Química universitária — 3.º ano · Bachelor Year 3
15Cinética de eletrodo e eletroanálise
Uma gota de sangue em uma tira de plástico, cinco segundos, um número: o glicosímetro que milhões de pessoas usam várias vezes por dia é uma célula eletroquímica, e o que ele mede não é uma tensão, mas uma corrente. Uma enzima oxida a glicose, um complexo de ferro dissolvido leva os elétrons até um eletrodo de carbono, e a corrente que passa é fixada pela velocidade com que esse complexo se difunde até o eletrodo, logo por sua concentração. Este capítulo explica por que os elétrons atravessam uma interface depressa ou devagar (a equação de Butler–Volmer), como o transporte de massa limita a corrente e como a voltametria cíclica e os outros métodos eletroanalíticos transformam correntes em concentrações, constantes de velocidade e mecanismos.
O que você já sabe
O volume do 1.º ano definiu o potencial de eletrodo, o potencial padrão, a equação de Nernst, os eletrodos de referência e as meias-pilhas. O volume do 2.º ano introduziu as curvas corrente–potencial com suas correntes anódica e catódica, os eletrodos de trabalho e os contraeletrodos, as sobretensões, os sistemas rápidos e lentos, a camada de difusão e a corrente limite; os coeficientes de atividade e a força iônica; as curvas de calibração, o método da adição padrão e o limite de detecção. O Capítulo 12 deu a teoria do estado de transição. Da física: as leis de Fick da difusão, a equação de Poisson e os capacitores.
15.1 A interface eletrodo–solução
Um metal mergulhado em uma solução de eletrólito carrega uma carga superficial, e a solução responde com uma carga igual e oposta, feita de um excesso de íons de um sinal. As duas camadas de carga formam um capacitor de espessura molecular.
Definição 15.1 (Dupla camada elétrica)
A dupla camada elétrica é o arranjo de cargas em uma interface eletrodo–solução: a carga do metal e a carga iônica que a compensa na solução. Sua parte compacta, a camada de Helmholtz, é a camada de íons e de moléculas de solvente em contato com a superfície; sua camada difusa é a região além dela, onde a agitação térmica espalha os íons em excesso sobre uma distância da ordem do comprimento de Debye . A capacitância da dupla camada é a carga armazenada por unidade de área e por volt de potencial através da interface.
Proposição 15.2 (Comprimento de Debye)
Em uma solução de força iônica (em ) e permissividade relativa , um pequeno potencial no eletrodo decai na solução como , com
Demonstração. A equação de Poisson (da física) relaciona o potencial à densidade de carga: . Cada íon obedece à distribuição de Boltzmann no potencial: , logo . Para , ; os termos de ordem zero se cancelam pela eletroneutralidade, e . Logo , cuja solução que se anula longe é . ∎
Exemplo 15.3 (A espessura da dupla camada)
Em água a () com de um sal 1:1 (), ; a , dez vezes mais. Um eletrólito suporte comprime a camada difusa a alguns diâmetros moleculares.
A camada difusa se comporta como um capacitor cujas placas estão separadas por : sua capacitância por unidade de área a baixo potencial é (o resultado de Gouy–Chapman; sua dependência com o potencial é admitida). Em série com a camada compacta de Helmholtz, ela dá a medida, da ordem de dezenas de microfarads por centímetro quadrado (o modelo de Stern). Sempre que o potencial muda, esse capacitor se carrega: uma varredura a volts por segundo exige uma corrente capacitiva que não envolve química e se soma a toda medida voltamétrica.
15.2 Cinética da transferência de elétrons
Considere a redução em um eletrodo mantido no potencial , cujo potencial de equilíbrio para a solução global seria . A sobretensão é .
Definição 15.4 (Densidade de corrente de troca, coeficiente de transferência, constante de velocidade padrão)
No equilíbrio, as correntes anódica e catódica são iguais e opostas; seu valor comum por unidade de área é a densidade de corrente de troca . O coeficiente de transferência () é a fração da energia elétrica que abaixa a barreira da reação catódica. A constante de velocidade padrão é o valor comum das constantes de velocidade catódica e anódica no potencial formal .
Teorema 15.5 (Equação de Butler–Volmer)
Se as concentrações superficiais são iguais às do seio da solução (sem limitação pelo transporte de massa), a densidade de corrente na sobretensão é, contando positivas as correntes anódicas,
Esta é a equação de Butler–Volmer.
