Physics · Livro 3 · Bachelor Year 1

Física universitária — 1.º ano

Física universitária — 1.º ano · Bachelor Year 1

20Teoria cinética e o gás perfeito

O ar de uma sala de aula pesa tanto quanto um homem adulto e contém mais moléculas do que há grãos de areia na Terra, cada uma voando com a velocidade de uma bala de fuzil e colidindo dez bilhões de vezes por segundo com as vizinhas. Ninguém consegue acompanhar uma delas; ninguém precisa. Um punhado de médias — pressão, temperatura, volume, quantidade de matéria — descreve o ar completamente para todos os fins da engenharia, e uma imagem simples de moléculas ricocheteando nas paredes explica de onde vêm essas médias e como elas se relacionam. Este capítulo abre a parte de termodinâmica do volume olhando a matéria pelas duas pontas: o caos microscópico e a calma macroscópica, e a teoria cinética que os liga no caso do gás perfeito.

20.1 Duas escalas de descrição

Definição 20.1 (Escalas microscópica e macroscópica)

Na escala microscópica a matéria é feita de moléculas: 1 mol1\,\mathrm{mol} contém NA=6.02×1023 N_A = 6.02 \times 10^{23}\, delas, cada uma com cerca de 0.3 nm0.3\,\mathrm{nm} de diâmetro; num gás em condições comuns elas ficam a 3 nm3\,\mathrm{nm} umas das outras, movem-se a centenas de metros por segundo e colidem a cada 70 nm70\,\mathrm{nm}, mais ou menos. Na escala macroscópica um sistema é descrito por algumas poucas variáveis de estado — pressão PP, volume VV, temperatura TT, quantidade de matéria nn — que são médias sobre números enormes de moléculas. Uma variável é extensiva se dobra quando o sistema é dobrado (VV, nn, massa, energia), e intensiva se não dobra (PP, TT, densidade).

Definição 20.2 (Equilíbrio termodinâmico)

Um sistema está em equilíbrio termodinâmico quando as suas variáveis de estado são uniformes e constantes no tempo e nenhum escoamento macroscópico de matéria ou de energia o atravessa. Só então PP e TT estão definidos para o sistema como um todo; a equação de estado os liga a VV e nn.

Definição 20.3 (Pressão)

Um fluido em repouso empurra cada elemento de superfície  ⁣dS\dd S de uma parede com uma força  ⁣dF→=P  ⁣dS n→\dd\vect F = P\,\dd S\,\vect n normal a ela e dirigida para a parede; PP é a pressão, em pascals (1 Pa=1 N/m21\,\mathrm{Pa} = 1\,\mathrm{N}/\mathrm{m}^{2}); 1 bar=1×105 Pa1\,\mathrm{bar} = 1 \times 10^{5}\,\mathrm{Pa}, 1 atm=1.013×105 Pa1\,\mathrm{atm} = 1.013 \times 10^{5}\,\mathrm{Pa}. Num ponto dado ela não depende da orientação da superfície (Capítulo 21).

Definição 20.4 (Temperatura)

Dois sistemas em contato através de uma parede que deixa passar energia atingem, com o tempo, um estado comum: estão então à mesma temperatura, e dois corpos em equilíbrio com um terceiro estão em equilíbrio um com o outro (a lei zero). A escala kelvin é fixada por kB=1.380 649×10−23 J/Kk_B = 1.380\,649 \times 10^{-23}\,\mathrm{J}/\mathrm{K} exatamente; Celsius: θ=T−273.15\theta = T - 273.15. A teoria cinética abaixo dá a TT o seu sentido microscópico.

20.2 O modelo cinético do gás perfeito

Definição 20.5 (Gás perfeito, modelo microscópico)

Um gás perfeito (gás ideal) é um conjunto de NN moléculas, tratadas como pontos de massa mm, que se movem livremente e ao acaso — sem interação alguma a não ser colisões breves — num recipiente de volume VV. No equilíbrio a distribuição das velocidades é isotrópica e estacionária; n∗=N/Vn^* = N/V é a densidade numérica e ⟨v2⟩\langle v^2\rangle o valor médio do quadrado da velocidade.

Teorema 20.6 (Pressão cinética)

A pressão exercida pelo gás sobre as paredes vale

P=13 n∗m⟨v2⟩=23 n∗⟨ϵk⟩,P = \tfrac13\,n^*m\langle v^2\rangle = \tfrac23\,n^*\langle\epsilon_k\rangle ,

onde ⟨ϵk⟩=12m⟨v2⟩\langle\epsilon_k\rangle = \tfrac12 m\langle v^2\rangle é a energia cinética média de uma molécula.

