Physics · Livro 3 · Bachelor Year 1

Física universitária — 1.º ano

Física universitária — 1.º ano · Bachelor Year 1

9Filtros e funções de transferência

Dentro de uma caixa acústica, uma bobina e um capacitor decidem, sem um único transistor, que os graves vão para o cone grande e os agudos para a cúpula pequena. O botão “AC” de um osciloscópio remove um nível contínuo que deriva devagar e conserva a ondulação sobre ele. Uma fonte de alimentação transforma uma rede retificada pulsante numa tensão estável com um único capacitor. Os três são filtros: circuitos lineares que tratam cada frequência de modo diferente. Como todo sinal periódico é uma soma de senoides, saber o que um circuito faz com cada senoide — a sua função de transferência — é saber o que ele faz com tudo. Este capítulo define as funções de transferência, traça os seus diagramas de Bode para os circuitos de primeira e segunda ordem dos capítulos anteriores e os usa para prever como uma onda quadrada sai de um filtro.

9.1 Função de transferência e diagrama de Bode

Definição 9.1 (Função de transferência)

Um circuito linear com uma tensão de entrada U‾e\underline U_e e uma tensão de saída U‾s\underline U_s (tomada com nada ligado à saída) tem a função de transferência

H‾(jω)=U‾sU‾e,G(ω)=∣H‾∣,φ(ω)=arg⁡H‾,\underline H(j\omega) = \frac{\underline U_s}{\underline U_e}, \qquad G(\omega) = \abs{\underline H}, \qquad \varphi(\omega) = \arg\underline H,

com o ganho GG (razão de amplitudes) e a defasagem φ\varphi da saída em relação à entrada. Um filtro é um circuito desses usado pela sua dependência com a frequência: uma senoide de amplitude EE em ω\omega sai como G(ω)Ecos⁡(ωt+φ(ω))G(\omega)E\cos(\omega t + \varphi(\omega)).

Definição 9.2 (Decibéis; diagrama de Bode)

O ganho em decibéis vale GdB=20log⁡10GG_{\mathrm{dB}} = 20\log_{10}G: um fator 1010 são 20 dB20\,\mathrm{dB}, um fator 22 são 6 dB6\,\mathrm{dB}, e 1/21/\sqrt2 são −3 dB-3\,\mathrm{dB}. O diagrama de Bode traça GdBG_{\mathrm{dB}} e φ\varphi contra log⁡10ω\log_{10}\omega (ou ff). A frequência de corte é aquela em que GG cai a Gmax⁡/2G_{\max}/\sqrt2 (−3 dB-3\,\mathrm{dB} em relação ao máximo); a banda passante é a faixa de frequências dentro de 3 dB3\,\mathrm{dB} do máximo. Uma década é um fator 1010 em frequência, e uma oitava um fator 22.

Método 9.3 (A natureza de um filtro num relance)

Antes de calcular, olhe os limites: em frequência muito baixa um capacitor é um circuito aberto e uma bobina é um fio; em frequência muito alta é o contrário. Substitua cada um e veja se a saída é a entrada (passa) ou zero (bloqueada). Passa o baixo e bloqueia o alto: passa-baixa; o contrário: passa-alta; bloqueia os dois: passa-faixa; passa os dois: rejeita-faixa. Depois calcule H‾\underline H por um divisor de tensão.

9.2 Filtros de primeira ordem

Proposição 9.4 (Passa-baixa de primeira ordem)

O divisor RC com saída em CC (ou o divisor RL com saída em RR) tem

H‾=11+jω/ωc,ωc=1RC (ou RL),G=11+(ω/ωc)2,φ=−arctan⁡ωωc.\underline H = \frac{1}{1 + j\omega/\omega_c}, \qquad \omega_c = \frac{1}{RC} \ \Big(\text{ou } \frac{R}{L}\Big), \qquad G = \frac{1}{\sqrt{1 + (\omega/\omega_c)^2}}, \qquad \varphi = -\arctan\frac{\omega}{\omega_c} .

Assíntotas de Bode: GdB=0G_{\mathrm{dB}} = 0 para ω≪ωc\omega \ll \omega_c, e uma reta que cai 20 dB20\,\mathrm{dB} por década para ω≫ωc\omega \gg \omega_c, encontrando-se em ωc\omega_c, onde a curva verdadeira vale −3 dB-3\,\mathrm{dB} e φ=−45∘\varphi = -45^\circ. Para ω≫ωc\omega \gg \omega_c, H‾≈ωc/(jω)\underline H \approx \omega_c/(j\omega): a saída é proporcional à integral da entrada — ali o filtro é um integrador.

Demonstração. Divisor de tensão:

H‾=1/jCωR+1/jCω=11+jRCω.\underline H = \frac{1/jC\omega}{R + 1/jC\omega} = \frac{1}{1 + jRC\omega} .

Bem acima do corte, 1+jω/ωc≈jω/ωc1 + j\omega/\omega_c \approx j\omega/\omega_c, e dividir uma amplitude complexa por jωj\omega é integrar (Proposição 8.3): us≈ωc∫ue  ⁣dtu_s \approx \omega_c\int u_e\,\dd t. E 20log⁡(ωc/ω)20\log(\omega_c/\omega) perde 20 dB20\,\mathrm{dB} a cada ω\omega dez vezes maior. ∎

Proposição 9.5 (Passa-alta de primeira ordem)

O divisor CR com saída em RR (ou LR com saída em LL) tem

H‾=jω/ωc1+jω/ωc,G=ω/ωc1+(ω/ωc)2,φ=π2−arctan⁡ωωc,\underline H = \frac{j\omega/\omega_c}{1 + j\omega/\omega_c}, \qquad G = \frac{\omega/\omega_c}{\sqrt{1 + (\omega/\omega_c)^2}}, \qquad \varphi = \frac{\pi}{2} - \arctan\frac{\omega}{\omega_c},

subindo 20 dB20\,\mathrm{dB} por década abaixo de ωc\omega_c, plano acima, com −3 dB-3\,\mathrm{dB} e +45∘+45^\circ em ωc\omega_c. Para ω≪ωc\omega \ll \omega_c, H‾≈jω/ωc\underline H \approx j\omega/\omega_c: a saída é proporcional à derivada da entrada.

