Wiskunde · Livro 2 · Bovenbouw

Matemática do ensino médio

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6Vetores

Um vetor codifica um deslocamento: uma direção com um sentido e um comprimento, independentemente do ponto de partida. Os vetores dão demonstrações limpas de fatos geométricos e, uma vez que as coordenadas entram em cena, reduzem-nos a pequenos cálculos. Serão uma ferramenta central no Capítulo 7 e, mais tarde, para o produto escalar no Capítulo 16.

6.1 Translações e vetores

Definição 6.1 (Vetor)

Dados dois pontos AA e BB, o vetor AB\vect{AB} representa o deslocamento de AA até BB: ele tem uma direção com sentido (a direção da reta (AB)(AB), junto com o modo de percorrê-la, de AA rumo a BB) e um comprimento (a distância ABAB, também escrita AB\norm{\vect{AB}}). Dois vetores são iguais quando codificam o mesmo deslocamento: AB=CD\vect{AB} = \vect{CD} significa que aplicar os dois deslocamentos a um ponto qualquer dá o mesmo resultado.

Proposição 6.2 (Vetores iguais e paralelogramos)

AB=CD\vect{AB} = \vect{CD} exatamente quando ABDCABDC (nesta ordem!) é um paralelogramo, possivelmente achatado — ou, o que é equivalente, quando [AD][AD] e [BC][BC] têm o mesmo ponto médio.

Demonstração. Admitido neste nível.

Vetores iguais AB = CD: mesma direção, mesmo sentido, mesmo comprimento. O quadrilátero ABDC é um paralelogramo.
Vetores iguais AB=CD\vect{AB} = \vect{CD}: mesma direção, mesmo sentido, mesmo comprimento. O quadrilátero ABDCABDC é um paralelogramo.

Notação 6.3

Um vetor costuma ser designado por uma única letra, u\vec u ou v\vec v, quando as extremidades não importam. O vetor nulo 0=AA\vec 0 = \vect{AA} é o deslocamento que não move nada. O oposto de AB\vect{AB} é BA\vect{BA}: mesmo comprimento, sentido contrário. Escrevemos BA=AB\vect{BA} = -\vect{AB}.

6.2 Somar vetores

Definição 6.4 (Soma de dois vetores)

A soma u+v\vec u + \vec v é o deslocamento obtido efetuando u\vec u e em seguida v\vec v.

Teorema 6.5 (Relação de Chasles)

Para quaisquer três pontos AA, BB, CC:

AB+BC=AC.\vect{AB} + \vect{BC} = \vect{AC}.

Demonstração. Ir de AA a BB e depois de BB a CC é um deslocamento que leva AA até CC: é o deslocamento codificado por AC\vect{AC}.

Observação 6.6 (Regra do paralelogramo)

Para somar dois vetores traçados a partir do mesmo ponto, AB+AC\vect{AB} + \vect{AC}, complete o paralelogramo ABDCABDC: a soma é a diagonal AD\vect{AD}. De fato, AC=BD\vect{AC} = \vect{BD}, logo AB+AC=AB+BD=AD\vect{AB} + \vect{AC} = \vect{AB} + \vect{BD} = \vect{AD} pela relação de Chasles.

Duas visões da soma: ponta com origem (relação de Chasles, à esquerda) e a regra do paralelogramo (à direita). Duas visões da soma: ponta com origem (relação de Chasles, à esquerda) e a regra do paralelogramo (à direita).
Duas visões da soma: ponta com origem (relação de Chasles, à esquerda) e a regra do paralelogramo (à direita).

Exemplo 6.7 (Simplificar com Chasles)

Simplifique MN+NP+PQ\vect{MN} + \vect{NP} + \vect{PQ}: encadear os deslocamentos dá MQ\vect{MQ}. Simplifique ABAC\vect{AB} - \vect{AC}: reescreva a diferença como soma com o vetor oposto,

ABAC=AB+CA=CA+AB=CB.\vect{AB} - \vect{AC} = \vect{AB} + \vect{CA} = \vect{CA} + \vect{AB} = \vect{CB}.

6.3 Multiplicar um vetor por um número

Definição 6.8 (Múltiplo escalar)

Seja u\vec u um vetor não nulo e kk um número real. O vetor kuk\vec u tem a mesma direção de u\vec u, comprimento k×u\abs{k} \times \norm{\vec u} e aponta no mesmo sentido de u\vec u se k>0k > 0, no sentido contrário se k<0k < 0. Para k=0k = 0, 0u=00\vec u = \vec 0.