Demonstração parcial. Tome o modelo simplificado em que todas as moléculas têm velocidade uu e se movem ao longo dos três eixos, um sexto delas em cada sentido. Uma molécula que bate de frente na parede x=0x = 0 ricocheteia elasticamente e lhe entrega a quantidade de movimento 2mu2mu. Num tempo  ⁣dt\dd t, as moléculas que se dirigem à parede e alcançam uma área SS são as que estão na fatia de espessura u  ⁣dtu\,\dd t, um sexto das n∗Su  ⁣dtn^*Su\,\dd t moléculas ali presentes. Força == quantidade de movimento por unidade de tempo =(n∗Su  ⁣dt/6)(2mu)/ ⁣dt=13n∗mu2S= (n^*Su\,\dd t/6)(2mu)/\dd t = \tfrac13 n^*mu^2S, logo P=13n∗mu2P = \tfrac13 n^*mu^2. Tomar a média sobre a distribuição real das velocidades e das direções substitui u2u^2 por ⟨v2⟩\langle v^2\rangle (a isotropia dá ⟨vx2⟩=13⟨v2⟩\langle v_x^2\rangle = \tfrac13\langle v^2\rangle); o volume do segundo ano faz o cálculo por inteiro. ∎

À esquerda: a origem cinética da pressão — as moléculas que batem numa parede e ricocheteiam lhe entregam quantidade de movimento; o seu número por segundo vezes 2mu é a força. À direita: as velocidades reais são espalhadas (distribuição de Maxwell, aqui para o nitrogênio a duas temperaturas); o único u do modelo é substituído pela velocidade quadrática média.
À esquerda: a origem cinética da pressão — as moléculas que batem numa parede e ricocheteiam lhe entregam quantidade de movimento; o seu número por segundo vezes 2mu2mu é a força. À direita: as velocidades reais são espalhadas (distribuição de Maxwell, aqui para o nitrogênio a duas temperaturas); o único uu do modelo é substituído pela velocidade quadrática média.

Definição 20.7 (Temperatura cinética; equação de estado)

A temperatura de um gás perfeito é definida pela energia cinética média das suas moléculas,

⟨ϵk⟩=12m⟨v2⟩=32kBT,\langle\epsilon_k\rangle = \tfrac12 m\langle v^2\rangle = \tfrac32 k_BT ,

de modo que, combinando com o Teorema 20.6,

PV=NkBT=nRT,R=NAkB=8.314 J/(mol K),PV = Nk_BT = nRT, \qquad R = N_Ak_B = 8.314\,\mathrm{J}/(\mathrm{mol}\,\mathrm{K}) ,

a equação de estado do gás perfeito. A velocidade quadrática média vale u=⟨v2⟩=3kBT/m=3RT/Mu = \sqrt{\langle v^2\rangle} = \sqrt{3k_BT/m} = \sqrt{3RT/M}, sendo MM a massa molar.

Exemplo 20.8 (Números para o ar)

Nitrogênio a 300 K300\,\mathrm{K}: u=3×8.314×300/0.028=517 m/su = \sqrt{3 \times 8.314 \times 300/0.028} = 517\,\mathrm{m}/\mathrm{s}; hidrogênio, 1930 m/s1930\,\mathrm{m}/\mathrm{s}; quanto mais pesado, mais lento, como 1/M1/\sqrt M. A 1 bar1\,\mathrm{bar} e 300 K300\,\mathrm{K}, n∗=P/kBT=2.4×1025 m−3n^* = P/k_BT = 2.4 \times 10^{25}\,\mathrm{m}^{-3}: 24 L24\,\mathrm{L} por mol, 2.7×1022 2.7 \times 10^{22}\, moléculas num litro. Uma sala de aula de 200 m3200\,\mathrm{m}^{3}: 8300 mol8300\,\mathrm{mol}, 240 kg240\,\mathrm{kg} de ar.

Observação 20.9 (Por que o modelo funciona, e quando falha)

Entre duas colisões uma molécula de ar voa um livre caminho médio λ≈1/(2πd2n∗)≈70 nm\lambda \approx 1/(\sqrt2\pi d^2n^*) \approx 70\,\mathrm{nm} — duzentas vezes o seu tamanho: o gás é sobretudo vazio, as interações são raras e PV=nRTPV = nRT vale com erro menor que um por cento nas pressões comuns. A alta pressão ou a baixa temperatura, o volume próprio das moléculas e a sua atração passam a contar: a equação de van der Waals (P+an2/V2)(V−nb)=nRT(P + an^2/V^2)(V - nb) = nRT corrige as duas coisas, e abaixo de uma temperatura crítica o gás se liquefaz (Capítulo 25).

O diagrama de Clapeyron de um gás perfeito: a cada temperatura a isoterma é uma hipérbole P = nRT/V, tanto mais alta quanto maior T. Uma transformação é um caminho nesse plano; um ciclo, um laço fechado ().
O diagrama de Clapeyron de um gás perfeito: a cada temperatura a isoterma é uma hipérbole P=nRT/VP = nRT/V, tanto mais alta quanto maior TT. Uma transformação é um caminho nesse plano; um ciclo, um laço fechado (Capítulo 24).

20.3 Energia interna do gás perfeito

Definição 20.10 (Energia interna)

A energia interna UU de um sistema é a soma das energias cinéticas das suas moléculas no referencial em que o sistema está em repouso e das suas energias potenciais mútuas; é uma função de estado extensiva.

