Biology · Livro 1 · Grades 1–9

Biologia do ensino fundamental

Biologia do ensino fundamental · Grades 1–9

22Do que as plantas precisam

Dois vasinhos de agrião estão no mesmo peitoril da janela, semeados no mesmo dia. Um é regado, o outro não — e em menos de uma semana a diferença está escrita em verde e amarelo. Com vasos, sementes e paciência, você consegue fazer as próprias plantas responderem à pergunta deste capítulo: do que exatamente uma planta precisa para viver e crescer?

22.1 Fazer perguntas às plantas: o teste justo

Método 22.1 (O teste justo)

Para descobrir se uma planta precisa de alguma coisa — água, luz, terra, calor:

  1. pegue dois vasos com as mesmas plantas, semeadas do mesmo jeito;
  2. trate os dois exatamente igual em tudo, menos na única coisa testada — um recebe essa coisa, o outro não;
  3. espere dias ou semanas e compare;
  4. qualquer diferença tem que vir da única coisa que você mudou: o teste foi justo.

O vaso que não foi mexido é chamado de controle: ele mostra o que acontece quando nada está faltando.

Exemplo 22.2 (Por que dois vasos e não um)

Suponha que um único vaso sem rega murche. Foi a falta de água — ou uma onda de frio, ou sementes ruins? Com um gêmeo regado e verdinho ao lado dele, nascido do mesmo pacote e no mesmo cômodo, a dúvida some: os gêmeos só diferiam na água. Experiências de um vaso só não convencem ninguém, e muito menos um biólogo.

A mesma experiência num peitoril de verdade, uma semana depois: os gêmeos agora diferem em tudo o que se vê — justamente porque diferiam numa coisa só.
A mesma experiência num peitoril de verdade, uma semana depois: os gêmeos agora diferem em tudo o que se vê — justamente porque diferiam numa coisa só.

22.2 O que os testes revelam

Proposição 22.3 (As necessidades de uma planta)

Testes justos, feitos para cada necessidade por vez, mostram que uma planta precisa de:

  • água — o vaso sem rega murcha e morre;
  • luz — o vaso do armário cresce pálido, comprido e fraco, e depois desiste: sem luz, nenhum alimento de planta é fabricado;
  • ar — fechado longe do ar fresco, o crescimento para;
  • calor — no frio, as sementes esperam (Proposição 9.5) e o crescimento congela até parar;
  • sais minerais: quantidades minúsculas de substâncias nutritivas que as raízes bebem dissolvidas na água da terra — só em água pura, uma planta logo fica no vermelho.

Demonstração. Admitido neste nível.

Exemplo 22.4 (O prisioneiro pálido)

O teste do armário do Exercício 3.8, feito direito com um gêmeo iluminado, dá um resultado impressionante: o prisioneiro não fica só triste, ele fica amarelo pálido — parou de fabricar a substância verde dele — e, estranhamente, alto, esticado como se procurasse a luz que falta. Crescer sem luz é gastar sem ganhar; queimadas as reservas da semente, ele para.

Observação 22.5 (Por que quem cuida de horta alimenta a terra)

O composto e o esterco não são “refeições” das plantas — as plantas não comem ninguém. Eles reabastecem os sais minerais da terra, que as colheitas levam embora ano após ano. A composteira do Exemplo 13.9 fecha o ciclo: o que a terra deu aos legumes, as cascas devolvem à terra.

22.3 O que as plantas fazem com o que recolhem

Proposição 22.6 (As plantas fabricam a própria matéria)

Os animais crescem comendo outros seres vivos. Uma planta não come ninguém: com água e sais minerais da terra, com ar e com a energia da luz captada pelas folhas verdes, ela fabrica a própria matériacaules, folhas, raízes e sementes novas. É por isso que a luz é, para uma planta, coisa tão séria quanto comida e bebida, e é por isso que a folha verde se vira para o céu.

Demonstração. Admitido neste nível.

Exemplo 22.7 (Uma árvore quase do nada)

Plante um caroço num vaso grande de terra pesada na balança, espere anos e uma arvorezinha vai estar ali — e a terra quase não perdeu peso. A madeira da árvore não foi retirada do vaso: ela foi fabricada, a partir de água, ar e luz, nas oficinas verdes das folhas. De onde vem a matéria dos seres vivos vai nos ocupar de novo nos anos seguintes.