Demonstração. H‾=R/(R+1/jCω)=jRCω/(1+jRCω)\underline H = R/(R + 1/jC\omega) = jRC\omega/(1 + jRC\omega); multiplicar por jωj\omega é derivar. ∎

Diagramas de Bode do passa-baixa (azul) e do passa-alta (vermelho) de primeira ordem: ganho em decibéis com as assíntotas (tracejadas) encontrando-se na frequência de corte, onde o ganho verdadeiro vale -3\, dB, e fase, que cruza 45 na frequência de corte. Diagramas de Bode do passa-baixa (azul) e do passa-alta (vermelho) de primeira ordem: ganho em decibéis com as assíntotas (tracejadas) encontrando-se na frequência de corte, onde o ganho verdadeiro vale -3\, dB, e fase, que cruza 45 na frequência de corte.
Diagramas de Bode do passa-baixa (azul) e do passa-alta (vermelho) de primeira ordem: ganho em decibéis com as assíntotas (tracejadas) encontrando-se na frequência de corte, onde o ganho verdadeiro vale −3 dB-3\,\mathrm{dB}, e fase, que cruza ∓45∘\mp45^\circ na frequência de corte.

Exemplo 9.6 (Acoplamento AC)

A entrada AC de um osciloscópio é um passa-alta com fc≈10 Hzf_c \approx 10\,\mathrm{Hz}: um sinal de 1 kHz1\,\mathrm{kHz} montado sobre um nível contínuo de 5 V5\,\mathrm{V} passa com −0.0002 dB-0.0002\,\mathrm{dB} e sem esse nível. Mas uma onda quadrada de 50 Hz50\,\mathrm{Hz} sai visivelmente distorcida — os seus patamares planos afundam — porque em 50 Hz50\,\mathrm{Hz} o filtro está apenas uma década acima do seu corte e os harmônicos baixos do sinal ficam defasados (Exercício 9.12).

9.3 Filtros de segunda ordem

Proposição 9.7 (O RLC série como três filtros)

Com x=ω/ω0x = \omega/\omega_0, ω0=1/LC\omega_0 = 1/\sqrt{LC} e Q=L/C/RQ = \sqrt{L/C}/R, o RLC série alimentado por U‾e\underline U_e dá, conforme o lugar de onde se toma a saída:

em C:H‾=11−x2+jx/Q,em R:H‾=jx/Q1−x2+jx/Q=11+jQ(x−1/x),em L:H‾=−x21−x2+jx/Q:\begin{align*} \text{em } C:&\quad \underline H = \frac{1}{1 - x^2 + jx/Q}, \\ \text{em } R:&\quad \underline H = \frac{jx/Q}{1 - x^2 + jx/Q} = \frac{1}{1 + jQ(x - 1/x)}, \\ \text{em } L:&\quad \underline H = \frac{-x^2}{1 - x^2 + jx/Q}: \end{align*}

um passa-baixa, um passa-faixa e um passa-alta de segunda ordem. Longe de ω0\omega_0 o passa-baixa e o passa-alta caem 40 dB40\,\mathrm{dB} por década, e o passa-faixa 20 dB20\,\mathrm{dB} por década de cada lado; o passa-faixa tem máximo 11 em ω0\omega_0 e a largura de banda Δω=ω0/Q\Delta\omega = \omega_0/Q do Teorema 8.9.

Demonstração. Divisores de tensão com a impedância total R+j(Lω−1/Cω)R + j(L\omega - 1/C\omega); multiplique numerador e denominador por jCωjC\omega e use LCω02=1LC\omega_0^2 = 1, RCω0=1/QRC\omega_0 = 1/Q. O passa-faixa é a ressonância em corrente do capítulo anterior, lida como uma tensão em RR. ∎

Proposição 9.8 (Passa-baixa de segunda ordem: o papel de QQ)

Para o passa-baixa, G=1/(1−x2)2+x2/Q2G = 1/\sqrt{(1 - x^2)^2 + x^2/Q^2}: para Q>1/2Q > 1/\sqrt2 o ganho sobe acima de 11 perto de ω0\omega_0 (ressonância, com pico ≈Q\approx Q para QQ grande); para Q=1/2Q = 1/\sqrt2 ele é “maximamente plano”, G=1/1+x4G = 1/\sqrt{1 + x^4}, exatamente −3 dB-3\,\mathrm{dB} em ω0\omega_0; para QQ menor ele cai antes da hora. A fase vai de 00 a −π-\pi, passando por −π/2-\pi/2 em ω0\omega_0.

Demonstração. (1−x2)2+x2/Q2=1+x4+x2(1/Q2−2)(1 - x^2)^2 + x^2/Q^2 = 1 + x^4 + x^2(1/Q^2 - 2): o termo do meio se anula para Q2=12Q^2 = \tfrac12, é negativo (pico) acima e positivo (queda) abaixo; o comportamento perto de x=1x = 1 foi analisado em Proposição 8.10. ∎

Filtros de segunda ordem a partir do RLC série. À esquerda, o passa-baixa (saída em C) para três valores de Q: um pico de ressonância, a resposta maximamente plana ou uma queda antecipada, todos se juntando à assíntota de -40\, dB por década (tracejada). À direita, o passa-faixa (saída em R): um pico de largura _0/Q caindo 20\, dB por década de cada lado. Filtros de segunda ordem a partir do RLC série. À esquerda, o passa-baixa (saída em C) para três valores de Q: um pico de ressonância, a resposta maximamente plana ou uma queda antecipada, todos se juntando à assíntota de -40\, dB por década (tracejada). À direita, o passa-faixa (saída em R): um pico de largura _0/Q caindo 20\, dB por década de cada lado.
Filtros de segunda ordem a partir do RLC série. À esquerda, o passa-baixa (saída em CC) para três valores de QQ: um pico de ressonância, a resposta maximamente plana ou uma queda antecipada, todos se juntando à assíntota de −40 dB-40\,\mathrm{dB} por década (tracejada). À direita, o passa-faixa (saída em RR): um pico de largura ω0/Q\omega_0/Q caindo 20 dB20\,\mathrm{dB} por década de cada lado.

