 = \omega^2p/4\pi\varepsilon_0c^2r em r0=c/ω=λ/2πr_0 = c/\omega = \lambda/2\pi. (b) 48m48\,\mathrm{m}: a 10m10\,\mathrm{m} o campo quase estático, e a 10km10\,\mathrm{km} o campo irradiado. (c) r0=4.8cmr_0 = 4.8\,\mathrm{cm}: a cabeça está na zona próxima. (d) O E\vect E e o B\vect B da zona próxima estão em quadratura: o vetor de Poynting tem média nula, a energia é armazenada e devolvida, como num capacitor.

Exercício 17.7 ★★

Thomson e a coroa. (a) Calcule σT\sigma_T. (b) A coroa solar tem ne1×1014m3n_e \approx 1 \times 10^{14}\,\mathrm{m}^{-3} ao longo de 10910^9 m: fração da luz da fotosfera espalhada em nossa direção; por que a coroa é branca e só visível durante eclipses? (c) Raios X de 10keV10\,\mathrm{keV} num átomo de carbono (66 elétrons, energias de ligação abaixo de 300eV300\,\mathrm{eV}): por que os elétrons espalham como se fossem livres, e qual é a seção de choque do átomo? (d) Por que uma radiografia médica distingue osso de carne sobretudo pela absorção, e não pelo espalhamento Thomson?

Solução

Solução de Exercício 17.7.

(a) 8πre2/3=6.65×1029m28\pi r_e^2/3 = 6.65 \times 10^{-29}\,\mathrm{m}^{2}. (b) neσTL=1014×6.65×1029×109=7×106n_e\sigma_TL = 10^{14} \times 6.65 \times 10^{-29} \times 10^9 = 7 \times 10^{-6}: um milionésimo da fotosfera, sem cor porque o espalhamento Thomson não a tem, e afogada pela luz solar espalhada pelo céu, exceto num eclipse. (c) 10keV10\,\mathrm{keV} \gg 300eV300\,\mathrm{eV}: os elétrons respondem como livres, 6σT=4×1028m26\sigma_T = 4 \times 10^{-28}\,\mathrm{m}^{2}. (d) A absorção fotoelétrica cresce como Z4Z^4 e destaca o cálcio; o espalhamento é o mesmo por elétron no osso e na carne.

Exercício 17.8 ★★

Pôr do sol. A profundidade óptica da atmosfera para o espalhamento Rayleigh no zênite vale τ(λ)=0.1(550nm/λ)4\tau(\lambda) = 0.1\,(550\,\text{nm}/\lambda)^4 (a luz direta é atenuada de eτ\eu^{-\tau}). (a) Transmissão no zênite para 400nm400\,\mathrm{nm}, 550nm550\,\mathrm{nm} e 700nm700\,\mathrm{nm}. (b) No poente o caminho é 3838 vezes mais longo: transmissões; razão vermelho/azul. (c) Por que a Lua fica vermelha durante um eclipse lunar? (d) Por que o céu perto do horizonte é esbranquiçado em vez de azul profundo?

Solução

Solução de Exercício 17.8.

(a) τ=0.36\tau = 0.36, 0.100.10, 0.0380.038: T=0.70T = 0.70, 0.900.90, 0.960.96. (b) τ×38=13.6\tau \times 38 = 13.6, 3.83.8, 1.451.45: T=1×106T = 1 \times 10^{-6}, 0.020.02, 0.230.23; vermelho sobre azul 2×105\sim 2 \times 10^5. (c) A atmosfera da Terra encurva a luz do poente para dentro da sombra, avermelhada pelo mesmo espalhamento. (d) Perto do horizonte o caminho é longo: o azul é espalhado para fora da própria luz espalhada, e o espalhamento múltiplo acrescenta branco.

Exercício 17.9 ★★

Duas antenas. Dois dipolos verticais separados de uma distância dd segundo xx são alimentados com a mesma amplitude. (a) Em fase, com d=λ/2d = \lambda/2: em que direções horizontais seus campos distantes se somam e em quais se cancelam? (arranjo transversal). (b) Em oposição de fase, com d=λ/2d = \lambda/2: o mesmo (arranjo longitudinal). (c) Em quadratura, com d=λ/4d = \lambda/4: mostre que o arranjo irradia só para um lado. (d) Por que as emissoras AM usam várias torres, e como um radar de arranjo em fase orienta seu feixe sem se mover?