Observação 22.8 (O verde sustenta todo mundo)

Lembre a Proposição 19.3: toda cadeia alimentar começa por uma planta. Agora vemos por que tem que ser assim — as plantas são o único elo que fabrica matéria nova a partir de ingredientes não vivos. Cada garfada que alguém come, em qualquer lugar, foi fabricada primeiro numa folha.

22.4 Exercícios

Exercício 22.1

Liste as cinco necessidades de uma planta.

Solução

Solução de Exercício 22.1.

Água, luz, ar, calor e sais minerais (bebidos dissolvidos na água da terra).

Exercício 22.2

Num teste justo, quantas coisas podem diferir entre os dois vasos? Como se chama o vaso que não foi mexido?

Solução

Solução de Exercício 22.2.

Exatamente uma — a coisa que está sendo testada; todo o resto precisa ser idêntico. O vaso que não foi mexido é o controle.

Exercício 22.3

Descreva a aparência de uma planta que passou quinze dias no escuro. Que necessidade faltou, e o que ela não conseguiu fabricar?

Solução

Solução de Exercício 22.3.

Amarelo pálido em vez de verde, estranhamente alta e esticada, fraca — e depois ela desiste. Faltou a luz, então a planta não conseguiu fabricar a substância verde dela, nem o alimento dela.

Exercício 22.4

O que são os sais minerais, e como a planta os recolhe?

Solução

Solução de Exercício 22.4.

Quantidades minúsculas de substâncias nutritivas presentes na terra. As raízes bebem esses sais dissolvidos na água da terra.

Exercício 22.5

Por que quem cuida de horta espalha composto, se as plantas não comem?

Solução

Solução de Exercício 22.5.

Porque as colheitas levam embora os sais minerais da terra ano após ano; o composto reabastece esses sais. Ele alimenta a terra, e a água da terra depois carrega os sais até as raízes.

Exercício 22.7

No Exemplo 22.7, a terra do vaso quase não perdeu peso enquanto a árvore crescia. De onde veio a matéria da árvore?

Solução

Solução de Exercício 22.7.

Não veio da terra: veio da água e do ar, com a luz fornecendo a energia — e foi construída nas folhas verdes. (A terra contribuiu só com água e com pequenas quantidades de sais minerais.)

Exercício 22.8

Faça a experiência: planeje e realize o teste justo da água da figura com agrião — dois vasos, uma diferença. Anote o que você vê depois de uma semana.

Solução

Solução de Exercício 22.8.

Resposta aberta. Esperado: o vaso regado verde e em pé, o gêmeo seco murchando em poucos dias — e, como só a água diferia, o crédito fica com a água.

Exercício 22.9 ★★

O Lucas “prova” que as plantas precisam de música: ele cantou para um vaso durante um mês, e o vaso foi muito bem. O que falta na experiência dele, segundo o Método 22.1? Planeje a versão que testaria isso de verdade.

Solução

Solução de Exercício 22.9.

Não existe controle: um vaso só, e tudo ao mesmo tempo — talvez o vaso simplesmente tivesse boa luz e uma rega dedicada (quem canta visita as plantas com frequência!). A versão justa: dois vasos idênticos, com as mesmas sementes, terra, janela e rega; cantar só para um deles; comparar depois de um mês. Só então uma diferença apontaria para o canto.

Exercício 22.10 ★★

Uma planta aquática cresce totalmente submersa, sem raízes, e mesmo assim saudável. Que necessidade das cinco ela claramente continua atendendo, e como — e que necessidade a água dela fornece no lugar da terra?

Solução

Solução de Exercício 22.10.

A luz: ela cresce submersa, mas em água iluminada, e as folhas verdes dela continuam captando a luz que atravessa a água. A água em volta também fornece o que a água da terra fornece — sais minerais dissolvidos, bebidos por toda a superfície dela em vez de por raízes.

Exercício 22.11 ★★★

Dois vasos idênticos de hortelã: um em areia com água da chuva, o outro em terra de jardim, os dois regados e iluminados igual. Depois de dois meses, o vaso de areia está pequeno e amarelando. Que necessidade este teste justo isola — e por que a planta da areia chegou a crescer no começo?

Solução

Solução de Exercício 22.11.

Os sais minerais: água, luz, ar e calor eram iguais, e a areia pura com água da chuva quase não fornece sais. Ela cresceu no começo à custa das reservas guardadas nos próprios tecidos (como a plântula enterrada cresceu à custa da reserva da semente) — gastas as reservas, a falta apareceu.