Physics · Livro 3 · Bachelor Year 1

Física universitária — 1.º ano

Física universitária — 1.º ano · Bachelor Year 1

24Máquinas térmicas

O motor de um carro, uma usina elétrica, uma geladeira e uma bomba de calor são o mesmo objeto visto de quatro lados: um fluido levado por um ciclo, em contato alternadamente com uma fonte quente e uma fria, trocando calor com as duas e trabalho com um eixo. A primeira lei faz a contabilidade da energia; a segunda, pelo balanço de entropia ao longo de um ciclo, fixa o limite que nenhuma esperteza vence — o teorema de Carnot, a desigualdade de maiores consequências de toda a engenharia. Este capítulo deduz esse limite, calcula o ciclo ideal e os ciclos reais que dele se aproximam (Otto, Diesel, Stirling), inverte a máquina para fazer frio e para aquecer casas, e mostra como a entropia criada por uma máquina real é paga, joule a joule, em trabalho perdido.

24.1 Máquinas cíclicas e as duas leis

Definição 24.1 (Máquina termodinâmica)

Uma máquina termodinâmica é um sistema fechado (o fluido de trabalho) levado por um ciclo, de modo que ele volta periodicamente ao mesmo estado, enquanto troca trabalho WW com o exterior e calor QiQ_i com fontes às temperaturas TiT_i — os termostatos, cuja temperatura a troca não altera. Uma máquina ditérmica usa dois termostatos, a fonte quente a ThT_h e a fonte fria a Tc<ThT_c < T_h. Ela é uma máquina motriz se fornece trabalho (W<0W < 0), um refrigerador se é acionada (W>0W > 0) para tirar calor da fonte fria, e uma bomba de calor se é acionada para ceder calor à fonte quente. Todas as grandezas são contadas ao longo de um ciclo, algebricamente, como recebidas pelo fluido.

Teorema 24.2 (As duas leis num ciclo; desigualdade de Clausius)

Ao longo de um ciclo de uma máquina ditérmica,

W+Qh+Qc=0,QhTh+QcTc=Screated0,W + Q_h + Q_c = 0 , \qquad \frac{Q_h}{T_h} + \frac{Q_c}{T_c} = -S_{\mathrm{created}} \leq 0 ,

com igualdade na segunda relação se e somente se o ciclo for reversível. Mais geralmente, para um número qualquer de termostatos, iQi/Ti0\sum_i Q_i/T_i \leq 0 (desigualdade de Clausius).

Demonstração. UU e SS são funções de estado, logo ΔU=0\Delta U = 0 e ΔS=0\Delta S = 0 ao longo de um ciclo. A primeira lei dá 0=W+Qh+Qc0 = W + Q_h + Q_c; o balanço de entropia (Teorema 23.1) dá 0=Sexch+Screated0 = S_{\mathrm{exch}} + S_{\mathrm{created}} com Sexch=Qi/TiS_{\mathrm{exch}} = \sum Q_i/T_i, pois cada termostato troca à sua própria temperatura fixa (Proposição 23.5).

Corolário 24.3 (Kelvin de novo)

Uma máquina monotérmica (Qc=0Q_c = 0) tem Qh0Q_h \leq 0, donde W0W \geq 0: nenhum ciclo pode converter em trabalho o calor de uma única fonte. Um navio não pode navegar esfriando o mar — uma máquina motriz precisa de uma fonte fria onde rejeitar calor, e a segunda lei diz quanto ela tem de rejeitar.

Os dois sentidos de um ciclo ditérmico. À esquerda: a máquina motriz toma calor da fonte quente, rejeita parte dele à fria e fornece a diferença como trabalho. À direita: a mesma máquina acionada ao contrário bombeia calor do frio para o quente; é um refrigerador se se quer Q_c, e uma bomba de calor se se quer |Q_h|.
Os dois sentidos de um ciclo ditérmico. À esquerda: a máquina motriz toma calor da fonte quente, rejeita parte dele à fria e fornece a diferença como trabalho. À direita: a mesma máquina acionada ao contrário bombeia calor do frio para o quente; é um refrigerador se se quer QcQ_c, e uma bomba de calor se se quer Qh|Q_h|.

24.2 O teorema de Carnot

Definição 24.4 (Rendimento e coeficientes de desempenho)

O rendimento de uma máquina motriz é o trabalho fornecido por unidade de calor tomado da fonte quente, η=W/Qh\eta = -W/Q_h; o coeficiente de desempenho (COP) de um refrigerador é o frio produzido por unidade de trabalho, ef=Qc/We_f = Q_c/W; o de uma bomba de calor é o calor cedido por unidade de trabalho, ep=Qh/We_p = -Q_h/W. Cada um é a razão entre “o que se quer” e “o que se paga”; um rendimento vale no máximo 1, mas um COP pode passar de 1.

Teorema 24.5 (Carnot)

Entre termostatos Th>TcT_h > T_c,

ηηC=1TcTh,efTcThTc,epThThTc=1+TcThTc,\eta \leq \eta_C = 1 - \frac{T_c}{T_h}, \qquad e_f \leq \frac{T_c}{T_h - T_c}, \qquad e_p \leq \frac{T_h}{T_h - T_c} = 1 + \frac{T_c}{T_h - T_c},

com igualdade se e somente se o ciclo for reversível. Os limites dependem só das temperaturas — não do fluido, não do mecanismo.

Demonstração. Para uma máquina motriz (Qh>0Q_h > 0): η=W/Qh=(Qh+Qc)/Qh=1+Qc/Qh\eta = -W/Q_h = (Q_h + Q_c)/Q_h = 1 + Q_c/Q_h, e a desigualdade de Clausius dá Qc/QhTc/ThQ_c/Q_h \leq -T_c/T_h. Para um refrigerador (Qc>0Q_c > 0, W>0W > 0): W=QhQcW = -Q_h - Q_c com QhQcTh/Tc-Q_h \geq Q_c T_h/T_c, logo WQc(Th/Tc1)W \geq Q_c(T_h/T_c - 1) e ef=Qc/WTc/(ThTc)e_f = Q_c/W \leq T_c/(T_h - T_c). Para a bomba de calor, ep=Qh/W=(W+Qc)/W=1+efe_p = -Q_h/W = (W + Q_c)/W = 1 + e_f. A igualdade é o caso reversível Screated=0S_{\mathrm{created}} = 0 em toda parte.

Exemplo 24.6 (Três números)

Uma turbina a vapor entre Th=800KT_h = 800\,\mathrm{K} e um rio a Tc=300KT_c = 300\,\mathrm{K}: ηC=0.625\eta_C = 0.625; as usinas reais chegam a uns 0.400.40. Uma geladeira doméstica entre 275K275\,\mathrm{K} dentro e uma cozinha a 298K298\,\mathrm{K}: ef275/23=12e_f \leq 275/23 = 12; as máquinas reais dão 22 a 44. Uma bomba de calor que aquece uma casa a 293K293\,\mathrm{K} a partir do ar a 273K273\,\mathrm{K}: ep293/20=14.7e_p \leq 293/20 = 14.7; as bombas reais dão 33 a 55 — ainda assim, três a cinco vezes o que a mesma eletricidade daria numa resistência (Problema 24.1).