Solução

Solução de Exercício 17.9.

(a) Ao longo da linha do par a diferença de caminho λ/2\lambda/2 dá cancelamento; transversalmente, soma. (b) Em oposição de fase: o contrário — radiação ao longo da linha (arranjo longitudinal), nada transversalmente. (c) Rumo a +x+x: atraso de caminho π/2-\pi/2 mais fase de alimentação +π/2+\pi/2, em fase; rumo a x-x: π-\pi, cancelando: um cardioide, de um lado só. (d) As torres moldam a cobertura e protegem os vizinhos; um arranjo em fase orienta o feixe mudando as fases de alimentação, em microssegundos.

Exercício 17.10 ★★★

Amortecimento por radiação. O elétron de Lorentz (Capítulo 14) que oscila em ω0\omega_0 com amplitude x0x_0 irradia pela fórmula de Larmor. (a) Potência média irradiada; energia do oscilador 12mω02x02\tfrac12m\omega_0^2x_0^2; mostre que a energia decai com a taxa Γ=e2ω02/6πε0mc3\Gamma = e^2\omega_0^2/6\pi\varepsilon_0mc^3. (b) Valor de Γ\Gamma para a linha do sódio (589nm589\,\mathrm{nm}): compare com o Γ\Gamma usado no Exercício 14.9. (c) Tempo de vida 1/Γ1/\Gamma e a largura natural da linha, Δλ=λ2Γ/2πc\Delta\lambda = \lambda^2\Gamma/2\pi c. (d) Fator de qualidade ω0/Γ\omega_0/\Gamma do oscilador atômico.

Solução

Solução de Exercício 17.10.

(a) P=e2ω04x02/12πε0c3\langle\mathcal P\rangle = e^2\omega_0^4x_0^2/12\pi\varepsilon_0c^3, W=12mω02x02W = \tfrac12m\omega_0^2x_0^2: Γ=P/W=e2ω02/6πε0mc3\Gamma = \mathcal P/W = e^2\omega_0^2/6\pi\varepsilon_0mc^3. (b) ω0=3.2×1015rad/s\omega_0 = 3.2 \times 10^{15}\,\mathrm{rad}/\mathrm{s}: Γ=6.4×107s1\Gamma = 6.4 \times 10^{7}\,\mathrm{s}^{-1} — o valor usado. (c) 16ns16\,\mathrm{ns}; Δλ=λ2Γ/2πc=1.2×1014m\Delta\lambda = \lambda^2\Gamma/2\pi c = 1.2 \times 10^{-14}\,\mathrm{m}, um centésimo de picômetro (10MHz10\,\mathrm{MHz}). (d) Q=5×107Q = 5 \times 10^7.

Exercício 17.11 ★★★

A torre. Uma emissora AM irradia 50kW50\,\mathrm{kW} a 1MHz1\,\mathrm{MHz} de uma torre vertical de altura λ/4\lambda/4 sobre solo condutor (que age como espelho, tornando a torre a metade de um dipolo de meia onda: Rrad36ΩR_{\text{rad}} \approx 36\,\Omega, e a potência vai só para o semiespaço superior). (a) Altura; corrente na base. (b) Amplitude do campo a 10km10\,\mathrm{km} no plano horizontal (use o diagrama do dipolo, P\mathcal P no semiespaço superior =Π ⁣dS= \int\langle\Pi\rangle\dd S; tome Π=1.5P/2πr2\langle\Pi\rangle = 1.5\, \mathcal P/2\pi r^2 no horizonte como estimativa razoável). (c) Fem numa antena chicote receptora de 1m1\,\mathrm{m} ali. (d) Por que a condutividade do solo importa, e por que se enterram fios de cobre radiais sob a torre?

Solução

Solução de Exercício 17.11.