Proposição 20.11 (Energia interna dos gases perfeitos)

Para um gás perfeito UU depende só de TT (primeira lei de Joule):

U=32nRT(monoatoˆmico: He, Ne, Ar),U=52nRT(diatoˆmico a temperaturas comuns: N2,O2,H2),\begin{gather*} U = \tfrac32 nRT \quad (\text{monoatômico: He, Ne, Ar}), \\ U = \tfrac52 nRT \quad (\text{diatômico a temperaturas comuns: N}_2, \text{O}_2, \text{H}_2), \end{gather*}

de modo que a capacidade térmica molar a volume constante CV,m= ⁣dUm/ ⁣dTC_{V,m} = \dd U_m/\dd T vale 32R=12.5 J/(mol K)\tfrac32 R = 12.5\,\mathrm{J}/(\mathrm{mol}\,\mathrm{K}) e 52R=20.8 J/(mol K)\tfrac52 R = 20.8\,\mathrm{J}/(\mathrm{mol}\,\mathrm{K}), respectivamente.

Demonstração parcial. Nenhuma energia potencial mútua, por hipótese, logo U=N⟨ϵk⟩=32NkBTU = N\langle\epsilon_k\rangle = \tfrac32 Nk_BT para moléculas pontuais. Uma molécula diatômica também gira: cada um dos seus dois graus de liberdade de rotação carrega, no equilíbrio, o mesmo 12kBT\tfrac12 k_BT que cada grau de translação (o teorema da equipartição, admitido; o volume do terceiro ano o demonstra e explica por que a vibração só entra acima de mil kelvins). ∎

Exemplo 20.12 (O que cabe numa sala)

Os 8300 mol8300\,\mathrm{mol} de ar da sala de aula a 300 K300\,\mathrm{K}: U=52×8300×8.314×300=5.2×107 JU = \tfrac52 \times 8300 \times 8.314 \times 300 = 5.2 \times 10^{7}\,\mathrm{J} — a energia de um litro e meio de gasolina, guardada no movimento molecular. Aquecer a sala de 11 K custa 52nR=170 kJ\tfrac52 nR = 170\,\mathrm{kJ} (a volume constante).

20.4 Fases condensadas

Proposição 20.13 (Modelo da fase incompressível e indilatável)

Líquidos e sólidos são modelados, neste nível, como fases de volume fixo — nem compressíveis nem dilatáveis — cuja energia interna depende só de TT:  ⁣dU=C  ⁣dT\dd U = C\,\dd T com C=mcC = mc, sendo cc o calor específico (4180 J/(kg K)4180\,\mathrm{J}/(\mathrm{kg}\,\mathrm{K}) para a água, 450 J/(kg K)450\,\mathrm{J}/(\mathrm{kg}\,\mathrm{K}) para o aço). Os desvios reais, pequenos, são medidos pelo coeficiente de dilatação térmica α=(1/V)(∂V/∂T)P\alpha = (1/V)(\partial V/\partial T)_P (∼1×10−5 K−1\sim1 \times 10^{-5}\,\mathrm{K}^{-1} para os metais, 2×10−4 K−12 \times 10^{-4}\,\mathrm{K}^{-1} para os líquidos) e pela compressibilidade isotérmica χT=−(1/V)(∂V/∂P)T\chi_T = -(1/V)(\partial V/\partial P)_T (∼5×10−10 Pa−1\sim5 \times 10^{-10}\,\mathrm{Pa}^{-1} para a água, contra 1/P≈1×10−5 Pa−11/P \approx 1 \times 10^{-5}\,\mathrm{Pa}^{-1} para um gás).

Demonstração. Admitido neste nível. ∎

Exemplo 20.14 (Quão incompressível)

A água no fundo da fossa das Marianas (1100 bar1100\,\mathrm{bar}) é comprimida de χTΔP≈5×10−10×1.1×108=5%\chi_T\Delta P \approx 5\times10^{-10} \times 1.1\times10^8 = 5\%; um trilho de aço de 30 m30\,\mathrm{m} aquecido de 5050 K se alonga de αLΔT=18 mm\alpha L\Delta T = 18\,\mathrm{mm} — daí as juntas de dilatação. Contra um gás, cujo volume cai pela metade quando a pressão dobra, o modelo de volume fixo é bom a alguns por cento na maioria das situações deste volume.

20.5 Exercícios

Exercício 20.1 ★

Número de moléculas em 1.0 L1.0\,\mathrm{L} de gás a 0∘C0{}^{\circ}\mathrm{C} e 1 atm1\,\mathrm{atm}; distância média entre vizinhas; compare com o tamanho molecular de 0.3 nm0.3\,\mathrm{nm}.

Solução

Solução de Exercício 20.1.

N=PV/kBT=1.013×105×10−3/(1.38×10−23×273)=2.7×1022N = PV/k_BT = 1.013\times10^5 \times 10^{-3}/(1.38\times10^{-23} \times 273) = 2.7 \times 10^{22}; n∗−1/3=(3.7×10−26)1/3=3.3 nmn^{*-1/3} = (3.7\times10^{-26})^{1/3} = 3.3\,\mathrm{nm}, dez vezes o tamanho molecular.

Exercício 20.2 ★

Velocidades quadráticas médias de H2_2, N2_2, O2_2 e CO2_2 a 300 K300\,\mathrm{K}, e do N2_2 a 77 K77\,\mathrm{K} (nitrogênio em ebulição).

Solução

Solução de Exercício 20.2.

u=3RT/Mu = \sqrt{3RT/M}: H2_2 1930 m/s1930\,\mathrm{m}/\mathrm{s}, N2_2 517 m/s517\,\mathrm{m}/\mathrm{s}, O2_2 484 m/s484\,\mathrm{m}/\mathrm{s}, CO2_2 412 m/s412\,\mathrm{m}/\mathrm{s}; N2_2 a 77 K77\,\mathrm{K}: 262 m/s262\,\mathrm{m}/\mathrm{s}.

