Mathematics · Livro 2 · Grades 10–12

Matemática do ensino médio

Matemática do ensino médio · Grades 10–12

31Vetores, retas e planos no espaço

A geometria tridimensional torna-se calculável assim que dispomos de vetores e coordenadas: as retas ganham representações paramétricas, os planos ganham equações cartesianas, e o produto escalar mede ângulos e distâncias. Este capítulo constrói essa caixa de ferramentas e a usa para resolver os problemas clássicos de interseção e de distância.

31.1 Vetores no espaço

Os vetores no espaço obedecem às mesmas regras que no plano: somam-se, multiplicam-se por escalares, e AB=CD\vect{AB} = \vect{CD} exatamente quando ABDCABDC é um paralelogramo. Em um sistema de coordenadas (O;ı,ȷ,k)(O; \vec\imath, \vec\jmath, \vec k), todo vetor tem coordenadas (x,y,z)(x, y, z).

Definição 31.1 (Colinearidade, coplanaridade)

Dois vetores são colineares se um é múltiplo do outro. Três vetores u,v,w\vec u, \vec v, \vec w são coplanares se um deles pode ser escrito como combinação dos outros dois, digamos w=au+bv\vec w = a\vec u + b\vec v.

Proposição 31.2

Se u,v,w\vec u, \vec v, \vec w não são coplanares, todo vetor do espaço se decompõe de maneira única como xu+yv+zwx\vec u + y\vec v + z\vec w.

Ideia da demonstração. Pela ponta do vetor a decompor, trace a reta paralela a w\vec w; ela encontra o plano de u,v\vec u, \vec v em um único ponto, que separa o vetor em uma componente nesse plano (de maneira única xu+yvx\vec u + y\vec v, geometria plana) e uma componente na direção de w\vec w. Unicidade: a diferença de duas decomposições exprimiria um dos vetores em função dos outros dois, contradizendo a não coplanaridade.

31.2 Retas e planos

Definição 31.3 (Representação paramétrica de uma reta)

A reta que passa por A(xA,yA,zA)A(x_A, y_A, z_A) com vetor diretor u(a,b,c)0\vec u (a, b, c) \neq \vec 0 é o conjunto dos pontos

M(xA+ta,  yA+tb,  zA+tc),tR.M(x_A + ta,\; y_A + tb,\; z_A + tc), \qquad t \in \R .

Definição 31.4 (Plano)

O plano que passa por AA e é dirigido por dois vetores não colineares u,v\vec u, \vec v é o conjunto dos pontos MM com AM=su+tv\vect{AM} = s\vec u + t\vec v, (s,t)R2(s, t) \in \R^2.

À esquerda: a reta que passa por A com direção u, graduada pelo parâmetro t. À direita: o plano que passa por A dirigido por u e v; todo ponto M do plano é atingido como AM = s u + t v. À esquerda: a reta que passa por A com direção u, graduada pelo parâmetro t. À direita: o plano que passa por A dirigido por u e v; todo ponto M do plano é atingido como AM = s u + t v.
À esquerda: a reta que passa por AA com direção u\vec u, graduada pelo parâmetro tt. À direita: o plano que passa por AA dirigido por u\vec u e v\vec v; todo ponto MM do plano é atingido como AM=su+tv\vect{AM} = s\vec u + t\vec v.

Proposição 31.5 (Posições relativas)

Dois planos distintos ou são paralelos, ou se cortam segundo uma reta. Uma reta e um plano ou são paralelos (podendo a reta estar contida no plano), ou se cortam em um único ponto. Duas retas no espaço podem ser concorrentes, estritamente paralelas, coincidentes ou reversas (não coplanares).

Esboço. São afirmações de incidência; cada análise de casos se reduz, em coordenadas, a resolver um sistema linear e contar suas soluções — veja o Método 31.10.

