Química universitária — 3.º ano · Bachelor Year 3
24Química bioinorgânica
Nosso sangue é vermelho por causa do ferro; o sangue de um límulo é incolor em suas veias e fica azul ao ar, porque transporta o oxigênio sobre o cobre. A vida usa um punhado de íons metálicos para as tarefas que nenhum grupo orgânico consegue fazer: ligar o oxigênio de modo reversível, deslocar elétrons um a um, quebrar a água, reduzir o nitrogênio, tornar uma molécula de água ácida o bastante para atacar o dióxido de carbono. Este capítulo lê essas tarefas com as ferramentas da química de coordenação: ácidos duros e moles, campos ligantes e estados de spin, equilíbrios e leis de velocidade, e termina com os metais usados como fármacos.
O que você já sabe
O volume do 2.º ano tratou dos -aminoácidos, das cadeias laterais e dos peptídeos, das nucleobases e dos nucleotídeos, dos complexos de coordenação, dos campos ligantes, do spin alto e baixo, e dos nucleófilos e eletrófilos duros e moles; o volume do 1.º ano, das constantes de complexação e da escala de pL. O Capítulo 18 e o Capítulo 19 deram os espectros, a teoria de Marcus e a aquação da cisplatina, o Capítulo 13, a cinética de Michaelis–Menten, e o Capítulo 8, o tempo de relaxação .
24.1 Os metais na biologia
Definição 24.1 (Metaloproteínas)
Uma metaloproteína é uma proteína que contém íons metálicos ligados; uma metaloenzima é uma metaloproteína que catalisa uma reação. Um cofator é uma espécie não proteica, um íon metálico ou uma molécula pequena, ligada a uma proteína e necessária à sua atividade.
Os metais que importam em quantidade são o sódio, o potássio, o magnésio e o cálcio, que sobretudo transportam carga e sustentam estruturas; os metais de transição ferro, zinco, cobre, manganês, cobalto, molibdênio e níquel ocorrem em traços, mas comandam boa parte da química. Uma proteína escolhe seu metal pelos átomos doadores que oferece e por sua geometria.
Definição 24.2 (Ácidos duros e moles)
Um ácido duro é um ácido de Lewis pequeno, muito carregado, pouco polarizável (, , , ); um ácido mole é um ácido grande, polarizável e de carga baixa (, , , ). O princípio dos ácidos e bases duros e moles afirma que os ácidos duros se ligam preferencialmente às bases duras (doadores de oxigênio, fluoreto) e os ácidos moles às bases moles (doadores de enxofre, iodeto).
Nas proteínas, os carboxilatos e os fenolatos são duros, o tiolato da cisteína e o tioéter da metionina, moles, e o imidazol da histidina, intermediário. O ferro(III) fica entre doadores de oxigênio, o cobre(I) entre doadores de enxofre, o zinco, um ácido intermediário, com histidina e cisteína; o mercúrio e o cádmio são tóxicos em parte porque capturam as cisteínas das enzimas.
Definição 24.3 (Série de Irving–Williams)
A série de Irving–Williams é a ordem de estabilidade dos complexos de spin alto dos íons divalentes da primeira série de transição com um dado ligante: .
Proposição 24.4 (Ordem de Irving–Williams)
A série vale para quase todos os ligantes (uma observação experimental); ela acompanha a diminuição do raio iônico do manganês ao cobre, a energia de estabilização do campo ligante, nula para , máxima para , e a distorção de Jahn–Teller do cobre(II), que encurta quatro de suas ligações.
Argumento. O raio diminui ao longo da série à medida que a carga nuclear cresce, o que reforça a atração eletrostática de todo ligante. A estabilização do campo ligante dos íons octaédricos de spin alto (Capítulo 18) é , , , e de a , e para : ela reforça a tendência até o níquel e cai para o zinco; o cobre(II) recupera mais do que sua estabilização sugere por sua distorção tetragonal, que dá quatro ligações curtas e fortes. ∎
Uma consequência que as células precisam gerenciar: o cobre e o zinco desbancariam os outros íons na maioria dos sítios, de modo que suas concentrações livres são mantidas extremamente baixas por proteínas transportadoras dedicadas.
