Physics · Livro 3 · Bachelor Year 1

Física universitária — 1.º ano

Física universitária — 1.º ano · Bachelor Year 1

7Regimes transitórios: primeira e segunda ordem

Aperte o canto de um carro estacionado e solte. Um carro em bom estado sobe uma vez e para; um carro com amortecedores gastos balança duas ou três vezes antes de se acomodar. Num laboratório de eletrônica os mesmos dois comportamentos aparecem num osciloscópio quando um capacitor se descarrega através de uma bobina: um retorno suave, ou uma oscilação que se extingue. Ambos são o transitório entre um regime permanente e outro, e ambos obedecem à mesma pequena família de equações diferenciais lineares — primeira ordem para um único reservatório de energia, segunda ordem para dois que trocam energia. Este capítulo as resolve de uma vez por todas, nomeia os seus parâmetros (constante de tempo, frequência própria, fator de qualidade) e mostra como os mesmos números descrevem um circuito e uma suspensão.

Uma bobina, um capacitor e um resistor num protoboard e, no osciloscópio, a oscilação amortecida que segue um degrau: o regime pseudoperiódico deste capítulo.
Uma bobina, um capacitor e um resistor num protoboard e, no osciloscópio, a oscilação amortecida que segue um degrau: o regime pseudoperiódico deste capítulo.

7.1 Sistemas de primeira ordem

Definição 7.1 (Sistema linear de primeira ordem)

Uma grandeza x(t)x(t) obedece a uma equação linear de primeira ordem com coeficientes constantes quando

τ ⁣dx ⁣dt+x=x,\tau\,\frac{\dd x}{\dd t} + x = x_\infty ,

com τ>0\tau > 0 a constante de tempo e xx_\infty uma constante (o valor imposto pela fonte). O seu regime permanente é x=xx = x_\infty; o regime transitório é a aproximação a ele a partir do valor inicial x(0)=x0x(0) = x_0.

Teorema 7.2 (Solução)

A única solução com x(0)=x0x(0) = x_0 é

x(t)=x+(x0x)et/τ.x(t) = x_\infty + (x_0 - x_\infty)\,\eu^{-t/\tau} .

A distância ao regime permanente encolhe pelo fator e10.37\eu^{-1} \approx 0.37 a cada τ\tau: 63%63\% do caminho em τ\tau, 95%95\% em 3τ3\tau, 99%99\% em 4.6τ4.6\tau. A tangente na origem atinge xx_\infty em t=τt = \tau.

Demonstração. y=xxy = x - x_\infty obedece a τy+y=0\tau y' + y = 0, cujas soluções são y=Ket/τy = K\eu^{-t/\tau} (o curso de matemática sobre equações diferenciais lineares mostra que não há outras); K=x0xK = x_0 - x_\infty. A inclinação em 00 vale (x0x)/τ-(x_0 - x_\infty)/\tau, que fecharia a distância no tempo τ\tau.

A resposta ao degrau de primeira ordem a partir de x_0 = 0: a tangente inicial encontra a assíntota em t =; 63\% do caminho em , 95\% em 3. Todo transitório de primeira ordem é essa curva, dilatada por  e deslocada por x_0 e x_∈fty.
A resposta ao degrau de primeira ordem a partir de x0=0x_0 = 0: a tangente inicial encontra a assíntota em t=τt = \tau; 63%63\% do caminho em τ\tau, 95%95\% em 3τ3\tau. Todo transitório de primeira ordem é essa curva, dilatada por τ\tau e deslocada por x0x_0 e xx_\infty.

Proposição 7.3 (Circuitos RC e RL)

Um capacitor CC carregado através de um resistor RR por uma fonte ideal EE obedece a RC ⁣duC/ ⁣dt+uC=ERC\,\dd u_C/\dd t + u_C = E: τ=RC\tau = RC, uC,=Eu_{C,\infty} = E. Uma bobina LL em série com RR sob EE obedece a (L/R) ⁣di/ ⁣dt+i=E/R(L/R)\,\dd i/\dd t + i = E/R: τ=L/R\tau = L/R, i=E/Ri_\infty = E/R. Retirada a fonte (E0E \to 0), as mesmas equações descrevem a descarga rumo a zero.

Demonstração. Lei das malhas E=Ri+uCE = Ri + u_C com i=C ⁣duC/ ⁣dti = C\,\dd u_C/\dd t; lei das malhas E=Ri+L ⁣di/ ⁣dtE = Ri + L\,\dd i/\dd t.

Proposição 7.4 (Condições de continuidade)

A tensão nos terminais de um capacitor e a corrente através de um indutor são funções contínuas do tempo: num instante de comutação t0t_0, uC(t0+)=uC(t0)u_C(t_0^+) = u_C(t_0^-) e iL(t0+)=iL(t0)i_L(t_0^+) = i_L(t_0^-). As correntes nos resistores e as tensões nas bobinas podem saltar.

Demonstração. Um salto de uCu_C exigiria i=C ⁣duC/ ⁣dti = C\,\dd u_C/\dd t infinita, e um salto de iLi_L exigiria u=L ⁣di/ ⁣dtu = L\,\dd i/\dd t infinita; ambos são impossíveis num circuito de tensões e correntes finitas (de modo equivalente, as energias armazenadas 12CuC2\tfrac12 Cu_C^2 e 12Li2\tfrac12 Li^2 não podem mudar instantaneamente sem potência infinita).

Método 7.5 (Resolvendo um transitório de primeira ordem)

  1. Escreva as leis das malhas e dos nós depois da comutação, com as leis dos componentes; reduza a uma única equação em uCu_C ou iLi_L e coloque-a na forma τx+x=x\tau x' + x = x_\infty; leia τ\tau e xx_\infty (este último é também o regime permanente obtido substituindo CC por um circuito aberto e LL por um fio).
  2. Encontre x0x_0 pela continuidade de uCu_C ou de iLi_L através do instante de comutação, usando o circuito anterior a ele.
  3. Escreva x=x+(x0x)et/τx = x_\infty + (x_0 - x_\infty)\eu^{-t/\tau}; deduza as demais grandezas por derivação e pela lei das malhas.

