Física universitária — 1.º ano · Bachelor Year 1
24Máquinas térmicas
O motor de um carro, uma usina elétrica, uma geladeira e uma bomba de calor são o mesmo objeto visto de quatro lados: um fluido levado por um ciclo, em contato alternadamente com uma fonte quente e uma fria, trocando calor com as duas e trabalho com um eixo. A primeira lei faz a contabilidade da energia; a segunda, pelo balanço de entropia ao longo de um ciclo, fixa o limite que nenhuma esperteza vence — o teorema de Carnot, a desigualdade de maiores consequências de toda a engenharia. Este capítulo deduz esse limite, calcula o ciclo ideal e os ciclos reais que dele se aproximam (Otto, Diesel, Stirling), inverte a máquina para fazer frio e para aquecer casas, e mostra como a entropia criada por uma máquina real é paga, joule a joule, em trabalho perdido.
24.1 Máquinas cíclicas e as duas leis
Definição 24.1 (Máquina termodinâmica)
Uma máquina termodinâmica é um sistema fechado (o fluido de trabalho) levado por um ciclo, de modo que ele volta periodicamente ao mesmo estado, enquanto troca trabalho com o exterior e calor com fontes às temperaturas — os termostatos, cuja temperatura a troca não altera. Uma máquina ditérmica usa dois termostatos, a fonte quente a e a fonte fria a . Ela é uma máquina motriz se fornece trabalho (), um refrigerador se é acionada () para tirar calor da fonte fria, e uma bomba de calor se é acionada para ceder calor à fonte quente. Todas as grandezas são contadas ao longo de um ciclo, algebricamente, como recebidas pelo fluido.
Teorema 24.2 (As duas leis num ciclo; desigualdade de Clausius)
Ao longo de um ciclo de uma máquina ditérmica,
com igualdade na segunda relação se e somente se o ciclo for reversível. Mais geralmente, para um número qualquer de termostatos, (desigualdade de Clausius).
Demonstração. e são funções de estado, logo e ao longo de um ciclo. A primeira lei dá ; o balanço de entropia (Teorema 23.1) dá com , pois cada termostato troca à sua própria temperatura fixa (Proposição 23.5). ∎
Corolário 24.3 (Kelvin de novo)
Uma máquina monotérmica () tem , donde : nenhum ciclo pode converter em trabalho o calor de uma única fonte. Um navio não pode navegar esfriando o mar — uma máquina motriz precisa de uma fonte fria onde rejeitar calor, e a segunda lei diz quanto ela tem de rejeitar.
24.2 O teorema de Carnot
Definição 24.4 (Rendimento e coeficientes de desempenho)
O rendimento de uma máquina motriz é o trabalho fornecido por unidade de calor tomado da fonte quente, ; o coeficiente de desempenho (COP) de um refrigerador é o frio produzido por unidade de trabalho, ; o de uma bomba de calor é o calor cedido por unidade de trabalho, . Cada um é a razão entre “o que se quer” e “o que se paga”; um rendimento vale no máximo 1, mas um COP pode passar de 1.
Teorema 24.5 (Carnot)
Entre termostatos ,
com igualdade se e somente se o ciclo for reversível. Os limites dependem só das temperaturas — não do fluido, não do mecanismo.
Demonstração. Para uma máquina motriz (): , e a desigualdade de Clausius dá . Para um refrigerador (, ): com , logo e . Para a bomba de calor, . A igualdade é o caso reversível em toda parte. ∎
Exemplo 24.6 (Três números)
Uma turbina a vapor entre e um rio a : ; as usinas reais chegam a uns . Uma geladeira doméstica entre dentro e uma cozinha a : ; as máquinas reais dão a . Uma bomba de calor que aquece uma casa a a partir do ar a : ; as bombas reais dão a — ainda assim, três a cinco vezes o que a mesma eletricidade daria numa resistência (Problema 24.1).