24.2 O transporte de oxigênio
Definição 24.5 (Porfirinas e heme)
Uma porfirina é um macrociclo aromático grande e plano de quatro anéis pirrol unidos por pontes metino, cujos quatro nitrogênios ligam um íon metálico em seu centro. O heme é o complexo de ferro da protoporfirina IX, o cofator da hemoglobina, da mioglobina e dos citocromos.
Na mioglobina e na hemoglobina, o ferro do heme tem um quinto ligante abaixo do anel, o nitrogênio da histidina proximal, e um sexto sítio livre para o . O ferro(II) desóxi é de spin alto: um elétron no orbital , que aponta para os quatro nitrogênios, o torna grande demais para o buraco do anel, e ele fica fora do plano, do lado da histidina. Ao ligar o , ele passa a spin baixo, menor, e entra no plano, puxando consigo a histidina e a hélice da proteína.
O dioxigênio ligado é mais bem descrito como superóxido sobre ferro(III), , do que como neutro sobre ferro(II): o complexo é diamagnético porque os elétrons desemparelhados dos dois centros se acoplam. A proteína impede a oxidação irreversível a ferro(III) e água, que um heme isolado em água sofre imediatamente.
Definição 24.6 (Ligação cooperativa)
A ligação a uma proteína com vários sítios é uma ligação cooperativa quando a ligação de um ligante aumenta a afinidade dos sítios restantes. O coeficiente de Hill é a inclinação do gráfico de Hill, em função de , na meia-saturação ( é a fração de sítios ocupados).
Proposição 24.7 (Um único sítio)
Para uma proteína com um sítio, , a fração ocupada é , onde é a constante de dissociação expressa como pressão.
Demonstração. , logo , e . ∎
Teorema 24.8 (Equação de Hill)
Para uma proteína com sítios que estão ou todos vazios ou todos ocupados, ,
Demonstração. ; escreva . A fração de sítios ocupados é a de moléculas na forma ocupada, . Então , e tomando os logaritmos obtém-se a reta de inclinação . ∎
A hemoglobina, com quatro sítios, não é totalmente cooperativa: seu coeficiente de Hill fica bem abaixo de 4, em torno de 3, e seu gráfico de Hill tem inclinação 1 nas duas extremidades, onde ela se comporta como uma proteína desóxi ou óxi de sítios independentes. A cooperatividade vem de uma mudança de estrutura quaternária: o movimento do ferro para o plano do primeiro heme a ligar o é transmitido às outras subunidades.
Método 24.9 (Ler um gráfico de Hill)
- A partir de cada saturação medida, calcule ; trace-o em função de .
- A pressão em que o gráfico cruza o zero é .
- A inclinação nesse ponto é o coeficiente de Hill: significa sítios independentes, , ligação cooperativa.
- Com apenas dois pontos, .
A hemoglobina também liga prótons e dióxido de carbono em sítios afastados do heme, o que desloca sua curva para a direita onde eles são abundantes, nos tecidos em atividade: o efeito Bohr libera mais oxigênio exatamente onde ele é necessário.
Proposição 24.10 (Competição com o monóxido de carbono)
Se o monóxido de carbono e o dioxigênio competem pelos mesmos sítios, com de constante de equilíbrio , então .
Demonstração. No equilíbrio, ; rearranjando, obtém-se o resultado. ∎
é da ordem das centenas para a hemoglobina humana, de modo que algumas centenas de partes por milhão de monóxido de carbono ocupam uma grande fração dos sítios; pior, os sítios que ficam livres retêm seu oxigênio mais firmemente, pois a cooperatividade age sobre eles. O heme livre liga o monóxido de carbono muito mais fortemente ainda: na proteína, uma histidina distal acima do ferro dificulta a geometria linear Fe–C–O que o monóxido de carbono prefere, ao passo que faz ligação de hidrogênio com o angular. Outros animais usam outros metais: as hemocianinas dos moluscos e dos artrópodes ligam o entre dois íons cobre na forma de peróxido, as hemeritrinas de alguns vermes marinhos, sobre um par de íons ferro.