Demonstração. Pela teoria do estado de transição, as constantes de velocidade catódica e anódica são e . Variar o potencial do eletrodo de varia a energia de Gibbs da reação de (os elétrons no metal ganham de energia elétrica). Suponha, em primeira ordem, que uma fração dessa variação vai para a barreira catódica e o resto para a anódica: , . Medir a partir do potencial de equilíbrio, onde as duas correntes valem ambas em módulo, dá e ; a corrente líquida é sua diferença. ∎
Corolário 15.6 (Resistência de transferência de carga)
Para , : a interface se comporta como uma resistência , com .
Demonstração. Desenvolva as duas exponenciais em primeira ordem: ; então . ∎
Corolário 15.7 (Equação de Tafel)
Para (uma sobretensão fortemente catódica), o termo anódico é desprezível e
é linear em , com uma inclinação de por década a para , . Esta é a equação de Tafel.
Demonstração. , logo ; converta para logaritmos decimais. ∎
Definição 15.8 (Resistência de transferência de carga, inclinação de Tafel)
A resistência de transferência de carga de um eletrodo é . A inclinação de Tafel é a variação da sobretensão por década de corrente na região de Tafel, .
Método 15.9 (Uma análise de Tafel)
- Registre a corrente estacionária em função de em uma solução agitada, bem abaixo da corrente limite (ou corrija o transporte de massa).
- Trace em função de ; ajuste o ramo linear além de cerca de .
- A inclinação dá (ou no ramo anódico); o intercepto em dá .
- Verificação: perto de , a inclinação de em função de é .
Os sistemas rápidos e lentos do volume do 2.º ano são os dois extremos desse quadro: um sistema rápido tem grande, e sua curva corrente–potencial sobe abruptamente no potencial de equilíbrio; um sistema lento precisa de uma grande sobretensão antes que passe qualquer corrente. A densidade de corrente de troca de uma mesma reação varia de muitas ordens de grandeza de um material de eletrodo para outro: o desprendimento de hidrogênio é rápido sobre platina e extremamente lento sobre mercúrio.
15.3 Transporte de massa
Definição 15.10 (Modos de transporte de massa)
As espécies chegam a um eletrodo por migração, o movimento dos íons no campo elétrico; por difusão, segundo os gradientes de concentração; e por convecção, o movimento da solução como um todo (agitação, rotação, escoamento). Um eletrólito suporte é um sal inerte adicionado em grande excesso, que transporta quase toda a corrente através da solução, de modo que a espécie eletroativa só se move por difusão e convecção.
Definição 15.11 (Cronoamperometria)
A cronoamperometria registra a corrente em função do tempo depois de um degrau do potencial do eletrodo.
Teorema 15.12 (Equação de Cottrell)
Depois de um degrau de potencial em até um valor no qual a espécie eletroativa é consumida assim que chega a um eletrodo plano de área , em uma solução em repouso com eletrólito suporte, a corrente é
onde é a concentração no seio da solução e o coeficiente de difusão. Esta é a equação de Cottrell.
Demonstração. A concentração obedece à segunda lei de Fick , com , para e longe. A função , com , satisfaz essas condições: , quando (em para todo , e longe). Com , e : os dois lados da lei de Fick concordam. A corrente é o fluxo na superfície: . (A unicidade da solução é admitida.) ∎
Uma solução agitada ou um eletrodo de disco rotatório mantêm a camada de difusão com espessura constante : a corrente atinge o valor limite estacionário do volume do 2.º ano. Para um disco rotatório, diminui como o inverso da raiz quadrada da velocidade de rotação (Levich, admitido), o que torna a corrente limite proporcional a .
15.4 Voltametria cíclica
Definição 15.13 (Voltametria cíclica)
A voltametria cíclica varre o potencial de um eletrodo de trabalho estacionário linearmente com o tempo entre dois limites, ida e volta, com uma velocidade de varredura , em uma solução em repouso, e registra a corrente. O gráfico da corrente em função do potencial é o voltamograma; cada onda tem uma corrente de pico em seu potencial de pico .
O pico surge de dois efeitos concorrentes. À medida que o potencial ultrapassa , a concentração superficial do reagente cai (a equação de Nernst, para um sistema rápido) e a corrente cresce; mas a camada empobrecida se espessa com o tempo e o fluxo diminui. Na varredura de volta, o produto, ainda perto do eletrodo, é convertido de novo.
