Chemistry · Livro 2 · Bachelor Year 1

Química universitária — 1.º ano

Química universitária — 1.º ano · Bachelor Year 1

2Periodicidade

Lítio, sódio e potássio são metais moles e brilhantes que escurecem ao ar e reagem com a água; flúor, cloro e bromo são não metais coloridos e corrosivos, que arrancam elétrons de quase tudo. Cada trio ocupa uma coluna da tabela periódica, e os membros de uma coluna se parecem entre si, enquanto os vizinhos ao longo de uma linha não. O capítulo anterior explicou por quê: os elementos de uma coluna têm a mesma configuração dos elétrons de valência. Este capítulo transforma essa explicação em números — raios, energias de ionização, afinidades eletrônicas, eletronegatividades — e nas tendências que permitem ao químico prever, apenas pela posição de um elemento, o tamanho de seus átomos, a facilidade com que cedem ou aceitam elétrons e para que lado se inclinam os elétrons de uma ligação.

O que você já sabe

Todo período começa com o preenchimento de uma subcamada nns e termina com uma subcamada nnp completa; os blocos s, p, d e f têm larguras 2, 6, 10 e 14 (Proposição 1.23). O Livro 1 (ano 11) descreveu a eletronegatividade como a tendência de um átomo a atrair os elétrons de uma ligação.

2.1 A tabela construída a partir das configurações

Definição 2.1 (Período, grupo, bloco)

Na tabela periódica, os elementos são dispostos em ordem crescente de número atômico ZZ. Um período é uma linha: os elementos cuja camada de valência tem o mesmo número principal nn. Um grupo é uma coluna, numerada de 1 a 18: os elementos com a mesma configuração de valência. Um bloco é o conjunto dos elementos cuja última subcamada preenchida é de um mesmo tipo, s, p, d ou f.

Exemplo 2.2 (Ler uma posição)

O selênio, [Ar] 3d104s24p4[\ce{Ar}]\,3\text{d}^{10} 4\text{s}^2 4\text{p}^4, está no período 4 (camada de valência n=4n = 4), no bloco p e no grupo 16 (dois elétrons s, dez d e quatro p: 2+10+42 + 10 + 4); sua configuração de valência ns2np4n\text{s}^2 n\text{p}^4 é a do oxigênio e do enxofre acima dele.

Definição 2.3 (Metal, não metal, metaloide)

Um metal é um elemento cujo sólido conduz eletricidade e cujos átomos perdem facilmente elétrons para formar cátions; um não metal é um elemento que não conduz (com exceções como o grafite) e que ganha facilmente elétrons ou os compartilha. Um metaloide é um elemento de caráter intermediário, um semicondutor: boro, silício, germânio, arsênio, antimônio e telúrio.

Os metais (a grande maioria), os metaloides ao longo de uma escada do boro ao telúrio, e os não metais no canto superior direito. O bloco f, omitido aqui, é formado de metais.
Os metais (a grande maioria), os metaloides ao longo de uma escada do boro ao telúrio, e os não metais no canto superior direito. O bloco f, omitido aqui, é formado de metais.

2.2 Tamanho: raios atômicos e iônicos

Definição 2.4 (Blindagem, carga nuclear efetiva)

Em um átomo com vários elétrons, um elétron é atraído pelo núcleo, de carga ZeZe, e repelido pelos outros elétrons. Os elétrons internos cancelam em parte a atração do núcleo: é a blindagem. O elétron de valência se comporta como se sentisse uma carga nuclear reduzida Z∗eZ^{*}e, a carga nuclear efetiva, com Z∗<ZZ^{*} < Z. Os elétrons de uma camada interna blindam quase completamente; os elétrons da mesma camada blindam apenas um pouco.

Observação 2.5 (Uma ferramenta qualitativa)

Neste livro, Z∗Z^{*} é usada de forma qualitativa: ao longo de um período, ZZ aumenta de uma unidade a cada passo, enquanto o elétron acrescentado, na mesma camada, blinda apenas um pouco, de modo que a Z∗Z^{*} sentida pelos elétrons de valência aumenta; descendo um grupo, Z∗Z^{*} varia pouco, mas a camada de valência nn cresce. As regras para calcular Z∗Z^{*} a partir da configuração (as regras de Slater) são dadas no volume do 2.º ano.

Definição 2.6 (Raio covalente, raio iônico)

O raio covalente de um elemento é a metade do comprimento de uma ligação simples entre dois de seus átomos: para o cloro, a metade da distância Cl−Cl\ce{Cl-Cl} em ClX2\ce{Cl2}. O raio iônico de um íon é a parcela da distância entre cátions e ânions vizinhos nos cristais iônicos que lhe é atribuída, segundo uma convenção que fixa o raio de um íon de referência (OX2−\ce{O^{2-}}); ele depende ligeiramente do número de vizinhos.

Exemplo 2.7 (Os halogênios)

Os comprimentos de ligação de FX2\ce{F2}, ClX2\ce{Cl2}, BrX2\ce{Br2} e IX2\ce{I2} são 141.2, 198.8, 228.1 e 266.6 pm266.6\,\mathrm{pm}, de modo que os raios covalentes são 71, 99, 114 e 133 pm133\,\mathrm{pm}: cada passo para baixo no grupo acrescenta uma camada e cerca de 20 pm20\,\mathrm{pm} ou mais.

