Physics · Livro 3 · Bachelor Year 1

Física universitária — 1.º ano

Física universitária — 1.º ano · Bachelor Year 1

6Circuitos em corrente contínua: leis de Kirchhoff e teoremas

Gire a chave numa manhã fria: o motor de partida geme, as luzes do painel enfraquecem por um segundo e o carro pega. A bateria que entregava 12.6V12.6\,\mathrm{V} estáveis um instante antes cai para onze enquanto o motor de partida puxa os seus cento e cinquenta ampères — e os faróis, ligados em paralelo, pagam a conta. Tudo o que acontece nesse segundo é regido por duas leis de conservação e por um punhado de teoremas sobre circuitos lineares, que este capítulo enuncia, demonstra e aplica: as leis de Kirchhoff, os modelos de fontes e resistores, os divisores, Thévenin e Norton, e a arte gráfica de encontrar um ponto de operação.

6.1 Corrente, tensão e regime quase estacionário

Definição 6.1 (Corrente elétrica)

A corrente elétrica através de uma superfície (a seção reta de um fio) é a carga que a atravessa por unidade de tempo, contada positivamente numa orientação escolhida:

i= ⁣dq ⁣dt(ampeˋres: 1A=1C/s).i = \frac{\dd q}{\dd t} \qquad (\text{ampères: } 1\,\mathrm{A} = 1\,\mathrm{C}/\mathrm{s}).

Inverter a orientação troca o sinal de ii. Num metal os portadores são elétrons, que derivam contra o sentido convencional da corrente, a uma fração de milímetro por segundo.

Definição 6.2 (Potencial e tensão)

Cada ponto de um circuito tem um potencial elétrico VV (volts), definido a menos de uma constante fixada pela escolha de uma terra (V=0V = 0). A tensão entre AA e BB é a diferença de potencial uAB=VAVBu_{AB} = V_A - V_B, desenhada como uma seta de BB para AA. A energia que uma carga qq perde ao ir de AA a BB vale quABq\,u_{AB} (isso se liga ao potencial eletrostático do Capítulo 27).

Definição 6.3 (Regime quase estacionário (ARQS))

Um circuito de dimensão \ell excitado na frequência ff está no regime quase estacionário quando o tempo de propagação /c\ell/c dos sinais elétricos ao longo dele é desprezível frente ao período 1/f1/f: c/f\ell \ll c/f. A corrente é então a mesma em todos os pontos de um fio sem derivação em cada instante, e as leis abaixo se aplicam a cada instante a correntes e tensões variáveis no tempo (minúsculas ii, uu) exatamente como às constantes (II, UU).

Exemplo 6.4 (Quão quase é quase)

A 50Hz50\,\mathrm{Hz}, c/f=6000kmc/f = 6000\,\mathrm{km}: uma casa está no regime quase estacionário. A 1MHz1\,\mathrm{MHz}, 300m300\,\mathrm{m}: um rádio ainda está. A 2GHz2\,\mathrm{GHz}, 15cm15\,\mathrm{cm}: a placa de circuito de um celular não está, e as suas trilhas devem ser tratadas como linhas de transmissão — assunto do volume do segundo ano.

Teorema 6.5 (Leis de Kirchhoff)

No regime quase estacionário:

  1. Lei dos nós: num nó onde chegam vários fios, a soma das correntes que chegam é igual à soma das correntes que saem, entramik=saemik\sum_{\text{entram}} i_k = \sum_{\text{saem}} i_k.
  2. Lei das malhas: ao longo de uma malha fechada qualquer, as tensões somam zero quando contadas com o sinal dado por um sentido de percurso escolhido: malha±uk=0\sum_{\text{malha}} \pm u_k = 0.

Demonstração. A carga se conserva e, no regime quase estacionário, não se acumula num nó: o que chega por segundo sai por segundo. A lei das malhas é a afirmação de que o potencial é uma função da posição: ao percorrer uma malha e voltar ao ponto de partida, a soma das quedas de potencial vale VAVA=0V_A - V_A = 0.

Notação 6.6 (Convenções e potência)

Para um componente de dois terminais (um dipolo), a convenção receptor desenha a seta de tensão e a seta de corrente em sentidos opostos; a convenção gerador as desenha no mesmo sentido. Na convenção receptor, a potência recebida pelo dipolo vale

p=ui(watts),p = u\,i \qquad (\text{watts}),

positiva para um resistor que aquece, negativa para uma bateria que fornece. Na convenção gerador, p=uip = ui é a potência fornecida.

As duas convenções de sinal para um dipolo: setas opostas (receptor) ou alinhadas (gerador). A física é a mesma; apenas o sinal de ui é lido de outro modo.
As duas convenções de sinal para um dipolo: setas opostas (receptor) ou alinhadas (gerador). A física é a mesma; apenas o sinal de uiui é lido de outro modo.

6.2 Dipolos e seus modelos

Definição 6.7 (Característica; resistor; lei de Ohm)

A característica de um dipolo é a curva i(u)i(u) (ou u(i)u(i)) que ele impõe. Um resistor tem característica linear passando pela origem, a lei de Ohm

u=Ri(convenc¸a˜o receptor),u = R\,i \qquad (\text{convenção receptor}),

sendo RR a sua resistência (ohms, 1Ω=1V/A1\,\Omega = 1\,\mathrm{V}/\mathrm{A}) e G=1/RG = 1/R a sua condutância (siemens). Ele recebe p=Ri2=u2/R0p = Ri^2 = u^2/R \geq 0, dissipada em calor (efeito Joule). Um fio de comprimento \ell, seção SS e resistividade ρ\rho tem R=ρ/SR = \rho\ell/S.

Definição 6.8 (Fontes ideais e reais)

Uma fonte de tensão ideal impõe u=Eu = E qualquer que seja a corrente; EE é a sua força eletromotriz (fem). Uma fonte de corrente ideal impõe i=INi = I_N qualquer que seja a tensão. Uma fonte real (bateria, gerador, fonte de alimentação) é modelada, na convenção gerador, por

u=Eri(modelo de Theˊvenin: fem ideal E em seˊrie com r)u = E - r\,i \quad (\text{modelo de Thévenin: fem ideal } E \text{ em série com } r)

ou, de modo equivalente, por i=INu/ri = I_N - u/r (modelo de Norton: fonte de corrente ideal IN=E/rI_N = E/r em paralelo com rr); rr é a resistência interna. EE é a tensão em circuito aberto e IN=E/rI_N = E/r a corrente de curto-circuito.

