Física universitária — 1.º ano · Bachelor Year 1
26Eletrostática: o campo e a lei de Gauss
Esfregue um balão num suéter e ele gruda na parede; penteie um cabelo seco e o pente entorta um filete fino de água. Por trás dos dois está a força entre cargas elétricas em repouso, a lei de Coulomb — uma lei em inverso do quadrado como a gravitação, mas vezes mais forte entre dois prótons e com os dois sinais, de modo que a matéria é neutra com precisão fantástica e os efeitos residuais são o que chamamos de química, materiais e raios. Este capítulo constrói o conceito que torna a lei manejável, o campo elétrico, mostra como ler um campo a partir das suas simetrias e deduz o único teorema que calcula em três linhas os campos de distribuições simétricas: a lei de Gauss. O seu gêmeo gravitacional vem de brinde no fim.
26.1 Cargas e a lei de Coulomb
Definição 26.1 (Carga elétrica)
A carga elétrica (coulomb, ) é uma propriedade da matéria, dos dois sinais; ela se conserva (a carga total de um sistema isolado nunca muda) e é quantizada em unidades da carga elementar (próton , elétron ). Uma distribuição macroscópica é descrita por uma densidade de carga: linear (), superficial () ou volumétrica (), de modo que um pequeno elemento leva , ou .
Teorema 26.2 (Lei de Coulomb)
Duas cargas pontuais em e em em repouso no vácuo exercem uma sobre a outra as forças
repulsivas para cargas de mesmo sinal e atrativas para cargas de sinais contrários, com a permissividade do vácuo , isto é, . As forças de várias cargas se somam (superposição).
Demonstração. Admitido neste nível. ∎
Exemplo 26.3 (Quão forte)
Dois prótons a um do outro se repelem com — o peso de uma criança, entre duas partículas de kg; a atração gravitacional entre eles é vezes menor. Dois gramas de elétrons numa ponta de uma sala e os prótons correspondentes na outra se atrairiam com N. A matéria é neutra porque não tem escolha: qualquer desequilíbrio é corrigido por forças que estrutura nenhuma resiste.
26.2 O campo elétrico
Definição 26.4 (Campo eletrostático)
Uma distribuição de cargas em repouso cria em todo ponto do espaço um campo elétrico , definido pela força que ele exerce sobre uma carga de prova colocada em : ( ). Uma carga pontual em cria
radial e para fora se ; uma distribuição cria a soma vetorial dos campos dos seus elementos. Uma linha de campo é uma curva tangente em cada ponto a , orientada segundo ele.
Proposição 26.5 (Ler um mapa de campo)
As linhas de campo saem das cargas positivas e terminam nas negativas (ou no infinito); elas nunca se cruzam (o campo é unívoco) e se adensam onde o campo é forte. Quando há duas cargas presentes, o número de linhas desenhadas em cada uma é proporcional à sua carga.
Exemplo 26.6 (Anel e segmento por soma direta)
No eixo de um anel de raio que leva uniformemente, à distância do seu centro, cada elemento contribui com ao longo da reta que o liga a ; as componentes perpendiculares ao eixo se cancelam aos pares e as axiais se somam com o fator :
nulo no centro, máximo em e igual a bem longe. Um disco carregado uniformemente é uma pilha de anéis (Problema 26.1). A soma direta funciona sempre que a geometria permite calcular a integral; o resto do capítulo trata de evitá-la.
26.3 Simetrias e invariâncias
Proposição 26.7 (Princípio de simetria)
O campo tem as simetrias das suas fontes. Se um plano é um plano de simetria da distribuição de cargas (a imagem especular da distribuição é ela própria), então em todo ponto de o campo está contido em ; se é um plano de antissimetria (a imagem especular é a distribuição com todas as cargas trocadas de sinal), o campo nos pontos de é perpendicular a . Se a distribuição é invariante por uma translação ou por uma rotação, o campo também é: as suas componentes não dependem da coordenada correspondente.