(a) 75m75\,\mathrm{m}; I0=2P/R=53AI_0 = \sqrt{2\mathcal P/R} = 53\,\mathrm{A}. (b) Π=1.5×5×104/2π×108=1.2×104W/m2\langle\Pi\rangle = 1.5 \times 5 \times 10^4/2\pi \times 10^8 = 1.2 \times 10^{-4}\,\mathrm{W}/\mathrm{m}^{2}, E0=2Π/ε0c=0.30V/mE_0 = \sqrt{2\Pi/\varepsilon_0c} = 0.30\,\mathrm{V}/\mathrm{m}. (c) 0.30V0.30\,\mathrm{V}. (d) As correntes de retorno circulam no solo; um solo resistivo acrescenta perdas e estraga o espelho; os radiais enterrados lhes dão um caminho de cobre.

Exercício 17.12 ★★★

Espalhamento e índice. Num gás rarefeito as ondas espalhadas para a frente por todas as moléculas se somam coerentemente e constroem o índice de refração, n1=Nα/2ε0n - 1 = N\alpha/2\varepsilon_0 com α=e2/mω02\alpha = e^2/m\omega_0^2 a polarizabilidade; a seção de choque de Rayleigh vale σ=(8π/3)re2(ω/ω0)4\sigma = (8\pi/3)r_e^2(\omega/\omega_0)^4. (a) Exprima σ\sigma em função de nn, NN e λ\lambda: σ=8π3(n21)2/3N2λ4\sigma = 8\pi^3(n^2 - 1)^2/3N^2\lambda^4. (b) Para o ar (n1=2.9×104n - 1 = 2.9 \times 10^{-4}, N=2.5×1025m3N = 2.5 \times 10^{25}\,\mathrm{m}^{-3}) a 550nm550\,\mathrm{nm}: σ\sigma e o livre caminho médio 1/Nσ1/N\sigma. (c) Profundidade óptica vertical da atmosfera (altura equivalente 8km8\,\mathrm{km}); compare com o 0.10.1 do Exercício 17.8. (d) Por que essa relação (Rayleigh, 1899) forneceu um valor do número de Avogadro?

Solução

Solução de Exercício 17.12.

(a) p0=αE0p_0 = \alpha E_0σ=α2ω4/6πε02c4\sigma = \alpha^2\omega^4/6\pi\varepsilon_0^2c^4; com α=ε0(n21)/N\alpha = \varepsilon_0(n^2 - 1)/N e ω=2πc/λ\omega = 2\pi c/\lambda: σ=8π3(n21)2/3N2λ4\sigma = 8\pi^3(n^2 - 1)^2/3N^2\lambda^4. (b) n21=5.8×104n^2 - 1 = 5.8 \times 10^{-4}: σ=4.9×1031m2\sigma = 4.9 \times 10^{-31}\,\mathrm{m}^{2}, livre caminho médio 1/Nσ=80km1/N\sigma = 80\,\mathrm{km}. (c) 8/80=0.18/80 = 0.1. (d) σ\sigma é medida pela atenuação do céu, e nn é conhecido: NN segue, e daí o número de Avogadro.

17.5 Problema: A torre, o céu e o elétron

Problema 17.1

Problema de fim de semana — três antenas: uma torre de transmissão, uma molécula do ar ao sol e um elétron livre

Parte I — A torre. Uma emissora de ondas médias em f=1.0MHzf = 1.0\,\mathrm{MHz} irradia P=100kW\mathcal P = 100\,\mathrm{kW} de uma torre de um quarto de onda sobre solo condutor (Rrad=36ΩR_{\text{rad}} = 36\,\Omega, diagrama de um dipolo vertical sobre o semiespaço superior, como no Exercício 17.11).

