Chemistry · Livro 3 · Bachelor Year 2

Química universitária — 2.º ano

Química universitária — 2.º ano · Bachelor Year 2

14Orbitais moleculares das moléculas diatômicas

Despeje oxigênio líquido entre os polos de um ímã potente e ele é desviado para o lado; o nitrogênio líquido cai em linha reta. A molécula de oxigênio tem elétrons desemparelhados, que um campo magnético atrai. Sua estrutura de Lewis, O=O\ce{O=O}, com todos os elétrons emparelhados, não consegue dizer isso. Os orbitais moleculares, construídos a partir dos orbitais atômicos do capítulo anterior, colocam cada elétron de uma molécula em um nível próprio: eles explicam o magnetismo do oxigênio, a força e o comprimento das ligações e as energias necessárias para ionizar as moléculas — e preparam o terreno para a reatividade dos capítulos seguintes.

O que você já sabe

Capítulo 13: os orbitais atômicos, suas formas, sinais e energias. O volume do 1.º ano: estruturas de Lewis, ligações σ\sigma e π\pi como noções descritivas, a hibridização e seus limites, elétrons desemparelhados e radicais.

Um fino filete de oxigênio líquido, que cai entre os polos de um ímã potente, é atraído por eles e fica suspenso como uma ponte: a molécula é paramagnética. (Fotografia: Pieter Kuiper, domínio público, Wikimedia Commons.)
Um fino filete de oxigênio líquido, que cai entre os polos de um ímã potente, é atraído por eles e fica suspenso como uma ponte: a molécula é paramagnética. (Fotografia: Pieter Kuiper, domínio público, Wikimedia Commons.)

14.1 O método CLOA

Definição 14.1 (Orbital molecular)

Um orbital molecular é a função de onda de um elétron em uma molécula, estendida sobre todos os seus núcleos. No método CLOA (combinação linear de orbitais atômicos), ele é escrito como uma soma de orbitais atômicos dos átomos, ψ=∑iciφi\psi = \sum_i c_i\varphi_i, com coeficientes escolhidos para tornar a energia a mais baixa possível.

Para dois átomos A e B, cada um trazendo um orbital, ψ=cAφA+cBφB\psi = c_A\varphi_A + c_B\varphi_B. A energia de um elétron em ψ\psi, minimizada em relação aos coeficientes, faz intervir três números.

Definição 14.2 (As integrais do método CLOA)

Para dois orbitais atômicos reais φA\varphi_A, φB\varphi_B e o operador energia H^\hat H de um elétron na molécula:

  • a integral de sobreposição S=∫φAφB dVS = \int\varphi_A\varphi_B\,dV mede o quanto os dois orbitais ocupam a mesma região (S=1S = 1 para orbitais idênticos superpostos);
  • a integral de Coulomb αA=∫φAH^φA dV\alpha_A = \int\varphi_A\hat H\varphi_A\,dV é a energia de um elétron em φA\varphi_A dentro da molécula, próxima da energia orbital atômica;
  • a integral de ressonância β=∫φAH^φB dV\beta = \int\varphi_A\hat H\varphi_B\,dV, negativa, mede o acoplamento dos dois orbitais.

As energias EE dos orbitais moleculares são as raízes do determinante secular

∣αA−Eβ−ESβ−ESαB−E∣=0.\begin{vmatrix} \alpha_A - E & \beta - ES \\ \beta - ES & \alpha_B - E \end{vmatrix} = 0 .

O determinante vem da minimização de E=∫ψH^ψ dV/∫ψ2 dVE = \int\psi\hat H\psi\,dV/\int\psi^2\,dV em relação a cAc_A e cBc_B: as duas condições ∂E/∂cA=∂E/∂cB=0\partial E/\partial c_A = \partial E/\partial c_B = 0 formam um sistema linear homogêneo, que só tem solução não nula quando seu determinante se anula. Essa etapa variacional é admitida aqui.

Teorema 14.3 (Dois orbitais idênticos)

Para αA=αB=α\alpha_A = \alpha_B = \alpha, os dois orbitais moleculares são

E+=α+β1+S,ψ+=φA+φB2(1+S);E−=α−β1−S,ψ−=φA−φB2(1−S).E_+ = \frac{\alpha + \beta}{1 + S}, \quad \psi_+ = \frac{\varphi_A + \varphi_B}{\sqrt{2(1 + S)}} ; \qquad E_- = \frac{\alpha - \beta}{1 - S}, \quad \psi_- = \frac{\varphi_A - \varphi_B}{\sqrt{2(1 - S)}} .