Definição 15.14 (Reversibilidade)
Com o parâmetro de velocidade adimensional , que compara a velocidade da transferência de elétrons com a velocidade de difusão imposta pela varredura, um par é eletroquimicamente reversível se (suas concentrações superficiais obedecem à equação de Nernst a todo instante), quase reversível se , e eletroquimicamente irreversível abaixo disso.
Observação 15.15
Os sistemas rápidos e lentos do volume do 2.º ano correspondem a essa classificação, mas com uma diferença: aqui a reversibilidade depende da velocidade de varredura. O mesmo par pode ser reversível a e quase reversível a , pois uma varredura mais rápida deixa menos tempo para a transferência de elétrons.
Proposição 15.16 (Equação de Randles–Ševčík)
Para uma onda reversível em um eletrodo plano a ,
de modo que . Esta é a equação de Randles–Ševčík.
Demonstração parcial. Nas variáveis e (a varredura de potencial em unidades de ), a lei de Fick com a condição de Nernst na superfície não contém outro parâmetro além do potencial inicial: o fluxo adimensional é uma função universal . De volta às unidades físicas, : toda corrente, inclusive a de pico, varia como . O valor 0.4463 do máximo de vem de uma solução numérica (admitido; a simulação da figura o reproduz a 0.1 %). ∎
Proposição 15.17 (Separação dos picos)
Para uma onda reversível, os picos catódico e anódico ficam cerca de de cada lado de (a , para um potencial de inversão muito além da onda): mV, independente da velocidade de varredura, e quando as duas espécies têm coeficientes de difusão iguais.
Demonstração parcial. Na forma adimensional da demonstração anterior, o pico ocorre em um valor fixo de , isto é, em um potencial fixo em relação a , qualquer que seja ; a simetria da condição de Nernst entre O e R põe o pico anódico em posição simétrica. O valor numérico é admitido; a simulação dá , . ∎
Método 15.18 (Diagnosticar um voltamograma)
- Reversível: mV em todas as velocidades de varredura, , ; dá .
- Quase reversível: cresce com a velocidade de varredura; seu valor dá .
- Irreversível: sem pico de volta; o potencial de pico se desloca de mV por década de velocidade de varredura.
- Uma etapa química subsequente (mecanismo EC): o pico de volta é menor que o de ida nas varreduras lentas e se recupera nas varreduras rápidas, que ultrapassam a química.
- Espécies adsorvidas: , e não .
Os potenciais em solventes não aquosos, onde os eletrodos de referência derivam, são referidos a um padrão interno adicionado no fim do experimento: o par ferrocênio/ferroceno, rápido e bem-comportado na maioria dos solventes orgânicos.
Método 15.19 (Montar uma medida com três eletrodos)
- Eletrodo de trabalho (carbono vítreo, platina, ouro) recém-polido; contraeletrodo (fio de platina) de área maior; eletrodo de referência (Ag/AgCl, ou um fio de prata com padrão interno) perto do eletrodo de trabalho.
- Solução do analito (cerca de 1 mM) com de eletrólito suporte, desgaseificada com argônio (o oxigênio dissolvido se reduz a potenciais moderadamente negativos e acrescentaria suas próprias ondas).
- O potenciostato mantém o potencial entre os eletrodos de trabalho e de referência e faz passar a corrente entre o eletrodo de trabalho e o contraeletrodo; nenhuma corrente passa pelo eletrodo de referência.
15.5 Métodos eletroanalíticos
Definição 15.20 (Amperometria, biossensor)
A amperometria mede a corrente em um potencial fixo, proporcional à concentração da espécie que reage. Um biossensor acopla um elemento de reconhecimento biológico (uma enzima, um anticorpo) a um transdutor, aqui um eletrodo.
Na tira de glicose, a glicose oxidase oxida a glicose a gliconolactona e é regenerada por um mediador, o hexacianoferrato(III), que é reduzido; no eletrodo, mantido em um potencial em que o hexacianoferrato(II) é oxidado, a corrente mede o mediador formado, dois por glicose:
Definição 15.21 (Voltametria de redissolução anódica)
A voltametria de redissolução anódica pré-concentra um metal reduzindo seus íons sobre um eletrodo durante um tempo fixo, em um potencial fixo, depois varre o potencial no sentido anódico e mede o pico de corrente de sua reoxidação, que é proporcional à concentração na solução.
A pré-concentração torna o método sensível o bastante para traços de chumbo ou de cádmio na água potável, no nível dos microgramas por litro. Como a sensibilidade depende da matriz, a calibração é feita na própria amostra, por adições padrão.