No laboratório — Uma curva de ligação do oxigênio
Uma solução de hemoglobina em tampão é colocada em uma cubeta estanque a gases provida de um balão lateral. Ela é primeiro livrada do oxigênio por purga com nitrogênio; depois, volumes conhecidos de ar são injetados e a solução é equilibrada por leve inclinação. Após cada adição, registra-se o espectro visível: as bandas da forma desóxi (uma banda perto de ) dão lugar às duas bandas da forma óxi, e a saturação é lida pela absorbância em um comprimento de onda, entre seus limites desóxi e óxi.
24.3 Metaloenzimas
A anidrase carbônica acelera , que em água pura leva segundos, o suficiente para importar na curta passagem da hemácia por um capilar pulmonar. Seu íon zinco é mantido por três histidinas e uma molécula de água. Cátion pequeno e de carga alta, ele abaixa o dessa água de cerca de 14 para cerca de 7: em pH fisiológico, boa parte da enzima carrega um hidróxido ligado ao zinco, um nucleófilo forte, mantido bem ao lado de uma cavidade que liga o .
Proposição 24.11 (Uma enzima rápida)
A constante de especificidade da anidrase carbônica se aproxima da constante de velocidade de encontro do com a enzima: quase todo encontro leva à reação.
Argumento. é a constante de velocidade de segunda ordem da enzima com o substrato a baixa concentração de substrato (Capítulo 13); ela não pode exceder a constante de velocidade, controlada por difusão, de seu encontro (Capítulo 12). Os valores medidos para a anidrase carbônica estão entre os mais altos conhecidos para qualquer enzima e se aproximam desse limite: a química dentro do sítio ativo deixa então de ser o que limita a velocidade. ∎
As enzimas do citocromo P450, no fígado e em muitas outras células, hidroxilam ligações C–H de fármacos e hormônios. Seu ferro hemínico é mantido por um tiolato de cisteína; com e dois elétrons, ele forma um complexo ferro(IV)-oxo com um radical na porfirina, chamado composto I, que abstrai um átomo de hidrogênio do substrato e devolve o grupo hidroxila ao radical carbonado. A nitrogenase reduz o a amônia à temperatura ambiente em um agregado de sete átomos de ferro, um de molibdênio e nove sulfetos em torno de um átomo de carbono central, o cofator FeMo, ao custo de muitas moléculas de ATP. A vitamina contém uma ligação cobalto–carbono, uma das pouquíssimas ligações metal–carbono da biologia, cuja homólise inicia rearranjos radicalares.
24.4 Transferência de elétrons e energia
As proteínas que apenas transportam elétrons têm centros metálicos com pequenas energias de reorganização (Capítulo 19): os dois estados de oxidação têm quase a mesma geometria, de modo que a barreira de Marcus é baixa.
Definição 24.12 (Centros ferro–enxofre)
Um centro ferro–enxofre é um grupo de íons ferro unidos em ponte por íons sulfeto e ligados à proteína por tiolatos de cisteína: , e o , de tipo cubano.
Definição 24.13 (Proteínas de cobre azul)
Uma proteína de cobre azul contém um íon cobre ligado a duas histidinas, a uma cisteína e a uma metionina fracamente ligada em um sítio tetraédrico distorcido; sua intensa cor azul vem de uma banda de transferência de carga cisteína–cobre(II).
Definição 24.14 (Estado entático)
O estado entático é um sítio metálico mantido pela proteína em uma geometria tensionada, intermediária entre as geometrias preferidas por seus dois estados de oxidação, o que abaixa a energia de reorganização de suas reações.
O cobre(II) sozinho prefere um quadrado plano, o cobre(I) um tetraedro: no sítio de cobre azul, nenhum dos dois é satisfeito, e a transferência de elétrons é rápida.
Definição 24.15 (Complexo de evolução de oxigênio)
O complexo de evolução de oxigênio do fotossistema II é o agregado que oxida a água a dioxigênio na fotossíntese.
Proposição 24.16 (Quatro fótons por oxigênio)
Oxidar duas moléculas de água a um exige quatro fótons absorvidos pelo fotossistema II, passando o agregado por cinco estados, de a .