Exemplo 9.9 (Um divisor de frequências)

O woofer e o tweeter de uma caixa acústica, cada um de 8 Ω8\,\Omega, compartilham o amplificador através de um passa-baixa (uma bobina em série) e de um passa-alta (um capacitor em série) cortados em 2 kHz2\,\mathrm{kHz}: L=R/ωc=0.64 mHL = R/\omega_c = 0.64\,\mathrm{mH}, C=1/Rωc=10 µFC = 1/R\omega_c = 10\,\text{µ}\mathrm{F}. Em 2 kHz2\,\mathrm{kHz} cada alto-falante recebe −3 dB-3\,\mathrm{dB}, isto é, metade da potência, e GL2+GH2=1G_L^2 + G_H^2 = 1 em toda frequência: a potência é repartida, não perdida. O problema de fim de semana projeta uma versão mais íngreme.

9.4 Filtrando um sinal periódico

Teorema 9.10 (Decomposição de Fourier)

Um sinal periódico de período T=2π/ωT = 2\pi/\omega (razoavelmente regular) é a soma de uma constante e de senoides nos múltiplos de ω\omega:

s(t)=c0+∑n=1∞cncos⁡(nωt+φn),s(t) = c_0 + \sum_{n = 1}^{\infty} c_n\cos(n\omega t + \varphi_n),

em que c0=⟨s⟩c_0 = \langle s\rangle é o seu valor médio; o termo n=1n = 1 é a fundamental, os demais os harmônicos, e as amplitudes cnc_n formam o espectro. Uma onda quadrada de amplitude ±E\pm E tem cn=4E/(nπ)c_n = 4E/(n\pi) para nn ímpar e 00 para nn par; uma onda triangular de amplitude ±E\pm E tem cn=8E/(nπ)2c_n = 8E/(n\pi)^2 para nn ímpar.

Demonstração. Admitido neste nível. ∎

Observação 9.11 (O que reter dela)

O teorema e o cálculo dos cnc_n pertencem ao curso de matemática do segundo ano. Aqui ele é uma ferramenta: cantos vivos exigem muitos harmônicos (os da onda quadrada caem apenas como 1/n1/n), e sinais suaves exigem poucos (os do triângulo caem como 1/n21/n^2). O conteúdo harmônico de um sinal é aquilo de que o timbre de um instrumento é feito, e aquilo sobre o que um filtro age.

Proposição 9.12 (Filtragem linear de um sinal periódico)

Através de um filtro de função de transferência H‾\underline H, o sinal do teorema se torna

ssaıˊda(t)=G(0) c0+∑n≥1G(nω) cncos⁡ ⁣(nωt+φn+φ(nω)):s_{\text{saída}}(t) = G(0)\,c_0 + \sum_{n \geq 1} G(n\omega)\,c_n\cos\!\big(n\omega t + \varphi_n + \varphi(n\omega)\big):

cada harmônico é escalado pelo ganho e defasado pela fase na sua própria frequência, e depois as partes são somadas. Daí:

  • um passa-baixa com ωc≪ω\omega_c \ll \omega guarda essencialmente c0c_0: ele faz a média (alisamento, remoção de ondulação) e transforma uma onda quadrada num pequeno triângulo (integração);
  • um passa-alta com ωc≪ω\omega_c \ll \omega remove c0c_0 e deixa passar o resto (acoplamento AC); com ωc≫ω\omega_c \gg \omega ele deriva (picos nas bordas de uma onda quadrada);
  • um passa-faixa sintonizado em nωn\omega com Q≫1Q \gg 1 extrai o nn-ésimo harmônico sozinho: uma senoide a partir de uma onda quadrada.

Demonstração. Superposição num circuito linear (Teorema 6.18) aplicada à soma de entradas senoidais, cada uma tratada por Definição 9.1. ∎

Uma onda quadrada através de um passa-baixa de primeira ordem. À esquerda: o seu espectro (harmônicos ímpares em 1/n) e o espectro após um filtro cortado na fundamental. À direita: o sinal no tempo para _c = (vermelho, arcos exponenciais) e _c = 10 (laranja, apenas cantos arredondados); com _c a saída seria um pequeno triângulo em torno do valor médio. Uma onda quadrada através de um passa-baixa de primeira ordem. À esquerda: o seu espectro (harmônicos ímpares em 1/n) e o espectro após um filtro cortado na fundamental. À direita: o sinal no tempo para _c = (vermelho, arcos exponenciais) e _c = 10 (laranja, apenas cantos arredondados); com _c a saída seria um pequeno triângulo em torno do valor médio.
Uma onda quadrada através de um passa-baixa de primeira ordem. À esquerda: o seu espectro (harmônicos ímpares em 1/n1/n) e o espectro após um filtro cortado na fundamental. À direita: o sinal no tempo para ωc=ω\omega_c = \omega (vermelho, arcos exponenciais) e ωc=10ω\omega_c = 10\omega (laranja, apenas cantos arredondados); com ωc≪ω\omega_c \ll \omega a saída seria um pequeno triângulo em torno do valor médio.

Exemplo 9.13 (Números)

Uma onda quadrada de 1 kHz1\,\mathrm{kHz} e amplitude 5 V5\,\mathrm{V}: harmônicos de 6.37 V6.37\,\mathrm{V} em 1 kHz1\,\mathrm{kHz}, 2.12 V2.12\,\mathrm{V} em 3 kHz3\,\mathrm{kHz} e 1.27 V1.27\,\mathrm{V} em 5 kHz5\,\mathrm{kHz}. Através de um passa-baixa RC cortado em 10 Hz10\,\mathrm{Hz} (τ=16 ms\tau = 16\,\mathrm{ms}) a saída é um triângulo de amplitude ET/4τ≈80 mVET/4\tau \approx 80\,\mathrm{mV} em torno de zero; através de um passa-faixa sintonizado em 3 kHz3\,\mathrm{kHz} com Q=20Q = 20, uma senoide de 2.1 V2.1\,\mathrm{V} em 3 kHz3\,\mathrm{kHz} com apenas alguns por cento dos vizinhos (Exercício 9.8).