Definição 6.9 (Colinearidade)

Dois vetores u\vec u e v\vec v são colineares quando têm a mesma direção, isto é, quando v=ku\vec v = k \vec u para algum real kk (ou quando um deles é 0\vec 0).

Observação 6.10

A colinearidade é a linguagem vetorial do paralelismo e do alinhamento:

  • as retas (AB)(AB) e (CD)(CD) são paralelas exatamente quando AB\vect{AB} e CD\vect{CD} são colineares;
  • os pontos AA, BB, CC são colineares exatamente quando AB\vect{AB} e AC\vect{AC} o são.

6.4 Coordenadas de vetores

Definição 6.11 (Coordenadas de um vetor)

Em um sistema de coordenadas, as coordenadas do vetor AB\vect{AB} são os números que descrevem o deslocamento:

AB(xBxA, yByA).\vect{AB}\,(x_B - x_A,\ y_B - y_A).

Um vetor u(a,b)\vec u\,(a, b) move todo ponto aa unidades na horizontal e bb unidades na vertical.

Proposição 6.12 (Calcular com coordenadas)

Sejam u(a,b)\vec u\,(a, b) e v(c,d)\vec v\,(c, d), e seja kRk \in \R.

  1. u=v\vec u = \vec v exatamente quando a=ca = c e b=db = d;
  2. u+v\vec u + \vec v tem coordenadas (a+c, b+d)(a + c,\ b + d);
  3. kuk\vec u tem coordenadas (ka, kb)(ka,\ kb);
  4. u=a2+b2\norm{\vec u} = \sqrt{a^2 + b^2} (sistema ortonormal).

Demonstração. 1–3 reenunciam, coordenada a coordenada, o que os deslocamentos fazem: por exemplo, efetuar u\vec u e depois v\vec v move um ponto horizontalmente de aa e depois de cc, portanto de a+ca + c ao todo. O item 4 é a fórmula da distância do Teorema 5.4 aplicada a um segmento que representa u\vec u.

Teorema 6.13 (Critério de colinearidade)

Dois vetores u(a,b)\vec u\,(a, b) e v(c,d)\vec v\,(c, d) são colineares se, e somente se,

adbc=0.ad - bc = 0 .

Demonstração. Se v=ku\vec v = k\vec u, então c=kac = ka e d=kbd = kb, logo adbc=a(kb)b(ka)=0ad - bc = a(kb) - b(ka) = 0. O mesmo vale se u=kv\vec u = k \vec v ou se um dos vetores é nulo.

Reciprocamente, suponha adbc=0ad - bc = 0 com u0\vec u \neq \vec 0, digamos a0a \neq 0 (o caso b0b \neq 0 é análogo). Ponha k=cak = \frac{c}{a}; então c=kac = ka, e ad=bc=b(ka)ad = bc = b(ka) dá, após dividir por a0a \neq 0, d=kbd = kb. Logo v=ku\vec v = k\vec u.

Exemplo 6.14

Os vetores u(3,2)\vec u\,(3, -2) e v(6,4)\vec v\,(-6, 4) são colineares? Calcule adbc=3×4(2)×(6)=1212=0ad - bc = 3 \times 4 - (-2)\times(-6) = 12 - 12 = 0: sim, e de fato v=2u\vec v = -2\vec u. Já para u(3,2)\vec u\,(3, -2) e w(1,5)\vec w\,(1, 5): 3×5(2)×1=1703 \times 5 - (-2) \times 1 = 17 \neq 0: não são colineares.

Método 6.15 (Colinearidade de pontos e paralelismo)

Para provar que três pontos AA, BB, CC são colineares:

  1. calcule as coordenadas de AB\vect{AB} e de AC\vect{AC};
  2. verifique o critério adbc=0ad - bc = 0 do Teorema 6.13;
  3. conclua: os vetores são colineares e partilham o ponto AA, logo os três pontos são colineares.

O mesmo cálculo com AB\vect{AB} e CD\vect{CD} prova que as retas (AB)(AB) e (CD)(CD) são paralelas.