Demonstração. O determinante dá (α−E)2=(β−ES)2(\alpha - E)^2 = (\beta - ES)^2, logo α−E=±(β−ES)\alpha - E = \pm(\beta - ES). Com o sinal mais, E(1+S)=α+βE(1 + S) = \alpha + \beta; com o sinal menos, E(1−S)=α−βE(1 - S) = \alpha - \beta. De volta ao sistema linear, (α−E)cA+(β−ES)cB=0(\alpha - E)c_A + (\beta - ES)c_B = 0 dá cB=cAc_B = c_A para E+E_+ e cB=−cAc_B = -c_A para E−E_-. Normalização: ∫(φA±φB)2 dV=2±2S\int(\varphi_A \pm \varphi_B)^2\,dV = 2 \pm 2S. ∎

Definição 14.4 (Orbitais ligantes e antiligantes)

Um orbital ligante fica abaixo dos orbitais atômicos que o formam: sua densidade eletrônica se acumula entre os núcleos. Um orbital antiligante fica acima deles e tem um plano nodal entre os núcleos. Um orbital não ligante conserva a energia do orbital atômico, que não encontra parceiro com que se combinar.

Proposição 14.5 (O orbital antiligante sobe mais)

Para S>0S > 0, o nível antiligante é elevado acima de α\alpha mais do que o nível ligante é abaixado abaixo dele.

Demonstração. E+−α=(β−αS)/(1+S)E_+ - \alpha = (\beta - \alpha S)/(1 + S) e E−−α=−(β−αS)/(1−S)E_- - \alpha = -(\beta - \alpha S)/(1 - S). O numerador β−αS\beta - \alpha S é negativo (o acoplamento domina), e 1−S<1+S1 - S < 1 + S: o segundo deslocamento é maior em valor absoluto. ∎

Com dois elétrons, como em HX2\ce{H2}, ambos entram em ψ+\psi_+, e a molécula é mais estável que os átomos separados. Com quatro, como em HeX2\ce{He2}, dois precisam entrar em ψ−\psi_-, o que custa mais do que ψ+\psi_+ ganha: HeX2\ce{He2} não é ligada.

Diagramas de orbitais moleculares de H2 (ordem de ligação 1) e de He2 (ordem de ligação 0, não ligada). Cada caixa é um nível que comporta no máximo dois elétrons de spins opostos; linhas tracejadas ligam cada orbital molecular aos orbitais atômicos a partir dos quais ele é construído. Diagramas de orbitais moleculares de H2 (ordem de ligação 1) e de He2 (ordem de ligação 0, não ligada). Cada caixa é um nível que comporta no máximo dois elétrons de spins opostos; linhas tracejadas ligam cada orbital molecular aos orbitais atômicos a partir dos quais ele é construído.
Diagramas de orbitais moleculares de HX2\ce{H2} (ordem de ligação 1) e de HeX2\ce{He2} (ordem de ligação 0, não ligada). Cada caixa é um nível que comporta no máximo dois elétrons de spins opostos; linhas tracejadas ligam cada orbital molecular aos orbitais atômicos a partir dos quais ele é construído.

14.2 Sobreposição e simetria

Definição 14.6 (Orbitais σ\sigma e π\pi)

Um orbital σ\sigma de uma molécula linear não muda por nenhuma rotação em torno do eixo molecular: ele não tem plano nodal que contenha o eixo. Um orbital π\pi muda de sinal por uma rotação de 180∘180^\circ em torno do eixo: ele tem um plano nodal que contém o eixo. Um asterisco marca os orbitais antiligantes (σ∗\sigma^*, π∗\pi^*).

Proposição 14.7 (Sobreposição nula por simetria)

Dois orbitais dos quais um é simétrico e o outro antissimétrico em relação a um plano que contém o eixo molecular têm sobreposição nula e integral de ressonância nula: eles não se combinam.

Demonstração. A reflexão no plano deixa o espaço inalterado, mas transforma o produto φAφB\varphi_A\varphi_B em seu oposto no ponto espelhado: as contribuições das duas metades do espaço a ∫φAφB dV\int\varphi_A\varphi_B\,dV se cancelam. O mesmo vale para ∫φAH^φB dV\int\varphi_A\hat H\varphi_B\,dV, pois H^\hat H tem a simetria da molécula. ∎

Dois orbitais interagem fortemente quando têm a mesma simetria (sobreposição não nula), se sobrepõem bem e estão em energias próximas. Um orbital 1s de um átomo e um 2px2\mathrm p_x do outro (xx perpendicular ao eixo) nunca se combinam; os orbitais 2pz2\mathrm p_z (ao longo do eixo) dão orbitais σ\sigma; os 2px2\mathrm p_x e 2py2\mathrm p_y dão dois pares de orbitais π\pi de mesma energia.

Orbitais moleculares de uma diatômica homonuclear, esquemáticos (o eixo molecular é horizontal e tracejado). As combinações em fase (ligantes) reúnem a mesma cor entre os núcleos; as combinações fora de fase (antiligantes) colocam um plano nodal entre eles. Os orbitais  são simétricos em torno do eixo; cada orbital π tem o eixo em seu plano nodal.
Orbitais moleculares de uma diatômica homonuclear, esquemáticos (o eixo molecular é horizontal e tracejado). As combinações em fase (ligantes) reúnem a mesma cor entre os núcleos; as combinações fora de fase (antiligantes) colocam um plano nodal entre eles. Os orbitais σ\sigma são simétricos em torno do eixo; cada orbital π\pi tem o eixo em seu plano nodal.