Demonstração. : quatro elétrons precisam ser retirados. Cada fóton absorvido pelo centro de reação afasta dele um elétron, e o agregado repõe o centro oxidado um elétron por vez: quatro fótons, quatro etapas, armazenando equivalentes oxidantes nos estados a ; libera o e volta a . ∎
Na outra ponta da cadeia energética, a citocromo oxidase das mitocôndrias reduz o a água com quatro elétrons e quatro prótons em um ferro hemínico e um íon cobre frente a frente, sem liberar o superóxido ou o peróxido, parcialmente reduzidos e nocivos.
24.5 Os metais na medicina
Definição 24.17 (Metalofármacos)
Um metalofármaco é um fármaco cuja atividade depende de um íon metálico ou de um complexo metálico.
A cisplatina, cis-, é estável no sangue, onde a concentração de cloreto é alta; dentro das células, onde ela é muito menor, troca um cloreto por água (Capítulo 19). O aquacomplexo se liga ao átomo N7 de uma guanina, depois a uma segunda guanina vizinha na mesma fita: a ligação cruzada 1,2-GG dobra o DNA, que a célula não consegue reparar, e ela morre. O isômero trans não consegue fazer ponte entre duas bases vizinhas e é inativo. A carboplatina, com um dicarboxilato quelante que sai lentamente, tem menos efeitos colaterais; a oxaliplatina, com um ligante diaminociclo-hexano, age sobre tumores resistentes à cisplatina.
Definição 24.18 (Agentes de contraste)
Um agente de contraste para a imagem por ressonância magnética é um composto paramagnético que encurta os tempos de relaxação dos prótons da água próximos. Sua relaxividade é o aumento da velocidade de relaxação por unidade de concentração do agente.
Proposição 24.19 (Velocidade de relaxação)
Com um agente de relaxividade na concentração , a velocidade de relaxação dos prótons da água é , onde é o valor sem agente.
Demonstração. A contribuição paramagnética é proporcional ao número de moléculas de agente que as moléculas de água visitam por unidade de tempo, logo a ; as velocidades de relaxação de mecanismos independentes se somam. Pela definição de , a velocidade acrescentada é . ∎
O gadolínio(III), , com sete elétrons desemparelhados e um spin eletrônico de relaxação lenta, é o metal preferido. O livre é tóxico: ele é administrado como um complexo muito estável de um poliaminocarboxilato octadentado que deixa um sítio para uma molécula de água, que se troca rapidamente com a água livre e transmite a relaxação a toda ela.
Definição 24.20 (Terapia de quelação)
A terapia de quelação é a remoção de um metal tóxico do organismo por um ligante quelante administrado como fármaco, que forma um complexo estável e solúvel que é excretado.
Método 24.21 (Escolher um fármaco quelante)
- Compare as constantes de estabilidade do quelante com o metal tóxico e com os metais essenciais presentes em grande quantidade (, , ).
- Calcule o nível de metal livre que o quelante deixa nas concentrações e no pH do organismo: quanto mais alto o pM do metal tóxico e mais baixo o dos essenciais, melhor.
- Administre o quelante já carregado com o íon essencial competidor (o complexo de cálcio do EDTA para o chumbo), de modo que ele troque, em vez de retirar, o cálcio do sangue.
- Verifique a correspondência duro–mole (doadores de enxofre para o mercúrio e o chumbo, doadores de oxigênio duros para o ferro(III)) e que o complexo é excretado.
Segurança
Cisplatina: fatal se ingerida, pode provocar câncer e defeitos genéticos, pode prejudicar a fertilidade, provoca lesões oculares graves e reações alérgicas; é manipulada apenas como solução de fármaco já preparada, com luvas, em cabine ventilada.
História — Uma estrutura de proteína e um fármaco acidental
Max Perutz trabalhou por mais de vinte anos na estrutura por raios X da hemoglobina, resolvida em baixa resolução em 1959; com John Kendrew, que resolveu a da mioglobina, recebeu o Prêmio Nobel de Química de 1962. Em 1965, Barnett Rosenberg, passando uma corrente entre eletrodos de platina em uma cultura de bactérias, viu-as crescer em longos filamentos sem se dividir; a causa não era a corrente, mas um complexo amin de platina formado a partir dos eletrodos. Ele se tornou a cisplatina, ainda hoje um dos fármacos anticâncer mais usados.