Demonstração. é uma soma de termos ; a imagem especular da soma é a soma das imagens, e a imagem do campo de uma distribuição é o campo da distribuição imagem (um vetor construído a partir de posições e cargas se transforma como as posições). Num plano de simetria o campo é igual à sua própria imagem especular e portanto está no plano; num plano de antissimetria ele é igual ao oposto da sua imagem e portanto é normal a ele. A invariância é o mesmo argumento com uma translação ou uma rotação. ∎
Método 26.8 (Achar a forma de um campo antes de calculá-lo)
Para o ponto em que se quer o campo: (1) liste os planos de simetria das fontes que contêm — o campo está sobre a interseção deles; dois desses planos fixam a direção. (2) Liste as invariâncias — elas dizem de que coordenadas depende. Assim, um fio infinito carregado uniformemente dá em coordenadas cilíndricas, uma esfera dá em esféricas, e um plano infinito dá com . Só então calcule.
26.4 Fluxo e lei de Gauss
Definição 26.9 (Fluxo do campo)
Corte uma superfície em pequenos elementos de área , cada um com uma normal unitária (para uma superfície fechada, a normal para fora). O fluxo de através de é a soma
a componente normal do campo ponderada pela área — o “número de linhas de campo” que atravessam , contadas positivamente quando cruzam no sentido de .
Teorema 26.10 (Lei de Gauss)
O fluxo do campo eletrostático através de qualquer superfície fechada é igual à carga total encerrada por dividida por :
As cargas fora de não contribuem em nada para o fluxo (as suas linhas entram e voltam a sair).
Demonstração. Para uma carga pontual no centro de uma esfera de raio : é radial, de módulo em toda a esfera, logo — independente de , porque o campo cai como exatamente na medida em que a área cresce. Que o mesmo valha para qualquer superfície fechada em torno de (o fluxo através de um elemento de superfície só depende do ângulo sólido que ele subtende desde ), que uma carga externa dê zero (ela subtende duas vezes cada ângulo sólido, com sinais opostos) e que os fluxos de várias cargas se somem fica admitido aqui; a demonstração completa está no volume do segundo ano. ∎
Método 26.11 (Usar a lei de Gauss)
(1) A partir das simetrias, escreva a forma de (direção e a variável de que ele depende). (2) Escolha uma superfície de Gauss fechada que passe pelo ponto e na qual seja em toda parte normal com o mesmo módulo , ou então tangente: o fluxo é então vezes a área da parte normal. (3) Conte a carga que está dentro. (4) Isole . Funciona para esferas, cilindros infinitos e planos infinitos — e para nada mais, sem outras ferramentas.
Proposição 26.12 (Os três campos clássicos)
- Esfera de raio , de carga espalhada uniformemente no seu volume: fora () — como se toda a carga estivesse no centro — e dentro, crescendo linearmente a partir de zero; contínuo em . Se a carga estiver só na superfície, o campo interno é nulo.
- Fio infinito de carga linear : , radial.
- Plano infinito de carga superficial : de cada lado, normal ao plano, apontando para longe dele se , independentemente da distância. Ao atravessar o plano a componente normal salta de .
Demonstração. (1) Esfera de raio : fluxo ; carga interna se , e se . (2) Cilindro de raio e comprimento : fluxo pela superfície lateral , nenhum pelas bases (campo tangente); carga . (3) Caixinha cilíndrica de seção atravessando o plano: fluxo pelas duas bases (o campo é ímpar em , de modo que as duas contam positivamente), nenhum pela lateral; carga . ∎
Exemplo 26.13 (Dois planos: o capacitor plano)
Dois planos paralelos que levam e : cada um cria apontando para longe de si (em direção a si, no caso do negativo). Entre os planos os dois campos se somam e dão , dirigido do para o ; fora eles se cancelam. Com , entre eles e zero fora: o campo de um capacitor carregado fica confinado ao seu espaçamento (Capítulo 27).
26.5 A analogia gravitacional
Proposição 26.14 (Lei de Gauss para a gravitação)
A lei de Newton tem a forma da de Coulomb com e . O campo gravitacional (força por unidade de massa) obedece, portanto, às mesmas regras de simetria e a
Em particular, um corpo de simetria esférica atrai os pontos externos como se a sua massa estivesse no seu centro, e o campo dentro de uma esfera homogênea de raio e massa vale , linear em .
