Chemistry · Livro 3 · Bachelor Year 2

Química universitária — 2.º ano

Química universitária — 2.º ano · Bachelor Year 2

32Espectrometria de massas e espectroscopia atômica

Os fogos de artifício são vermelhos com sais de estrôncio, verdes com sais de bário, amarelos com o sódio: uma chama transforma os átomos em luz de cores que os identificam. Um espectrômetro de massas, de aparência mais modesta, pesa moléculas isoladas, as classifica por seus isótopos e as quebra em pedaços cujas massas dizem como elas foram construídas. As duas técnicas respondem à pergunta “o que há nesta amostra, e quanto?” a partir de quantidades muito pequenas, a primeira para as moléculas, a segunda para os elementos.

Fogos de artifício sobre um rio (ilustração). O amarelo do sódio é a luz de seus átomos; os vermelhos e verdes intensos vêm em grande parte de pequenas moléculas de estrôncio e de bário formadas na chama.
Fogos de artifício sobre um rio (ilustração). O amarelo do sódio é a luz de seus átomos; os vermelhos e verdes intensos vêm em grande parte de pequenas moléculas de estrôncio e de bário formadas na chama.

O que você já sabe

O volume escolar: os isótopos e suas abundâncias. O volume do 1.º ano: níveis de energia e raias espectrais, absorbância e lei de Beer–Lambert, carbocátions e radicais, o grau de insaturação. Capítulo 31: a cromatografia gasosa, que muitas vezes alimenta um espectrômetro de massas.

32.1 O espectrômetro de massas

Definição 32.1 (Espectrometria de massas)

A espectrometria de massas transforma as moléculas de uma amostra em íons gasosos, separa os íons segundo sua razão massa/carga m/zm/z (a massa em unidades de massa atômica unificada dividida pelo número de cargas) e os conta. O espectro de massas representa a abundância dos íons em função de m/zm/z, em geral como intensidades relativas; seu pico mais intenso, fixado em 100, é o pico base.

Um espectrômetro tem três partes. A fonte produz os íons. Na ionização por elétrons (EI), o vapor da amostra atravessa um feixe de elétrons de 70 eV70\,\mathrm{eV}, que arrancam um elétron das moléculas e as deixam com um excesso de energia, de modo que muitas se quebram. Na ionização por eletrospray (ESI), uma solução é pulverizada a partir de uma agulha carregada; à medida que as gotículas evaporam, moléculas as deixam levando um próton a mais (ou um íon sódio), intactas: o método preferido para moléculas grandes e frágeis. O analisador então classifica os íons, e um detector os conta.

Um analisador de tempo de voo (esquema). Os íons acelerados pela mesma diferença de potencial U saem com a mesma energia cinética; no tubo de voo os mais leves viajam mais depressa e chegam primeiro ao detector.
Um analisador de tempo de voo (esquema). Os íons acelerados pela mesma diferença de potencial UU saem com a mesma energia cinética; no tubo de voo os mais leves viajam mais depressa e chegam primeiro ao detector.

Proposição 32.2 (Tempo de voo)

Um íon de massa mm e carga zeze, acelerado a partir do repouso por uma diferença de potencial UU, atravessa um tubo sem campo de comprimento LL em

t=Lm2zeU:t = L\sqrt{\frac{m}{2zeU}}:

o tempo de voo cresce como a raiz quadrada de m/zm/z.

Demonstração. A conservação da energia no campo acelerador dá 12mv2=zeU\tfrac12mv^2 = zeU, logo v=2zeU/mv = \sqrt{2zeU/m}, e o tubo é atravessado a velocidade constante: t=L/vt = L/v. ∎

Outros analisadores classificam os íons de outro modo: um quadrupolo deixa passar apenas os íons de um m/zm/z de cada vez, selecionados por tensões oscilantes em quatro barras; um setor magnético curva os íons em círculos cujo raio depende de seu momento linear. Em todos eles só m/zm/z é medido; a maioria dos íons produzidos por EI leva uma carga, de modo que m/zm/z é simplesmente sua massa.

32.2 O íon molecular

Definição 32.3 (Íons molecular e fragmentos)

O íon molecular M+∙\mathrm M^{+\bullet} é o cátion radical formado quando uma molécula perde um elétron; seu m/zm/z é a massa molar da molécula formada pelos isótopos mais abundantes. Um íon fragmento provém do íon molecular pela ruptura de ligações.