Quando o capacitor enxerga uma rede de resistores e fontes, substitua primeiro essa rede pelo seu equivalente de Thévenin (ETh,RTh)(E_{\mathrm{Th}}, R_{\mathrm{Th}}) (Capítulo 6): τ=RThC\tau = R_{\mathrm{Th}}C, u=EThu_\infty = E_{\mathrm{Th}}.

Proposição 7.6 (Balanço energético da carga de um RC)

Ao carregar um capacitor de 00 até EE através de um resistor RR qualquer, a fonte fornece CE2CE^2, o capacitor armazena 12CE2\tfrac12 CE^2 e o resistor dissipa o outro 12CE2\tfrac12 CE^2 — seja qual for RR.

Demonstração. i=(E/R)et/τi = (E/R)\eu^{-t/\tau}; a fonte fornece 0Ei ⁣dt=E(E/R)τ=CE2\int_0^\infty Ei\,\dd t = E \cdot (E/R)\tau = CE^2; o resistor toma 0Ri2 ⁣dt=(E2/R)0e2t/τ ⁣dt=(E2/R)(τ/2)=12CE2\int_0^\infty Ri^2\,\dd t = (E^2/R)\int_0^\infty \eu^{-2t/\tau}\dd t = (E^2/R)(\tau/2) = \tfrac12 CE^2; a diferença é o 12CE2\tfrac12 CE^2 armazenado. Um RR menor dissipa a mesma energia mais depressa.

Exemplo 7.7 (A bobina de um relé)

L=20mHL = 20\,\mathrm{mH}, R=5.0ΩR = 5.0\,\Omega, E=10VE = 10\,\mathrm{V}: τ=4.0ms\tau = 4.0\,\mathrm{ms}, i=2.0Ai_\infty = 2.0\,\mathrm{A}; os contatos fecham quando ii atinge 1.5A1.5\,\mathrm{A}, isto é, em t=τln(10.75)=5.5mst = -\tau\ln(1 - 0.75) = 5.5\,\mathrm{ms}. Ao abrir o circuito, ii deve cair de 2A2\,\mathrm{A}; um diodo “de roda livre” em paralelo com a bobina lhe dá um caminho apenas através de RR, τ=4ms\tau = 4\,\mathrm{ms}, em vez de uma faísca.

7.2 Sistemas de segunda ordem

Definição 7.8 (Forma canônica de segunda ordem)

Uma grandeza x(t)x(t) é um sistema linear de segunda ordem quando

 ⁣d2x ⁣dt2+ω0Q ⁣dx ⁣dt+ω02x=ω02x,\frac{\dd^2 x}{\dd t^2} + \frac{\omega_0}{Q}\,\frac{\dd x}{\dd t} + \omega_0^2\,x = \omega_0^2\,x_\infty ,

com ω0>0\omega_0 > 0 a frequência angular própria, Q>0Q > 0 o fator de qualidade (adimensional) e xx_\infty o regime permanente. Escreve-se também ω0/Q=2ξω0\omega_0/Q = 2\xi\omega_0, com ξ=1/2Q\xi = 1/2Q o fator de amortecimento.

Proposição 7.9 (O circuito RLC série)

Um capacitor CC, uma bobina LL e um resistor RR em série sob uma fonte EE: a tensão do capacitor obedece à forma canônica com

ω0=1LC,Q=1RLC,uC,=E.\omega_0 = \frac{1}{\sqrt{LC}}, \qquad Q = \frac{1}{R}\sqrt{\frac{L}{C}}, \qquad u_{C,\infty} = E .

Demonstração. Lei das malhas: E=L ⁣di/ ⁣dt+Ri+uCE = L\,\dd i/\dd t + Ri + u_C com i=C ⁣duC/ ⁣dti = C\,\dd u_C/\dd t: LCuC+RCuC+uC=ELC\,u_C'' + RC\,u_C' + u_C = E; divida por LCLC e identifique ω02=1/LC\omega_0^2 = 1/LC, ω0/Q=R/L\omega_0/Q = R/L.

As duas faces do sistema de segunda ordem: o circuito RLC série (_0 = 1/√LC, Q = √L/C/R) e o conjunto massa–mola–amortecedor (_0 = √k/m, Q = √km/). Mesma equação, mesmos três regimes.
As duas faces do sistema de segunda ordem: o circuito RLC série (ω0=1/LC\omega_0 = 1/\sqrt{LC}, Q=L/C/RQ = \sqrt{L/C}/R) e o conjunto massa–mola–amortecedor (ω0=k/m\omega_0 = \sqrt{k/m}, Q=km/αQ = \sqrt{km}/\alpha). Mesma equação, mesmos três regimes.

Proposição 7.10 (O oscilador mecânico)

Uma massa mm sobre uma mola de rigidez kk com um amortecedor viscoso de coeficiente α\alpha (força αx˙-\alpha\dot x), deslocada de xx em relação ao equilíbrio, obedece a mx¨+αx˙+kx=0m\ddot x + \alpha\dot x + kx = 0: a forma canônica com

ω0=km,Q=kmα.\omega_0 = \sqrt{\frac{k}{m}}, \qquad Q = \frac{\sqrt{km}}{\alpha} .

A correspondência xqx \leftrightarrow q, x˙i\dot x \leftrightarrow i, mLm \leftrightarrow L, αR\alpha \leftrightarrow R, k1/Ck \leftrightarrow 1/C leva todo resultado de um sistema no outro.