Proposição 2.8 (Tendências do raio)

Os raios atômicos diminuem da esquerda para a direita ao longo de um período e aumentam de cima para baixo em um grupo. Um cátion é menor que seu átomo, um ânion é maior; em uma série isoeletrônica (íons com a mesma configuração), o raio diminui quando ZZ aumenta.

Raciocínio. O tamanho de um átomo é o tamanho de seus orbitais de valência, que se contraem quando Z∗Z^{*} cresce e se dilatam quando nn cresce. Ao longo de um período, nn é fixo e Z∗Z^{*} cresce: os átomos se contraem. Descendo um grupo, nn aumenta de uma unidade a cada passo, o que supera a pequena variação de Z∗Z^{*}. Um cátion perdeu sua camada de valência, ou elétrons que se repeliam; um ânion ganhou um elétron que repele os outros. Em uma série isoeletrônica, os mesmos elétrons são retidos por um núcleo de carga crescente. ∎

A série isoeletrônica 1 s2 2 s2 2 p6, desenhada em escala (raios iônicos para seis vizinhos). Os mesmos dez elétrons se contraem à medida que a carga nuclear cresce.
A série isoeletrônica 1s22s22p61\text{s}^2 2\text{s}^2 2\text{p}^6, desenhada em escala (raios iônicos para seis vizinhos). Os mesmos dez elétrons se contraem à medida que a carga nuclear cresce.

2.3 Energias: ionização e afinidade eletrônica

Definição 2.9 (Energias de ionização)

A primeira energia de ionização Ei1E_{i1} de um elemento é a energia necessária para retirar um elétron do átomo isolado em seu estado fundamental, em fase gasosa:

X(g)→XX+(g)+eX−,Ei1=E(XX+)+E(eX−)−E(X)>0.\ce{X(g) -> X+(g) + e-}, \qquad E_{i1} = E(\ce{X+}) + E(\ce{e-}) - E(\ce{X}) > 0 .

As energias de ionização sucessivas Ei2,Ei3,…E_{i2}, E_{i3}, \dots retiram o segundo, o terceiro elétron… de XX+\ce{X+}, XX2+\ce{X^{2+}}… Elas são expressas em elétron-volts por átomo ou em quilojoules por mol (1 eV↔96.49 kJ/mol1\,\mathrm{eV} \leftrightarrow 96.49\,\mathrm{kJ}/\mathrm{mol}).

Primeiras energias de ionização dos 36 primeiros elementos. Máximos nos gases nobres, mínimos nos metais alcalinos; as pequenas quedas em B, Al, Ga e em O, S são os efeitos de subcamada da .
Primeiras energias de ionização dos 36 primeiros elementos. Máximos nos gases nobres, mínimos nos metais alcalinos; as pequenas quedas em B, Al, Ga e em O, S são os efeitos de subcamada da Proposição 2.12.

Proposição 2.10 (Tendências da energia de ionização)

A primeira energia de ionização aumenta ao longo de um período, do metal alcalino ao gás nobre, e diminui descendo um grupo. As energias de ionização sucessivas sempre aumentam, Ei1<Ei2<…E_{i1} < E_{i2} < \dots, e dão um salto por um fator grande quando o elétron retirado pertence a uma camada interna.

Raciocínio. Retirar um elétron é mais fácil quando ele está longe do núcleo e sente uma Z∗Z^{*} pequena: ao longo de um período, Z∗Z^{*} cresce e o raio diminui; descendo um grupo, o raio cresce. Cada elétron sucessivo é arrancado de um íon de carga maior e tamanho menor, e por isso custa mais; uma vez vazia a camada de valência, o elétron seguinte vem de uma camada de nn menor, muito mais próxima do núcleo e quase sem blindagem. ∎

Exemplo 2.11 (O magnésio)

As energias de ionização sucessivas do magnésio são 7.65, 15.04, 80.14 e 109.27 eV109.27\,\mathrm{eV}. A razão Ei2/Ei1≈2E_{i2}/E_{i1} \approx 2 é moderada; Ei3/Ei2≈5.3E_{i3}/E_{i2} \approx 5.3 é um salto: o terceiro elétron vem do cerne 2p. O magnésio cede seus dois elétrons 3s e para em MgX2+\ce{Mg^{2+}}, que tem a configuração de gás nobre do neônio.

Energias de ionização sucessivas do magnésio (eixo logarítmico). A terceira vale cinco vezes a segunda: a camada 3s está vazia e o cerne é alcançado.
Energias de ionização sucessivas do magnésio (eixo logarítmico). A terceira vale cinco vezes a segunda: a camada 3s está vazia e o cerne é alcançado.

Proposição 2.12 (Duas quedas ao longo de um período)

Ao longo dos períodos 2 e 3, a primeira energia de ionização cai ligeiramente do grupo 2 para o grupo 13 (Be\ce{Be} para B\ce{B}, Mg\ce{Mg} para Al\ce{Al}) e do grupo 15 para o grupo 16 (N\ce{N} para O\ce{O}, P\ce{P} para S\ce{S}).

