Chemistry · Livro 3 · Bachelor Year 2

Química universitária — 2.º ano

Química universitária — 2.º ano · Bachelor Year 2

1Entalpias de reação

Um cartucho de gás de camping rosqueado sob um pequeno fogareiro: alguns gramas de butano levam um litro de água à fervura em poucos minutos, e a chama azul sob a panela é muito mais quente do que a água que ferve. Quanto calor uma reação libera, quanto dele chega à panela, e até que temperatura a chama pode chegar? Nenhuma dessas perguntas precisa de um fogareiro para ser respondida: tabelas com alguns números por substância, medidos de uma vez por todas, dão o calor de toda reação que se pode escrever com essas substâncias, a qualquer temperatura. Este capítulo monta essa contabilidade. Ele aplica a primeira lei da termodinâmica, conhecida da física, a um sistema cuja composição muda, define a entalpia de uma reação como uma derivada parcial e mostra como calculá-la a partir das entalpias de formação, das entalpias de ligação e ao longo de ciclos, como ela varia com a temperatura e o que ela diz sobre chamas e calorímetros.

O que você já sabe

Da física: a primeira lei ΔU=W+Q\Delta U = W + Q; a entalpia H=U+pVH = U + pV, uma função de estado; a pressão externa constante, entre dois estados a essa pressão, o calor recebido é Qp=ΔHQ_p = \Delta H; a capacidade calorífica a pressão constante Cp=(∂H/∂T)pC_p = (\partial H/\partial T)_p; a entalpia de um gás perfeito depende apenas de TT. O volume do 1.º ano descreveu um sistema em reação por seu avanço ξ\xi e pelos números estequiométricos νi\nu_i de 0=∑iνiAi0 = \sum_i\nu_i\mathrm A_i, e fixou o estado padrão de cada espécie em p∘=1 barp^\circ = 1\,\mathrm{bar}. O volume escolar (ano 11) chamou uma reação de exotérmica quando ela libera calor e estimou energias de combustão a partir de energias de ligação.

Um fogareiro de camping: o butano do cartucho queima no ar sob a panela. O calor liberado por mol de butano, a parte que chega à água e a temperatura da chama são calculados no problema de fim de semana deste capítulo.
Um fogareiro de camping: o butano do cartucho queima no ar sob a panela. O calor liberado por mol de butano, a parte que chega à água e a temperatura da chama são calculados no problema de fim de semana deste capítulo.

1.1 Grandezas de reação

Um sistema fechado no qual ocorre a única reação 0=∑iνiAi0 = \sum_i\nu_i\mathrm A_i é descrito por sua temperatura, sua pressão e seu avanço: as quantidades são ni=ni,0+νiξn_i = n_{i,0} + \nu_i\xi. Toda função de estado extensiva do sistema, sua entalpia por exemplo, é então uma função H(T,p,ξ)H(T, p, \xi), e sua diferencial exata é

 ⁣dH=(∂H∂T)p,ξ ⁣dT+(∂H∂p)T,ξ ⁣dp+(∂H∂ξ)T,p ⁣dξ.\dd H = \left(\frac{\partial H}{\partial T}\right)_{p,\xi}\dd T + \left(\frac{\partial H}{\partial p}\right)_{T,\xi}\dd p + \left(\frac{\partial H}{\partial \xi}\right)_{T,p}\dd\xi .

Definição 1.1 (Grandeza de reação, entalpia de reação)

Para uma função de estado extensiva XX de um sistema fechado no qual ocorre a reação 0=∑iνiAi0 = \sum_i\nu_i\mathrm A_i, a grandeza de reação é a derivada parcial

ΔrX=(∂X∂ξ)T,p,\Delta_r X = \left(\frac{\partial X}{\partial \xi}\right)_{T,p} ,

a variação de XX por unidade de avanço a temperatura e pressão fixas, em unidades de XX por mol. Para X=HX = H, é a entalpia de reação ΔrH\Delta_r H, em kJ/mol\mathrm{kJ}/\mathrm{mol}.

Observação 1.2 (Uma derivada, não uma diferença)

O símbolo Δr\Delta_r é um operador: ele se aplica ao estado do sistema, que deixa inalterado. Escrever a reação de outra forma (dobrando seus coeficientes) dobra ΔrH\Delta_r H; por isso uma grandeza de reação não tem sentido sem sua equação. Quando se usam as entalpias parciais molares Hˉi=(∂H/∂ni)T,p,nj\bar H_i = (\partial H/\partial n_i)_{T,p,n_j} das espécies (Capítulo 3), ΔrH=∑iνiHˉi\Delta_r H = \sum_i\nu_i\bar H_i, pela regra da cadeia aplicada a ni=ni,0+νiξn_i = n_{i,0} + \nu_i\xi.

Proposição 1.3 (Calor recebido a temperatura e pressão constantes)

Quando a reação avança de ξ1\xi_1 a ξ2\xi_2 em um sistema mantido a TT e pp constantes, o sistema recebe o calor

Qp=∫ξ1ξ2ΔrH  ⁣dξ=ΔrH (ξ2−ξ1)Q_p = \int_{\xi_1}^{\xi_2}\Delta_r H\,\dd\xi = \Delta_r H\,(\xi_2 - \xi_1)

quando ΔrH\Delta_r H não depende de ξ\xi.

Demonstração. A pp constante (e, aqui, pressão externa constante), o calor recebido é a variação de entalpia, Qp=ΔHQ_p = \Delta H (física). A TT e pp fixos, a diferencial de HH se reduz a  ⁣dH=ΔrH  ⁣dξ\dd H = \Delta_r H\,\dd\xi; integrando de ξ1\xi_1 a ξ2\xi_2, obtém-se o resultado. ∎

Definição 1.4 (Exotérmica, endotérmica, atérmica)

Uma reação é exotérmica em um dado estado se ΔrH<0\Delta_r H < 0: conduzida no sentido direto a TT e pp constantes, ela cede calor à vizinhança. Ela é endotérmica se ΔrH>0\Delta_r H > 0, e atérmica se ΔrH=0\Delta_r H = 0.

O calor de uma reação não depende, em geral, da composição: para gases perfeitos e para sólidos e líquidos puros, a entalpia de cada espécie não depende do que a cerca, e ΔrH\Delta_r H fica fixado uma vez fixado TT.

Proposição 1.5 (Sistemas ideais)

Em uma mistura de gases perfeitos com fases condensadas puras, ΔrH\Delta_r H depende apenas da temperatura e é igual à entalpia padrão de reação ΔrH∘(T)\Delta_r H^\circ(T) definida adiante. Para solutos em solução diluída, a igualdade vale com boa aproximação.

Demonstração. Em uma mistura de gases perfeitos, cada gás se comporta como se estivesse sozinho, com uma entalpia niHm,i(T)n_iH_{m,i}(T) que não depende de pp (física: a entalpia de um gás perfeito depende apenas de TT). Um sólido ou líquido puro tem H=niHm,i(T,p)H = n_iH_{m,i}(T, p), e (∂Hm/∂p)T=Vm(1−αT)(\partial H_m/\partial p)_T = V_m(1 - \alpha T) vale alguns J/(mol bar)\mathrm{J}/(\mathrm{mol}\,\mathrm{bar}) para uma fase condensada, desprezível diante de entalpias de reação de dezenas de kJ/mol\mathrm{kJ}/\mathrm{mol}. Logo H=∑iniHm,i(T)H = \sum_in_iH_{m,i}(T), cuja derivada em relação a ξ\xi é ∑iνiHm,i(T)\sum_i\nu_iH_{m,i}(T): ela depende apenas de TT, e seu valor é o calculado com todas as espécies em seu estado padrão. ∎

1.2 Entalpias padrão de reação e lei de Hess

Definição 1.6 (Grandeza padrão de reação)

A grandeza padrão de reação ΔrX∘(T)=∑iνiXm,i∘(T)\Delta_r X^\circ(T) = \sum_i\nu_iX_{m,i}^\circ(T) é a grandeza de reação calculada com todas as espécies em seu estado padrão à temperatura TT, sendo Xm,i∘X_{m,i}^\circ os valores molares padrão. Para X=HX = H, é a entalpia padrão de reação ΔrH∘(T)\Delta_r H^\circ(T); ela depende apenas de TT.