Exemplo 6.16

Sejam A(1,2)A(1, 2), B(3,5)B(3, 5) e C(7,11)C(7, 11). Então AB(2,3)\vect{AB}\,(2, 3) e AC(6,9)\vect{AC}\,(6, 9), e 2×93×6=1818=02 \times 9 - 3 \times 6 = 18 - 18 = 0: os pontos são colineares (na verdade, AC=3AB\vect{AC} = 3\vect{AB}).

Pontos colineares: AC é um múltiplo escalar de AB.
Pontos colineares: AC\vect{AC} é um múltiplo escalar de AB\vect{AB}.

6.5 Exercícios

Exercício 6.1

Simplifique usando a relação de Chasles:

AB+BD,KL+LM+MK,ACBC,AB+CA.\vect{AB} + \vect{BD}, \qquad \vect{KL} + \vect{LM} + \vect{MK}, \qquad \vect{AC} - \vect{BC}, \qquad \vect{AB} + \vect{CA}.
Solução

Solução de Exercício 6.1.

AB+BD=AD\vect{AB} + \vect{BD} = \vect{AD} (Chasles).

KL+LM+MK=KK=0\vect{KL} + \vect{LM} + \vect{MK} = \vect{KK} = \vec 0.

ACBC=AC+CB=AB\vect{AC} - \vect{BC} = \vect{AC} + \vect{CB} = \vect{AB}.

AB+CA=CA+AB=CB\vect{AB} + \vect{CA} = \vect{CA} + \vect{AB} = \vect{CB}.

Exercício 6.2

Sejam A(2,1)A(2, 1), B(5,3)B(5, 3), C(1,4)C(-1, 4). Calcule as coordenadas de AB\vect{AB}, BC\vect{BC}, AC\vect{AC} e verifique nas coordenadas que AB+BC=AC\vect{AB} + \vect{BC} = \vect{AC}.

Solução

Solução de Exercício 6.2.

AB(52, 31)=(3,2)\vect{AB}\,(5-2,\ 3-1) = (3, 2); BC(15, 43)=(6,1)\vect{BC}\,(-1-5,\ 4-3) = (-6, 1); AC(12, 41)=(3,3)\vect{AC}\,(-1-2,\ 4-1) = (-3, 3). Verificação: (3,2)+(6,1)=(3,3)(3, 2) + (-6, 1) = (-3, 3), coordenada a coordenada.

Exercício 6.3

Sejam u(2,3)\vec u\,(2, -3) e v(1,4)\vec v\,(-1, 4). Dê as coordenadas de u+v\vec u + \vec v, 3u3\vec u, 2uv2\vec u - \vec v e calcule u\norm{\vec u}.

Solução

Solução de Exercício 6.3.

u+v=(2+(1), 3+4)=(1,1)\vec u + \vec v = (2 + (-1),\ -3 + 4) = (1, 1).

3u=(6,9)3\vec u = (6, -9).

2uv=(4(1), 64)=(5,10)2\vec u - \vec v = (4 - (-1),\ -6 - 4) = (5, -10).

u=22+(3)2=13\norm{\vec u} = \sqrt{2^2 + (-3)^2} = \sqrt{13}.

Exercício 6.4

Em cada caso, diga se u\vec u e v\vec v são colineares:

(a) u(4,6), v(6,9);(b) u(2,5), v(4,10);(c) u(3,1), v(1,3).\text{(a) } \vec u\,(4, 6),\ \vec v\,(6, 9); \qquad \text{(b) } \vec u\,(2, -5),\ \vec v\,(-4, 10); \qquad \text{(c) } \vec u\,(3, 1),\ \vec v\,(1, 3).
Solução

Solução de Exercício 6.4.

(a) 4×96×6=3636=04 \times 9 - 6 \times 6 = 36 - 36 = 0: colineares (v=32u\vec v = \frac32 \vec u).

(b) 2×10(5)×(4)=2020=02 \times 10 - (-5) \times (-4) = 20 - 20 = 0: colineares (v=2u\vec v = -2\vec u).

(c) 3×31×1=803 \times 3 - 1 \times 1 = 8 \neq 0: não são colineares.

Exercício 6.5

Sejam A(0,2)A(0, 2), B(4,0)B(4, 0), C(6,3)C(6, 3). Encontre as coordenadas do ponto DD tal que ABCDABCD seja um paralelogramo, isto é, tal que AB=DC\vect{AB} = \vect{DC}.