O íon molecular dá a massa molecular, o primeiro dado sobre uma substância desconhecida. Às vezes ele é fraco ou ausente em EI, quando o íon molecular se quebra fácil demais; o eletrospray, que dá [M+H]+[\mathrm M + \mathrm H]^+ uma unidade acima, então o confirma.

Definição 32.4 (Regra do nitrogênio)

A regra do nitrogênio afirma que uma molécula tem massa nominal ímpar (a soma dos números de massa de seus isótopos mais abundantes) se e somente se contém um número ímpar de átomos de nitrogênio.

Proposição 32.5 (Validade da regra do nitrogênio)

A regra do nitrogênio vale para toda molécula sem elétrons desemparelhados construída a partir de C, H, N, O, S e dos halogênios.

Demonstração. As massas nominais são pares para C (12), N (14), O (16) e S (32), ímpares para H (1) e os halogênios (19, 35, 79, 127). As valências são pares para C, O e S, ímpares para H, N e os halogênios. Em uma molécula sem elétrons desemparelhados, cada ligação usa uma valência de cada um de seus dois átomos, de modo que a soma de todas as valências é par, e o número de átomos de valência ímpar, nH+nX+nNn_{\ce{H}} + n_{\ce{X}} + n_{\ce{N}}, é par. A paridade da massa nominal é a de nH+nXn_{\ce{H}} + n_{\ce{X}}, que é portanto a de nNn_{\ce{N}}. ∎

Definição 32.6 (Perfil isotópico)

O perfil isotópico de um íon é o grupo de picos em MM, M+1M+1, M+2M+2, … produzidos pelas moléculas que contêm isótopos mais pesados, com intensidades proporcionais às abundâncias dessas formas isotópicas.

Proposição 32.7 (O pico M+1M+1)

Para um íon com nCn_C átomos de carbono e nenhum outro elemento com um isótopo +1+1 significativo,

I(M+1)I(M)≈nC a13a12≈nC×1.1 %,\frac{I(M+1)}{I(M)} \approx n_C\,\frac{a_{13}}{a_{12}} \approx n_C \times 1.1~\%,

onde a12=0.989a_{12} = 0.989 e a13=0.011a_{13} = 0.011 são as frações em quantidade dos dois isótopos do carbono.

Demonstração. A probabilidade de que todos os nCn_C carbonos sejam X12X2212C\ce{^{12}C} é a12nCa_{12}^{n_C}; a de que exatamente um seja X13X2213C\ce{^{13}C} é nC a13a12nC−1n_C\,a_{13}a_{12}^{n_C - 1} (lei binomial). A razão é nC a13/a12n_C\,a_{13}/a_{12}, e as outras contribuições (dois X13X2213C\ce{^{13}C}, X2X222H\ce{^2H}, X15X2215N\ce{^{15}N}) são menores por um fator da ordem de a13a_{13} ou menos. ∎

Proposição 32.8 (Cloro e bromo)

Para um íon com pp átomos de cloro e qq de bromo, as intensidades de MM, M+2M+2, M+4M+4, … são os coeficientes do desenvolvimento de (a35+a37x)p(a79+a81x)q(a_{35} + a_{37}x)^p(a_{79} + a_{81}x)^q em potências de xx, cada potência de xx representando 2 unidades de massa. Com a35=0.758a_{35} = 0.758, a37=0.242a_{37} = 0.242, a79=0.5069a_{79} = 0.5069 e a81=0.4931a_{81} = 0.4931, um cloro dá M:M+2≈3:1M : M+2 \approx 3 : 1 e um bromo ≈1:1\approx 1 : 1.

Demonstração. Cada átomo de halogênio é, de modo independente, o isótopo leve ou o pesado, que acrescenta 2 à massa. A probabilidade de um dado número jj de átomos pesados é o coeficiente de xjx^j no produto de um fator por átomo, que é o desenvolvimento enunciado (a lei binomial, por elemento). ∎

