Biology · Livro 1 · Grades 1–9

Biologia do ensino fundamental

Biologia do ensino fundamental · Grades 1–9

52O coração e a circulação

O Capítulo 27 apresentou a bomba e as rodadas de entrega dela; desde então o sangue ganhou responsabilidades — nutrientes nas vilosidades (Proposição 50.6), oxigênio nos alvéolos (Proposição 51.4), contas em cada músculo em atividade (Proposição 49.1). É hora de mapear direito a rede de estradas: os quatro cômodos do coração, os dois circuitos e os três tipos de vaso.

52.1 Os quatro cômodos do coração

Definição 52.1 (Átrios e ventrículos)

Os dois lados do coração (Definição 27.5) têm dois cômodos cada: em cima um átrio, que recebe o sangue que chega, e embaixo um ventrículo — o cômodo de bombeamento, de parede grossa —, que empurra o sangue para fora. Entre eles e depois deles ficam as valvas — portas de mão única — que se fecham de estalo atrás de cada onda; os estalos em par são exatamente o “tum-tá” que um estetoscópio (ou um ouvido encostado num peito) escuta.

Proposição 52.2 (Uma batida, em ordem)

Cada batida executa a mesma sequência nos dois lados ao mesmo tempo: os átrios se contraem, completando os ventrículos; os ventrículos se contraem, empurrando o sangue para fora — o lado direito rumo aos pulmões, o lado esquerdo rumo ao corpo — enquanto as valvas de entrada batem (tum); os ventrículos relaxam, as valvas de saída batem (tá), e os cômodos se enchem de novo. E de novo, 100000100000 vezes por dia (Observação 27.9).

Demonstração. Admitido neste nível.

52.2 Dois circuitos, três vasos

Definição 52.3 (A circulação dupla)

A rede de estradas do sangue são dois circuitos por uma bomba só (os dois lados da Definição 27.5, agora como circuitos):

Cada gota alterna os circuitos: pulmões, corpo, pulmões, corpo — e é por isso que o ventrículo esquerdo, empurrando pelo circuito corporal, muito maior, é o cômodo de parede mais grossa do coração.

Definição 52.4 (Artérias, capilares, veias)

Três tipos de vaso formam cada circuito (Definição 27.3, agora com nome):

A circulação dupla: o lado direito até os pulmões e de volta para o esquerdo; o lado esquerdo pelo corpo e de volta para o direito. As setas vermelhas levam os trechos ricos em oxigênio, as azuis os trechos de retorno.
A circulação dupla: o lado direito até os pulmões e de volta para o esquerdo; o lado esquerdo pelo corpo e de volta para o direito. As setas vermelhas levam os trechos ricos em oxigênio, as azuis os trechos de retorno.

Exemplo 52.5 (Uma gota, uma volta completa)

A rodada de entrega do Exemplo 27.2, com os nomes do mapa: ventrículo direito — capilares do pulmão (oxigênio a bordo nos alvéolos, vermelho vivo) — átrio esquerdo, ventrículo esquerdo — artériacapilares de um músculo da coxa (oxigênio e glicose descem, gás carbônico embarca, mais escuro) — veia, com as valvas facilitando a subida — átrio direito. Dois circuitos, em menos de um minuto, sem nenhuma conversão errada disponível: as valvas cuidam disso.

Observação 52.6 (Por que os capilares são o ponto)

As artérias e as veias são só rodovias; toda entrega de verdade — toda troca que este ano estudou — acontece através das paredes dos capilares. A especificação da Proposição 47.1 mora aqui também: paredes de uma célula (finas), enfiando-se em cada tecido ao longo de dezenas de milhares de quilômetros (Definição 27.3 — grandes), banhadas pela umidade do corpo. O coração existe para manter o sangue circulando pelos capilares; todo o resto é encanamento de ida e de volta.