Demonstração. Substitua por na demonstração da Proposição 26.12; o sinal de menos diz que o fluxo entra (a gravidade atrai). ∎
Exemplo 26.15 (Dentro da Terra)
Numa Terra homogênea, cairia linearmente de na superfície até zero no centro; uma pedra solta num túnel que atravessasse o planeta oscilaria harmonicamente com período — o período de um satélite rasante. A Terra real tem um núcleo denso, e de fato sobe até na fronteira núcleo–manto antes de cair (Problema 26.1). Newton precisou do teorema das cascas para aplicar a sua lei aos planetas; a lei de Gauss o dá numa linha.
26.6 Exercícios
Exercício 26.1 ★
Força elétrica e força gravitacional entre dois prótons a um do outro; a razão entre elas. Por que, então, os núcleos se mantêm coesos?
Solução
Solução de Exercício 26.1.
; ; razão . Os núcleos se mantêm porque a interação forte, no alcance do femtômetro, vence até essa repulsão.
Exercício 26.2 ★
Campo a de uma carga pontual de . A superfície da Terra tem um campo de apontando para baixo: sinal e valor da carga da Terra, tratando-a como uma esfera de raio .
Solução
Solução de Exercício 26.2.
. Um campo dirigido para baixo é o de uma carga negativa: .
Exercício 26.3 ★
Duas cargas em no eixo . Campo no eixo para e no eixo ; mostre que no eixo o é máximo em . Esboce as linhas perto da origem.
Solução
Solução de Exercício 26.3.
No eixo, : , para fora. No eixo as componentes se cancelam: ; em . Na origem o campo se anula; as linhas que saem de cada carga em direção à outra se curvam ao longo de — uma sela.
Exercício 26.4 ★
Cargas em e em . Onde o campo se anula no eixo ? Quantas linhas de campo saem de para cada uma que chega em , e para onde vão as outras?
Solução
Solução de Exercício 26.4.
Entre as cargas os dois campos apontam para : nenhum zero. À esquerda de , sempre. Além de , à distância dele: , , . Duas linhas saem de para cada uma que termina em ; a outra metade vai para o infinito, onde o par parece uma carga .
Exercício 26.5 ★★
Um disco de raio leva uniformemente. A partir do resultado do anel, mostre que no seu eixo para ; verifique os dois limites e .
Solução
Solução de Exercício 26.5.
Anel de raio e largura : , ; integrando: . : , o plano infinito. : , logo , a carga pontual.
Exercício 26.6 ★★
Um núcleo de ouro (, ) como esfera carregada uniformemente: campo na superfície, em e a . Compare com o campo de ruptura do ar, .
Solução
Solução de Exercício 26.6.
; ; em , metade: ; a : — vezes o campo de ruptura do ar, a uma distância em que os elétrons vivem.
Exercício 26.7 ★★
Campo de um fio infinito pela lei de Gauss. Um condutor de alta tensão de raio : carga linear com que o campo na sua superfície atinge o valor de ruptura (início do efeito corona). Campo a nesse caso.
Solução
Solução de Exercício 26.7.
Cilindro de raio e comprimento : , . Corona quando ; a , .
Exercício 26.8 ★★
Duas placas paralelas de área levam . Campo entre elas; força sobre uma das placas (o campo que age sobre ela é o da outra placa apenas — por quê?); pressão sobre as placas.
Solução
Solução de Exercício 26.8.
. Uma placa não exerce força resultante sobre si mesma (as contribuições do seu próprio campo se cancelam aos pares); o campo da outra placa no lugar dela vale , logo , atrativa; pressão .
Exercício 26.9 ★★
Cabo coaxial: condutor interno de raio com , blindagem externa de raio com . Campo nas três regiões pela lei de Gauss. , , : campo na superfície do condutor interno.
Solução
Solução de Exercício 26.9.
: a carga do condutor interno fica na sua superfície, não há carga dentro, . : . : carga encerrada , — o cabo não irradia campo estático algum. Em : .
Exercício 26.10 ★★★
Uma casca esférica espessa leva uniformemente no seu volume. Campo nas três regiões; verifique a continuidade em e ; onde ele é máximo? Esboce . Uma carga positiva colocada na cavidade: que força ela sente?
Solução
Solução de Exercício 26.10.
. : . : , logo . : . Em os dois lados dão ; em os dois dão . Na casca, cresce, de modo que o máximo está em , depois do qual ele cai como . Na cavidade o campo é nulo: uma carga ali não sente força alguma — onde quer que esteja.
