Com que rapidez uma função varia? A resposta em um único ponto é a derivada, o número mais útil de toda a matemática aplicada. Este capítulo a constrói a partir das taxas de variação médias, calcula-a para as funções de referência e usa seu sinal para ler a variação de uma função. Tudo o que está aqui é estendido e aprofundado no Capítulo 22.
12.1 A taxa de variação média
Definição 12.1(Taxa de variação média)
Seja f definida em um intervaloI e sejam a=b em I. A taxa de variação média de f entre a e b é
b−af(b)−f(a).
Ela é o coeficiente angular da reta secante que passa pelos pontos (a,f(a)) e (b,f(b)) da curva.
Exemplo 12.2
Um carro percorre 140 km entre 14h e 16h: sua velocidade média é 2140=70 km/h. O velocímetro, porém, mostra a cada instante uma velocidade instantânea — e é exatamente essa noção que a derivada torna precisa.
Se r(h) se aproxima de um único número fixo quando h fica arbitrariamente próximo de 0, dizemos que f é derivável em a; esse número é a derivada de f em a, escrita f′(a):
Quando h se aproxima de 0, isso se aproxima de 2: a funçãox2 é derivável em 1 e f′(1)=2. Note a estratégia: simplifique o quociente até h não aparecer mais em nenhum denominador e só então faça h→0.
Exemplo 12.5(Um ponto sem derivada)
Seja f(x)=∣x∣ e a=0. Então hf(h)−f(0)=h∣h∣, que vale 1 para h>0 e −1 para h<0: nenhum número único é atingido, e ∣x∣ não é derivável em 0. Sua curva tem ali um bico.
A tangente é a posição-limite das secantes que passam por A: quando h→0, o segundo ponto (a+h,f(a+h)) desliza pela curva rumo a A, e o coeficiente angular da secante, hf(a+h)−f(a), se aproxima de f′(a).
Raiz quadrada. Para a>0, multiplique pelo conjugado:
ha+h−a=h(a+h+a)(a+h)−a=a+h+a1h→02a1.
Potência geral. O padrão 2a, 3a2 prossegue: ao expandir(a+h)n, todos os termos depois de an+nan−1h carregam h2, de modo que a taxa tende a nan−1. (Uma indução completa é dada no Capítulo 22.) ∎
12.5 Regras de derivação
Teorema 12.9(Operações)
Sejam u e v deriváveis em I e seja λ∈R. Então u+v, λu e uv são deriváveis em I, assim como vu onde v=0, e
Se f′>0 em I (a não ser, talvez, em um número finito de pontos onde se anula), então f é estritamente crescente em I.
Demonstração. A intuição é clara — uma curva cujas tangentes apontam todas para cima tem de subir —, mas uma demonstração rigorosa exige o teorema do valor médio. O resultado é admitido neste nível; veja o Teorema 22.7. ∎
Proposição 12.12(Extremos)
Se f′ muda de sinal em a, de + para −, então f tem um máximo local em a; de − para +, um mínimo local. Em um ponto assim, f′(a)=0 e a tangente é horizontal.
Demonstração. Se f′≥0 em um intervalo que termina em a e f′≤0 em um intervalo que começa em a, então f cresce até f(a) e decresce em seguida (Teorema 12.11): f(a) é o maior valor nas proximidades. Como f′ muda de sinal em a e está definida ali, f′(a)=0. ∎
Método 12.13(Estudar uma função)
Calcule f′(x) e simplifique-a — de preferência até a forma fatorada.
Determine o sinal de f′(x) em cada intervalo (se f′ for do segundo grau, use o Teorema 10.11).
Registre os resultados em um quadro de variação: uma linha para o sinal de f′, uma linha de setas para f e os valores de f nos pontos de virada.
Conclua: extremos, número de soluções de f(x)=k, desigualdades.
Exemplo 12.14
Estude f(x)=x3−3x+1 em R. Primeiro, f′(x)=3x2−3=3(x−1)(x+1): um trinômio do segundo grau com raízes −1 e 1, positivo fora delas. Assim, f é crescente em (−∞,−1], decrescente em [−1,1] e crescente em [1,+∞), com máximo local f(−1)=−1+3+1=3 e mínimo local f(1)=1−3+1=−1.
A curva de f(x)=x3−3x+1 (Exemplo 12.14): tangentes horizontais (laranja) no máximo local (−1,3) e no mínimo local (1,−1), onde f′ muda de sinal.
Exemplo 12.15(Otimização)
Uma caixa aberta é feita a partir de uma folha 12×12 cm, cortando-se um quadrado de lado x em cada canto e dobrando. Seu volume é V(x)=x(12−2x)2 para 0<x<6. Expandindo, V(x)=4x3−48x2+144x, logo
V′(x)=12x2−96x+144=12(x2−8x+12)=12(x−2)(x−6).