  1. Comprimento de onda e altura da torre; amplitude da corrente em sua base; tensão sobre RradR_{\text{rad}}.
  2. Amplitude do momento dipolar equivalente, tratando a torre como um dipolo curto com p0=I0ef/ωp_0 = I_0\ell_{\text{ef}}/\omega, efλ/2π\ell_{\text{ef}} \approx \lambda/2\pi para a torre de um quarto de onda (admitido).
  3. Intensidade média a 10km10\,\mathrm{km} e a 100km100\,\mathrm{km} no plano horizontal (tome o diagrama do semiespaço superior, máximo no horizonte, Π=1.5P/2πr2\langle\Pi\rangle = 1.5\mathcal P/2\pi r^2); amplitudes do campo.
  4. Fem num chicote vertical de 1m1\,\mathrm{m} a 100km100\,\mathrm{km}; e numa antena de bastão de ferrite (uma bobina de N=100N = 100 espiras, 1cm21\,\mathrm{cm}^{2}, permeabilidade efetiva 100100) voltada para o B\vect B da onda: compare.
  5. Potência recebida por um receptor casado com uma antena de área efetiva A=1.5λ2/4πA = 1.5\lambda^2/4\pi (a do dipolo) a 100km100\,\mathrm{km}.
  6. Os condutores da torre têm uma resistência total de perdas de 2Ω2\,\Omega: rendimento; potência perdida em calor.
  7. Um receptor a 10km10\,\mathrm{km} está na zona de radiação? E um a 100m100\,\mathrm{m} da torre?
  8. Por que os sinais de ondas médias vão mais longe à noite? (Lembre a camada D do Capítulo 14.)

Parte II — O céu. Ar ao nível do mar: N=2.5×1025m3N = 2.5 \times 10^{25}\,\mathrm{m}^{-3}, seção de choque de Rayleigh σ=4.6×1031m2(550nm/λ)4\sigma = 4.6 \times 10^{-31}\,\mathrm{m}^{2}\,(550\,\text{nm}/\lambda)^4; luz do Sol de 1.0kW/m21.0\,\mathrm{kW}/\mathrm{m}^{2} no solo; a espessura equivalente da atmosfera na densidade do nível do mar é de 8km8\,\mathrm{km}.

  1. Seção de choque a 450nm450\,\mathrm{nm} e a 650nm650\,\mathrm{nm}; razão.
  2. Livre caminho médio das três cores; profundidade óptica vertical τ=NσH\tau = N\sigma H; fração de cada cor espalhada para fora do feixe direto no zênite.
  3. Potência espalhada por metro cúbico de ar no solo pela luz verde (tome 300W/m2300\,\mathrm{W}/\mathrm{m}^{2} de luz solar em torno de 550nm550\,\mathrm{nm}); em que ângulo sólido, e com que diagrama?
  4. Uma coluna de ar de 1m21\,\mathrm{m}^{2} de seção vista a 9090{}^{\circ} do Sol: estime a intensidade da luz do céu que chega ao observador vinda dessa coluna (potência espalhada em sua direção por unidade de ângulo sólido, ao longo dos 8km8\,\mathrm{km}) e compare com o Sol direto; o brilho do céu está na ordem certa (cerca de 1×1051 \times 10^{-5}\, do Sol)?
  5. Grau de polarização da luz dessa coluna; por que ele é menor na realidade, e como alguns insetos o usam?
  6. No poente o caminho vale 3838 atmosferas: frações transmitidas de azul e de vermelho; cor do Sol; por que o céu no alto continua azul.
  7. Por que o céu é preto na Lua mesmo em pleno dia?
  8. Em Marte o ar é cem vezes mais rarefeito, mas cheio de poeira fina (grãos de um micrômetro): por que o céu marciano é cor de caramelo e seu pôr do sol é azul?

Parte III — O elétron.

  1. Seção de choque de Thomson a partir de rer_e.
  2. Num tubo de raios X um elétron de 100keV100\,\mathrm{keV} (v=1.6×108m/sv = 1.6 \times 10^{8}\,\mathrm{m}/\mathrm{s}, trate-o de forma não relativística) é freado ao longo de 2µm2\,\text{µ}\mathrm{m} de tungstênio: aceleração, potência de Larmor, duração, energia irradiada e sua fração da energia cinética.
  3. Menor comprimento de onda que o tubo pode emitir (um fóton levando toda a energia do elétron).
  4. O tubo opera com 20mA20\,\mathrm{mA}: potência irradiada; calor no anodo; por que o anodo gira.
  5. Um elétron clássico que circula um próton no raio de Bohr (5.3×1011m5.3 \times 10^{-11}\,\mathrm{m}, celeridade 2.2×106m/s2.2 \times 10^{6}\,\mathrm{m}/\mathrm{s}): aceleração, potência de Larmor e o tempo para irradiar seus 13.6eV13.6\,\mathrm{eV} — o tempo de vida do átomo clássico.
  6. Os átomos reais duram para sempre: diga o que falta à física clássica aqui, e o que o Capítulo 30 dirá sobre um estado estacionário.
  7. Um elétron num síncrotron de raio 100m100\,\mathrm{m} com vcv \approx c: que potência dá a fórmula de Larmor não relativística? (A potência verdadeira é γ4\gamma^4 vezes maior, com γ104\gamma \sim 10^4: a fonte de luz síncrotron.)
  8. O mesmo elétron em repouso sob 1kW/m21\,\mathrm{kW}/\mathrm{m}^{2} de luz solar: potência que ele reirradia (Thomson); número desses elétrons necessários para espalhar um watt.
  9. Resuma as três antenas numa tabela: momento dipolar, frequência, potência, diagrama.
Solução

