Physics · Livro 3 · Bachelor Year 1

Física universitária — 1.º ano

Física universitária — 1.º ano · Bachelor Year 1

5Propagação de sinais: ondas progressivas e estacionárias

Dedilhe uma corda de violão e um salão inteiro ouve uma nota; encoste levemente um dedo no seu meio e a nota sobe uma oitava. Fique entre dois alto-falantes tocando o mesmo tom e, caminhando devagar, você atravessa pontos de quase silêncio a cada poucos decímetros. A luz de dois furos pinta listras num anteparo. Nada é levado de um lugar a outro em nenhum desses casos — nenhum ar, nenhuma corda, nenhum vidro viaja — e ainda assim algo se propaga: um sinal. Este capítulo descreve como um sinal se move, o que é uma onda senoidal e o que acontece quando duas ondas se encontram: a matemática da superposição, da interferência e das ondas estacionárias, que todo capítulo posterior sobre ondas — acústica, óptica e física quântica — vai reutilizar.

Seis cordas, seis frequências fundamentais: cada uma é uma onda estacionária fixa na pestana e no cavalete, e os dedos a encurtam para elevar a altura do som.
Seis cordas, seis frequências fundamentais: cada uma é uma onda estacionária fixa na pestana e no cavalete, e os dedos a encurtam para elevar a altura do som.

5.1 Sinais

Definição 5.1 (Sinal; sinal senoidal)

Um sinal é uma grandeza física que varia no tempo e carrega informação: a sobrepressão acústica num microfone, a tensão numa antena, o deslocamento transversal de um ponto de uma corda. O sinal senoidal

s(t)=Acos(ωt+φ)s(t) = A\cos(\omega t + \varphi)

tem amplitude A>0A > 0, frequência angular ω\omega (rad/s\mathrm{rad}/\mathrm{s}), frequência f=ω/2πf = \omega/2\pi, período T=1/fT = 1/f e fase inicial φ\varphi; ωt+φ\omega t + \varphi é a sua fase no instante tt.

Observação 5.2 (Espectro)

Todo sinal periódico de período TT é uma soma de senoides de frequências f1=1/Tf_1 = 1/T (a fundamental) e seus múltiplos nf1nf_1 (os harmônicos); a lista das suas amplitudes é o espectro do sinal. Uma flauta e um violino que tocam a mesma nota compartilham a fundamental e diferem no espectro — é o timbre. A decomposição (de Fourier) é enunciada e usada em Capítulo 9; aqui ela importa porque as senoides se propagam de modo simples, e o que vale para cada senoide vale, por adição, para qualquer sinal.

Proposição 5.3 (Batimentos)

A soma de duas senoides de mesma amplitude e frequências próximas f1>f2f_1 > f_2,

Acos(2πf1t)+Acos(2πf2t)=2Acos ⁣(2πf1f22t)cos ⁣(2πf1+f22t),A\cos(2\pi f_1 t) + A\cos(2\pi f_2 t) = 2A\cos\!\big(2\pi\tfrac{f_1 - f_2}{2}\,t\big)\cos\!\big(2\pi\tfrac{f_1 + f_2}{2}\,t\big),

é uma senoide na frequência média, cuja amplitude 2Acos(π(f1f2)t)\abs{2A\cos(\pi(f_1 - f_2)t)} cresce e decresce na frequência de batimento f1f2f_1 - f_2.

Demonstração. cosa+cosb=2cosab2cosa+b2\cos a + \cos b = 2\cos\frac{a - b}{2}\cos\frac{a + b}{2}. O fator lento se anula duas vezes por período próprio 2/(f1f2)2/(f_1 - f_2), de modo que a envoltória \abs{\cdot} tem frequência f1f2f_1 - f_2.

Batimentos entre 22\, Hz e 20\, Hz: uma oscilação de 21\, Hz cuja envoltória (tracejada) bate duas vezes por segundo — a diferença das frequências.
Batimentos entre 22Hz22\,\mathrm{Hz} e 20Hz20\,\mathrm{Hz}: uma oscilação de 21Hz21\,\mathrm{Hz} cuja envoltória (tracejada) bate duas vezes por segundo — a diferença das frequências.

Exemplo 5.4 (Afinando de ouvido)

Um diapasão a 440Hz440\,\mathrm{Hz} e uma corda a 443Hz443\,\mathrm{Hz} soados juntos pulsam três vezes por segundo; apertar a corda torna a pulsação mais lenta, e quando ela cessa a corda está afinada. O ouvido percebe a frequência média (441.5Hz441.5\,\mathrm{Hz}) como a altura do som, e a envoltória de 3Hz3\,\mathrm{Hz} como uma oscilação da intensidade: os batimentos tornam audível uma diferença de frequência de menos de um por cento.

5.2 Ondas progressivas

Definição 5.5 (Onda progressiva, celeridade)

Um sinal s(x,t)s(x, t) definido ao longo de um eixo é uma onda progressiva que se move no sentido +x+x com celeridade cc se

s(x,t)=f ⁣(txc)=F(xct)s(x, t) = f\!\left(t - \frac{x}{c}\right) = F(x - ct)

para alguma função ff (ou FF): a forma é transportada sem deformação, deslocada de cΔtc\,\Delta t no tempo Δt\Delta t. Uma onda que se move para x-x é g(t+x/c)g(t + x/c). Um meio em que toda forma se propaga sem deformação com o mesmo cc é não dispersivo.

Proposição 5.6 (Atraso)

O sinal recebido em x2x_2 é o sinal emitido em x1<x2x_1 < x_2, atrasado de τ=(x2x1)/c\tau = (x_2 - x_1)/c: s(x2,t)=s(x1,tτ)s(x_2, t) = s(x_1, t - \tau).