Observação 24.7 (Por que o rendimento não pode ser 1)

Uma máquina motriz recebe a entropia Qh/ThQ_h/T_h com o calor que toma; o trabalho não leva nenhuma embora; a única saída é o calor rejeitado à fonte fria, que leva Qc/Tc|Q_c|/T_c. Como a entropia não pode ser destruída, pelo menos QhTc/ThQ_h T_c/T_h de calor tem de ser jogado fora, e o trabalho é o que sobra. Quanto mais baixa a fonte fria e mais alta a quente, melhor — daí as torres de resfriamento e a busca de pás de turbina cada vez mais quentes.

24.3 O ciclo de Carnot

Definição 24.8 (Ciclo de Carnot)

O ciclo de Carnot é o ciclo ditérmico reversível: duas isotermas reversíveis, a ThT_h (em contato com a fonte quente) e a TcT_c (com a fria), ligadas por dois trechos adiabáticos reversíveis (isentrópicos, sem fonte em contato). Percorrido no sentido horário no plano (V,P)(V, P) ele é uma máquina motriz; no sentido anti-horário, um refrigerador ou uma bomba de calor. No diagrama entrópico ele é um retângulo.

Proposição 24.9 (Ciclo de Carnot de um gás perfeito)

Para nn mols de gás perfeito levados por ABA \to B (isoterma ThT_h, expansão), BCB \to C (adiabática), CDC \to D (isoterma TcT_c, compressão), DAD \to A (adiabática):

Qh=nRThlnVBVA,Qc=nRTclnVBVA,η=1TcTh,Q_h = nRT_h\ln\frac{V_B}{V_A}, \qquad Q_c = -nRT_c\ln\frac{V_B}{V_A}, \qquad \eta = 1 - \frac{T_c}{T_h} ,

o valor de Carnot — como tem de ser para qualquer ciclo ditérmico reversível.

Demonstração. Numa isoterma ΔU=0\Delta U = 0, logo Q=W=nRTln(Vfinal/Vinicial)Q = -W = nRT\ln(V_{\text{final}}/ V_{\text{inicial}}). Nas adiabáticas TVγ1TV^{\gamma-1} é constante: ThVBγ1=TcVCγ1T_hV_B^{\gamma-1} = T_cV_C^{\gamma-1} e ThVAγ1=TcVDγ1T_hV_A^{\gamma-1} = T_cV_D^{\gamma-1}, donde VC/VD=VB/VAV_C/V_D = V_B/V_A e Qc=nRTcln(VD/VC)=nRTcln(VB/VA)Q_c = nRT_c\ln(V_D/V_C) = -nRT_c\ln(V_B/V_A). Então η=1+Qc/Qh=1Tc/Th\eta = 1 + Q_c/Q_h = 1 - T_c/T_h.

O ciclo de Carnot de um gás perfeito. À esquerda: no diagrama de Clapeyron, duas isotermas e duas adiabáticas (mais inclinadas), percorridas no sentido horário; a área encerrada é o trabalho fornecido. À direita: o mesmo ciclo no diagrama entrópico é um retângulo de altura T_h - T_c e largura Q_h/T_h; a sua área é de novo -W, e a razão entre essa área e a área sob o lado de cima, Q_h, vale 1 - T_c/T_h a olho nu. O ciclo de Carnot de um gás perfeito. À esquerda: no diagrama de Clapeyron, duas isotermas e duas adiabáticas (mais inclinadas), percorridas no sentido horário; a área encerrada é o trabalho fornecido. À direita: o mesmo ciclo no diagrama entrópico é um retângulo de altura T_h - T_c e largura Q_h/T_h; a sua área é de novo -W, e a razão entre essa área e a área sob o lado de cima, Q_h, vale 1 - T_c/T_h a olho nu.
O ciclo de Carnot de um gás perfeito. À esquerda: no diagrama de Clapeyron, duas isotermas e duas adiabáticas (mais inclinadas), percorridas no sentido horário; a área encerrada é o trabalho fornecido. À direita: o mesmo ciclo no diagrama entrópico é um retângulo de altura ThTcT_h - T_c e largura Qh/ThQ_h/T_h; a sua área é de novo W-W, e a razão entre essa área e a área sob o lado de cima, QhQ_h, vale 1Tc/Th1 - T_c/T_h a olho nu.

Observação 24.10 (O ciclo de Carnot é um teorema, não um motor)

As isotermas reversíveis exigem uma transferência de calor infinitamente lenta através de uma diferença de temperatura que tende a zero: uma máquina de Carnot fornece o seu trabalho máximo com potência nula. As máquinas reais trocam rendimento por potência aceitando diferenças finitas de temperatura nos seus trocadores (Exercício 24.10); o valor de Carnot continua sendo o teto com que todo projeto é comparado.

24.4 Ciclos de máquinas reais

Proposição 24.11 (Ciclo Otto)

O motor a gasolina idealizado leva o ar (γ\gamma) por: 121 \to 2 compressão adiabática de V1V_1 a V2V_2 (taxa de compressão r=V1/V2r = V_1/V_2); 232 \to 3 aquecimento isocórico (a combustão); 343 \to 4 expansão adiabática de volta a V1V_1; 414 \to 1 resfriamento isocórico (o escapamento). O seu rendimento vale

ηOtto=11rγ1.\eta_{\text{Otto}} = 1 - \frac{1}{r^{\gamma-1}} .

Demonstração. O calor só é trocado nas isocóricas: Qh=nCV,m(T3T2)Q_h = nC_{V,m}(T_3 - T_2) e Qc=nCV,m(T1T4)Q_c = nC_{V,m}(T_1 - T_4). Nas adiabáticas TVγ1TV^{\gamma-1} é constante: T2=T1rγ1T_2 = T_1r^{\gamma-1} e T3=T4rγ1T_3 = T_4r^{\gamma-1}, logo T3T2=(T4T1)rγ1T_3 - T_2 = (T_4 - T_1)r^{\gamma-1} e η=1+Qc/Qh=1(T4T1)/(T3T2)=1r1γ\eta = 1 + Q_c/Q_h = 1 - (T_4 - T_1)/(T_3 - T_2) = 1 - r^{1-\gamma}.

Exemplo 24.12 (Números para um motor a gasolina)

r=9r = 9, γ=1.4\gamma = 1.4: 90.4=2.419^{0.4} = 2.41 e η=0.58\eta = 0.58. Um motor real dá uns 0.300.30: a combustão não é instantânea, o gás não é perfeito a 2500K2500\,\mathrm{K}, o calor foge para as paredes, e o atrito e o bombeamento cobram a sua parte. Aumentar rr ajuda — até que a mistura ar–combustível se acenda sozinha no fim da compressão (a detonação); o motor diesel transforma esse vício no seu princípio.

Proposição 24.13 (Ciclo Diesel)

Substitua o aquecimento isocórico do ciclo Otto por um isobárico, de V2V_2 a V3=ρV2V_3 = \rho V_2 (razão de corte ρ>1\rho > 1): o combustível injetado no ar já quente por uma taxa de compressão rr de 1515 a 2222 queima à medida que chega. Então

ηDiesel=11rγ1ργ1γ(ρ1),\eta_{\text{Diesel}} = 1 - \frac{1}{r^{\gamma-1}}\,\frac{\rho^{\gamma} - 1}{\gamma(\rho - 1)} ,

menor que o valor de Otto para o mesmo rr, mas atingido com rr muito maiores, e por isso maior na prática (0.400.40 a 0.450.45 nos motores grandes).