52.3 Ler e conservar a rede

Exemplo 52.7 (Medidas à beira da estrada)

Três leituras cotidianas da rede: o pulso — o esticamento das artérias, contando as ondas (Método 27.8); a pressão arterial, os dois números do manguito — a pressão nas artérias na onda e entre as ondas; e o tum-tá do estetoscópio — as portas das valvas ouvidas se fechando. Três janelas, sem nenhum corte.

Os dois clássicos da consulta: o modelo que mostra os cômodos e os vasos, e o estetoscópio que ouve as portas deles se fecharem.
Os dois clássicos da consulta: o modelo que mostra os cômodos e os vasos, e o estetoscópio que ouve as portas deles se fecharem.

Proposição 52.8 (Conservar a rede)

Os inimigos e os amigos de longo prazo da rede são conhecidos:

  • o exercício fortalece a bomba (Proposição 49.7) e mantém as rodovias flexíveis;
  • a alimentação equilibrada (Método 18.8) protege as paredes das artérias, que um sangue rico demais aos poucos entope e enrijece;
  • a fumaça ataca os vasos além dos pulmões (Proposição 51.6) — estreitando, enrijecendo, roubando assentos;
  • o abastecimento do próprio coração — ele se alimenta pelas arteriazinhas dele, e não pelo sangue dos cômodos dele — depende dos três itens acima.

Os hábitos da Proposição 36.1 são, concretamente, manutenção de vasos.

Demonstração. Admitido neste nível.

Método 52.9 (Situar qualquer órgão na rede)

Para qualquer órgão que este livro encontrar:

  1. situe o órgão no circuito corporal: artéria de entrada, veia de saída, capilares por dentro;
  2. liste o que atravessa as paredes dos capilares dele, para dentro e para fora (vilosidades: nutrientes para dentro; músculo: combustível e oxigênio para dentro, gás carbônico para fora; pele: calor para fora);
  3. anote a ligação especial dele, se houver (o sangue do intestino passa antes pelo fígado; os pulmões ficam num circuito próprio);
  4. confira os fluxos com o trabalho do órgão — o diagrama da rede deve recontar o capítulo daquele órgão.

52.4 Exercícios

Exercício 52.2

Para que servem as valvas do coração, e o que é o tum-tá?

Solução

Solução de Exercício 52.2.

Elas são portas de mão única que impedem o sangue de refluir. O tum-tá são os fechamentos em par delas: as valvas de entrada batendo quando os ventrículos empurram (tum) e as valvas de saída batendo quando eles relaxam (tá).

Exercício 52.3

Trace os dois circuitos, dizendo o começo, o destino e o retorno de cada um.

Solução

Solução de Exercício 52.3.

Circuito pulmonar: do ventrículo direito para os capilares dos pulmões (carregar oxigênio, descarregar gás carbônico), voltando para o átrio esquerdo. Circuito corporal: do ventrículo esquerdo para os capilares do corpo inteiro (entregar, recolher), voltando para o átrio direito.

Exercício 52.4

Dê os três tipos de vaso, com uma característica de estrutura e um trabalho para cada.

Solução

Solução de Exercício 52.4.

Artérias: paredes grossas e elásticas — levam o sangue para longe do coração sob pressão. Capilares: paredes com a espessura de uma célula — o lugar de toda troca. Veias: largas, de paredes mais finas e com valvas de mão única — devolvem o sangue ao coração a baixa pressão.

Exercício 52.5

Por que o ventrículo esquerdo é o cômodo de parede mais grossa?

Solução

Solução de Exercício 52.5.

Ele move o circuito corporal — o circuito bem maior, até os dedos dos pés e o cérebro e de volta — então precisa empurrar com mais força, e a parede dele é construída à altura disso.

Exercício 52.7 ★★

Rode o Exemplo 52.5 para uma gota que serve o cérebro em vez da coxa. O que a troca capilar do cérebro retira e o que ela deixa? (A Proposição 33.9 lista os apetites dele.)

Solução

Solução de Exercício 52.7.