14.3 Diatômicas homonucleares do período 2

Com os orbitais 2s e 2p de dois átomos do período 2, formam-se oito orbitais moleculares: σ2s\sigma_{2s}, σ2s∗\sigma^*_{2s}, σ2p\sigma_{2p}, dois π2p\pi_{2p}, dois π2p∗\pi^*_{2p}, σ2p∗\sigma^*_{2p}.

Proposição 14.8 (Mistura s–p)

Para OX2\ce{O2} e FX2\ce{F2}, a ordem é σ2s<σ2s∗<σ2p<π2p<π2p∗<σ2p∗\sigma_{2s} < \sigma^*_{2s} < \sigma_{2p} < \pi_{2p} < \pi^*_{2p} < \sigma^*_{2p}. De LiX2\ce{Li2} a NX2\ce{N2}, cujos níveis 2s e 2p são próximos, os orbitais σ\sigma formados a partir de 2s e de 2pz2\mathrm p_z se misturam: σ2p\sigma_{2p} é empurrado para cima de π2p\pi_{2p}.

Raciocínio. Os orbitais σ2s\sigma_{2s} e σ2p\sigma_{2p} têm a mesma simetria e podem se combinar entre si. Dois níveis de mesma simetria se repelem (Teorema 14.14 adiante): σ2s\sigma_{2s} desce, σ2p\sigma_{2p} sobe, tanto mais quanto mais próximos estão. A diferença 2s–2p cresce ao longo do período; assim, o efeito é grande à esquerda e pequeno para o oxigênio e o flúor. A inversão entre o nitrogênio e o oxigênio é admitida a partir dos espectros de fotoelétrons medidos. ∎

Definição 14.9 (Ordem de ligação)

A ordem de ligação de uma molécula diatômica é b=(nb−na)/2b = (n_b - n_a)/2, em que nbn_b e nan_a são os números de elétrons em orbitais ligantes e antiligantes.

Proposição 14.10 (Ordem de ligação e ligação)

Entre átomos do mesmo par de elementos, uma ordem de ligação maior acompanha uma ligação mais curta e mais forte; uma ordem de ligação nula significa ausência de ligação.

Raciocínio. Cada elétron ligante acrescenta densidade entre os núcleos e abaixa a energia; cada elétron antiligante a retira e eleva a energia pelo menos do mesmo valor (Proposição 14.5). O número líquido de pares ligantes mede a ligação. A comparação só tem sentido para átomos semelhantes: LiX2\ce{Li2} tem ordem de ligação 1, como FX2\ce{F2}, mas seus orbitais 2s são muito maiores. ∎

Definição 14.11 (Paramagnética e diamagnética)

Uma substância é paramagnética se suas moléculas têm elétrons desemparelhados: ela é atraída para um campo magnético. Ela é diamagnética se todos os seus elétrons estão emparelhados: ela é fracamente repelida do campo.

Diagramas de orbitais moleculares de valência de N2 (à esquerda, com mistura s–p: _2p acima de π_2p) e de O2 (à direita). Nitrogênio: ordem de ligação (8 - 2)/2 = 3, todos os elétrons emparelhados. Oxigênio: ordem de ligação (8 - 4)/2 = 2, com dois elétrons desemparelhados nos dois orbitais π* (regra de Hund): O2 é paramagnético. Os diagramas tomam x como eixo molecular, daí os rótulos 2 _x, 2π_y, 2π_z. Diagramas de orbitais moleculares de valência de N2 (à esquerda, com mistura s–p: _2p acima de π_2p) e de O2 (à direita). Nitrogênio: ordem de ligação (8 - 2)/2 = 3, todos os elétrons emparelhados. Oxigênio: ordem de ligação (8 - 4)/2 = 2, com dois elétrons desemparelhados nos dois orbitais π* (regra de Hund): O2 é paramagnético. Os diagramas tomam x como eixo molecular, daí os rótulos 2 _x, 2π_y, 2π_z.
Diagramas de orbitais moleculares de valência de NX2\ce{N2} (à esquerda, com mistura s–p: σ2p\sigma_{2p} acima de π2p\pi_{2p}) e de OX2\ce{O2} (à direita). Nitrogênio: ordem de ligação (8−2)/2=3(8 - 2)/2 = 3, todos os elétrons emparelhados. Oxigênio: ordem de ligação (8−4)/2=2(8 - 4)/2 = 2, com dois elétrons desemparelhados nos dois orbitais π∗\pi^* (regra de Hund): OX2\ce{O2} é paramagnético. Os diagramas tomam xx como eixo molecular, daí os rótulos 2σx2\sigma_x, 2πy2\pi_y, 2πz2\pi_z.

Método 14.12 (Construir e preencher um diagrama de OM)

  1. Coloque os orbitais atômicos de valência de cada átomo em suas energias, o átomo mais eletronegativo mais abaixo.
  2. Combine os orbitais de mesma simetria: cada par dá um orbital ligante abaixo e um orbital antiligante acima; um orbital sem parceiro permanece não ligante.
  3. Para as moléculas homonucleares do período 2, use a ordem com σ2p\sigma_{2p} acima de π2p\pi_{2p} até o nitrogênio, e abaixo dele a partir do oxigênio.