Só diferenças de entalpia são mensuráveis; por isso se escolhe uma referência de uma vez por todas, como se escolheu o eletrodo de hidrogênio para os potenciais.

Definição 1.7 (Estado padrão de referência, entalpia padrão de formação)

O estado padrão de referência de um elemento à temperatura TT é sua forma mais estável a TT sob p∘p^\circ: HX2\ce{H2}, OX2\ce{O2}, NX2\ce{N2} e ClX2\ce{Cl2} como gases perfeitos, o carbono como grafita, o sódio como metal, o bromo como líquido (a 298 K298\,\mathrm{K}). A entalpia padrão de formação ΔfH∘\Delta_f H^\circ de um composto é a entalpia padrão de reação de sua reação de formação, a que produz um mol do composto a partir de seus elementos em seus estados de referência. Por construção, ΔfH∘=0\Delta_f H^\circ = 0 para um elemento em seu estado de referência.

Exemplo 1.8 (Reações de formação)

A reação de formação da água é HX2(g)+12 OX2(g)→HX2O(l)\ce{H2(g) + 1/2O2(g) -> H2O(l)}, com ΔfH∘=−285.83 kJ/mol\Delta_f H^\circ = -285.83\,\mathrm{kJ}/\mathrm{mol} a 298.15 K298.15\,\mathrm{K}; a do metano é C(s)+2 HX2(g)→CHX4(g)\ce{C(s) + 2H2(g) -> CH4(g)}, ΔfH∘=−74.9 kJ/mol\Delta_f H^\circ = -74.9\,\mathrm{kJ}/\mathrm{mol}; a do monóxido de nitrogênio, 12 NX2(g)+12 OX2(g)→NO(g)\ce{1/2N2(g) + 1/2O2(g) -> NO(g)}, ΔfH∘=+90.3 kJ/mol\Delta_f H^\circ = +90.3\,\mathrm{kJ}/\mathrm{mol}: um composto endotérmico, que os gases quentes de um motor produzem mesmo assim. Os coeficientes meios não são um problema: a reação de formação é um instrumento de contabilidade, não um mecanismo.

Teorema 1.9 (Lei de Hess)

Se uma reação é a soma, com coeficientes λk\lambda_k, de reações kk, sua entalpia padrão de reação é a mesma combinação das entalpias delas: ΔrH∘=∑kλkΔrHk∘\Delta_r H^\circ = \sum_k\lambda_k\Delta_r H_k^\circ (lei de Hess). Em particular, uma entalpia padrão de reação pode ser calculada ao longo de qualquer caminho de reações que leve dos reagentes aos produtos.

Demonstração. Cada ΔrHk∘=∑iνi,kHm,i∘\Delta_r H_k^\circ = \sum_i\nu_{i,k}H_{m,i}^\circ é linear nos números estequiométricos. Se a reação é ∑kλk\sum_k\lambda_k vezes as reações kk, seus números estequiométricos são νi=∑kλkνi,k\nu_i = \sum_k\lambda_k \nu_{i,k}, e ΔrH∘=∑iνiHm,i∘=∑kλk∑iνi,kHm,i∘\Delta_r H^\circ = \sum_i\nu_iH_{m,i}^\circ = \sum_k\lambda_k \sum_i\nu_{i,k}H_{m,i}^\circ. Por trás da álgebra está a primeira lei: HH é uma função de estado, logo sua variação entre os mesmos estados inicial e final não depende do caminho. ∎

Proposição 1.10 (Entalpia de reação a partir das entalpias de formação)

ΔrH∘(T)=∑iνi ΔfHi∘(T)\Delta_r H^\circ(T) = \sum_i\nu_i\,\Delta_f H_i^\circ(T).

Demonstração. Tome o caminho que decompõe os reagentes em seus elementos nos seus estados de referência (o inverso de suas reações de formação, com os coeficientes −νi>0-\nu_i > 0) e depois forma os produtos a partir dos mesmos elementos (coeficientes νi>0\nu_i > 0). Os elementos se cancelam porque a equação está balanceada, e a lei de Hess soma as entalpias. ∎

Níveis de entalpia da combustão do metano a 298.15\, K. Os elementos em seus estados de referência são o zero. O metano fica 74.9\, kJ/ mol abaixo deles, os produtos 965.2\, kJ/ mol abaixo: a entalpia de combustão é a diferença, -890.3\, kJ/ mol, qualquer que seja o caminho realmente seguido pela chama.
Níveis de entalpia da combustão do metano a 298.15 K298.15\,\mathrm{K}. Os elementos em seus estados de referência são o zero. O metano fica 74.9 kJ/mol74.9\,\mathrm{kJ}/\mathrm{mol} abaixo deles, os produtos 965.2 kJ/mol965.2\,\mathrm{kJ}/\mathrm{mol} abaixo: a entalpia de combustão é a diferença, −890.3 kJ/mol-890.3\,\mathrm{kJ}/\mathrm{mol}, qualquer que seja o caminho realmente seguido pela chama.

Exemplo 1.11 (Combustão do metano)

Para CHX4(g)+2 OX2(g)→COX2(g)+2 HX2O(l)\ce{CH4(g) + 2O2(g) -> CO2(g) + 2H2O(l)}, ΔrH∘=−393.51+2(−285.83)−(−74.87)−0=−890.3 kJ/mol\Delta_r H^\circ = -393.51 + 2(-285.83) - (-74.87) - 0 = -890.3\,\mathrm{kJ}/\mathrm{mol} a 298.15 K298.15\,\mathrm{K}. O valor medido em um calorímetro é −890.7 kJ/mol-890.7\,\mathrm{kJ}/\mathrm{mol}: a tabela e a chama concordam dentro da incerteza dos dados. Se a água sai como vapor (ΔfH∘=−241.83 kJ/mol\Delta_f H^\circ = -241.83\,\mathrm{kJ}/\mathrm{mol}), ΔrH∘=−802.3 kJ/mol\Delta_r H^\circ = -802.3\,\mathrm{kJ}/\mathrm{mol}: a diferença, 88.0 kJ88.0\,\mathrm{kJ}, é a entalpia de vaporização de dois mols de água, que uma caldeira a gás recupera ao condensar seus gases de combustão.

Método 1.12 (Um ciclo de Hess)

Para obter a entalpia de uma reação que não pode ser medida diretamente:

  1. escreva a reação-alvo com os estados físicos;
  2. encontre reações de entalpia conhecida (combustões, formações) cuja combinação, com coeficientes λk\lambda_k, dê a reação-alvo;
  3. verifique que toda espécie que não está na reação-alvo se cancela;
  4. some as entalpias com os mesmos coeficientes.

Exemplo 1.13 (Do carbono ao monóxido de carbono)

Queimar carbono sempre produz algum dióxido de carbono; por isso a entalpia de C(s)+12 OX2(g)→CO(g)\ce{C(s) + 1/2O2(g) -> CO(g)} não é medida diretamente. As duas combustões C(s)+OX2(g)→COX2(g)\ce{C(s) + O2(g) -> CO2(g)} (−393.51 kJ/mol-393.51\,\mathrm{kJ}/\mathrm{mol}) e CO(g)+12 OX2(g)→COX2(g)\ce{CO(g) + 1/2O2(g) -> CO2(g)} (−283.0 kJ/mol-283.0\,\mathrm{kJ}/\mathrm{mol}, medida) o são; a reação-alvo é a primeira menos a segunda: ΔrH∘=−393.51+283.0=−110.5 kJ/mol\Delta_r H^\circ = -393.51 + 283.0 = -110.5\,\mathrm{kJ}/\mathrm{mol}, a entalpia de formação do monóxido de carbono.

