Chemistry · Livro 4 · Bachelor Year 3

Química universitária — 3.º ano

Química universitária — 3.º ano · Bachelor Year 3

15Cinética de eletrodo e eletroanálise

Uma gota de sangue em uma tira de plástico, cinco segundos, um número: o glicosímetro que milhões de pessoas usam várias vezes por dia é uma célula eletroquímica, e o que ele mede não é uma tensão, mas uma corrente. Uma enzima oxida a glicose, um complexo de ferro dissolvido leva os elétrons até um eletrodo de carbono, e a corrente que passa é fixada pela velocidade com que esse complexo se difunde até o eletrodo, logo por sua concentração. Este capítulo explica por que os elétrons atravessam uma interface depressa ou devagar (a equação de Butler–Volmer), como o transporte de massa limita a corrente e como a voltametria cíclica e os outros métodos eletroanalíticos transformam correntes em concentrações, constantes de velocidade e mecanismos.

O que você já sabe

O volume do 1.º ano definiu o potencial de eletrodo, o potencial padrão, a equação de Nernst, os eletrodos de referência e as meias-pilhas. O volume do 2.º ano introduziu as curvas corrente–potencial com suas correntes anódica e catódica, os eletrodos de trabalho e os contraeletrodos, as sobretensões, os sistemas rápidos e lentos, a camada de difusão e a corrente limite; os coeficientes de atividade e a força iônica; as curvas de calibração, o método da adição padrão e o limite de detecção. O Capítulo 12 deu a teoria do estado de transição. Da física: as leis de Fick da difusão, a equação de Poisson e os capacitores.

Um glicosímetro: a tira traz uma minúscula célula de três eletrodos com uma enzima e um mediador redox; o aparelho aplica um potencial e lê uma corrente.
Um glicosímetro: a tira traz uma minúscula célula de três eletrodos com uma enzima e um mediador redox; o aparelho aplica um potencial e lê uma corrente.

15.1 A interface eletrodo–solução

Um metal mergulhado em uma solução de eletrólito carrega uma carga superficial, e a solução responde com uma carga igual e oposta, feita de um excesso de íons de um sinal. As duas camadas de carga formam um capacitor de espessura molecular.

Definição 15.1 (Dupla camada elétrica)

A dupla camada elétrica é o arranjo de cargas em uma interface eletrodo–solução: a carga do metal e a carga iônica que a compensa na solução. Sua parte compacta, a camada de Helmholtz, é a camada de íons e de moléculas de solvente em contato com a superfície; sua camada difusa é a região além dela, onde a agitação térmica espalha os íons em excesso sobre uma distância da ordem do comprimento de Debye κ−1\kappa^{-1}. A capacitância da dupla camada CdlC_{\mathrm{dl}} é a carga armazenada por unidade de área e por volt de potencial através da interface.

Proposição 15.2 (Comprimento de Debye)

Em uma solução de força iônica II (em mol m−3\mathrm{mol}\,\mathrm{m}^{-3}) e permissividade relativa εr\varepsilon_r, um pequeno potencial φ0\varphi_0 no eletrodo decai na solução como φ=φ0e−κx\varphi = \varphi_0\eu^{-\kappa x}, com

κ−1=εrε0RT2F2I.\kappa^{-1} = \sqrt{\frac{\varepsilon_r\varepsilon_0RT}{2F^2I}} .

Demonstração. A equação de Poisson (da física) relaciona o potencial à densidade de carga:  ⁣d2φ/ ⁣dx2=−ρ/εrε0\dd^2\varphi/\dd x^2 = -\rho/\varepsilon_r\varepsilon_0. Cada íon obedece à distribuição de Boltzmann no potencial: ci=ci∘e−ziFφ/RTc_i = c_i^{\circ}\eu^{-z_iF\varphi/RT}, logo ρ=F∑izici∘e−ziFφ/RT\rho = F\sum_iz_ic_i^{\circ}\eu^{-z_iF\varphi/RT}. Para Fφ≪RTF\varphi \ll RT, e−ziFφ/RT≈1−ziFφ/RT\eu^{-z_iF\varphi/RT} \approx 1 - z_iF\varphi/RT; os termos de ordem zero se cancelam pela eletroneutralidade, e ρ≈−(F2/RT)∑izi2ci∘ φ=−(2F2I/RT)φ\rho \approx -(F^2/RT)\sum_iz_i^2c_i^{\circ}\,\varphi = -(2F^2I/RT)\varphi. Logo  ⁣d2φ/ ⁣dx2=κ2φ\dd^2\varphi/\dd x^2 = \kappa^2\varphi, cuja solução que se anula longe é φ0e−κx\varphi_0\eu^{-\kappa x}. ∎

Exemplo 15.3 (A espessura da dupla camada)

Em água a 298.15 K298.15\,\mathrm{K} (εr=78.4\varepsilon_r = 78.4) com 0.10 mol/L0.10\,\mathrm{mol}/\mathrm{L} de um sal 1:1 (I=100 mol m−3I = 100\,\mathrm{mol}\,\mathrm{m}^{-3}), κ−1=78.4×8.854×10−12×2479/(2×96 4852×100)=0.96 nm\kappa^{-1} = \sqrt{78.4 \times 8.854 \times 10^{-12} \times 2479/(2 \times 96\,485^2 \times 100)} = 0.96\,\mathrm{nm}; a 1.0 mmol/L1.0\,\mathrm{mmol}/\mathrm{L}, dez vezes mais. Um eletrólito suporte comprime a camada difusa a alguns diâmetros moleculares.

A camada difusa se comporta como um capacitor cujas placas estão separadas por κ−1\kappa^{-1}: sua capacitância por unidade de área a baixo potencial é εrε0κ\varepsilon_r\varepsilon_0\kappa (o resultado de Gouy–Chapman; sua dependência com o potencial é admitida). Em série com a camada compacta de Helmholtz, ela dá a CdlC_{\mathrm{dl}} medida, da ordem de dezenas de microfarads por centímetro quadrado (o modelo de Stern). Sempre que o potencial muda, esse capacitor se carrega: uma varredura a vv volts por segundo exige uma corrente capacitiva CdlAvC_{\mathrm{dl}}Av que não envolve química e se soma a toda medida voltamétrica.

A dupla camada elétrica (modelo de Gouy–Chapman–Stern, esquema): um metal carregado negativamente, uma camada compacta de cátions no plano de Helmholtz e uma camada difusa onde os cátions superam os ânions em número sobre alguns comprimentos de Debye. Embaixo, o valor absoluto do potencial (negativo, como a carga do metal) cai linearmente através da camada compacta e depois exponencialmente na camada difusa.
A dupla camada elétrica (modelo de Gouy–Chapman–Stern, esquema): um metal carregado negativamente, uma camada compacta de cátions no plano de Helmholtz e uma camada difusa onde os cátions superam os ânions em número sobre alguns comprimentos de Debye. Embaixo, o valor absoluto do potencial (negativo, como a carga do metal) cai linearmente através da camada compacta e depois exponencialmente na camada difusa.

15.2 Cinética da transferência de elétrons

Considere a redução O+n e−→R\mathrm{O} + n\,\mathrm{e}^- \to \mathrm{R} em um eletrodo mantido no potencial EE, cujo potencial de equilíbrio para a solução global seria EeqE_{\mathrm{eq}}. A sobretensão é η=E−Eeq\eta = E - E_{\mathrm{eq}}.