Demonstração. A segunda lei de Newton (Capítulo 12) com a força da mola kx-kx e a força de amortecimento; divida por mm.

Teorema 7.11 (Os três regimes)

As soluções da equação homogênea x+(ω0/Q)x+ω02x=0x'' + (\omega_0/Q)x' + \omega_0^2 x = 0 são governadas pelas raízes de r2+(ω0/Q)r+ω02=0r^2 + (\omega_0/Q)r + \omega_0^2 = 0, de discriminante Δ=ω02(1/Q24)\Delta = \omega_0^2(1/Q^2 - 4):

  • Q<12Q < \tfrac12, regime aperiódico: duas raízes reais negativas r±=ω02Q(114Q2)r_\pm = -\frac{\omega_0}{2Q}\big(1 \mp \sqrt{1 - 4Q^2}\big), x=Aer+t+Bertx = A\eu^{r_+t} + B\eu^{r_-t}, um retorno sem oscilação;
  • Q=12Q = \tfrac12, regime crítico: uma raiz dupla r=ω0r = -\omega_0, x=(A+Bt)eω0tx = (A + Bt)\eu^{-\omega_0 t}, o retorno mais rápido sem ultrapassagem;
  • Q>12Q > \tfrac12, regime pseudoperiódico: raízes complexas r=1/τ±iωr = -1/\tau \pm \iu\omega com

    τ=2Qω0,ω=ω0114Q2,x=et/τ(Acosωt+Bsinωt),\tau = \frac{2Q}{\omega_0}, \qquad \omega = \omega_0\sqrt{1 - \frac{1}{4Q^2}}, \qquad x = \eu^{-t/\tau}\big(A\cos\omega t + B\sin\omega t\big),

    uma oscilação amortecida de pseudoperíodo T=2π/ωT = 2\pi/\omega dentro da envoltória ±A2+B2et/τ\pm\sqrt{A^2 + B^2}\,\eu^{-t/\tau}.

A solução completa com segundo membro constante é xx_\infty mais a solução homogênea; AA e BB decorrem de x(0)x(0) e x(0)x'(0).

Demonstração. Equação característica de uma equação linear com coeficientes constantes (curso de matemática, equações lineares de segunda ordem): as raízes são r=ω0/2Q±12Δr = -\omega_0/2Q \pm \tfrac12\sqrt\Delta. Para Q>12Q > \tfrac12, Δ=iω041/Q2\sqrt\Delta = \iu\omega_0\sqrt{4 - 1/Q^2}, o que dá a parte real ω0/2Q=1/τ-\omega_0/2Q = -1/\tau e a parte imaginária ±ω011/4Q2\pm\omega_0\sqrt{1 - 1/4Q^2}; as soluções reais são as combinações de et/τcosωt\eu^{-t/\tau}\cos\omega t e et/τsinωt\eu^{-t/\tau}\sin\omega t.

Resposta ao degrau de um sistema de segunda ordem a partir do repouso, para três fatores de qualidade. Q pequeno: uma subida lenta; Q = 1/2: o retorno mais rápido sem ultrapassagem; Q grande: uma oscilação que dura cerca de Q períodos.
Resposta ao degrau de um sistema de segunda ordem a partir do repouso, para três fatores de qualidade. QQ pequeno: uma subida lenta; Q=12Q = \tfrac12: o retorno mais rápido sem ultrapassagem; QQ grande: uma oscilação que dura cerca de QQ períodos.

Proposição 7.12 (Lendo QQ num traçado pseudoperiódico)

No regime pseudoperiódico, dois máximos sucessivos estão na razão xn+1/xn=eT/τx_{n+1}/x_n = \eu^{-T/\tau}; o decremento logarítmico

δ=lnxnxn+1=Tτ=πQ11/4Q2πQ(Q1)\delta = \ln\frac{x_n}{x_{n+1}} = \frac{T}{\tau} = \frac{\pi}{Q\sqrt{1 - 1/4Q^2}} \approx \frac{\pi}{Q} \quad (Q \gg 1)

QQ; o número de oscilações visíveis antes que a amplitude caia abaixo de 5%5\% é da ordem de QQ. Para Q1Q \gg 1, ωω0\omega \approx \omega_0 e T2π/ω0T \approx 2\pi/\omega_0.

Demonstração. A envoltória et/τ\eu^{-t/\tau} é multiplicada por eT/τ\eu^{-T/\tau} a cada período; T/τ=(2π/ω)(ω0/2Q)T/\tau = (2\pi/\omega)(\omega_0/2Q). A envoltória atinge e35%\eu^{-3} \approx 5\% em 3τ=6Q/ω0QT3\tau = 6Q/\omega_0 \approx Q\,T, isto é, após cerca de QQ períodos.

Decaimento pseudoperiódico livre, x = x_0 -t/ t: os máximos sucessivos encolhem pelo fator constante -T/, e (x_n/x_n+1) = T/ π/Q mede o fator de qualidade a partir do traçado.
Decaimento pseudoperiódico livre, x=x0et/τcosωtx = x_0\eu^{-t/\tau}\cos\omega t: os máximos sucessivos encolhem pelo fator constante eT/τ\eu^{-T/\tau}, e ln(xn/xn+1)=T/τπ/Q\ln(x_n/x_{n+1}) = T/\tau \approx \pi/Q mede o fator de qualidade a partir do traçado.