História — Germain Henri Hess

Germain Henri Hess (1802–1850), professor de química em São Petersburgo, mediu os calores liberados quando o ácido sulfúrico é diluído ou neutralizado em várias etapas e constatou, em 1840, que o total não dependia das etapas seguidas: a “lei da soma constante dos calores”, enunciada antes da própria primeira lei da termodinâmica, que a explica. (Retrato por I. I. Reimers, 1837–1838; CC BY-SA 4.0, Wikimedia Commons.)

1.3 Cálculo das entalpias de reação

A partir das entalpias de ligação

Quando falta a entalpia de formação de um composto, a energia de suas ligações dá uma estimativa, em fase gasosa.

Definição 1.14 (Entalpia de dissociação de ligação, entalpia média de ligação)

A entalpia de dissociação de ligação de uma ligação A–B em uma molécula gasosa é a entalpia padrão de reação da ruptura dessa ligação em dois fragmentos gasosos, AB(g)→A(g)+B(g)\ce{AB(g) -> A(g) + B(g)} para uma molécula diatômica. Quando uma molécula tem nn ligações iguais, sua entalpia média de ligação é a entalpia padrão de sua atomização completa em átomos gasosos dividida por nn.

As entalpias de atomização são, elas mesmas, entalpias de formação: as dos átomos gasosos, menos a da molécula. A tabela abaixo é calculada dessa maneira.

ligaçãoentalpia (kJ/mol\mathrm{kJ}/\mathrm{mol})obtida de
H–H436HX2\ce{H2}, dissociação
O=O498OX2\ce{O2}, dissociação
N≡\equivN945NX2\ce{N2}, dissociação
Cl–Cl243ClX2\ce{Cl2}, dissociação
H–Cl432HCl\ce{HCl}, dissociação
C–H416CHX4\ce{CH4}, média de quatro
N–H391NHX3\ce{NH3}, média de três
O–H464HX2O\ce{H2O}, média de duas
C=O804COX2\ce{CO2}, média de duas
C–C330CX2HX6\ce{C2H6}, com C–H tomada do metano
C=C589CX2HX4\ce{C2H4}, com C–H tomada do metano
Entalpias de ligação a 298.15 K298.15\,\mathrm{K}, calculadas a partir das entalpias padrão de formação dos átomos e das moléculas gasosos. As duas últimas linhas mostram o limite do método: uma ligação C–H do etano não é exatamente uma do metano, e o valor de C–C herda a diferença.

Proposição 1.15 (Estimativa a partir das entalpias de ligação)

Para uma reação entre gases,

ΔrH∘≈∑(entalpias das ligac¸o˜es rompidas)−∑(entalpias das ligac¸o˜es formadas).\Delta_r H^\circ \approx \sum(\text{entalpias das ligações rompidas}) - \sum(\text{entalpias das ligações formadas}).

Demonstração. Siga o caminho que atomiza todos os reagentes (entalpia: as ligações rompidas) e depois constrói os produtos a partir dos átomos (menos as ligações formadas). A lei de Hess torna a soma exata quando cada entalpia de ligação é a da ligação em sua própria molécula; substituí-la por um valor médio tirado de outra molécula é a aproximação. ∎

Exemplo 1.16 (Hidrogenação do eteno)

Em CX2HX4(g)+HX2(g)→CX2HX6(g)\ce{C2H4(g) + H2(g) -> C2H6(g)}, uma C=C e uma H–H são rompidas e substituídas por uma C–C e duas C–H. Com a tabela: 589+436−330−2×416=−137 kJ/mol589 + 436 - 330 - 2 \times 416 = -137\,\mathrm{kJ}/\mathrm{mol}; a partir das entalpias de formação, o valor é −136.3 kJ/mol-136.3\,\mathrm{kJ}/\mathrm{mol}. A concordância é boa aqui porque os valores de C–C e C=C da tabela foram obtidos dessas mesmas moléculas; para uma molécula diferente das da tabela, um erro de 10 a 30 kJ/mol30\,\mathrm{kJ}/\mathrm{mol} é comum.

Entalpias de rede: o ciclo de Born–Haber

Definição 1.17 (Entalpia de rede)

A entalpia de rede de um cristal iônico é a entalpia padrão de reação de sua dissociação em íons gasosos: para o cloreto de sódio, NaCl(s)→NaX+(g)+ClX−(g)\ce{NaCl(s) -> Na+(g) + Cl-(g)}. Ela é positiva e mede a coesão do cristal.

Ela não pode ser medida diretamente, mas um ciclo pelos elementos a fornece a partir de grandezas mensuráveis: a entalpia de formação do cristal, a atomização dos elementos, a energia de ionização do metal e a afinidade eletrônica do não metal (ambas definidas no volume do 1.º ano).

O ciclo de Born–Haber do cloreto de sódio a 298\, K (kJ/ mol). Subir do cristal aos íons gasosos pela entalpia de rede, ou dar a volta pelos elementos, leva ao mesmo nível: a entalpia de rede é a única incógnita do ciclo.
O ciclo de Born–Haber do cloreto de sódio a 298 K298\,\mathrm{K} (kJ/mol\mathrm{kJ}/\mathrm{mol}). Subir do cristal aos íons gasosos pela entalpia de rede, ou dar a volta pelos elementos, leva ao mesmo nível: a entalpia de rede é a única incógnita do ciclo.

Método 1.18 (O ciclo de Born–Haber)

  1. A partir dos elementos em seus estados de referência, trace dois caminhos: um até o cristal (formação), outro até os íons gasosos (sublimação do metal, atomização do não metal, ionização, captura eletrônica).
  2. Feche o ciclo com a entalpia de rede, do cristal até os íons gasosos.
  3. Escreva que a soma das entalpias ao longo do ciclo é nula e resolva para a incógnita. Energias de ionização e afinidades eletrônicas são tabeladas em eV por átomo: multiplique por NAe=96.485 kJ/(mol eV)N_A e = 96.485\,\mathrm{kJ}/(\mathrm{mol}\,\mathrm{eV}).

Exemplo 1.19 (Cloreto de sódio)

ΔlatH∘=411.1+107.5+121.3+495.8−348.6=787 kJ/mol\Delta_{\text{lat}}H^\circ = 411.1 + 107.5 + 121.3 + 495.8 - 348.6 = 787\,\mathrm{kJ}/\mathrm{mol}. A energia de ionização e a afinidade eletrônica são energias a 0 K0\,\mathrm{K}; suas correções para 298 K298\,\mathrm{K} (+52RT+\tfrac52RT para cada uma) se cancelam entre as duas etapas. Um modelo de cristal com cargas pontuais dá um valor próximo, e é por isso que o cloreto de sódio é chamado de iônico.

1.4 Entalpias de reação e temperatura

As tabelas dão ΔfH∘\Delta_f H^\circ a 298.15 K298.15\,\mathrm{K}. Um reator opera a 700 K700\,\mathrm{K}, uma chama a 2000 K2000\,\mathrm{K}: como ΔrH∘\Delta_r H^\circ varia com a temperatura?

Teorema 1.20 (Lei de Kirchhoff)

 ⁣dΔrH∘ ⁣dT=ΔrCp∘=∑iνiCp,m,i∘,\frac{\dd\Delta_r H^\circ}{\dd T} = \Delta_r C_p^\circ = \sum_i\nu_i C_{p,m,i}^\circ ,

de modo que ΔrH∘(T2)=ΔrH∘(T1)+∫T1T2ΔrCp∘  ⁣dT\Delta_r H^\circ(T_2) = \Delta_r H^\circ(T_1) + \int_{T_1}^{T_2} \Delta_r C_p^\circ\,\dd T (lei de Kirchhoff), na ausência de mudança de estado entre T1T_1 e T2T_2.