Exercício 20.3 ★

Um pneu de carro de volume 30 L30\,\mathrm{L} é calibrado a uma pressão manométrica de 2.5 bar2.5\,\mathrm{bar} a 20∘C20{}^{\circ}\mathrm{C}. Quantidade e massa do ar dentro dele; pressão absoluta depois de uma viagem que o aquece a 50∘C50{}^{\circ}\mathrm{C}.

Solução

Solução de Exercício 20.3.

P=3.5 barP = 3.5\,\mathrm{bar} absolutos: n=PV/RT=3.5×105×0.030/(8.314×293)=4.3 moln = PV/RT = 3.5\times10^5 \times 0.030/(8.314 \times 293) = 4.3\,\mathrm{mol}, 125 g125\,\mathrm{g}. A 323 K323\,\mathrm{K}, P∝TP \propto T: 3.86 bar3.86\,\mathrm{bar} (manométrica 2.85 bar2.85\,\mathrm{bar}).

Exercício 20.4 ★

Estime o livre caminho médio das moléculas do ar a 1 bar1\,\mathrm{bar} e 300 K300\,\mathrm{K} (d=0.37 nmd = 0.37\,\mathrm{nm}), e a frequência de colisões de uma molécula. A que pressão o livre caminho médio chega a 1 m1\,\mathrm{m} (um “vácuo”)?

Solução

Solução de Exercício 20.4.

n∗=P/kBT=2.4×1025 m−3n^* = P/k_BT = 2.4 \times 10^{25}\,\mathrm{m}^{-3}; λ=1/(2π×1.37×10−19×2.4×1025)=6.8×10−8 m\lambda = 1/(\sqrt2\pi \times 1.37\times 10^{-19} \times 2.4\times10^{25}) = 6.8 \times 10^{-8}\,\mathrm{m}; frequência u/λ≈500/7×10−8=7×109 s−1u/\lambda \approx 500/7\times10^{-8} = 7 \times 10^{9}\,\mathrm{s}^{-1}. λ∝1/P\lambda \propto 1/P: 1 m1\,\mathrm{m} a P≈105×7×10−8=7×10−3 PaP \approx 10^5 \times 7\times10^{-8} = 7 \times 10^{-3}\,\mathrm{Pa}.

Exercício 20.5 ★★

Densidade do ar a 1.013 bar1.013\,\mathrm{bar} e 20∘C20{}^{\circ}\mathrm{C} (M=29 g/molM = 29\,\mathrm{g}/\mathrm{mol}) e depois a 100∘C100{}^{\circ}\mathrm{C}. Sustentação de um balão de ar quente de 2800 m32800\,\mathrm{m}^{3} (diferença entre os dois pesos de ar).

Solução

Solução de Exercício 20.5.

ρ=PM/RT\rho = PM/RT: 1.20 kg/m31.20\,\mathrm{kg}/\mathrm{m}^{3} a 293 K293\,\mathrm{K}, 0.946 kg/m30.946\,\mathrm{kg}/\mathrm{m}^{3} a 373 K373\,\mathrm{K}. Sustentação (1.20−0.95)×2800×9.81=7.0 kN(1.20 - 0.95) \times 2800 \times 9.81 = 7.0\,\mathrm{kN}: cerca de 720 kg720\,\mathrm{kg}.

Exercício 20.6 ★★

O ar tem 21%21\% de O2_2 em número de moléculas. Pressão parcial do oxigênio ao nível do mar; a 5000 m5000\,\mathrm{m}, onde P=0.54 atmP = 0.54\,\mathrm{atm}; no cume do Everest (0.33 atm0.33\,\mathrm{atm}). Por que o corpo sofre lá em cima?

Solução

Solução de Exercício 20.6.

PO2=0.21PP_{\mathrm{O}_2} = 0.21P: 0.21 atm0.21\,\mathrm{atm}; 0.11 atm0.11\,\mathrm{atm} a 5000 m5000\,\mathrm{m}; 0.07 atm0.07\,\mathrm{atm} no Everest — um terço do valor ao nível do mar. O oxigênio entra no sangue proporcionalmente à sua pressão parcial; a um terço, os pulmões não conseguem saturar a hemoglobina.

Exercício 20.7 ★★

Um mol de CO2_2 a 300 K300\,\mathrm{K} em 1.0 L1.0\,\mathrm{L}: pressão pela lei dos gases perfeitos e depois por van der Waals (a=0.364 Pa m6/mol2a = 0.364\,\mathrm{Pa}\,\mathrm{m}^{6}/\mathrm{mol}^{2}, b=4.27×10−5 m3/molb = 4.27 \times 10^{-5}\,\mathrm{m}^{3}/\mathrm{mol}). Que correção domina aqui?

Solução

Solução de Exercício 20.7.