Definição 15.4 (Densidade de corrente de troca, coeficiente de transferência, constante de velocidade padrão)

No equilíbrio, as correntes anódica e catódica são iguais e opostas; seu valor comum por unidade de área é a densidade de corrente de troca j0j_0. O coeficiente de transferência α\alpha (0<α<10 < \alpha < 1) é a fração da energia elétrica nFηnF\eta que abaixa a barreira da reação catódica. A constante de velocidade padrão k∘k^\circ é o valor comum das constantes de velocidade catódica e anódica no potencial formal E∘′E^{\circ\prime}.

Teorema 15.5 (Equação de Butler–Volmer)

Se as concentrações superficiais são iguais às do seio da solução (sem limitação pelo transporte de massa), a densidade de corrente na sobretensão η\eta é, contando positivas as correntes anódicas,

j=j0[e(1−α)fη−e−αfη],f=nFRT.j = j_0\bigl[\eu^{(1 - \alpha)f\eta} - \eu^{-\alpha f\eta}\bigr], \qquad f = \frac{nF}{RT}.

Esta é a equação de Butler–Volmer.

Demonstração. Pela teoria do estado de transição, as constantes de velocidade catódica e anódica são kc=Ae−ΔGc‡/RTk_{\mathrm c} = A\eu^{-\Delta G_{\mathrm c}^{\ddagger}/RT} e ka=Ae−ΔGa‡/RTk_{\mathrm a} = A\eu^{-\Delta G_{\mathrm a}^{\ddagger}/RT}. Variar o potencial do eletrodo de δE\delta E varia a energia de Gibbs da reação O+n e−→R\mathrm{O} + n\,\mathrm{e}^- \to \mathrm{R} de nF δEnF\,\delta E (os elétrons no metal ganham −nF δE-nF\,\delta E de energia elétrica). Suponha, em primeira ordem, que uma fração α\alpha dessa variação vai para a barreira catódica e o resto para a anódica: ΔGc‡→ΔGc‡+αnF δE\Delta G_{\mathrm c}^{\ddagger} \to \Delta G_{\mathrm c}^{\ddagger} + \alpha nF\,\delta E, ΔGa‡→ΔGa‡−(1−α)nF δE\Delta G_{\mathrm a}^{\ddagger} \to \Delta G_{\mathrm a}^{\ddagger} - (1 - \alpha)nF\,\delta E. Medir δE\delta E a partir do potencial de equilíbrio, onde as duas correntes valem ambas j0j_0 em módulo, dá jc=j0e−αfηj_{\mathrm c} = j_0\eu^{-\alpha f\eta} e ja=j0e(1−α)fηj_{\mathrm a} = j_0\eu^{(1 - \alpha)f\eta}; a corrente líquida é sua diferença. ∎

Corolário 15.6 (Resistência de transferência de carga)

Para ∣η∣≪RT/nF|\eta| \ll RT/nF, j=j0fηj = j_0f\eta: a interface se comporta como uma resistência Rct=RT/(nFi0)R_{\mathrm{ct}} = RT/(nFi_0), com i0=j0Ai_0 = j_0A.

Demonstração. Desenvolva as duas exponenciais em primeira ordem: j=j0[(1−α)fη+αfη]=j0fηj = j_0[(1 - \alpha)f\eta + \alpha f\eta] = j_0f\eta; então η/i=1/(fi0)\eta/i = 1/(fi_0). ∎

Corolário 15.7 (Equação de Tafel)

Para η≪−RT/nF\eta \ll -RT/nF (uma sobretensão fortemente catódica), o termo anódico é desprezível e

η=2.303 RTαnF(log⁡j0−log⁡∣j∣):\eta = \frac{2.303\,RT}{\alpha nF}\bigl(\log j_0 - \log|j|\bigr):

log⁡∣j∣\log|j| é linear em η\eta, com uma inclinação de 1/(118 mV)1/(\text{$118\,\mathrm{mV}$}) por década a 298 K298\,\mathrm{K} para α=0.5\alpha = 0.5, n=1n = 1. Esta é a equação de Tafel.

Demonstração. ∣j∣=j0e−αfη|j| = j_0\eu^{-\alpha f\eta}, logo ln⁡∣j∣=ln⁡j0−αfη\ln|j| = \ln j_0 - \alpha f\eta; converta para logaritmos decimais. ∎

Definição 15.8 (Resistência de transferência de carga, inclinação de Tafel)

A resistência de transferência de carga de um eletrodo é Rct=(∂η/∂i)η=0R_{\mathrm{ct}} = (\partial\eta/\partial i)_{\eta = 0}. A inclinação de Tafel é a variação da sobretensão por década de corrente na região de Tafel, 2.303 RT/αnF2.303\,RT/\alpha nF.

A equação de Butler–Volmer (n = 1, 298\, K) para três coeficientes de transferência. À esquerda: a corrente é linear em  perto do equilíbrio (a resistência de transferência de carga) e exponencial além;  a torna assimétrica. À direita: o gráfico de Tafel, cujos ramos retos extrapolam para |j/j_0| = 0 em = 0; a reta tracejada é a reta de Tafel catódica para = 0.5.
A equação de Butler–Volmer (n=1n = 1, 298 K298\,\mathrm{K}) para três coeficientes de transferência. À esquerda: a corrente é linear em η\eta perto do equilíbrio (a resistência de transferência de carga) e exponencial além; α\alpha a torna assimétrica. À direita: o gráfico de Tafel, cujos ramos retos extrapolam para log⁡∣j/j0∣=0\log|j/j_0| = 0 em η=0\eta = 0; a reta tracejada é a reta de Tafel catódica para α=0.5\alpha = 0.5.

Método 15.9 (Uma análise de Tafel)

  1. Registre a corrente estacionária em função de η\eta em uma solução agitada, bem abaixo da corrente limite (ou corrija o transporte de massa).
  2. Trace log⁡∣i∣\log|i| em função de η\eta; ajuste o ramo linear além de cerca de 100 mV100\,\mathrm{mV}.
  3. A inclinação dá α\alpha (ou 1−α1 - \alpha no ramo anódico); o intercepto em η=0\eta = 0 dá log⁡i0\log i_0.
  4. Verificação: perto de η=0\eta = 0, a inclinação de ii em função de η\eta é 1/Rct=nFi0/RT1/R_{\mathrm{ct}} = nFi_0/RT.

Os sistemas rápidos e lentos do volume do 2.º ano são os dois extremos desse quadro: um sistema rápido tem j0j_0 grande, e sua curva corrente–potencial sobe abruptamente no potencial de equilíbrio; um sistema lento precisa de uma grande sobretensão antes que passe qualquer corrente. A densidade de corrente de troca de uma mesma reação varia de muitas ordens de grandeza de um material de eletrodo para outro: o desprendimento de hidrogênio é rápido sobre platina e extremamente lento sobre mercúrio.

15.3 Transporte de massa

Definição 15.10 (Modos de transporte de massa)

As espécies chegam a um eletrodo por migração, o movimento dos íons no campo elétrico; por difusão, segundo os gradientes de concentração; e por convecção, o movimento da solução como um todo (agitação, rotação, escoamento). Um eletrólito suporte é um sal inerte adicionado em grande excesso, que transporta quase toda a corrente através da solução, de modo que a espécie eletroativa só se move por difusão e convecção.