Exemplo 7.13 (Uma oscilação RLC)

L=10mHL = 10\,\mathrm{mH}, C=100nFC = 100\,\mathrm{nF}, R=100ΩR = 100\,\Omega: ω0=1/109=3.16×104rad/s\omega_0 = 1/\sqrt{10^{-9}} = 3.16 \times 10^{4}\,\mathrm{rad}/\mathrm{s} (f0=5.03kHzf_0 = 5.03\,\mathrm{kHz}), Q=L/C/R=316/100=3.16Q = \sqrt{L/C}/R = 316/100 = 3.16: pseudoperiódico, τ=2Q/ω0=0.20ms\tau = 2Q/\omega_0 = 0.20\,\mathrm{ms}, ω=0.987ω0\omega = 0.987\,\omega_0, T=0.20msT = 0.20\,\mathrm{ms}, três oscilações visíveis. A resistência crítica vale Rc=2L/C=632ΩR_c = 2\sqrt{L/C} = 632\,\Omega; acima dela a descarga é aperiódica.

Método 7.14 (Resolvendo um transitório de segunda ordem)

  1. Escreva a equação; ponha-a na forma canônica; leia ω0\omega_0, QQ e xx_\infty.
  2. Decida o regime a partir de QQ e escreva a solução geral como xx_\infty mais a solução homogênea.
  3. Encontre x(0)x(0) e x(0)x'(0) pela continuidade de uCu_C e de iLi_L (para o RLC: uC(0+)=uC(0)u_C(0^+) = u_C(0^-) e uC(0+)=i(0)/Cu_C'(0^+) = i(0^-)/C); determine as duas constantes.

Exemplo 7.15 (Condições iniciais)

O capacitor do exemplo anterior é carregado a U0U_0 e, em t=0t = 0, fechado sobre LL e RR (sem fonte): x=0x_\infty = 0, uC(0)=U0u_C(0) = U_0, uC(0)=i(0)/C=0u_C'(0) = i(0)/C = 0, pois a corrente na bobina era nula. Logo A=U0A = U_0 e A/τ+Bω=0-A/\tau + B\omega = 0, B=U0/(ωτ)=U0/4Q21B = U_0/(\omega\tau) = U_0/\sqrt{4Q^2 - 1}: uC=U0et/τ[cosωt+sin(ωt)/4Q21]u_C = U_0\eu^{-t/\tau}[\cos\omega t + \sin(\omega t)/\sqrt{4Q^2 - 1}] — para Q1Q \gg 1, simplesmente U0et/τcosω0tU_0\eu^{-t/\tau}\cos\omega_0 t, e a corrente i=C ⁣duC/ ⁣dti = -C\,\dd u_C/\dd t tem pico próximo de U0C/L=U0/(ω0L)U_0\sqrt{C/L} = U_0/(\omega_0 L).

Observação 7.16 (Energia)

A energia armazenada 12CuC2+12Li2\tfrac12 Cu_C^2 + \tfrac12 Li^2 (ou 12kx2+12mx˙2\tfrac12 kx^2 + \tfrac12 m\dot x^2) decresce à taxa Ri2Ri^2 (αx˙2\alpha\dot x^2): derive e use a equação. A cada pseudoperíodo a energia encolhe pelo fator e2T/τ\eu^{-2T/\tau}; com Q=3Q = 3, cerca de 88%88\% dela se perde por oscilação. Um QQ alto significa um vazamento lento em relação à oscilação — um bom relógio, uma ressonância aguda (Capítulo 8) — e um QQ baixo, um retorno rápido: a escolha certa para uma suspensão ou para o ponteiro de um instrumento.

7.3 Exercícios

Exercício 7.1

Um circuito RC: R=10kΩR = 10\,\mathrm{k}\Omega, C=47nFC = 47\,\mathrm{nF}, carregado a partir de EE. Calcule τ\tau, uC(τ)/Eu_C(\tau)/E e o tempo para atingir 99%99\% de EE.

Solução

Solução de Exercício 7.1.

τ=RC=104×47×109=0.47ms\tau = RC = 10^4 \times 47\times10^{-9} = 0.47\,\mathrm{ms}; uC(τ)/E=1e1=0.63u_C(\tau)/E = 1 - \eu^{-1} = 0.63; 99%99\%: et/τ=0.01\eu^{-t/\tau} = 0.01, t=τln100=4.6τ=2.2mst = \tau\ln 100 = 4.6\tau = 2.2\,\mathrm{ms}.

Exercício 7.2

Um circuito RL: L=20mHL = 20\,\mathrm{mH}, R=5.0ΩR = 5.0\,\Omega, E=10VE = 10\,\mathrm{V}. Calcule τ\tau, a corrente final, a corrente em t=τt = \tau e a tensão na bobina logo após o fechamento da chave.

Solução

Solução de Exercício 7.2.

τ=L/R=4.0ms\tau = L/R = 4.0\,\mathrm{ms}; i=E/R=2.0Ai_\infty = E/R = 2.0\,\mathrm{A}; i(τ)=0.63×2.0=1.26Ai(\tau) = 0.63 \times 2.0 = 1.26\,\mathrm{A}; em 0+0^+, i=0i = 0 (continuidade), logo uL=ERi=10Vu_L = E - Ri = 10\,\mathrm{V}.

Exercício 7.3

Um RLC série: L=10mHL = 10\,\mathrm{mH}, C=100nFC = 100\,\mathrm{nF}, R=100ΩR = 100\,\Omega. Calcule ω0\omega_0, f0f_0, QQ; nomeie o regime; dê τ\tau e o pseudoperíodo.

Solução

Solução de Exercício 7.3.

ω0=1/LC=3.16×104rad/s\omega_0 = 1/\sqrt{LC} = 3.16 \times 10^{4}\,\mathrm{rad}/\mathrm{s}, f0=5.03kHzf_0 = 5.03\,\mathrm{kHz}; Q=L/C/R=316/100=3.2>12Q = \sqrt{L/C}/R = 316/100 = 3.2 > \tfrac12: pseudoperiódico; τ=2Q/ω0=0.20ms\tau = 2Q/\omega_0 = 0.20\,\mathrm{ms}; ω=ω011/4Q2=0.987ω0\omega = \omega_0\sqrt{1 - 1/4Q^2} = 0.987\omega_0, T=0.20msT = 0.20\,\mathrm{ms}.

