Biology · Livro 1 · Grades 1–9

Biologia do ensino fundamental

Biologia do ensino fundamental · Grades 1–9

61A comunicação hormonal

A puberdade os apresentou (Definição 56.4); a pílula os explora (Definição 59.3); a onda quente do susto entregou um deles no meio de uma corrida (Exemplo 60.10). O serviço postal merece a visita dele: as glândulas que escrevem as cartas, o sangue que as leva, o truque de endereçamento que torna precisa uma transmissão aberta — e as alças de retroalimentação que mantêm toda a correspondência em equilíbrio.

61.1 Glândulas, hormônios, alvos

Definição 61.1 (As glândulas endócrinas)

Uma glândula cujo produto é liberado no sangue (e não por um canal, como o da saliva) é uma glândula endócrina, e os produtos dela são os hormônios. As principais escritoras: a glândula de comando da base do cérebro — quem dá a partida na puberdade e rege quase todas as outras; a tireoide, no pescoço — o hormônio dela define o ritmo de funcionamento do corpo inteiro; as suprarrenais, como toucas sobre os rins — o hormônio do alarme dos sustos e das corridas; o pâncreas — o hormônio dele administra a glicose do sangue; e os ovários e os testículos — os hormônios do ciclo e da reconstrução do Capítulo 57.

Proposição 61.2 (Endereçamento por receptor)

O sangue entrega todo hormônio em toda parte (Exemplo 56.5) — e, mesmo assim, cada um age só nos órgãos-alvo dele: as células construídas com pontos de acoplamento, os receptores, para aquele mensageiro. Transporte por transmissão aberta, endereçamento do lado de quem recebe: uma carta que toda casa recebe e que só é legível onde a chave encaixa. (O acoplamento da sinapse da Definição 60.4 é o mesmo truque, em escala de nanômetros.)

Demonstração. Admitido neste nível.

Exemplo 61.3 (A viagem de um mensageiro: o hormônio do alarme)

Um quase acidente de bicicleta: as glândulas suprarrenais despejam o hormônio do alarme delas no sangue e, em segundos — uma volta da circulação (Exemplo 27.2) —, todo receptor equipado responde de uma vez: o ritmo do coração dispara, as vias aéreas se alargam, o fígado libera a glicose depositada (o banco do Exemplo 50.9, acionado), os vasos dos músculos se alargam e os do tubo digestivo se estreitam (o redirecionamento da Proposição 49.4, agora mantido por hormônio) e a pele fica pálida e formigando. Uma carta, seis respostas, um estado coordenado: pronto.

61.2 Equilíbrio por retroalimentação

Proposição 61.4 (O princípio da retroalimentação)

Os sistemas hormonais se regulam por retroalimentação: a glândula que escreve monitora o resultado das próprias cartas e diminui o ritmo quando o resultado é alcançado — um termostato, e não uma torneira. A vitrine é a glicose do sangue: depois de uma refeição, a própria glicose que sobe dispara o hormônio de estoque do pâncreas; com a glicose depositada, o nível cai, e a secreção diminui junto; entre as refeições, um hormônio parceiro libera o depósito no sentido inverso. O nível segue por uma faixa estreita, dia e noite, sem motorista consciente nenhum.

Demonstração. Admitido neste nível.

Exemplo 61.5 (Quando a retroalimentação falha: o diabetes)

No diabetes, o sinal do hormônio de estoque falha — o pâncreas para de escrevê-lo, ou os receptores param de responder. A glicose se acumula no sangue depois de cada refeição; a recuperação do rim é sobrecarregada e aparece açúcar na urina — o sinal clássico do Exemplo 53.5, enfim explicado. O tratamento é capítulo aplicado: doses medidas do hormônio que falta, no horário das refeições — a carta escrita com seringa. Milhões de pessoas vivem bem exatamente com esse arranjo.