Método 15.22 (Adições padrão com redissolução)
- Registre o pico de redissolução da amostra, e depois após três ou mais adições de um padrão, cada uma elevando a concentração de uma quantidade conhecida (volumes pequenos, de modo que a diluição seja desprezível ou corrigida).
- Ajuste a altura do pico em função da concentração adicionada: uma reta.
- Seu intercepto no eixo das concentrações é o oposto da concentração da amostra; propague as incertezas-padrão da reta até o resultado.
Definição 15.23 (Eletrodo íon-seletivo, coeficiente de seletividade)
Um eletrodo íon-seletivo é um eletrodo cujo potencial, por meio de uma membrana que troca preferencialmente um íon, depende da atividade desse íon. Seu coeficiente de seletividade mede sua resposta a um íon interferente em relação ao íon principal .
Proposição 15.24 (Equação de Nikolsky)
Para um íon principal de carga e um íon interferente de carga ,
Esta é a equação de Nikolsky.
Demonstração parcial. Para uma membrana permeável apenas a , a igualdade dos potenciais eletroquímicos através dela dá um potencial do tipo de Nernst, mais uma constante. Se pode substituir na membrana por troca iônica, com uma constante de troca que define , a atividade de na superfície da membrana é aumentada de (a potência mantém as cargas equilibradas na troca). A dedução detalhada é admitida. ∎
O eletrodo de vidro de pH é o mais antigo eletrodo íon-seletivo; seu erro de sódio, em pH alto e concentração alta de sódio, é o termo de Nikolsky.
Definição 15.25 (Coulometria)
A coulometria determina a quantidade de uma substância a partir da carga total que passa em sua eletrólise completa: (lei de Faraday), sem nenhuma calibração.
Proposição 15.26 (Incerteza de uma concentração lida em uma reta de calibração)
Para uma reta de calibração ajustada a padrões (desvio-padrão residual , média , ), a concentração de uma amostra cuja resposta média sobre réplicas é vale , com a incerteza-padrão
Demonstração. Escreva . Em primeira ordem, sua variância é , sendo os três termos não correlacionados ( e não são correlacionados, Proposição 12.9). Com , e , o resultado decorre. ∎
A incerteza é mínima no meio da faixa de calibração e cresce em direção às suas extremidades; leituras repetidas da amostra reduzem apenas o primeiro termo.
No laboratório — Preparar um eletrodo de carbono vítreo
O eletrodo é polido sobre um feltro com uma suspensão de alumina, em movimentos em forma de oito, enxaguado, colocado brevemente em ultrassom na água e enxaguado de novo. Um voltamograma de um par conhecido (hexacianoferrato, ferroceno) verifica que a separação dos picos está próxima do valor reversível: uma separação maior indica uma superfície suja ou uma resistência não compensada. A solução é desgaseificada com argônio durante dez minutos e mantida sob uma camada de argônio durante as varreduras.
Segurança
Nitrato de chumbo, usado para os padrões de chumbo: oxidante, pode prejudicar a fertilidade e o feto, suspeito de ser cancerígeno, muito tóxico para os organismos aquáticos; as soluções padrão são compradas prontas e manipuladas com luvas, e todo resíduo de chumbo é recolhido. Hexacianoferrato(III) de potássio: nocivo e suspeito de prejudicar a fertilidade; nunca fortemente acidificado nem aquecido (poderia liberar cianeto de hidrogênio). Os eletrodos de mercúrio, antes comuns na análise por redissolução, foram substituídos por eletrodos de filme de bismuto e de carbono.
História — O polarógrafo de Heyrovský, 1922
Jaroslav Heyrovský mediu em 1922 a corrente através de um eletrodo de mercúrio que gotejava de um capilar fino, renovando sua superfície a cada poucos segundos, em função do potencial aplicado. Cada espécie redutível dava uma onda cuja posição a identificava e cuja altura media sua concentração; com Masuzo Shikata, ele construiu em 1924 o polarógrafo, que registrava as curvas automaticamente em papel fotográfico. A polarografia foi o primeiro método instrumental de análise química de uso rotineiro e valeu a Heyrovský o Prêmio Nobel de Química de 1959.
15.6 Exercícios
Exercício 15.1 ★
Um gráfico de Tafel de uma redução (, ) tem inclinação catódica de por década e extrapola em para (dados do exercício). Dê e .
Solução
Solução de Exercício 15.1.
A inclinação catódica dá ; , o intercepto em .