Demonstração. s(x2,t)=f(tx2/c)=f((tτ)x1/c)=s(x1,tτ)s(x_2, t) = f(t - x_2/c) = f\big((t - \tau) - x_1/c\big) = s(x_1, t - \tau).

Exemplo 5.7 (Celeridades)

O som no ar, 340m/s340\,\mathrm{m}/\mathrm{s}: um trovão 3s3\,\mathrm{s} depois do clarão põe a descarga a 1km1\,\mathrm{km}. O som na água, 1500m/s1500\,\mathrm{m}/\mathrm{s}; no aço, 5000m/s5000\,\mathrm{m}/\mathrm{s}. Ondas transversais numa corda de tensão FF e massa por unidade de comprimento μ\mu: c=F/μc = \sqrt{F/\mu}, como a análise dimensional previu (Exercício 1.5) — 140m/s140\,\mathrm{m}/\mathrm{s} para uma corda de violão. A luz no vácuo, c=3.00×108m/sc = 3.00 \times 10^{8}\,\mathrm{m}/\mathrm{s}; no vidro, c/nc/n. A celeridade é uma propriedade do meio, não da fonte: um sussurro e um grito chegam juntos.

Proposição 5.8 (Onda progressiva senoidal)

Uma fonte senoidal s(0,t)=Acos(ωt)s(0, t) = A\cos(\omega t) lança

s(x,t)=Acos ⁣(ω(tx/c))=Acos(ωtkx),k=ωc=2πλ,λ=cT=cf.s(x, t) = A\cos\!\big(\omega(t - x/c)\big) = A\cos(\omega t - kx), \qquad k = \frac{\omega}{c} = \frac{2\pi}{\lambda}, \qquad \lambda = cT = \frac{c}{f}.

A onda é periódica no tempo (período TT) e no espaço (período o comprimento de onda λ\lambda); kk é o número de onda; dois pontos separados por uma distância dd oscilam com uma diferença de fase Δφ=2πd/λ=kd\Delta\varphi = 2\pi d/\lambda = kd — em fase se d=nλd = n\lambda, em oposição de fase se d=(n+12)λd = (n + \tfrac12)\lambda. A velocidade com que uma crista se desloca, vφ=ω/kv_\varphi = \omega/k, é a velocidade de fase; aqui vφ=cv_\varphi = c.

Demonstração. Substitua f(u)=Acos(ωu)f(u) = A\cos(\omega u) em f(tx/c)f(t - x/c). Com xx fixo, o sinal se repete após T=2π/ωT = 2\pi/\omega; com tt fixo, ele se repete após λ\lambda, com kλ=2πk\lambda = 2\pi. Dois pontos x1x_1, x2=x1+dx_2 = x_1 + d: as fases diferem de kdkd. Uma crista (ωtkx=const\omega t - kx = \text{const}) se move com  ⁣dx/ ⁣dt=ω/k\dd x/\dd t = \omega/k.

A dupla periodicidade de uma onda progressiva senoidal: um instantâneo a tempo fixo se repete a cada comprimento de onda  e desliza com velocidade c; o sinal num ponto fixo se repete a cada período T, com = cT. A dupla periodicidade de uma onda progressiva senoidal: um instantâneo a tempo fixo se repete a cada comprimento de onda  e desliza com velocidade c; o sinal num ponto fixo se repete a cada período T, com = cT.
A dupla periodicidade de uma onda progressiva senoidal: um instantâneo a tempo fixo se repete a cada comprimento de onda λ\lambda e desliza com velocidade cc; o sinal num ponto fixo se repete a cada período TT, com λ=cT\lambda = cT.

Definição 5.9 (Dispersão)

Um meio é dispersivo quando a velocidade de fase depende da frequência. Um sinal não senoidal, soma de senoides, deforma-se então ao viajar, com as suas componentes se separando. O som no ar e a luz no vácuo são não dispersivos; a luz no vidro (Capítulo 2) e as ondas em água profunda são dispersivas — a ondulação longa vinda de uma tempestade distante chega um dia antes da marola curta.

5.3 Superposição e interferência

Teorema 5.10 (Superposição)

Num meio linear, quando várias ondas se propagam juntas, o sinal resultante em cada ponto e em cada instante é a soma dos sinais que cada onda produziria sozinha.

Demonstração. Admitido neste nível.

Observação 5.11 (Linearidade)

A superposição é uma afirmação sobre as equações do meio (lineares no sinal), verdadeira enquanto as amplitudes permanecem pequenas: som abaixo do limiar da dor, luz abaixo das intensidades de corte a laser, uma corda dedilhada com suavidade. Dois feixes de luz se cruzam sem se perturbar; duas ondulações atravessam uma à outra e emergem intactas. O que se observa onde elas se superpõem é o assunto da interferência.

Teorema 5.12 (Dois sinais senoidais de mesma frequência)

Num ponto onde chegam dois sinais senoidais de mesma frequência, s1=A1cos(ωt+φ1)s_1 = A_1\cos(\omega t + \varphi_1) e s2=A2cos(ωt+φ2)s_2 = A_2\cos(\omega t + \varphi_2), a soma é uma senoide de mesma frequência cuja amplitude satisfaz

A2=A12+A22+2A1A2cosΔφ,Δφ=φ2φ1.A^2 = A_1^2 + A_2^2 + 2A_1A_2\cos\Delta\varphi, \qquad \Delta\varphi = \varphi_2 - \varphi_1 .

Para ondas cuja intensidade (potência por unidade de área) é proporcional a A2A^2, as intensidades obedecem à fórmula de Fresnel

I=I1+I2+2I1I2cosΔφ.I = I_1 + I_2 + 2\sqrt{I_1 I_2}\,\cos\Delta\varphi .

A interferência é construtiva (A=A1+A2A = A_1 + A_2) quando Δφ=2nπ\Delta\varphi = 2n\pi, e destrutiva (A=A1A2A = \abs{A_1 - A_2}) quando Δφ=(2n+1)π\Delta\varphi = (2n + 1)\pi, nZn \in \Z.