Observação 24.7 (Por que o rendimento não pode ser 1)
Uma máquina motriz recebe a entropia com o calor que toma; o trabalho não leva nenhuma embora; a única saída é o calor rejeitado à fonte fria, que leva . Como a entropia não pode ser destruída, pelo menos de calor tem de ser jogado fora, e o trabalho é o que sobra. Quanto mais baixa a fonte fria e mais alta a quente, melhor — daí as torres de resfriamento e a busca de pás de turbina cada vez mais quentes.
24.3 O ciclo de Carnot
Definição 24.8 (Ciclo de Carnot)
O ciclo de Carnot é o ciclo ditérmico reversível: duas isotermas reversíveis, a (em contato com a fonte quente) e a (com a fria), ligadas por dois trechos adiabáticos reversíveis (isentrópicos, sem fonte em contato). Percorrido no sentido horário no plano ele é uma máquina motriz; no sentido anti-horário, um refrigerador ou uma bomba de calor. No diagrama entrópico ele é um retângulo.
Proposição 24.9 (Ciclo de Carnot de um gás perfeito)
Para mols de gás perfeito levados por (isoterma , expansão), (adiabática), (isoterma , compressão), (adiabática):
o valor de Carnot — como tem de ser para qualquer ciclo ditérmico reversível.
Demonstração. Numa isoterma , logo . Nas adiabáticas é constante: e , donde e . Então . ∎
Observação 24.10 (O ciclo de Carnot é um teorema, não um motor)
As isotermas reversíveis exigem uma transferência de calor infinitamente lenta através de uma diferença de temperatura que tende a zero: uma máquina de Carnot fornece o seu trabalho máximo com potência nula. As máquinas reais trocam rendimento por potência aceitando diferenças finitas de temperatura nos seus trocadores (Exercício 24.10); o valor de Carnot continua sendo o teto com que todo projeto é comparado.
24.4 Ciclos de máquinas reais
Proposição 24.11 (Ciclo Otto)
O motor a gasolina idealizado leva o ar () por: compressão adiabática de a (taxa de compressão ); aquecimento isocórico (a combustão); expansão adiabática de volta a ; resfriamento isocórico (o escapamento). O seu rendimento vale
Demonstração. O calor só é trocado nas isocóricas: e . Nas adiabáticas é constante: e , logo e . ∎
Exemplo 24.12 (Números para um motor a gasolina)
, : e . Um motor real dá uns : a combustão não é instantânea, o gás não é perfeito a , o calor foge para as paredes, e o atrito e o bombeamento cobram a sua parte. Aumentar ajuda — até que a mistura ar–combustível se acenda sozinha no fim da compressão (a detonação); o motor diesel transforma esse vício no seu princípio.
Proposição 24.13 (Ciclo Diesel)
Substitua o aquecimento isocórico do ciclo Otto por um isobárico, de a (razão de corte ): o combustível injetado no ar já quente por uma taxa de compressão de a queima à medida que chega. Então
menor que o valor de Otto para o mesmo , mas atingido com muito maiores, e por isso maior na prática ( a nos motores grandes).
Demonstração. , , logo . Com , e, na adiabática (), : . ∎
Proposição 24.14 (Ciclo Stirling e o regenerador)
Duas isotermas (, ) ligadas por duas isocóricas. O calor dos trechos isocóricos, , é igual e de sinais opostos; se ele for armazenado no trecho de resfriamento num regenerador (uma massa porosa através da qual o gás escoa) e devolvido no trecho de aquecimento, só as isotermas trocam com as fontes, e : o motor Stirling é um motor de Carnot em tudo menos na forma do seu ciclo. Sem o regenerador o calor das isocóricas tem de vir da fonte quente e , bem menor (Exercício 24.8).