Exercício 7.4

Com os mesmos LL e CC, que resistência dá o regime crítico? Quanto vale QQ nesse caso? O que acontece para R=2kΩR = 2\,\mathrm{k}\Omega?

Solução

Solução de Exercício 7.4.

Rc=2L/C=632ΩR_c = 2\sqrt{L/C} = 632\,\Omega, Q=12Q = \tfrac12. Em 2kΩ2\,\mathrm{k}\Omega, Q=0.16Q = 0.16: aperiódico, uma subida lenta governada pela raiz pequena r+ω0Q=5×103s1\abs{r_+} \approx \omega_0 Q = 5 \times 10^{3}\,\mathrm{s}^{-1} (escala de tempo 0.2ms0.2\,\mathrm{ms}, mas sem oscilação).

Exercício 7.5 ★★

Um capacitor carregado C=1.0µFC = 1.0\,\text{µ}\mathrm{F} se descarrega através de um RR desconhecido; a tensão cai à metade a cada 3.5ms3.5\,\mathrm{ms}. Mostre que a meia-vida vale τln2\tau\ln 2 e encontre RR.

Solução

Solução de Exercício 7.5.

u=U0et/τu = U_0\eu^{-t/\tau} cai à metade quando et/τ=12\eu^{-t/\tau} = \tfrac12: t1/2=τln2t_{1/2} = \tau\ln 2. τ=3.5/0.693=5.05ms\tau = 3.5/0.693 = 5.05\,\mathrm{ms}, R=τ/C=5.1kΩR = \tau/C = 5.1\,\mathrm{k}\Omega.

Exercício 7.6 ★★

Mostre por integração direta que carregar um capacitor de 00 a EE através de RR dissipa exatamente 12CE2\tfrac12 CE^2 em RR, independentemente de RR. Qual é, então, o rendimento da transferência, e como se poderia fazer melhor?

Solução

Solução de Exercício 7.6.

i=(E/R)et/τi = (E/R)\eu^{-t/\tau}: 0Ri2 ⁣dt=(E2/R)(τ/2)=12CE2\int_0^\infty Ri^2\,\dd t = (E^2/R)(\tau/2) = \tfrac12 CE^2, sem nenhum RR à vista. A fonte fornece CE2CE^2: rendimento de 50%50\% para qualquer resistor. Melhor: carregar através de um indutor (a corrente deixa então de ser proporcional à diferença de tensão) ou em vários degraus de tensão — cada degrau de E/nE/n perde apenas 12C(E/n)2\tfrac12 C(E/n)^2.

Exercício 7.7 ★★

Num osciloscópio, um decaimento RLC livre mostra máximos sucessivos de 2.0V2.0\,\mathrm{V}, 1.5V1.5\,\mathrm{V}, 1.12V1.12\,\mathrm{V} a intervalos de 0.40ms0.40\,\mathrm{ms}. Deduza QQ, ω0\omega_0 e, com C=1.0µFC = 1.0\,\text{µ}\mathrm{F}, os valores de LL e de RR.

Solução

Solução de Exercício 7.7.

δ=ln(2.0/1.5)=0.29\delta = \ln(2.0/1.5) = 0.29 (e ln(1.5/1.12)=0.29\ln(1.5/1.12) = 0.29: coerente); Qπ/δ=11Q \approx \pi/\delta = 11. T=0.40msT = 0.40\,\mathrm{ms}, logo ω02π/T=1.57×104rad/s\omega_0 \approx 2\pi/T = 1.57 \times 10^{4}\,\mathrm{rad}/\mathrm{s} (a correção 1/8Q21/8Q^2 vale 0.1%0.1\%). L=1/(ω02C)=4.1mHL = 1/(\omega_0^2 C) = 4.1\,\mathrm{mH}; R=ω0L/Q=5.8ΩR = \omega_0 L/Q = 5.8\,\Omega.

Exercício 7.8 ★★

Um capacitor carregado a U0=100VU_0 = 100\,\mathrm{V} (C=10µFC = 10\,\text{µ}\mathrm{F}) é comutado sobre uma bobina L=1.0mHL = 1.0\,\mathrm{mH} de resistência pequena (Q1Q \gg 1). Escreva uC(t)u_C(t) e i(t)i(t) e estime a corrente de pico. Onde está a energia no pico?

Solução

Solução de Exercício 7.8.

uCU0et/τcosω0tu_C \approx U_0\eu^{-t/\tau}\cos\omega_0 t; i=C ⁣duC/ ⁣dtCU0ω0sinω0ti = -C\,\dd u_C/\dd t \approx CU_0\omega_0\sin\omega_0 t (para tτt \ll \tau), com pico U0C/L=100×0.1=10AU_0\sqrt{C/L} = 100 \times 0.1 = 10\,\mathrm{A}, atingido um quarto de período após o fechamento, quando uC=0u_C = 0: toda a energia (12CU02=50mJ\tfrac12 CU_0^2 = 50\,\mathrm{mJ}) é então magnética, 12Li2=50mJ\tfrac12 Li^2 = 50\,\mathrm{mJ}.

Exercício 7.9 ★★

Um quarto de carro: m=400kgm = 400\,\mathrm{kg} sobre uma mola k=2.0×104N/mk = 2.0 \times 10^{4}\,\mathrm{N}/\mathrm{m}. Calcule ω0\omega_0, f0f_0 e o coeficiente de amortecimento crítico. Com um amortecedor α=2000Ns/m\alpha = 2000\,\mathrm{N}\,\mathrm{s}/\mathrm{m}, dê QQ, o regime, o pseudoperíodo e o tempo de decaimento τ\tau.

Solução

Solução de Exercício 7.9.

