Chemistry · Livro 3 · Bachelor Year 2

Química universitária — 2.º ano

Química universitária — 2.º ano · Bachelor Year 2

13Orbitais atômicos: formas, energias e tamanhos

Um átomo de hidrogênio não tem borda: seu elétron pode ser encontrado a qualquer distância do núcleo, com uma probabilidade que diminui depressa, mas nunca chega a zero. No entanto, os átomos têm tamanhos, e um átomo de sódio é cerca de duas vezes mais largo que um átomo de cloro, embora tenha menos elétrons. O volume do 1.º ano designou os estados de um elétron por três números quânticos; aqui, cada um deles se torna uma função da posição, com uma forma, nós, sinais e um tamanho, e um conjunto simples de regras os transforma em energias orbitais para qualquer átomo. Essas formas e esses sinais são o que os quatro capítulos seguintes combinam em orbitais moleculares.

O que você já sabe

O volume do 1.º ano: os números quânticos nn, ll, mlm_l, msm_s; os orbitais atômicos como os estados (n,l,ml)(n, l, m_l); camadas e subcamadas; blindagem e carga nuclear efetiva (qualitativamente); configurações eletrônicas; os níveis do hidrogênio, −ER/n2-E_R/n^2 com ER=13.6 eVE_R = 13.6\,\mathrm{eV}. Da física: a função de onda, cujo módulo ao quadrado é uma densidade de probabilidade.

13.1 As funções de onda do átomo de hidrogênio

Definição 13.1 (Função de onda)

O estado de um elétron é descrito por uma função de onda ψ(x,y,z)\psi(x, y, z); ∣ψ∣2|\psi|^2 é sua densidade de probabilidade: a probabilidade de encontrar o elétron em um pequeno volume dVdV em torno de um ponto é ∣ψ∣2 dV|\psi|^2\,dV, e ∫∣ψ∣2 dV=1\int|\psi|^2\,dV = 1 em todo o espaço (a função está normalizada). Um orbital atômico é a função de onda de um elétron em um átomo.

Definição 13.2 (Partes radial e angular)

Em coordenadas esféricas (r,θ,φ)(r, \theta, \varphi) centradas no núcleo, os orbitais de um átomo hidrogenoide se fatoram como ψnlm(r,θ,φ)=Rnl(r) Ylm(θ,φ)\psi_{nlm}(r, \theta, \varphi) = R_{nl}(r)\, Y_{lm}(\theta, \varphi): a parte radial RnlR_{nl} depende de nn e ll, a parte angular YlmY_{lm} apenas de ll e de mlm_l.

Teorema 13.3 (Os orbitais hidrogenoides)

Para um átomo monoeletrônico de carga nuclear ZeZe, com ρ=Zr/a0\rho = Zr/a_0 e a0=52.9 pma_0 = 52.9\,\mathrm{pm} o raio de Bohr, as partes radiais para n≤3n \leq 3 são, em unidades de (Z/a0)3/2(Z/a_0)^{3/2}:

R1s=2 e−ρR2s=122 (2−ρ) e−ρ/2R2p=126 ρ e−ρ/2R3s=2813 (27−18ρ+2ρ2) e−ρ/3R3p=4816 (6ρ−ρ2) e−ρ/3R3d=48130 ρ2 e−ρ/3\begin{array}{ll} R_{1s} = 2\,\mathrm e^{-\rho} & R_{2s} = \dfrac{1}{2\sqrt2}\,(2 - \rho)\,\mathrm e^{-\rho/2} \\[2ex] R_{2p} = \dfrac{1}{2\sqrt6}\,\rho\,\mathrm e^{-\rho/2} & R_{3s} = \dfrac{2}{81\sqrt3}\,(27 - 18\rho + 2\rho^2)\,\mathrm e^{-\rho/3} \\[2ex] R_{3p} = \dfrac{4}{81\sqrt6}\,(6\rho - \rho^2)\,\mathrm e^{-\rho/3} & R_{3d} = \dfrac{4}{81\sqrt{30}}\,\rho^2\,\mathrm e^{-\rho/3} \end{array}

e as partes angulares reais são Ys=1/4πY_s = 1/\sqrt{4\pi}; Ypx,Ypy,Ypz=3/(4π) (x,y,z)/rY_{p_x}, Y_{p_y}, Y_{p_z} = \sqrt{3/(4\pi)}\,(x, y, z)/r; Ydxy=15/(4π) xy/r2Y_{d_{xy}} = \sqrt{15/(4\pi)}\,xy/r^2 (e o mesmo para xzxz, yzyz), Ydx2−y2=15/(16π) (x2−y2)/r2Y_{d_{x^2-y^2}} = \sqrt{15/(16\pi)}\,(x^2 - y^2)/r^2, Ydz2=5/(16π) (3z2−r2)/r2Y_{d_{z^2}} = \sqrt{5/(16\pi)}\,(3z^2 - r^2)/r^2. Suas energias são En=−Z2ER/n2E_n = -Z^2E_R/n^2.