9.5 Filtros em cascata

Proposição 9.14 (Cascata e efeito de carga)

Dois filtros em cascata têm H‾=H‾1H‾2\underline H = \underline H_1\underline H_2 — os ganhos se multiplicam, os decibéis e as fases se somam — desde que o segundo não carregue o primeiro, isto é, não drene corrente apreciável da sua saída. Caso contrário, as relações de divisor devem ser reescritas para a rede combinada. Um seguidor de tensão com amplificador operacional (Capítulo 10) entre os estágios torna a regra do produto exata.

Demonstração. H‾1\underline H_1 foi definida com a saída em aberto; se a impedância de entrada do estágio seguinte for muito maior que a impedância de saída do primeiro (a sua resistência de Thévenin), a tensão de saída não muda e o segundo estágio recebe exatamente U‾s1\underline U_{s1} como entrada. ∎

Exemplo 9.15 (Dois estágios RC)

Dois passa-baixas RC idênticos em série não dão 1/(1+jω/ωc)21/(1 + j\omega/\omega_c)^2: o RR do segundo estágio carrega o primeiro. O resultado exato é H‾=1/[1−(ω/ωc)2+3jω/ωc]\underline H = 1/[1 - (\omega/\omega_c)^2 + 3j\omega/\omega_c], −9.5 dB-9.5\,\mathrm{dB} em ωc\omega_c em vez dos −6 dB-6\,\mathrm{dB} que a regra do produto promete, embora ambos acabem alcançando a mesma inclinação de −40 dB-40\,\mathrm{dB} por década.

9.6 Exercícios

Exercício 9.1 ★

Converta em decibéis: os ganhos 0.50.5, 1010, 1/21/\sqrt2, 100100. Converta em razões: −40 dB-40\,\mathrm{dB}, +6 dB+6\,\mathrm{dB}. Dois filtros em cascata (sem efeito de carga) dão −6 dB-6\,\mathrm{dB} e −20 dB-20\,\mathrm{dB} em certa frequência: qual o ganho total?

Solução

Solução de Exercício 9.1.

0.5→−6.0 dB0.5 \to -6.0\,\mathrm{dB}; 10→20 dB10 \to 20\,\mathrm{dB}; 1/2→−3.0 dB1/\sqrt2 \to -3.0\,\mathrm{dB}; 100→40 dB100 \to 40\,\mathrm{dB}. −40 dB→0.01-40\,\mathrm{dB} \to 0.01; +6 dB→2.0+6\,\mathrm{dB} \to 2.0. Cascata: −6−20=−26 dB-6 - 20 = -26\,\mathrm{dB}, uma razão de 0.050.05.

Exercício 9.2 ★

Passa-baixa RC, R=10 kΩR = 10\,\mathrm{k}\Omega, C=16 nFC = 16\,\mathrm{nF}: frequência de corte e ganho em decibéis a 100 Hz100\,\mathrm{Hz}, 1 kHz1\,\mathrm{kHz}, 10 kHz10\,\mathrm{kHz} e 100 kHz100\,\mathrm{kHz}.

Solução

Solução de Exercício 9.2.

fc=1/(2πRC)=1/(2π×104×1.6×10−8)=1.0 kHzf_c = 1/(2\pi RC) = 1/(2\pi \times 10^4 \times 1.6\times10^{-8}) = 1.0\,\mathrm{kHz}. Ganhos −10log⁡(1+(f/fc)2)-10\log(1 + (f/f_c)^2): 100 Hz100\,\mathrm{Hz}: −0.04 dB-0.04\,\mathrm{dB}; 1 kHz1\,\mathrm{kHz}: −3 dB-3\,\mathrm{dB}; 10 kHz10\,\mathrm{kHz}: −20 dB-20\,\mathrm{dB}; 100 kHz100\,\mathrm{kHz}: −40 dB-40\,\mathrm{dB}.

Exercício 9.3 ★

Sem calcular, dê a natureza (passa-baixa, passa-alta, passa-faixa) de: (a) RR em série e CC na saída; (b) CC em série e RR na saída; (c) LL em série e CC na saída; (d) LL e CC em série e RR na saída.

Solução

Solução de Exercício 9.3.

(a) passa-baixa (CC curto-circuita a saída em ff alta); (b) passa-alta (CC abre em ff baixa); (c) passa-baixa de segunda ordem (LL abre em ff alta, CC curto-circuita); (d) passa-faixa (CC bloqueia ff baixa, LL bloqueia ff alta).

Exercício 9.4 ★

Uma onda quadrada de 1.0 kHz1.0\,\mathrm{kHz} e amplitude 5.0 V5.0\,\mathrm{V}: dê as frequências e amplitudes dos seus três primeiros harmônicos não nulos. Por que ela não tem harmônicos pares?

Solução

Solução de Exercício 9.4.

4E/nπ4E/n\pi: 6.37 V6.37\,\mathrm{V} em 1 kHz1\,\mathrm{kHz}, 2.12 V2.12\,\mathrm{V} em 3 kHz3\,\mathrm{kHz}, 1.27 V1.27\,\mathrm{V} em 5 kHz5\,\mathrm{kHz}. A onda quadrada é antissimétrica por um deslocamento de meio período (s(t+T/2)=−s(t)s(t + T/2) = -s(t)), o que os harmônicos pares não são.

Exercício 9.5 ★★

Um passa-alta CR cortado em 10 kHz10\,\mathrm{kHz} recebe uma onda triangular de amplitude 1.0 V1.0\,\mathrm{V} a 100 Hz100\,\mathrm{Hz}. Explique por que ele se comporta como um derivador e dê a forma e a amplitude da saída.