Proposição 6.9 (Balanço de potência de uma fonte real)

Uma fonte real (E,r)(E, r) que alimenta um resistor RR entrega i=E/(R+r)i = E/(R + r) e a potência

PR=E2R(R+r)2,P_R = \frac{E^2 R}{(R + r)^2},

máxima e igual a E2/4rE^2/4r quando R=rR = r (casamento de impedâncias), com rendimento PR/(Ei)=R/(R+r)P_R/(Ei) = R/(R + r), de apenas 50%50\% no máximo.

Demonstração. Lei das malhas: E=ri+RiE = ri + Ri. PR=Ri2P_R = Ri^2; derive R/(R+r)2R/(R + r)^2: [(R+r)22R(R+r)]/(R+r)4=(rR)/(R+r)3\big[(R + r)^2 - 2R(R + r)\big]/(R + r)^4 = (r - R)/(R + r)^3, nulo em R=rR = r, positivo antes e negativo depois. A fonte fornece Ei=(R+r)i2Ei = (R + r)i^2, dos quais ri2ri^2 aquecem a própria fonte.

À esquerda: as características de uma fonte real (u = E - ri) e de uma carga resistiva (u = Ri) se cruzam no ponto de operação. À direita: a potência entregue à carga é máxima em R = r, onde metade da potência da fonte é desperdiçada na sua própria resistência. À esquerda: as características de uma fonte real (u = E - ri) e de uma carga resistiva (u = Ri) se cruzam no ponto de operação. À direita: a potência entregue à carga é máxima em R = r, onde metade da potência da fonte é desperdiçada na sua própria resistência.
À esquerda: as características de uma fonte real (u=Eriu = E - ri) e de uma carga resistiva (u=Riu = Ri) se cruzam no ponto de operação. À direita: a potência entregue à carga é máxima em R=rR = r, onde metade da potência da fonte é desperdiçada na sua própria resistência.

Exemplo 6.10 (Uma bateria de carro sob carga)

Circuito aberto 12.6V12.6\,\mathrm{V}; 11.4V11.4\,\mathrm{V} enquanto o motor de partida puxa 120A120\,\mathrm{A}: r=1.2/120=10mΩr = 1.2/120 = 10\,\mathrm{m}\Omega, IN=1260AI_N = 1260\,\mathrm{A} (daí o perigo, digno de solda, de uma chave que caia nos terminais). Uma carga casada R=10mΩR = 10\,\mathrm{m}\Omega tomaria E2/4r=4kWE^2/4r = 4\,\mathrm{kW} por alguns segundos — mais ou menos o que um motor de partida precisa.

Observação 6.11 (Outros dipolos)

Um diodo conduz num só sentido: um modelo idealizado é um circuito aberto para u<U0u < U_0 e uma tensão fixa u=U0u = U_0 (cerca de 0.7V0.7\,\mathrm{V} para o silício, 22\, a 3V3\,\mathrm{V} para um LED) quando ele conduz. Uma lâmpada de filamento é um resistor cujo RR cresce com a temperatura, portanto com ii — uma característica curva. Em regime permanente um capacitor é um circuito aberto (i=C ⁣du/ ⁣dt=0i = C\,\dd u/\dd t = 0) e um indutor é um curto-circuito (u=L ⁣di/ ⁣dt=0u = L\,\dd i/\dd t = 0); o seu papel nos transitórios é o Capítulo 7.

6.3 Associações e divisores

Proposição 6.12 (Resistores em série e em paralelo)

Resistores em série (mesma corrente) somam-se: R=R1+R2+R = R_1 + R_2 + \cdots. Resistores em paralelo (mesma tensão) somam as suas condutâncias: 1/R=1/R1+1/R2+1/R = 1/R_1 + 1/R_2 + \cdots; para dois, R=R1R2/(R1+R2)R = R_1R_2/(R_1 + R_2), escrito R1R2R_1 \parallel R_2.

Demonstração. Série: u=u1+u2=(R1+R2)iu = u_1 + u_2 = (R_1 + R_2)i (lei das malhas). Paralelo: i=i1+i2=u/R1+u/R2i = i_1 + i_2 = u/R_1 + u/R_2 (lei dos nós).

Proposição 6.13 (Divisores de tensão e de corrente)

Dois resistores em série sob uma tensão uu a repartem em proporção às suas resistências:

u2=R2R1+R2u.u_2 = \frac{R_2}{R_1 + R_2}\,u .

Dois resistores em paralelo alimentados por uma corrente ii a repartem em proporção inversa:

i2=R1R1+R2i=G2G1+G2i.i_2 = \frac{R_1}{R_1 + R_2}\,i = \frac{G_2}{G_1 + G_2}\,i .

Demonstração. Série: i=u/(R1+R2)i = u/(R_1 + R_2) e u2=R2iu_2 = R_2 i. Paralelo: u=(R1R2)iu = (R_1 \parallel R_2)\,i e i2=u/R2i_2 = u/R_2.

Divisor de tensão (à esquerda): u_2 = R_2 u/(R_1 + R_2). Divisor de corrente (à direita): i_2 = R_1 i/(R_1 + R_2) — a corrente prefere a resistência menor.
Divisor de tensão (à esquerda): u2=R2u/(R1+R2)u_2 = R_2 u/(R_1 + R_2). Divisor de corrente (à direita): i2=R1i/(R1+R2)i_2 = R_1 i/(R_1 + R_2) — a corrente prefere a resistência menor.

Observação 6.14 (Carregar um divisor)

A fórmula do divisor só vale se nada drenar corrente do ponto médio. Uma carga RLR_L ligada em paralelo com R2R_2 substitui R2R_2 por R2RLR_2 \parallel R_L e abaixa u2u_2 — é o “efeito de carga”, e a razão pela qual um voltímetro deve ter resistência alta e um potenciômetro resistência baixa em comparação com o que alimenta (Exercício 6.4).