Demonstração. Admitido neste nível. ∎

Essas funções são as soluções da equação de Schrödinger para um elétron e um núcleo, obtidas no volume do 3.º ano. As funções pp e dd reais são combinações das complexas, rotuladas por mlm_l; elas apontam ao longo dos eixos e são as usadas para construir ligações.

Erwin Schrödinger, que em 1926 escreveu a equação de onda cujas soluções para o átomo de hidrogênio são os orbitais deste capítulo, e delas recuperou os níveis de energia que Bohr havia postulado. Dividiu o Prêmio Nobel de Física de 1933. (Fotografia: Fundação Nobel, domínio público, Wikimedia Commons.)
Erwin Schrödinger, que em 1926 escreveu a equação de onda cujas soluções para o átomo de hidrogênio são os orbitais deste capítulo, e delas recuperou os níveis de energia que Bohr havia postulado. Dividiu o Prêmio Nobel de Física de 1933. (Fotografia: Fundação Nobel, domínio público, Wikimedia Commons.)

13.2 A parte radial

A probabilidade de encontrar o elétron entre as esferas de raios rr e r+drr + dr é ∣ψ∣2|\psi|^2 integrado sobre a casca de volume 4πr2 dr4\pi r^2\,dr; para qualquer orbital, uma vez integrados os ângulos, ela vale r2R2 drr^2R^2\,dr.

Definição 13.4 (Distribuição radial)

A função de distribuição radial de um orbital é P(r)=r2Rnl(r)2P(r) = r^2R_{nl}(r)^2: P(r) drP(r)\,dr é a probabilidade de o elétron estar entre rr e r+drr + dr do núcleo. O raio mais provável é o valor de rr em seu maior máximo.

Proposição 13.5 (Normalização do 1s)

∫0∞P1s(r) dr=1\int_0^\infty P_{1s}(r)\,dr = 1.

Demonstração. Com Z=1Z = 1 e rr em unidades de a0a_0, P1s=4r2e−2rP_{1s} = 4r^2\mathrm e^{-2r}. Integrando por partes duas vezes, ∫0∞r2e−2r dr=22∫0∞r e−2r dr=12∫0∞e−2r dr=14\int_0^\infty r^2\mathrm e^{-2r}\,dr = \frac22\int_0^\infty r\,\mathrm e^{-2r}\,dr = \frac12\int_0^\infty\mathrm e^{-2r}\,dr = \frac14, and 4×14=14 \times \frac14 = 1. ∎

Proposição 13.6 (Raio mais provável)

Para o orbital 1s, o raio mais provável é a0/Za_0/Z. Para um orbital com l=n−1l = n - 1 (1s, 2p, 3d, …), ele vale n2a0/Zn^2a_0/Z.

Demonstração. Para l=n−1l = n - 1, a parte radial não tem nó: R∝ρn−1e−ρ/nR \propto \rho^{n-1}\mathrm e^{-\rho/n}, logo P∝ρ2ne−2ρ/nP \propto \rho^{2n}\mathrm e^{-2\rho/n} e dln⁡P/dρ=2n/ρ−2/nd\ln P/d\rho = 2n/\rho - 2/n, nula para ρ=n2\rho = n^2, isto é, r=n2a0/Zr = n^2a_0/Z. Com n=1n = 1, r=a0/Zr = a_0/Z. ∎

Proposição 13.7 (Raio médio do 1s)

A distância média de um elétron 1s ao núcleo é ⟨r⟩=3a0/(2Z)\langle r\rangle = 3a_0/(2Z), maior que seu raio mais provável.

Demonstração. Com Z=1Z = 1: ⟨r⟩=∫0∞r P(r) dr=4∫0∞r3e−2r dr=4×3!/24=3/2\langle r\rangle = \int_0^\infty r\,P(r)\,dr = 4\int_0^\infty r^3\mathrm e^{-2r} \,dr = 4 \times 3!/2^4 = 3/2. A distribuição tem uma longa cauda para rr grande, que puxa a média para além do máximo. ∎

Definição 13.8 (Nós)

Uma superfície nodal de um orbital é uma superfície na qual a função de onda se anula e muda de sinal. É um nó radial (uma esfera) quando a parte radial se anula, e um nó angular (um plano ou um cone que passa pelo núcleo) quando a parte angular se anula.