Perfis isotópicos de íons que contêm cloro e bromo, calculados a partir das abundâncias isotópicas (); o pico mais intenso de cada grupo é fixado em 100. Os perfis são impressões digitais: 3 : 1 para um cloro, 1 : 1 para um bromo, 1 : 2 : 1 para dois bromos. Perfis isotópicos de íons que contêm cloro e bromo, calculados a partir das abundâncias isotópicas (); o pico mais intenso de cada grupo é fixado em 100. Os perfis são impressões digitais: 3 : 1 para um cloro, 1 : 1 para um bromo, 1 : 2 : 1 para dois bromos. Perfis isotópicos de íons que contêm cloro e bromo, calculados a partir das abundâncias isotópicas (); o pico mais intenso de cada grupo é fixado em 100. Os perfis são impressões digitais: 3 : 1 para um cloro, 1 : 1 para um bromo, 1 : 2 : 1 para dois bromos. Perfis isotópicos de íons que contêm cloro e bromo, calculados a partir das abundâncias isotópicas (); o pico mais intenso de cada grupo é fixado em 100. Os perfis são impressões digitais: 3 : 1 para um cloro, 1 : 1 para um bromo, 1 : 2 : 1 para dois bromos. Perfis isotópicos de íons que contêm cloro e bromo, calculados a partir das abundâncias isotópicas (); o pico mais intenso de cada grupo é fixado em 100. Os perfis são impressões digitais: 3 : 1 para um cloro, 1 : 1 para um bromo, 1 : 2 : 1 para dois bromos.
Perfis isotópicos de íons que contêm cloro e bromo, calculados a partir das abundâncias isotópicas (Proposição 32.8); o pico mais intenso de cada grupo é fixado em 100. Os perfis são impressões digitais: 3 : 1 para um cloro, 1 : 1 para um bromo, 1 : 2 : 1 para dois bromos.

Definição 32.9 (Massa exata)

A massa monoisotópica de um íon é a soma das massas exatas de seus isótopos mais abundantes (X12X2212C\ce{^{12}C} = 12 exatamente, X1X221H\ce{^1H} = 1.007825, X16X2216O\ce{^{16}O} = 15.994915, X14X2214N\ce{^{14}N} = 14.003074 u). A espectrometria de massas de alta resolução mede m/zm/z com alguns milésimos de unidade ou melhor, o suficiente para distinguir íons de mesma massa nominal mas de fórmulas diferentes.

Proposição 32.10 (Poder de resolução)

Dois íons de massas mm e m+Δmm + \Delta m são separados por um analisador de poder de resolução pelo menos R=m/ΔmR = m/\Delta m. Na massa nominal 28, separar COX+\ce{CO+} (27.9949) de NX2X+\ce{N2+} (28.0061) exige R≈2.5×103R \approx 2.5 \times 10^3; separar NX2X+\ce{N2+} de CX2HX4X+\ce{C2H4+} (28.0313), R≈1.1×103R \approx 1.1 \times 10^3.

Demonstração. O poder de resolução é definido como m/Δmm/\Delta m para o menor Δm\Delta m que o analisador separa. As massas exatas decorrem das massas isotópicas: 12+15.99491512 + 15.994915, 2×14.0030742 \times 14.003074, 24+4×1.00782524 + 4 \times 1.007825; então 28/(28.0061−27.9949)≈2.5×10328/(28.0061 - 27.9949) \approx 2.5 \times 10^3 e 28/(28.0313−28.0061)≈1.1×10328/(28.0313 - 28.0061) \approx 1.1 \times 10^3. ∎

32.3 A fragmentação

O íon molecular produzido por EI leva muito mais energia do que qualquer ligação precisa para se romper, e ele se quebra pelos caminhos que dão os produtos mais estáveis: cátions estabilizados, pequenas moléculas neutras estáveis ou radicais. Os fragmentos são lidos como perdas a partir de MM (15 para CHX3\ce{CH3}, 29 para CX2HX5\ce{C2H5} ou CHO\ce{CHO}, 18 para a água, 28 para CO ou o eteno) e como íons característicos.

Definição 32.11 (Duas fragmentações)

Em uma clivagem α\alpha, uma ligação com o carbono vizinho de um heteroátomo ou de uma carbonila se rompe, deixando um cátion estabilizado pelo par não ligante do heteroátomo (um íon acílio R−C≡O+\mathrm{R{-}C{\equiv}O^+} para uma cetona, um íon imínio para uma amina). O rearranjo de McLafferty de um composto carbonílico transfere um hidrogênio do carbono γ\gamma para o oxigênio carbonílico e rompe a ligação α\alpha–β\beta, liberando um alceno e um cátion radical de enol.