Gás perfeito: P=RT/V=2494/10−3=24.9 barP = RT/V = 2494/10^{-3} = 24.9\,\mathrm{bar}. Van der Waals: RT/(V−b)−a/V2=2494/9.57×10−4−0.364/10−6=26.1−3.6=22.4 barRT/(V - b) - a/V^2 = 2494/9.57\times10^{-4} - 0.364/10^{-6} = 26.1 - 3.6 = 22.4\,\mathrm{bar}: a atração (−3.6-3.6 bar) pesa mais do que o volume excluído (+1.2+1.2 bar); o CO2_2 real fica 10%10\% abaixo do valor ideal.

Exercício 20.8 ★★

Energia interna do ar de uma sala de 50 m350\,\mathrm{m}^{3} a 1 bar1\,\mathrm{bar} e 300 K300\,\mathrm{K}; energia para aquecê-lo de 5 K5\,\mathrm{K} a volume constante; tempo com um aquecedor de 2 kW2\,\mathrm{kW} (sem perdas).

Solução

Solução de Exercício 20.8.

n=PV/RT=105×50/(8.314×300)=2000 moln = PV/RT = 10^5 \times 50/(8.314 \times 300) = 2000\,\mathrm{mol}; U=52nRT=1.25×107 JU = \tfrac52 nRT = 1.25 \times 10^{7}\,\mathrm{J}; ΔU=52nR×5=208 kJ\Delta U = \tfrac52 nR \times 5 = 208\,\mathrm{kJ}; 104 s104\,\mathrm{s} a 2 kW2\,\mathrm{kW}.

Exercício 20.9 ★★

Um trilho de aço de 30 m30\,\mathrm{m} (α=1.2×10−5 K−1\alpha = 1.2 \times 10^{-5}\,\mathrm{K}^{-1}) entre −10∘C-10{}^{\circ}\mathrm{C} e 40∘C40{}^{\circ}\mathrm{C}: variação de comprimento. Um anel de latão (α=1.9×10−5 K−1\alpha = 1.9 \times 10^{-5}\,\mathrm{K}^{-1}) de diâmetro interno 49.95 mm49.95\,\mathrm{mm} deve passar por um eixo de 50.00 mm50.00\,\mathrm{mm}: de quanto ele precisa ser aquecido?

Solução

Solução de Exercício 20.9.

ΔL=αLΔT=1.2×10−5×30×50=18 mm\Delta L = \alpha L\Delta T = 1.2\times10^{-5} \times 30 \times 50 = 18\,\mathrm{mm}. Anel: Δd/d=αΔT=0.05/49.95=10−3\Delta d/d = \alpha\Delta T = 0.05/49.95 = 10^{-3}: ΔT=10−3/1.9×10−5=53 K\Delta T = 10^{-3}/ 1.9\times10^{-5} = 53\,\mathrm{K} (o furo se dilata como o metal em volta).

Exercício 20.10 ★★★

Energia por molécula a 300 K300\,\mathrm{K} (32kBT\tfrac32 k_BT) em joules e em eV; capacidades térmicas molares CV,mC_{V,m} do argônio e do nitrogênio; por que a do nitrogênio é maior, embora as suas moléculas sejam mais leves?

Solução

Solução de Exercício 20.10.

32kBT=6.2×10−21 J=0.039 eV\tfrac32 k_BT = 6.2 \times 10^{-21}\,\mathrm{J} = 0.039\,\mathrm{eV}. Argônio 32R=12.5 J/(mol K)\tfrac32 R = 12.5\,\mathrm{J}/(\mathrm{mol}\,\mathrm{K}); nitrogênio 52R=20.8 J/(mol K)\tfrac52 R = 20.8\,\mathrm{J}/(\mathrm{mol}\,\mathrm{K}): a molécula diatômica também armazena energia em rotação (dois graus de liberdade a mais), qualquer que seja a sua massa.

Exercício 20.11 ★★★

Refaça a dedução da pressão cinética no modelo das seis direções e mostre em seguida que, para uma distribuição isotrópica de velocidades, ⟨vx2⟩=13⟨v2⟩\langle v_x^2\rangle = \tfrac13\langle v^2\rangle, e que a fórmula da pressão não muda.

Solução

Solução de Exercício 20.11.

Modelo das seis direções: como no texto, P=13n∗mu2P = \tfrac13 n^*mu^2. Isotropia: ⟨vx2⟩=⟨vy2⟩=⟨vz2⟩\langle v_x^2\rangle = \langle v_y^2\rangle = \langle v_z^2\rangle e a soma das três é ⟨v2⟩\langle v^2\rangle, logo cada uma vale 13⟨v2⟩\tfrac13\langle v^2\rangle. O argumento de fluxo com uma distribuição dá P=n∗m⟨vx2⟩P = n^*m\langle v_x^2\rangle (moléculas com vx>0v_x > 0 que batem na parede, quantidade de movimento 2mvx2mv_x cada uma, fluxo n∗vx/2n^*v_x/2 por classe de velocidade, tomada a média), isto é, 13n∗m⟨v2⟩\tfrac13 n^*m\langle v^2\rangle — o mesmo.

Exercício 20.12 ★★★

Velocidades quadráticas médias do H2_2 e do O2_2 a 300 K300\,\mathrm{K} comparadas com a velocidade de escape da Terra e com a da Lua (2.4 km/s2.4\,\mathrm{km}/\mathrm{s}). Sabendo que a fração de moléculas mais rápidas do que 3u3u é pequena, mas não nula, explique por que a Terra perdeu o seu hidrogênio, e a Lua, toda a sua atmosfera.