Método 6.15 (Reduzindo uma rede)

Para encontrar uma corrente ou uma tensão numa rede de resistores com uma única fonte:

  1. começando longe da fonte, substitua os grupos em série e em paralelo pelos seus equivalentes até que um único resistor fique diante da fonte;
  2. calcule a corrente da fonte;
  3. volte atrás, repartindo correntes com divisores de corrente e tensões com divisores de tensão, até o ramo desejado.

Com várias fontes, ou para um ramo cujos vizinhos mudam, use os teoremas da próxima seção.

6.4 Teoremas dos circuitos lineares

Definição 6.16 (Dipolo linear, circuito linear)

Um dipolo é linear se a sua característica é uma reta (resistor, fontes ideais e reais); um circuito feito apenas de dipolos lineares é um circuito linear. As suas incógnitas obedecem a um sistema de equações lineares (as leis de Kirchhoff mais as características), cuja solução é única.

Teorema 6.17 (Thévenin e Norton)

Visto de dois dos seus terminais AA e BB, todo circuito linear é equivalente a uma fonte real: uma fem EThE_{\mathrm{Th}} em série com uma resistência RThR_{\mathrm{Th}} (Thévenin), ou uma fonte de corrente IN=ETh/RThI_N = E_{\mathrm{Th}}/R_{\mathrm{Th}} em paralelo com RThR_{\mathrm{Th}} (Norton), em que

  • EThE_{\mathrm{Th}} é a tensão em circuito aberto uABu_{AB};
  • INI_N é a corrente de curto-circuito de AA para BB;
  • RThR_{\mathrm{Th}} é a resistência vista entre AA e BB quando toda fonte independente é desligada (as fontes de tensão ideais substituídas por fios, as fontes de corrente ideais por circuitos abertos).

Demonstração parcial. Por linearidade, a relação entre a tensão uABu_{AB} e a corrente ii drenada nos terminais é afim: uAB=abiu_{AB} = a - b\,i. Fazer i=0i = 0 identifica a=ETha = E_{\mathrm{Th}}; fazer uAB=0u_{AB} = 0b=ETh/INb = E_{\mathrm{Th}}/I_N. Que bb seja igual à resistência vista com as fontes anuladas decorre da superposição (abaixo): a parte de uABu_{AB} devida apenas à corrente externa é o que uma rede passiva de resistência RThR_{\mathrm{Th}} produziria. Que todo sistema linear tenha uma relação entrada–saída afim é a álgebra das equações lineares.

Teorema 6.18 (Superposição)

Num circuito linear com várias fontes independentes, qualquer corrente ou tensão é a soma dos valores que ela assume quando cada fonte age sozinha, com as demais desligadas.

Demonstração. As equações são lineares nas incógnitas, com as fontes no segundo membro; a solução é uma função linear desse segundo membro, portanto a soma das soluções para cada fonte separadamente.

Proposição 6.19 (Teorema de Millman)

Um nó NN ligado a pontos de potenciais V1,,VnV_1, \dots, V_n através de resistências R1,,RnR_1, \dots, R_n (e a mais nada) tem o potencial

VN=kVk/Rkk1/Rk=kGkVkkGk,V_N = \frac{\sum_k V_k/R_k}{\sum_k 1/R_k} = \frac{\sum_k G_k V_k}{\sum_k G_k},

a média dos potenciais dos seus vizinhos ponderada pelas condutâncias.

Demonstração. Lei dos nós em NN: k(VkVN)/Rk=0\sum_k (V_k - V_N)/R_k = 0; isole VNV_N.

Duas fontes alimentando uma carga comum R_3. Vista dos terminais de R_3, o resto do circuito é uma fonte de Thévenin (E_ Th, R_ Th); o teorema de Millman dá o potencial do nó N em uma linha.
Duas fontes alimentando uma carga comum R3R_3. Vista dos terminais de R3R_3, o resto do circuito é uma fonte de Thévenin (EThE_{\mathrm{Th}}, RThR_{\mathrm{Th}}); o teorema de Millman dá o potencial do nó NN em uma linha.

Exemplo 6.20 (Três caminhos para a mesma resposta)

Na figura, E1=10VE_1 = 10\,\mathrm{V}, R1=1.0kΩR_1 = 1.0\,\mathrm{k}\Omega, E2=5.0VE_2 = 5.0\,\mathrm{V}, R2=2.0kΩR_2 = 2.0\,\mathrm{k}\Omega, R3=2.0kΩR_3 = 2.0\,\mathrm{k}\Omega. Millman: VN=(10/1+5/2+0/2)/(1+0.5+0.5)=12.5/2=6.25VV_N = (10/1 + 5/2 + 0/2)/(1 + 0.5 + 0.5) = 12.5/2 = 6.25\,\mathrm{V}. Superposição: E1E_1 sozinha vê R2R3=1kΩR_2 \parallel R_3 = 1\,\mathrm{k}\Omega, logo u=10×1/2=5Vu = 10 \times 1/2 = 5\,\mathrm{V}; E2E_2 sozinha vê R1R3=0.667kΩR_1 \parallel R_3 = 0.667\,\mathrm{k}\Omega, u=5×0.667/2.667=1.25Vu = 5 \times 0.667/2.667 = 1.25\,\mathrm{V}; total 6.25V6.25\,\mathrm{V}. Thévenin visto de R3R_3: EThE_{\mathrm{Th}} é a tensão em circuito aberto do divisor (E1,R1,R2,E2)(E_1, R_1, R_2, E_2): E2+(E1E2)R2/(R1+R2)=5+5×2/3=8.33VE_2 + (E_1 - E_2)R_2/(R_1 + R_2) = 5 + 5 \times 2/3 = 8.33\,\mathrm{V}; RTh=R1R2=0.667kΩR_{\mathrm{Th}} = R_1 \parallel R_2 = 0.667\,\mathrm{k}\Omega; então u=8.33×2/2.667=6.25Vu = 8.33 \times 2/2.667 = 6.25\,\mathrm{V}.