Ventrículo direito — capilares do pulmão (oxigênio a bordo) — átrio esquerdo — ventrículo esquerdo — artérias do pescoço — capilares do cérebroveias do pescoço — átrio direito. A troca do cérebro retira uma fatia grande e constante de oxigênio e de glicose e deixa gás carbônico — a ordem permanente do comandante exigente.

Exercício 52.8 ★★

O pulso é sentido nas artérias, nunca nas veias. Explique com a construção e a pressão dos dois vasos.

Solução

Solução de Exercício 52.8.

O pulso é o esticamento elástico da parede da artéria a cada onda do ventrículo — pressão alta encontrando uma parede grossa e elástica. Nas veias, a onda já se gastou atravessando os capilares: pressão baixa e suave num tubo largo e macio — não sobra nada para pulsar.

Exercício 52.9 ★★

As veias têm valvas de mão única; as artérias não. Que problema as valvas das veias resolvem — e por que soldados parados sem se mexer às vezes desmaiam?

Solução

Solução de Exercício 52.9.

O retorno morro acima: vindo das pernas, o sangue venoso precisa subir contra a gravidade a baixa pressão, e as valvas seguram cada avanço. As panturrilhas do soldado parado nunca espremem as veias, a subida empaca, o sangue se acumula nas pernas e o abastecimento do cérebro cai — o desmaio. Pés que marcham são bombas de veia.

Exercício 52.11 ★★

Por que o coração precisa de arteriazinhas próprias de alimentação, com os cômodos dele cheios de sangue? E por que o entupimento delas importa tanto?

Solução

Solução de Exercício 52.11.

O sangue dos cômodos passa correndo; as paredes grossas do próprio coração, trabalhando sem descanso, precisam de entrega capilar como qualquer músculo — então arteriazinhas de alimentação se ramificam por cima do coração. Entupidas, elas estrangulam a linha de combustível da própria bomba: o único órgão que nunca pode parar é o que o entupimento delas mata de fome.

Exercício 52.12 ★★★

“O coração é encanamento a serviço dos capilares.” Defenda a afirmação usando a Observação 52.6 e duas trocas de capítulos anteriores.

Solução

Solução de Exercício 52.12.

Toda troca de que o corpo vive — oxigênio nos alvéolos, nutrientes nas vilosidades, combustível e resíduos em cada músculo — só acontece através das paredes dos capilares; as artérias e as veias apenas trazem o sangue até essas paredes e o levam embora, e o coração apenas o mantém circulando. A bomba e as rodovias existem em função das faixas finas como fio de cabelo: pare o tráfego capilar em qualquer lugar e aquele órgão morre, por mais sadio que esteja o encanamento.

52.5 Problema: A manhã da cardiologista

Problema 52.1

Problema de fim de semana — quatro consultas, um mapa da rede

Acompanhe uma cardiologista por uma manhã de quatro consultas (inventadas), com o mapa na mão.

Parte I — A referência saudável.

  1. A paciente 1, uma adolescente em forma, recebe as três leituras à beira da estrada do Exemplo 52.7. Diga o nome de cada uma e que parte da maquinaria cada uma lê.
  2. O pulso de repouso dela é 5858. A cardiologista sorri. Por quê (Exercício 27.11)?
  3. O tum-tá dela é nítido e duplo. O que exatamente estalou, duas vezes, em cada batida?
  4. Esboce o caminho do sangue dela, do átrio direito pelos dois circuitos e de volta, em oito paradas com nome.

Parte II — Três problemas.

  1. O paciente 2 tem uma valva com vazamento entre o átrio e o ventrículo esquerdos: parte do sangue reflui a cada batida, com um sopro sibilante. Preveja as consequências para as entregas do circuito corporal e para o fôlego do paciente.
  2. O paciente 3, fumante pesado e de alimentação rica, tem artérias entupidas e enrijecidas. Que leituras da consulta 1 vão ter piorado, e por que o ventrículo esquerdo faz hora extra?
  3. O entupimento do paciente 3 inclui as arteriazinhas de alimentação do próprio coração. Explique numa frase a preocupação especial da cardiologista.
  4. O paciente 4 tem tornozelos inchados depois de dias longos em pé: o retorno das veias, morro acima, está sofrendo. Que estruturas estão falhando, e por que caminhar — com os músculos da panturrilha espremendo as veias — alivia?

