Biology · Livro 1 · Grades 1–9

Biologia do ensino fundamental

Biologia do ensino fundamental · Grades 1–9

20Os animais ao longo das estações

Em outubro as andorinhas se enfileiram nos fios e, numa manhã, já foram embora. O ouriço debaixo da cerca viva se enrola no ninho de folhas dele e não vai aparecer antes da primavera. A raposa, por sua vez, sai por aí em toda nevada. O inverno é uma estação dura — fria e, acima de tudo, pobre em alimento — e os animais têm três grandes jeitos de atravessar essa estação.

20.1 O inverno, a estação da escassez

Proposição 20.1 (O problema duplo do inverno)

O inverno traz aos animais dois problemas de uma vez:

  1. o frio, que rouba o calor do corpo mais depressa — e manter-se quente custa energia (Proposição 18.1);
  2. o alimento escasso: as plantas param de crescer, os insetos somem, os primeiros elos das cadeias alimentares do Capítulo 19 ficam ralos — e assim a escassez sobe até todo mundo.

Mais calor necessário, menos alimento para pagar por ele: esse é o problema do inverno que todo animal precisa resolver.

Demonstração. Admitido neste nível.

Exemplo 20.2 (Para onde foi o alimento de quem come inseto?)

A andorinha se alimenta de insetos voadores, apanhados em pleno voo. Em novembro simplesmente não há nenhum: frio demais. Nenhuma troca de cardápio resolve isso para uma ave feita para caçar no ar — o estoque de alimento da andorinha some por completo.

Outubro nos fios: as andorinhas se juntando para a partida, dias antes de os insetos acabarem.
Outubro nos fios: as andorinhas se juntando para a partida, dias antes de os insetos acabarem.

20.2 Três respostas ao inverno

Definição 20.3 (Migração)

Migrar é viajar, todo ano, de uma região para outra conforme as estações mudam — partindo antes do inverno para terras mais quentes onde ainda há alimento, e voltando na primavera. A andorinha, a cegonha e o grou são migradores; alguns viajam milhares de quilômetros e acham o caminho de volta ao mesmíssimo ninho.

Definição 20.4 (Hibernação)

Hibernar é passar o inverno num sono profundo e frio, escondido num abrigo: o corpo esfria, o coração e a respiração ficam quase parados, e o animal vive devagarinho da gordura acumulada no outono. O ouriço, o arganaz, a marmota e o morcego hibernam.

Definição 20.5 (Continuar ativo)

Os demais continuam ativos e mudam o equipamento ou os hábitos: um pelo de inverno mais grosso, reservas juntadas no outono (as nozes enterradas pelo esquilo), uma troca de cardápio (o sabiá do Exemplo 10.8) ou simplesmente uma procura mais dura — a raposa, o veado, o pintarroxo.

Três jeitos de atravessar o mesmo inverno. Cada um resolve o problema duplo — calor e alimento — de um modo diferente.
Três jeitos de atravessar o mesmo inverno. Cada um resolve o problema duplo — calor e alimento — de um modo diferente.

Exemplo 20.6 (Três vizinhos, três estratégias)

Uma cerca viva em janeiro: as andorinhas que fizeram ninho em cima dela estão na África, caçando insetos sob um sol quente; o ouriço lá embaixo dorme frio e devagar no ninho de folhas, queimando a gordura de agosto; o pintarroxo no alto, com a plumagem de inverno toda inflada, patrulha à procura das últimas frutinhas. Em abril, os três vão estar de novo ocupados na mesma cerca viva.

Observação 20.7 (Dormir não é preguiça, viajar não é turismo)

Cada estratégia tem o seu preço. O migrador arrisca uma viagem exaustiva; o hibernador precisa juntar cada grama da gordura de inverno no outono — um ouriço magro demais em novembro não vai acordar na primavera; o animal ativo aposta em achar alimento durante os meses de mais fome. O inverno é pago adiantado, ou no meio do caminho, ou dia após dia.

Método 20.8 (Adivinhar a estratégia de inverno de um animal)

  1. Pergunte o que ele come e se esse alimento existe aqui no inverno;
  2. alimento totalmente sumido (insetos voadores, néctar): espere migração ou hibernação;
  3. alimento que dá para achar (sementes, frutinhas, presas): espere um inverno ativo, talvez com um pelo mais grosso ou com reservas;
  4. confira no outono: engordar e cavar um ninho aponta para a hibernação; juntar-se em bandos aponta para a partida.