Em (0,6), o fator x−6 é negativo, de modo que V′(x) tem o sinal de −(x−2): positivo antes de 2 e negativo depois. O volume é máximo para x=2 cm, dando V(2)=2×82=128 cm3.
12.7 Exercícios
Exercício 12.1★
Usando a definição (taxa de variação e depois h→0), calcule f′(2) para f(x)=x2 e depois g′(1) para g(x)=x2+3x.
Solução
Solução de Exercício 12.1.
Para f(x)=x2 em a=2:
h(2+h)2−4=h4h+h2=4+hh→04,
logo f′(2)=4. Para g(x)=x2+3x em a=1: g(1)=4 e
h(1+h)2+3(1+h)−4=h5h+h2=5+hh→05,
logo g′(1)=5.
Exercício 12.2★
Derive:
f(x)=4x3−2x2+x−7,g(x)=5x+x3,h(x)=(2x+1)(x2−3).
Solução
Solução de Exercício 12.2.
f′(x)=12x2−4x+1.
g′(x)=2x5−x23 (em (0,+∞)).
h′(x)=2(x2−3)+(2x+1)(2x)=2x2−6+4x2+2x=6x2+2x−6 (regra do produto).
h′(x)=−(x2+x+1)22x+1 (regra do quociente com u=1).
Exercício 12.5★★
Estude a variação de f(x)=x3−6x2+9x−2 em R (quadro de variação, extremos locais).
Solução
Solução de Exercício 12.5.
f′(x)=3x2−12x+9=3(x2−4x+3)=3(x−1)(x−3): positiva fora de [1,3] e negativa dentro. Assim, f é crescente em (−∞,1], decrescente em [1,3] e crescente em [3,+∞), com máximo local f(1)=1−6+9−2=2 e mínimo local f(3)=27−54+27−2=−2.
Para x>−1, tanto x+3 quanto (x+1)2 são positivos, de modo que f′(x) tem o sinal de x−1: f é decrescente em (−1,1] e crescente em [1,+∞), com mínimof(1)=24=2.
Exercício 12.7★★
Seja f(x)=x2−4x+5.
Encontre o ponto da curva onde a tangente é horizontal.
Encontre o ponto (ou os pontos) onde a tangente é paralela à reta y=2x+1.
Solução
Solução de Exercício 12.7.
f′(x)=2x−4.
1.Tangente horizontal: f′(x)=0 em x=2; o ponto é (2,f(2))=(2,1) (o vértice da parábola).
2. Paralela a y=2x+1 significa coeficiente angular2: 2x−4=2, logo x=3, o que dá o ponto (3,f(3))=(3,2).
Exercício 12.8★★
Um cercado retangular é construído encostado em um muro com 60 m de cerca (três lados). Exprima a área em função da largura x e use a derivada para encontrar as dimensões de área máxima. (Compare com o método do vértice do Capítulo 10.)
Solução
Solução de Exercício 12.8.
Com largura x (dois lados cercados) e comprimento 60−2x: A(x)=x(60−2x)=60x−2x2 em (0,30). Então A′(x)=60−4x, positiva antes de x=15 e negativa depois: a área é máxima para x=15, dando um cercado 15×30 m de área 450 m2. A fórmula do vértice α=−2×(−2)60=15 do Capítulo 10 dá a mesma resposta sem cálculo.
Exercício 12.9★★
Mostre que, para todo x>0, x≤2x+1, estudando a funçãof(x)=2x+1−x em (0,+∞).
Solução
Solução de Exercício 12.9.
Seja f(x)=2x+1−x em (0,+∞). Então
f′(x)=21−2x1=2xx−1,
que tem o sinal de x−1: negativa em (0,1) e positiva em (1,+∞). Assim, f decresce e depois cresce, com mínimof(1)=1−1=0. Logo f(x)≥0 para todo x>0, isto é, x≤2x+1, com igualdade somente em x=1.
Exercício 12.10★★
Uma lata cilíndrica deve conter 500 cm3. Sua área total (dois discos mais a lateral) é S=2πr2+2πrh, com πr2h=500. Exprima S em função apenas de r e mostre que S′(r)=4πr−r21000. Deduza o raio que minimiza a área, em forma exata.
S′(r)=0 quando 4πr3=1000, isto é, r3=π250, logo r=3250/π (≈4.3 cm). Como S′(r)=r24πr3−1000 é negativa antes desse valor e positiva depois, trata-se de um mínimo.
Exercício 12.11★★★
Quantas tangentes à parábolay=x2 passam pelo ponto exterior P(1,−3)? Determine suas equações. (Chame de a a abscissa do ponto de contato e imponha que a tangente em a passe por P.)
Solução
Solução de Exercício 12.11.