Observação 61.6 (Os dois sistemas em parceria)

O telégrafo e o correio da Proposição 60.8 são uma administração só. A glândula de comando da base do cérebro é a interface: sistema nervoso acima, hormônios abaixo — o susto do ciclista correu primeiro pelo nervo e foi sustentado por hormônio; a puberdade corre devagar, por hormônio, sob um regente instalado no cérebro; as ovelhas do Exemplo 55.2 transformam a duração do dia (uma percepção nervosa) em hormônios de reprodução. Fios rápidos onde a velocidade importa, correio lento onde o programa precisa rodar por meses, e escritórios de tradução no meio.

61.3 Ler um sistema hormonal

Método 61.7 (As quatro perguntas de qualquer hormônio)

Para qualquer hormônio que você encontrar, estabeleça:

  1. quem escreve: que glândula, para o sangue, disparada por quê?
  2. quem recebe: que órgãos-alvo carregam os receptores dele, e o que cada um faz ao receber?
  3. retroalimentação: que resultado se reporta de volta, e como o excesso de escrita é evitado?
  4. falha e uso: o que acontece quando a carta falha — e a medicina imita essa carta (a pílula, as doses de quem tem diabetes)?

Exemplo 61.8 (O método no marcador de ritmo da tireoide)

Quem escreve: a tireoide, regida pela glândula de comando. Quem recebe: quase toda célula — o hormônio define o ritmo do fogo lento da Proposição 46.5. Retroalimentação: a glândula de comando lê o nível e ajusta a regência dela. Falha: de menos, e o motor inteiro fica em marcha lenta — cansaço, frio, tudo mais devagar; demais, e ele dispara. Uso: o hormônio que falta é um comprimido diário — entre as cartas por correio mais antigas da medicina.

61.4 Exercícios

Exercício 61.1

O que faz uma glândula ser endócrina? Diga quatro delas, com um papel hormonal para cada.

Solução

Solução de Exercício 61.1.

Liberar o produto dela no sangue, e não por um canal. A glândula de comando da base do cérebro: regente das outras e quem dá a partida na puberdade. A tireoide: a marcadora de ritmo do corpo. As suprarrenais: o hormônio do alarme. O pâncreas: a administração da glicose do sangue. (Ovários e testículos: os hormônios do ciclo e da reconstrução.)

Exercício 61.2

O sangue entrega em toda parte; os hormônios agem em algum lugar. Resolva o paradoxo.

Solução

Solução de Exercício 61.2.

O transporte é por transmissão aberta, o endereçamento é do lado de quem recebe: só as células equipadas com os receptores do hormônio respondem. Toda casa recebe a carta; só a chave que encaixa a abre.

Exercício 61.4

Enuncie o princípio da retroalimentação e a vitrine dele.

Solução

Solução de Exercício 61.4.

A glândula que escreve monitora o resultado das cartas dela e diminui o ritmo conforme a meta é alcançada — termostato, e não torneira. Vitrine: a glicose do sangue, depositada na subida e liberada na queda pelos hormônios em par do pâncreas.

Exercício 61.5

O que falha no diabetes, e o que reaparece no rim por causa disso?

Solução

Solução de Exercício 61.5.

O sinal do hormônio de estoque — não escrito ou não respondido pelos receptores dele. A glicose então se acumula depois das refeições, sobrecarrega a recuperação do rim e aparece na urina.

Exercício 61.6

Onde os sistemas nervoso e hormonal fazem interface? Dê um exemplo de revezamento.

Solução

Solução de Exercício 61.6.

Na base do cérebro — a glândula de comando, com o sistema nervoso acima e os hormônios abaixo. Exemplo: o susto — primeiro os sinais nervosos, com a carta das suprarrenais sustentando o alerta; ou a duração do dia virando os hormônios de reprodução das ovelhas.

Exercício 61.7 ★★

Por que um termostato é a imagem certa para a retroalimentação, e uma torneira é a errada?

Solução

Solução de Exercício 61.7.

Uma torneira despeja até alguém fechar; um termostato mede aquilo que ele está mudando e se ajusta sozinho. A glândula lê o nível que ela regula — a secreção sobe e diminui junto com a necessidade, sem precisar de nenhuma mão de fora.