Demonstração. Desenvolvendo: s1+s2=(A1cosφ1+A2cosφ2)cosωt(A1sinφ1+A2sinφ2)sinωts_1 + s_2 = (A_1\cos\varphi_1 + A_2\cos\varphi_2)\cos\omega t - (A_1\sin\varphi_1 + A_2\sin\varphi_2)\sin\omega t, isto é, XcosωtYsinωt=Acos(ωt+φ)X\cos\omega t - Y\sin\omega t = A\cos(\omega t + \varphi), com A2=X2+Y2=A12+A22+2A1A2(cosφ1cosφ2+sinφ1sinφ2)A^2 = X^2 + Y^2 = A_1^2 + A_2^2 + 2A_1A_2(\cos\varphi_1\cos\varphi_2 + \sin\varphi_1\sin\varphi_2). Geometricamente: AA é o comprimento da soma de dois vetores de comprimentos A1A_1, A2A_2 que formam o ângulo Δφ\Delta\varphi (a lei dos cossenos).

Proposição 5.13 (Duas fontes em fase; diferença de caminho)

Duas fontes que emitem em fase no comprimento de onda λ\lambda, a distâncias d1d_1 e d2d_2 de um ponto MM, chegam a MM com Δφ=2πδ/λ\Delta\varphi = 2\pi\,\delta/\lambda, em que δ=d2d1\delta = d_2 - d_1 é a diferença de caminho. A interferência em MM é construtiva se δ=nλ\delta = n\lambda, e destrutiva se δ=(n+12)λ\delta = (n + \tfrac12)\lambda.

Demonstração. Cada onda chega com o atraso de fase kdi=2πdi/λkd_i = 2\pi d_i/\lambda do seu percurso (Proposição 5.8); a diferença vale 2π(d2d1)/λ2\pi(d_2 - d_1)/\lambda. Aplique o Teorema 5.12.

Exemplo 5.14 (Dois alto-falantes)

Dois alto-falantes a 2.0m2.0\,\mathrm{m} um do outro tocam em fase o mesmo tom de 850Hz850\,\mathrm{Hz} (λ=0.40m\lambda = 0.40\,\mathrm{m}). Na mediatriz do segmento que os une, δ=0\delta = 0: som forte em toda parte. Ao longo do segmento que os une, δ\delta varia de 2λ2\lambda por comprimento de onda de deslocamento, de modo que os pontos silenciosos (δ=±λ/2,±3λ/2,\delta = \pm\lambda/2, \pm 3\lambda/2, \dots) se sucedem a cada λ/2=20cm\lambda/2 = 20\,\mathrm{cm} — uma onda estacionária, assunto da próxima seção. Inverta os fios de um dos alto-falantes, para que toque em oposição de fase, e forte e fraco trocam de lugar.

Exemplo 5.15 (Furos de Young)

Dois furos S1S_1, S2S_2 separados por uma distância aa, iluminados por uma única fonte monocromática (de modo que emitam em fase), enviam luz a um anteparo à distância DaD \gg a. Num ponto do anteparo à altura xx do eixo, a diferença de caminho vale

δ=S2MS1MaxD\delta = S_2M - S_1M \approx \frac{a\,x}{D}

(para xDx \ll D: S1,2M=D2+(xa/2)2D+(xa/2)2/2DS_{1,2}M = \sqrt{D^2 + (x \mp a/2)^2} \approx D + (x \mp a/2)^2/2D, e subtraia). Franjas claras em x=nλD/ax = n\lambda D/a: a interfranja é

i=λDa.i = \frac{\lambda D}{a} .

Com a=0.50mma = 0.50\,\mathrm{mm}, D=2.0mD = 2.0\,\mathrm{m}, λ=633nm\lambda = 633\,\mathrm{nm}: i=2.5mmi = 2.5\,\mathrm{mm} — uma régua mede o comprimento de onda da luz. Num meio de índice nn, a diferença a usar é a do caminho óptico, n×n \times comprimento, já que λ=λ0/n\lambda = \lambda_0/n.

Furos de Young: duas fontes em fase, separadas por a, alcançam o ponto M de um anteparo distante por caminhos que diferem de ax/D. A intensidade no anteparo, 4I_0 2(π x/i), alterna franjas claras e escuras espaçadas de i = D/a.
Furos de Young: duas fontes em fase, separadas por aa, alcançam o ponto MM de um anteparo distante por caminhos que diferem de δax/D\delta \approx ax/D. A intensidade no anteparo, 4I0cos2(πx/i)4I_0\cos^2(\pi x/i), alterna franjas claras e escuras espaçadas de i=λD/ai = \lambda D/a.

Observação 5.16 (Coerência)

A fórmula de Fresnel supõe uma diferença de fase fixa. Duas lâmpadas separadas têm fases que saltam ao acaso bilhões de vezes por segundo; a média de cosΔφ\cos\Delta\varphi é nula e as intensidades simplesmente se somam: nenhuma franja. A interferência exige fontes coerentes — na prática, duas ondas nascidas de uma mesma fonte, por dois furos, duas fendas, as duas faces de um filme fino ou um divisor de feixe. Dois alto-falantes ligados a um mesmo gerador são coerentes; dois cantores não são.

5.4 Ondas estacionárias

Teorema 5.17 (Onda estacionária)

Duas ondas senoidais de mesma amplitude e frequência que viajam em sentidos opostos somam-se em

Acos(ωtkx)+Acos(ωt+kx)=2Acos(kx)cos(ωt),A\cos(\omega t - kx) + A\cos(\omega t + kx) = 2A\cos(kx)\cos(\omega t),

uma onda estacionária: cada ponto oscila em fase (ou em oposição de fase) com uma amplitude 2Acoskx2A\abs{\cos kx} que depende da posição — nula nos nós x=(n+12)λ/2x = (n + \tfrac12)\lambda/2, máxima nos ventres x=nλ/2x = n\lambda/2; os nós distam λ/2\lambda/2. Nada se propaga: as variáveis xx e tt estão separadas.