Raciocínio. Em B\ce{B} e Al\ce{Al}, o elétron retirado é o primeiro elétron p, mais alto em energia que os elétrons s de Be\ce{Be} e Mg\ce{Mg}. Em O\ce{O} e S\ce{S}, o elétron retirado é o quarto elétron p, o primeiro a compartilhar um orbital (): sua repulsão com o parceiro torna mais fácil retirá-lo do que um elétron da subcamada semipreenchida de N\ce{N} ou P\ce{P} (). ∎

Definição 2.13 (Afinidade eletrônica)

A afinidade eletrônica EeaE_{ea} de um elemento é a energia liberada quando um átomo isolado em seu estado fundamental captura um elétron em fase gasosa,

X(g)+eX−→XX−(g),Eea=E(X)+E(eX−)−E(XX−).\ce{X(g) + e- -> X-(g)}, \qquad E_{ea} = E(\ce{X}) + E(\ce{e-}) - E(\ce{X-}) .

Ela é positiva quando o ânion é mais estável que o átomo e o elétron livre.

Exemplo 2.14 (Os halogênios e seus vizinhos)

As afinidades eletrônicas de F\ce{F}, Cl\ce{Cl}, Br\ce{Br} e I\ce{I} são 3.40, 3.61, 3.36 e 3.06 eV3.06\,\mathrm{eV}, as maiores de todos os elementos; as de O\ce{O} e S\ce{S} são 1.44 e 2.02 eV2.02\,\mathrm{eV}, a de C\ce{C} 1.26 eV1.26\,\mathrm{eV}, a de Na\ce{Na} 0.55 eV0.55\,\mathrm{eV}. Os átomos que completam uma subcamada ao capturar um elétron (os halogênios) liberam muita energia. Nitrogênio, berílio, magnésio e os gases nobres não formam ânion gasoso estável: o elétron extra teria de se emparelhar em uma subcamada p semipreenchida ou entrar em uma nova subcamada. A afinidade do flúor é menor que a do cloro porque o elétron acrescentado fica comprimido na pequena camada 2p.

2.4 Eletronegatividade e polarizabilidade

Definição 2.15 (Eletronegatividade)

A eletronegatividade χ\chi de um elemento mede a tendência de seus átomos, em uma molécula, a atrair os elétrons das ligações que formam. Duas escalas são usadas.

  • Na escala de Pauling, as diferenças são definidas a partir das energias de ligação DD:

    ∣χA−χB∣=ΔE1 eV,ΔE=D(A–B)−12[D(A–A)+D(B–B)],|\chi_A - \chi_B| = \sqrt{\frac{\Delta E}{1\,\mathrm{eV}}}, \qquad \Delta E = D(\text{A--B}) - \tfrac12\big[D(\text{A--A}) + D(\text{B--B})\big],

    e a escala é ancorada por χ(F)=3.98\chi(\ce{F}) = 3.98.

  • Na escala de Mulliken, χM=12 (Ei1+Eea)\chi_M = \tfrac12\,(E_{i1} + E_{ea}), em elétron-volts.

Observação 2.16 (Por que a energia de ligação extra)

Se os dois átomos de uma ligação A–B atraíssem igualmente seus elétrons, a energia da ligação seria aproximadamente a média das de A–A e B–B. Quando um átomo é mais eletronegativo, a ligação adquire um caráter iônico parcial, AXδ+−BXδ−\ce{A^{\delta+}-B^{\delta-}}, cuja atração eletrostática acrescenta energia: ΔE>0\Delta E > 0 mede o compartilhamento desigual. A definição de Mulliken diz o mesmo do ponto de vista dos átomos: um átomo que retém fortemente os próprios elétrons (EiE_i grande) e acolhe bem um elétron extra (EeaE_{ea} grande) atrai os elétrons de uma ligação.

Eletronegatividades de Pauling dos elementos representativos (o bloco d foi deixado em branco). Elas aumentam da esquerda para a direita e de baixo para cima; os quatro elementos mais eletronegativos, F, O, Cl e N, estão sombreados.
Eletronegatividades de Pauling dos elementos representativos (o bloco d foi deixado em branco). Elas aumentam da esquerda para a direita e de baixo para cima; os quatro elementos mais eletronegativos, F, O, Cl e N, estão sombreados.

Proposição 2.17 (Tendências da eletronegatividade)

A eletronegatividade aumenta ao longo de um período e diminui descendo um grupo: o flúor é o elemento mais eletronegativo, o césio e o frâncio os menos eletronegativos. A diferença Δχ\Delta\chi entre dois átomos ligados indica o caráter da ligação: Δχ<0.4\Delta\chi < 0.4 covalente quase apolar, 0.4<Δχ<1.70.4 < \Delta\chi < 1.7 covalente polar, Δχ>1.7\Delta\chi > 1.7 predominantemente iônica — três regiões de um contínuo, e não classes bem delimitadas.

Exemplo 2.18 (Três ligações)

C−H\ce{C-H}: Δχ=2.55−2.20=0.35\Delta\chi = 2.55 - 2.20 = 0.35, quase apolar; O−H\ce{O-H}: 3.44−2.20=1.243.44 - 2.20 = 1.24, polar, com o oxigênio portando uma carga parcial negativa; Na−Cl\ce{Na-Cl}: 3.16−0.93=2.233.16 - 0.93 = 2.23, iônica.