Solução

Solução de Exercício 20.12.

H2_2: 1.9 km/s1.9\,\mathrm{km}/\mathrm{s}, O2_2: 0.48 km/s0.48\,\mathrm{km}/\mathrm{s}; Terra 11.2 km/s11.2\,\mathrm{km}/\mathrm{s}, Lua 2.4 km/s2.4\,\mathrm{km}/\mathrm{s}. Para o O2_2 na Terra, ve/u=23v_e/u = 23: a cauda da distribuição além disso é totalmente desprezível; para o H2_2, ve/u≈6v_e/u \approx 6: uma fração ínfima mas constante escapa a cada ano e, ao longo de bilhões de anos, o hidrogênio se foi. Na Lua, ve/uv_e/u vale 55 para o O2_2 e 1.21.2 para o H2_2: tudo vazou.

20.6 Problema: o ar da sala

Problema 20.1

Problema de fim de semana — uma sala de aula cheia de ar: contar as suas moléculas, pesá-la, cronometrar os seus voos e tirar do mesmo modelo a sustentação de um balão, a rarefação do ar da montanha e a velocidade do som

Uma sala de aula mede 10×8×2.5 m10 \times 8 \times 2.5\,\mathrm{m}; o seu ar está a P=1.013×105 PaP = 1.013 \times 10^{5}\,\mathrm{Pa}, T=293 KT = 293\,\mathrm{K}, massa molar M=29.0 g/molM = 29.0\,\mathrm{g}/\mathrm{mol}, 79%79\% de N2_2 e 21%21\% de O2_2 em número de moléculas. R=8.314 J/(mol K)R = 8.314\,\mathrm{J}/(\mathrm{mol}\,\mathrm{K}), kB=1.38×10−23 J/Kk_B = 1.38 \times 10^{-23}\,\mathrm{J}/\mathrm{K}, NA=6.02×1023N_A = 6.02 \times 10^{23}, g=9.81 m/s2g = 9.81\,\mathrm{m}/\mathrm{s}^{2}.

Parte I — Contar e pesar.

  1. Quantidade de ar (em mols) e número de moléculas na sala.
  2. Massa do ar; compare com uma pessoa.
  3. Densidade numérica n∗n^* e distância média entre moléculas (n∗−1/3n^{*-1/3}); compare com o diâmetro molecular de 0.37 nm0.37\,\mathrm{nm}.
  4. Velocidade quadrática média do N2_2 e do O2_2; por que o gás mais pesado se move mais devagar à mesma temperatura?
  5. Energia cinética média de uma molécula; energia cinética de translação total do ar da sala; compare com a energia cinética de um carro a 100 km/h100\,\mathrm{km}/\mathrm{h}.
  6. Livre caminho médio λ≈1/(2πd2n∗)\lambda \approx 1/(\sqrt2\pi d^2n^*) e tempo médio entre duas colisões de uma molécula.

Parte II — A pressão a partir dos impactos.

  1. Usando o modelo das seis direções com u=500 m/su = 500\,\mathrm{m}/\mathrm{s}, calcule o número de impactos por segundo em 1 cm21\,\mathrm{cm}^{2} de parede.
  2. Calcule a quantidade de movimento cedida por segundo e verifique que ela reproduz a pressão atmosférica.
  3. Força total do ar sobre uma parede de 8 m8\,\mathrm{m} por 2.5 m2.5\,\mathrm{m}; por que a parede não se move?
  4. A sala é aquecida a 303 K303\,\mathrm{K} com as janelas fechadas e vedadas: nova pressão, e força resultante sobre a parede agora.
  5. O mesmo aquecimento com uma janela aberta: o que sai, e quanto?

Parte III — O empuxo.

  1. Densidade do ar da sala e do ar a 373 K373\,\mathrm{K} à mesma pressão.
  2. Um balão de ar quente de volume 2800 m32800\,\mathrm{m}^{3} é enchido com ar a 373 K373\,\mathrm{K}: peso do ar quente, peso do ar frio deslocado e a sustentação disponível (Arquimedes, Capítulo 21).
  3. O envelope, o cesto, o queimador e o gás pesam 300 kg300\,\mathrm{kg}: quantos passageiros de 75 kg75\,\mathrm{kg} ele consegue levantar?
  4. A que temperatura o ar deveria ser aquecido para dobrar a sustentação, e por que isso não se faz (o envelope é de náilon)?
  5. Um balão de hélio do mesmo volume a 293 K293\,\mathrm{K} (M=4 g/molM = 4\,\mathrm{g}/\mathrm{mol}): sustentação? Por que, ainda assim, os balões turísticos usam ar quente?

Parte IV — Ar rarefeito e a velocidade do som.