Espectros de ionização por elétrons (dados do NIST WebBook). Butan-2-ona: íon molecular em 72; as clivagens  dão os íons acílio CH3CO+ (43, pico base) e C2H5CO+ (57). 1-bromopropano: o íon molecular é um par 1 : 1 em 122 e 124 (79Br, 81Br); a perda do átomo de bromo deixa C3H7+ em 43, o pico base. Espectros de ionização por elétrons (dados do NIST WebBook). Butan-2-ona: íon molecular em 72; as clivagens  dão os íons acílio CH3CO+ (43, pico base) e C2H5CO+ (57). 1-bromopropano: o íon molecular é um par 1 : 1 em 122 e 124 (79Br, 81Br); a perda do átomo de bromo deixa C3H7+ em 43, o pico base.
Espectros de ionização por elétrons (dados do NIST WebBook). Butan-2-ona: íon molecular em 72; as clivagens α\alpha dão os íons acílio CHX3COX+\ce{CH3CO+} (43, pico base) e CX2HX5COX+\ce{C2H5CO+} (57). 1-bromopropano: o íon molecular é um par 1 : 1 em 122 e 124 (X79X2279Br\ce{^{79}Br}, X81X2281Br\ce{^{81}Br}); a perda do átomo de bromo deixa CX3HX7X+\ce{C3H7+} em 43, o pico base.
O rearranjo de McLafferty da pentan-2-ona, desenhado por meio de seu arranjo cíclico de seis membros: o hidrogênio do carbono  passa para o oxigênio, a ligação – se rompe, o eteno sai, e o cátion radical do enol da propanona fica em m/z 58.
O rearranjo de McLafferty da pentan-2-ona, desenhado por meio de seu arranjo cíclico de seis membros: o hidrogênio do carbono γ\gamma passa para o oxigênio, a ligação α\alpha–β\beta se rompe, o eteno sai, e o cátion radical do enol da propanona fica em m/zm/z 58.

Proposição 32.12 (Exigência de McLafferty)

Um rearranjo de McLafferty exige um hidrogênio no carbono γ\gamma. Ele libera um alceno e deixa um cátion radical cuja massa tem a paridade da massa molecular (par para um composto sem nitrogênio).

Raciocínio. O hidrogênio é transferido por meio de um arranjo cíclico de seis membros formado pelo oxigênio, o carbono carbonílico, os carbonos α\alpha, β\beta e γ\gamma e o próprio hidrogênio: só um hidrogênio γ\gamma alcança o oxigênio sem tensão. O íon formado conserva o grupo carbonila, o carbono α\alpha e o hidrogênio transferido; o que sai é um alceno, uma molécula neutra de massa par, de modo que o íon conserva a paridade de MM, o que o distingue dos cátions de massa ímpar produzidos pelas clivagens simples. ∎

Método 32.13 (Ler um espectro de massas)

  1. Encontre o íon molecular (maior m/zm/z do agrupamento principal, com perdas plausíveis abaixo dele).
  2. Leia seu perfil isotópico: Cl, Br, S; o pico M+1M+1 dá o número de carbonos.
  3. Aplique a regra do nitrogênio; proponha fórmulas e seu grau de insaturação.
  4. Leia as perdas a partir de MM e os íons característicos (43 CHX3COX+\ce{CH3CO+} ou CX3HX7X+\ce{C3H7+}, 77 CX6HX5X+\ce{C6H5+}, 91 CX7HX7X+\ce{C7H7+}, 105 CX6HX5COX+\ce{C6H5CO+}); procure íons de McLafferty de massa par.
  5. Proponha estruturas; verifique que cada pico importante é explicado.

32.4 A espectroscopia atômica

Os átomos não têm vibrações nem rotações; seus espectros são raias finas, uma por transição entre níveis eletrônicos, em comprimentos de onda característicos do elemento. O amarelo de uma chama de sódio é o par de raias em 589.0 nm589.0\,\mathrm{nm} e 589.6 nm589.6\,\mathrm{nm}; o carmim do lítio, uma raia em 670.8 nm670.8\,\mathrm{nm}; a raia mais forte dos átomos de estrôncio fica em 460.7 nm460.7\,\mathrm{nm} e a dos íons de bário em 455.4 nm455.4\,\mathrm{nm}, no azul: os vermelhos e verdes dos fogos de artifício vêm sobretudo de moléculas desses metais, não de seus átomos.

Definição 32.14 (Espectrometrias atômicas)

Na espectrometria de emissão atômica a amostra é atomizada e excitada em uma chama ou um plasma, e mede-se a intensidade de uma raia de emissão do elemento. Na espectrometria de absorção atômica (EAA) a amostra é atomizada em uma chama ou um forno de grafite e mede-se a absorbância dos átomos em uma raia de ressonância, emitida por uma lâmpada de cátodo oco cujo cátodo é feito do próprio elemento. Em um plasma indutivamente acoplado (ICP), o argônio aquecido por um campo de radiofrequência a vários milhares de kelvins atomiza e ioniza a amostra; o plasma alimenta um espectrômetro de emissão (ICP-OES) ou um espectrômetro de massas (ICP-MS).