6.5 Ponto de operação; a ponte de Wheatstone

Método 6.21 (Ponto de operação gráfico)

Um dipolo não linear (característica i=g(u)i = g(u)) alimentado por uma fonte de Thévenin (E,R)(E, R) se estabiliza onde as duas relações valem: trace a característica do dipolo e a reta de carga da fonte, u=ERiu = E - Ri, nos mesmos eixos; a interseção é o ponto de operação. Dimensionar o resistor em série de um LED, um regulador Zener ou a polarização de um transistor é exatamente essa construção.

Um LED (limiar perto de 2\, V) alimentado por E = 5\, V através de R = 200\,: a reta de carga u = E - Ri cruza a característica do diodo em 2.0\, V, 15\, mA. Aumentar R inclina a reta para baixo e enfraquece o LED.
Um LED (limiar perto de 2V2\,\mathrm{V}) alimentado por E=5VE = 5\,\mathrm{V} através de R=200ΩR = 200\,\Omega: a reta de carga u=ERiu = E - Ri cruza a característica do diodo em 2.0V2.0\,\mathrm{V}, 15mA15\,\mathrm{mA}. Aumentar RR inclina a reta para baixo e enfraquece o LED.

Proposição 6.22 (Ponte de Wheatstone)

Quatro resistores R1,R2R_1, R_2 (um ramo) e R3,R4R_3, R_4 (o outro) sob uma fonte EE; a saída da ponte é a tensão entre os dois pontos médios:

u=E(R2R1+R2R4R3+R4),u = E\left(\frac{R_2}{R_1 + R_2} - \frac{R_4}{R_3 + R_4}\right),

nula (a ponte está equilibrada) se e só se R1R4=R2R3R_1R_4 = R_2R_3. Para uma ponte equilibrada com R4R_4 perturbado para R4(1+ϵ)R_4(1 + \epsilon), ϵ1\epsilon \ll 1, e R3=R4R_3 = R_4: uEϵ/4u \approx -E\epsilon/4.

Demonstração. Dois divisores de tensão; subtraia. Equilíbrio: R2(R3+R4)=R4(R1+R2)R_2(R_3 + R_4) = R_4(R_1 + R_2), isto é, R2R3=R1R4R_2R_3 = R_1R_4. Com R3=R4=RR_3 = R_4 = R e R1=R2R_1 = R_2: u=E[12(1+ϵ)/(2+ϵ)]=E[(2+ϵ22ϵ)/(2(2+ϵ))]Eϵ/4u = E[\tfrac12 - (1 + \epsilon)/(2 + \epsilon)] = E[(2 + \epsilon - 2 - 2\epsilon)/(2(2 + \epsilon))] \approx -E\epsilon/4.

A ponte de Wheatstone: dois divisores lado a lado. Equilibrada quando R_1R_4 = R_2R_3, ela converte uma variação minúscula de uma das resistências (extensômetro, termistor) numa tensão em torno de zero, muito mais fácil de amplificar do que uma pequena variação de uma tensão grande.
A ponte de Wheatstone: dois divisores lado a lado. Equilibrada quando R1R4=R2R3R_1R_4 = R_2R_3, ela converte uma variação minúscula de uma das resistências (extensômetro, termistor) numa tensão em torno de zero, muito mais fácil de amplificar do que uma pequena variação de uma tensão grande.

6.6 Exercícios

Exercício 6.1

Um celular carrega a 1.5A1.5\,\mathrm{A} durante uma hora: que carga circula, quantos elétrons? Estime se o regime quase estacionário vale para a instalação de uma casa a 50Hz50\,\mathrm{Hz}, para um circuito de 10cm10\,\mathrm{cm} a 1MHz1\,\mathrm{MHz} e para o mesmo circuito a 1GHz1\,\mathrm{GHz}.

Solução

Solução de Exercício 6.1.

q=1.5×3600=5400Cq = 1.5 \times 3600 = 5400\,\mathrm{C}, N=5400/1.6×1019=3.4×1022N = 5400/1.6\times10^{-19} = 3.4 \times 10^{22} elétrons. c/fc/f: 6000km6000\,\mathrm{km} a 50Hz50\,\mathrm{Hz} (casa: sim); 300m300\,\mathrm{m} a 1MHz1\,\mathrm{MHz} (circuito de 10cm10\,\mathrm{cm}: sim); 30cm30\,\mathrm{cm} a 1GHz1\,\mathrm{GHz}, comparável a 10cm10\,\mathrm{cm}: não.

Exercício 6.2

Um aquecedor de 2000W2000\,\mathrm{W} em 230V230\,\mathrm{V}: corrente, resistência, energia consumida em 3.0h3.0\,\mathrm{h} (em kWh e em joules). O seu cabo de cobre de 5.0m5.0\,\mathrm{m} tem seção de 1.5mm21.5\,\mathrm{mm}^{2} (ρ=1.7×108Ωm\rho = 1.7 \times 10^{-8}\,\Omega\,\mathrm{m}): potência perdida no cabo.

Solução

Solução de Exercício 6.2.

I=2000/230=8.7AI = 2000/230 = 8.7\,\mathrm{A}; R=U2/P=26.5ΩR = U^2/P = 26.5\,\Omega; E=6.0kWh=2.2×107JE = 6.0\,\mathrm{kWh} = 2.2 \times 10^{7}\,\mathrm{J}. Cabo: um condutor R=1.7×108×5.0/1.5×106=57mΩR = 1.7\times10^{-8} \times 5.0/1.5\times10^{-6} = 57\,\mathrm{m}\Omega, dois condutores 0.11Ω0.11\,\Omega: P=0.11×8.72=8.6WP = 0.11 \times 8.7^2 = 8.6\,\mathrm{W}.

Exercício 6.3

Com 10Ω10\,\Omega, 20Ω20\,\Omega e 30Ω30\,\Omega: calcule a resistência dos três em série, em paralelo e de (1020)+30(10 \parallel 20) + 30.

Solução

Solução de Exercício 6.3.

Série 60Ω60\,\Omega; paralelo 1/(0.1+0.05+0.033)=5.5Ω1/(0.1 + 0.05 + 0.033) = 5.5\,\Omega; 1020=6.7Ω10 \parallel 20 = 6.7\,\Omega, mais 3030: 36.7Ω36.7\,\Omega.