Método 14.13 (Ler um diagrama preenchido)

  1. Conte os elétrons de valência (acrescente um para cada carga negativa, retire um para cada carga positiva).
  2. Preencha a partir de baixo, dois por orbital, com a regra de Hund para os níveis degenerados.
  3. Ordem de ligação (nb−na)/2(n_b - n_a)/2; elétrons desemparelhados dão paramagnetismo.
  4. O nível ocupado mais alto é o primeiro a ser ionizado.
LiX2\ce{Li2}CX2\ce{C2}NX2\ce{N2}OX2\ce{O2}FX2\ce{F2}NO\ce{NO}
elétrons de valência2810121411
ordem de ligação123212.5
elétrons desemparelhados000201
comprimento de ligação rer_e (pm)267.3124.3109.8120.8141.2115.1
D0D_0 (eV\mathrm{eV})1.046.159.765.121.606.51
Diatômicas do período 2: ordens de ligação pelos diagramas de OM; comprimentos de ligação pela espectroscopia, energias de dissociação D0D_0 pelas entalpias de formação tabeladas a 0 K0\,\mathrm{K}, D0=ΔfH0(A)+ΔfH0(B)−ΔfH0(AB)D_0 = \Delta_f H_0(\mathrm A) + \Delta_f H_0(\mathrm B) - \Delta_f H_0(\mathrm{AB}).

14.4 Diatômicas heteronucleares

Teorema 14.14 (Dois orbitais de energias diferentes)

Para αA>αB\alpha_A > \alpha_B (B mais eletronegativo), SS desprezada, αˉ=(αA+αB)/2\bar\alpha = (\alpha_A + \alpha_B)/2 e Δ=αA−αB\Delta = \alpha_A - \alpha_B:

E∓=αˉ∓Δ2/4+β2.E_\mp = \bar\alpha \mp \sqrt{\Delta^2/4 + \beta^2} .

O orbital ligante (o mais baixo) tem seu maior coeficiente em B, o orbital antiligante em A; quando Δ≫∣β∣\Delta \gg |\beta|, E−≈αB−β2/ΔE_- \approx \alpha_B - \beta^2/\Delta e E+≈αA+β2/ΔE_+ \approx \alpha_A + \beta^2/\Delta.

Demonstração. Com S=0S = 0, as energias são os autovalores de (αAββαB)\begin{pmatrix}\alpha_A & \beta \\ \beta & \alpha_B\end{pmatrix}: (αA−E)(αB−E)=β2(\alpha_A - E)(\alpha_B - E) = \beta^2, cujas raízes são αˉ±Δ2/4+β2\bar\alpha \pm \sqrt{\Delta^2/4 + \beta^2}. Para a raiz inferior, (αB−E−)cB=−βcA(\alpha_B - E_-)c_B = -\beta c_A; αB−E−=Δ2/4+β2−Δ/2\alpha_B - E_- = \sqrt{\Delta^2/4 + \beta^2} - \Delta/2 é menor que ∣β∣|\beta|; logo ∣cA∣<∣cB∣|c_A| < |c_B|. Para Δ≫∣β∣\Delta \gg |\beta|, Δ2/4+β2≈Δ/2+β2/Δ\sqrt{\Delta^2/4 + \beta^2} \approx \Delta/2 + \beta^2/\Delta. ∎

Dois níveis em interação. À medida que a diferença  entre os orbitais atômicos cresce, os níveis moleculares (contínuos) se aproximam dos atômicos (pontilhados): a estabilização 2/ do limite perturbativo (tracejado) torna-se pequena. Em = 0, o desdobramento é 2| |.
Dois níveis em interação. À medida que a diferença Δ\Delta entre os orbitais atômicos cresce, os níveis moleculares (contínuos) se aproximam dos atômicos (pontilhados): a estabilização β2/Δ\beta^2/\Delta do limite perturbativo (tracejado) torna-se pequena. Em Δ=0\Delta = 0, o desdobramento é 2∣β∣2|\beta|.

No fluoreto de hidrogênio, o orbital 1s do hidrogênio encontra os orbitais 2p muito mais baixos do flúor. Só o 2pz2\mathrm p_z, ao longo do eixo, tem a simetria certa: ele forma um orbital σ\sigma ligante centrado sobretudo no flúor e um σ∗\sigma^* centrado sobretudo no hidrogênio. Os orbitais 2px2\mathrm p_x e 2py2\mathrm p_y do flúor permanecem não ligantes: são seus pares não ligantes. A ligação é polarizada no sentido do flúor.

O monóxido de carbono tem os dez elétrons de valência de NX2\ce{N2} e um diagrama semelhante, mas os orbitais do oxigênio ficam mais baixos. Seus orbitais ligantes têm maior peso no oxigênio; seu orbital ocupado mais alto, um orbital σ\sigma com maior peso no carbono, é um par não ligante do carbono. Por isso o monóxido de carbono se liga aos metais pelo carbono (Capítulo 18).