Um espectrômetro de absorção atômica (esquema). A lâmpada emite as raias do próprio cobre, entre elas a raia de ressonância em 324.75\, nm; os átomos de cobre na chama a absorvem, e o monocromador isola essa raia para o detector.
Um espectrômetro de absorção atômica (esquema). A lâmpada emite as raias do próprio cobre, entre elas a raia de ressonância em 324.75 nm324.75\,\mathrm{nm}; os átomos de cobre na chama a absorvem, e o monocromador isola essa raia para o detector.

Proposição 32.15 (A absorção atômica é quantitativa)

Em uma faixa de concentrações, a absorbância medida em uma raia de ressonância é proporcional à concentração do elemento na solução pulverizada na chama.

Demonstração. Admitido neste nível. ∎

É a lei de Beer–Lambert do volume do 1.º ano aplicada a átomos livres: a chama converte em átomos uma fração constante da solução, e a raia da lâmpada, mais estreita que a raia de absorção, se comporta como luz monocromática. Em concentração alta a raia satura e a curva de calibração se encurva, e é por isso que se verifica a faixa de trabalho.

Método 32.16 (Calibrar uma medida de absorção atômica)

  1. Prepare um branco e quatro ou cinco padrões que cubram a faixa esperada, na mesma matriz ácida que as amostras.
  2. Meça suas absorbâncias na raia escolhida; ajuste A=a cA = a\,c (ou A=a c+bA = a\,c + b); verifique a linearidade.
  3. Meça as amostras, diluídas se necessário para cair dentro da faixa; calcule c=(A−b)/ac = (A - b)/a.
  4. Meça de novo um padrão no final para verificar a deriva; corrija cada diluição.

O ICP-MS atinge as concentrações mais baixas, mas seus íons podem coincidir em massa com outros de mesma massa nominal: X40X2240ArX16X2216OX+\ce{^{40}Ar^{16}O+} vindo do gás do plasma cai sobre X56X2256FeX+\ce{^{56}Fe+}, e X40X2240ArX+\ce{^{40}Ar+} sobre X40X2240CaX+\ce{^{40}Ca+}. Um analisador de alta resolução, uma célula de colisão ou outro isótopo do analito elimina a interferência. Os limites de detecção, e como medi-los, são o assunto do Capítulo 34.

História — Pesar átomos, ver elementos

Gustav Kirchhoff e Robert Bunsen mostraram por volta de 1860 que cada elemento dá suas próprias raias em uma chama, e descobriram o césio e o rubídio por suas raias desconhecidas. O espectrógrafo de massas de Francis Aston, a partir de 1919, mostrou que a maioria dos elementos são misturas de isótopos; ele recebeu o Prêmio Nobel de Química de 1922. (Fotografias: Aston, autor desconhecido, domínio público; Kirchhoff, Bunsen e Henry Roscoe em 1862, da coleção de Roscoe, domínio público; Wikimedia Commons.)

32.5 Exercícios

Exercício 32.1 ★

Dê o m/zm/z de: o íon molecular do benzeno CX6HX6\ce{C6H6}; um íon de massa 400 u400\,\mathrm{u} que leva duas cargas; a molécula protonada da cafeína (CX8HX10NX4OX2\ce{C8H10N4O2}, massa nominal 194) formada por eletrospray.

Solução

Solução de Exercício 32.1.

78; 400/2=200400/2 = 200; 194+1=195194 + 1 = 195, [M+H]+[\mathrm M + \mathrm H]^+.

Exercício 32.2 ★

Um composto de C, H, N e O tem um íon molecular em m/zm/z 73. O que se pode dizer de seus átomos de nitrogênio? Proponha uma fórmula.

Solução

Solução de Exercício 32.2.

Massa ímpar: um número ímpar de átomos de nitrogênio, um só para uma molécula tão pequena. CX3HX7NO\ce{C3H7NO} (propanamida, 73) ou CX4HX11N\ce{C4H11N} (butan-1-amina, 73).

Exercício 32.3 ★

Um agrupamento de íon molecular mostra dois picos separados de duas unidades, de alturas quase iguais. Outro mostra dois picos separados de duas unidades na razão 3 : 1. Que halogênios?

Solução

Solução de Exercício 32.3.

Quase iguais: um bromo. 3 : 1: um cloro.

Exercício 32.4 ★

Um sal colore uma chama de amarelo; outro de carmim. Identifique os elementos e dê os comprimentos de onda de suas raias.

Solução

Solução de Exercício 32.4.

