Aperte o canto de um carro estacionado e solte. Um carro em bom estado sobe uma vez e para; um carro com amortecedores gastos balança duas ou três vezes antes de se acomodar. Num laboratório de eletrônica os mesmos dois comportamentos aparecem num osciloscópio quando um capacitor se descarrega através de uma bobina: um retorno suave, ou uma oscilação que se extingue. Ambos são o transitório entre um regime permanente e outro, e ambos obedecem à mesma pequena família de equações diferenciais lineares — primeira ordem para um único reservatório de energia, segunda ordem para dois que trocam energia. Este capítulo as resolve de uma vez por todas, nomeia os seus parâmetros (constante de tempo, frequência própria, fator de qualidade) e mostra como os mesmos números descrevem um circuito e uma suspensão.
Uma bobina, um capacitor e um resistor num protoboard e, no osciloscópio, a oscilação amortecida que segue um degrau: o regime pseudoperiódico deste capítulo.
7.1 Sistemas de primeira ordem
Definição 7.1(Sistema linear de primeira ordem)
Uma grandeza x(t) obedece a uma equação linear de primeira ordem com coeficientes constantes quando
τdtdx+x=x∞,
com τ>0 a constante de tempo e x∞ uma constante (o valor imposto pela fonte). O seu regime permanente é x=x∞; o regime transitório é a aproximação a ele a partir do valor inicial x(0)=x0.
Teorema 7.2(Solução)
A única solução com x(0)=x0 é
x(t)=x∞+(x0−x∞)e−t/τ.
A distância ao regime permanente encolhe pelo fator e−1≈0.37 a cada τ: 63% do caminho em τ, 95% em 3τ, 99% em 4.6τ. A tangente na origem atinge x∞ em t=τ.
Demonstração.y=x−x∞ obedece a τy′+y=0, cujas soluções são y=Ke−t/τ (o curso de matemática sobre equações diferenciais lineares mostra que não há outras); K=x0−x∞. A inclinação em 0 vale −(x0−x∞)/τ, que fecharia a distância no tempo τ. ∎
A resposta ao degrau de primeira ordem a partir de x0=0: a tangente inicial encontra a assíntota em t=τ; 63% do caminho em τ, 95% em 3τ. Todo transitório de primeira ordem é essa curva, dilatada por τ e deslocada por x0 e x∞.
Proposição 7.3(Circuitos RC e RL)
Um capacitor C carregado através de um resistorR por uma fonte ideal E obedece a RCduC/dt+uC=E: τ=RC, uC,∞=E. Uma bobina L em série com R sob E obedece a (L/R)di/dt+i=E/R: τ=L/R, i∞=E/R. Retirada a fonte (E→0), as mesmas equações descrevem a descarga rumo a zero.
A tensão nos terminais de um capacitor e a corrente através de um indutor são funções contínuas do tempo: num instante de comutação t0, uC(t0+)=uC(t0−) e iL(t0+)=iL(t0−). As correntes nos resistores e as tensões nas bobinas podem saltar.
Demonstração. Um salto de uC exigiria i=CduC/dt infinita, e um salto de iL exigiria u=Ldi/dt infinita; ambos são impossíveis num circuito de tensões e correntes finitas (de modo equivalente, as energias armazenadas 21CuC2 e 21Li2 não podem mudar instantaneamente sem potência infinita). ∎
Método 7.5(Resolvendo um transitório de primeira ordem)
Escreva as leis das malhas e dos nós depois da comutação, com as leis dos componentes; reduza a uma única equação em uC ou iL e coloque-a na forma τx′+x=x∞; leia τ e x∞ (este último é também o regime permanente obtido substituindo C por um circuito aberto e L por um fio).
Encontre x0 pela continuidade de uC ou de iL através do instante de comutação, usando o circuito anterior a ele.
Escreva x=x∞+(x0−x∞)e−t/τ; deduza as demais grandezas por derivação e pela lei das malhas.
Quando o capacitor enxerga uma rede de resistores e fontes, substitua primeiro essa rede pelo seu equivalente de Thévenin (ETh,RTh) (Capítulo 6): τ=RThC, u∞=ETh.
Proposição 7.6(Balanço energético da carga de um RC)
Ao carregar um capacitor de 0 até E através de um resistorR qualquer, a fonte fornece CE2, o capacitor armazena 21CE2 e o resistor dissipa o outro 21CE2 — seja qual for R.