Orbitais de valência do monóxido de carbono, esquemáticos: os orbitais do oxigênio ficam mais baixos que os do carbono. Ordem de ligação 3, como em N2; o orbital ocupado mais alto é um orbital  com maior peso no carbono, seu par não ligante.
Orbitais de valência do monóxido de carbono, esquemáticos: os orbitais do oxigênio ficam mais baixos que os do carbono. Ordem de ligação 3, como em NX2\ce{N2}; o orbital ocupado mais alto é um orbital σ\sigma com maior peso no carbono, seu par não ligante.

História — Hund e Mulliken

Entre 1926 e 1932, Friedrich Hund e Robert Mulliken interpretaram os espectros das moléculas diatômicas atribuindo cada elétron a um orbital da molécula inteira, classificado por sua simetria em torno do eixo. As palavras σ\sigma, π\pi, ligante e antiligante, e os diagramas de orbitais deste capítulo vêm de seu trabalho; Mulliken recebeu o Prêmio Nobel de Química em 1966. A fotografia mostra Mulliken (à esquerda) e Hund em Chicago, em 1929. (Fotografia: GFHund, CC BY 3.0, Wikimedia Commons.)

14.5 Ionização e força da ligação

Retirar um elétron de um orbital ligante enfraquece a ligação; retirá-lo de um orbital antiligante a fortalece. As energias de dissociação dos íons decorrem de um ciclo termoquímico: para AB+→A+B+\mathrm{AB}^+ \to \mathrm A + \mathrm B^+,

D0(AB+)=D0(AB)+I(B)−I(AB),D_0(\mathrm{AB}^+) = D_0(\mathrm{AB}) + I(\mathrm B) - I(\mathrm{AB}) ,

sendo B o átomo de menor energia de ionização.

Exemplo 14.15 (Íons do nitrogênio e do oxigênio)

NX2\ce{N2} (I=15.58 eVI = 15.58\,\mathrm{eV}) perde um elétron ligante: D0(NX2X+)=9.76+14.53−15.58=8.71 eVD_0(\ce{N2+}) = 9.76 + 14.53 - 15.58 = 8.71\,\mathrm{eV}, mais fraca que em NX2\ce{N2}. OX2\ce{O2} (I=12.07 eVI = 12.07\,\mathrm{eV}) perde um elétron π∗\pi^*: D0(OX2X+)=5.12+13.62−12.07=6.66 eVD_0(\ce{O2+}) = 5.12 + 13.62 - 12.07 = 6.66\,\mathrm{eV}, mais forte que em OX2\ce{O2}, de acordo com as ordens de ligação 2.5 e 2.5 contra 3 e 2.

14.6 Exercícios

Exercício 14.1 ★

Para dois orbitais 1s do hidrogênio, tome α=−13.6 eV\alpha = -13.6\,\mathrm{eV}, β=−9.0 eV\beta = -9.0\,\mathrm{eV} e S=0.60S = 0.60 (dados do exercício). Calcule E+E_+ e E−E_- e depois a energia dos dois elétrons de HX2\ce{H2} comparada com dois átomos separados.

Solução

Solução de Exercício 14.1.

E+=(−13.6−9.0)/1.60=−14.1 eVE_+ = (-13.6 - 9.0)/1.60 = -14.1\,\mathrm{eV}; E−=(−13.6+9.0)/0.40=−11.5 eVE_- = (-13.6 + 9.0)/0.40 = -11.5\,\mathrm{eV}. Dois elétrons em ψ+\psi_+: −28.25-28.25 contra 2×(−13.6)=−27.2 eV2 \times (-13.6) = -27.2\,\mathrm{eV}, ligada por 1.05 eV1.05\,\mathrm{eV} nesse modelo grosseiro.

Exercício 14.2 ★

Dê as ordens de ligação de HeX2\ce{He2}, HeX2X+\ce{He2+}, LiX2\ce{Li2} e BX2\ce{B2} (com mistura s–p).

Solução

Solução de Exercício 14.2.

HeX2\ce{He2}: (2−2)/2=0(2 - 2)/2 = 0; HeX2X+\ce{He2+}: (2−1)/2=0.5(2 - 1)/2 = 0.5; LiX2\ce{Li2}: 1; BX2\ce{B2}: seis elétrons de valência, σ2s2σ2s∗2π2p2\sigma_{2s}^2\sigma_{2s}^{*2}\pi_{2p}^2, ordem de ligação 1.

Exercício 14.3 ★

Quais de BX2\ce{B2}, CX2\ce{C2}, NX2\ce{N2}, OX2\ce{O2}, FX2\ce{F2} são paramagnéticas?

Solução

Solução de Exercício 14.3.

BX2\ce{B2} (dois elétrons desemparelhados nos dois orbitais π2p\pi_{2p}, com mistura s–p) e OX2\ce{O2} (dois em π∗\pi^*). CX2\ce{C2}, NX2\ce{N2}, FX2\ce{F2} são diamagnéticas.