Amarelo: sódio, 589.0 nm589.0\,\mathrm{nm} e 589.6 nm589.6\,\mathrm{nm}. Carmim: lítio, 670.8 nm670.8\,\mathrm{nm}.

Exercício 32.5 ★★

Um hidrocarboneto tem MM a 100 % e M+1M+1 a 6.7 %. Quantos átomos de carbono ele contém?

Solução

Solução de Exercício 32.5.

nC≈6.7/1.11≈6n_C \approx 6.7/1.11 \approx 6.

Exercício 32.6 ★★

Calcule as massas exatas de CO\ce{CO}, NX2\ce{N2} e CX2HX4\ce{C2H4} e o poder de resolução necessário para separar cada par.

Solução

Solução de Exercício 32.6.

CO\ce{CO}: 27.9949; NX2\ce{N2}: 28.0061; CX2HX4\ce{C2H4}: 28.0313 u. Poderes de resolução: CO\ce{CO}/NX2\ce{N2} 28/0.0112≈2.5×10328/0.0112 \approx 2.5 \times 10^3; NX2\ce{N2}/CX2HX4\ce{C2H4} 28/0.0252≈1.1×10328/0.0252 \approx 1.1 \times 10^3; CO\ce{CO}/CX2HX4\ce{C2H4} 28/0.0364≈7.7×10228/0.0364 \approx 7.7 \times 10^2.

Exercício 32.7 ★★

O espectro EI da pentan-3-ona mostra picos em 86, 57 (pico base) e 29. Atribua-os.

Solução

Solução de Exercício 32.7.

86: o íon molecular de CX5HX10O\ce{C5H10O}. 57: CX2HX5COX+\ce{C2H5CO+}, um íon acílio vindo de uma clivagem α\alpha (perda de um radical etila, 29). 29: CX2HX5X+\ce{C2H5+}.

Exercício 32.8 ★★

O espectro da pentan-2-ona mostra picos em 86, 71, 58 e 43 (pico base). Atribua-os, e explique por que a pentan-3-ona mostra apenas um pequeno pico em 58.

Solução

Solução de Exercício 32.8.

86: M+∙\mathrm M^{+\bullet}. 71: M−CHX3\mathrm M - \ce{CH3}, o acílio CX3HX7COX+\ce{C3H7CO+}. 43: CHX3COX+\ce{CH3CO+} (perda do radical propila). 58: rearranjo de McLafferty, por meio de um hidrogênio do carbono γ\gamma da cadeia propila, com perda de eteno. Na pentan-3-ona os grupos etila não têm carbono γ\gamma: nenhum íon de McLafferty; seu pequeno pico em 58 é o pico isotópico X13X2213C\ce{^{13}C} do íon em 57 (três carbonos, cerca de 3.3 %).

Exercício 32.9 ★★

Padrões de cobre a 1.0, 2.0, 3.0 e 4.0 mg/L4.0\,\mathrm{mg}/\mathrm{L} dão absorbâncias 0.052, 0.104, 0.155 e 0.207; uma amostra dá 0.128 (dados do exercício). Calcule sua concentração de cobre.

Solução

Solução de Exercício 32.9.

Uma reta que passa pela origem tem a inclinação ∑ciAi/∑ci2=1.553/30.0≈0.0518 L/mg\sum c_iA_i/\sum c_i^2 = 1.553/30.0 \approx 0.0518\,\mathrm{L}/\mathrm{mg}. Amostra: 0.128/0.0518≈2.47 mg/L0.128/0.0518 \approx 2.47\,\mathrm{mg}/\mathrm{L} de cobre.

Exercício 32.10 ★★★

Em um analisador de tempo de voo, L=1.00 mL = 1.00\,\mathrm{m} e U=20.0 kVU = 20.0\,\mathrm{kV}. Calcule o tempo de voo de um íon monocarregado de massa 1000 u1000\,\mathrm{u}, e o tempo que o separa de um íon de 1001 u1001\,\mathrm{u}.

Solução

Solução de Exercício 32.10.

t=Lm/(2eU)=1.001000×1.6605×10−27/(2×1.6022×10−19×2.00×104)≈16.1 µst = L\sqrt{m/(2eU)} = 1.00\sqrt{1000 \times 1.6605 \times 10^{-27}/(2 \times 1.6022 \times 10^{-19} \times 2.00 \times 10^4)} \approx 16.1\,\text{µ}\mathrm{s}. Para 1001 u, tt cresce pelo fator 1.001≈1+0.0005\sqrt{1.001} \approx 1 + 0.0005: Δt≈8.0 ns\Delta t \approx 8.0\,\mathrm{ns}.

