Gire o dial de um rádio antigo e, das cem estações que chegam todas à antena ao mesmo tempo, uma se faz ouvir: uma bobina e um capacitor variável foram ajustados de modo que exatamente uma frequência os faça ressoar. A rede elétrica que zumbe em cada parede é uma senoide de 50Hz; a fábrica que faz girar grandes motores com ela paga uma multa se a sua corrente se atrasa demais em relação à tensão. As senoides são a linguagem natural dos circuitos lineares — saem como entraram, apenas escaladas e defasadas — e este capítulo lhes dá a sua álgebra: amplitudes complexas, impedâncias, a ressonância do circuito RLC e a potência que as correntes senoidais realmente entregam.
Um osciloscópio mostrando uma senoide e uma onda quadrada: a senoide é o sinal de que vive este capítulo, e a onda quadrada aquele que o próximo capítulo decompõe em senoides.
Demonstração. As equações do circuito são equações diferenciais lineares com coeficientes constantes; a sua solução geral é uma solução particular mais as soluções da equação homogênea, que são os transitórios do Capítulo 7 e decaem (todo circuito real tem alguma resistência). Existe uma solução particular senoidal porque derivar uma senoide de frequência ω dá uma senoide da mesma frequência: as equações podem ser satisfeitas termo a termo — o método complexo abaixo a constrói explicitamente. ∎
Definição 8.2(Amplitude complexa)
À senoide x(t)=Xcos(ωt+φ) associa-se o sinal complexo x(t)=Xej(ωt+φ), de modo que x=Re(x), e a amplitude complexa
X=Xejφ,x(t)=Xejωt,
que carrega a amplitudeX=∣X∣ e a fase φ=argX. Aqui j designa a unidade imaginária, j2=−1, ficando a letra i reservada às correntes. Desenhada como um vetor de comprimento X e ângulo φ, X é um fasor (vetor de Fresnel).
Demonstração.Re(a+b)=Rea+Reb; d(Xejωt)/dt=jωXejωt, e dx/dt=Re(dx/dt), pois a derivação é linear sobre os reais. As somas de correntes num nó e de tensões numa malha são lineares. ∎
Exemplo 8.4(Somando duas senoides)
3cosωt+4sinωt: as amplitudes complexas são 3 e 4e−jπ/2=−4j (pois sinωt=cos(ωt−π/2)); a sua soma 3−4j tem módulo 5 e argumento −0.927rad: 5cos(ωt−0.927). Nenhuma identidade trigonométrica é necessária.
cujo módulo Z=U/I relaciona as amplitudes e cujo argumento φ=φu−φi é o avanço de fase da tensão sobre a corrente. O seu inverso Y=1/Z é a admitância (siemens). A parte real de Z é a sua resistência, e a parte imaginária a sua reatância.
Proposição 8.6(Impedâncias de R, L, C)
ZR=R,ZL=jLω,ZC=jCω1=−Cωj.
Um resistor mantém tensão e corrente em fase; numa bobina a tensão adianta a corrente de π/2; num capacitor ela atrasa de π/2. Em baixa frequência uma bobina tende a um fio e um capacitor a um circuito aberto; em alta frequência é o contrário.
Demonstração.u=Ri; u=Ldi/dt→U=jLωI; i=Cdu/dt→I=jCωU. Os argumentos de 1, j e −j valem 0, π/2, −π/2. ∎
Demonstração. Toda demonstração do Capítulo 6 usou apenas as leis de Kirchhoff e a linearidade de u=Ri, ambas válidas em forma complexa. ∎
Exemplo 8.8(O divisor RC)
Um resistorR e um capacitor C em série sob E, com a saída tomada em C: UC=ER+1/jCω1/jCω=1+jRCωE. AmplitudeE/1+(RCω)2, fase −arctan(RCω): transmissão total em baixa frequência, 1/2 e −45∘ em ω=1/RC, e uma queda em 1/ω além dali — um filtro passa-baixa, objeto do Capítulo 9.
8.3 O circuito RLC série: a ressonância
Teorema 8.9(Ressonância em corrente)
Um resistorR, uma bobina L e um capacitor C em série sob e(t)=Ecosωt conduzem a corrente de amplitude complexa
A amplitude é máxima, Imax=E/R, com corrente e tensão em fase, na ressonânciaω0=1/LC. Com Q=Lω0/R=1/(RCω0) e x=ω/ω0,
ImaxI=1+Q2(x−x1)21,
e a largura de banda — o intervalo de ω em que I≥Imax/2 — vale
Δω=ω2−ω1=Qω0=LR.