Exercício 6.4

Uma fonte de 12V12\,\mathrm{V} alimenta 4.7kΩ4.7\,\mathrm{k}\Omega e 2.2kΩ2.2\,\mathrm{k}\Omega em série. Calcule a tensão sobre o resistor de 2.2kΩ2.2\,\mathrm{k}\Omega. Um aparelho de resistência 2.2kΩ2.2\,\mathrm{k}\Omega é então ligado em paralelo com ele: nova tensão? Conclua sobre o efeito de carga.

Solução

Solução de Exercício 6.4.

u2=12×2.2/6.9=3.83Vu_2 = 12 \times 2.2/6.9 = 3.83\,\mathrm{V}. Sob carga: 2.22.2=1.1kΩ2.2 \parallel 2.2 = 1.1\,\mathrm{k}\Omega, u2=12×1.1/5.8=2.28Vu_2 = 12 \times 1.1/5.8 = 2.28\,\mathrm{V}: a carga puxa o divisor para baixo em 40%40\% — um divisor só “divide” se alimentar algo de resistência muito maior.

Exercício 6.5 ★★

Uma bateria marca 12.6V12.6\,\mathrm{V} em aberto e 11.4V11.4\,\mathrm{V} enquanto fornece 120A120\,\mathrm{A}. Encontre a sua resistência interna e a corrente de curto-circuito, a potência entregue ao motor de partida e a potência perdida internamente, e o rendimento.

Solução

Solução de Exercício 6.5.

r=(12.611.4)/120=10mΩr = (12.6 - 11.4)/120 = 10\,\mathrm{m}\Omega; IN=12.6/0.010=1260AI_N = 12.6/0.010 = 1260\,\mathrm{A}. Ao motor de partida 11.4×120=1.37kW11.4 \times 120 = 1.37\,\mathrm{kW}; perdidos 0.010×1202=144W0.010 \times 120^2 = 144\,\mathrm{W}; rendimento 1368/1512=90%1368/1512 = 90\%.

Exercício 6.6 ★★

Encontre o equivalente de Thévenin, visto dos terminais do resistor de 2.2kΩ2.2\,\mathrm{k}\Omega, do divisor do Exercício 6.4 (E=12VE = 12\,\mathrm{V}, R1=4.7kΩR_1 = 4.7\,\mathrm{k}\Omega, R2=2.2kΩR_2 = 2.2\,\mathrm{k}\Omega). Use-o para reencontrar a tensão sob carga daquele exercício.

Solução

Solução de Exercício 6.6.

ETh=3.83VE_{\mathrm{Th}} = 3.83\,\mathrm{V} (divisor em circuito aberto); RTh=4.72.2=1.50kΩR_{\mathrm{Th}} = 4.7 \parallel 2.2 = 1.50\,\mathrm{k}\Omega (fonte em curto). Sob carga: u=3.83×2.2/(1.50+2.2)=2.28Vu = 3.83 \times 2.2/(1.50 + 2.2) = 2.28\,\mathrm{V}.

Exercício 6.7 ★★

Duas baterias, E1=10VE_1 = 10\,\mathrm{V} (r1=1.0Ωr_1 = 1.0\,\Omega) e E2=5.0VE_2 = 5.0\,\mathrm{V} (r2=2.0Ωr_2 = 2.0\,\Omega), são ligadas em paralelo (mesma polaridade) a uma carga de 2.0Ω2.0\,\Omega. Encontre a tensão na carga por superposição, depois por Millman, e a corrente em cada bateria. A bateria mais fraca está carregando ou descarregando?

Solução

Solução de Exercício 6.7.

Superposição: E1E_1 sozinha vê r2R=1.0Ωr_2 \parallel R = 1.0\,\Omega, u=10×1/(1+1)=5.0Vu = 10 \times 1/(1 + 1) = 5.0\,\mathrm{V}; E2E_2 sozinha vê r1R=0.667Ωr_1 \parallel R = 0.667\,\Omega, u=5×0.667/2.667=1.25Vu = 5 \times 0.667/2.667 = 1.25\,\mathrm{V}; total 6.25V6.25\,\mathrm{V}. Millman: (10/1+5/2+0/2)/(1+0.5+0.5)=6.25V(10/1 + 5/2 + 0/2)/(1 + 0.5 + 0.5) = 6.25\,\mathrm{V}. Bateria 1: (106.25)/1=3.75A(10 - 6.25)/1 = 3.75\,\mathrm{A} saindo; bateria 2: (56.25)/2=0.63A(5 - 6.25)/2 = -0.63\,\mathrm{A}, isto é, 0.63A0.63\,\mathrm{A} entrando nela — ela está sendo carregada pela mais forte; carga 6.25/2=3.1A6.25/2 = 3.1\,\mathrm{A}.

Exercício 6.8 ★★

Uma fonte E=9.0VE = 9.0\,\mathrm{V}, r=3.0Ωr = 3.0\,\Omega. Calcule a potência entregue a cargas de 1.0Ω1.0\,\Omega, 3.0Ω3.0\,\Omega, 12Ω12\,\Omega, e o rendimento em cada caso. Que carga um engenheiro escolheria para um aparelho a pilha, e por que não a casada?

Solução

Solução de Exercício 6.8.

i=9/(R+3)i = 9/(R + 3), P=Ri2P = Ri^2, η=R/(R+3)\eta = R/(R + 3): 1Ω1\,\Omega: 5.1W5.1\,\mathrm{W}, 25%25\%; 3Ω3\,\Omega: 6.75W6.75\,\mathrm{W}, 50%50\%; 12Ω12\,\Omega: 4.3W4.3\,\mathrm{W}, 80%80\%. Um aparelho a pilha quer rendimento (autonomia), logo RrR \gg r; a carga casada desperdiça metade da energia como calor na bateria.

Exercício 6.9 ★★

Um LED conduz a 2.0V2.0\,\mathrm{V} e deve conduzir 15mA15\,\mathrm{mA} a partir de uma alimentação de 5.0V5.0\,\mathrm{V}. Escolha o resistor em série, as potências no resistor e no LED, e esboce a construção da reta de carga. O que acontece se a alimentação for de 3.3V3.3\,\mathrm{V}?

Solução

Solução de Exercício 6.9.