Demonstração. Qh=nCP,m(T3T2)Q_h = nC_{P,m}(T_3 - T_2), Qc=nCV,m(T1T4)Q_c = nC_{V,m}(T_1 - T_4), logo η=1(T4T1)/[γ(T3T2)]\eta = 1 - (T_4 - T_1)/[\gamma(T_3 - T_2)]. Com T2=T1rγ1T_2 = T_1r^{\gamma-1}, T3=ρT2T_3 = \rho T_2 e, na adiabática 343 \to 4 (V4=V1=rV2V_4 = V_1 = rV_2), T4=T3(V3/V4)γ1=ρT1rγ1(ρ/r)γ1=T1ργT_4 = T_3(V_3/V_4)^{\gamma-1} = \rho T_1 r^{\gamma-1}(\rho/r)^{\gamma-1} = T_1\rho^{\gamma}: η=1(ργ1)/[γrγ1(ρ1)]\eta = 1 - (\rho^\gamma - 1)/[\gamma r^{\gamma-1}(\rho - 1)].

À esquerda: o ciclo Otto no diagrama de Clapeyron (desenhado com r = 4): duas adiabáticas e duas isocóricas; o calor entra no ponto morto superior e sai com o escapamento. À direita: rendimentos ideais em função da taxa de compressão; as linhas tracejadas marcam um motor a gasolina (r = 9) e um diesel (r = 18, = 2). À esquerda: o ciclo Otto no diagrama de Clapeyron (desenhado com r = 4): duas adiabáticas e duas isocóricas; o calor entra no ponto morto superior e sai com o escapamento. À direita: rendimentos ideais em função da taxa de compressão; as linhas tracejadas marcam um motor a gasolina (r = 9) e um diesel (r = 18, = 2).
À esquerda: o ciclo Otto no diagrama de Clapeyron (desenhado com r=4r = 4): duas adiabáticas e duas isocóricas; o calor entra no ponto morto superior e sai com o escapamento. À direita: rendimentos ideais em função da taxa de compressão; as linhas tracejadas marcam um motor a gasolina (r=9r = 9) e um diesel (r=18r = 18, ρ=2\rho = 2).

Proposição 24.14 (Ciclo Stirling e o regenerador)

Duas isotermas (TcT_c, ThT_h) ligadas por duas isocóricas. O calor dos trechos isocóricos, ±nCV,m(ThTc)\pm nC_{V,m}(T_h - T_c), é igual e de sinais opostos; se ele for armazenado no trecho de resfriamento num regenerador (uma massa porosa através da qual o gás escoa) e devolvido no trecho de aquecimento, só as isotermas trocam com as fontes, e η=1Tc/Th\eta = 1 - T_c/T_h: o motor Stirling é um motor de Carnot em tudo menos na forma do seu ciclo. Sem o regenerador o calor das isocóricas tem de vir da fonte quente e η=nR(ThTc)ln(V1/V2)nRThln(V1/V2)+nCV,m(ThTc)\eta = \dfrac{nR(T_h - T_c)\ln(V_1/V_2)}{nRT_h\ln(V_1/V_2) + nC_{V,m}(T_h - T_c)}, bem menor (Exercício 24.8).

Demonstração. Nas isotermas Qh=nRThln(V1/V2)Q_h = nRT_h\ln(V_1/V_2) e Qc=nRTcln(V1/V2)Q_c = -nRT_c\ln(V_1/V_2), logo W=Qh+Qc+0-W = Q_h + Q_c + 0 assim que os calores isocóricos se cancelam; divida pelo calor efetivamente tirado da fonte quente em cada caso.

Observação 24.15 (Turbinas a vapor e a gás)

As usinas elétricas não usam um gás num cilindro, mas água fervida, expandida através de uma turbina, condensada e bombeada de volta (o ciclo Rankine, com duas mudanças de fase — Capítulo 25), ou ar comprimido, aquecido pela combustão e expandido numa turbina a gás (o ciclo Brayton, duas adiabáticas e duas isobáricas). A sua análise exige o balanço de energia de um fluido em escoamento, dado no volume do segundo ano; o limite de Carnot e a lógica deste capítulo se aplicam sem mudança.

24.5 Refrigeradores e bombas de calor

Definição 24.16 (Ciclo de compressão de vapor)

Quase toda geladeira, congelador, ar-condicionado e bomba de calor faz um fluido refrigerante circular por quatro componentes: um compressor (recebe o trabalho e eleva a pressão do vapor), um condensador (o vapor quente se liquefaz a alta pressão, liberando Qh|Q_h| para o lado quente), uma válvula de expansão (o líquido cai à baixa pressão sem trabalho nem calor, e em parte vira vapor) e um evaporador (o resto ferve a baixa pressão, absorvendo QcQ_c do lado frio). O calor é transportado como calor latente de vaporização, e as duas pressões fixam as duas temperaturas de ebulição (Capítulo 25).

O ciclo de compressão de vapor. O fluido refrigerante ferve no evaporador, mais frio do que o lado frio, e condensa no condensador, mais quente do que o lado quente: o calor escoa no sentido natural em cada trocador, e o compressor paga por erguê-lo de T_ ev a T_ cd.
O ciclo de compressão de vapor. O fluido refrigerante ferve no evaporador, mais frio do que o lado frio, e condensa no condensador, mais quente do que o lado quente: o calor escoa no sentido natural em cada trocador, e o compressor paga por erguê-lo de TevT_{\mathrm{ev}} a TcdT_{\mathrm{cd}}.

Proposição 24.17 (O preço das diferenças de temperatura)

Uma máquina reversível que trabalha entre as suas próprias temperaturas internas Tev<TcT_{\mathrm{ev}} < T_c e Tcd>ThT_{\mathrm{cd}} > T_h tem ep=Tcd/(TcdTev)e_p = T_{\mathrm{cd}}/(T_{\mathrm{cd}} - T_{\mathrm{ev}}), menor que o valor de Carnot entre as fontes; uma máquina real atinge uma fração (tipicamente 0.40.4 a 0.60.6) até mesmo desse valor. O desempenho de uma bomba de calor cai, portanto, quando a temperatura externa baixa e quando a temperatura exigida pelo circuito de aquecimento sobe.

Demonstração. Aplique o Teorema 24.5 ao fluido, cujos termostatos são, de fato, as temperaturas dos trocadores; TcdTev>ThTcT_{\mathrm{cd}} - T_{\mathrm{ev}} > T_h - T_c baixa a razão.

Coeficiente de desempenho de uma bomba de calor em função da temperatura externa: o limite de Carnot entre a casa (20 C) e o ar externo; o limite quando se contam as diferenças de temperatura nos trocadores (T_ cd = 313\, K, T_ ev = T_ out - 8\, K); e uma máquina realista a 0.55 deste último. Mesmo a -10 C a bomba real fornece cerca de três joules de calor por joule de eletricidade, onde uma resistência dá um.
Coeficiente de desempenho de uma bomba de calor em função da temperatura externa: o limite de Carnot entre a casa (20C20{}^{\circ}\mathrm{C}) e o ar externo; o limite quando se contam as diferenças de temperatura nos trocadores (Tcd=313KT_{\mathrm{cd}} = 313\,\mathrm{K}, Tev=Tout8KT_{\mathrm{ev}} = T_{\mathrm{out}} - 8\,\mathrm{K}); e uma máquina realista a 0.550.55 deste último. Mesmo a 10C-10{}^{\circ}\mathrm{C} a bomba real fornece cerca de três joules de calor por joule de eletricidade, onde uma resistência dá um.