Solução

Solução de Exercício 9.5.

Em 100 Hz100\,\mathrm{Hz} e nos seus harmônicos úteis, ω≪ωc\omega \ll \omega_c: H‾≈jω/ωc\underline H \approx j\omega/\omega_c, uma derivada dividida por ωc\omega_c. A inclinação do triângulo vale ±4Ef=±400 V/s\pm 4Ef = \pm400\,\mathrm{V}/\mathrm{s}, de modo que a saída é uma onda quadrada de amplitude 400/(2π×104)=6.4 mV400/(2\pi \times 10^4) = 6.4\,\mathrm{mV}.

Exercício 9.6 ★★

Um passa-baixa RC cortado em 10 Hz10\,\mathrm{Hz} recebe uma onda quadrada de 1.0 kHz1.0\,\mathrm{kHz} e amplitude ±1.0 V\pm1.0\,\mathrm{V}. Mostre que a saída é um triângulo e calcule a sua amplitude.

Solução

Solução de Exercício 9.6.

ω≫ωc\omega \gg \omega_c: us≈(1/τ)∫ue  ⁣dtu_s \approx (1/\tau)\int u_e\,\dd t, com τ=1/(2π×10)=16 ms\tau = 1/(2\pi \times 10) = 16\,\mathrm{ms}. A integral de ±E\pm E é um triângulo que sobe ET/2ET/2 por meio período: excursão ET/2τET/2\tau, amplitude ET/4τ=1.0×10−3/(4×0.016)=16 mVET/4\tau = 1.0 \times 10^{-3}/(4 \times 0.016) = 16\,\mathrm{mV} em torno de zero.

Exercício 9.7 ★★

Um passa-baixa RLC série com L=10 mHL = 10\,\mathrm{mH}, C=100 nFC = 100\,\mathrm{nF}: dê f0f_0; encontre RR para a resposta maximamente plana; dê o ganho em decibéis em f0f_0 e em 10f010f_0.

Solução

Solução de Exercício 9.7.

f0=5.03 kHzf_0 = 5.03\,\mathrm{kHz}. Q=L/C/R=1/2Q = \sqrt{L/C}/R = 1/\sqrt2: R=2×316=447 ΩR = \sqrt2 \times 316 = 447\,\Omega. Em f0f_0: −3 dB-3\,\mathrm{dB}; em 10f010f_0: 1/1+104→−40 dB1/\sqrt{1 + 10^4} \to -40\,\mathrm{dB}.

Exercício 9.8 ★★

Um passa-faixa (Q=20Q = 20) sintonizado em 3.0 kHz3.0\,\mathrm{kHz} recebe a onda quadrada de 1 kHz1\,\mathrm{kHz} do Exercício 9.4. Calcule o ganho em 11, 33 e 5 kHz5\,\mathrm{kHz} e as amplitudes de saída desses harmônicos; descreva a saída.

Solução

Solução de Exercício 9.8.

G=1/1+Q2(x−1/x)2G = 1/\sqrt{1 + Q^2(x - 1/x)^2} com x=f/3x = f/3: 1 kHz1\,\mathrm{kHz}: x=1/3x = 1/3, Q(x−1/x)=−53Q(x - 1/x) = -53, G=0.019G = 0.019; 3 kHz3\,\mathrm{kHz}: G=1G = 1; 5 kHz5\,\mathrm{kHz}: x=5/3x = 5/3, 2121, G=0.047G = 0.047. Saída: 2.1 V2.1\,\mathrm{V} em 3 kHz3\,\mathrm{kHz}, com 0.12 V0.12\,\mathrm{V} em 1 kHz1\,\mathrm{kHz} e 0.06 V0.06\,\mathrm{V} em 5 kHz5\,\mathrm{kHz} — uma senoide de 3 kHz3\,\mathrm{kHz} quase pura.

Exercício 9.9 ★★

Dois passa-baixas RC idênticos (R=1.0 kΩR = 1.0\,\mathrm{k}\Omega, C=159 nFC = 159\,\mathrm{nF}) em cascata. Calcule a função de transferência exata (o segundo carrega o primeiro) e o ganho em ωc=1/RC\omega_c = 1/RC; compare com o produto dos dois ganhos separados.

Solução

Solução de Exercício 9.9.

Nós: com a=jRCωa = jRC\omega, o primeiro capacitor vê RR a montante e R+1/jCωR + 1/jC\omega a jusante: H‾=1/(1+3a+a2)\underline H = 1/(1 + 3a + a^2), isto é, 1/[1−(ω/ωc)2+3jω/ωc]1/[1 - (\omega/\omega_c)^2 + 3j\omega/\omega_c]. Em ωc\omega_c: 1/3j1/3j, G=1/3G = 1/3, −9.5 dB-9.5\,\mathrm{dB}; o produto dos dois ganhos separados daria 1/21/2, −6 dB-6\,\mathrm{dB}. fc=1.0 kHzf_c = 1.0\,\mathrm{kHz}.

Exercício 9.10 ★★★

Esboce as assíntotas de Bode de H‾=(1+jω/ω1)/(1+jω/ω2)\underline H = (1 + j\omega/\omega_1)/ (1 + j\omega/\omega_2) com ω1=100 rad/s\omega_1 = 100\,\mathrm{rad}/\mathrm{s}, ω2=1×104 rad/s\omega_2 = 1 \times 10^{4}\,\mathrm{rad}/\mathrm{s}: inclinações, quebras, o patamar de alta frequência em decibéis e a fase em ω1ω2\sqrt{\omega_1\omega_2}.

Solução

Solução de Exercício 9.10.