ω0=k/m=7.1rad/s\omega_0 = \sqrt{k/m} = 7.1\,\mathrm{rad}/\mathrm{s}, f0=1.1Hzf_0 = 1.1\,\mathrm{Hz}; αc=2km=28×106=5.7×103Ns/m\alpha_c = 2\sqrt{km} = 2\sqrt{8\times10^6} = 5.7 \times 10^{3}\,\mathrm{N}\,\mathrm{s}/\mathrm{m}. α=2000\alpha = 2000: Q=km/α=2828/2000=1.4Q = \sqrt{km}/\alpha = 2828/2000 = 1.4, pseudoperiódico; T=2π/(ω011/4Q2)=0.89/0.935=0.95sT = 2\pi/(\omega_0\sqrt{1 - 1/4Q^2}) = 0.89/0.935 = 0.95\,\mathrm{s}; τ=2Q/ω0=0.40s\tau = 2Q/\omega_0 = 0.40\,\mathrm{s}.

Exercício 7.10 ★★★

Uma bobina L=0.50HL = 0.50\,\mathrm{H} conduz I0=2.0AI_0 = 2.0\,\mathrm{A}; a fonte é desligada e a bobina fica ligada a um resistor de descarga R=100ΩR = 100\,\Omega. Dê i(t)i(t), τ\tau, a tensão de pico na bobina e a energia dissipada. O que aconteceria sem o resistor?

Solução

Solução de Exercício 7.10.

i=I0et/τi = I_0\eu^{-t/\tau}, τ=L/R=5.0ms\tau = L/R = 5.0\,\mathrm{ms}; tensão de pico RI0=200VRI_0 = 200\,\mathrm{V} em t=0+t = 0^+; energia 12LI02=1.0J\tfrac12 LI_0^2 = 1.0\,\mathrm{J} dissipada em RR. Sem o resistor a corrente não tem caminho:  ⁣di/ ⁣dt\dd i/\dd t é enorme, a tensão da bobina atinge quilovolts e um arco salta na chave.

Exercício 7.11 ★★★

Um capacitor C=1.0µFC = 1.0\,\text{µ}\mathrm{F} é carregado a partir de E=12VE = 12\,\mathrm{V} através de R1=10kΩR_1 = 10\,\mathrm{k}\Omega, com R2=20kΩR_2 = 20\,\mathrm{k}\Omega ligado em paralelo com ele. Usando um equivalente de Thévenin, encontre a constante de tempo e a tensão final; escreva uC(t)u_C(t) a partir de uC(0)=0u_C(0) = 0.

Solução

Solução de Exercício 7.11.

Visto de CC: ETh=ER2/(R1+R2)=8.0VE_{\mathrm{Th}} = ER_2/(R_1 + R_2) = 8.0\,\mathrm{V}, RTh=R1R2=6.67kΩR_{\mathrm{Th}} = R_1 \parallel R_2 = 6.67\,\mathrm{k}\Omega; τ=RThC=6.7ms\tau = R_{\mathrm{Th}}C = 6.7\,\mathrm{ms}; uC=8.0(1et/τ)u_C = 8.0(1 - \eu^{-t/\tau}) V.

Exercício 7.12 ★★★

Regime crítico, degrau a partir do repouso (x(0)=x(0)=0x(0) = x'(0) = 0): mostre que x=x[1(1+ω0t)eω0t]x = x_\infty[1 - (1 + \omega_0 t)\eu^{-\omega_0 t}] e encontre numericamente o tempo para atingir 95%95\% de xx_\infty (em unidades de 1/ω01/\omega_0). Compare com o tempo de acomodação da envoltória para Q=5Q = 5 e com o da raiz lenta quando Q=0.1Q = 0.1; conclua por que o regime “crítico” é o alvo do engenheiro.

Solução

Solução de Exercício 7.12.

Raiz dupla ω0-\omega_0: x=x+(A+Bt)eω0tx = x_\infty + (A + Bt)\eu^{-\omega_0 t}; x(0)=0x(0) = 0A=xA = -x_\infty, e x(0)=0x'(0) = 0B=ω0AB = \omega_0 A: x=x[1(1+ω0t)eω0t]x = x_\infty[1 - (1 + \omega_0 t)\eu^{-\omega_0 t}]. Para 95%95\%: (1+s)es=0.05(1 + s)\eu^{-s} = 0.05, s4.7s \approx 4.7: t95=4.7/ω0t_{95} = 4.7/\omega_0. Para Q=5Q = 5 a envoltória et/τ\eu^{-t/\tau} com τ=10/ω0\tau = 10/\omega_0 precisa de 3τ=30/ω03\tau = 30/\omega_0; para Q=0.1Q = 0.1 a raiz lenta vale r+ω0Q\abs{r_+} \approx \omega_0 Q e 3/r+=30/ω03/\abs{r_+} = 30/\omega_0. Ambos são seis vezes mais lentos: o amortecimento crítico é o retorno mais rápido sem ultrapassagem, que é o que um instrumento, uma mola de porta ou uma suspensão pedem.

7.4 Problema: projetando uma suspensão

Problema 7.1

Problema de fim de semana — a mesma equação diferencial numa bancada de laboratório e sob um carro: quantos balanços um amortecedor gasto permite, o que o projetista escolhe em vez disso e como um único número distingue os dois

A Parte I estuda um circuito RLC série, L=10mHL = 10\,\mathrm{mH}, C=100nFC = 100\,\mathrm{nF}; as Partes II–IV, um modelo de quarto de carro: uma massa m=350kgm = 350\,\mathrm{kg} apoiada numa mola k=22kN/mk = 22\,\mathrm{kN}/\mathrm{m} e num amortecedor que exerce αx˙-\alpha\dot x. Ultrapassagem de uma resposta ao degrau no regime pseudoperiódico (dada): xmax/x1=exp(πξ/1ξ2)x_{\max}/x_\infty - 1 = \exp(-\pi\xi/\sqrt{1 - \xi^2}), ξ=1/2Q\xi = 1/2Q.