A tangente a y=x2 no ponto de abscissaa é y=a2+2a(x−a)=2ax−a2. Ela passa por P(1,−3) quando −3=2a−a2, isto é, a2−2a−3=0, cujas raízes são a=3 e a=−1 (Δ=16). Há, portanto, duastangentes por P:
Pelo Exemplo 12.14, f cresce até o máximo local f(−1)=3, decresce até o mínimo local f(1)=−1 e depois cresce de novo; para x positivo grande (resp. negativo grande em módulo), x3 domina e f assume valores arbitrariamente grandes (resp. pequenos). Lendo as retas horizontais y=k sobre o quadro de variação:
k>3 ou k<−1: a reta encontra a curva uma só vez — 1 solução;
k=3 ou k=−1: a reta toca um ponto de virada e cruza um outro ramo — 2 soluções;
−1<k<3: a reta cruza os três ramos — 3 soluções.
12.8 Problema: Os três ofícios da tangente
Problema 12.1
Problema de fim de semana — o espelho parabólico demonstrado, a máquina de achar raízes de Newton e a viga mais forte que se tira de uma tora
Uma derivada traça tangentes; isso parece um talento modesto. Este problema mostra a tangente exercendo três ofícios ao mesmo tempo: ela demonstra o teorema do farol deixado pendente no Problema 10.1 (todo raio paralelo ao eixo de uma parábola reflete pelo foco), move o algoritmo de resolução de equações mais rápido em uso corrente — dentro de toda calculadora e de toda rede neural — e encontra a viga retangular mais forte que uma tora redonda pode render.
Onde essa tangente cruza o eixo y? Deduza a receita do desenhista: para traçar a tangente em um ponto P de altura h da parábola, ligue P ao ponto do eixo situado à profundidade … abaixo da origem. Enuncie-a.
Parte II — O teorema do espelho. Seja P(a,a2) um ponto da parábolay=x2 (tome a=0), F(0,41) o foco e T o ponto onde a tangente em P cruza o eixo y (questão 4). Lembre-se, do Problema 10.1, que PF=a2+41.
Calcule a distância FT.
Conclua que o triângulo FPT é isósceles em F. Que dois ângulos, portanto, são iguais?
O raio incidente que passa por P, paralelo ao eixo, é paralelo à reta (TF) (as duas são verticais). Usando ângulos alternos, mostre que a tangente em P faz ângulos iguais com o raio vertical incidente e com o segmento [PF].
Física: a luz reflete numa curva como refletiria na sua tangente, saindo com o mesmo ângulo com que chegou (a lei da reflexão). Conclua o teorema do espelho: todo raio paralelo ao eixo reflete pelo foco — e, invertendo o tempo, uma lâmpada no foco emite um feixe paralelo. A antena e o farol do Problema 10.1 são agora teoremas.
Verifique numericamente o triângulo isósceles em a=1: calcule T, FP e FT.
Parte III — A máquina de Newton. Para resolver f(x)=0, Newton propôs: parta de um palpite x0, siga a tangente em x0 até o eixo e tome o ponto onde ela o corta como palpite seguinte.
Deduza a fórmula do método:
xn+1=xn−f′(xn)f(xn).
Rode-a em f(x)=x2−2 a partir de x0=1: calcule x1, x2, x3 como frações exatas. Que sequência de dois mil anos — e que máquina do Problema 3.1 — você acabou de reconstruir? Demonstre a identidade por trás da coincidência:
x−2xx2−2=21(x+x2).
Resolva x3=100 (a ultrapassagem dos planos de poupança do Problema 4.1): aplique dois passos de Newton a f(x)=x3−100 a partir de x0=5 (quatro casas decimais) e compare com o 3100 da calculadora.
Sabotagem: tente lançar o método em f(x)=x3−12x com x0=2. O que dá errado e por quê (questão 2)? Enuncie a ressalva prática.
Na questão 12 as casas decimais corretas foram mais ou menos 1→3→6. Compare com a bisseção (dividir um intervalo ao meio a cada passo) e diga em uma frase por que calculadoras, receptores de GPS e o treinamento de redes neurais rodam todos sobre a ideia de Newton.
Parte IV — A viga mais forte. Uma viga retangular de largura w e altura d é serrada de uma tora redonda de diâmetro 30 cm, de modo que w2+d2=900. A rigidez de uma viga é proporcional a wd2 (a altura conta duas vezes: as vigas ficam de pé!).
Exprima a rigidez em função apenas de w: S(w)=900w−w3, em que intervalo?
Derive, monte o quadro de variação e encontre os valores ótimos de w e d (valores exatos e depois em milímetros).
Mostre que as proporções ótimas satisfazem d=w2 — a velha razão dos carpinteiros. (Bônus de tradição: dividir o diâmetro da tora em três partes iguais e levantar perpendiculares até o círculo constrói exatamente esse retângulo.)