Exercício 15.2 ★
Um eletrodo de tem para um par de um elétron. Calcule sua resistência de transferência de carga a .
Solução
Solução de Exercício 15.2.
; .
Exercício 15.3 ★
Calcule o comprimento de Debye em água a para e para de .
Solução
Solução de Exercício 15.3.
Para , . A , e ; a , , .
Exercício 15.4 ★
Um voltamograma cíclico a em um eletrodo de com : calcule a corrente capacitiva e compare com o pico faradaico de da figura. O que acontece a ?
Solução
Solução de Exercício 15.4.
, menos de 1 % do pico. A , ela vale , enquanto o pico só cresce até : a corrente capacitiva cresce como , a faradaica como .
Exercício 15.5 ★★
Depois de um degrau de potencial, para a redução a um elétron de uma solução em um eletrodo de . Calcule .
Solução
Solução de Exercício 15.5.
.
Exercício 15.6 ★★
Calcule a corrente de pico de Randles–Ševčík para , , , a e a .
Solução
Solução de Exercício 15.6.
, . A : , ; a , vezes mais, .
Exercício 15.7 ★★
Três pares dão, a 50 e a : (a) e 59 mV, ; (b) e 140 mV, ; (c) indefinido a (sem pico de volta), um pico de volta com a . Diagnostique cada um.
Solução
Solução de Exercício 15.7.
(a) Reversível. (b) Quase reversível: a separação cresce com a velocidade de varredura. (c) Uma etapa química segue a transferência de elétrons (EC): nas varreduras lentas, o produto é consumido antes da varredura de volta; uma varredura rápida ultrapassa a química.
Exercício 15.8 ★★
Um eletrodo seletivo ao potássio tem . Em uma amostra com e , qual é o erro relativo sobre a atividade do potássio se o sódio for ignorado?
Solução
Solução de Exercício 15.8.
: o eletrodo dá uma leitura 0.7 % alta.
Exercício 15.9 ★★
Os picos de redissolução de uma amostra de água com 0, 5, 10 e de chumbo adicionado valem 0.468, 1.003, 1.571 e (dados do exercício). Calcule a concentração de chumbo da solução medida, com sua incerteza-padrão.
Solução
Solução de Exercício 15.9.
Mínimos quadrados: , , ; , com (, , ).
Exercício 15.10 ★★★
Um coulômetro de cobre faz passar uma corrente constante de durante e deposita cobre a partir de . Calcule a massa depositada; por que a coulometria não precisa de calibração?
Solução
Solução de Exercício 15.10.
; , . O resultado só depende da carga, medida a partir de uma corrente e de um tempo, e da constante de Faraday: nenhum padrão é necessário, desde que a eletrólise seja completa e seu rendimento faradaico seja de 100 %.
Exercício 15.11 ★★★
Para um par com e , calcule a e a (, ) e classifique a onda em cada velocidade de varredura.
Solução
Solução de Exercício 15.11.
: , quase reversível. A , , ainda quase reversível, porém mais longe do limite reversível; a onda só seria reversível abaixo de cerca de .
Exercício 15.12 ★★★
Uma reta de calibração obtida com padrões tem , , e . Calcule a incerteza de uma concentração lida a partir de uma leitura em e em , e a partir de três leituras em .
Solução
Solução de Exercício 15.12.
e . Em : . Em : . Três leituras em : .
15.7 Problema: A tira de glicose
Problema 15.1
Problema de fim de semana — a tira de glicose: a enzima e seu mediador, a cronoamperometria e o coeficiente de difusão, a reta de calibração e uma amostra de sangue com sua incerteza, e a interferência do ascorbato
Uma tira de teste traz glicose oxidase, hexacianoferrato(III) de potássio e um eletrodo de trabalho de carbono de . Dados do problema: (a) uma tira cheia de hexacianoferrato(II) e submetida a um degrau até um potencial oxidante dá as correntes 42.0, 29.3, 24.1, 20.8 e em 1, 2, 3, 4 e ; (b) padrões de glicose de 2.0, 4.0, 6.0, 8.0, 10.0, 15.0 e dão, em , 2.16, 4.08, 5.83, 7.78, 9.45, 14.23 e ; (c) uma amostra de sangue dá .
Parte I — A química.
- Escreva as semirreações da glicose (até a gliconolactona, ) e do mediador, e a reação global balanceada.
- Quantos elétrons chegam ao eletrodo por molécula de glicose?
- Por que se usa um mediador em vez do oxigênio, o parceiro natural da enzima?