Definição 2.19 (Polarizabilidade)

A polarizabilidade de um átomo, íon ou molécula mede a facilidade com que sua nuvem eletrônica é deformada por um campo elétrico — o campo de um íon ou de um dipolo vizinho. Uma espécie polarizável adquire, em um campo, um momento dipolar induzido proporcional ao campo.

Proposição 2.20 (Tendências da polarizabilidade)

A polarizabilidade cresce com o tamanho da nuvem eletrônica e com o número de elétrons, e diminui com a carga do núcleo que os retém: ela aumenta descendo um grupo (FX−<ClX−<BrX−<IX−\ce{F-} < \ce{Cl-} < \ce{Br-} < \ce{I-}), os ânions são muito mais polarizáveis que os cátions, e ânions grandes e moles como IX−\ce{I-} são as espécies comuns mais polarizáveis.

Exemplo 2.21 (Por que a polarizabilidade importa)

A atração de London entre moléculas, assunto do Capítulo 4, cresce com a polarizabilidade: o di-iodo é sólido à temperatura ambiente, o dicloro é um gás. Em um cristal iônico, um cátion pequeno e muito carregado polariza um ânion grande e confere à ligação certo caráter covalente, a falha do modelo iônico simples encontrada no Capítulo 6.

História — A escala de Pauling, 1932

Em 1932, o químico norte-americano Linus Pauling notou que a energia de uma ligação entre dois átomos diferentes é quase sempre maior que a média das energias das duas ligações simétricas, e construiu a partir desse excesso a primeira escala de eletronegatividade. Revista à medida que se mediam melhores energias de ligação, sua escala ainda é a de todas as tabelas. Pauling recebeu o Prêmio Nobel de Química em 1954, por seu trabalho sobre a ligação química, e o Prêmio Nobel da Paz em 1962.

Linus Pauling (1901–1994).
Linus Pauling (1901–1994).

2.5 Tendências do caráter químico

Proposição 2.22 (Caráter redutor e oxidante)

Os elementos de baixa energia de ionização e baixa eletronegatividade, à esquerda da tabela e na parte de baixo de seus grupos, perdem elétrons facilmente: são metais redutores (sobretudo os metais alcalinos). Os elementos de alta eletronegatividade e alta afinidade eletrônica, no canto superior direito, ganham elétrons facilmente: são não metais oxidantes (sobretudo flúor, oxigênio e cloro). Os gases nobres, com alta energia de ionização e nenhuma afinidade por um elétron extra, não fazem nem uma coisa nem outra.

Método 2.23 (Prever uma tendência a partir da posição)

Para comparar dois elementos quanto a uma propriedade ligada à força com que o núcleo retém os elétrons de valência (raio, EiE_i, EeaE_{ea}, χ\chi):

  1. se estão no mesmo grupo, o de baixo tem o maior nn: raio maior, EiE_i e χ\chi menores;
  2. se estão no mesmo período, o mais à direita tem a maior Z∗Z^{*}: raio menor, EiE_i e χ\chi maiores;
  3. caso contrário, compare cada um com o elemento no cruzamento de sua linha com a coluna do outro;
  4. verifique os efeitos de subcamada (início de uma subcamada p, primeiro elétron p emparelhado) antes de concluir sobre as energias de ionização.

Exemplo 2.24 (O lítio em uma bateria)

O lítio tem a menor eletronegatividade do período 2 e perde facilmente seu elétron 2s, além de ser o metal mais leve: ele transporta mais carga transferível por grama que qualquer outro elemento, razão pela qual alimenta as baterias recarregáveis. Sua primeira energia de ionização, 5.39 eV5.39\,\mathrm{eV}, é maior que a do sódio (5.14) ou do potássio (4.34), e no entanto em água ele é o metal alcalino mais redutor, paradoxo resolvido pela forte hidratação do pequeno íon LiX+\ce{Li+} (Capítulo 13).

2.6 Exercícios

Exercício 2.1 ★

Dê o período, o grupo e o bloco do cálcio, do ferro, do selênio e do iodo (Z=20,26,34,53Z = 20, 26, 34, 53), a partir de suas configurações.

Solução

Solução de Exercício 2.1.

Ca\ce{Ca} [Ar] 4s2[\ce{Ar}]\,4\text{s}^2: período 4, grupo 2, bloco s. Fe\ce{Fe} [Ar] 3d64s2[\ce{Ar}]\,3\text{d}^6 4\text{s}^2: período 4, grupo 8, bloco d. Se\ce{Se} [Ar] 3d104s24p4[\ce{Ar}]\,3\text{d}^{10} 4\text{s}^2 4\text{p}^4: período 4, grupo 16, bloco p. I\ce{I} [Kr] 4d105s25p5[\ce{Kr}]\,4\text{d}^{10} 5\text{s}^2 5\text{p}^5: período 5, grupo 17, bloco p.