Exercício 61.8 ★★

Rode o Método 61.7 no hormônio de estoque do pâncreas.

Solução

Solução de Exercício 61.8.

Quem escreve: o pâncreas, disparado pela glicose do sangue que sobe. Quem recebe: o fígado e os músculos acima de tudo — eles depositam a sobra ao receber. Retroalimentação: o próprio nível que cai faz a secreção diminuir. Falha e uso: o diabetes — e as doses medidas da medicina, a carta por seringa.

Exercício 61.9 ★★

Explique a seringa de quem tem diabetes e a pílula anticoncepcional como o mesmo tipo de ato, pela pergunta 4 do método.

Solução

Solução de Exercício 61.9.

Os dois escrevem à mão uma carta do corpo: a seringa fornece a mensagem de estoque que falta ao pâncreas na hora das refeições; a pílula fornece a mensagem de “suspenso” do ciclo todo dia. O mesmo ato — imitar um hormônio para rodar o sistema dele de propósito — sendo que um restaura uma correspondência que falhou e o outro sobrepõe-se por escolha a uma correspondência saudável.

Exercício 61.10 ★★

Atribua os sistemas, com motivos: o início do tremor de frio; o crescimento de uma barba; a faixa estreita da glicose do sangue; o reflexo patelar.

Solução

Solução de Exercício 61.10.

O início do tremor de frio: nervoso — ordens musculares em fração de segundo. A barba: hormonal — meses, corpo inteiro, corrente sanguínea. A faixa da glicose: hormonal — correspondência com retroalimentação. O reflexo patelar: nervoso — uma junção, um cinquentavo de segundo.

Exercício 61.11 ★★

As ovelhas do Exemplo 55.2 transformam luz em cordeiros. Trace o revezamento pelos escritórios da Observação 61.6.

Solução

Solução de Exercício 61.11.

A percepção dos dias que encurtam, pelos olhos, é nervosa; o escritório da base do cérebro traduz essa percepção e rege a glândula de comando; as cartas dela acordam o programa hormonal dos ovários; os ciclos das ovelhas começam — luz entrando pelo telégrafo, cordeiros saindo pelo correio.

Exercício 61.12 ★★★

“Os receptores transformam uma transmissão aberta numa rede de linhas privadas.” Defenda a frase e depois puxe mais: o que precisa mudar numa célula para ela entrar na plateia de um hormônio — e o que isso sugere sobre como os alvos da puberdade passaram a estar escutando?

Solução

Solução de Exercício 61.12.

Defesa: um sangue só carrega todas as cartas e, mesmo assim, cada uma age só onde há receptores que respondem — a plateia é que define o canal, e assim a transmissão aberta vira linhas privadas. O passo adiante: uma célula entra numa plateia construindo o receptor — então que tecidos escutam é algo construído, órgão por órgão, durante o desenvolvimento; os alvos da puberdade — laringe, pele, placas de crescimento — foram equipados com os receptores deles de antemão, esperando anos pela primeira carta.

61.5 Problema: O diário da glicose

Problema 61.1

Problema de fim de semana — um dia de açúcar no sangue, lido como correspondência

O registro (inventado) de um dia num monitor contínuo de glicose: estável durante a noite; café da manhã às 8 — uma subida e depois uma descida calma até as 10; esporte ao meio-dia — uma queda breve, logo contida; um almoço pulado — estável a tarde inteira mesmo assim; um susto às 17 (um quase acidente de bicicleta) — uma subida rápida e breve; jantar às 19 — subida e descida de novo.

Parte I — A manhã.

  1. A estabilidade da noite: que correspondência de duas cartas segurou a faixa enquanto o dono dormia?
  2. A subida e a descida do café da manhã: diga o disparador, quem escreve, a carta e os receptores que depositaram a sobra.
  3. Por que o fato de a descida parar — sem mergulhar abaixo da faixa — é, em si, a assinatura da retroalimentação?
  4. O nível das 10 é igual ao das 7. O que a imagem do termostato prevê sobre o percurso da secreção nesse intervalo?