Demonstração. cosa+cosb=2cosab2cosa+b2\cos a + \cos b = 2\cos\frac{a - b}{2}\cos\frac{a + b}{2} com a=ωtkxa = \omega t - kx, b=ωt+kxb = \omega t + kx.

Proposição 5.18 (Modos de uma corda fixa nas duas extremidades)

Uma corda de comprimento LL e celeridade cc, fixa em x=0x = 0 e x=Lx = L, só pode sustentar uma onda estacionária senoidal se LL for um número inteiro de meios comprimentos de onda:

λn=2Ln,fn=nc2L=nf1,n=1,2,3,\lambda_n = \frac{2L}{n}, \qquad f_n = n\,\frac{c}{2L} = n f_1, \qquad n = 1, 2, 3, \dots

Esses são os seus modos; f1=c/2Lf_1 = c/2L é a fundamental, e os fnf_n os seus harmônicos. Excitada numa extremidade a uma frequência próxima de fnf_n, a corda entra em ressonância com a forma do modo nn (experiência de Melde); dedilhada, ela vibra numa superposição de modos, e o ouvido percebe f1f_1 como a altura do som.

Demonstração. Uma extremidade fixa é um nó. A onda refletida em x=Lx = L retorna e se superpõe à incidente, formando uma onda estacionária; para que o seu nó caia também em x=0x = 0, é preciso trocar coskx\cos kx por sinkx\sin kx (deslocando a origem) e ter sinkL=0\sin kL = 0: kL=nπkL = n\pi, λn=2L/n\lambda_n = 2L/n, e fn=c/λnf_n = c/\lambda_n.

Os três primeiros modos de uma corda fixa nas duas extremidades: n meios comprimentos de onda cabem em L; a corda oscila entre as duas formas extremas (escura e clara), com os nós imóveis. Frequências f_n = nf_1.
Os três primeiros modos de uma corda fixa nas duas extremidades: nn meios comprimentos de onda cabem em LL; a corda oscila entre as duas formas extremas (escura e clara), com os nós imóveis. Frequências fn=nf1f_n = nf_1.

Exemplo 5.19 (Uma corda de violão)

L=65cmL = 65\,\mathrm{cm}, afinada em f1=110Hzf_1 = 110\,\mathrm{Hz}: c=2Lf1=143m/sc = 2Lf_1 = 143\,\mathrm{m}/\mathrm{s}; com μ=5.0g/m\mu = 5.0\,\mathrm{g}/\mathrm{m} a tensão vale F=μc2=102NF = \mu c^2 = 102\,\mathrm{N} — dez quilogramas pendurados em cada corda. Um dedo que pressiona no décimo segundo traste reduz LL à metade e dobra f1f_1: a oitava. Um dedo que apenas toca o meio da corda impõe ali um nó e mata todos os modos ímpares: a corda soa em 2f12f_1, o “harmônico” dos violonistas.

Observação 5.20 (Tubos, e uma antecipação)

A coluna de ar de uma flauta, aberta nas duas extremidades, tem nós de pressão nas duas pontas e os mesmos modos fn=nc/2Lf_n = nc/2L; um tubo fechado numa extremidade tem um nó na extremidade fechada e um ventre na aberta, de modo que L=(2n+1)λ/4L = (2n + 1)\lambda/4 e só soam os harmônicos ímpares f=(2n+1)c/4Lf = (2n + 1)c/4L — o timbre cavo do clarinete. Confinar uma onda entre duas paredes quantiza, portanto, as suas frequências; quando a onda é a onda de matéria de um elétron num átomo, a mesma contagem de meios comprimentos de onda quantiza a sua energia (Capítulo 30).

5.5 Exercícios

Exercício 5.1

O trovão chega 6.0s6.0\,\mathrm{s} depois do clarão: a que distância caiu o raio? Um ping de sonar retorna após 0.40s0.40\,\mathrm{s} na água (c=1500m/sc = 1500\,\mathrm{m}/\mathrm{s}): qual é a profundidade do fundo do mar?

Solução

Solução de Exercício 5.1.

d=340×6.0=2.0kmd = 340 \times 6.0 = 2.0\,\mathrm{km}. Ida e volta: profundidade =1500×0.40/2=300m= 1500 \times 0.40/2 = 300\,\mathrm{m}.

Exercício 5.2

Uma onda sonora de 440Hz440\,\mathrm{Hz} viaja no ar (340m/s340\,\mathrm{m}/\mathrm{s}). Calcule o seu comprimento de onda, a diferença de fase entre dois microfones separados por 20cm20\,\mathrm{cm} ao longo da direção de propagação e as distâncias para as quais dois pontos oscilam em fase.

Solução

Solução de Exercício 5.2.

λ=340/440=0.77m\lambda = 340/440 = 0.77\,\mathrm{m}; Δφ=2π×0.20/0.773=1.6rad\Delta\varphi = 2\pi \times 0.20/0.773 = 1.6\,\mathrm{rad} (9393^\circ); em fase para separações nλ=n×0.77mn\lambda = n \times 0.77\,\mathrm{m}.

Exercício 5.3

Uma corda tem tensão 80N80\,\mathrm{N} e massa por unidade de comprimento 4.0g/m4.0\,\mathrm{g}/\mathrm{m}: calcule cc e o comprimento de onda de uma onda de 200Hz200\,\mathrm{Hz} nela.

Solução

Solução de Exercício 5.3.

c=80/4.0×103=141m/sc = \sqrt{80/4.0\times10^{-3}} = 141\,\mathrm{m}/\mathrm{s}; λ=c/f=0.71m\lambda = c/f = 0.71\,\mathrm{m}.