Solução

Solução de Exercício 6.5.

AB(4,2)\vect{AB}\,(4, -2) e DC(6xD, 3yD)\vect{DC}\,(6 - x_D,\ 3 - y_D). A condição AB=DC\vect{AB} = \vect{DC}6xD=46 - x_D = 4 e 3yD=23 - y_D = -2, logo D(2,5)D(2, 5).

Exercício 6.6 ★★

Sejam A(2,1)A(-2, 1), B(1,3)B(1, 3), C(4,1)C(4, -1).

  1. Calcule as coordenadas do ponto MM tal que AM=AB+AC\vect{AM} = \vect{AB} + \vect{AC}.
  2. Que quadrilátero é ABMCABMC? Justifique.
Solução

Solução de Exercício 6.6.

1. AB(3,2)\vect{AB}\,(3, 2) e AC(6,2)\vect{AC}\,(6, -2), logo AB+AC=(9,0)\vect{AB} + \vect{AC} = (9, 0) e M=(2+9, 1+0)=(7,1)M = (-2 + 9,\ 1 + 0) = (7, 1).

2. Pela regra do paralelogramo, AM=AB+AC\vect{AM} = \vect{AB} + \vect{AC} significa que ABMCABMC é um paralelogramo (MM é o quarto vértice, oposto a AA). Dá para conferir: AB(3,2)\vect{AB}\,(3,2) e CM(74, 1(1))=(3,2)\vect{CM}\,(7-4,\ 1-(-1)) = (3, 2) são iguais.

Exercício 6.7 ★★

Sejam A(1,1)A(1, -1), B(4,1)B(4, 1), C(10,5)C(10, 5). Os pontos AA, BB, CC são colineares? Mesma pergunta para A(0,3)A(0, 3), B(2,2)B(2, 2), C(8,1)C(8, -1).

Solução

Solução de Exercício 6.7.

Primeira terna: AB(3,2)\vect{AB}\,(3, 2), AC(9,6)\vect{AC}\,(9, 6); 3×62×9=03 \times 6 - 2 \times 9 = 0: colineares (AC=3AB\vect{AC} = 3\vect{AB}).

Segunda terna: AB(2,1)\vect{AB}\,(2, -1), AC(8,4)\vect{AC}\,(8, -4); 2×(4)(1)×8=8+8=02 \times (-4) - (-1) \times 8 = -8 + 8 = 0: também colineares (AC=4AB\vect{AC} = 4\vect{AB}).

Exercício 6.8 ★★

Sejam A(1,2)A(1, 2), B(5,4)B(5, 4), C(6,1)C(6, 1), D(2,1)D(2, -1). Mostre que (AB)(AB) e (CD)(CD) são paralelas e, em seguida, que ABCDABCD é um paralelogramo. Qual das duas verificações implica a outra?

Solução

Solução de Exercício 6.8.

AB(4,2)\vect{AB}\,(4, 2) e DC(62, 1(1))=(4,2)\vect{DC}\,(6-2,\ 1-(-1)) = (4, 2): os dois vetores são iguais, logo ABCDABCD é um paralelogramo e, em particular, (AB)(CD)(AB) \parallel (CD). A propriedade do paralelogramo é a mais forte: ela implica o paralelismo (colinearidade dos vetores), e não o contrário.

Exercício 6.9 ★★

Seja ABCABC um triângulo e seja II o ponto definido por AI=23AB\vect{AI} = \frac23 \vect{AB}. Com A(0,0)A(0,0), B(6,3)B(6, 3), C(2,5)C(2, 5) (para que as contas fiquem simples):

  1. calcule as coordenadas de II;
  2. seja JJ tal que CJ=23CB\vect{CJ} = \frac23\vect{CB}; calcule as coordenadas de JJ;
  3. mostre que (IJ)(IJ) é paralela a (AC)(AC).
Solução

Solução de Exercício 6.9.

1. AB(6,3)\vect{AB}\,(6, 3), logo AI=23AB=(4,2)\vect{AI} = \frac23\vect{AB} = (4, 2) e I(4,2)I(4, 2).

2. CB(62, 35)=(4,2)\vect{CB}\,(6-2,\ 3-5) = (4, -2), logo CJ=23CB=(83,43)\vect{CJ} = \frac23\vect{CB} = \left(\frac83, -\frac43\right) e J(2+83, 543)=(143,113)J\left(2 + \frac83,\ 5 - \frac43\right) = \left(\frac{14}{3}, \frac{11}{3}\right).