Definição 15.11 (Cronoamperometria)

A cronoamperometria registra a corrente em função do tempo depois de um degrau do potencial do eletrodo.

Teorema 15.12 (Equação de Cottrell)

Depois de um degrau de potencial em t=0t = 0 até um valor no qual a espécie eletroativa é consumida assim que chega a um eletrodo plano de área AA, em uma solução em repouso com eletrólito suporte, a corrente é

i=nFAc∗Dπt,i = nFAc^*\sqrt{\frac{D}{\pi t}},

onde c∗c^* é a concentração no seio da solução e DD o coeficiente de difusão. Esta é a equação de Cottrell.

Demonstração. A concentração obedece à segunda lei de Fick ∂c/∂t=D ∂2c/∂x2\partial c/\partial t = D\,\partial^2c/\partial x^2, com c(x,0)=c∗c(x, 0) = c^*, c(0,t)=0c(0, t) = 0 para t>0t > 0 e c→c∗c \to c^* longe. A função c=c∗erf⁡(x/2Dt)c = c^*\operatorname{erf}(x/2\sqrt{Dt}), com erf⁡u=2π∫0ue−s2 ⁣ds\operatorname{erf}u = \frac{2}{\sqrt\pi}\int_0^u\eu^{-s^2}\dd s, satisfaz essas condições: erf⁡0=0\operatorname{erf}0 = 0, erf⁡u→1\operatorname{erf}u \to 1 quando u→∞u \to \infty (em t→0t \to 0 para todo x>0x > 0, e longe). Com u=x/2Dtu = x/2\sqrt{Dt}, ∂c/∂t=c∗2πe−u2∂u/∂t=−c∗2πe−u2u2t\partial c/\partial t = c^*\frac{2}{\sqrt\pi}\eu^{-u^2}\partial u/\partial t = -c^*\frac{2}{\sqrt\pi}\eu^{-u^2}\frac{u}{2t} e ∂2c/∂x2=c∗2π(−2u)e−u214Dt\partial^2c/\partial x^2 = c^*\frac{2}{\sqrt\pi}(-2u)\eu^{-u^2}\frac{1}{4Dt}: os dois lados da lei de Fick concordam. A corrente é o fluxo na superfície: i=nFAD(∂c/∂x)x=0=nFADc∗2π12Dt=nFAc∗D/πti = nFAD(\partial c/\partial x)_{x = 0} = nFADc^*\frac{2}{\sqrt\pi}\frac{1}{2\sqrt{Dt}} = nFAc^*\sqrt{D/\pi t}. (A unicidade da solução é admitida.) ∎

Cronoamperometria (modelo: D = 1.0 × 10-5\, cm2\, s-1, c* = 1.0\, mM, um disco de 3\, mm). À esquerda: a camada de depleção cresce como √Dt, cerca de 30\, µ m depois de 0.1\, s e 350\, µ m depois de 16\, s. À direita: a corrente de Cottrell é proporcional a t-1/2; sua inclinação dá D.
Cronoamperometria (modelo: D=1.0×10−5 cm2 s−1D = 1.0 \times 10^{-5}\,\mathrm{cm}^{2}\,\mathrm{s}^{-1}, c∗=1.0 mMc^* = 1.0\,\mathrm{mM}, um disco de 3 mm3\,\mathrm{mm}). À esquerda: a camada de depleção cresce como Dt\sqrt{Dt}, cerca de 30 µm30\,\text{µ}\mathrm{m} depois de 0.1 s0.1\,\mathrm{s} e 350 µm350\,\text{µ}\mathrm{m} depois de 16 s16\,\mathrm{s}. À direita: a corrente de Cottrell é proporcional a t−1/2t^{-1/2}; sua inclinação dá DD.

Uma solução agitada ou um eletrodo de disco rotatório mantêm a camada de difusão com espessura constante δ\delta: a corrente atinge o valor limite estacionário nFADc∗/δnFADc^*/\delta do volume do 2.º ano. Para um disco rotatório, δ\delta diminui como o inverso da raiz quadrada da velocidade de rotação (Levich, admitido), o que torna a corrente limite proporcional a ω\sqrt\omega.

15.4 Voltametria cíclica

Definição 15.13 (Voltametria cíclica)

A voltametria cíclica varre o potencial de um eletrodo de trabalho estacionário linearmente com o tempo entre dois limites, ida e volta, com uma velocidade de varredura vv, em uma solução em repouso, e registra a corrente. O gráfico da corrente em função do potencial é o voltamograma; cada onda tem uma corrente de pico ipi_{\mathrm p} em seu potencial de pico EpE_{\mathrm p}.

O pico surge de dois efeitos concorrentes. À medida que o potencial ultrapassa E∘′E^{\circ\prime}, a concentração superficial do reagente cai (a equação de Nernst, para um sistema rápido) e a corrente cresce; mas a camada empobrecida se espessa com o tempo e o fluxo diminui. Na varredura de volta, o produto, ainda perto do eletrodo, é convertido de novo.

Definição 15.14 (Reversibilidade)

Com o parâmetro de velocidade adimensional Λ=k∘/DnFv/RT\Lambda = k^\circ/\sqrt{DnFv/RT}, que compara a velocidade da transferência de elétrons com a velocidade de difusão imposta pela varredura, um par é eletroquimicamente reversível se Λ>15\Lambda > 15 (suas concentrações superficiais obedecem à equação de Nernst a todo instante), quase reversível se 15>Λ>10−2(1+α)15 > \Lambda > 10^{-2(1 + \alpha)}, e eletroquimicamente irreversível abaixo disso.

Observação 15.15

Os sistemas rápidos e lentos do volume do 2.º ano correspondem a essa classificação, mas com uma diferença: aqui a reversibilidade depende da velocidade de varredura. O mesmo par pode ser reversível a 10 mV/s10\,\mathrm{mV}/\mathrm{s} e quase reversível a 10 V/s10\,\mathrm{V}/\mathrm{s}, pois uma varredura mais rápida deixa menos tempo para a transferência de elétrons.

Proposição 15.16 (Equação de Randles–Ševčík)

Para uma onda reversível em um eletrodo plano a 298 K298\,\mathrm{K},

ip=0.4463 nFAc∗nFvDRT,i_{\mathrm p} = 0.4463\,nFAc^*\sqrt{\frac{nFvD}{RT}},

de modo que ip∝vi_{\mathrm p} \propto \sqrt v. Esta é a equação de Randles–Ševčík.

Demonstração parcial. Nas variáveis ξ=xnFv/(RTD)\xi = x\sqrt{nFv/(RTD)} e θ=nFvt/RT\theta = nFvt/RT (a varredura de potencial em unidades de RT/nFRT/nF), a lei de Fick com a condição de Nernst na superfície não contém outro parâmetro além do potencial inicial: o fluxo adimensional é uma função universal χ(θ)\chi(\theta). De volta às unidades físicas, i=nFAc∗nFvD/RT χ(θ)i = nFAc^*\sqrt{nFvD/RT}\,\chi(\theta): toda corrente, inclusive a de pico, varia como v\sqrt v. O valor 0.4463 do máximo de χ\chi vem de uma solução numérica (admitido; a simulação da figura o reproduz a 0.1 %). ∎

Proposição 15.17 (Separação dos picos)

Para uma onda reversível, os picos catódico e anódico ficam cerca de 28.5 mV28.5\,\mathrm{mV}/n/n de cada lado de E∘′E^{\circ\prime} (a 298 K298\,\mathrm{K}, para um potencial de inversão muito além da onda): ΔEp≈57/n\Delta E_{\mathrm p} \approx 57/n mV, independente da velocidade de varredura, e E1/2=(Epc+Epa)/2=E∘′E_{1/2} = (E_{\mathrm{pc}} + E_{\mathrm{pa}})/2 = E^{\circ\prime} quando as duas espécies têm coeficientes de difusão iguais.