Exemplo 20.9 (A primavera desfaz tudo)

Em março e abril a ordem se inverte: os insetos voltam, os migradores reaparecem nos ninhos antigos, os hibernadores acordam magros e com muita fome, os pelos de inverno caem. As estações giram, e o calendário dos animais gira com elas — no outono seguinte, as andorinhas vão se enfileirar nos fios de novo.

20.3 Exercícios

Exercício 20.1

Que problema duplo o inverno impõe a todo animal?

Solução

Solução de Exercício 20.1.

O frio, que faz manter-se quente custar mais energia — justamente quando o alimento, que é a fonte dessa energia, fica escasso.

Exercício 20.2

Diga as três estratégias de inverno, com dois animais para cada uma.

Solução

Solução de Exercício 20.2.

Migrar: a andorinha, a cegonha (ou o grou). Hibernar: o ouriço, a marmota (ou o arganaz, o morcego). Continuar ativo: a raposa, o esquilo (ou o pintarroxo, o veado).

Exercício 20.3

O que acontece com o corpo de um ouriço que hiberna durante o longo sono dele? Do que ele vive?

Solução

Solução de Exercício 20.3.

O corpo dele esfria, o coração e a respiração ficam quase parados e ele dorme profundamente no abrigo dele. Ele vive da gordura que acumulou no outono.

Exercício 20.4

Por que exatamente a andorinha precisa ir embora — qual é o alimento dela e o que acontece com esse alimento aqui no inverno?

Solução

Solução de Exercício 20.4.

A andorinha come insetos voadores apanhados em pleno voo — e no inverno, aqui, não existe nenhum. Com o estoque de alimento totalmente sumido, ela precisa ir onde os insetos ainda voam: terras mais quentes.

Exercício 20.5

Dê três jeitos que um animal ativo tem de atravessar o inverno, cada um com o seu animal.

Solução

Solução de Exercício 20.5.

Um pelo de inverno mais grosso (a raposa, o veado); reservas de alimento juntadas no outono (as nozes enterradas pelo esquilo); uma troca de cardápio (o sabiá passando das minhocas para as frutinhas); e uma procura mais dura (o pintarroxo patrulhando atrás das últimas frutinhas).

Exercício 20.6

Qual é o preço de cada estratégia, segundo a Observação 20.7?

Solução

Solução de Exercício 20.6.

O migrador arrisca uma viagem exaustiva; o hibernador precisa juntar toda a gordura de inverno no outono, senão não acorda na primavera; o animal ativo aposta em achar alimento durante os meses de mais fome.

Exercício 20.7

No outono, um animal é visto comendo muitíssimo e forrando um buraco com folhas secas. Que estratégia ele está preparando? Que passo do Método 20.8 disse isso a você?

Solução

Solução de Exercício 20.7.

Hibernação — comer muitíssimo constrói a gordura de inverno, e o buraco forrado de folhas é o ninho de inverno. Passo 4: a conferida do outono (engordar e cavar um ninho aponta para a hibernação).

Exercício 20.8

Faça a experiência: mantenha uma lista de inverno com as aves que você realmente vir lá fora durante uma semana fria. As andorinhas estão na lista? Quais das suas aves escolheram a estratégia ativa?

Solução

Solução de Exercício 20.8.

Resposta aberta. Nada de andorinhas no inverno — elas estão na África. As aves realmente vistas (pintarroxos, chapins, sabiás, pardais, corvos) são as da estratégia ativa.

Exercício 20.9 ★★

Use o Método 20.8 em: (a) o esquilo (come nozes e sementes); (b) o grou (come sapos e insetos de campos alagados). O que cada um provavelmente faz no inverno?

Solução

Solução de Exercício 20.9.

(a) O alimento do esquilo dá para achar no inverno — ainda mais enterrado no outono — então: ativo, vivendo das reservas dele. (b) Os sapos e os insetos do grou somem dos campos alagados congelados — alimento sumido, então: migração (os grous de fato voam para o sul em grandes bandos em forma de V).

Exercício 20.10 ★★

Um outono ameno deixa um ouriço jovem acordado e caçando até tarde, mas ele continua magro. Por que isso é perigoso para ele, segundo a Observação 20.7? O que quem resgata animais faz com ouriços magros demais no outono?

Solução

Solução de Exercício 20.10.

Um hibernador paga o inverno adiantado, com a gordura do outono; um ouriço magro não tem nada para queimar durante os meses de sono frio e não vai acordar. Quem faz resgate recolhe os ouriços magros demais no outono e os alimenta em ambiente fechado até que pesem o suficiente para hibernar em segurança — ou os mantém aquecidos e alimentados durante o inverno inteiro.

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