Exercício 5.4

Um diapasão de 440Hz440\,\mathrm{Hz} e uma corda a 444Hz444\,\mathrm{Hz}: quantos batimentos por segundo? Qual é o período da envoltória? A corda é afrouxada e os batimentos caem para 1Hz1\,\mathrm{Hz}: qual é a sua frequência agora (em princípio duas respostas — qual delas, e como você verificaria)?

Solução

Solução de Exercício 5.4.

444440=4444 - 440 = 4 batimentos por segundo; período da envoltória 1/4=0.25s1/4 = 0.25\,\mathrm{s}. Afrouxar abaixa a corda: 441Hz441\,\mathrm{Hz} (chegar a 439Hz439\,\mathrm{Hz} teria exigido passar pelo silêncio em 440Hz440\,\mathrm{Hz}); verifique afrouxando um pouco mais: os batimentos devem sumir e depois voltar.

Exercício 5.5 ★★

Uma corda de 0.60m0.60\,\mathrm{m}, c=240m/sc = 240\,\mathrm{m}/\mathrm{s}, fixa nas duas extremidades. Dê as três primeiras frequências de modo e as posições dos nós do terceiro modo. Onde a corda deve ser tocada para que soe em 600Hz600\,\mathrm{Hz}?

Solução

Solução de Exercício 5.5.

f1=c/2L=240/1.2=200Hzf_1 = c/2L = 240/1.2 = 200\,\mathrm{Hz}; 400400, 600Hz600\,\mathrm{Hz}. Terceiro modo: nós em 00, 0.200.20, 0.400.40, 0.60m0.60\,\mathrm{m}. Toque a 20cm20\,\mathrm{cm} (ou 40cm40\,\mathrm{cm}) de uma extremidade: um nó ali conserva apenas n=3,6,n = 3, 6, \dots, e a corda soa em 600Hz600\,\mathrm{Hz}.

Exercício 5.6 ★★

Dois alto-falantes a 2.0m2.0\,\mathrm{m} um do outro emitem 850Hz850\,\mathrm{Hz} em fase (c=340m/sc = 340\,\mathrm{m}/\mathrm{s}). Localize os pontos silenciosos no segmento que os une e diga o que ouve um ouvinte que caminha ao longo da mediatriz desse segmento. O que muda se um dos alto-falantes for ligado em oposição de fase?

Solução

Solução de Exercício 5.6.

λ=0.40m\lambda = 0.40\,\mathrm{m}. No segmento, à distância xx do alto-falante 1, δ=(2.0x)x=2.02x\delta = (2.0 - x) - x = 2.0 - 2x; silêncio para δ=±λ/2,±3λ/2,\delta = \pm\lambda/2, \pm 3\lambda/2, \dots: x=0.1,0.3,,1.9x = 0.1, 0.3, \dots, 1.9 m, a cada 20cm20\,\mathrm{cm}; o ponto médio é forte. Na mediatriz δ=0\delta = 0: forte em todo o percurso (só com o decaimento em 1/r1/r). Em oposição de fase: forte e fraco trocam — silêncio no ponto médio e a cada 20cm20\,\mathrm{cm} a partir dele.

Exercício 5.7 ★★

Furos de Young: a=0.20mma = 0.20\,\mathrm{mm}, D=1.5mD = 1.5\,\mathrm{m}, luz de sódio λ=589nm\lambda = 589\,\mathrm{nm}. Calcule a interfranja; depois para luz azul a 450nm450\,\mathrm{nm}; quantas franjas claras cabem em 2.0cm2.0\,\mathrm{cm} em torno do centro com a lâmpada de sódio?

Solução

Solução de Exercício 5.7.

i=λD/a=5.89×107×1.5/2.0×104=4.4mmi = \lambda D/a = 5.89\times10^{-7} \times 1.5/2.0\times10^{-4} = 4.4\,\mathrm{mm}; azul: 3.4mm3.4\,\mathrm{mm}. Em ±1.0cm\pm1.0\,\mathrm{cm}: franjas em 00, ±4.4\pm 4.4, ±8.8\pm 8.8 mm — cinco.

Exercício 5.8 ★★

Duas ondas coerentes de intensidades I0I_0 e I0I_0 interferem: dê ImaxI_{\max} e IminI_{\min}. Mesma pergunta para I0I_0 e I0/4I_0/4. Defina o contraste (ImaxImin)/(Imax+Imin)(I_{\max} - I_{\min})/(I_{\max} + I_{\min}) e calcule-o nos dois casos.

Solução

Solução de Exercício 5.8.

Iguais: Imax=4I0I_{\max} = 4I_0, Imin=0I_{\min} = 0, contraste 11. I0I_0 e I0/4I_0/4: Imax=I0(1+14+2×12)=2.25I0I_{\max} = I_0(1 + \tfrac14 + 2 \times \tfrac12) = 2.25I_0, Imin=I0(1.251)=0.25I0I_{\min} = I_0(1.25 - 1) = 0.25I_0; contraste 2.0/2.5=0.82.0/2.5 = 0.8.

Exercício 5.9 ★★

Um tubo de 0.50m0.50\,\mathrm{m} (c=340m/sc = 340\,\mathrm{m}/\mathrm{s}). Dê as suas três primeiras frequências de ressonância se ele for fechado numa extremidade e depois se for aberto nas duas. Qual é o clarinete e qual é a flauta?

Solução

Solução de Exercício 5.9.

Fechado–aberto: f=(2n+1)c/4L=170f = (2n + 1)c/4L = 170, 510510, 850Hz850\,\mathrm{Hz} (só harmônicos ímpares: o clarinete). Aberto–aberto: nc/2L=340nc/2L = 340, 680680, 1020Hz1020\,\mathrm{Hz} (a flauta).