Demonstração parcial. Na forma adimensional da demonstração anterior, o pico ocorre em um valor fixo de θ\theta, isto é, em um potencial fixo em relação a E∘′E^{\circ\prime}, qualquer que seja vv; a simetria da condição de Nernst entre O e R põe o pico anódico em posição simétrica. O valor numérico é admitido; a simulação dá ±28.5 mV\pm28.5\,\mathrm{mV}, ΔEp=57.7 mV\Delta E_{\mathrm p} = 57.7\,\mathrm{mV}. ∎

Voltamogramas cíclicos simulados por diferenças finitas para uma redução (modelo: 1.0\, mM, D = 1.0 × 10-5\, cm2\, s-1, disco de 3\, mm, n = 1; corrente anódica positiva). Ondas reversíveis em quatro velocidades de varredura: os picos ficam a 57.7\, mV um do outro, centrados em E, e a corrente de pico cresce como √ v (à direita, a reta é a equação de Randles–Ševčík). Tracejado: um par quase reversível (k = 2 × 10-3\, cm\, s-1) a 100\, mV/ s, com picos separados por 162\, mV e mais baixos.
Voltamogramas cíclicos simulados por diferenças finitas para uma redução (modelo: 1.0 mM1.0\,\mathrm{mM}, D=1.0×10−5 cm2 s−1D = 1.0 \times 10^{-5}\,\mathrm{cm}^{2}\,\mathrm{s}^{-1}, disco de 3 mm3\,\mathrm{mm}, n=1n = 1; corrente anódica positiva). Ondas reversíveis em quatro velocidades de varredura: os picos ficam a 57.7 mV57.7\,\mathrm{mV} um do outro, centrados em E∘′E^{\circ\prime}, e a corrente de pico cresce como v\sqrt v (à direita, a reta é a equação de Randles–Ševčík). Tracejado: um par quase reversível (k∘=2×10−3 cm s−1k^\circ = 2 \times 10^{-3}\,\mathrm{cm}\,\mathrm{s}^{-1}) a 100 mV/s100\,\mathrm{mV}/\mathrm{s}, com picos separados por 162 mV162\,\mathrm{mV} e mais baixos.

Método 15.18 (Diagnosticar um voltamograma)

  1. Reversível: ΔEp≈57/n\Delta E_{\mathrm p} \approx 57/n mV em todas as velocidades de varredura, ∣ipa/ipc∣=1|i_{\mathrm{pa}}/i_{\mathrm{pc}}| = 1, ip∝vi_{\mathrm p} \propto \sqrt v; E1/2E_{1/2} dá E∘′E^{\circ\prime}.
  2. Quase reversível: ΔEp\Delta E_{\mathrm p} cresce com a velocidade de varredura; seu valor dá k∘k^\circ.
  3. Irreversível: sem pico de volta; o potencial de pico se desloca de 30/αn30/\alpha n mV por década de velocidade de varredura.
  4. Uma etapa química subsequente (mecanismo EC): o pico de volta é menor que o de ida nas varreduras lentas e se recupera nas varreduras rápidas, que ultrapassam a química.
  5. Espécies adsorvidas: ip∝vi_{\mathrm p} \propto v, e não v\sqrt v.

Os potenciais em solventes não aquosos, onde os eletrodos de referência derivam, são referidos a um padrão interno adicionado no fim do experimento: o par ferrocênio/ferroceno, rápido e bem-comportado na maioria dos solventes orgânicos.

Método 15.19 (Montar uma medida com três eletrodos)

  1. Eletrodo de trabalho (carbono vítreo, platina, ouro) recém-polido; contraeletrodo (fio de platina) de área maior; eletrodo de referência (Ag/AgCl, ou um fio de prata com padrão interno) perto do eletrodo de trabalho.
  2. Solução do analito (cerca de 1 mM) com 0.1 mol/L0.1\,\mathrm{mol}/\mathrm{L} de eletrólito suporte, desgaseificada com argônio (o oxigênio dissolvido se reduz a potenciais moderadamente negativos e acrescentaria suas próprias ondas).
  3. O potenciostato mantém o potencial entre os eletrodos de trabalho e de referência e faz passar a corrente entre o eletrodo de trabalho e o contraeletrodo; nenhuma corrente passa pelo eletrodo de referência.
Uma célula de três eletrodos. O potenciostato controla o potencial do eletrodo de trabalho em relação ao eletrodo de referência, que não conduz corrente, e impele a corrente através do contraeletrodo.
Uma célula de três eletrodos. O potenciostato controla o potencial do eletrodo de trabalho em relação ao eletrodo de referência, que não conduz corrente, e impele a corrente através do contraeletrodo.

15.5 Métodos eletroanalíticos

Definição 15.20 (Amperometria, biossensor)

A amperometria mede a corrente em um potencial fixo, proporcional à concentração da espécie que reage. Um biossensor acopla um elemento de reconhecimento biológico (uma enzima, um anticorpo) a um transdutor, aqui um eletrodo.

Na tira de glicose, a glicose oxidase oxida a glicose a gliconolactona e é regenerada por um mediador, o hexacianoferrato(III), que é reduzido; no eletrodo, mantido em um potencial em que o hexacianoferrato(II) é oxidado, a corrente mede o mediador formado, dois por glicose:

CX6HX12OX6+2 [Fe(CN)X6]X3−→CX6HX10OX6+2 [Fe(CN)X6]X4−+2 HX+.\ce{C6H12O6 + 2 [Fe(CN)6]^3- -> C6H10O6 + 2 [Fe(CN)6]^4- + 2 H+} .

Definição 15.21 (Voltametria de redissolução anódica)

A voltametria de redissolução anódica pré-concentra um metal reduzindo seus íons sobre um eletrodo durante um tempo fixo, em um potencial fixo, depois varre o potencial no sentido anódico e mede o pico de corrente de sua reoxidação, que é proporcional à concentração na solução.

A pré-concentração torna o método sensível o bastante para traços de chumbo ou de cádmio na água potável, no nível dos microgramas por litro. Como a sensibilidade depende da matriz, a calibração é feita na própria amostra, por adições padrão.

Método 15.22 (Adições padrão com redissolução)

  1. Registre o pico de redissolução da amostra, e depois após três ou mais adições de um padrão, cada uma elevando a concentração de uma quantidade conhecida (volumes pequenos, de modo que a diluição seja desprezível ou corrigida).
  2. Ajuste a altura do pico em função da concentração adicionada: uma reta.
  3. Seu intercepto no eixo das concentrações é o oposto da concentração da amostra; propague as incertezas-padrão da reta até o resultado.
Redissolução anódica do chumbo com três adições padrão (dados do ). À esquerda: os picos de redissolução crescem a cada adição. À direita: a reta de mínimos quadrados da altura do pico em função da concentração adicionada corta o eixo no oposto da concentração da amostra.
Redissolução anódica do chumbo com três adições padrão (dados do Exercício 15.9). À esquerda: os picos de redissolução crescem a cada adição. À direita: a reta de mínimos quadrados da altura do pico em função da concentração adicionada corta o eixo no oposto da concentração da amostra.