Abaixo de ω1\omega_1: 0 dB0\,\mathrm{dB}; entre ω1\omega_1 e ω2\omega_2: subindo 20 dB20\,\mathrm{dB} por década; acima de ω2\omega_2: plano em 20log⁡(ω2/ω1)=40 dB20\log(\omega_2/\omega_1) = 40\,\mathrm{dB}. Fase arctan⁡(ω/ω1)−arctan⁡(ω/ω2)\arctan(\omega/\omega_1) - \arctan(\omega/\omega_2): em ω=103\omega = 10^3, arctan⁡10−arctan⁡0.1=84∘−6∘=78∘\arctan 10 - \arctan 0.1 = 84^\circ - 6^\circ = 78^\circ.

Exercício 9.11 ★★★

Um seno retificado em onda completa (rede de 50 Hz50\,\mathrm{Hz}) tem média 2E/π2E/\pi e um primeiro harmônico em 100 Hz100\,\mathrm{Hz} de amplitude 4E/3π4E/3\pi. Um passa-baixa RC deve reduzir a ondulação de 100 Hz100\,\mathrm{Hz} abaixo de 1%1\% da média: encontre a frequência de corte e a constante de tempo necessárias. Por que um capacitor sozinho (com a resistência de carga) é a escolha usual?

Solução

Solução de Exercício 9.11.

Bem acima do corte, G≈fc/fG \approx f_c/f; a razão de ondulação após a filtragem vale

(4E/3π)(fc/100)2E/π=23 fc100<0.01,\frac{(4E/3\pi)(f_c/100)}{2E/\pi} = \frac{2}{3}\,\frac{f_c}{100} < 0.01,

logo fc<1.5 Hzf_c < 1.5\,\mathrm{Hz} e τ=1/2πfc>0.1 s\tau = 1/2\pi f_c > 0.1\,\mathrm{s}. A própria carga faz o papel de RR: um capacitor em paralelo com ela não custa nada em queda de tensão nem em potência, ao passo que um resistor em série desperdiçaria as duas coisas.

Exercício 9.12 ★★★

O acoplamento AC de um osciloscópio é um passa-alta com C=0.10 µFC = 0.10\,\text{µ}\mathrm{F} e R=160 kΩR = 160\,\mathrm{k}\Omega. Calcule fcf_c. Aplica-se uma onda quadrada: mostre que cada patamar plano vira uma exponencial decrescente e calcule o afundamento (fração perdida ao longo de meio período) a 50 Hz50\,\mathrm{Hz} e a 1 kHz1\,\mathrm{kHz}.

Solução

Solução de Exercício 9.12.

fc=1/(2πRC)=1/(2π×1.6×105×10−7)=10 Hzf_c = 1/(2\pi RC) = 1/(2\pi \times 1.6\times10^5 \times 10^{-7}) = 10\,\mathrm{Hz}, τ=RC=16 ms\tau = RC = 16\,\mathrm{ms}. Durante um patamar plano o capacitor se carrega através de RR: a saída decai como e−t/τ\eu^{-t/\tau} a partir de cada borda. Afundamento em T/2T/2: 1−e−T/2τ1 - \eu^{-T/2\tau}: 50 Hz50\,\mathrm{Hz} (T/2=10 msT/2 = 10\,\mathrm{ms}): 1−e−0.63=47%1 - \eu^{-0.63} = 47\%; 1 kHz1\,\mathrm{kHz} (T/2=0.5 msT/2 = 0.5\,\mathrm{ms}): 3%3\%.

Dentro de uma caixa acústica de duas vias: as bobinas e os capacitores do divisor de frequências são os filtros passa-baixa e passa-alta que mandam os graves para o woofer e os agudos para o tweeter.
Dentro de uma caixa acústica de duas vias: as bobinas e os capacitores do divisor de frequências são os filtros passa-baixa e passa-alta que mandam os graves para o woofer e os agudos para o tweeter.

9.7 Problema: o divisor de frequências da caixa acústica

Problema 9.1

Problema de fim de semana — um woofer, um tweeter, uma bobina e um capacitor: como um divisor passivo reparte a música, por que o mais simples deles deixa vazar graves para o tweeter e o que uma bobina móvel real faz com o projeto

O woofer e o tweeter são primeiro modelados como resistências puras R=8.0 ΩR = 8.0\,\Omega. O amplificador é uma fonte de tensão ideal U‾e\underline U_e. A frequência de cruzamento vale fc=2.0 kHzf_c = 2.0\,\mathrm{kHz}.

Parte I — Divisor de primeira ordem. O woofer é alimentado através de uma bobina em série LL, e o tweeter através de um capacitor em série CC.

  1. Defina a função de transferência de cada ramo (tensão no alto-falante dividida por U‾e\underline U_e) e o ganho em decibéis.
  2. Mostre que o ramo do woofer é um passa-baixa de primeira ordem e dê a sua frequência de corte ωc\omega_c em termos de RR e LL.
  3. Calcule LL para fc=2.0 kHzf_c = 2.0\,\mathrm{kHz}.
  4. Mostre que o ramo do tweeter é um passa-alta de primeira ordem; dê ωc\omega_c e calcule CC.
  5. Dê o ganho de cada alto-falante em decibéis em fcf_c, a 200 Hz200\,\mathrm{Hz} e a 20 kHz20\,\mathrm{kHz}.
  6. Mostre que GL2+GH2=1G_L^2 + G_H^2 = 1 em toda frequência. O que isso significa para a potência exigida do amplificador?
  7. Dê a fase de cada ramo em fcf_c; de quanto diferem em fase as tensões dos dois alto-falantes ali?
  8. Quais são as inclinações das duas respostas, em dB por oitava, longe de fcf_c?

Parte II — Divisor de segunda ordem. O woofer passa agora a ser alimentado por uma bobina em série LL com um capacitor CC em paralelo com o alto-falante.