Demonstração.i=(E/R)e−t/τ; a fonte fornece ∫0∞Eidt=E⋅(E/R)τ=CE2; o resistor toma ∫0∞Ri2dt=(E2/R)∫0∞e−2t/τdt=(E2/R)(τ/2)=21CE2; a diferença é o 21CE2 armazenado. Um R menor dissipa a mesma energia mais depressa. ∎
Exemplo 7.7(A bobina de um relé)
L=20mH, R=5.0Ω, E=10V: τ=4.0ms, i∞=2.0A; os contatos fecham quando i atinge 1.5A, isto é, em t=−τln(1−0.75)=5.5ms. Ao abrir o circuito, i deve cair de 2A; um diodo “de roda livre” em paralelo com a bobina lhe dá um caminho apenas através de R, τ=4ms, em vez de uma faísca.
7.2 Sistemas de segunda ordem
Definição 7.8(Forma canônica de segunda ordem)
Uma grandeza x(t) é um sistema linear de segunda ordem quando
Um capacitor C, uma bobina L e um resistorR em série sob uma fonte E: a tensão do capacitor obedece à forma canônica com
ω0=LC1,Q=R1CL,uC,∞=E.
Demonstração.Lei das malhas: E=Ldi/dt+Ri+uC com i=CduC/dt: LCuC′′+RCuC′+uC=E; divida por LC e identifique ω02=1/LC, ω0/Q=R/L. ∎
As duas faces do sistema de segunda ordem: o circuito RLC série (ω0=1/LC, Q=L/C/R) e o conjunto massa–mola–amortecedor (ω0=k/m, Q=km/α). Mesma equação, mesmos três regimes.
Proposição 7.10(O oscilador mecânico)
Uma massa m sobre uma mola de rigidez k com um amortecedor viscoso de coeficiente α (força −αx˙), deslocada de x em relação ao equilíbrio, obedece a mx¨+αx˙+kx=0: a forma canônica com
ω0=mk,Q=αkm.
A correspondência x↔q, x˙↔i, m↔L, α↔R, k↔1/C leva todo resultado de um sistema no outro.
Demonstração. A segunda lei de Newton (Capítulo 12) com a força da mola −kx e a força de amortecimento; divida por m. ∎
Teorema 7.11(Os três regimes)
As soluções da equação homogênea x′′+(ω0/Q)x′+ω02x=0 são governadas pelas raízes de r2+(ω0/Q)r+ω02=0, de discriminante Δ=ω02(1/Q2−4):
Q<21, regime aperiódico: duas raízes reais negativas r±=−2Qω0(1∓1−4Q2), x=Aer+t+Ber−t, um retorno sem oscilação;
Q=21, regime crítico: uma raiz dupla r=−ω0, x=(A+Bt)e−ω0t, o retorno mais rápido sem ultrapassagem;
Q>21, regime pseudoperiódico: raízes complexas r=−1/τ±iω com
τ=ω02Q,ω=ω01−4Q21,x=e−t/τ(Acosωt+Bsinωt),
uma oscilação amortecida de pseudoperíodoT=2π/ω dentro da envoltória ±A2+B2e−t/τ.
A solução completa com segundo membro constante é x∞ mais a solução homogênea; A e B decorrem de x(0) e x′(0).
Demonstração. Equação característica de uma equação linear com coeficientes constantes (curso de matemática, equações lineares de segunda ordem): as raízes são r=−ω0/2Q±21Δ. Para Q>21, Δ=iω04−1/Q2, o que dá a parte real −ω0/2Q=−1/τ e a parte imaginária ±ω01−1/4Q2; as soluções reais são as combinações de e−t/τcosωt e e−t/τsinωt. ∎
Resposta ao degrau de um sistema de segunda ordem a partir do repouso, para três fatores de qualidade. Q pequeno: uma subida lenta; Q=21: o retorno mais rápido sem ultrapassagem; Q grande: uma oscilação que dura cerca de Q períodos.
Proposição 7.12(Lendo Q num traçado pseudoperiódico)
dá Q; o número de oscilações visíveis antes que a amplitude caia abaixo de 5% é da ordem de Q. Para Q≫1, ω≈ω0 e T≈2π/ω0.
Demonstração. A envoltória e−t/τ é multiplicada por e−T/τ a cada período; T/τ=(2π/ω)(ω0/2Q). A envoltória atinge e−3≈5% em 3τ=6Q/ω0≈QT, isto é, após cerca de Q períodos. ∎
Decaimento pseudoperiódico livre, x=x0e−t/τcosωt: os máximos sucessivos encolhem pelo fator constante e−T/τ, e ln(xn/xn+1)=T/τ≈π/Q mede o fator de qualidade a partir do traçado.