Exercício 32.11 ★★★

Calcule o agrupamento do íon molecular do diclorometano, CHX2ClX2\ce{CH2Cl2}: valores de m/zm/z e intensidades relativas.

Solução

Solução de Exercício 32.11.

Dois cloros: (0.758+0.242x)2(0.758 + 0.242x)^2 dá 0.5750.575, 0.3670.367, 0.05860.0586: m/zm/z 84, 86 e 88 na razão 100 : 64 : 10.

Exercício 32.12 ★★★

Em ICP-MS, X40X2240ArX16X2216OX+\ce{^{40}Ar^{16}O+} interfere com X56X2256FeX+\ce{^{56}Fe+}. Calcule o poder de resolução necessário para separá-los, e proponha outra saída.

Solução

Solução de Exercício 32.12.

X40X2240ArX16X2216OX+\ce{^{40}Ar^{16}O+}: 39.9624+15.9949=55.957339.9624 + 15.9949 = 55.9573; X56X2256Fe\ce{^{56}Fe}: 55.9349; R=56/0.0224≈2.5×103R = 56/0.0224 \approx 2.5 \times 10^3. Ou então meça outro isótopo do ferro, o X57X2257Fe\ce{^{57}Fe}, ou elimine o ArOX+\ce{ArO+} em uma célula de colisão antes do analisador.

32.6 Problema: Um haleto desconhecido

Problema 32.1

Problema de fim de semana — um agrupamento de íon molecular com cloro e bromo, o número de carbonos, os fragmentos, e uma estrutura verificada contra cada pico

Um líquido incolor, eluído como um único pico em cromatografia gasosa, dá o espectro de massas EI abaixo (dados do NIST WebBook). Picos principais (m/zm/z: intensidade relativa): 156: 14.5; 157: 0.5; 158: 18.6; 159: 0.6; 160: 4.4; 107: 6.7; 109: 6.3; 93: 3.3; 95: 2.9; 77: 59; 79: 18.7; 76: 39.5; 49: 12.9; 51: 4.3; 41: 100; 39: 26.2; 27: 24.6. Abundâncias isotópicas: X35X2235Cl\ce{^{35}Cl} 0.758, X37X2237Cl\ce{^{37}Cl} 0.242, X79X2279Br\ce{^{79}Br} 0.5069, X81X2281Br\ce{^{81}Br} 0.4931, X12X2212C\ce{^{12}C} 0.989, X13X2213C\ce{^{13}C} 0.011.

Parte I — O íon molecular.

  1. Que picos formam o agrupamento do íon molecular? Por que não é um único pico?
  2. Que halogênios sugere um agrupamento de três picos espaçados de 2?
  3. Qual é a massa nominal da forma isotópica mais leve?
  4. O que diz a regra do nitrogênio?
  5. Subtraia um X79X2279Br\ce{^{79}Br} e um X35X2235Cl\ce{^{35}Cl}: o que resta, e que fragmento hidrocarbonado tem essa massa?
  6. Proponha uma fórmula molecular e dê seu grau de insaturação.

Parte II — Carbonos e massa exata.

  1. A partir da razão 157/156, estime o número de carbonos.
  2. Por que essa estimativa é grosseira aqui?
  3. Que formas isotópicas contribuem para o pico em 158?
  4. Calcule a massa monoisotópica do íon molecular.
  5. CX10HX20O\ce{C10H20O} também tem massa nominal 156 (exata 156.151). Que poder de resolução separa os dois?
  6. O íon molecular de um composto com uma ligação C=C e os mesmos halogênios teria uma massa nominal diferente?

Parte III — Os fragmentos.

  1. O par 77/79 está na razão 3 : 1. Que átomo foi perdido, e qual é o íon?
  2. Explique o pico em 76.
  3. Atribua o pico base em 41.
  4. Atribua o par 49/51.
  5. Atribua os pares 93/95 e 107/109.
  6. Por que um átomo de bromo é perdido mais facilmente que um átomo de cloro?
  7. O 1-bromo-1-cloropropano daria CHBrClX+\ce{CHBrCl+} em 127, 129 e 131. O espectro o confirma?

Parte IV — A estrutura.

  1. Proponha a estrutura.
  2. Verifique que ela explica cada pico listado.
  3. Pode ocorrer um rearranjo de McLafferty? Por quê?
  4. Desenhe o isômero que daria um pico forte em m/zm/z 63/65 e nenhum em 49/51.
  5. Que formas isotópicas formam o pico em 160?
  6. A partir das abundâncias isotópicas, calcule a razão dos picos MM, M+2M+2 e M+4M+4 para um cloro e um bromo, e compare-a com o espectro.
Solução

Solução de Problema 32.1.