Exercício 2.2 ★

Em cada par, qual espécie é maior, e por quê? Na\ce{Na} ou Cl\ce{Cl}; Na\ce{Na} ou NaX+\ce{Na+}; FX−\ce{F-} ou ClX−\ce{Cl-}; NaX+\ce{Na+} ou MgX2+\ce{Mg^{2+}}.

Solução

Solução de Exercício 2.2.

Na\ce{Na} é maior que Cl\ce{Cl}: mesmo período, Z∗Z^{*} menor. Na\ce{Na} é maior que NaX+\ce{Na+}, que perdeu sua camada 3s. ClX−\ce{Cl-} (181 pm181\,\mathrm{pm}) é maior que FX−\ce{F-} (133 pm133\,\mathrm{pm}): uma camada a mais. NaX+\ce{Na+} (102 pm102\,\mathrm{pm}) é maior que MgX2+\ce{Mg^{2+}} (72 pm72\,\mathrm{pm}): os mesmos dez elétrons, carga nuclear 11 contra 12.

Exercício 2.3 ★

As primeiras energias de ionização de Na\ce{Na}, Mg\ce{Mg}, Al\ce{Al}, P\ce{P}, S\ce{S} e Ar\ce{Ar} são 5.14, 7.65, 5.99, 10.49, 10.36 e 15.76 eV15.76\,\mathrm{eV}. Ordene-as e aponte os dois desvios em relação à tendência geral.

Solução

Solução de Exercício 2.3.

Na(5.14)<Al(5.99)<Mg(7.65)<S(10.36)<P(10.49)<Ar(15.76)\ce{Na} (5.14) < \ce{Al} (5.99) < \ce{Mg} (7.65) < \ce{S} (10.36) < \ce{P} (10.49) < \ce{Ar} (15.76). O aumento geral ao longo do período é quebrado duas vezes: Al\ce{Al} abaixo de Mg\ce{Mg} (o elétron retirado é o primeiro elétron 3p, mais alto em energia que 3s) e S\ce{S} abaixo de P\ce{P} (o elétron retirado é o primeiro elétron 3p emparelhado).

Exercício 2.4 ★

Defina a polarizabilidade de uma espécie. Qual é mais polarizável, FX−\ce{F-} ou IX−\ce{I-}? NaX+\ce{Na+} ou ClX−\ce{Cl-}? Justifique.

Solução

Solução de Exercício 2.4.

A polarizabilidade mede a facilidade com que a nuvem eletrônica é deformada por um campo elétrico. IX−\ce{I-} é mais polarizável que FX−\ce{F-}: é maior e seus elétrons externos estão mais longe do núcleo. ClX−\ce{Cl-} (18 elétrons retidos por Z=17Z = 17) é muito mais polarizável que NaX+\ce{Na+} (10 elétrons retidos por Z=11Z = 11), como os ânions em relação aos cátions.

Exercício 2.5 ★★

As quatro primeiras energias de ionização de um elemento do período 3 são 5.99, 18.83, 28.45 e 119.99 eV119.99\,\mathrm{eV}. Calcule as razões sucessivas e identifique o elemento e o íon que ele forma.

Solução

Solução de Exercício 2.5.

Razões: 18.83/5.99=3.118.83/5.99 = 3.1, 28.45/18.83=1.528.45/18.83 = 1.5, 119.99/28.45=4.2119.99/28.45 = 4.2. O salto vem depois do terceiro elétron: três elétrons de valência, grupo 13, período 3: alumínio. Ele forma AlX3+\ce{Al^{3+}}, 1s22s22p61\text{s}^2 2\text{s}^2 2\text{p}^6.

Exercício 2.6 ★★

Explique por que o cloro tem afinidade eletrônica maior que a do flúor, e por que o nitrogênio e o magnésio não formam ânion gasoso estável.

Solução

Solução de Exercício 2.6.

O elétron acrescentado em FX−\ce{F-} entra na pequena camada 2p, onde é fortemente repelido pelos sete elétrons de valência que já estão lá; na camada 3p, maior, do cloro, a repulsão é menor, de modo que se libera mais energia. No nitrogênio (2p32\text{p}^3, ), o elétron extra teria de se emparelhar em uma subcamada semipreenchida; no magnésio (3s23\text{s}^2), teria de iniciar a subcamada 3p, mais alta. Em nenhum dos dois casos o ânion é mais estável que o átomo e um elétron livre.

Exercício 2.7 ★★

Calcule as eletronegatividades de Mulliken do sódio (Ei1=5.14 eVE_{i1} = 5.14\,\mathrm{eV}, Eea=0.55 eVE_{ea} = 0.55\,\mathrm{eV}) e do cloro (Ei1=12.97 eVE_{i1} = 12.97\,\mathrm{eV}, Eea=3.61 eVE_{ea} = 3.61\,\mathrm{eV}). O que elas dizem sobre a ligação em NaCl\ce{NaCl}?

Solução

Solução de Exercício 2.7.

χM(Na)=(5.14+0.55)/2=2.85 eV\chi_M(\ce{Na}) = (5.14 + 0.55)/2 = 2.85\,\mathrm{eV}; χM(Cl)=(12.97+3.61)/2=8.29 eV\chi_M(\ce{Cl}) = (12.97 + 3.61)/2 = 8.29\,\mathrm{eV}. A diferença é grande: o par de elétrons de uma ligação Na−Cl\ce{Na-Cl} pertence quase inteiramente ao cloro, e o cloreto de sódio é iônico, NaX+ ClX−\ce{Na+ Cl-}.