Exercício 14.4 ★

O eixo molecular é zz. Quais pares entre (1s, 2pz2\mathrm p_z), (1s, 2px2\mathrm p_x), (2px2\mathrm p_x, 2px2\mathrm p_x), (2px2\mathrm p_x, 2py2\mathrm p_y), (2s, 2pz2\mathrm p_z) têm sobreposição não nula?

Solução

Solução de Exercício 14.4.

Não nula: (1s, 2pz2\mathrm p_z), (2px2\mathrm p_x, 2px2\mathrm p_x), (2s, 2pz2\mathrm p_z). Nula por simetria: (1s, 2px2\mathrm p_x) e (2px2\mathrm p_x, 2py2\mathrm p_y).

Exercício 14.5 ★★

Preveja se NX2X+\ce{N2+} tem uma ligação mais longa ou mais curta que NX2\ce{N2} e verifique com sua energia de dissociação calculada no capítulo.

Solução

Solução de Exercício 14.5.

A ionização retira um elétron ligante: ordem de ligação 2.5 em vez de 3, logo uma ligação mais longa e mais fraca, como mostra D0(NX2X+)=8.71 eV<D0(NX2)=9.76 eVD_0(\ce{N2+}) = 8.71\,\mathrm{eV} < D_0(\ce{N2}) = 9.76\,\mathrm{eV}.

Exercício 14.6 ★★

O monóxido de carbono e NX2\ce{N2} são isoeletrônicos. Explique por que os orbitais ligantes de CO têm maior peso no oxigênio e por que seu orbital ocupado mais alto é um par não ligante do carbono.

Solução

Solução de Exercício 14.6.

Os orbitais do oxigênio ficam mais baixos (o oxigênio é mais eletronegativo): pelo Teorema 14.14, os orbitais ligantes têm maior peso no átomo mais baixo, o oxigênio, e os orbitais mais altos, no carbono. O orbital ocupado mais alto, um orbital σ\sigma de caráter sobretudo carbônico voltado para o lado oposto ao oxigênio, é o par não ligante do carbono.

Exercício 14.7 ★★

No HF, quais orbitais do flúor interagem com o 1s do hidrogênio, e quais permanecem não ligantes? Desenhe o diagrama.

Solução

Solução de Exercício 14.7.

Só o 2pz2\mathrm p_z do flúor (ao longo do eixo) tem a simetria do 1s do hidrogênio: eles formam um orbital σ\sigma com maior peso em F e um σ∗\sigma^* com maior peso em H. Os 2px2\mathrm p_x, 2py2\mathrm p_y do flúor (sobreposição nula) e seu 2s baixo (distante demais em energia) permanecem não ligantes: três pares não ligantes. Os oito elétrons de valência preenchem o 2s, o σ\sigma e os dois p não ligantes.

Exercício 14.8 ★★

Com αA=−10 eV\alpha_A = -10\,\mathrm{eV}, αB=−14 eV\alpha_B = -14\,\mathrm{eV} e β=−3.0 eV\beta = -3.0\,\mathrm{eV} (dados do exercício, SS desprezada), calcule as duas energias e o peso cB2c_B^2 do orbital ligante em B.

Solução

Solução de Exercício 14.8.

αˉ=−12 eV\bar\alpha = -12\,\mathrm{eV}, Δ=4 eV\Delta = 4\,\mathrm{eV}, 4+9=3.61 eV\sqrt{4 + 9} = 3.61\,\mathrm{eV}: E=−15.6 eVE = -15.6\,\mathrm{eV} e −8.4 eV-8.4\,\mathrm{eV}. Para o nível mais baixo, (αB−E)cB=−βcA(\alpha_B - E)c_B = -\beta c_A: 1.61cB=3.0cA1.61c_B = 3.0c_A, cA/cB=0.535c_A/c_B = 0.535, cB2=1/(1+0.286)=0.78c_B^2 = 1/(1 + 0.286) = 0.78.

Exercício 14.9 ★★

Com mistura s–p, mostre que CX2\ce{C2} tem ordem de ligação 2, formada por duas ligações π\pi e nenhuma ligação σ2p\sigma_{2p}.

Solução

Solução de Exercício 14.9.

Oito elétrons de valência: σ2s2σ2s∗2π2p4\sigma_{2s}^2\sigma_{2s}^{*2}\pi_{2p}^4, estando vazio o orbital σ2p\sigma_{2p} (empurrado para cima de π2p\pi_{2p} pela mistura). Ordem de ligação (6−2)/2=2(6 - 2)/2 = 2, devida aos dois orbitais π\pi preenchidos.

Exercício 14.10 ★★★

Dê as ordens de ligação de NO e de NOX+\ce{NO+}. A partir de D0(NO)=6.51 eVD_0(\ce{NO}) = 6.51\,\mathrm{eV}, I(NO)=9.26 eVI(\ce{NO}) = 9.26\,\mathrm{eV} e I(O)=13.62 eVI(\ce{O}) = 13.62\,\mathrm{eV}, calcule D0(NOX+)D_0(\ce{NO+}) para NOX+→N+OX+\ce{NO+} \to \ce{N} + \ce{O+} e comente.