R=(5.02.0)/0.015=200ΩR = (5.0 - 2.0)/0.015 = 200\,\Omega; PR=3.0×0.015=45mWP_R = 3.0 \times 0.015 = 45\,\mathrm{mW}, PLED=2.0×0.015=30mWP_{\mathrm{LED}} = 2.0 \times 0.015 = 30\,\mathrm{mW}. A reta de carga de (0,25mA)(0, 25\,\mathrm{mA}) a (5V,0)(5\,\mathrm{V}, 0) encontra a característica vertical em 2.0V2.0\,\mathrm{V}. Em 3.3V3.3\,\mathrm{V} o mesmo resistor dá apenas 6.5mA6.5\,\mathrm{mA}; para 15mA15\,\mathrm{mA} é preciso R=1.3/0.015=87ΩR = 1.3/0.015 = 87\,\Omega.

Exercício 6.10 ★★★

Um extensômetro R4=R(1+ϵ)R_4 = R(1 + \epsilon), R=1.0kΩR = 1.0\,\mathrm{k}\Omega, está numa ponte de Wheatstone com três resistores fixos de 1.0kΩ1.0\,\mathrm{k}\Omega sob 5.0V5.0\,\mathrm{V}. Deduza a tensão de saída em primeira ordem em ϵ\epsilon e calcule-a para ϵ=1.0×103\epsilon = 1.0 \times 10^{-3}. Por que a ponte é preferível a medir a tensão do extensômetro num divisor simples?

Solução

Solução de Exercício 6.10.

u=E[121+ϵ2+ϵ]=Eϵ2(2+ϵ)Eϵ4=1.25mVu = E\left[\dfrac12 - \dfrac{1 + \epsilon}{2 + \epsilon}\right] = -E\dfrac{\epsilon}{2(2 + \epsilon)} \approx -\dfrac{E\epsilon}{4} = -1.25\,\mathrm{mV}. Num divisor simples a mesma variação se soma a um patamar de 2.5V2.5\,\mathrm{V} (2.50125V2.501\,25\,\mathrm{V}); a ponte entrega os 1.25mV1.25\,\mathrm{mV} em torno de zero, que podem ser amplificados mil vezes sem saturar nada.

Exercício 6.11 ★★★

Doze resistores idênticos RR formam as arestas de um cubo. Usando a simetria (que nós estão ao mesmo potencial quando uma corrente II entra por um vértice e sai pelo oposto), mostre que a resistência entre vértices opostos vale 5R/65R/6.

Solução

Solução de Exercício 6.11.

Por simetria, os três vizinhos do vértice de entrada compartilham um potencial, e os três vizinhos do vértice de saída, outro. A corrente II se divide em I/3I/3 nas três arestas de entrada, cada uma depois em duas de I/6I/6 ao longo das seis arestas do meio, que se recombinam em I/3I/3 nas três arestas de saída. Tensão: RI/3+RI/6+RI/3=5RI/6RI/3 + RI/6 + RI/3 = 5RI/6, logo Req=5R/6R_{\mathrm{eq}} = 5R/6.

Exercício 6.12 ★★★

Uma fonte de corrente IN=2.0AI_N = 2.0\,\mathrm{A} em paralelo com 4.0Ω4.0\,\Omega é ligada, através de um resistor de 2.0Ω2.0\,\Omega, a uma bateria de 6.0V6.0\,\mathrm{V} (resistência desprezível) cuja fem se opõe a ela. Converta a fonte de Norton em Thévenin e encontre a corrente no resistor de 2.0Ω2.0\,\Omega e a potência trocada por cada fonte.

Solução

Solução de Exercício 6.12.

Thévenin: E=INr=8.0VE = I_N r = 8.0\,\mathrm{V} com 4.0Ω4.0\,\Omega em série. Malha: 8.06.0=(4.0+2.0)i8.0 - 6.0 = (4.0 + 2.0)i, i=0.33Ai = 0.33\,\mathrm{A} em direção à bateria. A bateria recebe 6.0×0.33=2.0W6.0 \times 0.33 = 2.0\,\mathrm{W} (carregando); o resistor de 2Ω2\,\Omega dissipa 0.22W0.22\,\mathrm{W}; a tensão nos terminais do par de Norton vale 8.04.0×0.33=6.67V8.0 - 4.0 \times 0.33 = 6.67\,\mathrm{V}, de modo que o seu resistor de 4Ω4\,\Omega conduz 1.67A1.67\,\mathrm{A} e dissipa 11.1W11.1\,\mathrm{W}, e a fonte de corrente entrega 2.0×6.67=13.3W2.0 \times 6.67 = 13.3\,\mathrm{W} — o balanço fecha.

Sob o capô: a bateria de 12\, V, os seus cabos grossos e o alternador — a rede de corrente contínua do problema de fim de semana, com centenas de ampères na partida.
Sob o capô: a bateria de 12V12\,\mathrm{V}, os seus cabos grossos e o alternador — a rede de corrente contínua do problema de fim de semana, com centenas de ampères na partida.

6.7 Problema: o sistema elétrico de um carro

Problema 6.1

Problema de fim de semana — uma bateria, um motor de partida, dois faróis, um alternador e alguns metros de cobre: quem recebe a corrente, quem paga a conta e por que as luzes enfraquecem quando o motor gira

A bateria é uma fonte real, de fem E=12.6VE = 12.6\,\mathrm{V} e resistência interna r=10mΩr = 10\,\mathrm{m}\Omega. Cobre: ρ=1.7×108Ωm\rho = 1.7 \times 10^{-8}\,\Omega\,\mathrm{m}.

Parte I — A bateria sozinha.