Exemplo 24.18 (Bomba de calor ou resistência?)

Uma casa que perde 6kW6\,\mathrm{kW} com 5C-5{}^{\circ}\mathrm{C} lá fora precisa de 6kW6\,\mathrm{kW} de eletricidade com resistências; uma bomba de calor ideal de 268K268\,\mathrm{K} a 293K293\,\mathrm{K} precisaria de 6/11.7=0.51kW6/11.7 = 0.51\,\mathrm{kW}; uma real com temperaturas de trocador de 260K260\,\mathrm{K} e 313K313\,\mathrm{K} e um fator de qualidade 0.550.55, ep=0.55×313/53=3.2e_p = 0.55 \times 313/53 = 3.2, precisa de 1.9kW1.9\,\mathrm{kW}. O problema de fim de semana percorre a estação inteira, entropia incluída.

24.6 Entropia e trabalho perdido

Teorema 24.19 (Trabalho perdido)

Uma máquina motriz ditérmica que cria a entropia ScreatedS_{\mathrm{created}} por ciclo fornece

W=Qh(1TcTh)TcScreated,-W = Q_h\Bigl(1 - \frac{T_c}{T_h}\Bigr) - T_c\,S_{\mathrm{created}} ,

e uma bomba de calor ditérmica que fornece Qh|Q_h| consome W=Qh(1Tc/Th)+TcScreatedW = |Q_h|(1 - T_c/T_h) + T_c\,S_{\mathrm{created}}: cada joule por kelvin criado custa TcT_c joules de trabalho, sendo a temperatura da fonte fria a taxa de câmbio entre entropia e trabalho.

Demonstração. Pelo Teorema 24.2, Qc=Tc(Qh/Th+Screated)Q_c = -T_c(Q_h/T_h + S_{\mathrm{created}}); substitua em W=Qh+Qc-W = Q_h + Q_c. Para a bomba, escreva as mesmas duas relações com Qh<0Q_h < 0.

Método 24.20 (Auditar uma máquina)

Meça (ou calcule) os calores trocados com cada fonte e o trabalho; verifique a primeira lei; calcule Screated=Qi/TiS_{\mathrm{created}} = -\sum Q_i/T_i por ciclo ou por segundo; a potência perdida vale TcS˙createdT_c\dot S_{\mathrm{created}}; localize a criação (diferenças finitas de temperatura nos trocadores, atrito, estrangulamento, compressão não quase-estática) aplicando o balanço de entropia a cada componente, um a um. Um componente que não cria entropia não vale a pena melhorar.

Exemplo 24.21 (A auditoria de uma usina)

Fonte quente 800K800\,\mathrm{K}, rio 300K300\,\mathrm{K}, 1.0GW1.0\,\mathrm{GW} de eletricidade a η=0.40\eta = 0.40: Q˙h=2.5GW\dot Q_h = 2.5\,\mathrm{GW}, Q˙c=1.5GW\dot Q_c = 1.5\,\mathrm{GW}, logo S˙created=1.5/3002.5/800=1.9MW/K\dot S_{\mathrm{created}} = 1.5/300 - 2.5/800 = 1.9\,\mathrm{MW}/\mathrm{K} e a potência perdida vale 300×1.9=0.56GW300 \times 1.9 = 0.56\,\mathrm{GW}: exatamente o intervalo entre a produção de Carnot 0.625×2.5=1.56GW0.625 \times 2.5 = 1.56\,\mathrm{GW} e o 1.0GW1.0\,\mathrm{GW} real. O rio esquenta com os 1.5GW1.5\,\mathrm{GW} que tem de levar embora; no verão, quando ele está quente e baixo, as usinas reduzem a carga.

24.7 Exercícios

Exercício 24.1

Uma usina toma calor a 800K800\,\mathrm{K} e o rejeita num rio a 300K300\,\mathrm{K}. Rendimento de Carnot; se o rendimento real é 0.400.40 e a produção elétrica é 1.0GW1.0\,\mathrm{GW}, calor tomado do combustível e calor rejeitado no rio por segundo.

Solução

Solução de Exercício 24.1.

ηC=1300/800=0.625\eta_C = 1 - 300/800 = 0.625. A 0.400.40: Q˙h=1.0/0.40=2.5GW\dot Q_h = 1.0/0.40 = 2.5\,\mathrm{GW} vindos do combustível, Q˙c=2.51.0=1.5GW\dot Q_c = 2.5 - 1.0 = 1.5\,\mathrm{GW} para o rio — joga-se fora mais calor do que se vende.

Exercício 24.2

Uma geladeira mantém o seu interior a 275K275\,\mathrm{K} numa cozinha a 298K298\,\mathrm{K}. Coeficiente de desempenho máximo; com um COP real de 33, potência elétrica necessária para retirar os 100W100\,\mathrm{W} que entram pelas paredes.

Solução

Solução de Exercício 24.2.

ef275/(298275)=12e_f \leq 275/(298 - 275) = 12. Com ef=3e_f = 3: P=100/3=33WP = 100/3 = 33\,\mathrm{W} (e 133W133\,\mathrm{W} vão para a cozinha).

Exercício 24.3

Rendimento ideal de um ciclo Otto com r=9r = 9 e γ=1.4\gamma = 1.4; e com r=11r = 11 (um motor moderno de injeção direta). Por que não r=20r = 20?

Solução

Solução de Exercício 24.3.

r=9r = 9: 90.4=2.419^{0.4} = 2.41, η=0.585\eta = 0.585; r=11r = 11: 110.4=2.6111^{0.4} = 2.61, η=0.62\eta = 0.62. Com r=20r = 20 a mistura gasolina–ar, comprimida a cerca de 900K900\,\mathrm{K}, se acenderia antes da faísca (detonação), destruindo o motor; só o diesel, que comprime ar puro, pode ir até lá.

Exercício 24.4

Uma bomba de calor aquece uma casa a 300K300\,\mathrm{K} a partir do ar externo a 280K280\,\mathrm{K}. epe_p máximo; potência elétrica para uma demanda de aquecimento de 5kW5\,\mathrm{kW} com essa bomba ideal e com uma real de ep=3.5e_p = 3.5; compare com uma resistência.

Solução

Solução de Exercício 24.4.

ep300/20=15e_p \leq 300/20 = 15: potência ideal 5/15=0.33kW5/15 = 0.33\,\mathrm{kW}; real, 5/3.5=1.43kW5/3.5 = 1.43\,\mathrm{kW}; resistência, 5kW5\,\mathrm{kW}.

Exercício 24.5 ★★

Um mol de gás perfeito (γ=1.4\gamma = 1.4) percorre um ciclo de Carnot entre Th=500KT_h = 500\,\mathrm{K} e Tc=300KT_c = 300\,\mathrm{K}; a isoterma quente o leva de 1.0L1.0\,\mathrm{L} a 3.0L3.0\,\mathrm{L}. Calcule VCV_C, VDV_D, QhQ_h, QcQ_c, WW e verifique o rendimento.

Solução

Solução de Exercício 24.5.