Definição 15.23 (Eletrodo íon-seletivo, coeficiente de seletividade)

Um eletrodo íon-seletivo é um eletrodo cujo potencial, por meio de uma membrana que troca preferencialmente um íon, depende da atividade desse íon. Seu coeficiente de seletividade KijK_{ij} mede sua resposta a um íon interferente jj em relação ao íon principal ii.

Proposição 15.24 (Equação de Nikolsky)

Para um íon principal ii de carga ziz_i e um íon interferente jj de carga zjz_j,

E=const+RTziFln⁡(ai+Kijajzi/zj).E = \text{const} + \frac{RT}{z_iF}\ln\bigl(a_i + K_{ij}a_j^{z_i/z_j}\bigr) .

Esta é a equação de Nikolsky.

Demonstração parcial. Para uma membrana permeável apenas a ii, a igualdade dos potenciais eletroquímicos através dela dá um potencial do tipo de Nernst, RTziFln⁡ai\frac{RT}{z_iF}\ln a_i mais uma constante. Se jj pode substituir ii na membrana por troca iônica, com uma constante de troca que define KijK_{ij}, a atividade de ii na superfície da membrana é aumentada de Kijajzi/zjK_{ij}a_j^{z_i/z_j} (a potência mantém as cargas equilibradas na troca). A dedução detalhada é admitida. ∎

O eletrodo de vidro de pH é o mais antigo eletrodo íon-seletivo; seu erro de sódio, em pH alto e concentração alta de sódio, é o termo de Nikolsky.

Definição 15.25 (Coulometria)

A coulometria determina a quantidade de uma substância a partir da carga total que passa em sua eletrólise completa: Q=nFnsubstaˆnciaQ = nFn_{\text{substância}} (lei de Faraday), sem nenhuma calibração.

Proposição 15.26 (Incerteza de uma concentração lida em uma reta de calibração)

Para uma reta de calibração y=a+bxy = a + bx ajustada a nn padrões (desvio-padrão residual ss, média yˉ\bar y, Sxx=∑(xi−xˉ)2S_{xx} = \sum(x_i - \bar x)^2), a concentração de uma amostra cuja resposta média sobre mm réplicas é y0y_0 vale x0=(y0−a)/bx_0 = (y_0 - a)/b, com a incerteza-padrão

u(x0)=sb1m+1n+(y0−yˉ)2b2Sxx.u(x_0) = \frac{s}{b}\sqrt{\frac1m + \frac1n + \frac{(y_0 - \bar y)^2}{b^2S_{xx}}} .

Demonstração. Escreva x0=xˉ+(y0−yˉ)/bx_0 = \bar x + (y_0 - \bar y)/b. Em primeira ordem, sua variância é (var⁡y0+var⁡yˉ)/b2+(y0−yˉ)2var⁡b/b4(\operatorname{var}y_0 + \operatorname{var}\bar y)/b^2 + (y_0 - \bar y)^2\operatorname{var}b/b^4, sendo os três termos não correlacionados (yˉ\bar y e bb não são correlacionados, Proposição 12.9). Com var⁡y0=s2/m\operatorname{var}y_0 = s^2/m, var⁡yˉ=s2/n\operatorname{var}\bar y = s^2/n e var⁡b=s2/Sxx\operatorname{var}b = s^2/S_{xx}, o resultado decorre. ∎

A incerteza é mínima no meio da faixa de calibração e cresce em direção às suas extremidades; leituras repetidas da amostra reduzem apenas o primeiro termo.

No laboratório — Preparar um eletrodo de carbono vítreo

O eletrodo é polido sobre um feltro com uma suspensão de alumina, em movimentos em forma de oito, enxaguado, colocado brevemente em ultrassom na água e enxaguado de novo. Um voltamograma de um par conhecido (hexacianoferrato, ferroceno) verifica que a separação dos picos está próxima do valor reversível: uma separação maior indica uma superfície suja ou uma resistência não compensada. A solução é desgaseificada com argônio durante dez minutos e mantida sob uma camada de argônio durante as varreduras.

Segurança

Nitrato de chumbo, usado para os padrões de chumbo: oxidante, pode prejudicar a fertilidade e o feto, suspeito de ser cancerígeno, muito tóxico para os organismos aquáticos; as soluções padrão são compradas prontas e manipuladas com luvas, e todo resíduo de chumbo é recolhido. Hexacianoferrato(III) de potássio: nocivo e suspeito de prejudicar a fertilidade; nunca fortemente acidificado nem aquecido (poderia liberar cianeto de hidrogênio). Os eletrodos de mercúrio, antes comuns na análise por redissolução, foram substituídos por eletrodos de filme de bismuto e de carbono.

História — O polarógrafo de Heyrovský, 1922

Jaroslav Heyrovský mediu em 1922 a corrente através de um eletrodo de mercúrio que gotejava de um capilar fino, renovando sua superfície a cada poucos segundos, em função do potencial aplicado. Cada espécie redutível dava uma onda cuja posição a identificava e cuja altura media sua concentração; com Masuzo Shikata, ele construiu em 1924 o polarógrafo, que registrava as curvas automaticamente em papel fotográfico. A polarografia foi o primeiro método instrumental de análise química de uso rotineiro e valeu a Heyrovský o Prêmio Nobel de Química de 1959.

15.6 Exercícios

Exercício 15.1 ★

Um gráfico de Tafel de uma redução (n=1n = 1, 298 K298\,\mathrm{K}) tem inclinação catódica de −118 mV-118\,\mathrm{mV} por década e extrapola em η=0\eta = 0 para ∣j∣=2.0×10−6 A cm−2|j| = 2.0 \times 10^{-6}\,\mathrm{A}\,\mathrm{cm}^{-2} (dados do exercício). Dê α\alpha e j0j_0.

Solução

Solução de Exercício 15.1.

A inclinação catódica 2.303RT/αF=118 mV2.303RT/\alpha F = 118\,\mathrm{mV} dá α=59.2/118=0.50\alpha = 59.2/118 = 0.50; j0=2.0×10−6 A cm−2j_0 = 2.0 \times 10^{-6}\,\mathrm{A}\,\mathrm{cm}^{-2}, o intercepto em η=0\eta = 0.

Exercício 15.2 ★

Um eletrodo de 0.20 cm20.20\,\mathrm{cm}^{2} tem j0=1.0×10−3 A cm−2j_0 = 1.0 \times 10^{-3}\,\mathrm{A}\,\mathrm{cm}^{-2} para um par de um elétron. Calcule sua resistência de transferência de carga a 298 K298\,\mathrm{K}.

Solução

Solução de Exercício 15.2.

i0=2.0×10−4 Ai_0 = 2.0 \times 10^{-4}\,\mathrm{A}; Rct=RT/(Fi0)=0.02569/2.0×10−4=128 ΩR_{\mathrm{ct}} = RT/(Fi_0) = 0.02569/2.0 \times 10^{-4} = 128\,\Omega.