Solução de Problema 17.1.

1. λ=300m\lambda = 300\,\mathrm{m}, h=75mh = 75\,\mathrm{m}; I0=2×105/36=75AI_0 = \sqrt{2 \times 10^5/36} = 75\,\mathrm{A}; V=RI0=2.7kVV = RI_0 = 2.7\,\mathrm{kV}.

2. ef=48m\ell_{\text{ef}} = 48\,\mathrm{m}: p0=75×48/6.3×106=5.7×104Cmp_0 = 75 \times 48/6.3 \times 10^6 = 5.7 \times 10^{-4}\,\mathrm{C}\,\mathrm{m}.

3. Π=1.5×105/2πr2\langle\Pi\rangle = 1.5 \times 10^5/2\pi r^2: 2.4×104W/m22.4 \times 10^{-4}\,\mathrm{W}/\mathrm{m}^{2} e 2.4×106W/m22.4 \times 10^{-6}\,\mathrm{W}/\mathrm{m}^{2}; E0=0.42V/mE_0 = 0.42\,\mathrm{V}/\mathrm{m} e 0.042V/m0.042\,\mathrm{V}/\mathrm{m}.

4. Chicote: 42mV42\,\mathrm{mV}. Bastão: NμefAωB0=104×104×6.3×106×1.4×1010=0.9mVN\mu_{\text{ef}}A\omega B_0 = 10^4 \times 10^{-4} \times 6.3 \times 10^6 \times 1.4 \times 10^{-10} = 0.9\,\mathrm{mV} — menos, mas compacto e seletivo.

5. A=1.5λ2/4π=1.1×104m2A = 1.5\lambda^2/4\pi = 1.1 \times 10^{4}\,\mathrm{m}^{2}: P=ΠA=26mWP = \Pi A = 26\,\mathrm{mW}.

6. 36/38=95%36/38 = 95\%; 5kW5\,\mathrm{kW} de calor.

7. r/λ=33r/\lambda = 33 a 10km10\,\mathrm{km}: zona de radiação; a 100m100\,\mathrm{m}, rλ/3r \approx \lambda/3: a região de transição, onde o campo quase estático ainda conta.

8. De dia a camada D absorve a onda que de outro modo alcançaria as camadas refletoras; à noite ela some e a onda celeste leva a emissora a centenas de quilômetros.

9. σ(450)=1.0×1030m2\sigma(450) = 1.0 \times 10^{-30}\,\mathrm{m}^{2}, σ(650)=2.4×1031m2\sigma(650) = 2.4 \times 10^{-31}\,\mathrm{m}^{2}: razão 4.44.4.

10. Livres caminhos médios de 3939, 8787 e 170km170\,\mathrm{km}; τ=0.21\tau = 0.21, 0.090.09, 0.050.05: 19%19\%, 9%9\% e 5%5\% espalhados.

11. NσI=2.5×1025×4.6×1031×300=3.5mW/m3N\sigma I = 2.5 \times 10^{25} \times 4.6 \times 10^{-31} \times 300 = 3.5\,\mathrm{mW}/\mathrm{m}^{3}, em 4π4\pi com o diagrama (1+cos2χ)(1 + \cos^2\chi) para luz natural.