Demonstração. Nas isotermas e , logo assim que os calores isocóricos se cancelam; divida pelo calor efetivamente tirado da fonte quente em cada caso. ∎
Observação 24.15 (Turbinas a vapor e a gás)
As usinas elétricas não usam um gás num cilindro, mas água fervida, expandida através de uma turbina, condensada e bombeada de volta (o ciclo Rankine, com duas mudanças de fase — Capítulo 25), ou ar comprimido, aquecido pela combustão e expandido numa turbina a gás (o ciclo Brayton, duas adiabáticas e duas isobáricas). A sua análise exige o balanço de energia de um fluido em escoamento, dado no volume do segundo ano; o limite de Carnot e a lógica deste capítulo se aplicam sem mudança.
24.5 Refrigeradores e bombas de calor
Definição 24.16 (Ciclo de compressão de vapor)
Quase toda geladeira, congelador, ar-condicionado e bomba de calor faz um fluido refrigerante circular por quatro componentes: um compressor (recebe o trabalho e eleva a pressão do vapor), um condensador (o vapor quente se liquefaz a alta pressão, liberando para o lado quente), uma válvula de expansão (o líquido cai à baixa pressão sem trabalho nem calor, e em parte vira vapor) e um evaporador (o resto ferve a baixa pressão, absorvendo do lado frio). O calor é transportado como calor latente de vaporização, e as duas pressões fixam as duas temperaturas de ebulição (Capítulo 25).
Proposição 24.17 (O preço das diferenças de temperatura)
Uma máquina reversível que trabalha entre as suas próprias temperaturas internas e tem , menor que o valor de Carnot entre as fontes; uma máquina real atinge uma fração (tipicamente a ) até mesmo desse valor. O desempenho de uma bomba de calor cai, portanto, quando a temperatura externa baixa e quando a temperatura exigida pelo circuito de aquecimento sobe.
Demonstração. Aplique o Teorema 24.5 ao fluido, cujos termostatos são, de fato, as temperaturas dos trocadores; baixa a razão. ∎
Exemplo 24.18 (Bomba de calor ou resistência?)
Uma casa que perde com lá fora precisa de de eletricidade com resistências; uma bomba de calor ideal de a precisaria de ; uma real com temperaturas de trocador de e e um fator de qualidade , , precisa de . O problema de fim de semana percorre a estação inteira, entropia incluída.
24.6 Entropia e trabalho perdido
Teorema 24.19 (Trabalho perdido)
Uma máquina motriz ditérmica que cria a entropia por ciclo fornece
e uma bomba de calor ditérmica que fornece consome : cada joule por kelvin criado custa joules de trabalho, sendo a temperatura da fonte fria a taxa de câmbio entre entropia e trabalho.
Demonstração. Pelo Teorema 24.2, ; substitua em . Para a bomba, escreva as mesmas duas relações com . ∎
Método 24.20 (Auditar uma máquina)
Meça (ou calcule) os calores trocados com cada fonte e o trabalho; verifique a primeira lei; calcule por ciclo ou por segundo; a potência perdida vale ; localize a criação (diferenças finitas de temperatura nos trocadores, atrito, estrangulamento, compressão não quase-estática) aplicando o balanço de entropia a cada componente, um a um. Um componente que não cria entropia não vale a pena melhorar.
Exemplo 24.21 (A auditoria de uma usina)
Fonte quente , rio , de eletricidade a : , , logo e a potência perdida vale : exatamente o intervalo entre a produção de Carnot e o real. O rio esquenta com os que tem de levar embora; no verão, quando ele está quente e baixo, as usinas reduzem a carga.
24.7 Exercícios
Exercício 24.1 ★
Uma usina toma calor a e o rejeita num rio a . Rendimento de Carnot; se o rendimento real é e a produção elétrica é , calor tomado do combustível e calor rejeitado no rio por segundo.
Solução
Solução de Exercício 24.1.
. A : vindos do combustível, para o rio — joga-se fora mais calor do que se vende.
Exercício 24.2 ★
Uma geladeira mantém o seu interior a numa cozinha a . Coeficiente de desempenho máximo; com um COP real de , potência elétrica necessária para retirar os que entram pelas paredes.
Solução
Solução de Exercício 24.2.
. Com : (e vão para a cozinha).