Demonstração. Com todas as espécies em seu estado padrão, H∘(T,ξ)=∑iniHm,i∘(T)H^\circ(T, \xi) = \sum_in_i H^\circ_{m,i}(T) é uma função de duas variáveis cujas derivadas parciais segundas são contínuas; pelo teorema de Schwarz, elas comutam:

 ⁣dΔrH∘ ⁣dT=∂∂T∂H∘∂ξ=∂∂ξ∂H∘∂T=∂∂ξ∑iniCp,m,i∘=∑iνiCp,m,i∘.\frac{\dd\Delta_r H^\circ}{\dd T} = \frac{\partial}{\partial T} \frac{\partial H^\circ}{\partial\xi} = \frac{\partial}{\partial\xi} \frac{\partial H^\circ}{\partial T} = \frac{\partial}{\partial\xi} \sum_in_iC^\circ_{p,m,i} = \sum_i\nu_iC^\circ_{p,m,i}.

Integrar entre T1T_1 e T2T_2 dá a segunda forma. Uma mudança de estado de uma espécie dentro do intervalo acrescenta sua entalpia de transição, multiplicada pelo número estequiométrico. ∎

Exemplo 1.21 (Síntese da amônia a quente)

Para NX2(g)+3 HX2(g)→2 NHX3(g)\ce{N2(g) + 3H2(g) -> 2NH3(g)}, ΔrH∘(298)=−91.9 kJ/mol\Delta_r H^\circ(298) = -91.9\,\mathrm{kJ}/\mathrm{mol} e, com as capacidades caloríficas molares a 298 K298\,\mathrm{K}, ΔrCp∘=2(35.65)−29.12−3(28.84)=−44.3 J/(K mol)\Delta_r C_p^\circ = 2(35.65) - 29.12 - 3(28.84) = -44.3\,\mathrm{J}/(\mathrm{K}\,\mathrm{mol}). Tomada como constante, ela dá ΔrH∘(700)=−91.9−0.0443×402=−109.7 kJ/mol\Delta_r H^\circ(700) = -91.9 - 0.0443 \times 402 = -109.7\,\mathrm{kJ}/\mathrm{mol}. As tabelas, que acompanham o aumento das capacidades caloríficas com a temperatura, dão −105.2 kJ/mol-105.2\,\mathrm{kJ}/\mathrm{mol}: a estimativa com CpC_p constante erra por 4 %, um preço razoável por um cálculo de uma linha. Em 400 K400\,\mathrm{K}, a entalpia de reação varia de cerca de um sétimo.

1.5 Reações adiabáticas e calorimetria

Temperatura de chama

Em uma chama, a reação é rápida e o calor não tem tempo de sair: os gases aquecem a si mesmos.

Definição 1.22 (Temperatura adiabática de chama)

A temperatura adiabática de chama de um combustível é a temperatura atingida pelos produtos de sua combustão completa quando a reação ocorre a pressão constante, sem nenhuma troca de calor, a partir de reagentes a 298 K298\,\mathrm{K}.

Proposição 1.23 (Cálculo de uma temperatura de chama)

Se a reação avança de ξ\xi a partir de reagentes a T0T_0 e o sistema final tem capacidade calorífica Cp(T)C_p(T), a temperatura final TfT_f satisfaz

ξ ΔrH∘(T0)+∫T0TfCp(T)  ⁣dT=0.\xi\,\Delta_r H^\circ(T_0) + \int_{T_0}^{T_f}C_p(T)\,\dd T = 0 .

Demonstração. Adiabática e a pressão constante, a transformação tem ΔH=Qp=0\Delta H = Q_p = 0. Como HH é uma função de estado, qualquer caminho entre os mesmos estados inicial e final dá o mesmo ΔH\Delta H. Tome o caminho da figura abaixo: primeiro a reação a T0T_0, com ΔH1=ξΔrH∘(T0)\Delta H_1 = \xi\Delta_r H^\circ(T_0) (Proposição 1.3, com comportamento ideal); depois o aquecimento do sistema final de T0T_0 a TfT_f, ΔH2=∫Cp  ⁣dT\Delta H_2 = \int C_p\,\dd T. A soma deles é nula. ∎

A chama adiabática (tracejado) e um caminho equivalente em duas etapas: reação a temperatura constante, depois aquecimento dos produtos. Como H é uma função de estado, as duas variações de entalpia das etapas somam zero.
A chama adiabática (tracejado) e um caminho equivalente em duas etapas: reação a temperatura constante, depois aquecimento dos produtos. Como HH é uma função de estado, as duas variações de entalpia das etapas somam zero.

Método 1.24 (Temperatura de chama)

  1. Escreva a combustão completa de um mol de combustível; no ar, acrescente o nitrogênio e o argônio que acompanham o oxigênio (eles também são aquecidos); tome a água como vapor.
  2. Calcule q=−ΔrH∘(T0)q = -\Delta_r H^\circ(T_0) por mol de combustível.
  3. Ou tome uma capacidade calorífica constante CpC_p dos produtos: Tf=T0+q/CpT_f = T_0 + q/C_p; ou encontre TfT_f tal que a soma dos incrementos tabelados ni[Hm,i∘(Tf)−Hm,i∘(T0)]n_i[H^\circ_{m,i}(T_f) - H^\circ_{m,i}(T_0)] seja igual a qq, por interpolação.
Entalpia necessária para aquecer os produtos de combustão de um mol de combustível (dióxido de carbono, vapor d’água, e o nitrogênio e o argônio do ar) a partir de 298\, K, segundo as entalpias tabeladas. Cada curva encontra o calor liberado pela sua combustão na temperatura adiabática de chama: cerca de 2400\, K para o butano, 2330\, K para o metano.
Entalpia necessária para aquecer os produtos de combustão de um mol de combustível (dióxido de carbono, vapor d’água, e o nitrogênio e o argônio do ar) a partir de 298 K298\,\mathrm{K}, segundo as entalpias tabeladas. Cada curva encontra o calor liberado pela sua combustão na temperatura adiabática de chama: cerca de 2400 K2400\,\mathrm{K} para o butano, 2330 K2330\,\mathrm{K} para o metano.

As temperaturas calculadas são limites superiores. Acima de cerca de 2000 K2000\,\mathrm{K}, o dióxido de carbono e a água começam a se dissociar em monóxido de carbono, hidrogênio, oxigênio e radicais; essas reações endotérmicas retomam parte do calor, e uma chama real de butano no ar é sensivelmente mais fria do que o cálculo. No oxigênio puro, não há nitrogênio a aquecer e a chama é muito mais quente; é por isso que os soldadores queimam o etino com oxigênio, e não com ar.

Calorimetria

Proposição 1.25 (Volume constante e pressão constante)

Em um recipiente fechado de aço (uma bomba calorimétrica), o calor medido é QV=ΔUQ_V = \Delta U, e, para gases perfeitos e fases condensadas,

ΔrH=ΔrU+Δνgaˊs RT,\Delta_r H = \Delta_r U + \Delta\nu_{\text{gás}}\,RT ,

em que Δνgaˊs\Delta\nu_{\text{gás}} é a soma dos números estequiométricos das espécies gasosas.

Demonstração. H=U+pVH = U + pV, e ΔrH=ΔrU+∂(pV)/∂ξ\Delta_r H = \Delta_r U + \partial(pV)/\partial\xi a TT fixo. O pVpV das fases condensadas é desprezível e, para os gases, pV=ngaˊsRTpV = n_{\text{gás}}RT com ngaˊs=ngaˊs,0+Δνgaˊsξn_{\text{gás}} = n_{\text{gás},0} + \Delta\nu_{\text{gás}}\xi, cuja derivada em relação a ξ\xi é ΔνgaˊsRT\Delta\nu_{\text{gás}}RT. ∎

Uma bomba calorimétrica. A amostra queima a volume constante em oxigênio sob pressão; o calor passa para a bomba e para a água agitada, cuja elevação de temperatura é lida no termômetro. A capacidade calorífica do calorímetro é determinada antes, queimando um padrão de energia conhecida.
Uma bomba calorimétrica. A amostra queima a volume constante em oxigênio sob pressão; o calor passa para a bomba e para a água agitada, cuja elevação de temperatura é lida no termômetro. A capacidade calorífica do calorímetro é determinada antes, queimando um padrão de energia conhecida.