Parte I — O circuito.

  1. Escreva a lei das malhas para o RLC série sob uma fonte EE e a equação diferencial de uCu_C.
  2. Ponha-a na forma canônica; exprima ω0\omega_0 e QQ.
  3. Calcule ω0\omega_0, f0f_0 e a resistência crítica RcR_c.
  4. Escreva a equação característica e o seu discriminante; enuncie os três regimes em termos de QQ.
  5. No caso pseudoperiódico, dê τ\tau e ω\omega e a forma de uC(t)u_C(t).
  6. Para R=100ΩR = 100\,\Omega calcule QQ, τ\tau, o pseudoperíodo e o número de oscilações visíveis.
  7. O capacitor, carregado a U0U_0, é comutado sobre LL e RR em t=0t = 0. Dê uC(0+)u_C(0^+) e  ⁣duC/ ⁣dt(0+)\dd u_C/\dd t(0^+), com a razão física de cada um.

Parte II — O quarto de carro.

  1. Medindo xx a partir da posição de equilíbrio, escreva a segunda lei de Newton para a carroceria e mostre que o peso desaparece.
  2. Ponha a equação na forma canônica; dê ω0\omega_0 e QQ em termos de mm, kk, α\alpha, e liste as correspondências eletromecânicas.
  3. Calcule ω0\omega_0, f0f_0 e o coeficiente crítico αc\alpha_c.
  4. O projetista monta α=4000Ns/m\alpha = 4000\,\mathrm{N}\,\mathrm{s}/\mathrm{m}: calcule QQ, ξ\xi, e nomeie o regime.
  5. Calcule τ\tau e o pseudoperíodo.
  6. Calcule a ultrapassagem após um degrau (um meio-fio): o carro é confortável?
  7. Que resistência RR daria ao circuito da Parte I o mesmo QQ desta suspensão?

Parte III — O amortecedor gasto. Vazou óleo: α=1200Ns/m\alpha = 1200\,\mathrm{N}\,\mathrm{s}/\mathrm{m}.

  1. Calcule QQ, o pseudoperíodo e τ\tau.
  2. Por qual fator os máximos sucessivos encolhem? Quantos balanços são visíveis antes que a amplitude fique abaixo de 5%5\%?
  3. O teste do balanço: empurra-se o canto para baixo em x0=5.0cmx_0 = 5.0\,\mathrm{cm} e solta-se. Dê as condições iniciais, a energia armazenada na mola e diga para onde vai essa energia.
  4. Estime a velocidade de pico da carroceria durante o primeiro retorno (x0ω0\approx x_0\omega_0 para Q1Q \gg 1) e a força de pico no amortecedor.
  5. Por que o amortecimento exatamente crítico (Q=12Q = \tfrac12) não é a escolha do projetista, embora não produza ultrapassagem? (Pense nos últimos milímetros do retorno.)
  6. Calcule a ultrapassagem para o amortecedor gasto e compare com a Parte II.

Parte IV — Diagnosticando QQ num traçado. Um acelerômetro na carroceria registra o decaimento livre.

  1. Para o carro gasto, os máximos sucessivos valem 1.001.00, 0.250.25, 0.0620.062 (unidades arbitrárias). Calcule o decremento logarítmico, deduza ξ\xi exatamente de δ=2πξ/1ξ2\delta = 2\pi\xi/\sqrt{1 - \xi^2} e depois QQ; compare com a Parte III.
  2. Para o carro em bom estado nenhum segundo máximo é visível; só a ultrapassagem, 3.8%3.8\%, pode ser lida. Inverta a fórmula da ultrapassagem para encontrar ξ\xi e QQ.
  3. Que fração da energia mecânica o amortecedor gasto dissipa por pseudoperíodo?
  4. Um técnico que não tem um carro à mão monta o RLC da Parte I com RR escolhido de modo que Q=2.3Q = 2.3: que RR, e por que o traçado do osciloscópio, plotado contra ω0t\omega_0 t, tem forma idêntica à do carro?
  5. Resuma: que número adimensional decide a forma de qualquer transitório de segunda ordem, que valor um projetista de suspensão busca e o que um motorista deve concluir de “mais de um balanço”.
Solução

Solução de Problema 7.1.

1. E=L ⁣di/ ⁣dt+Ri+uCE = L\,\dd i/\dd t + Ri + u_C, i=C ⁣duC/ ⁣dti = C\,\dd u_C/\dd t: LCuC+RCuC+uC=ELC\,u_C'' + RC\,u_C' + u_C = E.

2. uC+(ω0/Q)uC+ω02uC=ω02Eu_C'' + (\omega_0/Q)u_C' + \omega_0^2u_C = \omega_0^2E com ω0=1/LC\omega_0 = 1/\sqrt{LC}, Q=L/C/RQ = \sqrt{L/C}/R.

3. ω0=3.16×104rad/s\omega_0 = 3.16 \times 10^{4}\,\mathrm{rad}/\mathrm{s}, f0=5.03kHzf_0 = 5.03\,\mathrm{kHz}, Rc=2L/C=632ΩR_c = 2\sqrt{L/C} = 632\,\Omega.

4. r2+(ω0/Q)r+ω02=0r^2 + (\omega_0/Q)r + \omega_0^2 = 0, Δ=ω02(1/Q24)\Delta = \omega_0^2(1/Q^2 - 4): Q<12Q < \tfrac12 aperiódico, Q=12Q = \tfrac12 crítico, Q>12Q > \tfrac12 pseudoperiódico.