Solução

Solução de Exercício 14.10.

NO, onze elétrons de valência, um em π∗\pi^*: ordem de ligação 2.5. NOX+\ce{NO+}, dez: ordem de ligação 3. D0(NOX+)=6.51+13.62−9.26=10.87 eVD_0(\ce{NO+}) = 6.51 + 13.62 - 9.26 = 10.87\,\mathrm{eV}: muito mais forte que NO, pois o elétron retirado era antiligante.

Exercício 14.11 ★★★

Mostre que E++E−=2(α−βS)/(1−S2)E_+ + E_- = 2(\alpha - \beta S)/(1 - S^2) e que essa soma supera 2α2\alpha quando β<αS<0\beta < \alpha S < 0. Deduza por que dois orbitais preenchidos se repelem (desestabilização a quatro elétrons).

Solução

Solução de Exercício 14.11.

E++E−=(α+β)(1−S)+(α−β)(1+S)1−S2=2(α−βS)1−S2E_+ + E_- = \dfrac{(\alpha + \beta)(1 - S) + (\alpha - \beta)(1 + S)}{1 - S^2} = \dfrac{2(\alpha - \beta S)}{1 - S^2}. Ela supera 2α2\alpha quando α−βS>α−αS2\alpha - \beta S > \alpha - \alpha S^2, isto é, β<αS\beta < \alpha S (dividindo por −S<0-S < 0). Com quatro elétrons, dois em cada orbital, a energia total fica acima da dos orbitais separados: dois orbitais preenchidos se repelem.

Exercício 14.12 ★★★

Ordene OX2X+\ce{O2+}, OX2\ce{O2}, OX2X−\ce{O2-}, OX2X2−\ce{O2^2-} por ordem de ligação, comprimento de ligação e força da ligação. Qual íon se encontra no peróxido de hidrogênio, e qual no composto amarelo KOX2\ce{KO2}?

Solução

Solução de Exercício 14.12.

Ordens de ligação 2.5, 2, 1.5, 1: nessa ordem, as ligações se alongam e se enfraquecem. O peróxido de hidrogênio contém a ligação simples O–O do peróxido (unidade OX2X2−\ce{O2^2-}); KOX2\ce{KO2} contém o íon superóxido OX2X−\ce{O2-}, paramagnético.

14.7 Problema: O oxigênio e seus íons

Problema 14.1

Problema de fim de semana — o diagrama de orbitais moleculares do dioxigênio, as ordens de ligação e o magnetismo de seus íons, a ionização e a força da ligação, e as duas maneiras de emparelhar os elétrons π∗\pi^*

Dados: I(O)=13.62 eVI(\ce{O}) = 13.62\,\mathrm{eV}, I(OX2)=12.07 eVI(\ce{O2}) = 12.07\,\mathrm{eV}, I(N)=14.53 eVI(\ce{N}) = 14.53\,\mathrm{eV}, I(NX2)=15.58 eVI(\ce{N2}) = 15.58\,\mathrm{eV}; ΔfH0\Delta_f H_0 a 0 K0\,\mathrm{K} (kJ/mol\mathrm{kJ}/\mathrm{mol}): O\ce{O} 246.79, N\ce{N} 470.82; rer_e: OX2\ce{O2} 120.8 pm120.8\,\mathrm{pm}, NX2\ce{N2} 109.8 pm109.8\,\mathrm{pm}; 1 eV=96.485 kJ/mol1\ \mathrm{eV} = 96.485\,\mathrm{kJ}/\mathrm{mol}.

Parte I — O dioxigênio.

  1. Quantos elétrons de valência tem OX2\ce{O2}?
  2. Desenhe seu diagrama de OM de valência (sem mistura s–p) e preencha-o.
  3. Calcule sua ordem de ligação.
  4. Quantos elétrons desemparelhados? OX2\ce{O2} é paramagnético?
  5. Por que a estrutura de Lewis falha aqui?
  6. Calcule D0(OX2)D_0(\ce{O2}) em eV\mathrm{eV}.

Parte II — Os íons.

  1. Dê a configuração e a ordem de ligação de OX2X+\ce{O2+}.
  2. O mesmo para o íon superóxido OX2X−\ce{O2-}.
  3. O mesmo para o íon peróxido OX2X2−\ce{O2^2-}.
  4. Dê o número de elétrons desemparelhados de cada íon.
  5. Ordene OX2X+\ce{O2+}, OX2\ce{O2}, OX2X−\ce{O2-}, OX2X2−\ce{O2^2-} pelo comprimento de ligação previsto.
  6. Qual íon tem uma ligação simples O–O, como o peróxido de hidrogênio?
  7. Quais das quatro espécies são paramagnéticas?

Parte III — A ionização.