Exercício 5.10 ★★★

Em água profunda, a velocidade de fase de uma onda senoidal vale vφ=gλ/2πv_\varphi = \sqrt{g\lambda/2\pi}. Calcule-a para λ=10m\lambda = 10\,\mathrm{m} e 100m100\,\mathrm{m}. Uma tempestade a 1000km1000\,\mathrm{km} levanta as duas: qual ondulação chega primeiro à costa, e com que antecedência? Por que isso torna o mar “dispersivo”?

Solução

Solução de Exercício 5.10.

vφ=9.81×10/2π=3.9m/sv_\varphi = \sqrt{9.81 \times 10/2\pi} = 3.9\,\mathrm{m}/\mathrm{s} e 12.5m/s12.5\,\mathrm{m}/\mathrm{s} para 100m100\,\mathrm{m}. A ondulação longa primeiro: 106/12.5=22h10^6/12.5 = 22\,\mathrm{h} contra 106/3.95=70h10^6/3.95 = 70\,\mathrm{h}, dois dias antes. A velocidade depende do comprimento de onda: um mar misturado se separa por comprimento de onda enquanto viaja — é a dispersão.

Exercício 5.11 ★★★

Mostre que tocar levemente uma corda num ponto a L/3L/3 de uma extremidade deixa apenas os modos de frequência 3f1,6f1,3f_1, 6f_1, \dots, e que dedilhar uma corda no seu meio não excita nenhum modo par. (Sugestão: o que um nó, ou um deslocamento máximo, nesse ponto exige do sin(nπx/L)\sin(n\pi x/L) de cada modo?)

Solução

Solução de Exercício 5.11.

O modo nn tem forma sin(nπx/L)\sin(n\pi x/L). Um nó imposto em x=L/3x = L/3 exige sin(nπ/3)=0\sin(n\pi/3) = 0, isto é, nn múltiplo de 33: frequências 3f1,6f1,3f_1, 6f_1, \dots Dedilhar em L/2L/2 dá à corda um deslocamento máximo ali, para o qual o modo nn só pode contribuir se sin(nπ/2)0\sin(n\pi/2) \neq 0: os modos pares, que têm um nó em L/2L/2, nada recebem.

Exercício 5.12 ★★★

Um receptor de rádio à distância dd de uma parede metálica recebe a onda direta de um transmissor distante e a onda refletida pela parede, que percorre 2d2d a mais e ganha uma fase extra de π\pi na reflexão. Em f=100MHzf = 100\,\mathrm{MHz}, encontre as distâncias dd para as quais o sinal se anula e aquelas em que ele é mais forte. Como isso explica os “pontos mortos” de um rádio de carro num túnel?

Solução

Solução de Exercício 5.12.

λ=c/f=3.0m\lambda = c/f = 3.0\,\mathrm{m}. Diferença de fase 2π(2d)/λ+π2\pi(2d)/\lambda + \pi; destrutiva quando ela vale (2m+1)π(2m + 1)\pi: 2d/λ=m2d/\lambda = m, d=mλ/2=0,1.5,3.0,d = m\lambda/2 = 0, 1.5, 3.0, \dots m; construtiva quando 2d/λ=m+122d/\lambda = m + \tfrac12: d=0.75,2.25,d = 0.75, 2.25, \dots m. As paredes e o teto do túnel refletem a onda: um padrão estacionário com pontos mortos a cada meio comprimento de onda ao longo do percurso do carro.

5.6 Problema: a corda de Melde e o violão

Problema 5.1

Problema de fim de semana — uma corda vibrante numa bancada, uma polia e alguns pesos, depois um violão: como a contagem de meios comprimentos de onda fixa cada nota do braço

Uma corda de massa por unidade de comprimento μ\mu é esticada horizontalmente com uma tensão FF entre um pequeno vibrador eletromagnético em x=Lx = L (que a sacode transversalmente com amplitude minúscula na frequência ff) e um ponto fixo em x=0x = 0; as ondas transversais nela viajam com c=F/μc = \sqrt{F/\mu} (deduzido no volume do segundo ano).

Parte I — Ondas na corda.

  1. Verifique por análise dimensional que F/μ\sqrt{F/\mu} é uma velocidade.
  2. O vibrador envia para x=0x = 0 a onda si(x,t)=Acos(ωt+kx)s_i(x, t) = A\cos(\omega t + kx). Por que o sinal +kx+kx? Dê kk em função de ff e cc.
  3. Para μ=1.0g/m\mu = 1.0\,\mathrm{g}/\mathrm{m}, F=0.90NF = 0.90\,\mathrm{N} e f=50Hzf = 50\,\mathrm{Hz}, calcule cc, λ\lambda e kk.
  4. Dois pontos da corda distam 15cm15\,\mathrm{cm}. Qual é a diferença de fase entre os seus movimentos para essa onda progressiva?
  5. Para A=2.0mmA = 2.0\,\mathrm{mm}, qual é a velocidade transversal máxima de um ponto da corda? Compare com cc.

Parte II — Reflexão e onda estacionária. Na extremidade fixa x=0x = 0 a onda é refletida com o sinal invertido: sr(x,t)=Acos(ωtkx)s_r(x, t) = -A\cos(\omega t - kx).