  1. Desenhe o modelo de Thévenin e escreva u(i)u(i) na convenção gerador.
  2. Dê a tensão em circuito aberto e a corrente de curto-circuito. Por que uma chave que caia jamais deve unir os terminais?
  3. Escreva o modelo de Norton da mesma bateria.
  4. A bateria alimenta um resistor RR: exprima a corrente, a tensão nos terminais, a potência PRP_R entregue e a potência perdida em rr.
  5. Mostre que PRP_R é máxima para R=rR = r e calcule esse máximo. Qual é o rendimento nesse caso?
  6. Um técnico mede u=12.48Vu = 12.48\,\mathrm{V} a 12A12\,\mathrm{A} e u=11.40Vu = 11.40\,\mathrm{V} a 120A120\,\mathrm{A}. Verifique que os dois pontos estão sobre o modelo e explique como uma série desses pontos dá EE e rr por um ajuste de reta.
  7. A bateria armazena 60Ah60\,\mathrm{A}\,\mathrm{h}. Por quanto tempo ela poderia alimentar sozinha os dois faróis de 55W55\,\mathrm{W} (tome 12V12\,\mathrm{V})? Quanta energia é isso em joules?

Parte II — Dando a partida com os faróis acesos. O motor de partida é um resistor Rs=80mΩR_s = 80\,\mathrm{m}\Omega; cada farol é especificado em 55W55\,\mathrm{W} sob 12.0V12.0\,\mathrm{V} e é tratado como um resistor.

  1. Calcule a resistência de um farol e a dos dois em paralelo.
  2. Motor de partida sozinho: corrente, tensão nos terminais, potência no motor de partida, potência perdida na bateria.
  3. Motor de partida e os dois faróis juntos: resistência de carga equivalente, corrente total, tensão nos terminais.
  4. Use o divisor de corrente para encontrar a corrente do motor de partida e a corrente dos faróis.
  5. Calcule a potência que cada farol recebe agora e compare com a sua especificação: em que fração as luzes enfraquecem?
  6. Explique em duas frases, com a lei das malhas, por que as luzes enfraquecem precisamente porque o motor de partida drena uma corrente grande.
  7. Cabos de bateria mais grossos ajudariam os faróis? Justifique qualitativamente agora (a Parte IV quantifica).

Parte III — Motor em funcionamento: o alternador. O alternador é uma segunda fonte real, Ea=14.2VE_a = 14.2\,\mathrm{V}, ra=50mΩr_a = 50\,\mathrm{m}\Omega, em paralelo com a bateria; o motor de partida está desligado e os dois faróis estão acesos.

  1. Desenhe o circuito: duas fontes reais e a carga dos faróis em paralelo entre os mesmos dois nós.
  2. Aplique o teorema de Millman para encontrar a tensão comum nos terminais.
  3. Deduza a corrente do alternador, a corrente da bateria (sinal!) e a corrente dos faróis; verifique a lei dos nós.
  4. A bateria está carregando ou descarregando? Que potência ela recebe, e que potência o alternador fornece?
  5. Reencontre a tensão nos terminais por superposição (cada fonte sozinha, a outra substituída pela sua resistência interna) e verifique.

Parte IV — Sensores e fios.

  1. O sensor do líquido de arrefecimento é um termistor cuja resistência cai de 2.0kΩ2.0\,\mathrm{k}\Omega a 20C20{}^{\circ}\mathrm{C} para 300Ω300\,\Omega a 90C90{}^{\circ}\mathrm{C}; ele é o resistor inferior de um divisor alimentado por 5.0V5.0\,\mathrm{V}, sendo o resistor superior R0R_0. Exprima a tensão de saída e calcule-a nas duas temperaturas para R0=775ΩR_0 = 775\,\Omega.
  2. Mostre que a excursão da saída entre as duas temperaturas é máxima quando R0R_0 é a média geométrica dos dois valores do sensor, e verifique o valor acima.
  3. O mesmo sensor é posto numa ponte de Wheatstone com três resistores de 775Ω775\,\Omega: escreva a saída da ponte e diga em que temperatura ela está equilibrada.
  4. O cabo do motor de partida tem 1.5m1.5\,\mathrm{m} de comprimento em cada sentido. Calcule a resistência de um condutor de seção 16mm216\,\mathrm{mm}^{2}, a queda de tensão total a 140A140\,\mathrm{A} e a potência dissipada nos cabos.
  5. O mesmo com cabo de 4mm24\,\mathrm{mm}^{2}: por que o cabo do motor de partida é tão grosso?
  6. Resuma: dê a tensão nos terminais durante a partida, a fração da potência que chega ao motor de partida e a única lei que explica o enfraquecimento das luzes.
Solução

Solução de Problema 6.1.

1. Fem ideal EE em série com rr: u=Eriu = E - ri.

2. u(0)=12.6Vu(0) = 12.6\,\mathrm{V}; IN=E/r=1260AI_N = E/r = 1260\,\mathrm{A}. Uma chave atravessada nos terminais a conduziria: 16kW16\,\mathrm{kW} em poucos gramas de aço — ela derrete e espirra.

3. Fonte de corrente IN=1260AI_N = 1260\,\mathrm{A} em paralelo com 10mΩ10\,\mathrm{m}\Omega.

4. i=E/(R+r)i = E/(R + r); u=ER/(R+r)u = ER/(R + r); PR=E2R/(R+r)2P_R = E^2R/(R + r)^2; Pr=E2r/(R+r)2P_r = E^2r/(R + r)^2.

5.  ⁣dPR/ ⁣dR(rR)\dd P_R/\dd R \propto (r - R): máximo em R=rR = r, Pmax=E2/4r=12.62/0.040=4.0kWP_{\max} = E^2/4r = 12.6^2/0.040 = 4.0\,\mathrm{kW}; rendimento R/(R+r)=50%R/(R + r) = 50\%.

6. 12.60.010×12=12.48V12.6 - 0.010 \times 12 = 12.48\,\mathrm{V}; 12.60.010×120=11.40V12.6 - 0.010 \times 120 = 11.40\,\mathrm{V}. Traçar uu contra ii dá uma reta de coeficiente linear EE e inclinação r-r (mínimos quadrados, Capítulo 1).

7. Duas lâmpadas: 110W110\,\mathrm{W} sob 12V12\,\mathrm{V}, 9.2A9.2\,\mathrm{A}; 60/9.2=6.5h60/9.2 = 6.5\,\mathrm{h}. Energia 60×3600×12=2.6MJ60 \times 3600 \times 12 = 2.6\,\mathrm{MJ}.