Método 1.26 (Calorimetria)

  1. Calibre: queime uma massa de um padrão de energia de combustão conhecida (ou forneça uma energia elétrica conhecida), leia a elevação de temperatura ΔT\Delta T e deduza a capacidade calorífica CC do calorímetro inteiro (água e recipiente, seu “equivalente em água”).
  2. Queime a amostra e leia ΔT′\Delta T': o calor liberado é C ΔT′C\,\Delta T', logo ΔrU=−CΔT′/ξ\Delta_r U = -C\Delta T'/\xi a volume constante.
  3. Corrija para ΔrH\Delta_r H com ΔνgaˊsRT\Delta\nu_{\text{gás}}RT; em um calorímetro aberto (a pressão constante), ΔrH=−CΔT′/ξ\Delta_r H = -C\Delta T'/\xi diretamente.

Exemplo 1.27 (Uma medida na bomba)

Para a combustão do butano com água líquida, Δνgaˊs=4−1−6.5=−3.5\Delta\nu_{\text{gás}} = 4 - 1 - 6.5 = -3.5, logo ΔrU=ΔrH+3.5RT=−2877.6+8.7=−2868.9 kJ/mol\Delta_r U = \Delta_r H + 3.5RT = -2877.6 + 8.7 = -2868.9\,\mathrm{kJ}/\mathrm{mol}: a correção é de alguns milésimos, maior que a incerteza de uma boa medida na bomba; por isso nunca é omitida.

História — Bombas calorimétricas, 1881

Marcellin Berthelot (1827–1907) queimou compostos orgânicos em oxigênio comprimido dentro de um recipiente fechado de aço revestido de platina, de modo que a combustão fosse completa e nada escapasse: a bomba calorimétrica, ainda hoje o instrumento de referência para os calores de combustão. Foi ele também quem cunhou as palavras exotérmico e endotérmico. (Fotografia: domínio público, Wikimedia Commons.)

1.6 Exercícios

Exercício 1.1 ★

Usando as entalpias padrão de formação do capítulo, calcule ΔrH∘\Delta_r H^\circ a 298 K298\,\mathrm{K} da combustão do propano, CX3HX8(g)+5 OX2(g)→3 COX2(g)+4 HX2O(l)\ce{C3H8(g) + 5O2(g) -> 3CO2(g) + 4H2O(l)}, dado ΔfH∘(CX3HX8,g)=−104.7 kJ/mol\Delta_f H^\circ(\ce{C3H8}, \text{g}) = -104.7\,\mathrm{kJ}/\mathrm{mol}. A reação é exotérmica?

Solução

Solução de Exercício 1.1.

ΔrH∘=3(−393.51)+4(−285.83)−(−104.7)−5(0)=−2219.2 kJ/mol\Delta_r H^\circ = 3(-393.51) + 4(-285.83) - (-104.7) - 5(0) = -2219.2\,\mathrm{kJ}/\mathrm{mol}, negativa: exotérmica. (A entalpia de combustão medida é a mesma, −2219.2 kJ/mol-2219.2\,\mathrm{kJ}/\mathrm{mol}.)

Exercício 1.2 ★

Calcule o calor liberado pela queima de 1.00 kg1.00\,\mathrm{kg} de metano (água formada no estado líquido) e de 1.00 kg1.00\,\mathrm{kg} de di-hidrogênio, HX2(g)+12 OX2(g)→HX2O(l)\ce{H2(g) + 1/2O2(g) -> H2O(l)}. Qual combustível dá mais calor por quilograma?

Solução

Solução de Exercício 1.2.

Metano: 890.3/16.04=55.5 kJ/g890.3/16.04 = 55.5\,\mathrm{kJ}/\mathrm{g}, ou seja, 55.5 MJ55.5\,\mathrm{MJ} por quilograma. Di-hidrogênio: 285.83/2.016=141.8 kJ/g285.83/2.016 = 141.8\,\mathrm{kJ}/\mathrm{g}, 141.8 MJ/kg141.8\,\mathrm{MJ}/\mathrm{kg}: cerca de 2.6 vezes mais por quilograma (mas muito menos por litro, já que o gás é leve).

Exercício 1.3 ★

Uma bomba calorimétrica dá ΔrU=−3264 kJ/mol\Delta_r U = -3264\,\mathrm{kJ}/\mathrm{mol} para a combustão do benzeno líquido, CX6HX6(l)+152 OX2(g)→6 COX2(g)+3 HX2O(l)\ce{C6H6(l) + 15/2O2(g) -> 6CO2(g) + 3H2O(l)}, a 298 K298\,\mathrm{K}. Calcule ΔrH\Delta_r H.

Solução

Solução de Exercício 1.3.

Δνgaˊs=6−7.5=−1.5\Delta\nu_{\text{gás}} = 6 - 7.5 = -1.5, logo ΔrH=ΔrU+ΔνgaˊsRT=−3264−1.5×8.314×298.15×10−3=−3267.7 kJ/mol\Delta_r H = \Delta_r U + \Delta\nu_{\text{gás}}RT = -3264 - 1.5 \times 8.314 \times 298.15 \times 10^{-3} = -3267.7\,\mathrm{kJ}/\mathrm{mol}, de acordo com o valor calculado a partir das entalpias de formação, −3267.6 kJ/mol-3267.6\,\mathrm{kJ}/\mathrm{mol}.

Exercício 1.4 ★

Dados ΔrH∘=−393.5 kJ/mol\Delta_r H^\circ = -393.5\,\mathrm{kJ}/\mathrm{mol} para C(s)+OX2(g)→COX2(g)\ce{C(s) + O2(g) -> CO2(g)} e ΔrH∘=−283.0 kJ/mol\Delta_r H^\circ = -283.0\,\mathrm{kJ}/\mathrm{mol} para CO(g)+12 OX2(g)→COX2(g)\ce{CO(g) + 1/2O2(g) -> CO2(g)}, calcule a entalpia de COX2(g)+C(s)→2 CO(g)\ce{CO2(g) + C(s) -> 2CO(g)}, a reação que ocorre no coque quente de um alto-forno.

Solução

Solução de Exercício 1.4.

A reação-alvo é a primeira reação menos duas vezes a segunda: ΔrH∘=−393.5−2(−283.0)=+172.5 kJ/mol\Delta_r H^\circ = -393.5 - 2(-283.0) = +172.5\,\mathrm{kJ}/\mathrm{mol}. Ela é endotérmica: o coque quente esfria ao transformar o dióxido de carbono em monóxido de carbono.

Exercício 1.5 ★★

Estime, com as entalpias de ligação do capítulo, a entalpia de CHX4(g)+ClX2(g)→CHX3Cl(g)+HCl(g)\ce{CH4(g) + Cl2(g) -> CH3Cl(g) + HCl(g)}, tomando 350 kJ/mol350\,\mathrm{kJ}/\mathrm{mol} para C–Cl. Depois calcule a mesma grandeza a partir das entalpias de formação, dado ΔfH∘(CHX3Cl,g)=−83.7 kJ/mol\Delta_f H^\circ(\ce{CH3Cl}, \text{g}) = -83.7\,\mathrm{kJ}/\mathrm{mol}, e comente a diferença.

Solução

Solução de Exercício 1.5.

Ligações rompidas: C–H e Cl–Cl, 416+243=659 kJ/mol416 + 243 = 659\,\mathrm{kJ}/\mathrm{mol}; ligações formadas: C–Cl e H–Cl, 350+432=782 kJ/mol350 + 432 = 782\,\mathrm{kJ}/\mathrm{mol}: estimativa −123 kJ/mol-123\,\mathrm{kJ}/\mathrm{mol}. A partir das entalpias de formação: −83.7−92.3+74.9=−101.1 kJ/mol-83.7 - 92.3 + 74.9 = -101.1\,\mathrm{kJ}/\mathrm{mol}. A diferença de 22 kJ/mol22\,\mathrm{kJ}/\mathrm{mol} vem do valor médio de C–Cl, uma média sobre várias moléculas, e da ligação C–H rompida no metano, mais forte que a média das quatro.