3. IJ(1434, 1132)=(23,53)\vect{IJ}\,\left(\frac{14}{3} - 4,\ \frac{11}{3} - 2\right) = \left(\frac23, \frac53\right) e AC(2,5)\vect{AC}\,(2, 5). Critério de colinearidade:

23×553×2=103103=0:\frac23 \times 5 - \frac53 \times 2 = \frac{10}{3} - \frac{10}{3} = 0 :

os vetores são colineares, logo (IJ)(IJ) é paralela a (AC)(AC). (Tanto II quanto JJ ficam a um terço do caminho a partir do lado rumo a BB: o pequeno triângulo IBJIBJ é uma redução de ABCABC.)

Exercício 6.10 ★★★

Seja ABCDABCD um quadrilátero qualquer e sejam II, JJ, KK, LL os pontos médios de [AB][AB], [BC][BC], [CD][CD], [DA][DA]. Usando coordenadas A(xA,yA)A(x_A, y_A) etc., mostre que IJ=LK\vect{IJ} = \vect{LK} e conclua que os pontos médios dos lados de qualquer quadrilátero formam um paralelogramo.

Solução

Solução de Exercício 6.10.

Os pontos médios são

I(xA+xB2,yA+yB2),J(xB+xC2,yB+yC2),K(xC+xD2,yC+yD2),L(xD+xA2,yD+yA2).I\left(\tfrac{x_A + x_B}{2}, \tfrac{y_A + y_B}{2}\right), \quad J\left(\tfrac{x_B + x_C}{2}, \tfrac{y_B + y_C}{2}\right), \quad K\left(\tfrac{x_C + x_D}{2}, \tfrac{y_C + y_D}{2}\right), \quad L\left(\tfrac{x_D + x_A}{2}, \tfrac{y_D + y_A}{2}\right).

Primeiras coordenadas dos dois vetores:

xJxI=xB+xC2xA+xB2=xCxA2,xKxL=xC+xD2xD+xA2=xCxA2,x_J - x_I = \frac{x_B + x_C}{2} - \frac{x_A + x_B}{2} = \frac{x_C - x_A}{2}, \qquad x_K - x_L = \frac{x_C + x_D}{2} - \frac{x_D + x_A}{2} = \frac{x_C - x_A}{2},

e o mesmo cálculo vale para as segundas coordenadas. Portanto IJ=LK\vect{IJ} = \vect{LK} (ambos iguais a 12AC\frac12\vect{AC}), e IJKLIJKL é um paralelogramo, qualquer que seja o aspecto do quadrilátero ABCDABCD.

6.6 Problema: A álgebra das setas

Problema 6.1

Problema de fim de semana — ginástica de Chasles, o baricentro redemonstrado em duas linhas e forças em equilíbrio: para que servem realmente os vetores

O ano 8 provou que as medianas de um triângulo se encontram a dois terços do seu comprimento — com um engenhoso paralelogramo escondido dentro do triângulo (o problema de fim de semana sobre o baricentro, no volume do ensino fundamental). Os vetores redemonstram isso em duas linhas e ainda dão a concorrência de brinde. É para isso que serve essa nova álgebra: teoremas viram contas com setas. Este problema treina a conta (Chasles acima de tudo), entrega a demonstração de duas linhas, estende Varignon (Exercício 6.10) e termina onde os vetores nasceram: nas forças e nas velocidades.

Parte I — Ginástica de Chasles.

  1. Simplifique usando a relação de Chasles (Teorema 6.5): AB+BC+CD\vect{AB} + \vect{BC} + \vect{CD}; MAMB\vect{MA} - \vect{MB}; AB+CD+BC+DA\vect{AB} + \vect{CD} + \vect{BC} + \vect{DA}.
  2. O truque da origem: mostre que, para qualquer ponto OO, AB=OBOA\vect{AB} = \vect{OB} - \vect{OA}.
  3. Demonstre as duas caracterizações do ponto médio II de [AB][AB]:

    IA+IB=0eOI=12(OA+OB) para todo O.\vect{IA} + \vect{IB} = \vec 0 \qquad\text{e}\qquad \vect{OI} = \tfrac12\left(\vect{OA} + \vect{OB}\right) \ \text{para todo } O .
  4. Usando AB=DC\vect{AB} = \vect{DC}, reencontre o quarto vértice DD do paralelogramo ABCDABCD com A(1,2)A(-1, 2), B(3,4)B(3, 4), C(6,0)C(6, 0) — e compare com a resposta obtida pelo truque do ponto médio no Problema 5.1.
  5. Somar um vetor fixo u\vec u a todo ponto do plano realiza que transformação — aquela descoberta com dois espelhos no problema de fim de semana sobre os dois espelhos e com duas meias voltas no problema de fim de semana sobre meias voltas, ambos do volume do ensino fundamental? Calcule a imagem de (1,2)(1, 2) por u=(3,1)\vec u = (3, -1).

Parte II — O baricentro, terceira demonstração. Defina o ponto GG de um triângulo ABCABC pela elegante condição

GA+GB+GC=0.\vect{GA} + \vect{GB} + \vect{GC} = \vec 0 .
  1. Usando o truque da origem, mostre que essa condição determina GG de modo único: OG=13(OA+OB+OC)\vect{OG} = \frac13\left(\vect{OA} + \vect{OB} + \vect{OC}\right) para todo OO — de modo que as coordenadas de GG são as médias das dos vértices (o problema de fim de semana sobre o baricentro, no volume do ensino fundamental, viu isso numericamente).
  2. Demonstre que AG=13(AB+AC)\vect{AG} = \frac13\left(\vect{AB} + \vect{AC}\right) e, escrevendo KK para o ponto médio de [BC][BC], que AK=12(AB+AC)\vect{AK} = \frac12\left(\vect{AB} + \vect{AC}\right). Conclua: AG=23AK\vect{AG} = \frac23\,\vect{AK} — o teorema dos dois terços, redemonstrado.
  3. Por que as medianas que partem de BB e de CC passam pelo mesmo GG sem nenhum cálculo adicional? Compare as três demonstrações disponíveis desse teorema — o paralelogramo escondido do ano 8, as coordenadas e os vetores — em uma frase cada.
  4. Verificação numérica: A(1,1)A(1, 1), B(5,2)B(5, 2), C(3,6)C(3, 6). Calcule GG, depois KK, e verifique AG=23AK\vect{AG} = \frac23 \vect{AK} com o critério de colinearidade (Teorema 6.13).
  5. A física lê GG como o ponto de equilíbrio de três massas iguais nos vértices. Dobre a massa em AA (massas 2,1,12, 1, 1): o ponto de equilíbrio passa a ser OG=2OA+OB+OC4\vect{OG'} = \frac{2\vect{OA} + \vect{OB} + \vect{OC}}{4}. Calcule GG' para o triângulo da questão 9 e compare sua posição com a de GG.

Parte III — A colinearidade em ação.

  1. u(3,2)\vec u(3, -2) e v(6,4)\vec v(-6, 4) são colineares? E w(2,5)\vec w(2, 5), z(4,9)\vec z(4, 9)? Decida com o critério do determinante.
  2. Os pontos A(1,2)A(1, 2), B(3,5)B(3, 5), C(7,11)C(7, 11) são colineares?
  3. Para além de Varignon (Exercício 6.10): em qualquer quadrilátero ABCDABCD, as bimedianas unem os pontos médios de lados opostos ([IK][IK] e [JL][JL]). Usando vetores posição (OI=12(OA+OB)\vect{OI} = \frac12(\vect{OA} + \vect{OB}) etc.), mostre que as duas bimedianas têm o mesmo ponto médio, de vetor posição 14(OA+OB+OC+OD)\frac14\left(\vect{OA} + \vect{OB} + \vect{OC} + \vect{OD}\right): o baricentro do quadrilátero.
  4. Tales em uma linha: MM e NN são os pontos definidos por AM=13AB\vect{AM} = \frac13\vect{AB} e AN=13AC\vect{AN} = \frac13\vect{AC}. Calcule MN\vect{MN} em função de BC\vect{BC} e conclua o paralelismo e a razão.
  5. Generalize a questão 14 para uma razão kk qualquer e diga em uma frase como o cálculo vetorial absorve de uma só vez o teorema da base média e o de Tales.

Parte IV — Forças e velocidades.