  1. Pressão parcial do oxigênio na sala.
  2. No cume do Everest, P=0.33 atmP = 0.33\,\mathrm{atm} e T≈250 KT \approx 250\,\mathrm{K}: densidade numérica de moléculas de oxigênio comparada com a da sala.
  3. A pressão da atmosfera cai com a altitude aproximadamente como P(z)=P0e−z/HP(z) = P_0\eu^{-z/H} com H=RT/MgH = RT/Mg (Capítulo 21): calcule HH para 260 K260\,\mathrm{K} e a altitude em que P=P0/2P = P_0/2.
  4. A velocidade do som num gás perfeito vale cs=γRT/Mc_s = \sqrt{\gamma RT/M} com γ=1.4\gamma = 1.4 para o ar (Capítulo 22): calcule-a a 293 K293\,\mathrm{K} e compare com a velocidade quadrática média; interprete a proximidade.
  5. Como csc_s varia com TT? Velocidade do som na sala a 303 K303\,\mathrm{K} e no hélio a 293 K293\,\mathrm{K} (γ=5/3\gamma = 5/3): por que uma voz com hélio soa aguda?
  6. No alto do Everest, o som é mais rápido ou mais lento do que na sala? De quanto?
  7. O ar da sala é substituído por argônio à mesma PP e à mesma TT: o que muda na contagem, na massa, nas velocidades e na energia interna?
  8. Energia interna do ar da sala (U=52nRTU = \tfrac52 nRT) e energia para aquecê-lo de 10 K10\,\mathrm{K} a volume constante.
  9. Resuma em três linhas o que o modelo cinético entregou: que grandezas macroscópicas ele explicou, e a partir de que única média microscópica.
Solução

Solução de Problema 20.1.

1. V=200 m3V = 200\,\mathrm{m}^{3}: n=PV/RT=1.013×105×200/(8.314×293)=8320 moln = PV/RT = 1.013\times10^5 \times 200/(8.314 \times 293) = 8320\,\mathrm{mol}; N=nNA=5.0×1027N = nN_A = 5.0 \times 10^{27}.

2. m=nM=241 kgm = nM = 241\,\mathrm{kg}: três pessoas.

3. n∗=N/V=2.5×1025 m−3n^* = N/V = 2.5 \times 10^{25}\,\mathrm{m}^{-3}; distância n∗−1/3=3.4 nmn^{*-1/3} = 3.4\,\mathrm{nm}, nove diâmetros moleculares.

4. N2_2: 3×8.314×293/0.028=511 m/s\sqrt{3 \times 8.314 \times 293/0.028} = 511\,\mathrm{m}/\mathrm{s}; O2_2: 478 m/s478\,\mathrm{m}/\mathrm{s}. O mesmo 32kBT\tfrac32 k_BT por molécula: 12mu2\tfrac12 mu^2 fixo, logo u∝1/mu \propto 1/\sqrt m.

5. 32kBT=6.1×10−21 J\tfrac32 k_BT = 6.1 \times 10^{-21}\,\mathrm{J}; total N×6.1×10−21=3.0×107 JN \times 6.1\times10^{-21} = 3.0 \times 10^{7}\,\mathrm{J}; um carro de 1000 kg1000\,\mathrm{kg} a 100 km/h100\,\mathrm{km}/\mathrm{h}: 3.9×105 J3.9 \times 10^{5}\,\mathrm{J} — o movimento molecular da sala vale oitenta carros.

6. λ=1/(2π×1.37×10−19×2.5×1025)=66 nm\lambda = 1/(\sqrt2\pi \times 1.37\times10^{-19} \times 2.5\times10^{25}) = 66\,\mathrm{nm}; tempo λ/u=66×10−9/500=1.3×10−10 s\lambda/u = 66\times10^{-9}/500 = 1.3 \times 10^{-10}\,\mathrm{s}.

7. Impactos por segundo em SS: 16n∗Su=16×2.5×1025×10−4×500=2.1×1023 s−1\tfrac16 n^*Su = \tfrac16 \times 2.5\times 10^{25} \times 10^{-4} \times 500 = 2.1 \times 10^{23}\,\mathrm{s}^{-1}.

8. Cada um cede 2mu=2×4.8×10−26×500=4.8×10−23 kg m/s2mu = 2 \times 4.8\times10^{-26} \times 500 = 4.8 \times 10^{-23}\,\mathrm{kg}\,\mathrm{m}/\mathrm{s} (m=M/NA=4.8×10−26 kgm = M/N_A = 4.8 \times 10^{-26}\,\mathrm{kg}): força 2.1×1023×4.8×10−23=10 N2.1\times10^{23} \times 4.8\times10^{-23} = 10\,\mathrm{N} em 1 cm21\,\mathrm{cm}^{2}: 1.0×105 Pa1.0 \times 10^{5}\,\mathrm{Pa}. O modelo reproduz a pressão atmosférica.

9. F=PS=1.013×105×20=2.0×106 NF = PS = 1.013\times10^5 \times 20 = 2.0 \times 10^{6}\,\mathrm{N} — duzentas toneladas; a mesma pressão age do outro lado.

10. P′=P×303/293=1.048×105 PaP' = P \times 303/293 = 1.048 \times 10^{5}\,\mathrm{Pa}; resultante ΔP S=3.5×103×20=70 kN\Delta P\,S = 3.5 \times10^3 \times 20 = 70\,\mathrm{kN} para fora: sete toneladas sobre a parede.

11. O ar sai até a pressão se igualar: n∝1/Tn \propto 1/T com PP e VV fixos: 8320×(1−293/303)=275 mol8320 \times (1 - 293/303) = 275\,\mathrm{mol}, 8 kg8\,\mathrm{kg} que saem.