31.3 Produto escalar

Definição 31.6 (Produto escalar)

O produto escalar de u\vec u e v\vec v é

uv=12(u+v2u2v2),\vec u \cdot \vec v = \tfrac12\left(\norm{\vec u + \vec v}^2 - \norm{\vec u}^2 - \norm{\vec v}^2\right),

em que u\norm{\vec u} é o comprimento de u\vec u. Se os dois vetores são não nulos, uv=uvcosθ\vec u \cdot \vec v = \norm{\vec u}\,\norm{\vec v}\cos\theta, sendo θ\theta o ângulo entre eles; e, em um sistema de coordenadas ortonormal,

uv=xx+yy+zz.\vec u \cdot \vec v = xx' + yy' + zz' .

Dois vetores são ortogonais se seu produto escalar é 00.

Proposição 31.7 (Propriedades)

O produto escalar é simétrico (uv=vu\vec u\cdot\vec v = \vec v\cdot\vec u), bilinear ((au+bv)w=auw+bvw(a\vec u + b\vec v)\cdot \vec w = a\,\vec u\cdot\vec w + b\,\vec v\cdot \vec w), e uu=u20\vec u \cdot \vec u = \norm{\vec u}^2 \geq 0.

Demonstração. Em um sistema ortonormal, as três propriedades são imediatas na fórmula xx+yy+zzxx' + yy' + zz', que por sua vez decorre da fórmula de definição e do cálculo pitagórico dos comprimentos: u2=x2+y2+z2\norm{\vec u}^2 = x^2 + y^2 + z^2.

Definição 31.8 (Vetor normal)

Um vetor normal de um plano P\mathcal P é um vetor não nulo ortogonal a todo vetor contido em P\mathcal P (basta que seja ortogonal a duas direções não colineares de P\mathcal P).

Um vetor normal n do plano P é ortogonal a toda direção de P. O ponto H, pé da perpendicular baixada de M_0, realiza a distância de M_0 ao plano.
Um vetor normal n\vec n do plano P\mathcal P é ortogonal a toda direção de P\mathcal P. O ponto HH, pé da perpendicular baixada de M0M_0, realiza a distância de M0M_0 ao plano.

Teorema 31.9 (Equação cartesiana de um plano)

Em um sistema de coordenadas ortonormal, o plano que passa por AA com vetor normal n(a,b,c)\vec n(a, b, c) tem equação

ax+by+cz+d=0,a x + b y + c z + d = 0,

em que d=(axA+byA+czA)d = -(ax_A + by_A + cz_A). Reciprocamente, toda equação desse tipo com (a,b,c)(0,0,0)(a,b,c) \neq (0,0,0) define um plano de vetor normal (a,b,c)(a, b, c).

Demonstração. MP    AMn    a(xxA)+b(yyA)+c(zzA)=0M \in \mathcal P \iff \vect{AM} \perp \vec n \iff a(x - x_A) + b(y - y_A) + c(z - z_A) = 0, o que, desenvolvido, dá a equação. Reciprocamente, tome qualquer ponto AA que satisfaça a equação; o mesmo cálculo, ao contrário, mostra que o conjunto solução é {M:AMn=0}\{M : \vect{AM}\cdot\vec n = 0\}, o plano que passa por AA e é normal a n\vec n.

Método 31.10 (Interseções na prática)

  • Reta \cap plano: substitua as coordenadas paramétricas da reta na equação do plano; resolva em tt (uma solução: um ponto; 0=0 = não nulo: paralelismo; 0=00 = 0: reta contida).
  • Plano \cap plano: resolva o sistema das duas equações, parametrizando por uma coordenada livre; a solução é uma reta (ou os planos são paralelos, quando os vetores normais são colineares).
  • Testes de ortogonalidade: reta \perp plano se, e somente se, sua direção é colinear com a normal; dois planos são perpendiculares se, e somente se, suas normais são ortogonais.

Proposição 31.11 (Distância de um ponto a um plano)

Em um sistema ortonormal, a distância de M0(x0,y0,z0)M_0(x_0, y_0, z_0) ao plano P:ax+by+cz+d=0\mathcal P : ax + by + cz + d = 0 é

dist(M0,P)=ax0+by0+cz0+da2+b2+c2.\operatorname{dist}(M_0, \mathcal P) = \frac{\abs{ax_0 + by_0 + cz_0 + d}}{\sqrt{a^2 + b^2 + c^2}}.