Exercício 24.3 ★
Rendimento ideal de um ciclo Otto com e ; e com (um motor moderno de injeção direta). Por que não ?
Solução
Solução de Exercício 24.3.
: , ; : , . Com a mistura gasolina–ar, comprimida a cerca de , se acenderia antes da faísca (detonação), destruindo o motor; só o diesel, que comprime ar puro, pode ir até lá.
Exercício 24.4 ★
Uma bomba de calor aquece uma casa a a partir do ar externo a . máximo; potência elétrica para uma demanda de aquecimento de com essa bomba ideal e com uma real de ; compare com uma resistência.
Solução
Solução de Exercício 24.4.
: potência ideal ; real, ; resistência, .
Exercício 24.5 ★★
Um mol de gás perfeito () percorre um ciclo de Carnot entre e ; a isoterma quente o leva de a . Calcule , , , , e verifique o rendimento.
Solução
Solução de Exercício 24.5.
Adiabáticas: , (logo ). , , , .
Exercício 24.6 ★★
Um inventor afirma ter uma máquina cíclica que toma por ciclo de uma fonte a , rejeita numa fonte a e fornece de trabalho. É possível? Entropia criada por ciclo. Um segundo inventor afirma tirar de trabalho dos mesmos , rejeitando . É possível? Qual é o máximo de trabalho que alguém pode tirar desses ?
Solução
Solução de Exercício 24.6.
Primeira alegação: a energia fecha, ; Clausius , logo : possível (). Segunda: : seria preciso destruir entropia — impossível. Máximo: , isto é, .
Exercício 24.7 ★★
Ciclo Diesel com , , : rendimento; compare com um ciclo Otto de mesmo e com o ciclo Otto a . Por que o diesel pode usar um tão grande?
Solução
Solução de Exercício 24.7.
; : . Otto com : ; com : . O diesel comprime ar puro: não há combustível presente para pré-acender, e o combustível, injetado em ar a , queima ao entrar — o limite da detonação não existe.
Exercício 24.8 ★★
Ciclo Stirling de um mol de gás diatômico () entre e com uma razão de volumes . Trabalho por ciclo; rendimento com um regenerador perfeito e sem regenerador.
Solução
Solução de Exercício 24.8.
, : por ciclo. Com o regenerador . Sem ele, a fonte quente tem também de fornecer : .
Exercício 24.9 ★★
Dois blocos idênticos de capacidade térmica a e são usados como fontes de uma máquina até chegarem a uma temperatura comum . Mostre que o trabalho máximo se obtém com uma máquina reversível, que então , e calcule . Que se teria se os blocos fossem simplesmente postos em contato, e qual é a entropia então criada?
Solução
Solução de Exercício 24.9.
Entropia dos dois blocos: (a entropia da própria máquina volta ao seu valor a cada ciclo), logo , e (primeira lei) é máximo para o menor : o caso reversível, , . Contato direto: , nenhum trabalho, .
Exercício 24.10 ★★★
Máquina a potência máxima. Uma máquina reversível trabalha entre temperaturas internas e , e troca calor com as fontes através de trocadores de condutância : e . (a) Escreva a potência e a condição de entropia do núcleo reversível. (b) Mostre que e que com . (c) Maximize em e mostre que o rendimento a potência máxima vale . (d) Números para e ; compare com o Exercício 24.1.
Solução
Solução de Exercício 24.10.
(a) ; o núcleo reversível não troca entropia líquida: . (b) Multiplicando em cruz: , logo e . Então ; com , e . (c) em , um máximo; então , , e ; . (d) , contra : o real do Exercício 24.1 é uma máquina construída para dar potência, e não rendimento.
Exercício 24.11 ★★★
Refrigerador por absorção. Uma máquina sem peças móveis toma o calor de um queimador a , o calor de uma câmara fria a , e rejeita calor para a sala a (), sem trabalho algum. Mostre que , interprete os dois fatores e calcule o limite para , , .
Solução
Solução de Exercício 24.11.