12. A coluna espalha 3.5×103×8000=28W3.5 \times 10^{-3} \times 8000 = 28\,\mathrm{W} de seus 300W300\,\mathrm{W} (9%9\%); espalhados pelo hemisfério, o céu entrega uns 4Wm2sr14\,\mathrm{W}\,\mathrm{m}^{-2}\,\mathrm{sr}^{-1}, contra os 300/6.8×105=4×106Wm2sr1300/6.8 \times 10^{-5} = 4 \times 10^{6}\,\mathrm{W}\,\mathrm{m}^{-2}\,\mathrm{sr}^{-1} do Sol: um milionésimo por esferorradiano — a ordem certa.

13. Totalmente polarizada a 9090{}^{\circ} no espalhamento simples; o espalhamento múltiplo e o solo a reduzem a uns 75%75\%; abelhas e formigas leem o padrão para achar o Sol atrás das nuvens.

14. τ×38\tau \times 38: azul 88 (T=3×104T = 3 \times 10^{-4}), vermelho 1.81.8 (T=0.17T = 0.17): um Sol vermelho intenso; no alto, a luz chega por um caminho curto e é azul.

15. Sem atmosfera, nada há para espalhar: o céu é preto ao lado do Sol.

16. A poeira de um micrômetro espalha como partículas de Mie: para a frente e no vermelho, dando um céu cor de caramelo; perto do Sol poente a luz espalhada para a frente é azul.

17. 8πre2/3=6.65×1029m28\pi r_e^2/3 = 6.65 \times 10^{-29}\,\mathrm{m}^{2}.

18. a=v2/2d=6.4×1021m/s2a = v^2/2d = 6.4 \times 10^{21}\,\mathrm{m}/\mathrm{s}^{2}; P=e2a2/6πε0c3=2×1010W\mathcal P = e^2a^2/6\pi\varepsilon_0c^3 = 2 \times 10^{-10}\,\mathrm{W} durante 2d/v=2.5×1014s2d/v = 2.5 \times 10^{-14}\,\mathrm{s}: 6×1024J6 \times 10^{-24}\,\mathrm{J}, 101010^{-10} dos 100keV100\,\mathrm{keV} — o rendimento real fica perto de 1%1\%, porque a frenagem ocorre em encontros próximos e violentos com os núcleos, e não numa desaceleração uniforme e suave.

19. hc/E=12.4pmhc/E = 12.4\,\mathrm{pm}.

20. 2kW2\,\mathrm{kW} no feixe, cerca de 20W20\,\mathrm{W} de raios X; dois quilowatts de calor num ponto — o anodo gira para espalhá-lo.

21. a=v2/r=9×1022m/s2a = v^2/r = 9 \times 10^{22}\,\mathrm{m}/\mathrm{s}^{2}, P=5×108W\mathcal P = 5 \times 10^{-8}\,\mathrm{W}; os 13.6eV13.6\,\mathrm{eV} vão embora em 5×1011s5 \times 10^{-11}\,\mathrm{s}.

22. As cargas clássicas em movimento ligado irradiam continuamente; a mecânica quântica tem estados estacionários que não irradiam, e um estado mais baixo sem para onde cair.

23. a=c2/R=9×1014m/s2a = c^2/R = 9 \times 10^{14}\,\mathrm{m}/\mathrm{s}^{2}: 5×1024W5 \times 10^{-24}\,\mathrm{W} por Larmor, e γ41016\gamma^4 \sim 10^{16} vezes mais na realidade: dezenas de quilowatts de luz síncrotron de um feixe armazenado.

24. σTI=6.7×1026W\sigma_TI = 6.7 \times 10^{-26}\,\mathrm{W}; 1.5×10251.5 \times 10^{25} elétrons para um watt.

25. Torre: 5.7×104Cm5.7 \times 10^{-4}\,\mathrm{C}\,\mathrm{m} a 1MHz1\,\mathrm{MHz}, 100kW100\,\mathrm{kW}, uma rosca vertical. Molécula: \sim1×1035Cm1 \times 10^{-35}\,\mathrm{C}\,\mathrm{m} a 500THz500\,\mathrm{THz}, 1×1028W1 \times 10^{-28}\,\mathrm{W}, uma rosca em torno do campo. Elétron livre: Thomson, 1×1025W1 \times 10^{-25}\,\mathrm{W} sob luz solar, o mesmo diagrama.