  1. Um barco é empurrado por uma correnteza de 33 km/h para leste enquanto rema a 44 km/h para o norte. Dê o vetor velocidade resultante, seu módulo e descreva a rota efetiva. (Aparece um trio muito antigo.)
  2. Três forças agem sobre um anel: u(2,1)\vec u(2, 1), v(3,2)\vec v(-3, 2), w(1,3)\vec w(1, -3). Calcule a resultante. O que o anel faz? E por que a soma das setas ao longo de um polígono fechado é sempre 0\vec 0 (Chasles)?
  3. Duas forças u(4,1)\vec u(4, -1) e v(1,3)\vec v(-1, 3) agem sobre um gancho. Que terceira força mantém o gancho em equilíbrio?
  4. Um nadador atravessa um rio apontando perpendicularmente à margem a 22 m/s; a correnteza corre a 1.51.5 m/s. Dê a velocidade resultante e seu módulo. O rio tem 5050 m de largura: quanto tempo dura a travessia e a que distância rio abaixo o nadador chega?
  5. Final: um objeto, três trajes — seta de deslocamento, par de coordenadas, força ou velocidade. Liste os três teoremas clássicos que este problema redemonstrou com álgebra vetorial e nomeie a única grandeza geométrica que os vetores deste capítulo ainda não conseguem medir — a ferramenta que resolve isso chega com o produto escalar, no ano 11.
Solução

Solução de Problema 6.1.

1. AB+BC+CD=AD\vect{AB} + \vect{BC} + \vect{CD} = \vect{AD}; MAMB=MA+BM=BA\vect{MA} - \vect{MB} = \vect{MA} + \vect{BM} = \vect{BA}; AB+BC+CD+DA=AA=0\vect{AB} + \vect{BC} + \vect{CD} + \vect{DA} = \vect{AA} = \vec 0 (reordenando a terceira soma).

2. OBOA=AO+OB=AB\vect{OB} - \vect{OA} = \vect{AO} + \vect{OB} = \vect{AB} por Chasles.

3. II é o ponto médio de [AB][AB] exatamente quando IA=IB\vect{IA} = -\vect{IB}, isto é, IA+IB=0\vect{IA} + \vect{IB} = \vec 0. Então, para todo OO: 0=IO+OA+IO+OB\vec 0 = \vect{IO} + \vect{OA} + \vect{IO} + \vect{OB}, logo 2OI=OA+OB2\,\vect{OI} = \vect{OA} + \vect{OB} — e reciprocamente.

4. AB=(4,2)\vect{AB} = (4, 2), e DD satisfaz DC=AB\vect{DC} = \vect{AB}: D=C(4,2)=(2,2)D = C - (4, 2) = (2, -2) — o mesmo DD do Problema 5.1, uma linha mais rápido.

5. A translação de vetor u\vec u — exatamente a transformação produzida por dois espelhos paralelos ou por duas meias voltas. Imagem de (1,2)(1, 2): (4,1)(4, 1).

6. Desdobrando cada GX\vect{GX} como GO+OX\vect{GO} + \vect{OX}: 3GO+OA+OB+OC=03\,\vect{GO} + \vect{OA} + \vect{OB} + \vect{OC} = \vec 0, logo OG=13(OA+OB+OC)\vect{OG} = \frac13(\vect{OA} + \vect{OB} + \vect{OC}): existe um e um só ponto assim, cujas coordenadas são as médias das dos três vértices.

7. AB+AC=(AG+GB)+(AG+GC)=2AG+(GB+GC)=2AGGA=3AG\vect{AB} + \vect{AC} = (\vect{AG} + \vect{GB}) + (\vect{AG} + \vect{GC}) = 2\vect{AG} + (\vect{GB} + \vect{GC}) = 2\vect{AG} - \vect{GA} = 3\vect{AG}, donde AG=13(AB+AC)\vect{AG} = \frac13(\vect{AB} + \vect{AC}). A fórmula do ponto médio (questão 3, vista de AA) dá AK=12(AB+AC)\vect{AK} = \frac12(\vect{AB} + \vect{AC}). Comparando: AG=23AK\vect{AG} = \frac23\vect{AK}GG está sobre a mediana [AK][AK], a dois terços do caminho a partir de AA.