Proposição 13.9 (Contagem dos nós)

Um orbital (n,l)(n, l) tem n−l−1n - l - 1 nós radiais e ll nós angulares, n−1n - 1 ao todo.

Demonstração. Nas funções do Teorema 13.3: R2sR_{2s} se anula em ρ=2\rho = 2, R3sR_{3s} nas duas raízes de 2ρ2−18ρ+272\rho^2 - 18\rho + 27 (ρ=1.90\rho = 1.90 e 7.107.10), R3pR_{3p} em ρ=6\rho = 6; R1sR_{1s}, R2pR_{2p}, R3dR_{3d} não se anulam. A parte angular de um orbital p se anula em um plano (z=0z = 0 para pzp_z), a de um orbital d em dois planos ou, para dz2d_{z^2}, em um cone. O caso geral é admitido. ∎

À esquerda: distribuições radiais P(r) = r2R2 dos orbitais do hidrogênio até n = 3; quanto maior n, mais longe o elétron, e os orbitais s têm pequenos máximos internos (penetração). À direita: R_2s e R_3s mudam de sinal em seus nós radiais (r = 2a_0; 1.90a_0 e 7.10a_0). À esquerda: distribuições radiais P(r) = r2R2 dos orbitais do hidrogênio até n = 3; quanto maior n, mais longe o elétron, e os orbitais s têm pequenos máximos internos (penetração). À direita: R_2s e R_3s mudam de sinal em seus nós radiais (r = 2a_0; 1.90a_0 e 7.10a_0).
À esquerda: distribuições radiais P(r)=r2R2P(r) = r^2R^2 dos orbitais do hidrogênio até n=3n = 3; quanto maior nn, mais longe o elétron, e os orbitais s têm pequenos máximos internos (penetração). À direita: R2sR_{2s} e R3sR_{3s} mudam de sinal em seus nós radiais (r=2a0r = 2a_0; 1.90a01.90a_0 e 7.10a07.10a_0).
Representações por densidade de pontos dos orbitais 1s e 2s do hidrogênio em um plano que passa pelo núcleo: a densidade de pontos segue | |2 (amostragem determinística). A nuvem 2s tem um anel vazio, o nó radial em 2a_0 (tracejado); os quadros têm 12 e 28 a_0 de largura. Representações por densidade de pontos dos orbitais 1s e 2s do hidrogênio em um plano que passa pelo núcleo: a densidade de pontos segue | |2 (amostragem determinística). A nuvem 2s tem um anel vazio, o nó radial em 2a_0 (tracejado); os quadros têm 12 e 28 a_0 de largura.
Representações por densidade de pontos dos orbitais 1s e 2s do hidrogênio em um plano que passa pelo núcleo: a densidade de pontos segue ∣ψ∣2|\psi|^2 (amostragem determinística). A nuvem 2s tem um anel vazio, o nó radial em 2a02a_0 (tracejado); os quadros têm 12 e 28 a0a_0 de largura.

13.3 A parte angular

A parte angular fixa a forma. Um orbital s é esférico; um orbital p tem dois lobos de sinais opostos ao longo de seu eixo, separados por um plano nodal; um orbital d tem quatro lobos de sinais alternados (ou, para dz2d_{z^2}, dois lobos e um anel). O sinal de um lobo não tem significado físico por si só — ψ\psi e −ψ-\psi descrevem o mesmo estado —, mas os sinais relativos de dois orbitais decidem, no próximo capítulo, se eles se combinam em uma ligação.

Orbitais atômicos reais, esquemáticos: os lobos mostram as regiões em que | | é grande, coloridas pelo sinal de  (azul positivo, laranja negativo). Os orbitais d_xz e d_yz têm a forma de d_xy nos planos que seus nomes indicam.
Orbitais atômicos reais, esquemáticos: os lobos mostram as regiões em que ∣ψ∣|\psi| é grande, coloridas pelo sinal de ψ\psi (azul positivo, laranja negativo). Os orbitais dxz\mathrm d_{xz} e dyz\mathrm d_{yz} têm a forma de dxy\mathrm d_{xy} nos planos que seus nomes indicam.

Método 13.10 (Esboçar um orbital a partir de seus números quânticos)

  1. A partir de ll, a forma: s (esfera), p (dois lobos), d (quatro lobos, ou dois lobos e um anel para dz2d_{z^2}); a partir do índice, a orientação.
  2. Conte os ll nós angulares (planos que passam pelo núcleo) e dê sinais opostos aos lobos adjacentes.
  3. Conte os n−l−1n - l - 1 nós radiais: camadas internas de sinal oposto dentro dos lobos principais (em geral omitidas nos esboços).
  4. Ajuste a escala com n2a0/Zn^2a_0/Z: nn maior, orbital maior; ZZ maior, orbital menor.