Demonstração. Seja HH a projeção ortogonal de M0M_0 sobre P\mathcal P: o pé da perpendicular, de modo que HM0\vect{HM_0} é colinear com a normal unitária nn\frac{\vec n}{\norm{\vec n}}, e a distância é HM0nn\abs{\vect{HM_0}\cdot \frac{\vec n}{\norm{\vec n}}}. Para qualquer HPH \in \mathcal P, HM0n=ax0+by0+cz0(axH+byH+czH)=ax0+by0+cz0+d\vect{HM_0}\cdot\vec n = ax_0 + by_0 + cz_0 - (ax_H + by_H + cz_H) = ax_0 + by_0 + cz_0 + d (usando a equação em HH), donde a fórmula, depois de dividir por n=a2+b2+c2\norm{\vec n} = \sqrt{a^2+b^2+c^2}.

Exemplo 31.12

Distância da origem ao plano x+2y+2z6=0x + 2y + 2z - 6 = 0: 61+4+4=63=2\frac{\abs{-6}}{\sqrt{1 + 4 + 4}} = \frac63 = 2.

31.4 Exercícios

Em todos os exercícios, o sistema de coordenadas é ortonormal.

Exercício 31.1

Sejam A(1,0,2)A(1, 0, 2), B(3,1,1)B(3, 1, 1) e C(2,1,3)C(2, -1, 3). Os pontos AA, BB, CC estão alinhados? Dê uma representação paramétrica da reta (AB)(AB).

Solução

Solução de Exercício 31.1.

AB(2,1,1)\vect{AB}(2, 1, -1) e AC(1,1,1)\vect{AC}(1, -1, 1) não são proporcionais (2111\frac21 \neq \frac{1}{-1}), logo os pontos não estão alinhados. Reta (AB)(AB):

(x,y,z)=(1+2t,  t,  2t),tR.(x, y, z) = (1 + 2t,\; t,\; 2 - t), \qquad t \in \R .

Exercício 31.2

Determine uma equação cartesiana do plano que passa por A(1,1,0)A(1, 1, 0) com vetor normal n(2,1,3)\vec n(2, -1, 3). O ponto B(0,2,1)B(0, 2, 1) pertence a ele?

Solução

Solução de Exercício 31.2.

2(x1)(y1)+3(z0)=02(x - 1) - (y - 1) + 3(z - 0) = 0, isto é,

2xy+3z1=0.2x - y + 3z - 1 = 0 .

Para B(0,2,1)B(0,2,1): 02+31=00 - 2 + 3 - 1 = 0: sim, BB pertence ao plano.

Exercício 31.3

Calcule o ângulo em AA (ao grau mais próximo) do triângulo de vértices A(0,0,0)A(0,0,0), B(1,1,0)B(1, 1, 0) e C(1,0,1)C(1, 0, 1).

Solução

Solução de Exercício 31.3.

AB(1,1,0)\vect{AB}(1,1,0), AC(1,0,1)\vect{AC}(1,0,1):

cosA^=ABACABAC=122=12,\cos\widehat{A} = \frac{\vect{AB}\cdot\vect{AC}}{\norm{\vect{AB}}\,\norm{\vect{AC}}} = \frac{1}{\sqrt2\,\sqrt2} = \frac12,

logo A^=60\widehat A = 60^\circ.

Exercício 31.4 ★★

Considere a reta D\mathcal D que passa por A(1,2,0)A(1, 2, 0) com direção u(1,1,2)\vec u(1, -1, 2), e o plano P:2x+yz+1=0\mathcal P : 2x + y - z + 1 = 0. Determine DP\mathcal D \cap \mathcal P.

Solução

Solução de Exercício 31.4.

Pontos de D\mathcal D: (1+t,2t,2t)(1 + t,\, 2 - t,\, 2t). Substituindo na equação de P\mathcal P:

2(1+t)+(2t)2t+1=5t=0    t=5.2(1+t) + (2 - t) - 2t + 1 = 5 - t = 0 \iff t = 5 .