  1. Por que a onda refletida deve trazer kx-kx na sua fase, e por que a amplitude é invertida (pense no que o sinal total precisa ser em x=0x = 0)?
  2. Mostre que s=si+sr=2Asin(kx)sin(ωt)s = s_i + s_r = -2A\sin(kx)\sin(\omega t).
  3. Localize os nós e os ventres; dê a distância entre dois nós vizinhos.
  4. A amplitude própria do vibrador é tão pequena que x=Lx = L é praticamente um nó. Deduza a condição sobre LL para uma grande onda estacionária (ressonância) e as frequências permitidas fnf_n.
  5. Com L=1.20mL = 1.20\,\mathrm{m} e os dados da questão 3, quantos meios comprimentos de onda (“fusos”) aparecem? A corda está em ressonância?
  6. Mantendo f=50Hzf = 50\,\mathrm{Hz} e LL, que tensões dão ressonâncias com 33 e com 66 fusos?
  7. Inversamente, contam-se os fusos para medir μ\mu: com F=1.6NF = 1.6\,\mathrm{N}, 33 fusos a 50Hz50\,\mathrm{Hz} em 1.20m1.20\,\mathrm{m}, calcule μ\mu.
  8. A tensão é imposta por uma massa mm pendurada numa polia, F=mgF = mg, com mm conhecida a ±1g\pm1\,\mathrm{g} em 163g163\,\mathrm{g}, e LL a ±2mm\pm2\,\mathrm{mm}. Qual medida limita μ\mu, e qual é a sua incerteza relativa?

Parte III — O violão. Seis cordas de comprimento vibrante L=650mmL = 650\,\mathrm{mm} são afinadas em 82.4Hz82.4\,\mathrm{Hz} (mi grave), 110110, 147147, 196196, 247247 e 329.6Hz329.6\,\mathrm{Hz} (mi agudo).

  1. Qual modo o ouvido toma como altura do som? Exprima cc em cada corda a partir de LL e da altura, e calcule-o para as duas cordas mi.
  2. A corda mi grave tem μ=6.0g/m\mu = 6.0\,\mathrm{g}/\mathrm{m}, e a mi aguda μ=0.40g/m\mu = 0.40\,\mathrm{g}/\mathrm{m}: calcule as suas tensões. Por que as cordas graves são encapadas com metal em vez de simplesmente mais esticadas?
  3. A música ocidental divide a oitava em doze semitons iguais: cada traste multiplica a frequência por 21/122^{1/12}. Mostre que o nn-ésimo traste deve ficar a uma distância L(12n/12)L(1 - 2^{-n/12}) da pestana, e calcule as posições dos trastes 11, 55, 77 e 1212.
  4. O espaçamento dos trastes encolhe ao subir o braço: por qual fator de um traste para o seguinte?
  5. Um capotraste preso no traste 33 encurta todas as cordas: por qual fator ele eleva cada altura, e qual é o novo comprimento vibrante?
  6. Tocar (sem pressionar) a corda mi grave sobre o traste 1212 e depois sobre o traste 77 (em L/3L/3) dá dois “harmônicos”: quais frequências, e quais modos sobrevivem?
  7. Dedilhar perto do cavalete soa mais brilhante do que dedilhar sobre a boca do instrumento. Explique com as formas dos modos.
  8. Duas cordas são afinadas a uma quinta de distância (f2=1.5f1f_2 = 1.5f_1). Tocadas juntas, um ouvinte percebe um leve batimento a 2Hz2\,\mathrm{Hz} entre o terceiro harmônico da corda grave e o segundo harmônico da aguda: qual é a razão real f2/f1f_2/f_1, se f1=110Hzf_1 = 110\,\mathrm{Hz}?

Parte IV — Afinando com um diapasão.

  1. A corda lá (110Hz110\,\mathrm{Hz}) é afinada contra o diapasão de 440Hz440\,\mathrm{Hz}. Qual harmônico da corda bate contra o diapasão? Se se ouvem 33\, batimentos por segundo, quais são as duas frequências possíveis da corda?
  2. Girar a cravelha aumenta ligeiramente a tensão e os batimentos aceleram: qual das duas era, e de quanto, relativamente, a tensão deve mudar para chegar à altura correta?
  3. Mostre que uma variação relativa  ⁣dF/F\dd F/F da tensão altera a frequência de  ⁣df/f=12 ⁣dF/F\dd f/f = \tfrac12\,\dd F/F.
  4. Resuma a cadeia de resultados: como o comprimento, a tensão e a massa da corda fixam a sua fundamental, como os trastes fixam a escala e como os batimentos a afinam — e nomeie a única relação por trás de tudo isso.
Solução

Solução de Problema 5.1.

1. [F/μ]=MLT2/(ML1)=L2T2[F/\mu] = M L T^{-2}/(M L^{-1}) = L^2 T^{-2}: uma velocidade ao quadrado.

2. Uma onda que vai para x-x depende de t+x/ct + x/c, isto é, de ωt+kx\omega t + kx; k=ω/c=2πf/ck = \omega/c = 2\pi f/c.

3. c=0.90/1.0×103=30m/sc = \sqrt{0.90/1.0\times10^{-3}} = 30\,\mathrm{m}/\mathrm{s}; λ=c/f=0.60m\lambda = c/f = 0.60\,\mathrm{m}; k=2π/λ=10.5rad/mk = 2\pi/\lambda = 10.5\,\mathrm{rad}/\mathrm{m}.

4. Δφ=kd=10.5×0.15=1.6rad=π/2\Delta\varphi = kd = 10.5 \times 0.15 = 1.6\,\mathrm{rad} = \pi/2.

5. vmax=Aω=2.0×103×2π×50=0.63m/sv_{\max} = A\omega = 2.0\times10^{-3} \times 2\pi \times 50 = 0.63\,\mathrm{m}/\mathrm{s}, cinquenta vezes menor que cc: os pontos da corda se movem devagar enquanto a forma corre.

6. Ela viaja para +x+x: fase ωtkx\omega t - kx. Na extremidade fixa o deslocamento total se anula em todo instante: si(0,t)+sr(0,t)=Acosωt+(A)cosωt=0s_i(0, t) + s_r(0, t) = A\cos\omega t + (-A)\cos\omega t = 0.