Adiabáticas: VC=VB(Th/Tc)1/(γ1)=3.0×(5/3)2.5=10.8LV_C = V_B(T_h/T_c)^{1/(\gamma-1)} = 3.0 \times (5/3)^{2.5} = 10.8\,\mathrm{L}, VD=1.0×3.59=3.59LV_D = 1.0 \times 3.59 = 3.59\,\mathrm{L} (logo VC/VD=3=VB/VAV_C/V_D = 3 = V_B/V_A). Qh=RThln3=8.314×500×1.099=4.57kJQ_h = RT_h\ln3 = 8.314 \times 500 \times 1.099 = 4.57\,\mathrm{kJ}, Qc=RTcln3=2.74kJQ_c = -RT_c\ln3 = -2.74\,\mathrm{kJ}, W=(4.572.74)=1.83kJW = -(4.57 - 2.74) = -1.83\,\mathrm{kJ}, η=1.83/4.57=0.40=1300/500\eta = 1.83/4.57 = 0.40 = 1 - 300/500.

Exercício 24.6 ★★

Um inventor afirma ter uma máquina cíclica que toma 1000J1000\,\mathrm{J} por ciclo de uma fonte a 400K400\,\mathrm{K}, rejeita 800J800\,\mathrm{J} numa fonte a 300K300\,\mathrm{K} e fornece 200J200\,\mathrm{J} de trabalho. É possível? Entropia criada por ciclo. Um segundo inventor afirma tirar 300J300\,\mathrm{J} de trabalho dos mesmos 1000J1000\,\mathrm{J}, rejeitando 700J700\,\mathrm{J}. É possível? Qual é o máximo de trabalho que alguém pode tirar desses 1000J1000\,\mathrm{J}?

Solução

Solução de Exercício 24.6.

Primeira alegação: a energia fecha, 200=1000800200 = 1000 - 800; Clausius 1000/400800/300=2.52.67=0.17J/K1000/400 - 800/300 = 2.5 - 2.67 = -0.17\,\mathrm{J}/\mathrm{K}, logo Screated=0.17J/K0S_{\mathrm{created}} = 0.17\,\mathrm{J}/\mathrm{K} \geq 0: possível (η=0.20\eta = 0.20). Segunda: 1000/400700/300=+0.17J/K>01000/400 - 700/300 = +0.17\,\mathrm{J}/\mathrm{K} > 0: seria preciso destruir entropia — impossível. Máximo: ηC=1300/400=0.25\eta_C = 1 - 300/400 = 0.25, isto é, 250J250\,\mathrm{J}.

Exercício 24.7 ★★

Ciclo Diesel com r=18r = 18, ρ=2\rho = 2, γ=1.4\gamma = 1.4: rendimento; compare com um ciclo Otto de mesmo rr e com o ciclo Otto a r=9r = 9. Por que o diesel pode usar um rr tão grande?

Solução

Solução de Exercício 24.7.

rγ1=180.4=3.18r^{\gamma-1} = 18^{0.4} = 3.18; ργ=21.4=2.64\rho^\gamma = 2^{1.4} = 2.64: η=11.64/(1.4×3.18×1)=0.63\eta = 1 - 1.64/(1.4 \times 3.18 \times 1) = 0.63. Otto com r=18r = 18: 11/3.18=0.691 - 1/3.18 = 0.69; com r=9r = 9: 0.5850.585. O diesel comprime ar puro: não há combustível presente para pré-acender, e o combustível, injetado em ar a 900K900\,\mathrm{K}, queima ao entrar — o limite da detonação não existe.

Exercício 24.8 ★★

Ciclo Stirling de um mol de gás diatômico (CV,m=52RC_{V,m} = \tfrac52R) entre 600K600\,\mathrm{K} e 300K300\,\mathrm{K} com uma razão de volumes V1/V2=2V_1/V_2 = 2. Trabalho por ciclo; rendimento com um regenerador perfeito e sem regenerador.

Solução

Solução de Exercício 24.8.

Qh=RThln2=8.314×600×0.693=3.46kJQ_h = RT_h\ln2 = 8.314 \times 600 \times 0.693 = 3.46\,\mathrm{kJ}, Qc=8.314×300×0.693=1.73kJQ_c = -8.314 \times 300 \times 0.693 = -1.73\,\mathrm{kJ}: W=1.73kJW = -1.73\,\mathrm{kJ} por ciclo. Com o regenerador η=1.73/3.46=0.50=1300/600\eta = 1.73/3.46 = 0.50 = 1 - 300/600. Sem ele, a fonte quente tem também de fornecer CV,m(ThTc)=2.5×8.314×300=6.24kJC_{V,m}(T_h - T_c) = 2.5 \times 8.314 \times 300 = 6.24\,\mathrm{kJ}: η=1.73/(3.46+6.24)=0.18\eta = 1.73/(3.46 + 6.24) = 0.18.

Exercício 24.9 ★★

Dois blocos idênticos de capacidade térmica C=4.0kJ/KC = 4.0\,\mathrm{kJ}/\mathrm{K} a T1=400KT_1 = 400\,\mathrm{K} e T2=300KT_2 = 300\,\mathrm{K} são usados como fontes de uma máquina até chegarem a uma temperatura comum TfT_f. Mostre que o trabalho máximo se obtém com uma máquina reversível, que então Tf=T1T2T_f = \sqrt{T_1T_2}, e calcule WmaxW_{\max}. Que TfT_f se teria se os blocos fossem simplesmente postos em contato, e qual é a entropia então criada?

Solução

Solução de Exercício 24.9.

Entropia dos dois blocos: ΔS=Cln(Tf/T1)+Cln(Tf/T2)=Cln(Tf2/T1T2)=Screated0\Delta S = C\ln(T_f/T_1) + C\ln(T_f/T_2) = C\ln\bigl(T_f^2/T_1T_2\bigr) = S_{\mathrm{created}} \geq 0 (a entropia da própria máquina volta ao seu valor a cada ciclo), logo TfT1T2T_f \geq \sqrt{T_1T_2}, e W=C(T1+T22Tf)W = C(T_1 + T_2 - 2T_f) (primeira lei) é máximo para o menor TfT_f: o caso reversível, Tf=400×300=346.4KT_f = \sqrt{400 \times 300} = 346.4\,\mathrm{K}, Wmax=4000×(700692.8)=29kJW_{\max} = 4000 \times (700 - 692.8) = 29\,\mathrm{kJ}. Contato direto: Tf=350KT_f = 350\,\mathrm{K}, nenhum trabalho, Screated=4000ln(3502/120000)=82J/KS_{\mathrm{created}} = 4000\ln(350^2/120000) = 82\,\mathrm{J}/\mathrm{K}.

Exercício 24.10 ★★★

Máquina a potência máxima. Uma máquina reversível trabalha entre temperaturas internas xx e yy, e troca calor com as fontes através de trocadores de condutância KK: Q˙h=K(Thx)\dot Q_h = K(T_h - x) e Q˙c=K(yTc)|\dot Q_c| = K(y - T_c). (a) Escreva a potência PP e a condição de entropia do núcleo reversível. (b) Mostre que y=xTc/(2xTh)y = xT_c/(2x - T_h) e que P=K2[(Th+Tc)uThTc/u]P = \frac{K}{2}\bigl[(T_h + T_c) - u - T_hT_c/u\bigr] com u=2xThu = 2x - T_h. (c) Maximize em uu e mostre que o rendimento a potência máxima vale η=1Tc/Th\eta^\ast = 1 - \sqrt{T_c/T_h}. (d) Números para Th=800KT_h = 800\,\mathrm{K} e Tc=300KT_c = 300\,\mathrm{K}; compare com o Exercício 24.1.

Solução

Solução de Exercício 24.10.