13.4 Átomos polieletrônicos

Em um átomo com vários elétrons, cada elétron sente o núcleo blindado pelos outros. Os orbitais conservam as formas dos do hidrogênio, com uma carga efetiva Z∗Z^* no lugar de ZZ, e a energia de uma subcamada passa a depender de ll além de nn: um elétron s, cuja distribuição radial tem máximos internos perto do núcleo, é menos blindado que um elétron p da mesma camada, e um p menos que um d.

Definição 13.11 (Regras de Slater)

As regras de Slater estimam a carga nuclear efetiva Z∗=Z−σZ^* = Z - \sigma sentida por um elétron. Os elétrons são agrupados como (1s) (2s, 2p) (3s, 3p) (3d) (4s, 4p) (4d) (4f) (5s, 5p) …; a constante de blindagem σ\sigma de um elétron é a soma das contribuições dos outros elétrons: 0.35 para cada outro elétron do mesmo grupo (0.30 dentro do 1s); para um elétron s ou p, 0.85 para cada elétron da camada n−1n - 1 e 1.00 para cada elétron das camadas inferiores; para um elétron d ou f, 1.00 para todo elétron dos grupos abaixo do seu. Os grupos acima não contribuem.

elétron estudadomesmo grupocamada n−1n - 1camadas inferioresgrupos acima
1s0.30——0
nns, nnp0.350.851.000
nnd, nnf0.351.001.000
Constantes de blindagem de Slater, por elétron blindante. Os números quânticos principais efetivos são n∗=1,2,3,3.7,4.0,4.2n^* = 1, 2, 3, 3.7, 4.0, 4.2 para n=1n = 1 a 6.

Método 13.12 (Calcular uma carga efetiva)

  1. Escreva a configuração nos grupos de Slater, em ordem de nn, com s e p juntos e d e f à parte.
  2. Escolha o elétron; some 0.35 para cada outro elétron de seu grupo.
  3. Some 0.85 (elétron s ou p) ou 1.00 (d ou f) por elétron da camada logo abaixo, e 1.00 por elétron mais profundo.
  4. Z∗=Z−σZ^* = Z - \sigma.

Definição 13.13 (Energia e raio orbitais)

No modelo de Slater, a energia orbital de um elétron de carga efetiva Z∗Z^* e número quântico principal efetivo n∗n^* é ε=−ERZ∗2/n∗2\varepsilon = -E_RZ^{*2}/n^{*2}, e seu raio orbital é n∗2a0/Z∗n^{*2}a_0/Z^*, o raio mais provável de um orbital hidrogenoide de carga Z∗Z^*.

Proposição 13.14 (Energias de Slater)

A energia de um grupo de kk elétrons de carga efetiva Z∗Z^* é aproximadamente kε=−kERZ∗2/n∗2k\varepsilon = -kE_RZ^{*2}/n^{*2}, e a energia eletrônica total do átomo é a soma sobre seus grupos.

Demonstração. Admitido neste nível. ∎

Exemplo 13.15 (Ferro: 4s ou 3d primeiro?)

O ferro é [Ar] 3d6 4s2[\ce{Ar}]\,3\mathrm d^6\,4\mathrm s^2. Um elétron 4s: σ=0.35+14×0.85+10×1.00=22.25\sigma = 0.35 + 14 \times 0.85 + 10 \times 1.00 = 22.25, Z∗=3.75Z^* = 3.75, ε=−13.6×3.752/3.72=−14.0 eV\varepsilon = -13.6 \times 3.75^2/3.7^2 = -14.0\,\mathrm{eV}. Um elétron 3d: σ=5×0.35+18×1.00=19.75\sigma = 5 \times 0.35 + 18 \times 1.00 = 19.75, Z∗=6.25Z^* = 6.25, ε=−13.6×6.252/9=−59 eV\varepsilon = -13.6 \times 6.25^2/9 = -59\,\mathrm{eV}. Os elétrons 3d estão muito mais fortemente ligados: embora o 4s seja preenchido primeiro na ordem de preenchimento, é um elétron 4s que sai quando o ferro é ionizado, e o íon ferro(II) é [Ar] 3d6[\ce{Ar}]\,3\mathrm d^6.

13.5 Usar as energias e os tamanhos orbitais

Proposição 13.16 (Energia de ionização a partir das energias de Slater)

No modelo de Slater, a primeira energia de ionização de um átomo é a diferença entre as energias totais do íon e do átomo, calculadas grupo a grupo com as cargas efetivas de cada um.