Exemplo 7.13(Uma oscilação RLC)
L=10mH, C=100nF, R=100Ω: ω0=1/10−9=3.16×104rad/s (f0=5.03kHz), Q=L/C/R=316/100=3.16: pseudoperiódico, τ=2Q/ω0=0.20ms, ω=0.987ω0, T=0.20ms, três oscilações visíveis. A resistência crítica vale Rc=2L/C=632Ω; acima dela a descarga é aperiódica.
Método 7.14(Resolvendo um transitório de segunda ordem)
Escreva a equação; ponha-a na forma canônica; leia ω0, Q e x∞.
Decida o regime a partir de Q e escreva a solução geral como x∞ mais a solução homogênea.
Encontre x(0) e x′(0) pela continuidade de uC e de iL (para o RLC: uC(0+)=uC(0−) e uC′(0+)=i(0−)/C); determine as duas constantes.
Exemplo 7.15(Condições iniciais)
O capacitor do exemplo anterior é carregado a U0 e, em t=0, fechado sobre L e R (sem fonte): x∞=0, uC(0)=U0, uC′(0)=i(0)/C=0, pois a corrente na bobina era nula. Logo A=U0 e −A/τ+Bω=0, B=U0/(ωτ)=U0/4Q2−1: uC=U0e−t/τ[cosωt+sin(ωt)/4Q2−1] — para Q≫1, simplesmente U0e−t/τcosω0t, e a corrente i=−CduC/dt tem pico próximo de U0C/L=U0/(ω0L).
Observação 7.16(Energia)
A energia armazenada 21CuC2+21Li2 (ou 21kx2+21mx˙2) decresce à taxa Ri2 (αx˙2): derive e use a equação. A cada pseudoperíodo a energia encolhe pelo fator e−2T/τ; com Q=3, cerca de 88% dela se perde por oscilação. Um Q alto significa um vazamento lento em relação à oscilação — um bom relógio, uma ressonância aguda (Capítulo 8) — e um Q baixo, um retorno rápido: a escolha certa para uma suspensão ou para o ponteiro de um instrumento.
7.3 Exercícios
Exercício 7.1★
Um circuito RC: R=10kΩ, C=47nF, carregado a partir de E. Calcule τ, uC(τ)/E e o tempo para atingir 99% de E.
Com os mesmos L e C, que resistência dá o regime crítico? Quanto vale Q nesse caso? O que acontece para R=2kΩ?
Solução
Solução de Exercício 7.4.
Rc=2L/C=632Ω, Q=21. Em 2kΩ, Q=0.16: aperiódico, uma subida lenta governada pela raiz pequena ∣r+∣≈ω0Q=5×103s−1 (escala de tempo 0.2ms, mas sem oscilação).
Exercício 7.5★★
Um capacitor carregado C=1.0µF se descarrega através de um R desconhecido; a tensão cai à metade a cada 3.5ms. Mostre que a meia-vida vale τln2 e encontre R.
Solução
Solução de Exercício 7.5.
u=U0e−t/τ cai à metade quando e−t/τ=21: t1/2=τln2. τ=3.5/0.693=5.05ms, R=τ/C=5.1kΩ.
Exercício 7.6★★
Mostre por integração direta que carregar um capacitor de 0 a E através de R dissipa exatamente 21CE2 em R, independentemente de R. Qual é, então, o rendimento da transferência, e como se poderia fazer melhor?
Solução
Solução de Exercício 7.6.
i=(E/R)e−t/τ: ∫0∞Ri2dt=(E2/R)(τ/2)=21CE2, sem nenhum R à vista. A fonte fornece CE2: rendimento de 50% para qualquer resistor. Melhor: carregar através de um indutor (a corrente deixa então de ser proporcional à diferença de tensão) ou em vários degraus de tensão — cada degrau de E/n perde apenas 21C(E/n)2.
Exercício 7.7★★
Num osciloscópio, um decaimento RLC livre mostra máximos sucessivos de 2.0V, 1.5V, 1.12V a intervalos de 0.40ms. Deduza Q, ω0 e, com C=1.0µF, os valores de L e de R.
Solução
Solução de Exercício 7.7.
δ=ln(2.0/1.5)=0.29 (e ln(1.5/1.12)=0.29: coerente); Q≈π/δ=11. T=0.40ms, logo ω0≈2π/T=1.57×104rad/s (a correção 1/8Q2 vale 0.1%). L=1/(ω02C)=4.1mH; R=ω0L/Q=5.8Ω.