1. 156, 158 e 160 (com 157 e 159): a molécula existe em várias formas isotópicas. 2. Três picos separados de duas unidades, o do meio o maior: um cloro e um bromo. 3. 156. 4. Massa par: nenhum nitrogênio, ou um número par. 5. 156−79−35=42156 - 79 - 35 = 42: CX3HX6\ce{C3H6}. 6. CX3HX6BrCl\ce{C3H6BrCl}; grau de insaturação (2×3+2−6−2)/2=0(2 \times 3 + 2 - 6 - 2)/2 = 0: nenhum anel, nenhuma ligação dupla. 7. 0.5/14.5≈3.4 %0.5/14.5 \approx 3.4~\%, 3.4/1.11≈33.4/1.11 \approx 3 carbonos. 8. O pico em 157 é dado com 0.1 de precisão em uma escala na qual ele vale 0.5: uma incerteza de 20 %. 9. CX3HX6X81X2281BrX35X2235Cl\ce{C3H6^{81}Br^{35}Cl} e CX3HX6X79X2279BrX37X2237Cl\ce{C3H6^{79}Br^{37}Cl}. 10. 3×12+6×1.007825+78.918338+34.968853≈155.93413 \times 12 + 6 \times 1.007825 + 78.918338 + 34.968853 \approx 155.9341. 11. 156/(156.151−155.934)≈7.2×102156/(156.151 - 155.934) \approx 7.2 \times 10^2. 12. Sim: dois hidrogênios a menos, 154. 13. Um átomo de bromo (79 ou 81) é perdido: CX3HX6ClX+\ce{C3H6Cl+}, 77 com X35X2235Cl\ce{^{35}Cl}, 79 com X37X2237Cl\ce{^{37}Cl}, 3 : 1. 14. Perda de HBr: o cátion radical C3H5Cl+∙\mathrm{C_3H_5Cl^{+\bullet}}, de massa par. 15. CX3HX5X+\ce{C3H5+}, o cátion alila, após a perda dos dois halogênios (Br, depois HCl). 16. CHX2ClX+\ce{CH2Cl+} (49 e 51, 3 : 1). 17. CHX2BrX+\ce{CH2Br+} (93 e 95) e CX2HX4BrX+\ce{C2H4Br+} (107 e 109), cada um 1 : 1: bromo em uma extremidade da cadeia, o segundo vindo da perda de CHX2Cl\ce{CH2Cl}. 18. A ligação C−Br\ce{C-Br} é mais fraca que a ligação C−Cl\ce{C-Cl}, e Br\ce{Br} é o melhor radical de saída. 19. Não: nenhum pico em 127–131; CHX2ClX+\ce{CH2Cl+} e CHX2BrX+\ce{CH2Br+} mostram cada halogênio em um CHX2\ce{CH2} terminal. 20. BrCHX2CHX2CHX2Cl\ce{BrCH2CH2CH2Cl}, 1-bromo-3-cloropropano. 21. 156/158/160: M; 77/79: M −- Br; 76: M −- HBr; 107/109: M −- CHX2Cl\ce{CH2Cl}; 93/95: CHX2BrX+\ce{CH2Br+}; 49/51: CHX2ClX+\ce{CH2Cl+}; 41: CX3HX5X+\ce{C3H5+}; 39, 27: CX3HX3X+\ce{C3H3+}, CX2HX3X+\ce{C2H3+}. 22. Não: não há grupo carbonila. 23. 1-bromo-2-cloropropano, CHX3CHClCHX2Br\ce{CH3CHClCH2Br}: a perda de CHX2Br\ce{CH2Br} dá CHX3CHClX+\ce{CH3CHCl+} em 63/65. 24. CX3HX6X81X2281BrX37X2237Cl\ce{C3H6^{81}Br^{37}Cl}. 25. MM: 0.758×0.5069=0.3840.758 \times 0.5069 = 0.384; M+2M+2: 0.758×0.4931+0.242×0.5069=0.4960.758 \times 0.4931 + 0.242 \times 0.5069 = 0.496; M+4M+4: 0.242×0.4931=0.1190.242 \times 0.4931 = 0.119. Razão ≈3.2:4.2:1\boldsymbol{\approx 3.2 : 4.2 : 1}, cerca de 3 : 4 : 1; o espectro dá 14.5:18.6:4.4=3.3:4.2:114.5 : 18.6 : 4.4 = 3.3 : 4.2 : 1.

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