(a) P=Q˙hQ˙c=K(Thx)K(yTc)P = \dot Q_h - |\dot Q_c| = K(T_h - x) - K(y - T_c); o núcleo reversível não troca entropia líquida: K(Thx)/x=K(yTc)/yK(T_h - x)/x = K(y - T_c)/y. (b) Multiplicando em cruz: y(Thx)=x(yTc)y(T_h - x) = x(y - T_c), logo y(Th2x)=xTcy(T_h - 2x) = -xT_c e y=xTc/(2xTh)y = xT_c/(2x - T_h). Então P=K(Thx)(1y/x)=K(Thx)(2xThTc)/(2xTh)P = K(T_h - x)(1 - y/x) = K(T_h - x)(2x - T_h - T_c)/(2x - T_h); com u=2xThu = 2x - T_h, Thx=(Thu)/2T_h - x = (T_h - u)/2 e P=K(Thu)(uTc)/(2u)=K2[(Th+Tc)uThTc/u]P = K(T_h - u)(u - T_c)/(2u) = \tfrac{K}{2}[(T_h + T_c) - u - T_hT_c/u]. (c)  ⁣dP/ ⁣du=K2(1+ThTc/u2)=0\dd P/\dd u = \tfrac K2(-1 + T_hT_c/u^2) = 0 em u=ThTcu = \sqrt{T_hT_c}, um máximo; então x=(Th+ThTc)/2x = (T_h + \sqrt{T_hT_c})/2, y=xTc/u=(ThTc+Tc)/2y = xT_c/u = (\sqrt{T_hT_c} + T_c)/2, e η=1y/x=1Tc(Th+Tc)/[Th(Th+Tc)]=1Tc/Th\eta^\ast = 1 - y/x = 1 - \sqrt{T_c}(\sqrt{T_h} + \sqrt{T_c})/[\sqrt{T_h}(\sqrt{T_h} + \sqrt{T_c})] = 1 - \sqrt{T_c/T_h}; Pmax=K2(ThTc)2P_{\max} = \tfrac K2(\sqrt{T_h} - \sqrt{T_c})^2. (d) η=10.375=0.39\eta^\ast = 1 - \sqrt{0.375} = 0.39, contra ηC=0.625\eta_C = 0.625: o 0.400.40 real do Exercício 24.1 é uma máquina construída para dar potência, e não rendimento.

Exercício 24.11 ★★★

Refrigerador por absorção. Uma máquina sem peças móveis toma o calor QhQ_h de um queimador a ThT_h, o calor QcQ_c de uma câmara fria a TcT_c, e rejeita calor para a sala a T0T_0 (Tc<T0<ThT_c < T_0 < T_h), sem trabalho algum. Mostre que Qc/Qh(1T0/Th)Tc/(T0Tc)Q_c/Q_h \leq \bigl(1 - T_0/T_h\bigr)\,T_c/(T_0 - T_c), interprete os dois fatores e calcule o limite para Th=400KT_h = 400\,\mathrm{K}, T0=300KT_0 = 300\,\mathrm{K}, Tc=275KT_c = 275\,\mathrm{K}.

Solução

Solução de Exercício 24.11.

Ciclo: Qh+Qc+Q0=0Q_h + Q_c + Q_0 = 0 e Qh/Th+Qc/Tc+Q0/T00Q_h/T_h + Q_c/T_c + Q_0/T_0 \leq 0. Elimine Q0=(Qh+Qc)Q_0 = -(Q_h + Q_c): Qh(1/Th1/T0)+Qc(1/Tc1/T0)0Q_h(1/T_h - 1/T_0) + Q_c(1/T_c - 1/T_0) \leq 0, isto é, Qc(T0Tc)/(TcT0)Qh(ThT0)/(ThT0)Q_c(T_0 - T_c)/(T_cT_0) \leq Q_h(T_h - T_0)/(T_hT_0), donde Qc/Qh(1T0/Th)Tc/(T0Tc)Q_c/Q_h \leq (1 - T_0/T_h)\,T_c/(T_0 - T_c). O primeiro fator é o rendimento de uma máquina de Carnot entre o queimador e a sala, e o segundo, o COP de um refrigerador de Carnot entre a câmara e a sala: o limite é o que se obtém acoplando os dois idealmente. Números: 0.25×11=2.750.25 \times 11 = 2.75 (nos refrigeradores de absorção reais: cerca de 0.60.6).

Exercício 24.12 ★★★

Aquecer com eletricidade, de três maneiras. A eletricidade é produzida numa usina térmica de rendimento 0.400.40. Por joule de calor do combustível, quanto calor chega a uma casa (a) por uma resistência, (b) por uma bomba de calor de ep=3.5e_p = 3.5, (c) se o combustível for queimado diretamente numa caldeira de rendimento 0.900.90? (d) O ideal: uma máquina reversível entre 800K800\,\mathrm{K} e 293K293\,\mathrm{K} acionando uma bomba de calor reversível entre 273K273\,\mathrm{K} e 293K293\,\mathrm{K} — quanto calor por joule de combustível, e por que a resposta é maior do que um sem contradizer nada?

Solução

Solução de Exercício 24.12.

(a) 0.40J0.40\,\mathrm{J}. (b) 0.40×3.5=1.4J0.40 \times 3.5 = 1.4\,\mathrm{J}. (c) 0.90J0.90\,\mathrm{J}. (d) Máquina η=1293/800=0.634\eta = 1 - 293/800 = 0.634, bomba ep=293/20=14.65e_p = 293/20 = 14.65: 0.634×14.65=9.3J0.634 \times 14.65 = 9.3\,\mathrm{J} (e os 0.37J0.37\,\mathrm{J} que a própria máquina rejeita a 293K293\,\mathrm{K} também poderiam aquecer a casa: 9.7J9.7\,\mathrm{J}). Mais do que um joule porque o resto é erguido do ar externo: a energia se conserva, e a segunda lei só pede que a entropia não seja destruída, coisa que uma cadeia reversível respeita exatamente.

Uma bomba de calor com captação no ar, no inverno: ela tira calor do ar externo frio e entrega à casa três a quatro vezes a energia elétrica que consome — é o problema de fim de semana.
Uma bomba de calor com captação no ar, no inverno: ela tira calor do ar externo frio e entrega à casa três a quatro vezes a energia elétrica que consome — é o problema de fim de semana.

24.8 Problema: a bomba de calor da casa

Problema 24.1

Problema de fim de semana — aquecer uma casa durante um inverno: a conta com resistências, com gás, com uma bomba de calor ideal e com uma real, e para onde vai a eletricidade da real

Uma casa perde calor à taxa K(TinTout)K(T_{\mathrm{in}} - T_{\mathrm{out}}) com K=250W/KK = 250\,\mathrm{W}/\mathrm{K}; ela é mantida a Tin=20CT_{\mathrm{in}} = 20{}^{\circ}\mathrm{C}. Temperatura externa de projeto: 5C-5{}^{\circ}\mathrm{C}; estação de aquecimento: 200200 dias com temperatura externa média de 7C7{}^{\circ}\mathrm{C}. Preços: eletricidade 0.25 € por kWh\mathrm{kW}\mathrm{h}, gás 0.10 € por kWh\mathrm{kW}\mathrm{h}; 1kWh=3.6MJ1\,\mathrm{kW}\mathrm{h} = 3.6\,\mathrm{MJ}.

Parte I — A casa e os meios antigos.