Exercício 2.8 ★★

Com os valores de Pauling do Exemplo 2.18 e χ(F)=3.98\chi(\ce{F}) = 3.98, classifique as ligações H−F\ce{H-F}, C−H\ce{C-H}, Na−Cl\ce{Na-Cl}, C−Cl\ce{C-Cl} (χ(Cl)=3.16\chi(\ce{Cl}) = 3.16) e O−H\ce{O-H}, e dê o sinal da carga parcial de cada átomo.

Solução

Solução de Exercício 2.8.

H−F\ce{H-F}: Δχ=1.78\Delta\chi = 1.78, no limite da região iônica (na prática, uma ligação covalente muito polar), FXδ−\ce{F^{\delta-}}. C−H\ce{C-H}: 0.35, quase apolar. Na−Cl\ce{Na-Cl}: 2.23, iônica, ClX−\ce{Cl^{-}}. C−Cl\ce{C-Cl}: 0.61, covalente polar, CXδ+−ClXδ−\ce{C^{\delta+}-Cl^{\delta-}}. O−H\ce{O-H}: 1.24, covalente polar, OXδ−−HXδ+\ce{O^{\delta-}-H^{\delta+}}.

Exercício 2.9 ★★

As primeiras energias de ionização de Li\ce{Li}, Na\ce{Na} e K\ce{K} são 5.39, 5.14 e 4.34 eV4.34\,\mathrm{eV}. Explique a tendência e preveja se a do rubídio está acima ou abaixo de 4.34 eV4.34\,\mathrm{eV}.

Solução

Solução de Exercício 2.9.

Descendo o grupo, o elétron de valência está em uma camada de nn maior, mais longe do núcleo e blindado por mais elétrons de caroço; ele é retirado com mais facilidade. O rubídio, uma camada além, tem primeira energia de ionização abaixo de 4.34 eV4.34\,\mathrm{eV}.

Exercício 2.10 ★★★

O zinco (Z=30Z = 30) tem primeira energia de ionização de 9.39 eV9.39\,\mathrm{eV} e o gálio (Z=31Z = 31), de 6.00 eV6.00\,\mathrm{eV}; o arsênio (Z=33Z = 33), 9.79 eV9.79\,\mathrm{eV}, e o selênio (Z=34Z = 34), 9.75 eV9.75\,\mathrm{eV}. Explique as duas quedas usando as configurações.

Solução

Solução de Exercício 2.10.

O zinco é [Ar] 3d104s2[\ce{Ar}]\,3\text{d}^{10} 4\text{s}^2: seu elétron vem de uma subcamada 4s completa; o gálio, …4s24p1\dots 4\text{s}^2 4\text{p}^1, perde seu único elétron 4p, mais alto em energia e blindado pelas subcamadas 4s e 3d completas. O arsênio, 4p34\text{p}^3, perde um elétron de uma subcamada semipreenchida; o selênio, 4p44\text{p}^4, perde o elétron emparelhado, empurrado para cima pela repulsão de seu parceiro: sua energia de ionização é ligeiramente menor.

Exercício 2.11 ★★★

Considere D(H−H)=436 kJ/molD(\ce{H-H}) = 436\,\mathrm{kJ}/\mathrm{mol}, D(F−F)=158 kJ/molD(\ce{F-F}) = 158\,\mathrm{kJ}/\mathrm{mol}, χ(H)=2.20\chi(\ce{H}) = 2.20 e χ(F)=3.98\chi(\ce{F}) = 3.98, com 1 eV=96.5 kJ/mol1\,\mathrm{eV} = 96.5\,\mathrm{kJ}/\mathrm{mol}. Use a definição de Pauling para estimar a energia de ligação D(H−F)D(\ce{H-F}). Por que ela é tão maior que a média das duas ligações simétricas?

Solução

Solução de Exercício 2.11.

ΔE=(3.98−2.20)2=1.782=3.17 eV=3.17×96.5=306 kJ/mol\Delta E = (3.98 - 2.20)^2 = 1.78^2 = 3.17\,\mathrm{eV} = 3.17 \times 96.5 = 306\,\mathrm{kJ}/\mathrm{mol}. Então D(H−F)=12(436+158)+306=297+306≈603 kJ/molD(\ce{H-F}) = \tfrac12(436 + 158) + 306 = 297 + 306 \approx 603\,\mathrm{kJ}/\mathrm{mol}. O grande excesso é a atração adicional entre as cargas parciais HXδ+\ce{H^{\delta+}} e FXδ−\ce{F^{\delta-}}, devida à grande diferença de eletronegatividade.

Exercício 2.12 ★★★

As eletronegatividades de Pauling são tabeladas para o criptônio (3.00) e o xenônio (2.60), mas não para o hélio, o neônio ou o argônio. Usando a definição da escala, explique por que só se pode dar um valor para um elemento que forma ligações, e por que são os gases nobres mais pesados que as formam.

Solução

Solução de Exercício 2.12.