12. ρ=PM/RT\rho = PM/RT: 1.205 kg/m31.205\,\mathrm{kg}/\mathrm{m}^{3} a 293 K293\,\mathrm{K}; 0.946 kg/m30.946\,\mathrm{kg}/\mathrm{m}^{3} a 373 K373\,\mathrm{K}.

13. Ar quente 0.946×2800×9.81=26.0 kN0.946 \times 2800 \times 9.81 = 26.0\,\mathrm{kN}; ar frio deslocado 1.205×2800×9.81=33.1 kN1.205 \times 2800 \times 9.81 = 33.1\,\mathrm{kN}; sustentação 7.1 kN7.1\,\mathrm{kN} (725 kg725\,\mathrm{kg}).

14. 725−300=425 kg725 - 300 = 425\,\mathrm{kg}: cinco passageiros.

15. Sustentação ∝ρc−ρh=ρc(1−293/T)\propto \rho_c - \rho_h = \rho_c(1 - 293/T): dobrar 1−293/373=0.2151 - 293/373 = 0.215 exige T=293/0.57=514 KT = 293/0.57 = 514\,\mathrm{K} (240∘C240{}^{\circ}\mathrm{C}), bem acima do que o náilon tolera (cerca de 120∘C120{}^{\circ}\mathrm{C}).

16. Hélio ρ=1.205×4/29=0.166 kg/m3\rho = 1.205 \times 4/29 = 0.166\,\mathrm{kg}/\mathrm{m}^{3}: sustentação (1.205−0.166)×2800×9.81=28.5 kN(1.205 - 0.166) \times 2800 \times 9.81 = 28.5\,\mathrm{kN} (2.9 t2.9\,\mathrm{t}), quatro vezes mais — mas o hélio é caro e se perde a cada pouso, enquanto o ar quente é de graça e a sua sustentação se ajusta com o queimador.

17. 0.21×1.013×105=2.1×104 Pa0.21 \times 1.013\times10^5 = 2.1 \times 10^{4}\,\mathrm{Pa}.

18. nO2∗=PO2/kBTn^*_{\mathrm{O}_2} = P_{\mathrm{O}_2}/k_BT: sala 2.1×104/(1.38×10−23×293)=5.3×1024 m−32.1\times10^4/ (1.38\times10^{-23} \times 293) = 5.3 \times 10^{24}\,\mathrm{m}^{-3}; Everest 0.21×0.33×1.013×105/(1.38×10−23×250)=2.0×1024 m−30.21 \times 0.33 \times 1.013\times10^5/(1.38\times10^{-23} \times 250) = 2.0 \times 10^{24}\,\mathrm{m}^{-3}: 38%38\% do valor da sala.

19. H=RT/Mg=8.314×260/(0.029×9.81)=7.6 kmH = RT/Mg = 8.314 \times 260/(0.029 \times 9.81) = 7.6\,\mathrm{km}; P0/2P_0/2 a Hln⁡2=5.3 kmH\ln 2 = 5.3\,\mathrm{km}.

20. cs=1.4×8.314×293/0.029=343 m/sc_s = \sqrt{1.4 \times 8.314 \times 293/0.029} = 343\,\mathrm{m}/\mathrm{s}, contra u=503 m/su = 503\,\mathrm{m}/\mathrm{s} para a mistura: cs/u=γ/3=0.68c_s/u = \sqrt{\gamma/3} = 0.68. O som é uma perturbação transportada pelas próprias moléculas, de modo que viaja a uma velocidade da ordem da delas — um pouco menor, já que só conta a componente ao longo da propagação.

21. cs∝Tc_s \propto \sqrt T: 343303/293=349 m/s343\sqrt{303/293} = 349\,\mathrm{m}/\mathrm{s}. Hélio: (5/3)×8.314×293/0.004=1010 m/s\sqrt{(5/3) \times 8.314 \times 293/0.004} = 1010\,\mathrm{m}/\mathrm{s}: as ressonâncias do trato vocal escalam com csc_s, de modo que cada formante fica três vezes mais alto.

22. Mais frio: 343250/293=317 m/s343\sqrt{250/293} = 317\,\mathrm{m}/\mathrm{s}, 8%8\% mais lento; a pressão não entra.

23. O mesmo NN (mesmos PP, VV, TT); massa ×40/29=333 kg\times 40/29 = 333\,\mathrm{kg}; velocidades ×29/40\times\sqrt{29/40}: u=428 m/su = 428\,\mathrm{m}/\mathrm{s}; U=32nRTU = \tfrac32 nRT em vez de 52\tfrac52: 60%60\%.

24. U=52×8320×8.314×293=5.1×107 JU = \tfrac52 \times 8320 \times 8.314 \times 293 = 5.1 \times 10^{7}\,\mathrm{J}; ΔU=52nR×10=1.7×106 J\Delta U = \tfrac52 nR \times 10 = 1.7 \times 10^{6}\,\mathrm{J}.

25. Uma única média, ⟨v2⟩\langle v^2\rangle, fixa a pressão (13n∗m⟨v2⟩\tfrac13 n^*m\langle v^2\rangle), define a temperatura (12m⟨v2⟩=32kBT\tfrac12 m\langle v^2\rangle = \tfrac32 k_BT), dá a equação de estado e a energia interna e fixa a escala da velocidade do som.

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