  1. Potência de aquecimento necessária na temperatura de projeto.
  2. Energia necessária ao longo da estação, em joules e em kWh\mathrm{kW}\mathrm{h}.
  3. Custo da estação com resistências elétricas.
  4. Custo com uma caldeira a gás de rendimento 0.900.90.
  5. A eletricidade vem de uma usina térmica de rendimento 0.400.40. Energia de combustível consumida, por estação, pelas resistências e pela caldeira; comente a frase “o aquecimento elétrico é um desperdício termodinâmico”.

Parte II — A bomba de calor ideal.

  1. Defina epe_p e demonstre, a partir das duas leis num ciclo, que epTin/(TinTout)e_p \leq T_{\mathrm{in}}/(T_{\mathrm{in}} - T_{\mathrm{out}}).
  2. epe_p ideal na temperatura de projeto e a potência elétrica então necessária.
  3. epe_p ideal na temperatura média da estação e (tomando esse valor para toda a estação) a eletricidade sazonal.
  4. Explique fisicamente por que epe_p cai quando a temperatura externa cai, e por que esse é o pior comportamento possível para um aparelho de aquecimento.
  5. No ponto de projeto a bomba ideal consome 0.53kW0.53\,\mathrm{kW} e fornece 6.25kW6.25\,\mathrm{kW}: de onde vêm os outros 5.7kW5.7\,\mathrm{kW}, e por que esfriar o ar externo frio para aquecer uma casa quente não viola a segunda lei?

Parte III — A máquina real. A bomba funciona num ciclo de compressão de vapor. O fluido refrigerante evapora a Tev=Tout8KT_{\mathrm{ev}} = T_{\mathrm{out}} - 8\,\mathrm{K} e condensa a Tcd=313KT_{\mathrm{cd}} = 313\,\mathrm{K} (a água de um circuito de piso aquecido circula a 35C35{}^{\circ}\mathrm{C}); a máquina atinge 0.550.55 do valor de Carnot calculado entre TevT_{\mathrm{ev}} e TcdT_{\mathrm{cd}}. Calor latente do fluido refrigerante: L=200kJ/kgL = 200\,\mathrm{kJ}/\mathrm{kg}.

  1. Nomeie os quatro componentes do ciclo, diga em qual deles o fluido recebe QcQ_c, cede Qh|Q_h| e recebe WW, e por que o evaporador tem de ser mais frio que o ar externo e o condensador mais quente que a casa.
  2. Na temperatura de projeto: TevT_{\mathrm{ev}} e o epe_p de Carnot entre TevT_{\mathrm{ev}} e TcdT_{\mathrm{cd}}.
  3. epe_p real, potência elétrica consumida e calor tirado do ar externo, na temperatura de projeto.
  4. Vazão mássica de fluido refrigerante através do evaporador.
  5. As mesmas perguntas (epe_p real, potência elétrica) na temperatura média de 7C7{}^{\circ}\mathrm{C}, em que a casa perde 3.25kW3.25\,\mathrm{kW}.
  6. epe_p em função de ToutT_{\mathrm{out}}; eletricidade e custo sazonais, tomando para a estação o epe_p da temperatura média. Compare com a Parte I.
  7. Energia de combustível consumida na usina para a estação com bomba de calor; compare com as resistências e com a caldeira.
  8. Uma onda de frio a 15C-15{}^{\circ}\mathrm{C}: demanda de calor, epe_p real, potência elétrica se a bomba pudesse fornecê-la. A capacidade do compressor de fato cai com TevT_{\mathrm{ev}} e a bomba só consegue fornecer 3.8kW3.8\,\mathrm{kW} ali: potência das resistências de apoio necessária, e o sentido de “dimensionar uma bomba de calor”.
  9. Se a casa tivesse radiadores antigos que exigem água a 60C60{}^{\circ}\mathrm{C} (Tcd=338KT_{\mathrm{cd}} = 338\,\mathrm{K}): epe_p real e potência elétrica na temperatura de projeto; conclua sobre a escolha dos emissores.

Parte IV — Para onde vai a eletricidade.

  1. Mostre que, para uma bomba de calor que fornece Qh|Q_h| à casa a TinT_{\mathrm{in}} a partir do ar externo a ToutT_{\mathrm{out}}, W=Qh(1Tout/Tin)+ToutScreatedW = |Q_h|(1 - T_{\mathrm{out}}/T_{\mathrm{in}}) + T_{\mathrm{out}}S_{\mathrm{created}}.
  2. No ponto de projeto, entropia criada por segundo pela transferência de calor no condensador (de 313K313\,\mathrm{K} à casa) e no evaporador (do ar externo a 260K260\,\mathrm{K}).
  3. Potência elétrica que essas duas diferenças de temperatura custam; fração dos 1.92kW1.92\,\mathrm{kW} consumidos.
  4. Entropia total criada por segundo pela máquina real (compare os seus 1.92kW1.92\,\mathrm{kW} com os 0.53kW0.53\,\mathrm{kW} ideais); parcela dos trocadores; cite as outras fontes.
  5. Reduza à metade as duas diferenças (4K4\,\mathrm{K} e 10K10\,\mathrm{K}): entropia criada nos trocadores e potência elétrica economizada; o que custa ao projetista reduzir uma diferença à metade?
  6. Resuma em três números: quilowatt-horas de calor por quilowatt-hora de eletricidade ao longo da estação; custo sazonal contra o do gás; e, com a eletricidade a 60g60\,\mathrm{g} de CO2_2 por kWh\mathrm{kW}\mathrm{h} e o gás a 200g200\,\mathrm{g}, o carbono emitido por cada via.
Solução

Solução de Problema 24.1.

1. P=250×25=6.25kWP = 250 \times 25 = 6.25\,\mathrm{kW}.

2. Perda média 250×13=3.25kW250 \times 13 = 3.25\,\mathrm{kW} durante 200×86400=1.73×107s200 \times 86400 = 1.73 \times 10^{7}\,\mathrm{s}: E=5.6×1010J=15600kWhE = 5.6 \times 10^{10}\,\mathrm{J} = 15\,600\,\mathrm{kW}\mathrm{h}.

3. 15600×0.25=390015600 \times 0.25 = 3900 €.

4. Gás 15600/0.90=17300kWh15600/0.90 = 17\,300\,\mathrm{kW}\mathrm{h}: 17301730 €.

5. Resistências: 15600/0.40=39000kWh15600/0.40 = 39\,000\,\mathrm{kW}\mathrm{h} de combustível; caldeira 17300kWh17\,300\,\mathrm{kW}\mathrm{h}: 2.252.25 vezes menos. A eletricidade é trabalho, a forma que pode fazer qualquer coisa; transformá-la em calor a 20C20{}^{\circ}\mathrm{C} numa resistência descarta os 60%60\% do combustível já perdidos na usina e a possibilidade de bombear calor.

6. Ao longo de um ciclo W+Qh+Qc=0W + Q_h + Q_c = 0 e Qh/Tin+Qc/Tout0Q_h/T_{\mathrm{in}} + Q_c/T_{\mathrm{out}} \leq 0 com Qh<0Q_h < 0, Qc>0Q_c > 0: QcQhTout/TinQ_c \leq |Q_h|T_{\mathrm{out}}/T_{\mathrm{in}}, logo W=QhQcQh(1Tout/Tin)W = |Q_h| - Q_c \geq |Q_h|(1 - T_{\mathrm{out}}/T_{\mathrm{in}}) e ep=Qh/WTin/(TinTout)e_p = |Q_h|/W \leq T_{\mathrm{in}}/(T_{\mathrm{in}} - T_{\mathrm{out}}).