- Por que o eletrodo é mantido em um potencial em que o hexacianoferrato(II) é oxidado, bem além de seu potencial formal?
- Por que a leitura precisa ser feita em um tempo fixo depois da aplicação da gota?
Parte II — Cronoamperometria.
- Que lei as correntes de (a) devem seguir? Verifique-a nos dados.
- Ajuste em função de passando pela origem: a inclinação é . Deduza o do hexacianoferrato(II).
- Calcule a espessura da camada de depleção depois de . O modelo plano é razoável para uma tira cuja camada de solução tem cerca de de espessura?
- Qual seria a corrente em com em vez de ?
Parte III — Calibração.
- A reta de mínimos quadrados de (b) tem (), (), . O que representa?
- A resposta é linear em toda a faixa? O que a limitaria em concentrações altas de glicose?
- Calcule a concentração de glicose da amostra de sangue.
- Com e , calcule sua incerteza-padrão.
- Que termo da incerteza domina, e como ele poderia ser reduzido?
- Estime o limite de detecção como .
- Exprima o resultado em miligramas por decilitro (massa molar da glicose ).
Parte IV — Interferentes.
- O ascorbato (vitamina C) é oxidado diretamente no eletrodo. O que ele faz com a leitura?
- Como um voltamograma cíclico da tira o revelaria?
- Por que um potencial de trabalho mais baixo, possibilitado por um mediador melhor, reduz essas interferências?
- Um eletrodo branco sem enzima, lido no mesmo instante, dá a mais que o intercepto da calibração com uma dada amostra. Como ele é usado?
- Como a temperatura da tira afeta a corrente, por meio de ?
- Por que os padrões são preparados em uma matriz semelhante ao sangue?
- Por que a incerteza do aparelho é, na prática, maior que a calculada na Parte III?
- Enuncie o resultado: a concentração de glicose da amostra, com sua incerteza-padrão.
Solução
Solução de Problema 15.1.
1. e ; global
No eletrodo, . 2. Dois. 3. O oxigênio dissolvido no sangue é escasso e variável, e seu produto, o peróxido de hidrogênio, só é oxidado em um potencial alto, no qual muitas outras espécies reagem; o mediador está presente em excesso conhecido. 4. Para que sua concentração superficial seja nula: a corrente fica então limitada apenas pela difusão e insensível a pequenas variações de potencial. 5. A corrente cai como ; as leituras precisam ser feitas no tempo usado na calibração. 6. Cottrell: , 41.4, 41.7, 41.6, 41.8: constante a 1 %. 7. . 8. : a depleção atinge o topo da camada por volta de ; leituras posteriores ficariam abaixo da lei de Cottrell. 9. A metade: . 10. A corrente de fundo: oxidação de interferentes e impurezas, carga capacitiva, o hexacianoferrato(II) residual do próprio mediador. 11. Sim: os resíduos, no máximo , se dispersam sem tendência. Com muita glicose, o mediador, presente em quantidade limitada, ou a enzima se satura e a reta se curva. 12. . 13. . 14. O termo em (uma única leitura); leituras repetidas, ou várias tiras, o reduzem. 15. . 16. . 17. Ele acrescenta sua própria corrente de oxidação: o aparelho dá uma leitura alta demais. 18. Um voltamograma da tira sem glicose mostra uma onda anódica do ascorbato onde o hexacianoferrato(II) é oxidado. 19. Menos substâncias são oxidadas em um potencial mais baixo. 20. A corrente do branco é subtraída da leitura do eletrodo com enzima antes de aplicar a reta de calibração. 21. cresce alguns por cento por kelvin, e a corrente como : os aparelhos medem a temperatura e fazem a correção. 22. A viscosidade e a fração de hemácias do sangue alteram e a corrente; padrões em uma matriz semelhante cancelam esses efeitos. 23. As variações de uma tira para outra (área do eletrodo, carga de enzima e de mediador), a temperatura e a composição do sangue se somam à incerteza própria da calibração. 24. (incerteza-padrão), cerca de .
Termos definidos neste capítulo
- Amperometria, biossensor
- Voltametria de redissolução anódica
- Resistência de transferência de carga, inclinação de Tafel
- Cronoamperometria
- Coulometria
- Voltametria cíclica
- Dupla camada elétrica
- Densidade de corrente de troca, coeficiente de transferência, constante de velocidade padrão
- Eletrodo íon-seletivo, coeficiente de seletividade
- Modos de transporte de massa
- Reversibilidade