  1. Mostre que H‾=1/(1−LCω2+jLω/R)\underline H = 1/(1 - LC\omega^2 + jL\omega/R).
  2. Identifique ω0\omega_0 e QQ em termos de LL, CC, RR.
  3. Para Q=1/2Q = 1/\sqrt2 mostre que G=1/1+(ω/ω0)4G = 1/\sqrt{1 + (\omega/\omega_0)^4} e que o ganho vale −3 dB-3\,\mathrm{dB} em ω0\omega_0.
  4. Calcule LL e CC para f0=2.0 kHzf_0 = 2.0\,\mathrm{kHz} e Q=1/2Q = 1/\sqrt2.
  5. Calcule o ganho em decibéis a 4 kHz4\,\mathrm{kHz} e a 8 kHz8\,\mathrm{kHz}; deduza a inclinação em dB por oitava.
  6. O ramo do tweeter troca os papéis de LL e CC (CC em série, LL em paralelo): escreva a sua função de transferência sem novo cálculo.
  7. Calcule a fase de cada ramo em f0f_0. O que se deve fazer com a ligação do tweeter, e por quê?

Parte III — Música através do divisor.

  1. Uma nota de violoncelo a 220 Hz220\,\mathrm{Hz} carrega harmônicos até o 20º. Quais harmônicos vão em sua maioria para o tweeter, com o divisor de primeira ordem?
  2. O que acontece com o 9º harmônico?
  3. Usa-se uma onda quadrada de 1.0 kHz1.0\,\mathrm{kHz} como sinal de teste. Com o divisor de primeira ordem, dê o ganho de cada ramo para a fundamental e para o terceiro e o quinto harmônicos.
  4. O amplificador desenvolve por acidente um nível contínuo de 1 V1\,\mathrm{V}. Que alto-falante fica protegido, e por quê?
  5. Com o divisor de primeira ordem, que fração da tensão e da potência de um tom de 500 Hz500\,\mathrm{Hz} chega ao tweeter? E com o de segunda ordem? Por que isso importa para a sobrevivência do tweeter?

Parte IV — Uma bobina móvel real. O woofer é, na verdade, R=8.0 ΩR = 8.0\,\Omega em série com uma indutância de bobina móvel Lvc=0.50 mHL_{vc} = 0.50\,\mathrm{mH}.

  1. Calcule a impedância (módulo) do woofer a 2 kHz2\,\mathrm{kHz} e a 8 kHz8\,\mathrm{kHz}.
  2. Recalcule o ganho do woofer de primeira ordem a 2 kHz2\,\mathrm{kHz} e a 8 kHz8\,\mathrm{kHz} com essa impedância e compare com os ideais −3 dB-3\,\mathrm{dB} e −12.3 dB-12.3\,\mathrm{dB}. O que aconteceu com a atenuação?
  3. Uma “rede de Zobel” — Rz=RR_z = R em série com Cz=Lvc/R2C_z = L_{vc}/R^2 — é ligada em paralelo com o woofer. Mostre que o conjunto se comporta como uma resistência pura RR em todas as frequências, e calcule CzC_z.
  4. O amplificador entrega 50 W50\,\mathrm{W} em 8 Ω8\,\Omega: que tensão eficaz é essa, e que potência cada alto-falante recebe em fcf_c (divisor de primeira ordem)? A 500 Hz500\,\mathrm{Hz}, quanto chega ao tweeter?
  5. Resuma os compromissos: inclinação, fase, número de componentes, proteção do tweeter e a necessidade de uma rede de Zobel.
Solução

Solução de Problema 9.1.

1. H‾=U‾alto-falante/U‾e\underline H = \underline U_{\text{alto-falante}}/\underline U_e; GdB=20log⁡∣H‾∣G_{\mathrm{dB}} = 20\log\abs{\underline H}.

2. H‾L=R/(R+jLω)=1/(1+jω/ωc)\underline H_L = R/(R + jL\omega) = 1/(1 + j\omega/\omega_c), ωc=R/L\omega_c = R/L.

3. L=R/ωc=8.0/(2π×2000)=0.64 mHL = R/\omega_c = 8.0/(2\pi \times 2000) = 0.64\,\mathrm{mH}.

4. H‾H=R/(R+1/jCω)=jRCω/(1+jRCω)\underline H_H = R/(R + 1/jC\omega) = jRC\omega/(1 + jRC\omega), ωc=1/RC\omega_c = 1/RC; C=1/(Rωc)=9.9 µF≈10 µFC = 1/(R\omega_c) = 9.9\,\text{µ}\mathrm{F} \approx 10\,\text{µ}\mathrm{F}.

5. Em fcf_c: −3 dB-3\,\mathrm{dB} para cada um. 200 Hz200\,\mathrm{Hz} (x=0.1x = 0.1): woofer −0.04 dB-0.04\,\mathrm{dB}, tweeter −20 dB-20\,\mathrm{dB}. 20 kHz20\,\mathrm{kHz} (x=10x = 10): woofer −20 dB-20\,\mathrm{dB}, tweeter −0.04 dB-0.04\,\mathrm{dB}.

6. GL2+GH2=(1+x2)/(1+x2)=1G_L^2 + G_H^2 = (1 + x^2)/(1 + x^2) = 1: com cargas iguais, as duas potências somam a potência que um único alto-falante de 8 Ω8\,\Omega tomaria — repartida, não perdida.

7. −45∘-45^\circ (woofer) e +45∘+45^\circ (tweeter): 90∘90^\circ de diferença; em fcf_c os dois cones não se movem juntos.

8. ±6 dB\pm 6\,\mathrm{dB} por oitava (20 dB20\,\mathrm{dB} por década).

9. Divisor entre jLωjL\omega e R∥1/jCω=R/(1+jRCω)R \parallel 1/jC\omega = R/(1 + jRC\omega): H‾=R/[R+jLω(1+jRCω)]=1/(1−LCω2+jLω/R)\underline H = R/[R + jL\omega(1 + jRC\omega)] = 1/(1 - LC\omega^2 + jL\omega/R).

10. ω0=1/LC\omega_0 = 1/\sqrt{LC}; Lω/R=x/QL\omega/R = x/Q dá Q=R/Lω0=RC/LQ = R/L\omega_0 = R\sqrt{C/L}.