Exercício 7.8★★
Um capacitor carregado a U0=100V (C=10µF) é comutado sobre uma bobina L=1.0mH de resistência pequena (Q≫1). Escreva uC(t) e i(t) e estime a corrente de pico. Onde está a energia no pico?
Solução
Solução de Exercício 7.8.
uC≈U0e−t/τcosω0t; i=−CduC/dt≈CU0ω0sinω0t (para t≪τ), com pico U0C/L=100×0.1=10A, atingido um quarto de período após o fechamento, quando uC=0: toda a energia (21CU02=50mJ) é então magnética, 21Li2=50mJ.
Exercício 7.9★★
Um quarto de carro: m=400kg sobre uma mola k=2.0×104N/m. Calcule ω0, f0 e o coeficiente de amortecimento crítico. Com um amortecedor α=2000Ns/m, dê Q, o regime, o pseudoperíodo e o tempo de decaimento τ.
Uma bobina L=0.50H conduz I0=2.0A; a fonte é desligada e a bobina fica ligada a um resistor de descarga R=100Ω. Dê i(t), τ, a tensão de pico na bobina e a energia dissipada. O que aconteceria sem o resistor?
Solução
Solução de Exercício 7.10.
i=I0e−t/τ, τ=L/R=5.0ms; tensão de pico RI0=200V em t=0+; energia 21LI02=1.0J dissipada em R. Sem o resistor a corrente não tem caminho: di/dt é enorme, a tensão da bobina atinge quilovolts e um arco salta na chave.
Exercício 7.11★★★
Um capacitor C=1.0µF é carregado a partir de E=12V através de R1=10kΩ, com R2=20kΩ ligado em paralelo com ele. Usando um equivalente de Thévenin, encontre a constante de tempo e a tensão final; escreva uC(t) a partir de uC(0)=0.
Solução
Solução de Exercício 7.11.
Visto de C: ETh=ER2/(R1+R2)=8.0V, RTh=R1∥R2=6.67kΩ; τ=RThC=6.7ms; uC=8.0(1−e−t/τ) V.
Exercício 7.12★★★
Regime crítico, degrau a partir do repouso (x(0)=x′(0)=0): mostre que x=x∞[1−(1+ω0t)e−ω0t] e encontre numericamente o tempo para atingir 95% de x∞ (em unidades de 1/ω0). Compare com o tempo de acomodação da envoltória para Q=5 e com o da raiz lenta quando Q=0.1; conclua por que o regime “crítico” é o alvo do engenheiro.
Solução
Solução de Exercício 7.12.
Raiz dupla −ω0: x=x∞+(A+Bt)e−ω0t; x(0)=0 dá A=−x∞, e x′(0)=0 dá B=ω0A: x=x∞[1−(1+ω0t)e−ω0t]. Para 95%: (1+s)e−s=0.05, s≈4.7: t95=4.7/ω0. Para Q=5 a envoltória e−t/τ com τ=10/ω0 precisa de 3τ=30/ω0; para Q=0.1 a raiz lenta vale ∣r+∣≈ω0Q e 3/∣r+∣=30/ω0. Ambos são seis vezes mais lentos: o amortecimento crítico é o retorno mais rápido sem ultrapassagem, que é o que um instrumento, uma mola de porta ou uma suspensão pedem.
7.4 Problema: projetando uma suspensão
Problema 7.1
Problema de fim de semana — a mesma equação diferencial numa bancada de laboratório e sob um carro: quantos balanços um amortecedor gasto permite, o que o projetista escolhe em vez disso e como um único número distingue os dois
A Parte I estuda um circuito RLC série, L=10mH, C=100nF; as Partes II–IV, um modelo de quarto de carro: uma massa m=350kg apoiada numa mola k=22kN/m e num amortecedor que exerce −αx˙. Ultrapassagem de uma resposta ao degrau no regime pseudoperiódico (dada): xmax/x∞−1=exp(−πξ/1−ξ2), ξ=1/2Q.
Parte I — O circuito.
Escreva a lei das malhas para o RLC série sob uma fonte E e a equação diferencial de uC.
Ponha-a na forma canônica; exprima ω0 e Q.
Calcule ω0, f0 e a resistência crítica Rc.
Escreva a equação característica e o seu discriminante; enuncie os três regimes em termos de Q.
No caso pseudoperiódico, dê τ e ω e a forma de uC(t).