Demonstração. A energia de ionização é E(ıˊon)−E(aˊtomo)E(\text{íon}) - E(\text{átomo}); pela Proposição 13.14, ambas são somas de energias de grupo, e só muda o grupo que perde o elétron (os grupos internos não são blindados pelos elétrons externos). ∎

Exemplo 13.17 (O carbono)

Carbono, (2s, 2p)4^4: Z∗=6−2×0.85−3×0.35=3.25Z^* = 6 - 2 \times 0.85 - 3 \times 0.35 = 3.25; a energia do grupo é 4×(−13.6×3.252/4)=−143.6 eV4 \times (-13.6 \times 3.25^2/4) = -143.6\,\mathrm{eV}. O íon CX+\ce{C+}, (2s, 2p)3^3: Z∗=3.60Z^* = 3.60, 3×(−13.6×3.602/4)=−132.2 eV3 \times (-13.6 \times 3.60^2/4) = -132.2\,\mathrm{eV}. A energia de ionização é 11.5 eV11.5\,\mathrm{eV}, contra 11.26 eV11.26\,\mathrm{eV} medidos.

Carga efetiva de Slater do elétron de valência e raio orbital n*2a_0/Z*. Ao longo do período 2, Z* cresce 0.65 por elemento e os átomos encolhem; descendo o grupo 1, Z* fica em 1.30 e depois 2.20 enquanto n* cresce, e os átomos incham. Carga efetiva de Slater do elétron de valência e raio orbital n*2a_0/Z*. Ao longo do período 2, Z* cresce 0.65 por elemento e os átomos encolhem; descendo o grupo 1, Z* fica em 1.30 e depois 2.20 enquanto n* cresce, e os átomos incham.
Carga efetiva de Slater do elétron de valência e raio orbital n∗2a0/Z∗n^{*2}a_0/Z^*. Ao longo do período 2, Z∗Z^* cresce 0.65 por elemento e os átomos encolhem; descendo o grupo 1, Z∗Z^* fica em 1.30 e depois 2.20 enquanto n∗n^* cresce, e os átomos incham.

O modelo reproduz as tendências do volume do 1.º ano. Ao longo de um período, cada próton acrescentado é blindado por apenas 0.35 do elétron acrescentado com ele: Z∗Z^* sobe, o orbital externo se contrai e liga mais fortemente. Descendo um grupo, Z∗Z^* quase não muda enquanto a camada externa se afasta: os átomos crescem e suas energias de ionização caem. O sódio, com Z∗=2.20Z^* = 2.20 para seu elétron 3s, tem um raio orbital de 9/2.2=4.1a09/2.2 = 4.1a_0; o cloro, com Z∗=6.10Z^* = 6.10 para um elétron 3p, 9/6.1=1.5a09/6.1 = 1.5a_0.

13.6 Exercícios

Exercício 13.2 ★

Mostre, a partir de R2pR_{2p}, que o raio mais provável de um elétron 2p do hidrogênio é 4a04a_0, e dê-o em picômetros.

Solução

Solução de Exercício 13.2.

P2p∝r4e−rP_{2p} \propto r^4\mathrm e^{-r} (rr em a0a_0): dln⁡P/dr=4/r−1=0d\ln P/dr = 4/r - 1 = 0 para r=4r = 4: 4a0=212 pm4a_0 = 212\,\mathrm{pm}.

Exercício 13.3 ★

Calcule a probabilidade de encontrar o elétron 1s do hidrogênio mais perto do núcleo do que a0a_0.

Solução

Solução de Exercício 13.3.

1−e−2(1+2+2)=1−5e−2=0.3231 - \mathrm e^{-2}(1 + 2 + 2) = 1 - 5\mathrm e^{-2} = 0.323.

Exercício 13.4 ★

Esboce o orbital 3dxy3\mathrm d_{xy}: lobos, sinais, planos nodais. Quantos nós radiais ele tem?

Solução

Solução de Exercício 13.4.

Quatro lobos que apontam entre os eixos xx e yy, no plano xyxy, de sinais alternados (positivos onde xy>0xy > 0); os planos nodais são xzxz e yzyz. Nós radiais: n−l−1=0n - l - 1 = 0.

Exercício 13.5 ★★

Calcule a carga efetiva de Slater de um elétron 2p do oxigênio e o raio orbital que ela dá.

Solução

Solução de Exercício 13.5.