A escolha ingênua é a viga quadrada (w=d). Calcule sua rigidez e a da viga ótima, e dê o ganho do carpinteiro em porcentagem.
Final — os três ofícios da tangente, uma frase para cada: geometria (o teorema do espelho), cálculo numérico (a máquina de Newton), otimização (a viga), todos movidos pelo mesmo objeto. E o aviso adiante: o ano 12 acrescenta a convexidade — de que lado da curva fica a tangente — para aguçar os três.
Solução
Solução de Problema 12.1.
1.f′(x)=6x−5; g′(x)=3x2−12. Pela definição: h(1+h)2−1=2+h→2: a derivada de x2 em 1 é 2.
2.g(2)=8−24=−16 e g′(2)=12−12=0: a tangente é a reta horizontal y=−16. Uma tangente horizontal sinaliza um ponto crítico — aqui um mínimo local, como o quadro de variação da questão 5 confirma.
4. Em x=0: y=−a2: a tangente corta o eixo à profundidade a2 abaixo da origem — exatamente tão abaixo de zero quanto P está acima dele. Receita: para traçar a tangente em um ponto de altura h, ligue-o ao ponto do eixo situado à profundidade h abaixo da origem. (Nenhuma derivada é necessária na prancheta.)
5.g′(x)=3(x2−4): positiva em (−∞,−2), negativa em (−2,2) e positiva adiante. g cresce até um máximo local g(−2)=16, cai até um mínimo local g(2)=−16 e depois cresce.
6.F(0,41) e T(0,−a2): FT=41+a2.
7.FP=a2+41=FT: isósceles em F, logo os ângulos da base são iguais: FTP=FPT.
8. O raio incidente em P é vertical, portanto paralelo à reta (TF) (o eixo y). A tangente(TP) corta as duas paralelas, de modo que o ângulo entre o raio e a tangente é igual a FTP (ângulos alternos) — que é igual a FPT, o ângulo entre [PF] e a tangente. Ângulos iguais dos dois lados da tangente em P.
9. Pela lei da reflexão, o raio que chega verticalmente a P sai pela reta que faz o ângulo igual do outro lado — pela questão 8, ao longo de [PF]: pelo foco, qualquer que seja a. Ao contrário, a luz nascida em F sai de cada ponto do espelho paralela ao eixo. As antenas coletam, os faróis iluminam: demonstrado.
10.a=1: tangentey=2x−1, T(0,−1); FP=1+(1−41)2=1625=45; FT=41+1=45: isósceles, como prometido.
11. A tangente em xn é y=f(xn)+f′(xn)(x−xn); ela cruza y=0 onde x=xn−f′(xn)f(xn).
12.x1=1−2−1=23; x2=23−31/4=1217; x3=408577: as aproximações de 2 de Heron, isto é, a máquina de ponto fixo do Problema 3.1. Identidade: x−2xx2−2=2x2x2−x2+2=2xx2+2=21(x+x2) — a receita de Heron é o método de Newton aplicado a x2−2, dois milênios antes.
13.x1=5−75125−100=314≈4.6667; x2≈4.6667−65.331.63≈4.6417. Calculadora: 3100=4.6416… — quatro casas decimais corretas em dois passos.
14.f′(2)=0: a tangente no ponto de partida é horizontal (questão 2) e nunca cruza o eixo — a fórmula divide por zero. Ressalva: comece Newton longe dos pontos críticos (e, mais geralmente, perto o bastante da raiz que se procura).
15. A bisseção ganha um dígito binário por passo; Newton praticamente dobra o número de dígitos corretos a cada passo (1→3→6 aqui). Quando cada passo é caro — milhões de parâmetros, navegação em tempo real —, dobrar vence avançar a passinhos, e é por isso que a reta tangente roda dentro de tanto silício.
16.d2=900−w2, logo S(w)=w(900−w2)=900w−w3, para 0<w<30.
17.S′(w)=900−3w2=0 em w=300=103≈17.3 cm (S′>0 antes e <0 depois: um máximo). Então d=600=106≈24.5 cm.
18.w2d2=300600=2, logo d=w2: a altura é a largura vezes 2 — a razão do carpinteiro (e a construção do diâmetro dividido em terços a entrega com um compasso, sem álgebra na obra).
19. Viga quadrada: w=d=450≈21.2 cm, rigidez w3=4503/2≈9546. Viga ótima: S=103×600=60003≈10392. Ganho: cerca de 8.9% mais rígida a partir da mesma tora — a derivada paga a serraria.
20. Geometria: os ângulos iguais da tangente transformaram um paraboloide em coletor de luz. Cálculo numérico: escorregar pelas tangentes resolve equações dobrando os dígitos. Otimização: uma derivada nula encontrou o retângulo mais forte da tora. Um objeto, três ofícios — e a convexidade do ano 12 dirá, além disso, de que lado de cada tangente a curva se encontra.