Ponto de interseção único: (6,3,10)(6, -3, 10).

Exercício 31.5 ★★

Sejam P:xy+2z=1\mathcal P : x - y + 2z = 1 e Q:2x+y+z=4\mathcal Q : 2x + y + z = 4. Mostre que P\mathcal P e Q\mathcal Q se cortam segundo uma reta e dê uma representação paramétrica dela.

Solução

Solução de Exercício 31.5.

Os vetores normais (1,1,2)(1, -1, 2) e (2,1,1)(2, 1, 1) não são colineares, de modo que os planos se cortam segundo uma reta. Somando as duas equações: 3x+3z=53x + 3z = 5, logo x=53zx = \frac53 - z; a primeira equação dá então y=x+2z1=23+zy = x + 2z - 1 = \frac23 + z. Com z=tz = t:

(x,y,z)=(53t,  23+t,  t),tR,(x, y, z) = \left(\frac53 - t,\; \frac23 + t,\; t\right), \qquad t \in \R,

uma reta de vetor diretor (1,1,1)(-1, 1, 1). (As duas equações se verificam identicamente.)

Exercício 31.6 ★★

Mostre que as retas

D1:(x,y,z)=(1+t,  2t,  3t),D2:(x,y,z)=(2+s,  1+s,  1+2s)\mathcal D_1 : (x, y, z) = (1 + t,\; 2t,\; 3 - t), \qquad \mathcal D_2 : (x, y, z) = (2 + s,\; 1 + s,\; 1 + 2s)

são reversas (não coplanares).

Solução

Solução de Exercício 31.6.

As direções u1(1,2,1)\vec u_1(1, 2, -1) e u2(1,1,2)\vec u_2(1, 1, 2) não são colineares, logo as retas não são paralelas. Para que se cortassem, seria preciso

1+t=2+s,2t=1+s,3t=1+2s.1 + t = 2 + s, \qquad 2t = 1 + s, \qquad 3 - t = 1 + 2s .

As duas primeiras dão t=1+st = 1 + s e 2(1+s)=1+s2(1+s) = 1 + s, logo s=1s = -1, t=0t = 0; mas então a terceira diz 3=13 = -1, absurdo. Sem ponto comum e não paralelas: as retas são reversas.

Exercício 31.7 ★★

Seja P:2xy+2z3=0\mathcal P : 2x - y + 2z - 3 = 0.

  1. Calcule a distância de M0(3,1,1)M_0(3, 1, 1) a P\mathcal P.
  2. Determine as coordenadas da projeção ortogonal HH de M0M_0 sobre P\mathcal P e confira a distância M0HM_0H.
Solução

Solução de Exercício 31.7.

1. dist=231+2134+1+4=43\operatorname{dist} = \dfrac{\abs{2\cdot3 - 1 + 2\cdot1 - 3}} {\sqrt{4 + 1 + 4}} = \dfrac{4}{3}.

2. H=M0+tnH = M_0 + t\,\vec n com n(2,1,2)\vec n(2, -1, 2), escolhendo tt de modo que HPH \in \mathcal P:

2(3+2t)(1t)+2(1+2t)3=4+9t=0    t=49.2(3 + 2t) - (1 - t) + 2(1 + 2t) - 3 = 4 + 9t = 0 \iff t = -\frac49 .

Logo H(199,139,19)H\left(\frac{19}{9}, \frac{13}{9}, \frac19\right), e

M0H=tn=49×3=43,M_0H = \norm{t\,\vec n} = \frac49 \times 3 = \frac43,

de acordo com a fórmula da distância.

Exercício 31.8 ★★★

O cubo ABCDEFGHABCDEFGH tem aresta 11; escolha coordenadas de modo que A(0,0,0)A(0,0,0), B(1,0,0)B(1,0,0), D(0,1,0)D(0,1,0), E(0,0,1)E(0,0,1) (com C=B+DC = B + D, F=B+EF = B + E, G=B+D+EG = B + D + E, H=D+EH = D + E como vetores a partir de AA).