Para R=100Ω calcule Q, τ, o pseudoperíodo e o número de oscilações visíveis.
O capacitor, carregado a U0, é comutado sobre L e R em t=0. Dê uC(0+) e duC/dt(0+), com a razão física de cada um.
Parte II — O quarto de carro.
Medindo x a partir da posição de equilíbrio, escreva a segunda lei de Newton para a carroceria e mostre que o peso desaparece.
Ponha a equação na forma canônica; dê ω0 e Q em termos de m, k, α, e liste as correspondências eletromecânicas.
Calcule ω0, f0 e o coeficiente crítico αc.
O projetista monta α=4000Ns/m: calcule Q, ξ, e nomeie o regime.
Calcule τ e o pseudoperíodo.
Calcule a ultrapassagem após um degrau (um meio-fio): o carro é confortável?
Que resistência R daria ao circuito da Parte I o mesmo Q desta suspensão?
Parte III — O amortecedor gasto. Vazou óleo: α=1200Ns/m.
Calcule Q, o pseudoperíodo e τ.
Por qual fator os máximos sucessivos encolhem? Quantos balanços são visíveis antes que a amplitude fique abaixo de 5%?
O teste do balanço: empurra-se o canto para baixo em x0=5.0cm e solta-se. Dê as condições iniciais, a energia armazenada na mola e diga para onde vai essa energia.
Estime a velocidade de pico da carroceria durante o primeiro retorno (≈x0ω0 para Q≫1) e a força de pico no amortecedor.
Por que o amortecimento exatamente crítico (Q=21) não é a escolha do projetista, embora não produza ultrapassagem? (Pense nos últimos milímetros do retorno.)
Calcule a ultrapassagem para o amortecedor gasto e compare com a Parte II.
Parte IV — Diagnosticando Q num traçado. Um acelerômetro na carroceria registra o decaimento livre.
Para o carro gasto, os máximos sucessivos valem 1.00, 0.25, 0.062 (unidades arbitrárias). Calcule o decremento logarítmico, deduza ξ exatamente de δ=2πξ/1−ξ2 e depois Q; compare com a Parte III.
Para o carro em bom estado nenhum segundo máximo é visível; só a ultrapassagem, 3.8%, pode ser lida. Inverta a fórmula da ultrapassagem para encontrar ξ e Q.
Que fração da energia mecânica o amortecedor gasto dissipa por pseudoperíodo?
Um técnico que não tem um carro à mão monta o RLC da Parte I com R escolhido de modo que Q=2.3: que R, e por que o traçado do osciloscópio, plotado contra ω0t, tem forma idêntica à do carro?
Resuma: que número adimensional decide a forma de qualquer transitório de segunda ordem, que valor um projetista de suspensão busca e o que um motorista deve concluir de “mais de um balanço”.
16.e−T/τ=e−1.39=0.25: cada balanço é um quarto do anterior; 0.253=1.6%: três balanços visíveis.
17.x(0)=−x0, x˙(0)=0; energia 21kx02=0.5×22000×0.0025=28J, dissipada como calor no óleo do amortecedor.
18.v≈x0ω0=0.05×7.93=0.40m/s; força no amortecedor αv≈1200×0.40=480N.
19. Em Q=21 o retorno vale (1+ω0t)e−ω0t, que se arrasta assintoticamente: os últimos milímetros demoram. Um sistema levemente subamortecido (ξ≈0.7) ultrapassa alguns por cento, mas entra e permanece dentro de uma faixa de tolerância antes.
20.exp(−π×0.22/0.976)=exp(−0.70)=50%, contra 3.8%: o carro gasto volta metade do caminho além do equilíbrio.
21.δ=ln4=1.39 (duas vezes, coerente); ξ=δ/4π2+δ2=1.39/6.43=0.215, Q=1/2ξ=2.3: o valor do carro gasto.
22.−ln0.038=3.27=πξ/1−ξ2, logo ξ=3.27/π2+3.272=0.72, Q=0.69.
23. Energia ∝amplitude2: fração restante por período 0.252=6%, ou seja, 94% dissipados por pseudoperíodo.
24.R=316/2.3=137Ω. Na variável ω0t a equação canônica só contém Q: dois sistemas de mesmo Q traçam a mesma curva.
25. O fator de qualidadeQ (ou ξ) sozinho fixa a forma; um projetista busca Q≈0.7 (ξ≈0.7); mais de um balanço visível significa Q bem acima de 1: o amortecedor está gasto.