Exercício 1.6 ★★

A entalpia padrão de vaporização da água a 298 K298\,\mathrm{K} é ΔfH∘(HX2O,g)−ΔfH∘(HX2O,l)\Delta_f H^\circ(\ce{H2O}, \text{g}) - \Delta_f H^\circ(\ce{H2O}, \text{l}). Calcule-a. Com Cp,m∘=75.35 J/(K mol)C_{p,m}^\circ = 75.35\,\mathrm{J}/(\mathrm{K}\,\mathrm{mol}) para o líquido e 33.59 J/(K mol)33.59\,\mathrm{J}/(\mathrm{K}\,\mathrm{mol}) para o vapor, ambas tomadas como constantes, estime-a a 400 K400\,\mathrm{K} (água superaquecida sob pressão) e compare com as tabelas, que dão ΔfH∘=−282.59 kJ/mol\Delta_f H^\circ = -282.59\,\mathrm{kJ}/\mathrm{mol} para o líquido e −242.85 kJ/mol-242.85\,\mathrm{kJ}/\mathrm{mol} para o vapor a 400 K400\,\mathrm{K}.

Solução

Solução de Exercício 1.6.

A 298 K298\,\mathrm{K}: −241.83+285.83=44.00 kJ/mol-241.83 + 285.83 = 44.00\,\mathrm{kJ}/\mathrm{mol}. Kirchhoff com ΔCp=33.59−75.35=−41.76 J/(K mol)\Delta C_p = 33.59 - 75.35 = -41.76\,\mathrm{J}/(\mathrm{K}\,\mathrm{mol}): 44.00−0.04176×101.85=39.75 kJ/mol44.00 - 0.04176 \times 101.85 = 39.75\,\mathrm{kJ}/\mathrm{mol} a 400 K400\,\mathrm{K}. As tabelas dão −242.85+282.59=39.74 kJ/mol-242.85 + 282.59 = 39.74\,\mathrm{kJ}/\mathrm{mol}: as capacidades caloríficas constantes são excelentes nesse intervalo.

Exercício 1.7 ★★

Use um ciclo de Born–Haber para calcular a entalpia de rede do cloreto de potássio a partir de: ΔfH∘(KCl,s)=−436.7 kJ/mol\Delta_f H^\circ(\ce{KCl}, \text{s}) = -436.7\,\mathrm{kJ}/\mathrm{mol}, sublimação do potássio 89.0 kJ/mol89.0\,\mathrm{kJ}/\mathrm{mol}, energia de ionização do potássio 4.341 eV4.341\,\mathrm{eV}, ΔfH∘(Cl,g)=121.3 kJ/mol\Delta_f H^\circ(\ce{Cl}, \text{g}) = 121.3\,\mathrm{kJ}/\mathrm{mol}, afinidade eletrônica do cloro 3.613 eV3.613\,\mathrm{eV}. Por que ela é menor que a do cloreto de sódio?

Solução

Solução de Exercício 1.7.

Ionização: 4.341×96.485=418.8 kJ/mol4.341 \times 96.485 = 418.8\,\mathrm{kJ}/\mathrm{mol}; captura: −3.613×96.485=−348.6 kJ/mol-3.613 \times 96.485 = -348.6\,\mathrm{kJ}/\mathrm{mol}. Entalpia de rede =436.7+89.0+121.3+418.8−348.6=717 kJ/mol= 436.7 + 89.0 + 121.3 + 418.8 - 348.6 = 717\,\mathrm{kJ}/\mathrm{mol}, menor que os 787 kJ/mol787\,\mathrm{kJ}/\mathrm{mol} do cloreto de sódio: KX+\ce{K+} é maior que NaX+\ce{Na+}, os íons ficam mais afastados e se atraem menos.

Exercício 1.8 ★★

Um calorímetro de copo de café é calibrado fornecendo-lhe 2.00 kJ2.00\,\mathrm{kJ} de energia elétrica, o que eleva sua temperatura de 0.418 K0.418\,\mathrm{K}. Em seguida, 50.0 mL50.0\,\mathrm{mL} de ácido clorídrico a 1.00 mol/L1.00\,\mathrm{mol}/\mathrm{L} são misturados nele com 50.0 mL50.0\,\mathrm{mL} de solução de hidróxido de sódio a 1.10 mol/L1.10\,\mathrm{mol}/\mathrm{L}, ambos à mesma temperatura inicial: a temperatura sobe 0.583 K0.583\,\mathrm{K}. Calcule a entalpia de HX3OX+(aq)+OHX−(aq)→2 HX2O(l)\ce{H3O+(aq) + OH-(aq) -> 2H2O(l)}.

Solução

Solução de Exercício 1.8.

Capacidade calorífica do calorímetro: C=2.00/0.418=4.785 kJ/KC = 2.00/0.418 = 4.785\,\mathrm{kJ}/\mathrm{K}. Calor liberado: 4.785×0.583=2.789 kJ4.785 \times 0.583 = 2.789\,\mathrm{kJ}, para ξ=0.0500 mol\xi = 0.0500\,\mathrm{mol} (o ácido é o limitante, a base está em leve excesso): ΔrH=−2.789/0.0500=−55.8 kJ/mol\Delta_r H = -2.789/0.0500 = -55.8\,\mathrm{kJ}/\mathrm{mol}.

Exercício 1.9 ★★

O octano, um modelo da gasolina, tem ΔfH∘(l)=−250.3 kJ/mol\Delta_f H^\circ(\text{l}) = -250.3\,\mathrm{kJ}/\mathrm{mol}. Calcule a entalpia de sua combustão (água líquida), o calor liberado por quilograma e a massa de dióxido de carbono emitida por megajoule. Compare com o metano.

Solução

Solução de Exercício 1.9.

CX8HX18(l)+252 OX2(g)→8 COX2(g)+9 HX2O(l)\ce{C8H18(l) + 25/2O2(g) -> 8CO2(g) + 9H2O(l)}: ΔrH∘=8(−393.51)+9(−285.83)+250.3=−5470.3 kJ/mol\Delta_r H^\circ = 8(-393.51) + 9(-285.83) + 250.3 = -5470.3\,\mathrm{kJ}/\mathrm{mol}; com M=114.2 g/molM = 114.2\,\mathrm{g}/\mathrm{mol}, 47.9 MJ/kg47.9\,\mathrm{MJ}/\mathrm{kg}. Dióxido de carbono: 8×44.01=352.1 g8 \times 44.01 = 352.1\,\mathrm{g} para 5.470 MJ5.470\,\mathrm{MJ}, isto é, 64.4 g/MJ64.4\,\mathrm{g}/\mathrm{MJ}, contra 44.01/0.8903=49.4 g/MJ44.01/0.8903 = 49.4\,\mathrm{g}/\mathrm{MJ} para o metano: o metano tem mais hidrogênio por carbono, e queimar hidrogênio libera calor sem dióxido de carbono.

Exercício 1.10 ★★★

Calcule a temperatura adiabática de chama do metano queimando na quantidade estequiométrica de oxigênio puro, com capacidades caloríficas constantes (as do capítulo a 298 K298\,\mathrm{K}: COX2\ce{CO2} 37.13, HX2O(g)\ce{H2O(g)} 33.59 J/(K mol)33.59\,\mathrm{J}/(\mathrm{K}\,\mathrm{mol})). Compare com o resultado no ar, 2780 K2780\,\mathrm{K} na mesma aproximação. Por que a chama real no oxigênio é muito mais fria do que diz esse cálculo?

Solução

Solução de Exercício 1.10.

Produtos de CHX4+2 OX2→COX2+2 HX2O(g)\ce{CH4 + 2O2 -> CO2 + 2H2O(g)}: Cp=37.13+2×33.59=104.3 J/KC_p = 37.13 + 2 \times 33.59 = 104.3\,\mathrm{J}/\mathrm{K}; q=802.3 kJq = 802.3\,\mathrm{kJ}; Tf=298+802 300/104.3≈7990 KT_f = 298 + 802\,300/104.3 \approx 7990\,\mathrm{K}, quase três vezes o valor no ar, porque nenhum nitrogênio fica com sua parte do calor. A chama real no oxigênio é muito mais fria: muito antes de 7990 K7990\,\mathrm{K}, o dióxido de carbono e a água se dissociam em monóxido de carbono, hidrogênio, oxigênio e átomos, reações endotérmicas que absorvem a maior parte do calor; e as capacidades caloríficas crescem com TT.