Oxigênio, (1s)2(2s,2p)6(1\mathrm s)^2(2\mathrm s, 2\mathrm p)^6: σ=5×0.35+2×0.85=3.45\sigma = 5 \times 0.35 + 2 \times 0.85 = 3.45, Z∗=4.55Z^* = 4.55; raio 4/4.55=0.88a04/4.55 = 0.88a_0, 47 pm47\,\mathrm{pm}.

Exercício 13.6 ★★

Usando o exemplo do ferro, explique por que a configuração de FeX3+\ce{Fe^3+} é [Ar] 3d5[\ce{Ar}]\,3\mathrm d^5 e não [Ar] 3d34s2[\ce{Ar}]\,3\mathrm d^3 4\mathrm s^2.

Solução

Solução de Exercício 13.6.

A ionização retira os elétrons menos ligados. Os elétrons 4s (−14 eV-14\,\mathrm{eV}) estão muito menos ligados que os 3d (−59 eV-59\,\mathrm{eV}): os dois elétrons 4s saem primeiro, depois um elétron 3d, o que dá [Ar] 3d5[\ce{Ar}]\,3\mathrm d^5.

Exercício 13.7 ★★

Estime pelas regras de Slater as primeiras energias de ionização do lítio e do sódio e compare com os valores medidos, 5.39 e 5.14 eV5.14\,\mathrm{eV}. Comente.

Solução

Solução de Exercício 13.7.

Lítio, 2s: Z∗=3−2×0.85=1.30Z^* = 3 - 2 \times 0.85 = 1.30, I=13.6×1.302/4=5.75 eVI = 13.6 \times 1.30^2/4 = 5.75\,\mathrm{eV} (medido 5.39, 7 % acima). Sódio, 3s: Z∗=11−8×0.85−2×1.00=2.20Z^* = 11 - 8 \times 0.85 - 2 \times 1.00 = 2.20, I=13.6×2.202/9=7.3 eVI = 13.6 \times 2.20^2/9 = 7.3\,\mathrm{eV} (medido 5.14): as regras, um modelo grosseiro, superestimam a ligação do elétron externo, e cada vez mais descendo o grupo.

Exercício 13.8 ★★

Calcule Z∗Z^* e o raio orbital do elétron externo do sódio e do cloro, e explique por que o átomo de sódio é o maior.

Solução

Solução de Exercício 13.8.

Sódio: Z∗=2.20Z^* = 2.20, raio 9/2.20=4.1a09/2.20 = 4.1a_0 (216 pm216\,\mathrm{pm}). Cloro, 3p: σ=6×0.35+8×0.85+2×1.00=10.90\sigma = 6 \times 0.35 + 8 \times 0.85 + 2 \times 1.00 = 10.90, Z∗=6.10Z^* = 6.10, raio 9/6.10=1.5a09/6.10 = 1.5a_0 (78 pm78\,\mathrm{pm}). Mesma camada, mas o elétron externo do cloro sente uma carga quase três vezes maior e é puxado para dentro.

Exercício 13.9 ★★

Mostre que os orbitais 1s e 2s do hidrogênio são ortogonais, ∫ψ1sψ2s dV=0\int\psi_{1s}\psi_{2s}\,dV = 0.

Solução

Solução de Exercício 13.9.

Ambos têm a parte angular 1/4π1/\sqrt{4\pi}; logo a integral se reduz a

∫0∞R1sR2sr2 dr∝∫0∞(2−r)r2e−3r/2 dr=2×2!(3/2)3−3!(3/2)4=3227−3227=0.\int_0^\infty R_{1s}R_{2s}r^2\,dr \propto \int_0^\infty (2 - r)r^2\mathrm e^{-3r/2}\,dr = 2 \times \frac{2!}{(3/2)^3} - \frac{3!}{(3/2)^4} = \frac{32}{27} - \frac{32}{27} = 0 .

Exercício 13.10 ★★★

Escreva R2p=Nρ e−ρ/2R_{2p} = N\rho\,\mathrm e^{-\rho/2} e encontre a constante NN que a normaliza (Z=1Z = 1, rr em unidades de a0a_0).

Solução

Solução de Exercício 13.10.

∫0∞N2r2e−rr2 dr=N2×4!=1\int_0^\infty N^2r^2\mathrm e^{-r}r^2\,dr = N^2 \times 4! = 1: N=1/24=1/(26)N = 1/\sqrt{24} = 1/(2\sqrt6), como na tabela.

Exercício 13.11 ★★★

Compare o raio médio e o raio mais provável de um elétron 1s e explique, a partir da forma de P(r)P(r), por que eles diferem.

Solução

Solução de Exercício 13.11.

⟨r⟩=1.5a0\langle r\rangle = 1.5a_0, raio mais provável a0a_0. P(r)=4r2e−2rP(r) = 4r^2\mathrm e^{-2r} sobe abruptamente a partir de zero e cai lentamente: a longa cauda em rr grande pesa mais na média do que na posição do máximo.