7. 293/25=11.7293/25 = 11.7; 6.25/11.7=0.53kW6.25/11.7 = 0.53\,\mathrm{kW}.

8. 293/13=22.5293/13 = 22.5; 15600/22.5=690kWh15600/22.5 = 690\,\mathrm{kW}\mathrm{h} (cerca de 170170 €).

9. O trabalho por joule erguido vale (TinTout)/Tin(T_{\mathrm{in}} - T_{\mathrm{out}})/ T_{\mathrm{in}}, a “altura” do levantamento; quanto mais frio lá fora, mais alto cada joule tem de ser bombeado — e mais joules são precisos, pois a perda também é proporcional a TinToutT_{\mathrm{in}} - T_{\mathrm{out}}: a potência elétrica cresce com o quadrado da diferença de temperatura, e é pior justamente quando o aquecimento mais importa.

10. Do ar externo, que é esfriado: Qc=6.250.53=5.7kWQ_c = 6.25 - 0.53 = 5.7\,\mathrm{kW}. A segunda lei proíbe o calor de escoar espontaneamente do frio para o quente; aqui o trabalho paga o levantamento. Verificação: entropia tirada do ar 5.72/268=21.3W/K5.72/268 = 21.3\,\mathrm{W}/\mathrm{K}, entropia cedida à casa 6.25/293=21.3W/K6.25/293 = 21.3\,\mathrm{W}/\mathrm{K} — nada destruído, nada criado: é a bomba ideal.

11. Compressor (recebe WW), condensador (cede Qh|Q_h|), válvula de expansão (nenhum dos dois), evaporador (recebe QcQ_c). O calor só escoa descendo uma rampa de temperatura: o fluido refrigerante tem de ser mais frio que o ar para tirar calor dele e mais quente que a água da casa para lhe ceder calor.

12. Tev=2688=260KT_{\mathrm{ev}} = 268 - 8 = 260\,\mathrm{K}; ep,C=313/(313260)=5.9e_{p,C} = 313/(313 - 260) = 5.9.

13. ep=0.55×5.9=3.25e_p = 0.55 \times 5.9 = 3.25; W=6.25/3.25=1.92kWW = 6.25/3.25 = 1.92\,\mathrm{kW}; Qc=6.251.92=4.33kWQ_c = 6.25 - 1.92 = 4.33\,\mathrm{kW} vindos do ar.

14. m˙=4330/200000=22g/s\dot m = 4330/200000 = 22\,\mathrm{g}/\mathrm{s}, 1.3kg1.3\,\mathrm{kg} por minuto.

15. Tev=272KT_{\mathrm{ev}} = 272\,\mathrm{K}, 313/41=7.6313/41 = 7.6, ep=4.2e_p = 4.2; W=3.25/4.2=0.77kWW = 3.25/4.2 = 0.77\,\mathrm{kW}.

16. ep=0.55×313/(321Tout)=172/(321Tout)e_p = 0.55 \times 313/(321 - T_{\mathrm{out}}) = 172/(321 - T_{\mathrm{out}}) (com ToutT_{\mathrm{out}} em kelvin). Estação: 15600/4.2=3700kWh15600/4.2 = 3700\,\mathrm{kW}\mathrm{h}, 930930 € — contra 39003900 com resistências e 17301730 com gás.

17. 3700/0.40=9300kWh3700/0.40 = 9300\,\mathrm{kW}\mathrm{h} de combustível: 46%46\% menos que a caldeira e quatro vezes menos que as resistências, mesmo passando por uma usina de 40%40\%.

18. Demanda 250×35=8.75kW250 \times 35 = 8.75\,\mathrm{kW}; Tev=250KT_{\mathrm{ev}} = 250\,\mathrm{K}, 313/63=5.0313/63 = 5.0, ep=2.7e_p = 2.7, W=3.2kWW = 3.2\,\mathrm{kW} se ela conseguisse. Capacidade 3.8kW3.8\,\mathrm{kW}: apoio de 8.753.85kW8.75 - 3.8 \approx 5\,\mathrm{kW} de resistências. Uma bomba dimensionada para a hora mais fria ficaria superdimensionada — e ligando e desligando sem eficiência — o inverno inteiro; dimensiona-se para a temperatura de projeto e deixa-se uma resistência barata cobrir o extremo raro.

19. 338/(338260)=4.33338/(338 - 260) = 4.33, ep=2.4e_p = 2.4, W=6.25/2.4=2.6kWW = 6.25/2.4 = 2.6\,\mathrm{kW}: 36%36\% mais eletricidade do que com o piso a 35C35{}^{\circ}\mathrm{C}. Os emissores de baixa temperatura são metade da instalação.

20. Entropia ao longo de um ciclo: Qh/Tin+Qc/Tout+Screated=0Q_h/T_{\mathrm{in}} + Q_c/T_{\mathrm{out}} + S_{\mathrm{created}} = 0Qc=ToutQh/TinToutScreatedQ_c = T_{\mathrm{out}}|Q_h|/T_{\mathrm{in}} - T_{\mathrm{out}}S_{\mathrm{created}}; substitua em W=QhQcW = |Q_h| - Q_c.

21. Condensador: 6250(1/2931/313)=1.36W/K6250\,(1/293 - 1/313) = 1.36\,\mathrm{W}/\mathrm{K}; evaporador: 4330(1/2601/268)=0.50W/K4330\,(1/260 - 1/268) = 0.50\,\mathrm{W}/\mathrm{K}.

22. 268×1.86=0.50kW268 \times 1.86 = 0.50\,\mathrm{kW}: um quarto dos 1.92kW1.92\,\mathrm{kW}.

23. (1.920.53)/268=5.2W/K(1.92 - 0.53)/268 = 5.2\,\mathrm{W}/\mathrm{K}; os trocadores respondem por 36%36\%; o resto vem do compressor (atrito, compressão não isentrópica, perdas do motor), do estrangulamento na válvula (uma expansão livre), das perdas de carga e dos ventiladores.

24. Tcd=303KT_{\mathrm{cd}} = 303\,\mathrm{K}, Tev=264KT_{\mathrm{ev}} = 264\,\mathrm{K}: condensador 6250(1/2931/303)=0.70W/K6250\,(1/293 - 1/303) = 0.70\,\mathrm{W}/\mathrm{K}, evaporador 4330(1/2641/268)=0.25W/K4330\,(1/264 - 1/268) = 0.25\,\mathrm{W}/\mathrm{K}: 0.95W/K0.95\,\mathrm{W}/\mathrm{K} em vez de 1.861.86, isto é, 268×0.910.25kW268 \times 0.91 \approx 0.25\,\mathrm{kW} economizados (13%13\%; a máquina inteira, avaliada a 0.550.55 de um valor de Carnot melhor, ganharia mais). Reduzir uma diferença à metade significa dobrar a superfície de troca: trocadores maiores, mais caros e mais potência de ventilação.

25. 15600/3700=4.215600/3700 = 4.2 quilowatt-horas de calor por quilowatt-hora de eletricidade; 930930 € contra 17301730 do gás; carbono: 3700×0.060=220kg3700 \times 0.060 = 220\,\mathrm{kg} contra 17300×0.20=3500kg17300 \times 0.20 = 3500\,\mathrm{kg} — quinze vezes menos.

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