Exercício 1.11 ★★★

A capacidade calorífica de um gás é frequentemente escrita Cp,m∘=a+bTC_{p,m}^\circ = a + bT. Para a síntese da amônia, tome Δra=−60.5 J/(K mol)\Delta_r a = -60.5\,\mathrm{J}/(\mathrm{K}\,\mathrm{mol}) e Δrb=0.0540 J/(K2 mol)\Delta_r b = 0.0540\,\mathrm{J}/(\mathrm{K}^{2}\,\mathrm{mol}) (ajustados às tabelas entre 300 K300\,\mathrm{K} e 800 K800\,\mathrm{K}). Integre a lei de Kirchhoff de 298 K298\,\mathrm{K} a 700 K700\,\mathrm{K} e compare com o valor das tabelas, −105.2 kJ/mol-105.2\,\mathrm{kJ}/\mathrm{mol}, e com a estimativa com CpC_p constante.

Solução

Solução de Exercício 1.11.

ΔrH∘(700)=ΔrH∘(298)+∫298700(Δra+Δrb T)  ⁣dT=−91.88+[−60.5×401.85+0.0270×(7002−298.152)]×10−3=−91.88−24.31+10.83=−105.4 kJ/mol\Delta_r H^\circ(700) = \Delta_r H^\circ(298) + \int_{298}^{700}(\Delta_r a + \Delta_r b\,T)\,\dd T = -91.88 + [-60.5 \times 401.85 + 0.0270 \times (700^2 - 298.15^2)] \times 10^{-3} = -91.88 - 24.31 + 10.83 = -105.4\,\mathrm{kJ}/\mathrm{mol}, a 0.2 kJ/mol0.2\,\mathrm{kJ}/\mathrm{mol} das tabelas (−105.2 kJ/mol-105.2\,\mathrm{kJ}/\mathrm{mol}), enquanto a estimativa com CpC_p constante errava por 4.5 kJ/mol4.5\,\mathrm{kJ}/\mathrm{mol}.

Exercício 1.12 ★★★

O monóxido de nitrogênio se forma nos motores por NX2(g)+OX2(g)→2 NO(g)\ce{N2(g) + O2(g) -> 2NO(g)}. Calcule sua entalpia padrão de reação a 298 K298\,\mathrm{K}. Mostre que, se ΔrCp∘\Delta_r C_p^\circ é pequeno, a reação absorve aproximadamente o mesmo calor a 2000 K2000\,\mathrm{K}; usando as capacidades caloríficas das tabelas a 298 K298\,\mathrm{K} (NO\ce{NO} 29.85 J/(K mol)29.85\,\mathrm{J}/(\mathrm{K}\,\mathrm{mol}), NX2\ce{N2} 29.12, OX2\ce{O2} 29.38 J/(K mol)29.38\,\mathrm{J}/(\mathrm{K}\,\mathrm{mol})), estime a variação entre 298 K298\,\mathrm{K} e 2000 K2000\,\mathrm{K}. Explique por que uma reação endotérmica pode ser um problema justamente nas chamas mais quentes.

Solução

Solução de Exercício 1.12.

ΔrH∘=2×90.29=+180.6 kJ/mol\Delta_r H^\circ = 2 \times 90.29 = +180.6\,\mathrm{kJ}/\mathrm{mol} (endotérmica). ΔrCp∘=2(29.85)−29.12−29.38=1.2 J/(K mol)\Delta_r C_p^\circ = 2(29.85) - 29.12 - 29.38 = 1.2\,\mathrm{J}/(\mathrm{K}\,\mathrm{mol}); logo, entre 298 K298\,\mathrm{K} e 2000 K2000\,\mathrm{K}, a entalpia de reação varia de cerca de 1.2×1702=2 kJ/mol1.2 \times 1702 = 2\,\mathrm{kJ}/\mathrm{mol}, um por cento. Uma reação endotérmica é favorecida pela alta temperatura (Capítulo 4): o ar frio quase não forma monóxido de nitrogênio, as chamas mais quentes formam mais; por isso a temperatura de combustão é uma alavanca contra esse poluente.

1.7 Problema: O cartucho de gás de camping

Problema 1.1

Problema de fim de semana — a energia do butano, uma medida em bomba calorimétrica, a água aquecida em uma panela e a temperatura da chama

Um fogareiro de camping queima o butano de um cartucho que contém 230 g230\,\mathrm{g}. Dados a 298 K298\,\mathrm{K} (ΔfH∘\Delta_f H^\circ em kJ/mol\mathrm{kJ}/\mathrm{mol}): CX4HX10(g)\ce{C4H10(g)} −125.6-125.6, COX2(g)\ce{CO2(g)} −393.51-393.51, HX2O(l)\ce{H2O(l)} −285.83-285.83, HX2O(g)\ce{H2O(g)} −241.83-241.83. Massas molares: CX4HX10\ce{C4H10} 58.12 g/mol58.12\,\mathrm{g}/\mathrm{mol}, HX2O\ce{H2O} 18.02 g/mol18.02\,\mathrm{g}/\mathrm{mol}. Capacidade calorífica da água líquida: 75.35 J/(K mol)75.35\,\mathrm{J}/(\mathrm{K}\,\mathrm{mol}). Ar seco: 20.95 %20.95\,\% OX2\ce{O2}, 78.08 %78.08\,\% NX2\ce{N2}, 0.93 %0.93\,\% Ar\ce{Ar} em volume. R=8.314 J/(K mol)R = 8.314\,\mathrm{J}/(\mathrm{K}\,\mathrm{mol}).

Parte I — O combustível.

  1. Escreva a combustão completa do butano, com a água formada no estado líquido, para um mol de butano.
  2. Calcule sua entalpia padrão de reação a 298 K298\,\mathrm{K}.
  3. Calcule-a de novo com a água formada como vapor e explique a diferença.
  4. Calcule o calor liberado por grama de butano em cada caso.
  5. Qual dos dois valores descreve um fogareiro de camping, cuja água deixa a chama como vapor?
  6. Que calor o cartucho inteiro pode liberar no fogareiro?

Parte II — Uma medida. Uma amostra de 0.500 g0.500\,\mathrm{g} de butano é queimada em uma bomba calorimétrica cuja capacidade calorífica é 10.00 kJ/K10.00\,\mathrm{kJ}/\mathrm{K}; a água formada se condensa.

  1. Que grandeza uma bomba calorimétrica mede, e por quê?
  2. Calcule Δνgaˊs\Delta\nu_{\text{gás}} da reação da questão 1.
  3. Calcule o ΔrU\Delta_r U esperado.
  4. Calcule a elevação de temperatura esperada do calorímetro.
  5. A elevação lida é 2.461 K2.461\,\mathrm{K}. Deduza o ΔrU\Delta_r U e o ΔrH\Delta_r H medidos e a diferença relativa em relação às tabelas.

Parte III — A panela.

  1. Calcule o calor necessário para levar 1.00 L1.00\,\mathrm{L} de água (1.00 kg1.00\,\mathrm{kg}) de 20 ∘C20\,{}^{\circ}\mathrm{C} a 100 ∘C100\,{}^{\circ}\mathrm{C}.
  2. O fogareiro faz isso com 16.0 g16.0\,\mathrm{g} de butano. Calcule seu rendimento (calor recebido pela água sobre calor liberado).
  3. Para onde vai o resto do calor?
  4. Quantos litros de água o cartucho inteiro pode levar à fervura com esse rendimento?

Parte IV — A chama.