8. A condição que define GG trata AA, BB, CC de modo idêntico, de modo que o mesmo cálculo feito a partir de BB ou de CC coloca o mesmo GG a dois terços dessas medianas: a concorrência sai de graça. A demonstração pelo paralelogramo era engenhosa, mas feita sob medida; as coordenadas calculam, mas obscurecem; os vetores tornam a simetria visível e a demonstração cabe em duas linhas.

9. G(1+5+33,1+2+63)=(3,3)G\left(\frac{1+5+3}{3}, \frac{1+2+6}{3}\right) = (3, 3); K(4,4)K(4, 4); AG=(2,2)\vect{AG} = (2, 2) e AK=(3,3)\vect{AK} = (3, 3): determinante 2×32×3=02 \times 3 - 2 \times 3 = 0, colineares, e de fato AG=23AK\vect{AG} = \frac23\vect{AK}.

10. G(2+5+34,2+2+64)=(2.5, 2.5)G'\left(\frac{2 + 5 + 3}{4}, \frac{2 + 2 + 6}{4}\right) = (2.5,\ 2.5): puxado de G(3,3)G(3,3) na direção do vértice de massa dobrada A(1,1)A(1,1), como convém a um ponto de equilíbrio.

11. 3×4(2)(6)=1212=03 \times 4 - (-2)(-6) = 12 - 12 = 0: colineares (v=2u\vec v = -2\vec u). 2×95×4=202 \times 9 - 5 \times 4 = -2 \neq 0: não são colineares.

12. AB=(2,3)\vect{AB} = (2, 3), AC=(6,9)\vect{AC} = (6, 9): determinante 2×93×6=02 \times 9 - 3 \times 6 = 0: colineares.

13. OI=12(OA+OB)\vect{OI} = \frac12(\vect{OA} + \vect{OB}) e OK=12(OC+OD)\vect{OK} = \frac12(\vect{OC} + \vect{OD}), de modo que o ponto médio de [IK][IK] tem vetor posição 12(OI+OK)=14(OA+OB+OC+OD)\frac12(\vect{OI} + \vect{OK}) = \frac14(\vect{OA} + \vect{OB} + \vect{OC} + \vect{OD}) — e a conta para [JL][JL] dá exatamente o mesmo vetor. As duas bimedianas (e, por Varignon, as diagonais do paralelogramo IJKLIJKL) partilham esse centro: o baricentro do quadrilátero.

14. MN=ANAM=13AC13AB=13BC\vect{MN} = \vect{AN} - \vect{AM} = \frac13\vect{AC} - \frac13\vect{AB} = \frac13\vect{BC}: logo (MN)(BC)(MN) \parallel (BC) e MN=13BCMN = \frac13 BC.

15. Com AM=kAB\vect{AM} = k\,\vect{AB} e AN=kAC\vect{AN} = k\,\vect{AC}: MN=kBC\vect{MN} = k\,\vect{BC} — uma única linha que contém o teorema da base média (k=12k = \frac12) e o de Tales (qualquer kk): a razão atravessa a subtração intacta.

16. Resultante (3,4)(3, 4), módulo 9+16=5\sqrt{9 + 16} = 5 km/h: o barco anda de fato para nordeste, puxando para o norte, ao longo da hipotenusa do triângulo 334455.

17. u+v+w=(0,0)\vec u + \vec v + \vec w = (0, 0): o anel fica parado — equilíbrio. Ao longo de um polígono fechado A1A2AnA1A_1 A_2 \dots A_n A_1, Chasles telescopa a soma até A1A1=0\vect{A_1 A_1} = \vec 0: dar a volta traz você de volta.

18. w=(u+v)=(3,2)=(3,2)\vec w = -(\vec u + \vec v) = -(3, 2) = (-3, -2).

19. Resultante (1.5, 2)(1.5,\ 2), módulo 2.25+4=2.5\sqrt{2.25 + 4} = 2.5 m/s. Travessia: 5050 m a 22 m/s na direção da outra margem: 2525 s; deriva: 1.5×25=37.51.5 \times 25 = 37.5 m rio abaixo.

20. Redemonstrados neste fim de semana: o teorema dos dois terços do baricentro (questão 7), o centro das bimedianas e de Varignon (questão 13) e Tales com a base média (questões 14–15). O que as setas ainda não conseguem fazer: medir ângulos (e, com eles, comprimentos em direções arbitrárias) — o produto escalar do ano 11 é exatamente o instrumento que falta.