Exercício 15.3 ★

Calcule o comprimento de Debye em água a 298.15 K298.15\,\mathrm{K} para 1.0 mmol/L1.0\,\mathrm{mmol}/\mathrm{L} e para 0.10 mol/L0.10\,\mathrm{mol}/\mathrm{L} de MgSOX4\ce{MgSO4}.

Solução

Solução de Exercício 15.3.

Para MgSOX4\ce{MgSO4}, I=12(4c+4c)=4cI = \frac12(4c + 4c) = 4c. A 1.0 mmol/L1.0\,\mathrm{mmol}/\mathrm{L}, I=4.0 mol m−3I = 4.0\,\mathrm{mol}\,\mathrm{m}^{-3} e κ−1=0.96 nm×100/4=4.8 nm\kappa^{-1} = 0.96\,\mathrm{nm} \times \sqrt{100/4} = 4.8\,\mathrm{nm}; a 0.10 mol/L0.10\,\mathrm{mol}/\mathrm{L}, I=400 mol m−3I = 400\,\mathrm{mol}\,\mathrm{m}^{-3}, κ−1=0.48 nm\kappa^{-1} = 0.48\,\mathrm{nm}.

Exercício 15.4 ★

Um voltamograma cíclico a 100 mV/s100\,\mathrm{mV}/\mathrm{s} em um eletrodo de 0.0707 cm20.0707\,\mathrm{cm}^{2} com Cdl=20 µF cm−2C_{\mathrm{dl}} = 20\,\text{µ}\mathrm{F}\,\mathrm{cm}^{-2}: calcule a corrente capacitiva e compare com o pico faradaico de 19 µA19\,\text{µ}\mathrm{A} da figura. O que acontece a 10 V/s10\,\mathrm{V}/\mathrm{s}?

Solução

Solução de Exercício 15.4.

ic=CdlAv=20×10−6×0.0707×0.1=0.14 µAi_{\mathrm c} = C_{\mathrm{dl}}Av = 20 \times 10^{-6} \times 0.0707 \times 0.1 = 0.14\,\text{µ}\mathrm{A}, menos de 1 % do pico. A 10 V/s10\,\mathrm{V}/\mathrm{s}, ela vale 14 µA14\,\text{µ}\mathrm{A}, enquanto o pico só cresce até 19100=190 µA19\sqrt{100} = 190\,\text{µ}\mathrm{A}: a corrente capacitiva cresce como vv, a faradaica como v\sqrt v.

Exercício 15.5 ★★

Depois de um degrau de potencial, it=12.2 µA s1/2i\sqrt t = 12.2\,\text{µ}\mathrm{A}\,\mathrm{s}^{1/2} para a redução a um elétron de uma solução 1.00 mM1.00\,\mathrm{mM} em um eletrodo de 0.0707 cm20.0707\,\mathrm{cm}^{2}. Calcule DD.

Solução

Solução de Exercício 15.5.

D=π(it/nFAc∗)2=π(12.2×10−6/(96 485×0.0707×1.00×10−6))2=1.0×10−5 cm2 s−1D = \pi\bigl(i\sqrt t/nFAc^*\bigr)^2 = \pi(12.2 \times 10^{-6}/(96\,485 \times 0.0707 \times 1.00 \times 10^{-6}))^2 = 1.0 \times 10^{-5}\,\mathrm{cm}^{2}\,\mathrm{s}^{-1}.

Exercício 15.6 ★★

Calcule a corrente de pico de Randles–Ševčík para n=1n = 1, A=0.0707 cm2A = 0.0707\,\mathrm{cm}^{2}, c∗=2.0 mMc^* = 2.0\,\mathrm{mM}, D=7.0×10−6 cm2 s−1D = 7.0 \times 10^{-6}\,\mathrm{cm}^{2}\,\mathrm{s}^{-1} a 50 mV/s50\,\mathrm{mV}/\mathrm{s} e a 500 mV/s500\,\mathrm{mV}/\mathrm{s}.

Solução

Solução de Exercício 15.6.

FAc∗=1.364×10−2 C cm−1FAc^* = 1.364 \times 10^{-2}\,\mathrm{C}\,\mathrm{cm}^{-1}, F/RT=38.92 V−1F/RT = 38.92\,\mathrm{V}^{-1}. A 50 mV/s50\,\mathrm{mV}/\mathrm{s}: 38.92×0.05×7.0×10−6=3.69×10−3\sqrt{38.92 \times 0.05 \times 7.0 \times 10^{-6}} = 3.69 \times 10^{-3}, ip=0.4463×1.364×10−2×3.69×10−3=22.5 µAi_{\mathrm p} = 0.4463 \times 1.364 \times 10^{-2} \times 3.69 \times 10^{-3} = 22.5\,\text{µ}\mathrm{A}; a 500 mV/s500\,\mathrm{mV}/\mathrm{s}, 10\sqrt{10} vezes mais, 71 µA71\,\text{µ}\mathrm{A}.

Exercício 15.7 ★★

Três pares dão, a 50 e a 500 mV/s500\,\mathrm{mV}/\mathrm{s}: (a) ΔEp=58\Delta E_{\mathrm p} = 58 e 59 mV, ∣ipa/ipc∣=1.0|i_{\mathrm{pa}}/i_{\mathrm{pc}}| = 1.0; (b) ΔEp=75\Delta E_{\mathrm p} = 75 e 140 mV, ∣ipa/ipc∣=1.0|i_{\mathrm{pa}}/i_{\mathrm{pc}}| = 1.0; (c) ΔEp\Delta E_{\mathrm p} indefinido a 50 mV/s50\,\mathrm{mV}/\mathrm{s} (sem pico de volta), um pico de volta com ∣ipa/ipc∣=0.8|i_{\mathrm{pa}}/i_{\mathrm{pc}}| = 0.8 a 500 mV/s500\,\mathrm{mV}/\mathrm{s}. Diagnostique cada um.

Solução

Solução de Exercício 15.7.

(a) Reversível. (b) Quase reversível: a separação cresce com a velocidade de varredura. (c) Uma etapa química segue a transferência de elétrons (EC): nas varreduras lentas, o produto é consumido antes da varredura de volta; uma varredura rápida ultrapassa a química.

Exercício 15.8 ★★

Um eletrodo seletivo ao potássio tem KKX+,NaX+=2×10−4K_{\ce{K+},\ce{Na+}} = 2 \times 10^{-4}. Em uma amostra com a(KX+)=4.0×10−3 a(\ce{K+}) = 4.0 \times 10^{-3}\, e a(NaX+)=0.14a(\ce{Na+}) = 0.14, qual é o erro relativo sobre a atividade do potássio se o sódio for ignorado?

Solução

Solução de Exercício 15.8.

Kijaj/ai=2×10−4×0.14/4.0×10−3=0.007K_{ij}a_j/a_i = 2 \times 10^{-4} \times 0.14/4.0 \times 10^{-3} = 0.007: o eletrodo dá uma leitura 0.7 % alta.

Exercício 15.9 ★★

Os picos de redissolução de uma amostra de água com 0, 5, 10 e 15 µg L−115\,\text{µ}\mathrm{g}\,\mathrm{L}^{-1} de chumbo adicionado valem 0.468, 1.003, 1.571 e 2.101 µA2.101\,\text{µ}\mathrm{A} (dados do exercício). Calcule a concentração de chumbo da solução medida, com sua incerteza-padrão.