11. ∣H‾∣−2=(1−x2)2+x2/Q2=1+x4+x2(1/Q2−2)=1+x4\abs{\underline H}^{-2} = (1 - x^2)^2 + x^2/Q^2 = 1 + x^4 + x^2(1/Q^2 - 2) = 1 + x^4 para Q2=12Q^2 = \tfrac12; em x=1x = 1, G=1/2G = 1/\sqrt2.

12. L=R/(Qω0)=82/(1.257×104)=0.90 mHL = R/(Q\omega_0) = 8\sqrt2/(1.257\times10^4) = 0.90\,\mathrm{mH}; C=1/(Lω02)=7.0 µFC = 1/(L\omega_0^2) = 7.0\,\text{µ}\mathrm{F}.

13. x=2x = 2: 1/171/\sqrt{17}, −12.3 dB-12.3\,\mathrm{dB}; x=4x = 4: 1/2571/\sqrt{257}, −24.1 dB-24.1\,\mathrm{dB}: 12 dB12\,\mathrm{dB} por oitava.

14. Trocar LL e CC troca x↔1/xx \leftrightarrow 1/x (e QQ permanece): H‾H=−x2/(1−x2+jx/Q)\underline H_H = -x^2/(1 - x^2 + jx/Q).

15. Em x=1x = 1: H‾L=Q/j=−jQ\underline H_L = Q/j = -jQ (−90∘-90^\circ), H‾H=jQ\underline H_H = jQ (+90∘+90^\circ): os alto-falantes ficam em oposição de fase no cruzamento e se cancelariam acusticamente; o tweeter é ligado com a polaridade invertida.

16. Harmônicos acima de 2 kHz2\,\mathrm{kHz}: n≥10n \geq 10 (2.2 kHz2.2\,\mathrm{kHz} em diante) vão em sua maioria para o tweeter.

17. 9×220=1980 Hz≈fc9 \times 220 = 1980\,\mathrm{Hz} \approx f_c: repartido em partes iguais, −3 dB-3\,\mathrm{dB} para cada um.

18. Woofer (GLG_L): x=0.5x = 0.5: 0.890.89; x=1.5x = 1.5: 0.550.55; x=2.5x = 2.5: 0.370.37. Tweeter (GHG_H): 0.450.45, 0.830.83, 0.930.93.

19. O tweeter: o seu capacitor em série bloqueia a componente contínua. O woofer é quem recebe o desvio (1 V1\,\mathrm{V} sobre 8 Ω8\,\Omega: 125 mA125\,\mathrm{mA}, 0.125 W0.125\,\mathrm{W} de calor e um cone deslocado).

20. Primeira ordem, x=0.25x = 0.25: GH=0.25/1.0625=0.24G_H = 0.25/\sqrt{1.0625} = 0.24 (−12 dB-12\,\mathrm{dB}), fração de potência 6%6\%. Segunda ordem: 0.0625/1+0.0039=0.060.0625/\sqrt{1 + 0.0039} = 0.06 (−24 dB-24\,\mathrm{dB}), 0.4%0.4\%. Um tweeter de poucos watts recebe 6%6\% de uma nota grave forte com o projeto de primeira ordem — ele pode queimar.

21. Z‾=8+jLvcω\underline Z = 8 + jL_{vc}\omega: 2 kHz2\,\mathrm{kHz}: 8+6.3j8 + 6.3j, ∣Z‾∣=10.2 Ω\abs{\underline Z} = 10.2\,\Omega; 8 kHz8\,\mathrm{kHz}: 8+25.1j8 + 25.1j, 26.3 Ω26.3\,\Omega.

22. H‾=Z‾/(Z‾+jLω)\underline H = \underline Z/(\underline Z + jL\omega): 2 kHz2\,\mathrm{kHz}: 10.2/∣8+14.3j∣=10.2/16.4=0.6210.2/\abs{8 + 14.3j} = 10.2/16.4 = 0.62 (−4.2 dB-4.2\,\mathrm{dB}); 8 kHz8\,\mathrm{kHz}: 26.3/∣8+57.3j∣=0.4526.3/\abs{8 + 57.3j} = 0.45 (−6.9 dB-6.9\,\mathrm{dB}) em vez de −12.3 dB-12.3\,\mathrm{dB}: a impedância crescente da bobina móvel luta contra a bobina em série, e a atenuação achata para poucos dB por oitava.

23. Admitâncias: 1/(R+jLvcω)+jCzω/(1+jRCzω)1/(R + jL_{vc}\omega) + jC_z\omega/(1 + jRC_z\omega); com Cz=Lvc/R2C_z = L_{vc}/R^2 o segundo termo vale jLvcω/[R(R+jLvcω)]jL_{vc}\omega/[R(R + jL_{vc}\omega)], e a soma vale (R+jLvcω)/[R(R+jLvcω)]=1/R(R + jL_{vc}\omega)/[R(R + jL_{vc}\omega)] = 1/R. Cz=0.50×10−3/64=7.8 µFC_z = 0.50\times10^{-3}/64 = 7.8\,\text{µ}\mathrm{F}.

24. U=PR=400=20 VU = \sqrt{PR} = \sqrt{400} = 20\,\mathrm{V} eficazes. Em fcf_c cada alto-falante recebe metade: 25 W25\,\mathrm{W}. A 500 Hz500\,\mathrm{Hz} o tweeter recebe 6%6\%: 3 W3\,\mathrm{W}.

25. Primeira ordem: duas peças, complementares em potência, inclinações suaves de 6 dB/oit 6\,\mathrm{dB}/\mathrm{oit}\,, 90∘90^\circ entre os alto-falantes e graves vazando para o tweeter. Segunda ordem: quatro peças, 12 dB/oit 12\,\mathrm{dB}/\mathrm{oit}\,, 180∘180^\circ no cruzamento (inverta o tweeter) e proteção muito melhor do tweeter. De um jeito ou de outro, a indutância do woofer precisa ser domada por uma rede de Zobel para o projeto valer.

Termos definidos neste capítulo

Ver todos os 431 termos do glossário