  1. Mostre que a diagonal (AG)(AG) é ortogonal ao plano (BDE)(BDE).
  2. Calcule a distância de AA ao plano (BDE)(BDE) e o ponto em que (AG)(AG) o atravessa.
Solução

Solução de Exercício 31.8.

Coordenadas: G(1,1,1)G(1,1,1), e o plano (BDE)(BDE) passa por B(1,0,0)B(1,0,0), D(0,1,0)D(0,1,0), E(0,0,1)E(0,0,1).

1. O plano (BDE)(BDE) tem equação x+y+z=1x + y + z = 1 (satisfeita pelos três pontos, que não estão alinhados), de modo que n(1,1,1)\vec n(1,1,1) é normal a ele. Como AG=(1,1,1)=n\vect{AG} = (1,1,1) = \vec n, a diagonal (AG)(AG) é ortogonal ao plano (BDE)(BDE).

2. Distância de A(0,0,0)A(0,0,0): 0+0+013=13=33\frac{\abs{0 + 0 + 0 - 1}}{\sqrt3} = \frac{1}{\sqrt3} = \frac{\sqrt3}{3}. A reta (AG)(AG) é (t,t,t)(t, t, t); ela encontra o plano quando 3t=13t = 1: no ponto (13,13,13)\left(\frac13, \frac13, \frac13\right), o baricentro do triângulo BDEBDE.

Exercício 31.9 ★★★

(Volume de um tetraedro.) Sejam A(1,1,1)A(1,1,1), B(2,1,0)B(2,1,0), C(0,2,1)C(0,2,1) e D(2,2,2)D(2,2,2).

  1. Verifique que AB\vect{AB}, AC\vect{AC}, AD\vect{AD} não são coplanares (os pontos formam um tetraedro de verdade).
  2. Encontre um vetor n\vec n ortogonal a BC\vect{BC} e a BD\vect{BD}, e deduza uma equação cartesiana do plano (BCD)(BCD).
  3. Calcule a distância de AA ao plano (BCD)(BCD) e a área do triângulo BCDBCD, usando a fórmula Aˊrea=12u2v2(uv)2\text{Área} = \frac12\sqrt{\norm{\vec u}^2\norm{\vec v}^2 - (\vec u \cdot \vec v)^2} para o triângulo gerado por u,v\vec u, \vec v.
  4. Deduza o volume do tetraedro (V=13×aˊrea da base×alturaV = \frac13 \times \text{área da base} \times \text{altura}).
Solução

Solução de Exercício 31.9.

1. AB(1,0,1)\vect{AB}(1, 0, -1), AC(1,1,0)\vect{AC}(-1, 1, 0), AD(1,1,1)\vect{AD}(1, 1, 1). Se AD=aAB+bAC\vect{AD} = a\vect{AB} + b\vect{AC}, as coordenadas dão ab=1a - b = 1, b=1b = 1, a=1-a = 1: as duas primeiras forçam a=2a = 2, contradizendo a=1a = -1. Não coplanares.

2. BC(2,1,1)\vect{BC}(-2, 1, 1), BD(0,1,2)\vect{BD}(0, 1, 2). Resolvendo nBC=nBD=0\vec n \cdot \vect{BC} = \vec n \cdot \vect{BD} = 0: de b+2c=0b + 2c = 0, vem b=2cb = -2c; então 2a2c+c=0-2a - 2c + c = 0c=2ac = -2a. Com a=1a = 1: n(1,4,2)\vec n(1, 4, -2). Plano por B(2,1,0)B(2,1,0):

x+4y2z6=0.x + 4y - 2z - 6 = 0 .

3. Distância de A(1,1,1)A(1,1,1): 1+42621=321\dfrac{\abs{1 + 4 - 2 - 6}}{\sqrt{21}} = \dfrac{3}{\sqrt{21}}. Área de BCDBCD: BC2=6\norm{\vect{BC}}^2 = 6, BD2=5\norm{\vect{BD}}^2 = 5, BCBD=3\vect{BC}\cdot\vect{BD} = 3, logo

Aˊrea=126×59=212.\text{Área} = \frac12\sqrt{6 \times 5 - 9} = \frac{\sqrt{21}}{2}.