A escala de Pauling é definida a partir das energias das ligações A–B: um elemento que não forma nenhuma ligação não tem valor de Pauling. Hélio, neônio e argônio não formam compostos estáveis. O criptônio e sobretudo o xenônio têm camadas de valência maiores e mais polarizáveis e energias de ionização menores (14.0 eV14.0\,\mathrm{eV} para o criptônio contra 15.76 eV15.76\,\mathrm{eV} para o argônio); eles são oxidados pelo flúor e pelo oxigênio e formam compostos como XeFX2\ce{XeF2}, de modo que suas energias de ligação podem ser medidas.

2.7 Problema: A aritmética de Pauling

Problema 2.1

Problema de fim de semana — um elemento desconhecido a partir de suas energias de ionização, uma série de íons com nuvens do mesmo tamanho, duas escalas de eletronegatividade e o número de Pauling para a ligação H–Cl

Dado: 1 eV1\,\mathrm{eV} por partícula corresponde a 96.485 kJ/mol96.485\,\mathrm{kJ}/\mathrm{mol}.

Parte I — Um elemento desconhecido. As quatro primeiras energias de ionização de um elemento X do período 3 são 7.65, 15.04, 80.14 e 109.27 eV109.27\,\mathrm{eV}.

  1. Por que cada energia de ionização é maior que a anterior?
  2. Calcule as razões Ei2/Ei1E_{i2}/E_{i1}, Ei3/Ei2E_{i3}/E_{i2} e Ei4/Ei3E_{i4}/E_{i3}.
  3. Deduza o grupo de X e, em seguida, identifique-o.
  4. Que íon X forma em seus compostos? Dê sua configuração.
  5. X é um metal ou um não metal? Justifique pela sua posição.
  6. Por que o terceiro elétron custa tanto mais que o segundo?

Parte II — Dez elétrons. Os raios iônicos (seis vizinhos) de OX2−\ce{O^{2-}}, FX−\ce{F-}, NaX+\ce{Na+}, MgX2+\ce{Mg^{2+}} e AlX3+\ce{Al^{3+}} são 140, 133, 102, 72 e 54 pm54\,\mathrm{pm}.

  1. Mostre que esses íons têm a mesma configuração.
  2. Explique a ordem dos raios.
  3. Qual dos cinco íons é o mais polarizável, e por quê?
  4. Calcule a razão entre o maior e o menor raio.
  5. O comprimento de ligação de ClX2\ce{Cl2} é 198.8 pm198.8\,\mathrm{pm} e o raio de ClX−\ce{Cl-}, 181 pm181\,\mathrm{pm}. Calcule o raio covalente do cloro e compare.
  6. Sem outros dados, ordene ClX−\ce{Cl-}, NaX+\ce{Na+} e MgX2+\ce{Mg^{2+}} por tamanho.

Parte III — A escala de Mulliken.

elementoF\ce{F}Cl\ce{Cl}Br\ce{Br}O\ce{O}C\ce{C}
Ei1E_{i1} (eV)17.4212.9711.8113.6211.26
EeaE_{ea} (eV)3.403.613.361.441.26
χ\chi de Pauling3.983.162.963.442.55
  1. Calcule as eletronegatividades de Mulliken dos cinco elementos.
  2. Ordene-as em cada escala. Qual elemento fica em posição diferente?
  3. Calcule a razão χPauling/χM\chi_{\text{Pauling}}/\chi_M para os três halogênios. O que você observa?
  4. Sugira por que o oxigênio foge à regra dos halogênios (observe sua afinidade eletrônica).
  5. Qual átomo porta a carga parcial negativa em HCl\ce{HCl}? E em ClF\ce{ClF}?
  6. Com os valores tabelados (χ(H)=2.20\chi(\ce{H}) = 2.20), a ligação H−Cl\ce{H-Cl} é apolar, covalente polar ou iônica?

Parte IV — O número de Pauling para H–Cl. As entalpias padrão de formação de H(g)\ce{H(g)}, Cl(g)\ce{Cl(g)} e HCl(g)\ce{HCl(g)} a 298 K298\,\mathrm{K} são 218.0, 121.3 e −92.3 kJ/mol-92.3\,\mathrm{kJ}/\mathrm{mol}; as de HX2(g)\ce{H2(g)} e ClX2(g)\ce{Cl2(g)} são nulas. A energia de ligação de uma molécula é tomada como a entalpia de sua dissociação em átomos.

  1. Calcule D(H−H)D(\ce{H-H}) a partir de HX2(g)→2 H(g)\ce{H2(g) -> 2H(g)}.
  2. Calcule D(Cl−Cl)D(\ce{Cl-Cl}).
  3. Calcule D(H−Cl)D(\ce{H-Cl}) a partir de HCl(g)→H(g)+Cl(g)\ce{HCl(g) -> H(g) + Cl(g)}.
  4. Calcule o excesso de energia de Pauling ΔE\Delta E em kJ/mol e mostre que ele é igual a −ΔfH(HCl)-\Delta_f H(\ce{HCl}).
  5. Converta ΔE\Delta E em elétron-volts.
  6. Calcule ∣χ(Cl)−χ(H)∣|\chi(\ce{Cl}) - \chi(\ce{H})| e compare com a diferença dos valores tabelados, 3.16−2.203.16 - 2.20.
Solução

Solução de Problema 2.1.