Parte III — O cartaz da parede.

  1. O cartaz da clínica mostra o circuito duplo. Explique a um paciente na espera por que o sangue precisa visitar os pulmões entre duas voltas pelo corpo.
  2. Acrescente a legenda dos vasos: artéria, capilar, veia — uma linha para cada, sobre construção, pressão e trabalho.
  3. O rodapé do cartaz diz: “todo tratamento serve aos capilares”. Justifique isso com a Observação 52.6.
  4. Encerre a manhã com a receita de prevenção que a cardiologista entrega a todo paciente — três hábitos, cada um ligado ao mecanismo dele na Proposição 52.8.
Solução

Solução de Problema 52.1.

1. O pulso: a contagem das ondas nas artérias — o ritmo da bomba lido num punho. A pressão arterial: a pressão nas artérias na onda e entre as ondas — a carga das rodovias. O tum-tá do estetoscópio: as valvas ouvidas se fechando — a integridade das portas.

2. Um pulso de repouso baixo numa paciente em forma quer dizer um ventrículo forte movendo mais sangue por batida: o coração treinado fica em marcha lenta calma, com reserva na mão.

3. As portas das valvas: as valvas de entrada quando os ventrículos empurram (tum) e as de saída quando eles relaxam (tá) — quatro portas se fechando em dois pares, com nitidez.

4. Átrio direito, ventrículo direito, capilares do pulmão, átrio esquerdo, ventrículo esquerdo, artérias do corpo, capilares do corpo (digamos, de um músculo), veias — e de volta ao átrio direito.

5. Cada batida perde parte da onda para trás, pelo vazamento, então as entregas do circuito corporal por batida encolhem; o coração compensa com mais batidas e mais trabalho, e o fôlego cai — o sopro é entrega perdida em refluxo.

6. A pressão arterial sobe (rodovias enrijecidas e estreitadas resistem à onda) e o esticamento arterial do pulso muda; o ventrículo esquerdo, empurrando cada rodada contra o circuito enrijecido, faz hora extra e engrossa.

7. O entupimento das arteriazinhas de alimentação do próprio coração estrangula a linha de combustível do músculo que nunca pode descansar — o caminho clássico para um infarto.

8. As valvas de mão única das veias e a bomba muscular do movimento, que está faltando: parado, as panturrilhas nunca espremem, os avanços das valvas empacam e os tornozelos acumulam. Caminhar espreme as veias com ritmo — o alívio é mecânico.

9. Porque a volta pelo corpo gasta o oxigênio do sangue: só o circuito pulmonar consegue recarregá-lo. Pular os pulmões mandaria sangue gasto fazer entregas com a van vazia — o circuito duplo é reabastecer e depois entregar, imposto pelos dois lados do coração.

10. Artéria: grossa, elástica, de alta pressão — as rodovias de saída. Capilar: com a espessura de uma célula, enfiando-se em tudo — as faixas de entrega onde acontecem todas as trocas. Veia: larga, com valvas, de baixa pressão — o retorno.

11. O problema de cada consulta importou exatamente onde tocou no serviço capilar: o vazamento matou de fome as entregas, o entupimento estrangulou as linhas de abastecimento, o acúmulo travou os retornos. As leituras, as valvas e as rodovias são meios; o tráfego capilar — as trocas — é o fim.

12. Mexer-se todo dia — a bomba fica mais forte e as rodovias continuam flexíveis; comer equilibrado — as paredes das artérias ficam livres de entupimento; nada de fumaça — os vasos não se estreitam nem enrijecem, e os assentos do sangue continuam livres para o oxigênio.

Termos definidos neste capítulo

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