Ciclo: e . Elimine : , isto é, , donde . O primeiro fator é o rendimento de uma máquina de Carnot entre o queimador e a sala, e o segundo, o COP de um refrigerador de Carnot entre a câmara e a sala: o limite é o que se obtém acoplando os dois idealmente. Números: (nos refrigeradores de absorção reais: cerca de ).
Exercício 24.12 ★★★
Aquecer com eletricidade, de três maneiras. A eletricidade é produzida numa usina térmica de rendimento . Por joule de calor do combustível, quanto calor chega a uma casa (a) por uma resistência, (b) por uma bomba de calor de , (c) se o combustível for queimado diretamente numa caldeira de rendimento ? (d) O ideal: uma máquina reversível entre e acionando uma bomba de calor reversível entre e — quanto calor por joule de combustível, e por que a resposta é maior do que um sem contradizer nada?
Solução
Solução de Exercício 24.12.
(a) . (b) . (c) . (d) Máquina , bomba : (e os que a própria máquina rejeita a também poderiam aquecer a casa: ). Mais do que um joule porque o resto é erguido do ar externo: a energia se conserva, e a segunda lei só pede que a entropia não seja destruída, coisa que uma cadeia reversível respeita exatamente.
24.8 Problema: a bomba de calor da casa
Problema 24.1
Problema de fim de semana — aquecer uma casa durante um inverno: a conta com resistências, com gás, com uma bomba de calor ideal e com uma real, e para onde vai a eletricidade da real
Uma casa perde calor à taxa com ; ela é mantida a . Temperatura externa de projeto: ; estação de aquecimento: dias com temperatura externa média de . Preços: eletricidade 0.25 € por , gás 0.10 € por ; .
Parte I — A casa e os meios antigos.
- Potência de aquecimento necessária na temperatura de projeto.
- Energia necessária ao longo da estação, em joules e em .
- Custo da estação com resistências elétricas.
- Custo com uma caldeira a gás de rendimento .
- A eletricidade vem de uma usina térmica de rendimento . Energia de combustível consumida, por estação, pelas resistências e pela caldeira; comente a frase “o aquecimento elétrico é um desperdício termodinâmico”.
Parte II — A bomba de calor ideal.
- Defina e demonstre, a partir das duas leis num ciclo, que .
- ideal na temperatura de projeto e a potência elétrica então necessária.
- ideal na temperatura média da estação e (tomando esse valor para toda a estação) a eletricidade sazonal.
- Explique fisicamente por que cai quando a temperatura externa cai, e por que esse é o pior comportamento possível para um aparelho de aquecimento.
- No ponto de projeto a bomba ideal consome e fornece : de onde vêm os outros , e por que esfriar o ar externo frio para aquecer uma casa quente não viola a segunda lei?
Parte III — A máquina real. A bomba funciona num ciclo de compressão de vapor. O fluido refrigerante evapora a e condensa a (a água de um circuito de piso aquecido circula a ); a máquina atinge do valor de Carnot calculado entre e . Calor latente do fluido refrigerante: .
- Nomeie os quatro componentes do ciclo, diga em qual deles o fluido recebe , cede e recebe , e por que o evaporador tem de ser mais frio que o ar externo e o condensador mais quente que a casa.
- Na temperatura de projeto: e o de Carnot entre e .
- real, potência elétrica consumida e calor tirado do ar externo, na temperatura de projeto.
- Vazão mássica de fluido refrigerante através do evaporador.
- As mesmas perguntas ( real, potência elétrica) na temperatura média de , em que a casa perde .
- Dê em função de ; eletricidade e custo sazonais, tomando para a estação o da temperatura média. Compare com a Parte I.
- Energia de combustível consumida na usina para a estação com bomba de calor; compare com as resistências e com a caldeira.
- Uma onda de frio a : demanda de calor, real, potência elétrica se a bomba pudesse fornecê-la. A capacidade do compressor de fato cai com e a bomba só consegue fornecer ali: potência das resistências de apoio necessária, e o sentido de “dimensionar uma bomba de calor”.