Exercício 26.11 ★★★
A gravidade dentro da Terra. Núcleo: raio , densidade ; manto até , densidade . (a) Massa do núcleo, do manto e total (compare com ). (b) na superfície e na fronteira núcleo–manto. (c) Mostre que cresce com a profundidade no manto se a densidade do manto for inferior a da densidade média do que está abaixo, e verifique.
Solução
Solução de Exercício 26.11.
(a) Núcleo ; manto ; total , com erro de . (b) Superfície ; fronteira . (c) com : , onde é a densidade média abaixo de . cresce com a profundidade () se e só se . Logo abaixo da superfície , : primeiro cai um pouco; na fronteira do núcleo , : ali ele sobe, até .
Exercício 26.12 ★★★
O átomo de Thomson. Modele o átomo de hidrogênio como uma esfera positiva homogênea de carga e raio com o elétron livre dentro dela. (a) Força sobre o elétron à distância do centro. (b) Mostre que ele oscila harmonicamente e calcule a frequência e o comprimento de onda da luz que ele emitiria. (c) Compare com as linhas ultravioletas do hidrogênio ( e menores) e comente o que o modelo acerta e o que erra (Capítulo 30).
Solução
Solução de Exercício 26.12.
(a) Dentro, para fora; sobre o elétron : uma mola. (b) , , . (c) Surpreendentemente perto da linha de : o tamanho e a intensidade do átomo estão certos. Mas o modelo dá uma única frequência, e não uma série, e o núcleo não é uma bolinha de , e sim um ponto de m — e um elétron clássico em órbita irradiaria toda a sua energia em nanossegundos. O conserto está no Capítulo 30.
26.7 Problema: a Terra elétrica
Problema 26.1
Problema de fim de semana — o campo de bom tempo, a nuvem de tempestade, a descarga do raio e a lei de Gauss aplicada à gravitação
Dados: , , , raio da Terra , superfície , , .
Parte I — O campo de bom tempo. Com tempo claro o campo no solo vale , apontando para baixo.
- Sentido da força sobre um elétron livre no solo; sinal da carga da Terra.
- Trate a Terra como uma esfera carregada uniformemente: pela lei de Gauss, a sua carga total.
- Densidade superficial de carga do solo; número de elétrons em excesso por centímetro quadrado.
- Força sobre um grão de poeira de massa que leva cargas elementares; compare com o seu peso.
- As medidas mostram o campo caindo a cerca de a . Aplique a lei de Gauss a uma coluna vertical de seção entre o solo e : sinal e quantidade da carga que o ar contém por metro quadrado.
- Densidade volumétrica média de carga desse ar e o número correspondente de cargas elementares por metro cúbico. (O ar contém cerca de íons de cada sinal por metro cúbico: que fração de desequilíbrio é essa?)
- O ar tem uma pequena condutividade , de modo que uma densidade de corrente escoa para baixo. Corrente total de bom tempo sobre o globo; tempo que ela levaria para neutralizar a carga da Terra. Conclua.
Parte II — A nuvem de tempestade. Modele uma nuvem de tempestade como dois discos horizontais de raio : à altitude e a , com .
- Campo no eixo de um anel de raio que leva , à distância do seu centro (simetria e depois soma).
- Deduza, somando sobre anéis, o campo no eixo de um disco de raio e carga superficial : .
- Limites e ; interprete cada um.
- Carga superficial do disco de baixo; campo que ele cria no solo exatamente por baixo (sentido e valor).
- Campo do disco de cima no mesmo ponto; campo resultante no solo sob a tempestade. O solo é condutor e as suas cargas induzidas mais ou menos dobram o resultado (admitido): compare com os medidos sob as tempestades e com o valor de bom tempo.
- Fluxo do campo através de uma superfície fechada que encerre toda a nuvem; e através de uma que encerre só o disco de baixo.
- Campo a meio caminho entre os dois discos () e o seu sentido; compare com o campo de ruptura do ar naquela altitude, cerca de .
- Se os estivessem concentrados numa esfera de raio : campo na sua superfície. Por que a iniciação de um raio ainda é uma questão em aberto?
Parte III — A descarga. Uma descarga de retorno leva ao solo em por um canal de de comprimento; tome o campo ao longo do canal como V/m.
- Corrente média.