5. τ=2Q/ω0\tau = 2Q/\omega_0, ω=ω011/4Q2\omega = \omega_0\sqrt{1 - 1/4Q^2}, uC=E+et/τ(Acosωt+Bsinωt)u_C = E + \eu^{-t/\tau}(A\cos\omega t + B\sin\omega t).

6. Q=3.16Q = 3.16, τ=0.20ms\tau = 0.20\,\mathrm{ms}, T=2π/ω=0.20msT = 2\pi/\omega = 0.20\,\mathrm{ms}, cerca de três oscilações.

7. uC(0+)=U0u_C(0^+) = U_0 (uCu_C contínua: corrente finita); uC(0+)=i(0+)/C=0u_C'(0^+) = i(0^+)/C = 0 (iLi_L contínua e nula antes).

8. mx¨=k(x+xeq)αx˙+mgm\ddot x = -k(x + x_{\text{eq}}) - \alpha\dot x + mg com kxeq=mgkx_{\text{eq}} = mg: mx¨+αx˙+kx=0m\ddot x + \alpha\dot x + kx = 0.

9. ω0=k/m\omega_0 = \sqrt{k/m}, Q=km/αQ = \sqrt{km}/\alpha; xqx \leftrightarrow q, x˙i\dot x \leftrightarrow i, mLm \leftrightarrow L, αR\alpha \leftrightarrow R, k1/Ck \leftrightarrow 1/C.

10. ω0=22000/350=7.93rad/s\omega_0 = \sqrt{22000/350} = 7.93\,\mathrm{rad}/\mathrm{s}, f0=1.26Hzf_0 = 1.26\,\mathrm{Hz}; αc=2km=5.55×103Ns/m\alpha_c = 2\sqrt{km} = 5.55 \times 10^{3}\,\mathrm{N}\,\mathrm{s}/\mathrm{m}.

11. Q=2775/4000=0.69Q = 2775/4000 = 0.69, ξ=0.72\xi = 0.72: pseudoperiódico, logo abaixo do crítico.

12. τ=2Q/ω0=0.18s\tau = 2Q/\omega_0 = 0.18\,\mathrm{s}; ω=ω01ξ2=5.5rad/s\omega = \omega_0\sqrt{1 - \xi^2} = 5.5\,\mathrm{rad}/\mathrm{s}, T=1.1sT = 1.1\,\mathrm{s}.

13. Ultrapassagem exp(π×0.72/0.69)=exp(3.3)=3.8%\exp(-\pi \times 0.72/0.69) = \exp(-3.3) = 3.8\%: uma pequena subida além do equilíbrio e acabou — confortável.

14. R=L/C/Q=316/0.69=455ΩR = \sqrt{L/C}/Q = 316/0.69 = 455\,\Omega.

15. Q=2775/1200=2.3Q = 2775/1200 = 2.3, ξ=0.22\xi = 0.22; ω=0.976ω0\omega = 0.976\omega_0, T=0.81sT = 0.81\,\mathrm{s}; τ=2Q/ω0=0.58s\tau = 2Q/\omega_0 = 0.58\,\mathrm{s}.

16. eT/τ=e1.39=0.25\eu^{-T/\tau} = \eu^{-1.39} = 0.25: cada balanço é um quarto do anterior; 0.253=1.6%0.25^3 = 1.6\%: três balanços visíveis.

17. x(0)=x0x(0) = -x_0, x˙(0)=0\dot x(0) = 0; energia 12kx02=0.5×22000×0.0025=28J\tfrac12 kx_0^2 = 0.5 \times 22000 \times 0.0025 = 28\,\mathrm{J}, dissipada como calor no óleo do amortecedor.

18. vx0ω0=0.05×7.93=0.40m/sv \approx x_0\omega_0 = 0.05 \times 7.93 = 0.40\,\mathrm{m}/\mathrm{s}; força no amortecedor αv1200×0.40=480N\alpha v \approx 1200 \times 0.40 = 480\,\mathrm{N}.

19. Em Q=12Q = \tfrac12 o retorno vale (1+ω0t)eω0t(1 + \omega_0 t)\eu^{-\omega_0 t}, que se arrasta assintoticamente: os últimos milímetros demoram. Um sistema levemente subamortecido (ξ0.7\xi \approx 0.7) ultrapassa alguns por cento, mas entra e permanece dentro de uma faixa de tolerância antes.

20. exp(π×0.22/0.976)=exp(0.70)=50%\exp(-\pi \times 0.22/0.976) = \exp(-0.70) = 50\%, contra 3.8%3.8\%: o carro gasto volta metade do caminho além do equilíbrio.

21. δ=ln4=1.39\delta = \ln 4 = 1.39 (duas vezes, coerente); ξ=δ/4π2+δ2=1.39/6.43=0.215\xi = \delta/\sqrt{4\pi^2 + \delta^2} = 1.39/6.43 = 0.215, Q=1/2ξ=2.3Q = 1/2\xi = 2.3: o valor do carro gasto.

22. ln0.038=3.27=πξ/1ξ2-\ln 0.038 = 3.27 = \pi\xi/\sqrt{1 - \xi^2}, logo ξ=3.27/π2+3.272=0.72\xi = 3.27/\sqrt{\pi^2 + 3.27^2} = 0.72, Q=0.69Q = 0.69.

23. Energia \propto amplitude2^2: fração restante por período 0.252=6%0.25^2 = 6\%, ou seja, 94%94\% dissipados por pseudoperíodo.

24. R=316/2.3=137ΩR = 316/2.3 = 137\,\Omega. Na variável ω0t\omega_0 t a equação canônica só contém QQ: dois sistemas de mesmo QQ traçam a mesma curva.

25. O fator de qualidade QQ (ou ξ\xi) sozinho fixa a forma; um projetista busca Q0.7Q \approx 0.7 (ξ0.7\xi \approx 0.7); mais de um balanço visível significa QQ bem acima de 11: o amortecedor está gasto.

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