Demonstração. As impedâncias em série somam-se: Z=R+jLω+1/jCω, e I=E/Z. O módulo é máximo quando a reatânciaLω−1/Cω se anula, isto é, em ω0. Fatore Lω−1/Cω=Lω0(x−1/x) e divida por R: Lω0/R=Q. Nas bordas da banda, Q(x−1/x)=±1, isto é, x2∓x/Q−1=0, cujas raízes positivas são x1,2=∓2Q1+1+4Q21; a sua diferença vale 1/Q. ∎
RLC série: amplitude da corrente (à esquerda) e a sua fase em relação à fonte (à direita) contra ω/ω0, para Q=1,3,10. O pico se estreita à medida que Q cresce (Δω=ω0/Q); abaixo da ressonância o circuito é capacitivo (a corrente adianta) e, acima, indutivo (a corrente atrasa).
Diagrama de fasores do RLC série acima da ressonância: UR ao longo de I, UL um quarto de volta à frente, UC um quarto de volta atrás; a sua soma E adianta a corrente de φ. Na ressonância UL e UC se cancelam e E=UR.
Proposição 8.10(Sobretensão)
Na ressonância, as tensões na bobina e no capacitor têm a mesma amplitudeQE e fases opostas: para Q≫1 o capacitor suporta uma tensãoQ vezes maior que a da fonte. A própria amplitudeUC(ω) passa por um máximo, para Q>1/2, em ωr=ω01−1/2Q2, ligeiramente abaixo de ω0, com UC,max=QE/1−1/4Q2.
Demonstração. Em ω0, UC=I/jCω0=−jQE e UL=jLω0I=jQE, pois I=E/R. Em geral UC=I/Cω=E/(1−x2)2+x2/Q2 (multiplique numerador e denominador por 1/Cω0); o quadrado do denominador vale (1−x2)2+x2/Q2, um trinômio em x2 mínimo em x2=1−1/2Q2 quando este é positivo, com mínimo 1/Q2−1/4Q4. ∎
Exemplo 8.11(Sintonizando um rádio)
Uma bobina L=200µH e um capacitor variável: C=127pF sintoniza f0=1.00MHz. Com a resistência do fio da bobina R=12.6Ω, tem-se Lω0=1257Ω e Q=100: largura de bandaΔf=f0/Q=10kHz — a largura de um canal AM — e os 10µV induzidos por um transmissor distante viram QE=1mV no capacitor, de graça. O problema de fim de semana constrói esse receptor.
Observação 8.12(Por que Q de novo)
O Q deste capítulo é o Q do Capítulo 7: o circuito que oscila por cerca de Q períodos quando percutido é o que ressoa numa banda de largura ω0/Q quando excitado. Ambos exprimem uma mesma razão: 2π vezes a energia armazenada dividida pela energia dissipada por período (Exercício 8.12). Uma ressonância aguda e uma oscilação longa são a mesma propriedade, e o mesmo vale para a resposta lenta: um filtro de largura de bandaΔω leva um tempo da ordem de 1/Δω para se estabelecer.
8.4 Potência em regime senoidal
Definição 8.13(Valor eficaz)
O valor eficaz (ou valor RMS, da raiz da média quadrática) de um sinal periódico x(t) é Xrms=⟨x2⟩, a raiz quadrada da média temporal de x2 sobre um período. Para uma senoide de amplitudeX, Xrms=X/2. Os 230V da rede elétrica são um valor eficaz; a sua amplitude vale 325V.
Teorema 8.14(Potência média)
Um dipolo com u=Ucosωt e i=Icos(ωt−φ) (convenção receptor) recebe a potência instantânea p=ui, de média
em que cosφ é o fator de potência. Um resistor recebe 21RI2=RIrms2; uma bobina ou um capacitor ideais (φ=±π/2) não recebem potência média — armazenam energia durante meio período e a devolvem durante a outra metade.