Parte II — A tarde.

  1. A queda e a contenção do esporte: que carta acionou o banco do fígado, e a conta de que capítulo estava sendo gasta?
  2. O almoço pulado não mudou nada visível. O trabalho silencioso de que hormônio parceiro atravessou a tarde?
  3. A subida rápida do susto: diga quem escreve e o objetivo desse açúcar repentino — pronto para quê, segundo o Exemplo 61.3?
  4. Por que a subida do susto diminuiu dentro de uma hora, ao contrário do acúmulo duradouro do diabetes?

Parte III — A consulta.

  1. O registro de uma pessoa com diabetes no mesmo dia seria diferente em toda refeição. Descreva a curva do café da manhã sem tratamento e onde apareceria o sinal do rim.
  2. A versão tratada: o que a dose medida antes de cada refeição imita, e por que o tamanho dela precisa combinar com o prato?
  3. A médica chama o registro saudável de “uma conversa que você nunca ouve”. Liste quem falou no dia — glândulas, cartas, receptores — numa tabela-resumo ou num parágrafo.
  4. Encerre com a moral do capítulo numa frase: que tipo de sistema mantém um valor dentro de uma faixa a vida inteira, sem motorista?
Solução

Solução de Problema 61.1.

1. As cartas em par do pâncreas — o hormônio de estoque na subida e o parceiro que libera na queda — segurando a faixa por retroalimentação enquanto o dono dormia.

2. Disparador: a glicose da refeição atravessando as vilosidades e levantando o nível do sangue. Quem escreve: o pâncreas. Carta: o hormônio de estoque. Receptores: o fígado e os músculos, depositando a sobra.

3. Uma torneira despejaria além da meta, até o mergulho; a descida se aplainando dentro da faixa mostra a secreção diminuindo à medida que o próprio resultado dela chega — automedição e autoparada.

4. Que ela subiu junto com o nível e recuou junto com ele: uma curva de secreção acompanhando a curva da glicose, com o pico logo atrás do pico — o percurso do termostato.

5. O parceiro que libera (com a ajuda do hormônio do alarme no esforço pesado): a glicose depositada no fígado — o banco enchido no café da manhã, à maneira do Exemplo 50.9 — gasta na conta dos músculos em atividade.

6. O mesmo parceiro que libera: destrancando o banco de forma constante ao longo das horas sem comida, acompanhando o gasto do corpo — a faixa segurada pelo outro lado.

7. As glândulas suprarrenais. O açúcar prepara combustível para fugir ou enfrentar: o objetivo inteiro da carta do alarme é um corpo abastecido e redirecionado para um esforço imediato — venha ou não o esforço.

8. Porque a correspondência saudável respondeu: a sobra liberada, não gasta (o quase acidente passou), disparou por sua vez a carta de estoque, e a faixa foi restaurada — alarme e termostato em sequência.

9. Sem tratamento: a subida do café da manhã continuando a subir, sem descer — nenhuma carta de estoque escrita ou escutada — um platô alto durante a manhã inteira; passado o limiar da recuperação, aparece açúcar na urina (o sinal do Exemplo 53.5).

10. A carta que o próprio pâncreas escreveria na hora da refeição. A dose precisa combinar com o prato porque o tamanho da carta precisa combinar com a glicose que ela vai depositar — pequena demais deixa um acúmulo, grande demais ultrapassa a faixa para baixo, o que é uma emergência por si só.

11. Noite e tarde: o par do pâncreas, com o fígado e os músculos respondendo — a faixa segurada. Refeições da manhã e da noite: a glicose fala, o pâncreas escreve, o fígado deposita. Meio-dia: o esforço gasta, o parceiro que libera destranca. Cinco da tarde: as suprarrenais interrompem, e o pâncreas arruma depois. Um valor, cinco falantes, nenhum silêncio o dia inteiro.

12. “Um sistema de retroalimentação: escritoras que leem os resultados das próprias cartas — é assim que um valor segue por uma faixa estreita a vida inteira, sem ninguém dirigindo.”

Termos definidos neste capítulo

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