4.

V=13×212×321=12.V = \frac13 \times \frac{\sqrt{21}}{2} \times \frac{3}{\sqrt{21}} = \frac12 .

31.5 Problema: fatiando o cubo

Problema 31.1

Problema de fim de semana — um plano corta um cubo em um hexágono perfeito, um tetraedro regular se esconde nos cantos, e o ângulo da diagonal dá forma a todo diamante

Fatie um cubo e você espera quadrados e retângulos — e, no entanto, um corte famoso produz um hexágono regular, e quatro cortes espertos nos cantos deixam para trás um tetraedro regular. As duas surpresas, e o ângulo de 109.5109.5^\circ que os átomos de carbono reverenciam, caem diante da caixa de ferramentas deste capítulo: retas paramétricas, equações de planos e o produto escalar (Teorema 31.9, Proposição 31.11). Use por toda parte o cubo do Exercício 31.8: aresta 11, A(0,0,0)A(0,0,0), B(1,0,0)B(1,0,0), D(0,1,0)D(0,1,0), E(0,0,1)E(0,0,1), C(1,1,0)C(1,1,0), F(1,0,1)F(1,0,1), H(0,1,1)H(0,1,1), G(1,1,1)G(1,1,1).

Parte I — Fluência.

  1. Escreva a equação do plano que passa por B(1,0,0)B(1,0,0) com vetor normal (1,1,1)(1,1,1), uma representação paramétrica da reta que passa por AA dirigida por (1,1,1)(1,1,1), e o ponto de interseção dos dois.
  2. Calcule a distância de AA a esse plano (Proposição 31.11).
  3. Os vetores (1,1,0)(1,-1,0) e (1,1,2)(1,1,-2) são ortogonais?
  4. Posição dos planos x+y+z=1x + y + z = 1 e 2x+2y+2z=52x + 2y + 2z = 5? E da reta que passa por AA dirigida por (1,1,0)(1,1,0) em relação ao primeiro plano?
  5. Liste os pontos médios das seis arestas [BC],[CD],[DH],[HE],[EF],[FB][BC], [CD], [DH], [HE], [EF], [FB] do cubo e verifique que todos os seis satisfazem a equação x+y+z=32x + y + z = \frac32.

Parte II — A seção hexagonal. Seja PP o plano x+y+z=32x + y + z = \frac32.

  1. Mostre que PP é perpendicular à grande diagonal (AG)(AG) e passa pelo centro do cubo.
  2. Calcule as distâncias entre pontos médios consecutivos da questão 5 ao longo da seção: o que você encontra?
  3. Calcule o ângulo do polígono da seção em um dos vértices (dois vetores-aresta consecutivos e um produto escalar). Conclua: a seção é um hexágono regular.
  4. Calcule o perímetro e a área do hexágono, e compare a área com a de uma face do cubo. (Para o registro: a maior seção plana do cubo unitário é o retângulo diagonal 1×21 \times \sqrt2, de área 2\sqrt2 — o hexágono regular fica com a prata.)
  5. Onde a diagonal (AG)(AG) atravessa PP? Verifique que o ponto de travessia é o ponto médio de [AG][AG].
  6. Deslize o corte: descreva as seções x+y+z=cx + y + z = c à medida que cc cresce de 00 a 33 — calcule a seção para c=12c = \frac12 (qual polígono, de que tamanho?) e narre a metamorfose que passa pelo seu hexágono em c=32c = \frac32.
  7. Por que nenhum plano pode cortar um cubo segundo um polígono de sete lados? (Onde tem de estar cada lado da seção?)

Parte III — O tetraedro escondido.