Demonstração.p=UIcosωtcos(ωt−φ)=21UI[cosφ+cos(2ωt−φ)]; o segundo termo tem média nula. Com U=U e I=Ie−jφ, UI∗=UIejφ, cuja parte real vale UIcosφ; e U=ZI dá UI∗=ZI2. ∎
Potência instantânea recebida por um dipolo com 60∘ de atraso de fase entre corrente e tensão: ela pulsa em 2ω, mergulha abaixo de zero (energia devolvida à fonte) e tem média 21UIcosφ — aqui, metade do que seria em fase.
Exemplo 8.15(Correção do fator de potência)
Um motor de oficina em 230V eficazes consome 2.0kW com cosφ=0.70 (indutivo): Irms=2000/(230×0.70)=12.4A, contra 8.7A se o fator de potência fosse 1 — a corrente excedente aquece os cabos da concessionária à toa, daí a multa. Um capacitor em paralelo fornece localmente as trocas de energia de um quarto de período da bobina: a potência reativaPtanφ=2.0kvar pede C=Ptanφ/(ωUrms2)≈120µF a 50Hz, e a corrente de linha cai para 8.7A.
Calcule a impedância de R=100Ω, L=0.10H e C=10µF a 50Hz e a 1.0kHz. Dê o módulo e a fase da impedância de R e L em série a 50Hz.
Solução
Solução de Exercício 8.2.
R: 100Ω nos dois casos. Lω: 31.4Ω (50Hz), 628Ω (1kHz). 1/Cω: 318Ω, 15.9Ω. RL em série a 50Hz: ∣Z∣=1002+31.42=105Ω, fase arctan(0.314)=17∘.
Exercício 8.3★
A rede elétrica é de 230V eficazes: qual é a sua amplitude? Um aquecedor de 2.0kW: corrente eficaz e de pico. Mostre que a potência média num resistor vale RIrms2.
Solução
Solução de Exercício 8.3.
U=2302=325V. Irms=2000/230=8.7A, pico 12.3A. ⟨Ri2⟩=R⟨i2⟩=RIrms2 pela própria definição de valor eficaz.
Exercício 8.4★
RLC série: L=10mH, C=100nF, R=100Ω, E=1.0V. Dê f0, Q, a largura de banda em hertz e a amplitude da corrente na ressonância.
Divisor RC, saída em C: R=1.0kΩ, C=159nF. Em que frequência a saída vale 1/2 da entrada? Dê a razão de amplitudes e a fase da saída a 1.0kHz e a 10kHz.
Solução
Solução de Exercício 8.5.
1/2 em ω=1/RC: fc=1/(2πRC)=1.0kHz. A 1.0kHz: razão 0.71, fase −45∘. A 10kHz: RCω=10, razão 1/101=0.10, fase −84∘.
Exercício 8.6★★
Em certa frequência, um RLC série tem R=100Ω, Lω=250Ω, 1/Cω=100Ω e E=1.0V. Calcule Z, a amplitude e a fase da corrente e as três amplitudes de tensão; desenhe o diagrama de fasores. O circuito está acima ou abaixo da ressonância?
Solução
Solução de Exercício 8.6.
Z=100+j(250−100)=100+150j: Z=180Ω, arg=56∘. I=1.0/180=5.6mA, atrasada em relação à fonte de 56∘. UR=0.56V, UL=1.39V, UC=0.56V; fasores: UR ao longo de I, UL para cima, UC para baixo, resultante 1.0V. Lω>1/Cω: acima da ressonância (indutivo).
Exercício 8.7★★
Rádio: L=200µH, C ajustável de 50 a 500pF. Encontre a faixa de frequências, a capacitância para 1.00MHz e, com Q=100, a largura de banda e a atenuação (razão de amplitudes) de uma estação a 9kHz de distância. Com uma fem de antena de 10µV: qual a tensão em C na ressonância?
Solução
Solução de Exercício 8.7.
f0=1/(2πLC): 1.59MHz (50pF) a 0.50MHz (500pF). Em 1.00MHz: C=1/(4π2f02L)=127pF. Δf=10kHz. Estação em 1.009MHz: x=1.009, Q(x−1/x)=1.8, razão 1/1+3.2=0.49. Tensão no capacitor QE=1.0mV.
Exercício 8.8★★
Deduza as duas frequências de meia potência do RLC série e mostre que a sua diferença vale ω0/Q e o seu produto ω02.
Solução
Solução de Exercício 8.8.