- Trabalho da força elétrica sobre a carga transferida; potência durante a descarga; compare com o consumo médio de potência da humanidade, cerca de .
- O canal tem raio de : massa de ar dentro dele () e temperatura que ele atingiria se toda a energia o aquecesse a volume constante (). As temperaturas reais do canal ficam perto de : para onde vai o resto?
- O trovão: atraso por quilômetro, e por que o som de um canal de ribomba por segundos.
- No mundo todo ocorrem cerca de descargas nuvem–solo por segundo: corrente que elas levam para baixo; compare com a Parte I e complete o quadro do “circuito global”.
Parte IV — A lei de Gauss aplicada à gravitação.
- Escreva a lei de Gauss para o campo gravitacional e justifique a constante pelo caso de uma massa pontual.
- Terra homogênea: dentro; valor em .
- Terra real, com núcleo de raio e densidade : na fronteira núcleo–manto; compare com a superfície.
- Uma pedra solta num túnel sem atrito que atravessa uma Terra homogênea: equação do movimento, período da oscilação e velocidade no centro.
- Resuma: em cada uma das quatro partes, o que a lei de Gauss substituiu, e que quatro números vale a pena guardar?
Solução
Solução de Problema 26.1.
1. : para cima. Um campo dirigido para baixo na superfície é o campo de uma carga negativa: a Terra é negativa.
2. Esfera de raio , com : .
3. ; elétrons por metro quadrado, por centímetro quadrado.
4. ; peso : seis milhões de vezes maior.
5. Normais para fora: no topo , embaixo , nos lados zero: , logo por metro quadrado — carga espacial positiva, que quase cancela os do solo.
6. : cargas elementares por metro cúbico; contra íons de cada sinal, um desequilíbrio de .
7. ; ; . A Terra ficaria neutra em oito minutos: alguma coisa a recarrega continuamente.
8. O eixo está em todos os planos que o contêm, todos planos de simetria: é axial. Cada dá ao longo da sua própria direção, cuja parte axial é a fração : .
9. : .
10. : , o plano infinito (o valor de Gauss); : , a carga pontual.
11. ; ; em , : , apontando para cima, rumo à carga negativa.
12. Disco de cima, : para baixo. Resultante para cima, cerca de com as cargas induzidas do solo: é a ordem de grandeza certa dos medidos (a carga real é mais espalhada e em parte blindada); invertido e cem vezes o campo de bom tempo.
13. Nuvem inteira: carga líquida nula, fluxo nulo. Só o disco de baixo: .
14. Cada disco está a e dá ; o de cima () empurra para baixo e o de baixo () puxa para baixo: para baixo — trinta vezes abaixo da ruptura.
15. : só uma carga apertada em meio quilômetro alcança a ruptura, e os campos medidos dentro das nuvens são dez vezes fracos demais. O reforço local nas gotas e no gelo, ou elétrons em fuga semeados por raios cósmicos, são os candidatos — como um relâmpago começa ainda se discute.
16. .
17. (); — uma vez e meia a potência de toda a humanidade, durante cinquenta microssegundos.
18. Volume , massa ; se nada escapasse. O canal explode para fora (o choque é o trovão), irradia luz e ondas de rádio, ioniza e dissocia o ar: aquecer o canal final a K é uma pequena parte da conta.
19. por quilômetro. O som parte de todos os pontos de um canal de ao mesmo tempo, de distâncias que diferem de quilômetros: ele chega espalhado por vários segundos — o ribombo.
20. levados ao solo; com as correntes mais discretas das tempestades (descarga por pontas sob as nuvens, chuva carregada), o total alcança o quiloampère da Parte I: as tempestades são os geradores de um circuito global cujo caminho de volta é o ar de bom tempo.
21. : para uma massa pontual, numa esfera de área , fluxo , independente de ; o resto segue como no caso de Coulomb.
22. ; em : .
23. , — maior do que na superfície: o manto acima é mais leve do que a média do que está por baixo.
24. : , , — a velocidade orbital de um satélite rasante, cujo período é o mesmo.
25. Ela substituiu a soma sobre cada carga da Terra (I), sobre os íons do ar (I) e sobre cada casca de rocha (IV) — e na II fixou os limites da soma sobre o disco. Guarde: e para a Terra de bom tempo; e sob uma tempestade; e por descarga; na fronteira do núcleo.