  1. O butano queima na quantidade estequiométrica de ar. Calcule as quantidades de dinitrogênio e de argônio que acompanham o dioxigênio necessário a um mol de butano.
  2. Liste as quantidades dos produtos, nitrogênio e argônio incluídos.
  3. Explique, com um caminho em duas etapas, por que o calor liberado a 298 K298\,\mathrm{K} pela reação (água como vapor) é inteiramente usado para aquecer esses gases.
  4. Usando as capacidades caloríficas a 298 K298\,\mathrm{K}, COX2\ce{CO2} 37.13, HX2O(g)\ce{H2O(g)} 33.59, NX2\ce{N2} 29.12, Ar\ce{Ar} 20.79 J/(K mol)20.79\,\mathrm{J}/(\mathrm{K}\,\mathrm{mol}), calcule a capacidade calorífica dos produtos.
  5. Deduza a temperatura da chama com capacidades caloríficas constantes.
  6. Os incrementos de entalpia das tabelas dão, para os produtos de um mol de butano, 2515.7 kJ2515.7\,\mathrm{kJ} entre 298 K298\,\mathrm{K} e 2300 K2300\,\mathrm{K}, e 2655.7 kJ2655.7\,\mathrm{kJ} entre 298 K298\,\mathrm{K} e 2400 K2400\,\mathrm{K}. Encontre a temperatura da chama por interpolação linear.
  7. Por que a primeira estimativa é alta demais?
  8. Por que a temperatura medida de uma chama de butano é ainda menor?
  9. Dê a temperatura adiabática de chama do butano no ar.
Solução

Solução de Problema 1.1.

1. CX4HX10(g)+132 OX2(g)→4 COX2(g)+5 HX2O(l)\ce{C4H10(g) + 13/2O2(g) -> 4CO2(g) + 5H2O(l)}. 2. ΔrH∘=4(−393.51)+5(−285.83)+125.6=−2877.6 kJ/mol\Delta_r H^\circ = 4(-393.51) + 5(-285.83) + 125.6 = -2877.6\,\mathrm{kJ}/\mathrm{mol}. 3. Com vapor d’água, 4(−393.51)+5(−241.83)+125.6=−2657.6 kJ/mol4(-393.51) + 5(-241.83) + 125.6 = -2657.6\,\mathrm{kJ}/\mathrm{mol}; a diferença, 220.0 kJ220.0\,\mathrm{kJ}, é a entalpia de vaporização de cinco mols de água (44.0 kJ/mol44.0\,\mathrm{kJ}/\mathrm{mol} cada). 4. 2877.6/58.12=49.5 kJ/g2877.6/58.12 = 49.5\,\mathrm{kJ}/\mathrm{g} e 2657.6/58.12=45.7 kJ/g2657.6/58.12 = 45.7\,\mathrm{kJ}/\mathrm{g}. 5. O segundo: a água sai como vapor e seu calor de condensação é perdido. 6. 230×45.7=1.05×104 kJ230 \times 45.7 = 1.05 \times 10^{4}\,\mathrm{kJ}, cerca de 10.5 MJ10.5\,\mathrm{MJ}. 7. A volume constante, o calor recebido é ΔU\Delta U (não há trabalho de pressão): a bomba mede ΔrU\Delta_r U. 8. Δνgaˊs=4−1−6.5=−3.5\Delta\nu_{\text{gás}} = 4 - 1 - 6.5 = -3.5 (a água é líquida). 9. ΔrU=ΔrH−ΔνgaˊsRT=−2877.6+3.5×2.479=−2868.9 kJ/mol\Delta_r U = \Delta_r H - \Delta\nu_{\text{gás}}RT = -2877.6 + 3.5 \times 2.479 = -2868.9\,\mathrm{kJ}/\mathrm{mol}. 10. ξ=0.500/58.12=8.60×10−3 mol\xi = 0.500/58.12 = 8.60 \times 10^{-3}\,\mathrm{mol}; calor 8.60×10−3×2868.9=24.68 kJ8.60 \times 10^{-3} \times 2868.9 = 24.68\,\mathrm{kJ}; ΔT=24.68/10.00=2.468 K\Delta T = 24.68/10.00 = 2.468\,\mathrm{K}. 11. Calor 10.00×2.461=24.61 kJ10.00 \times 2.461 = 24.61\,\mathrm{kJ}: ΔrU=−24.61/(8.603×10−3)=−2860.6 kJ/mol\Delta_r U = -24.61/(8.603 \times 10^{-3}) = -2860.6\,\mathrm{kJ}/\mathrm{mol} e ΔrH=−2860.6−8.7=−2869.3 kJ/mol\Delta_r H = -2860.6 - 8.7 = -2869.3\,\mathrm{kJ}/\mathrm{mol}, 0.29 %0.29\,\% abaixo das tabelas em valor absoluto: calor perdido pelo calorímetro ou uma combustão ligeiramente incompleta. 12. n=1000/18.02=55.5 moln = 1000/18.02 = 55.5\,\mathrm{mol}; Q=55.5×75.35×80=334.5 kJQ = 55.5 \times 75.35 \times 80 = 334.5\,\mathrm{kJ}. 13. Calor liberado 16.0×45.72=731.5 kJ16.0 \times 45.72 = 731.5\,\mathrm{kJ}; rendimento 334.5/731.5=0.46334.5/731.5 = 0.46. 14. Para os gases de combustão quentes que escapam em volta da panela, o ar aquecido pela chama e as paredes da panela, e a radiação. 15. 230×45.72×0.457/334.5=14.4 L230 \times 45.72 \times 0.457/334.5 = 14.4\,\mathrm{L}. 16. 6.5 mol6.5\,\mathrm{mol} de OX2\ce{O2} vêm com 6.5×78.08/20.95=24.23 mol6.5 \times 78.08/20.95 = 24.23\,\mathrm{mol} de NX2\ce{N2} e 6.5×0.93/20.95=0.289 mol6.5 \times 0.93/20.95 = 0.289\,\mathrm{mol} de Ar\ce{Ar}. 17. 4 mol4\,\mathrm{mol} COX2\ce{CO2}, 5 mol5\,\mathrm{mol} HX2O(g)\ce{H2O(g)}, 24.23 mol24.23\,\mathrm{mol} NX2\ce{N2}, 0.289 mol0.289\,\mathrm{mol} Ar\ce{Ar}. 18. A chama é adiabática e isobárica, logo ΔH=0\Delta H = 0. Ao longo de um caminho formado pela reação a 298 K298\,\mathrm{K} (ΔH1=−2657.6 kJ\Delta H_1 = -2657.6\,\mathrm{kJ}) seguida do aquecimento desses produtos, ΔH2=−ΔH1=+2657.6 kJ\Delta H_2 = -\Delta H_1 = +2657.6\,\mathrm{kJ}: todo o calor vai para os gases. 19. Cp=4(37.13)+5(33.59)+24.23(29.12)+0.289(20.79)=1028 J/KC_p = 4(37.13) + 5(33.59) + 24.23(29.12) + 0.289(20.79) = 1028\,\mathrm{J}/\mathrm{K}. 20. Tf=298+2 657 600/1028=2883 KT_f = 298 + 2\,657\,600/1028 = 2883\,\mathrm{K}. 21. Tf=2300+100×(2657.6−2515.7)/(2655.7−2515.7)=2401 KT_f = 2300 + 100 \times (2657.6 - 2515.7)/(2655.7 - 2515.7) = 2401\,\mathrm{K}. 22. As capacidades caloríficas dos gases crescem com a temperatura (de cerca de um quarto entre 298 K298\,\mathrm{K} e 2400 K2400\,\mathrm{K}): os valores à temperatura ambiente aquecem os gases barato demais. 23. Acima de 2000 K2000\,\mathrm{K}, o dióxido de carbono e a água se dissociam parcialmente (endotérmico), a chama irradia, e a mistura com o ar nunca é perfeita. 24. A temperatura adiabática de chama do butano no ar é Tad≈2.40×103 K\boldsymbol{T_{\text{ad}} \approx 2.40 \times 10^{3}\,\mathrm{K}}.

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