Q(x−1/x)=±1⇔x2∓x/Q−1=0; raízes positivas x1,2=∓1/2Q+1+1/4Q2. Diferença 1/Q, logo Δω=ω0/Q; produto (1+1/4Q2)−1/4Q2=1, logo ω1ω2=ω02 (a banda é simétrica em escala logarítmica).
Exercício 8.9★★
Um motor em 230V eficazes, 50Hz, absorve 2.0kW com cosφ=0.70. Calcule a corrente eficaz, a potência reativa, a capacitância em paralelo que leva o fator de potência a 1 e a nova corrente. A linha de alimentação tem 0.50Ω: perdas Joule antes e depois.
Solução
Solução de Exercício 8.9.
I=P/(Ucosφ)=2000/(230×0.70)=12.4A. Potência reativaPtanφ=2000×1.02=2.0kvar. C=2040/(314×2302)=123µF. Nova corrente 2000/230=8.7A. Perdas 0.50×12.42=77W antes e 0.50×8.72=38W depois.
Exercício 8.10★★★
RLC paralelo alimentado por uma fonte de corrente: escreva a admitância, mostre que a tensão é máxima em ω0=1/LC e vale ali RI, e que a largura de banda é Δω=1/RC, isto é, Q=RC/L. Números: R=10kΩ, L=1.0mH, C=1.0nF.
Solução
Solução de Exercício 8.10.
Y=1/R+j(Cω−1/Lω); U=I/Y é máxima quando a susceptância se anula, em ω0, onde U=RI. Meia potência: ∣Cω−1/Lω∣=1/R, isto é, RCω0(x−1/x)=±1: Δω=ω0/(RCω0)=1/RC e Q=RCω0=RC/L. Números: ω0=1.0×106rad/s (f0=159kHz), Q=10410−6=10, Δf=16kHz.
Exercício 8.11★★★
Mostre que a tensão no capacitor de um RLC série vale UC=E/(1−x2)2+x2/Q2, que ela passa por um máximo em xr=1−1/2Q2 se Q>1/2, e calcule xr e UC,max/E para Q=3.16. O que acontece para Q<1/2?
Solução
Solução de Exercício 8.11.
UC=I/Cω=E/[CωR2+(Lω−1/Cω)2]. Multiplicando por Cω dentro da raiz, o denominador vira (RCω)2+(LCω2−1)2=x2/Q2+(1−x2)2. Com s=x2: (1−s)2+s/Q2 é mínimo em s=1−1/2Q2 (se positivo), com mínimo 1/Q2−1/4Q4: UC,max=QE/1−1/4Q2. Para Q=3.16: xr=0.975, UC,max=3.2E. Para Q<1/2 o mínimo fica em s=0: UC decresce monotonicamente a partir de E, sem pico.
Exercício 8.12★★★
Na ressonância de um RLC série, mostre que a energia total armazenada 21Li2+21CuC2 é constante e igual a 21LI2, calcule a energia dissipada em R por período e demonstre que 2π(armazenada)/(dissipada por perıˊodo)=Q.
Solução
Solução de Exercício 8.12.
Na ressonância i=Icosω0t e uC=(I/Cω0)sinω0t, de modo que, usando 1/Cω02=L,
Dissipada por período: 21RI2T. Razão ×2π: 2πL/(RT)=Lω0/R=Q.
Sintonizando um rádio valvulado: girar o botão muda um capacitor, o capacitor fixa a frequência de ressonância de um circuito LC, e a estação cuja frequência coincide é a que se ouve — o problema de fim de semana.
8.6 Problema: o receptor de rádio ressonante
Problema 8.1
Problema de fim de semana — uma bobina, um capacitor variável e uma antena: como uma ressonância série escolhe uma estação entre cem, multiplica o seu sinal fraco por cem e por que ela não pode ser feita arbitrariamente seletiva
A antena é modelada por uma fem senoidal ideal e(t)=Ecosωt em série com uma bobina L=200µH, cujo fio tem resistência R=12.6Ω, e um capacitor variável C. O receptor lê a tensão em C. Mais adiante (Parte IV), leva-se em conta a resistência própria da antena, Ra=50Ω.
Uma segunda estação transmite em 1.010MHz e uma terceira em 1.020MHz: calcule a razão de amplitudesI/Imax para cada uma e a razão de potências correspondente em decibéis.