Solução

Solução de Exercício 15.9.

Mínimos quadrados: b=0.1093 µA L µg−1b = 0.1093\,\text{µ}\mathrm{A}\,\mathrm{L}\,\text{µ}\mathrm{g}^{-1}, a=0.466 µAa = 0.466\,\text{µ}\mathrm{A}, s=0.011 µAs = 0.011\,\text{µ}\mathrm{A}; c0=a/b=4.26 µg L−1c_0 = a/b = 4.26\,\text{µ}\mathrm{g}\,\mathrm{L}^{-1}, com u(c0)=sb1n+yˉ2b2Sxx=0.12 µg L−1u(c_0) = \frac sb\sqrt{\frac1n + \frac{\bar y^2}{b^2S_{xx}}} = 0.12\,\text{µ}\mathrm{g}\,\mathrm{L}^{-1} (n=4n = 4, yˉ=1.286\bar y = 1.286, Sxx=125S_{xx} = 125).

Exercício 15.10 ★★★

Um coulômetro de cobre faz passar uma corrente constante de 50.0 mA50.0\,\mathrm{mA} durante 30.0 min30.0\,\mathrm{min} e deposita cobre a partir de CuX2+\ce{Cu^{2+}}. Calcule a massa depositada; por que a coulometria não precisa de calibração?

Solução

Solução de Exercício 15.10.

Q=0.0500×1800=90.0 CQ = 0.0500 \times 1800 = 90.0\,\mathrm{C}; n(Cu)=Q/2F=4.66×10−4 moln(\ce{Cu}) = Q/2F = 4.66 \times 10^{-4}\,\mathrm{mol}, 29.6 mg29.6\,\mathrm{mg}. O resultado só depende da carga, medida a partir de uma corrente e de um tempo, e da constante de Faraday: nenhum padrão é necessário, desde que a eletrólise seja completa e seu rendimento faradaico seja de 100 %.

Exercício 15.11 ★★★

Para um par com k∘=1.0×10−2 cm s−1k^\circ = 1.0 \times 10^{-2}\,\mathrm{cm}\,\mathrm{s}^{-1} e D=1.0×10−5 cm2 s−1D = 1.0 \times 10^{-5}\,\mathrm{cm}^{2}\,\mathrm{s}^{-1}, calcule Λ\Lambda a 0.1 V/s0.1\,\mathrm{V}/\mathrm{s} e a 10 V/s10\,\mathrm{V}/\mathrm{s} (n=1n = 1, 298 K298\,\mathrm{K}) e classifique a onda em cada velocidade de varredura.

Solução

Solução de Exercício 15.11.

DFv/RT=1.0×10−5×38.92×0.1=6.24×10−3 cm s−1\sqrt{DFv/RT} = \sqrt{1.0 \times 10^{-5} \times 38.92 \times 0.1} = 6.24 \times 10^{-3}\,\mathrm{cm}\,\mathrm{s}^{-1}: Λ=1.6\Lambda = 1.6, quase reversível. A 10 V/s10\,\mathrm{V}/\mathrm{s}, Λ=0.16\Lambda = 0.16, ainda quase reversível, porém mais longe do limite reversível; a onda só seria reversível abaixo de cerca de 1 mV/s1\,\mathrm{mV}/\mathrm{s}.

Exercício 15.12 ★★★

Uma reta de calibração obtida com n=7n = 7 padrões tem b=0.919 µA mM−1b = 0.919\,\text{µ}\mathrm{A}\,\mathrm{mM}^{-1}, s=0.077 µAs = 0.077\,\text{µ}\mathrm{A}, yˉ=8.89 µA\bar y = 8.89\,\text{µ}\mathrm{A} e Sxx=241 mM2S_{xx} = 241\,\mathrm{mM}^{2}. Calcule a incerteza de uma concentração lida a partir de uma leitura em y0=yˉy_0 = \bar y e em y0=18.0 µAy_0 = 18.0\,\text{µ}\mathrm{A}, e a partir de três leituras em yˉ\bar y.

Solução

Solução de Exercício 15.12.

s/b=0.0838 mMs/b = 0.0838\,\mathrm{mM} e b2Sxx=203.5 µA2b^2S_{xx} = 203.5\,\text{µ}\mathrm{A}^{2}. Em yˉ\bar y: 0.08381+1/7=0.090 mM0.0838\sqrt{1 + 1/7} = 0.090\,\mathrm{mM}. Em 18.0 µA18.0\,\text{µ}\mathrm{A}: 0.08381.143+83.0/203.5=0.104 mM0.0838\sqrt{1.143 + 83.0/203.5} = 0.104\,\mathrm{mM}. Três leituras em yˉ\bar y: 0.08381/3+1/7=0.058 mM0.0838\sqrt{1/3 + 1/7} = 0.058\,\mathrm{mM}.

15.7 Problema: A tira de glicose

Problema 15.1

Problema de fim de semana — a tira de glicose: a enzima e seu mediador, a cronoamperometria e o coeficiente de difusão, a reta de calibração e uma amostra de sangue com sua incerteza, e a interferência do ascorbato

Uma tira de teste traz glicose oxidase, hexacianoferrato(III) de potássio e um eletrodo de trabalho de carbono de 0.0300 cm20.0300\,\mathrm{cm}^{2}. Dados do problema: (a) uma tira cheia de hexacianoferrato(II) 10.0 mM10.0\,\mathrm{mM} e submetida a um degrau até um potencial oxidante dá as correntes 42.0, 29.3, 24.1, 20.8 e 18.7 µA18.7\,\text{µ}\mathrm{A} em 1, 2, 3, 4 e 5 s5\,\mathrm{s}; (b) padrões de glicose de 2.0, 4.0, 6.0, 8.0, 10.0, 15.0 e 20.0 mM20.0\,\mathrm{mM} dão, em 5.0 s5.0\,\mathrm{s}, 2.16, 4.08, 5.83, 7.78, 9.45, 14.23 e 18.69 µA18.69\,\text{µ}\mathrm{A}; (c) uma amostra de sangue dá 7.10 µA7.10\,\text{µ}\mathrm{A}.

Parte I — A química.

  1. Escreva as semirreações da glicose (até a gliconolactona, CX6HX10OX6\ce{C6H10O6}) e do mediador, e a reação global balanceada.
  2. Quantos elétrons chegam ao eletrodo por molécula de glicose?
  3. Por que se usa um mediador em vez do oxigênio, o parceiro natural da enzima?
  4. Por que o eletrodo é mantido em um potencial em que o hexacianoferrato(II) é oxidado, bem além de seu potencial formal?
  5. Por que a leitura precisa ser feita em um tempo fixo depois da aplicação da gota?

Parte II — Cronoamperometria.

  1. Que lei as correntes de (a) devem seguir? Verifique-a nos dados.
  2. Ajuste ii em função de t−1/2t^{-1/2} passando pela origem: a inclinação é 41.8 µA s1/241.8\,\text{µ}\mathrm{A}\,\mathrm{s}^{1/2}. Deduza o DD do hexacianoferrato(II).
  3. Calcule a espessura πDt\sqrt{\pi Dt} da camada de depleção depois de 5 s5\,\mathrm{s}. O modelo plano é razoável para uma tira cuja camada de solução tem cerca de 100 µm100\,\text{µ}\mathrm{m} de espessura?
  4. Qual seria a corrente em 5 s5\,\mathrm{s} com 5.0 mM5.0\,\mathrm{mM} em vez de 10.0 mM10.0\,\mathrm{mM}?