  1. Calcule o volume do tetraedro de canto ABDEABDE (base, altura e a fórmula do um terço que o volume do ensino fundamental admitiu — o Exercício 31.9 calcula volumes assim em geral).
  2. Os quatro vértices BB, DD, EE, GG: calcule as seis distâncias duas a duas e conclua que BDEGBDEG é um tetraedro regular. Depois obtenha seu volume subtraindo do cubo os tetraedros de canto.
  3. Calcule a distância do centro do cubo ao plano (BDE)(BDE).
  4. O ângulo do diamante: calcule o ângulo entre as diagonais AG\vect{AG} e BH\vect{BH} do cubo. Seu suplemento, cerca de 109.5109.5^\circ, é o ângulo entre as ligações no diamante e no metano — por que quatro pares de elétrons em torno de um átomo de carbono escolhem os cantos do tetraedro da questão 14?

Parte IV — Genuinamente tridimensional.

  1. Encontre onde a reta que passa por B(1,0,0)B(1,0,0) dirigida por (0,1,1)(0,1,1) atravessa o plano PP do hexágono.
  2. Mostre que as retas (AB)(AB) e (EG)(EG) não se encontram nem são paralelas: retas reversas, o fenômeno que não pode ocorrer em um plano.
  3. Calcule a projeção ortogonal de BB sobre PP (caminhe de BB ao longo da normal até o plano) e verifique que seu ponto satisfaz a equação de PP.
  4. Finale — o kit do agrimensor do espaço: retas paramétricas para atravessar, vetores normais para ângulos e distâncias, equações de planos para seções; e o cubo como o pátio de recreio em que produziram um hexágono, um tetraedro regular, o ângulo do diamante e um par de retas reversas. Uma frase para cada.
Solução

Solução de Problema 31.1.

1. Plano: x+y+z=1x + y + z = 1. Reta: (t,t,t)(t, t, t). Interseção: 3t=13t = 1: (13,13,13)\left(\frac13, \frac13, \frac13\right).

2. 0+0+013=13=33\dfrac{\abs{0 + 0 + 0 - 1}}{\sqrt3} = \dfrac{1}{\sqrt3} = \dfrac{\sqrt3}{3}.

3. 11+0=01 - 1 + 0 = 0: ortogonais.

4. Mesma normal (1,1,1)(1,1,1), mas 521\frac52 \neq 1: planos estritamente paralelos. Quanto à reta: a direção (1,1,0)(1,1,1)=20(1,1,0) \cdot (1,1,1) = 2 \neq 0: não é paralela ao plano, de modo que o atravessa em um único ponto.

5. Pontos médios: (1,12,0)\left(1, \frac12, 0\right), (12,1,0)\left(\frac12, 1, 0\right), (0,1,12)\left(0, 1, \frac12\right), (0,12,1)\left(0, \frac12, 1\right), (12,0,1)\left(\frac12, 0, 1\right), (1,0,12)\left(1, 0, \frac12\right): cada um tem soma de coordenadas 32\frac32.

6. A normal de PP é (1,1,1)(1,1,1), a direção de (AG)(AG): perpendicular. O centro (12,12,12)\left(\frac12,\frac12,\frac12\right) tem soma de coordenadas 32\frac32: está em PP.

7. Pontos médios consecutivos diferem por vetores como (12,12,0)\left(-\frac12, \frac12, 0\right): comprimento 22\frac{\sqrt2}{2} a cada vez — seis lados iguais.

8. Em (12,1,0)\left(\frac12, 1, 0\right): vetores-aresta (12,12,0)\left(\frac12, -\frac12, 0\right) e (12,0,12)\left(-\frac12, 0, \frac12\right): produto escalar 14-\frac14, normas 22\frac{\sqrt2}{2}: cos=12\cos = -\frac12: ângulo 120120^\circ. Lados iguais, ângulos iguais de 120120^\circ: um hexágono regular.

9. Perímetro 6×22=324.246 \times \frac{\sqrt2}{2} = 3\sqrt2 \approx 4.24. Área 6×34×12=3341.306 \times \frac{\sqrt3}{4} \times \frac12 = \frac{3\sqrt3}{4} \approx 1.30: maior que uma face (área 11) — uma fatia maior que qualquer lado da caixa; só o retângulo diagonal (21.41\sqrt2 \approx 1.41) a supera.