As estações AM ficam a 9 ou 10kHz umas das outras. O receptor é suficientemente seletivo? O que o melhoraria?
O capacitor pode ser ajustado entre 50 e 500pF: que faixa de frequências o receptor cobre?
A fem da antena vale E=10µV: calcule Imax e a tensão no capacitor na ressonância. Comente.
Mostre que a tensão na bobina tem a mesma amplitude e está em oposição de fase com a tensão no capacitor na ressonância: o que a fonte “enxerga”?
Calcule a energia armazenada no circuito na ressonância e a energia dissipada por período; verifique que a razão entre elas, vezes 2π, vale Q.
A partir do Capítulo 7, qual é a constante de tempoτ=2Q/ω0 deste circuito? Por que um Q muito alto acaba distorcendo a fala e a música (largura de banda do áudio: cerca de 5kHz em AM)?
Se a resistência do fio da bobina dobrasse (fio mais fino), como mudariam Q, a largura de banda e a tensão no capacitor?
Parte IV — A resistência da antena e a potência.
Com Ra=50Ω em série, recalcule Q, a largura de banda e a tensão no capacitor para E=10µV. Conclua.
Calcule a potência média entregue pela fem da antena na ressonância e a fração dissipada em Ra.
O teorema da máxima potência pediria uma resistência de carga igual a Ra: por que esse objetivo entra em conflito com a seletividade?
Os receptores reais ligam a antena a uma derivação da bobina, ou através de um pequeno capacitor de acoplamento. Explique qualitativamente o que isso consegue.
Usando P=21UIcosφ, calcule o fator de potência nas duas frequências de meia potência e explique o nome “meia potência”.
Resuma o projeto: o que Q traz, o que ele custa e o valor escolhido para um receptor de 1MHz com canais de 10kHz.
12. No limite: a vizinha está apenas 7dB abaixo. Um Q maior (um R menor), ou vários estágios sintonizados em cascata, aguça a seleção.
13. De 0.50MHz a 1.59MHz: a faixa AM.
14.UC=I/jCω; em ω0, UC=Imax/Cω0=E/(RCω0)=QE.
15.Imax=10−5/12.6=0.79µA; UC=QE=1.0mV: um ganho de tensão de cem vezes, sem amplificador.
16.UL=jLω0I=jQE, UC=−jQE: iguais e opostas, elas se cancelam; a fonte enxerga apenas R.
17. Armazenada 21LImax2=6.2×10−17J; dissipada por período 21RImax2T=3.9×10−18J; 2π×6.2/0.39≈100=Q.
18.τ=2Q/ω0=32µs. O circuito não consegue acompanhar variações mais rápidas que ∼τ: uma largura de bandaΔf deixa passar apenas modulações mais lentas que Δf; com Q=1000, Δf=1kHz e os agudos do programa se perderiam.
19.Q cai à metade, 50, Δf dobra para 20kHz e UC cai à metade, 0.5mV.
20.Rtot=62.6Ω: Q=1257/62.6=20, Δf=50kHz, UC=20×10µV=0.2mV: sensibilidade e seletividade desabam juntas.
21.P=E2/(2Rtot)=10−10/125=8×10−13W; fração em Ra: 50/62.6=80%.
22. O casamento pede uma resistência de carga igual a Ra, isto é, uma resistência total grande; a seletividade pede a menor resistência total possível (Q=Lω0/Rtot). Não se pode ter as duas com uma ligação direta.
23. Uma derivação da bobina ou um pequeno capacitor de acoplamento apresentam à antena apenas uma fração do circuito ressonante: a resistência da antena é “vista” pelo circuito muito reduzida, o que mantém Q alto, enquanto a antena continua entregando potência perto do seu ótimo.
24. Nas frequências de meia potência a reatância vale ±R, de modo que φ=±45∘ e cosφ=1/2; como também I=Imax/2, a potência P=21EIcosφ vale metade do seu valor na ressonância.
25.Q multiplica o sinal por Q e estreita a banda para f0/Q, ao custo de uma resposta mais lenta (τ=2Q/ω0) e de um acoplamento frágil com a antena; para canais de 10kHz em 1MHz, Q≈100 é o número — e a antena precisa ser acoplada de leve para preservá-lo.