Parte III — Calibração.

  1. A reta de mínimos quadrados de (b) tem a=0.356 µAa = 0.356\,\text{µ}\mathrm{A} (sa=0.054s_a = 0.054), b=0.9189 µA mM−1b = 0.9189\,\text{µ}\mathrm{A}\,\mathrm{mM}^{-1} (sb=0.0049s_b = 0.0049), s=0.077 µAs = 0.077\,\text{µ}\mathrm{A}. O que aa representa?
  2. A resposta é linear em toda a faixa? O que a limitaria em concentrações altas de glicose?
  3. Calcule a concentração de glicose da amostra de sangue.
  4. Com yˉ=8.89 µA\bar y = 8.89\,\text{µ}\mathrm{A} e Sxx=241 mM2S_{xx} = 241\,\mathrm{mM}^{2}, calcule sua incerteza-padrão.
  5. Que termo da incerteza domina, e como ele poderia ser reduzido?
  6. Estime o limite de detecção como 3s/b3s/b.
  7. Exprima o resultado em miligramas por decilitro (massa molar da glicose 180.16 g/mol180.16\,\mathrm{g}/\mathrm{mol}).

Parte IV — Interferentes.

  1. O ascorbato (vitamina C) é oxidado diretamente no eletrodo. O que ele faz com a leitura?
  2. Como um voltamograma cíclico da tira o revelaria?
  3. Por que um potencial de trabalho mais baixo, possibilitado por um mediador melhor, reduz essas interferências?
  4. Um eletrodo branco sem enzima, lido no mesmo instante, dá 0.25 µA0.25\,\text{µ}\mathrm{A} a mais que o intercepto da calibração com uma dada amostra. Como ele é usado?
  5. Como a temperatura da tira afeta a corrente, por meio de DD?
  6. Por que os padrões são preparados em uma matriz semelhante ao sangue?
  7. Por que a incerteza do aparelho é, na prática, maior que a calculada na Parte III?
  8. Enuncie o resultado: a concentração de glicose da amostra, com sua incerteza-padrão.
Solução

Solução de Problema 15.1.

1. CX6HX12OX6→CX6HX10OX6+2 HX++2 eX−\ce{C6H12O6 -> C6H10O6 + 2 H+ + 2 e-} e [Fe(CN)X6]X3−+eX−→[Fe(CN)X6]X4−\ce{[Fe(CN)6]^3- + e- -> [Fe(CN)6]^4-}; global

CX6HX12OX6+2 [Fe(CN)X6]X3−→CX6HX10OX6+2 [Fe(CN)X6]X4−+2 HX+.\ce{C6H12O6 + 2 [Fe(CN)6]^3- -> C6H10O6 + 2 [Fe(CN)6]^4- + 2 H+} .

No eletrodo, [Fe(CN)X6]X4−→[Fe(CN)X6]X3−+eX−\ce{[Fe(CN)6]^4- -> [Fe(CN)6]^3- + e-}. 2. Dois. 3. O oxigênio dissolvido no sangue é escasso e variável, e seu produto, o peróxido de hidrogênio, só é oxidado em um potencial alto, no qual muitas outras espécies reagem; o mediador está presente em excesso conhecido. 4. Para que sua concentração superficial seja nula: a corrente fica então limitada apenas pela difusão e insensível a pequenas variações de potencial. 5. A corrente cai como t−1/2t^{-1/2}; as leituras precisam ser feitas no tempo usado na calibração. 6. Cottrell: it=42.0i\sqrt t = 42.0, 41.4, 41.7, 41.6, 41.8: constante a 1 %. 7. D=π(inclinac¸a˜o/FAc)2=π(41.8×10−6/(96 485×0.0300×1.00×10−5))2=6.55×10−6 cm2 s−1D = \pi(\text{inclinação}/FAc)^2 = \pi(41.8 \times 10^{-6}/(96\,485 \times 0.0300 \times 1.00 \times 10^{-5}))^2 = 6.55 \times 10^{-6}\,\mathrm{cm}^{2}\,\mathrm{s}^{-1}. 8. π×6.55×10−6×5=0.010 cm=100 µm\sqrt{\pi \times 6.55 \times 10^{-6} \times 5} = 0.010\,\mathrm{cm} = 100\,\text{µ}\mathrm{m}: a depleção atinge o topo da camada por volta de 5 s5\,\mathrm{s}; leituras posteriores ficariam abaixo da lei de Cottrell. 9. A metade: 9.35 µA9.35\,\text{µ}\mathrm{A}. 10. A corrente de fundo: oxidação de interferentes e impurezas, carga capacitiva, o hexacianoferrato(II) residual do próprio mediador. 11. Sim: os resíduos, no máximo 0.095 µA0.095\,\text{µ}\mathrm{A}, se dispersam sem tendência. Com muita glicose, o mediador, presente em quantidade limitada, ou a enzima se satura e a reta se curva. 12. (7.10−0.356)/0.9189=7.34 mM(7.10 - 0.356)/0.9189 = 7.34\,\mathrm{mM}. 13. 0.08381+1/7+(7.10−8.89)2/203.5=0.0838×1.076=0.090 mM0.0838\sqrt{1 + 1/7 + (7.10 - 8.89)^2/203.5} = 0.0838 \times 1.076 = 0.090\,\mathrm{mM}. 14. O termo em 1/m1/m (uma única leitura); leituras repetidas, ou várias tiras, o reduzem. 15. 3×0.077/0.919=0.25 mM3 \times 0.077/0.919 = 0.25\,\mathrm{mM}. 16. 7.34×180.16=1322 mg L−1=132 mg dL−17.34 \times 180.16 = 1322\,\mathrm{mg}\,\mathrm{L}^{-1} = 132\,\mathrm{mg}\,\mathrm{dL}^{-1}. 17. Ele acrescenta sua própria corrente de oxidação: o aparelho dá uma leitura alta demais. 18. Um voltamograma da tira sem glicose mostra uma onda anódica do ascorbato onde o hexacianoferrato(II) é oxidado. 19. Menos substâncias são oxidadas em um potencial mais baixo. 20. A corrente do branco é subtraída da leitura do eletrodo com enzima antes de aplicar a reta de calibração. 21. DD cresce alguns por cento por kelvin, e a corrente como D\sqrt D: os aparelhos medem a temperatura e fazem a correção. 22. A viscosidade e a fração de hemácias do sangue alteram DD e a corrente; padrões em uma matriz semelhante cancelam esses efeitos. 23. As variações de uma tira para outra (área do eletrodo, carga de enzima e de mediador), a temperatura e a composição do sangue se somam à incerteza própria da calibração. 24. c(glicose)=7.34±0.09 mmol L−1c(\text{glicose}) = 7.34 \pm 0.09\,\mathrm{mmol}\,\mathrm{L}^{-1} (incerteza-padrão), cerca de 132 mg dL−1132\,\mathrm{mg}\,\mathrm{dL}^{-1}.

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