  1. De qual orbital sai o elétron quando OX2\ce{O2} é ionizado?
  2. Por que I(OX2)I(\ce{O2}) é menor que I(O)I(\ce{O})?
  3. Mostre que D0(OX2X+)=D0(OX2)+I(O)−I(OX2)D_0(\ce{O2+}) = D_0(\ce{O2}) + I(\ce{O}) - I(\ce{O2}) e calcule-a.
  4. Compare com D0(OX2)D_0(\ce{O2}) e explique.
  5. Calcule D0(NX2)D_0(\ce{N2}) e D0(NX2X+)D_0(\ce{N2+}) da mesma maneira.
  6. Por que I(NX2)I(\ce{N2}) é maior que I(N)I(\ce{N})?
  7. Resuma: quando a ionização fortalece uma ligação?

Parte IV — Os elétrons π∗\pi^*.

  1. No estado fundamental, os dois elétrons π∗\pi^* ocupam dois orbitais diferentes com spins paralelos. Que regra diz isso?
  2. Descreva um estado no qual ambos ocupam o mesmo orbital π∗\pi^*.
  3. Por que esse estado é mais alto em energia?
  4. Quais são sua ordem de ligação e seu magnetismo?
  5. Dê a ordem de ligação de OX2X+\ce{O2+} e sua energia de dissociação.
Solução

Solução de Problema 14.1.

1. Doze. 2. σ2s2 σ2s∗2 σ2p2 π2p4 π2p∗2\sigma_{2s}^2\,\sigma_{2s}^{*2}\,\sigma_{2p}^2\,\pi_{2p}^4\,\pi_{2p}^{*2}, com os dois elétrons π∗\pi^* em orbitais diferentes. 3. (8−4)/2=2(8 - 4)/2 = 2. 4. Dois: OX2\ce{O2} é paramagnético. 5. Ela emparelha todos os elétrons, enquanto dois deles ficam sozinhos em dois orbitais π∗\pi^* degenerados. 6. D0=2×246.79=493.6 kJ/molD_0 = 2 \times 246.79 = 493.6\,\mathrm{kJ}/\mathrm{mol}, 5.12 eV5.12\,\mathrm{eV}. 7. OX2X+\ce{O2+}: π∗1\pi^{*1}, ordem de ligação 2.5. 8. OX2X−\ce{O2-}: π∗3\pi^{*3}, ordem de ligação 1.5. 9. OX2X2−\ce{O2^2-}: π∗4\pi^{*4}, ordem de ligação 1. 10. OX2X+\ce{O2+} um, OX2X−\ce{O2-} um, OX2X2−\ce{O2^2-} nenhum. 11. OX2X+\ce{O2+} << OX2\ce{O2} << OX2X−\ce{O2-} << OX2X2−\ce{O2^2-}. 12. O íon peróxido. 13. OX2X+\ce{O2+}, OX2\ce{O2} e OX2X−\ce{O2-}. 14. De um orbital π∗\pi^*. 15. O orbital π∗\pi^*, antiligante, fica acima do nível 2p do átomo: seu elétron está menos ligado. 16. Dois caminhos de OX2\ce{O2} a O+OX++e−\ce{O} + \ce{O+} + \mathrm e^-: dissociar e depois ionizar um átomo, D0(OX2)+I(O)D_0(\ce{O2}) + I(\ce{O}); ou ionizar a molécula e depois dissociar o íon, I(OX2)+D0(OX2X+)I(\ce{O2}) + D_0(\ce{O2+}). Iguais: D0(OX2X+)=5.12+13.62−12.07=6.66 eVD_0(\ce{O2+}) = 5.12 + 13.62 - 12.07 = 6.66\,\mathrm{eV}. 17. Maior que D0(OX2)=5.12 eVD_0(\ce{O2}) = 5.12\,\mathrm{eV}: retirar um elétron antiligante fortalece a ligação (ordem 2.5). 18. D0(NX2)=2×470.82/96.485=9.76 eVD_0(\ce{N2}) = 2 \times 470.82/96.485 = 9.76\,\mathrm{eV}; D0(NX2X+)=9.76+14.53−15.58=8.71 eVD_0(\ce{N2+}) = 9.76 + 14.53 - 15.58 = 8.71\,\mathrm{eV}. 19. O orbital ocupado mais alto de NX2\ce{N2} é ligante, abaixo do nível 2p do átomo. 20. Quando o elétron retirado vem de um orbital antiligante. 21. A regra de Hund (número máximo de spins paralelos em orbitais degenerados). 22. Os dois elétrons π∗\pi^* no mesmo orbital, com spins emparelhados. 23. Dois elétrons no mesmo orbital se repelem mais e perdem a estabilização de troca dos spins paralelos. 24. A ordem de ligação continua 2; todos os elétrons emparelhados: diamagnético. 25. OX2X+\ce{O2+} tem ordem de ligação 2.5\boldsymbol{2.5} e energia de dissociação de ≈6.66 eV\boldsymbol{\approx 6.66\,\mathrm{eV}}, contra 2 e 5.12 eV5.12\,\mathrm{eV} para OX2\ce{O2}.

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