8. Rh=122/55=2.62ΩR_h = 12^2/55 = 2.62\,\Omega; em paralelo 1.31Ω1.31\,\Omega.

9. i=12.6/0.090=140Ai = 12.6/0.090 = 140\,\mathrm{A}; u=12.61.4=11.2Vu = 12.6 - 1.4 = 11.2\,\mathrm{V}; Ps=0.080×1402=1.57kWP_s = 0.080 \times 140^2 = 1.57\,\mathrm{kW}; perdidos 0.010×1402=196W0.010 \times 140^2 = 196\,\mathrm{W}.

10. R=0.0801.31=75.4mΩR = 0.080 \parallel 1.31 = 75.4\,\mathrm{m}\Omega; i=12.6/0.0854=148Ai = 12.6/0.0854 = 148\,\mathrm{A}; u=12.61.48=11.1Vu = 12.6 - 1.48 = 11.1\,\mathrm{V}.

11. is=i×1.31/(1.31+0.080)=139Ai_s = i \times 1.31/(1.31 + 0.080) = 139\,\mathrm{A}; ih=8.5Ai_h = 8.5\,\mathrm{A} para as duas lâmpadas.

12. Cada lâmpada: u2/Rh=11.12/2.62=47Wu^2/R_h = 11.1^2/2.62 = 47\,\mathrm{W} contra 55W55\,\mathrm{W}: queda de 14%14\%.

13. Lei das malhas: a tensão nos terminais vale u=Eriu = E - ri; os 140A140\,\mathrm{A} do motor de partida produzem uma queda de 1.4V1.4\,\mathrm{V} dentro da bateria, e as lâmpadas, em paralelo nos mesmos terminais, recebem essa tensão reduzida.

14. Só em parte: cabos mais grossos cortam a queda nos cabos, não em rr; as lâmpadas alimentadas nos terminais da bateria continuam vendo EriE - ri.

15. Três ramos entre os mesmos dois nós: (E,r)(E, r), (Ea,ra)(E_a, r_a) e Rh=1.31ΩR_h = 1.31\,\Omega.

16. V=12.6/0.010+14.2/0.050+0/1.31100+20+0.763=1544120.8=12.79VV = \dfrac{12.6/0.010 + 14.2/0.050 + 0/1.31}{100 + 20 + 0.763} = \dfrac{1544}{120.8} = 12.79\,\mathrm{V}.

17. Alternador (14.212.79)/0.050=28.3A(14.2 - 12.79)/0.050 = 28.3\,\mathrm{A}; bateria (12.612.79)/0.010=18.6A(12.6 - 12.79)/0.010 = -18.6\,\mathrm{A} (fluindo para dentro dela); lâmpadas 12.79/1.31=9.8A12.79/1.31 = 9.8\,\mathrm{A}; 28.3=18.6+9.828.3 = 18.6 + 9.8.

18. Carregando. Ela recebe 12.79×18.6=238W12.79 \times 18.6 = 238\,\mathrm{W} (234W234\,\mathrm{W} armazenados, 3.5W3.5\,\mathrm{W} em calor); o alternador fornece 12.79×28.3=362W12.79 \times 28.3 = 362\,\mathrm{W} nos seus terminais.

19. Bateria sozinha (alternador \to 50mΩ50\,\mathrm{m}\Omega): carga 0.0501.31=48.2mΩ0.050 \parallel 1.31 = 48.2\,\mathrm{m}\Omega, u1=12.6×48.2/58.2=10.44Vu_1 = 12.6 \times 48.2/58.2 = 10.44\,\mathrm{V}. Alternador sozinho (bateria \to 10mΩ10\,\mathrm{m}\Omega): carga 0.0101.31=9.92mΩ0.010 \parallel 1.31 = 9.92\,\mathrm{m}\Omega, u2=14.2×9.92/59.9=2.35Vu_2 = 14.2 \times 9.92/59.9 = 2.35\,\mathrm{V}. Soma 12.79V12.79\,\mathrm{V}.

20. u=5.0Rs/(R0+Rs)u = 5.0\,R_s/(R_0 + R_s): 3.60V3.60\,\mathrm{V} a 20C20{}^{\circ}\mathrm{C}, 1.40V1.40\,\mathrm{V} a 90C90{}^{\circ}\mathrm{C}.

21. Δu=5[Ra/(R0+Ra)Rb/(R0+Rb)]\Delta u = 5[R_a/(R_0 + R_a) - R_b/(R_0 + R_b)];  ⁣dΔu/ ⁣dR0=0Ra/(R0+Ra)2=Rb/(R0+Rb)2R02=RaRb\dd\Delta u/\dd R_0 = 0 \Leftrightarrow R_a/(R_0 + R_a)^2 = R_b/(R_0 + R_b)^2 \Leftrightarrow R_0^2 = R_aR_b: R0=2000×300=775ΩR_0 = \sqrt{2000 \times 300} = 775\,\Omega.

22. u=5[12Rs/(775+Rs)]u = 5[\tfrac12 - R_s/(775 + R_s)], nula quando Rs=775ΩR_s = 775\,\Omega, isto é, na temperatura intermediária em que o termistor atinge esse valor.

23. R=1.7×108×1.5/16×106=1.6mΩR = 1.7\times10^{-8} \times 1.5/16\times10^{-6} = 1.6\,\mathrm{m}\Omega por condutor, 3.2mΩ3.2\,\mathrm{m}\Omega no total; queda 0.0032×140=0.45V0.0032 \times 140 = 0.45\,\mathrm{V}; potência 63W63\,\mathrm{W}.

24. 4mm24\,\mathrm{mm}^{2}: 6.4mΩ6.4\,\mathrm{m}\Omega cada, 12.8mΩ12.8\,\mathrm{m}\Omega no total: queda 1.8V1.8\,\mathrm{V}, 250W250\,\mathrm{W} desperdiçados — o motor de partida perderia um sexto da sua tensão. O cabo grosso mantém RcaboRsR_{\text{cabo}} \ll R_s.

25. Cerca de 11.1V11.1\,\mathrm{V} nos terminais durante a partida; o motor de partida recebe 1568/(1568+196)89%1568/(1568 + 196) \approx 89\% da potência da bateria; o enfraquecimento é a lei das malhas, u=Eriu = E - ri.

Termos definidos neste capítulo

Ver todos os 393 termos do glossário