7. cos(ωt+kx)cos(ωtkx)=2sin(ωt)sin(kx)\cos(\omega t + kx) - \cos(\omega t - kx) = -2\sin(\omega t)\sin(kx), logo s=2Asin(kx)sin(ωt)s = -2A\sin(kx)\sin(\omega t).

8. Nós: sinkx=0\sin kx = 0, x=nλ/2x = n\lambda/2; ventres x=(n+12)λ/2x = (n + \tfrac12)\lambda/2; nós vizinhos separados por λ/2\lambda/2.

9. sinkL=0\sin kL = 0: L=nλ/2L = n\lambda/2, isto é, fn=nc/2Lf_n = nc/2L.

10. n=2L/λ=2.4/0.60=4n = 2L/\lambda = 2.4/0.60 = 4: quatro fusos, um inteiro — ressonância.

11. 33 fusos: λ=2L/3=0.80m\lambda = 2L/3 = 0.80\,\mathrm{m}, c=λf=40m/sc = \lambda f = 40\,\mathrm{m}/\mathrm{s}, F=μc2=1.6NF = \mu c^2 = 1.6\,\mathrm{N}. 66 fusos: λ=0.40m\lambda = 0.40\,\mathrm{m}, c=20m/sc = 20\,\mathrm{m}/\mathrm{s}, F=0.40NF = 0.40\,\mathrm{N}.

12. c=2Lf/n=2×1.20×50/3=40m/sc = 2Lf/n = 2 \times 1.20 \times 50/3 = 40\,\mathrm{m}/\mathrm{s}, μ=F/c2=1.6/1600=1.0×103kg/m=1.0g/m\mu = F/c^2 = 1.6/1600 = 1.0 \times 10^{-3}\,\mathrm{kg}/\mathrm{m} = 1.0\,\mathrm{g}/\mathrm{m}.

13. μ=mgn2/(4L2f2)\mu = mgn^2/(4L^2f^2): u(μ)/μ=(um/m)2+(2uL/L)2=0.612+0.332%=0.7%u(\mu)/\mu = \sqrt{(u_m/m)^2 + (2u_L/L)^2} = \sqrt{0.61^2 + 0.33^2}\,\% = 0.7\%; a massa é o que limita.

14. A fundamental. c=2Lf1c = 2Lf_1: mi grave 2×0.650×82.4=107m/s2 \times 0.650 \times 82.4 = 107\,\mathrm{m}/\mathrm{s}; mi agudo 428m/s428\,\mathrm{m}/\mathrm{s}.

15. F=μc2F = \mu c^2: mi grave 6.0×103×1072=69N6.0\times10^{-3} \times 107^2 = 69\,\mathrm{N}; mi agudo 4.0×104×4282=73N4.0\times10^{-4} \times 428^2 = 73\,\mathrm{N} — tensões comparáveis. Baixar ff por um fator 44 com LL e μ\mu fixos exigiria 1616 vezes menos tensão: uma corda mole e trepidante. Encapar aumenta μ\mu em vez disso.

16. fn=2n/12f1f_n = 2^{n/12}f_1 e f1/Lf \propto 1/L: Ln=2n/12LL_n = 2^{-n/12}L, distância da pestana LLn=L(12n/12)L - L_n = L(1 - 2^{-n/12}): traste 1 36.5mm36.5\,\mathrm{mm}, traste 5 163mm163\,\mathrm{mm}, traste 7 216mm216\,\mathrm{mm}, traste 12 325mm325\,\mathrm{mm}.

17. Cada espaçamento vale 21/12=0.9442^{-1/12} = 0.944 vezes o anterior.

18. Fator 23/12=1.192^{3/12} = 1.19 (três semitons); comprimento 650×23/12=547mm650 \times 2^{-3/12} = 547\,\mathrm{mm}.

19. Tocando em L/2L/2: só modos pares, altura 2f1=165Hz2f_1 = 165\,\mathrm{Hz}; em L/3L/3: múltiplos de 33, altura 3f1=247Hz3f_1 = 247\,\mathrm{Hz}.

20. Perto de uma extremidade, sin(nπx/L)nπx/L\sin(n\pi x/L) \approx n\pi x/L cresce com nn: os modos altos são relativamente mais excitados — som brilhante. Sobre a boca (perto do meio) os modos pares são fracos e a fundamental domina — som doce.

21. 3f1=330Hz3f_1 = 330\,\mathrm{Hz} bate a 2Hz2\,\mathrm{Hz} com 2f22f_2: f2=166f_2 = 166 ou 164Hz164\,\mathrm{Hz}, razão 1.5091.509 ou 1.4911.491 (a quinta temperada vale 27/12=1.4982^{7/12} = 1.498).

22. O quarto harmônico, 4f4f. Três batimentos: 4f=4374f = 437 ou 443Hz443\,\mathrm{Hz}, f=109.25f = 109.25 ou 110.75Hz110.75\,\mathrm{Hz}.

23. Os batimentos aceleram ao apertar, logo a corda estava alta: 110.75Hz110.75\,\mathrm{Hz}. Ela deve baixar 0.75/110.75=0.68%0.75/110.75 = 0.68\%, isto é, a tensão deve cair 1.4%1.4\%.

24. f=(n/2L)F/μf = (n/2L)\sqrt{F/\mu}, logo lnf=12lnF+const\ln f = \tfrac12\ln F + \text{const} e  ⁣df/f=12 ⁣dF/F\dd f/f = \tfrac12\,\dd F/F.

25. f1=12LFμf_1 = \dfrac{1}{2L}\sqrt{\dfrac{F}{\mu}}: o comprimento fixa λ1=2L\lambda_1 = 2L, a tensão e a massa fixam cc, os trastes escalam LL por 2n/122^{-n/12}, e os batimentos revelam ffreff - f_{\text{ref}}. Por trás de tudo, uma relação: λf=c\lambda f = c, com a condição de onda estacionária L=nλ/2L = n\lambda/2.

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