- Se a casa tivesse radiadores antigos que exigem água a (): real e potência elétrica na temperatura de projeto; conclua sobre a escolha dos emissores.
Parte IV — Para onde vai a eletricidade.
- Mostre que, para uma bomba de calor que fornece à casa a a partir do ar externo a , .
- No ponto de projeto, entropia criada por segundo pela transferência de calor no condensador (de à casa) e no evaporador (do ar externo a ).
- Potência elétrica que essas duas diferenças de temperatura custam; fração dos consumidos.
- Entropia total criada por segundo pela máquina real (compare os seus com os ideais); parcela dos trocadores; cite as outras fontes.
- Reduza à metade as duas diferenças ( e ): entropia criada nos trocadores e potência elétrica economizada; o que custa ao projetista reduzir uma diferença à metade?
- Resuma em três números: quilowatt-horas de calor por quilowatt-hora de eletricidade ao longo da estação; custo sazonal contra o do gás; e, com a eletricidade a de CO por e o gás a , o carbono emitido por cada via.
Solução
Solução de Problema 24.1.
1. .
2. Perda média durante : .
3. €.
4. Gás : €.
5. Resistências: de combustível; caldeira : vezes menos. A eletricidade é trabalho, a forma que pode fazer qualquer coisa; transformá-la em calor a numa resistência descarta os do combustível já perdidos na usina e a possibilidade de bombear calor.
6. Ao longo de um ciclo e com , : , logo e .
7. ; .
8. ; (cerca de €).
9. O trabalho por joule erguido vale , a “altura” do levantamento; quanto mais frio lá fora, mais alto cada joule tem de ser bombeado — e mais joules são precisos, pois a perda também é proporcional a : a potência elétrica cresce com o quadrado da diferença de temperatura, e é pior justamente quando o aquecimento mais importa.
10. Do ar externo, que é esfriado: . A segunda lei proíbe o calor de escoar espontaneamente do frio para o quente; aqui o trabalho paga o levantamento. Verificação: entropia tirada do ar , entropia cedida à casa — nada destruído, nada criado: é a bomba ideal.
11. Compressor (recebe ), condensador (cede ), válvula de expansão (nenhum dos dois), evaporador (recebe ). O calor só escoa descendo uma rampa de temperatura: o fluido refrigerante tem de ser mais frio que o ar para tirar calor dele e mais quente que a água da casa para lhe ceder calor.
12. ; .
13. ; ; vindos do ar.
14. , por minuto.
15. , , ; .
16. (com em kelvin). Estação: , € — contra com resistências e com gás.
17. de combustível: menos que a caldeira e quatro vezes menos que as resistências, mesmo passando por uma usina de .
18. Demanda ; , , , se ela conseguisse. Capacidade : apoio de de resistências. Uma bomba dimensionada para a hora mais fria ficaria superdimensionada — e ligando e desligando sem eficiência — o inverno inteiro; dimensiona-se para a temperatura de projeto e deixa-se uma resistência barata cobrir o extremo raro.
19. , , : mais eletricidade do que com o piso a . Os emissores de baixa temperatura são metade da instalação.
20. Entropia ao longo de um ciclo: dá ; substitua em .
21. Condensador: ; evaporador: .
22. : um quarto dos .
23. ; os trocadores respondem por ; o resto vem do compressor (atrito, compressão não isentrópica, perdas do motor), do estrangulamento na válvula (uma expansão livre), das perdas de carga e dos ventiladores.
24. , : condensador , evaporador : em vez de , isto é, economizados (; a máquina inteira, avaliada a de um valor de Carnot melhor, ganharia mais). Reduzir uma diferença à metade significa dobrar a superfície de troca: trocadores maiores, mais caros e mais potência de ventilação.
25. quilowatt-horas de calor por quilowatt-hora de eletricidade; € contra do gás; carbono: contra — quinze vezes menos.