24.6 Exercícios
Exercício 24.1 ★
Uma proteína está 20 % saturada a de oxigênio e 80 % a . Calcule seu coeficiente de Hill.
Solução
Solução de Exercício 24.1.
vai de a enquanto aumenta : .
Exercício 24.2 ★
Ordene , , , , e pela estabilidade de seus complexos com um dado ligante e explique o lugar do zinco.
Solução
Solução de Exercício 24.2.
. O zinco () não tem estabilização do campo ligante nem distorção de Jahn–Teller: ele volta a ficar abaixo do cobre.
Exercício 24.3 ★
Preveja os doadores proteicos preferidos (carboxilato, tiolato de cisteína, imidazol de histidina) de , , , e .
Solução
Solução de Exercício 24.3.
e , duros: carboxilatos (e fenolatos para o ferro). e , moles: tiolatos de cisteína. , intermediário: histidina e cisteína.
Exercício 24.4 ★
Quantos elétrons são retirados e quantos fótons absorvidos pelo fotossistema II por molécula de liberada? Por mol?
Solução
Solução de Exercício 24.4.
: quatro elétrons, quatro fótons por ; quatro mols de fótons por mol de .
Exercício 24.5 ★★
Com as curvas-modelo do capítulo ( para a mioglobina; e para a hemoglobina), calcule a fração de seu oxigênio que cada proteína cede entre (pulmões) e (tecidos).
Solução
Solução de Exercício 24.5.
Mioglobina: e : ela cede % de seu oxigênio. Hemoglobina: e : ela cede 26 %.
Exercício 24.6 ★★
Ar contendo de monóxido de carbono é respirado por tempo suficiente para atingir o equilíbrio. Com (dados do exercício) e igual à do ar (20.95 % de oxigênio), que fração da hemoglobina carrega CO?
Solução
Solução de Exercício 24.6.
; fração %.
Exercício 24.7 ★★
Dê os estados de oxidação formais dos íons ferro nos agregados , e (SR: cisteinato, S: sulfeto).
Solução
Solução de Exercício 24.7.
Sulfetos cada, cisteinatos cada. : soma dos ferros : dois Fe(III). : , um Fe(III) e um Fe(II) (valência mista). : , dois Fe(III) e dois Fe(II), cada ferro em média.
Exercício 24.8 ★★
Escreva a primeira aquação da cisplatina e explique por que ela é lenta no sangue e mais rápida dentro das células. A que átomo do DNA a platina se liga, e por que o isômero trans é inativo?
Solução
Solução de Exercício 24.8.
. A alta concentração de cloreto do sangue desloca o equilíbrio de volta; dentro das células, o cloreto é muito menor, e o aquacomplexo se forma. A platina se liga ao N7 da guanina. No isômero trans, os dois sítios lábeis são opostos e não conseguem alcançar duas bases adjacentes de uma mesma fita.
Exercício 24.9 ★★
Um tecido tem . Um agente de gadolínio de relaxividade atinge nele (dados do exercício). Calcule o novo .
Solução
Solução de Exercício 24.9.
: .
Exercício 24.10 ★★★
Um quelante L tem com e com (dados do exercício). Calcule a constante de equilíbrio de e explique por que se administra o complexo de cálcio e não o ligante livre.
Solução
Solução de Exercício 24.10.
: o chumbo desloca completamente o cálcio. O ligante livre ligaria também o cálcio do sangue e abaixaria perigosamente sua concentração; o complexo de cálcio troca com o chumbo e deixa inalterado o nível de cálcio.
Exercício 24.11 ★★★
A anidrase carbônica tem (dados do exercício); uma enzima típica, cerca de . Com , muito abaixo de , compare o tempo que cada uma leva para converter metade do substrato com uma concentração de enzima de .
Solução
Solução de Exercício 24.11.
Muito abaixo de , a reação é de primeira ordem: , . Anidrase carbônica: , . Enzima típica: , , mil vezes mais, lento demais para o segundo que uma hemácia passa em um capilar pulmonar.