10. (t,t,t)(t,t,t) encontra PP em t=12t = \frac12: o centro — que é o ponto médio de [AG][AG] (AA em t=0t = 0, GG em t=1t = 1).

11. Para c=12c = \frac12: o plano corta as três arestas do canto de AA, em (12,0,0)\left(\frac12,0,0\right), (0,12,0)\left(0,\frac12,0\right), (0,0,12)\left(0,0,\frac12\right): um triângulo equilátero de lado 22\frac{\sqrt2}{2}. À medida que cc cresce, o triângulo cresce, seus cantos vão sendo truncados até virar um hexágono (regular exatamente em c=32c = \frac32), e depois a figura encolhe simetricamente até um triângulo no canto de GG: a metamorfose da lapidação.

12. Cada lado da seção é a interseção do plano de corte com uma face do cubo, e um plano encontra uma face (um polígono plano) em no máximo um segmento: no máximo 66 lados. Sete é impossível; de três a seis, todos ocorrem (as questões 8 e 11 mostram dois casos).

13. Base ABDABD: triângulo retângulo de área 12\frac12; altura AE=1AE = 1: volume 13×12×1=16\frac13 \times \frac12 \times 1 = \frac16.

14. Cada par entre B,D,E,GB, D, E, G difere em exatamente duas coordenadas por 11: as seis distâncias valem 2\sqrt2 — regular. O cubo se decompõe em BDEGBDEG mais quatro tetraedros de canto congruentes a ABDEABDE: volume 14×16=131 - 4 \times \frac16 = \frac13.

15. Plano (BDE)(BDE): x+y+z=1x + y + z = 1; centro (12,12,12)\left(\frac12,\frac12,\frac12\right): distância 3213=123=36\frac{\abs{\frac32 - 1}}{\sqrt3} = \frac{1}{2\sqrt3} = \frac{\sqrt3}{6}.

16. AG=(1,1,1)\vect{AG} = (1,1,1), BH=(1,1,1)\vect{BH} = (-1,1,1): cosθ=1+1+13=13\cos\theta = \frac{-1 + 1 + 1}{3} = \frac13: θ70.5\theta \approx 70.5^\circ, suplemento 109.5\approx 109.5^\circ. Quatro pares de elétrons se repelem e se afastam o máximo possível em torno do carbono: o ótimo são os cantos do tetraedro regular, cujas direções do centro aos vértices se encontram exatamente nesse ângulo — o diamante é a questão 14 cristalizada.

17. (1,t,t)(1, t, t) em PP: 1+2t=321 + 2t = \frac32: t=14t = \frac14: o ponto (1,14,14)\left(1, \frac14, \frac14\right).

18. (AB)(AB): pontos (t,0,0)(t, 0, 0); (EG)(EG): pontos (s,s,1)(s, s, 1). Encontrarem-se exigiria 0=10 = 1 na terceira coordenada: nunca. Serem paralelas exigiria (1,0,0)(1,0,0) e (1,1,0)(1,1,0) colineares: não. Nem se encontram nem são paralelas: reversas — dois corredores em andares diferentes.

19. B+t(1,1,1)=(1+t,t,t)B + t(1,1,1) = (1 + t, t, t) em PP: 1+3t=321 + 3t = \frac32: t=16t = \frac16: projeção (76,16,16)\left(\frac76, \frac16, \frac16\right), cuja soma de coordenadas é 32\frac32: está em PP, como se pedia.

20. As retas paramétricas atravessam (questões 1, 10, 17); os vetores normais medem ângulos e distâncias (questões 2, 8, 15, 16); as equações de planos recortam seções (a metamorfose do triângulo ao hexágono). E o pátio de recreio retribuiu a visita: um hexágono regular numa caixa de quadrados, um tetraedro regular nos cantos, o ângulo do diamante e duas retas que se ignoram — geometria que só o espaço oferece.