Exercício 13.12 ★★★

Encontre a superfície nodal do orbital pz\mathrm p_z e mostre que ψ2pz\psi_{2p_z} muda de sinal através dela. Qual é a densidade de probabilidade nessa superfície?

Solução

Solução de Exercício 13.12.

Ypz∝z/r=cos⁡θY_{p_z} \propto z/r = \cos\theta se anula para θ=π/2\theta = \pi/2: o plano xyxy. ψ\psi tem o sinal de zz, positivo acima, negativo abaixo. No plano, a densidade de probabilidade é nula.

13.7 Problema: Onde está o elétron?

Problema 13.1

Problema de fim de semana — o orbital 1s do hidrogênio e seus raios, a probabilidade de encontrar o elétron além de uma dada distância, os nós e os máximos de 2s e 2p, e a estimativa de Slater das energias de ionização do carbono, do nitrogênio e do oxigênio

Dados: a0=52.9 pma_0 = 52.9\,\mathrm{pm}; ER=13.6 eVE_R = 13.6\,\mathrm{eV}; primeiras energias de ionização medidas (eV\mathrm{eV}): C 11.26, N 14.53, O 13.62. ψ1s=π−1/2a0−3/2 e−r/a0\psi_{1s} = \pi^{-1/2}a_0^{-3/2}\, \mathrm e^{-r/a_0}.

Parte I — O orbital 1s.

  1. Verifique que ψ1s\psi_{1s} está normalizada, usando dV=4πr2 drdV = 4\pi r^2\,dr.
  2. Escreva a função de distribuição radial P(r)P(r).
  3. Encontre o raio mais provável.
  4. Calcule o raio médio.
  5. Por que a média é maior que o raio mais provável?
  6. A densidade de probabilidade é máxima no núcleo, e no entanto P(0)=0P(0) = 0. Explique.
  7. Dê o raio mais provável em picômetros.

Parte II — Além de um raio.

  1. Mostre que a probabilidade de encontrar o elétron além de r0=xa0r_0 = xa_0 é e−2x(1+2x+2x2)\mathrm e^{-2x}(1 + 2x + 2x^2).
  2. Calcule-a para r0=a0r_0 = a_0.
  3. Calcule-a para r0=2a0r_0 = 2a_0.
  4. Encontre por tentativas o raio da esfera que contém o elétron com uma probabilidade de 0.90.
  5. Em que sentido um átomo não tem borda, e em que sentido tem um tamanho?

Parte III — 2s e 2p.

  1. Dê os nós de 2s e de 2p (número, tipo, posição).
  2. Onde R2sR_{2s} muda de sinal?
  3. Encontre o raio mais provável de 2p.
  4. Encontre os dois máximos de P2s∝r2(2−r)2e−rP_{2s} \propto r^2(2 - r)^2\mathrm e^{-r} (rr em unidades de a0a_0).
  5. Qual de 2s e 2p tem densidade eletrônica mais perto do núcleo? O que isso implica em um átomo polieletrônico?
  6. Como esses raios mudam para o íon hidrogenoide CX5+\ce{C^5+}?

Parte IV — Carbono, nitrogênio, oxigênio.

  1. Calcule o Z∗Z^* de Slater de um elétron 2p em C, N e O.
  2. Calcule as energias orbitais correspondentes.
  3. Estime a primeira energia de ionização do carbono como diferença de energias de grupo.
  4. O mesmo para o nitrogênio.
  5. O mesmo para o oxigênio, e compare os três com os valores medidos.
  6. Que característica dos valores medidos o modelo não capta, e por quê?
  7. Dê a probabilidade de encontrar o elétron 1s do hidrogênio além de 2a02a_0.
Solução

Solução de Problema 13.1.