Exercício 24.12 ★★★
Com , que pressão de monóxido de carbono ocupa metade dos sítios na presença de ar a de oxigênio? Exprima-a em ppm de um gás a .
Solução
Solução de Exercício 24.12.
Metade dos sítios com CO significa : , cerca de .
24.7 Problema: Quanto oxigênio o sangue fornece?
Problema 24.1
Problema de fim de semana — quanto oxigênio o sangue fornece? Curvas de Hill da hemoglobina e da mioglobina, o oxigênio transportado por um litro de sangue, o deslocamento de Bohr e o que o monóxido de carbono tira
Dados-modelo do problema: hemoglobina e a pH 7.4, ao pH mais baixo dos tecidos em atividade; mioglobina ; o sangue contém de hemoglobina, de massa molar , com quatro sítios por molécula; é de nos pulmões e de nos tecidos; o coração bombeia em repouso; para o monóxido de carbono. Volumes de gás a e .
Parte I — As curvas.
- Calcule a saturação da hemoglobina nos pulmões.
- Calcule-a nos tecidos a pH 7.4.
- Calcule a saturação da mioglobina a .
- Por que a mioglobina pode tomar o oxigênio da hemoglobina em um músculo?
- Que coeficiente de Hill quatro sítios independentes dariam?
- Explique em uma frase de onde vem a cooperatividade.
Parte II — Um litro de sangue.
- Calcule a concentração de hemoglobina em mol/L.
- Calcule a concentração de sítios de oxigênio.
- Calcule o oxigênio transportado por litro nos pulmões, em mmol.
- Calcule o oxigênio fornecido por litro aos tecidos a pH 7.4.
- Converta-o em mililitros de gás.
- Que fração do oxigênio transportado isso representa?
Parte III — O deslocamento de Bohr.
- Calcule a saturação nos tecidos ao pH mais baixo.
- Calcule o oxigênio fornecido por litro com o deslocamento.
- Por que fator o deslocamento aumenta o fornecimento?
- O que abaixa o pH de um músculo em atividade?
- Calcule o oxigênio fornecido por minuto em repouso, em mmol.
- Converta-o em litros de gás por minuto.
Parte IV — O monóxido de carbono.
- Calcule para ar com de CO.
- Calcule a fração de sítios perdida para o CO.
- Por que a perda de oxigênio fornecido é pior que essa fração?
- Por que o oxigênio puro é o primeiro tratamento?
- Por que a histidina distal importa para a sobrevivência?
- Enuncie o resultado: os litros de oxigênio fornecidos por minuto em repouso.
Solução
Solução de Problema 24.1.
1. .
2. .
3. .
4. Seu é dez vezes menor: às pressões de um músculo em atividade, ela está muito mais saturada que a hemoglobina à mesma pressão, de modo que o oxigênio passa da hemoglobina para a mioglobina.
5. .
6. A ligação a um heme leva seu ferro para o plano e puxa a histidina e sua hélice; as subunidades passam juntas para uma forma de maior afinidade nos outros sítios.
7. .
8. .
9. .
10. .
11. .
12. %.
13. .
14. .
15. : trinta por cento a mais.
16. O dióxido de carbono produzido pela respiração, hidratado a ácido carbônico pela anidrase carbônica, e o ácido lático no esforço intenso.
17. .
18. .
19. .
20. : cerca de 10 % dos sítios.
21. Os sítios que ainda carregam oxigênio, em uma molécula que também carrega CO, estão na forma de alta afinidade: a curva se desloca para a esquerda e eles liberam menos de seu oxigênio nos tecidos.
22. Pela relação de competição, a razão cai em proporção a : respirar oxigênio puro, quase cinco vezes a pressão no ar, desloca o monóxido de carbono mais depressa.
23. Ao dificultar a ligação linear do CO e fazer ligação de hidrogênio com o , ela mantém na casa das centenas, em vez do valor muito maior do heme livre; caso contrário, mesmo o monóxido de carbono produzido no organismo bloquearia boa parte da hemoglobina.
24. Em repouso, o sangue fornece cerca de de oxigênio por minuto.