1. Cada elétron é retirado de um íon mais positivo e menor que o anterior, que retém seus elétrons com mais força. 2. 15.04/7.65=1.9715.04/7.65 = 1.97; 80.14/15.04=5.3380.14/15.04 = 5.33; 109.27/80.14=1.36109.27/80.14 = 1.36. 3. O salto vem depois de dois elétrons: X tem dois elétrons de valência, grupo 2; no período 3, é o magnésio. 4. MgX2+\ce{Mg^{2+}}, 1s22s22p61\text{s}^2 2\text{s}^2 2\text{p}^6, a configuração do neônio. 5. Um metal: grupo 2, à esquerda da tabela, com baixas primeiras energias de ionização. 6. O terceiro elétron vem do cerne 2p, de nn menor, muito mais próximo do núcleo e quase sem blindagem, e é retirado de um íon com carga dupla.

7. Todos têm dez elétrons: 1s22s22p61\text{s}^2 2\text{s}^2 2\text{p}^6. 8. Os mesmos dez elétrons são retidos por cargas nucleares 8, 9, 11, 12, 13: a nuvem se contrai à medida que ZZ cresce. 9. OX2−\ce{O^{2-}}: o maior, com a menor carga nuclear para seus dez elétrons, e um ânion. 10. 140/54=2.6140/54 = 2.6. 11. 198.8/2=99.4 pm198.8/2 = 99.4\,\mathrm{pm}; o ânion é 181/99.4=1.8181/99.4 = 1.8 vezes maior que o raio covalente.

12. MgX2+<NaX+<ClX−\ce{Mg^{2+}} < \ce{Na+} < \ce{Cl-}: os dois cátions são isoeletrônicos (carga 12 contra 11), e ClX−\ce{Cl-} tem uma terceira camada. 13. χM\chi_M = 10.41 (F\ce{F}), 8.29 (Cl\ce{Cl}), 7.59 (Br\ce{Br}), 7.53 (O\ce{O}), 6.26 (C\ce{C}), em eV. 14. Mulliken: F>Cl>Br>O>C\ce{F} > \ce{Cl} > \ce{Br} > \ce{O} > \ce{C}; Pauling: F>O>Cl>Br>C\ce{F} > \ce{O} > \ce{Cl} > \ce{Br} > \ce{C}. O oxigênio passa da quarta para a segunda posição. 15. 3.98/10.41=0.3823.98/10.41 = 0.382, 3.16/8.29=0.3813.16/8.29 = 0.381, 2.96/7.59=0.3902.96/7.59 = 0.390: quase constante, cerca de 0.38; para os halogênios, as duas escalas são proporcionais. 16. A afinidade eletrônica do oxigênio é pequena (1.44 eV1.44\,\mathrm{eV}) porque o elétron acrescentado precisa se emparelhar na compacta camada 2p; o valor de Mulliken do átomo livre subestima a atração que o oxigênio exerce em suas ligações, que a escala de Pauling, construída a partir das ligações, mede diretamente. 17. O cloro em HCl\ce{HCl}; o flúor em ClF\ce{ClF}. 18. Δχ=0.96\Delta\chi = 0.96: covalente polar. 19. D(H−H)=2×218.0=436.0 kJ/molD(\ce{H-H}) = 2 \times 218.0 = 436.0\,\mathrm{kJ}/\mathrm{mol}. 20. D(Cl−Cl)=2×121.3=242.6 kJ/molD(\ce{Cl-Cl}) = 2 \times 121.3 = 242.6\,\mathrm{kJ}/\mathrm{mol}. 21. D(H−Cl)=218.0+121.3−(−92.3)=431.6 kJ/molD(\ce{H-Cl}) = 218.0 + 121.3 - (-92.3) = 431.6\,\mathrm{kJ}/\mathrm{mol}. 22. ΔE=431.6−12(436.0+242.6)=431.6−339.3=92.3 kJ/mol\Delta E = 431.6 - \tfrac12(436.0 + 242.6) = 431.6 - 339.3 = 92.3\,\mathrm{kJ}/\mathrm{mol}. Em símbolos, D(H−Cl)=ΔfH(H)+ΔfH(Cl)−ΔfH(HCl)D(\ce{H-Cl}) = \Delta_fH(\ce{H}) + \Delta_fH(\ce{Cl}) - \Delta_fH(\ce{HCl}), enquanto a média das ligações simétricas é ΔfH(H)+ΔfH(Cl)\Delta_fH(\ce{H}) + \Delta_fH(\ce{Cl}), de modo que ΔE=−ΔfH(HCl)\Delta E = -\Delta_fH(\ce{HCl}). 23. 92.3/96.485=0.957 eV92.3/96.485 = 0.957\,\mathrm{eV}. 24. ∣χ(Cl)−χ(H)∣=0.957=0.98|\chi(\ce{Cl}) - \chi(\ce{H})| = \sqrt{0.957} = \textbf{0.98}, contra 3.16−2.20=0.963.16 - 2.20 = 0.96 nas tabelas: a aritmética de Pauling, feita com dados modernos, reproduz a diferença tabelada com precisão de 0.02.

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