1. ∫∣ψ∣2 dV=4ππa03∫0∞r2e−2r/a0 dr=4a03×a034=1\int|\psi|^2\,dV = \frac{4\pi}{\pi a_0^3}\int_0^\infty r^2\mathrm e^{-2r/a_0}\,dr = \frac{4}{a_0^3} \times \frac{a_0^3}{4} = 1. 2. P(r)=4πr2∣ψ∣2=(4/a03) r2e−2r/a0P(r) = 4\pi r^2|\psi|^2 = (4/a_0^3)\,r^2\mathrm e^{-2r/a_0}. 3. dP/dr=0dP/dr = 0: 2/r−2/a0=02/r - 2/a_0 = 0, r=a0r = a_0. 4. ⟨r⟩=(4/a03)∫0∞r3e−2r/a0 dr=(4/a03)×6(a0/2)4=1.5a0\langle r\rangle = (4/a_0^3)\int_0^\infty r^3\mathrm e^{-2r/a_0}\,dr = (4/a_0^3) \times 6(a_0/2)^4 = 1.5a_0. 5. A distribuição é assimétrica, com uma longa cauda em rr grande. 6. ∣ψ∣2|\psi|^2 é uma densidade por unidade de volume, máxima no núcleo; P(r)P(r) conta o volume da casca, 4πr2 dr4\pi r^2\,dr, que se anula em r=0r = 0. 7. 52.9 pm52.9\,\mathrm{pm}. 8. Com x=r/a0x = r/a_0: ∫x0∞4x2e−2x dx\int_{x_0}^\infty 4x^2\mathrm e^{-2x}\,dx; integrando por partes duas vezes, =e−2x0(2x02+2x0+1)= \mathrm e^{-2x_0}(2x_0^2 + 2x_0 + 1). 9. 5e−2=0.6775\mathrm e^{-2} = 0.677. 10. 13e−4=0.23813\mathrm e^{-4} = 0.238. 11. e−2x(1+2x+2x2)=0.10\mathrm e^{-2x}(1 + 2x + 2x^2) = 0.10 para x≈2.66x \approx 2.66: 141 pm141\,\mathrm{pm}. 12. A densidade nunca se anula, a nenhuma distância: não há borda. Mas 90 % da probabilidade está a menos de 141 pm141\,\mathrm{pm}: um tamanho prático. 13. 2s: um nó radial (esfera de raio 2a02a_0), nenhum nó angular. 2p: um nó angular (um plano), nenhum nó radial. 14. Em r=2a0r = 2a_0. 15. 4a04a_0 (exercício 2). 16. dln⁡P/dr=2/r−2/(2−r)−1=0d\ln P/dr = 2/r - 2/(2 - r) - 1 = 0 dá r2−6r+4=0r^2 - 6r + 4 = 0, r=3±5r = 3 \pm \sqrt5: 0.76a00.76a_0 (pequeno máximo interno) e 5.24a05.24a_0 (máximo principal). 17. O 2s, por seu máximo interno. Em um átomo polieletrônico, um elétron 2s penetra na camada 1s, é menos blindado que um elétron 2p e fica mais baixo em energia. 18. Todos os raios são divididos por Z=6Z = 6: 2p em 0.67a00.67a_0 (35 pm35\,\mathrm{pm}); máximos do 2s em 0.13a00.13a_0 e 0.87a00.87a_0. 19. C 3.25, N 3.90, O 4.55. 20. ε=−13.6 Z∗2/4\varepsilon = -13.6\,Z^{*2}/4: C −35.9 eV-35.9\,\mathrm{eV}, N −51.7 eV-51.7\,\mathrm{eV}, O −70.4 eV-70.4\,\mathrm{eV}. 21. Como no capítulo: 11.5 eV11.5\,\mathrm{eV} (medido 11.26). 22. N: atom 5×(−13.6×3.902/4)=−258.6 eV5 \times (-13.6 \times 3.90^2/4) = -258.6\,\mathrm{eV}; NX+\ce{N+}, Z∗=4.25Z^* = 4.25, 4×(−13.6×4.252/4)=−245.7 eV4 \times (-13.6 \times 4.25^2/4) = -245.7\,\mathrm{eV}; I=12.9 eVI = 12.9\,\mathrm{eV}. 23. O: atom 6×(−13.6×4.552/4)=−422.3 eV6 \times (-13.6 \times 4.55^2/4) = -422.3\,\mathrm{eV}; OX+\ce{O+}, Z∗=4.90Z^* = 4.90, 5×(−13.6×4.902/4)=−408.2 eV5 \times (-13.6 \times 4.90^2/4) = -408.2\,\mathrm{eV}; I=14.2 eVI = 14.2\,\mathrm{eV}. Modelo 11.5, 12.9, 14.2; medidos 11.26, 14.53, 13.62. 24. A energia medida do oxigênio é menor que a do nitrogênio: no oxigênio, o quarto elétron 2p precisa compartilhar um orbital com outro, e a repulsão entre eles o torna mais fácil de retirar, enquanto os três elétrons p desemparelhados do nitrogênio formam uma subcamada semipreenchida estável. As regras de Slater tratam todos os elétrons de um grupo da mesma forma e nada sabem do emparelhamento. 25. O elétron 1s do hidrogênio está além de 2a02a_0 com probabilidade 13e−4≈0.238\boldsymbol{13\mathrm e^{-4} \approx 0.238}.

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