Biology · Livro 1 · Grades 1–9

Biologia do ensino fundamental

Biologia do ensino fundamental · Grades 1–9

46O que é a respiração?

Ponha um tatuzinho num pote fechado e, horas depois, o ar do pote mudou: parte do oxigênio dele sumiu, substituído por gás carbônico. Repita com uma semente germinando, um cogumelo, um peixinho dourado, uma colherada de solo vivo — o mesmo resultado, todas as vezes. A Proposição 26.5 mostrou a troca no seu próprio peito; neste ano a ideia se abre em toda a largura dela: a troca não é um costume humano, e sim uma propriedade da própria vida.

46.1 A respiração, definida e medida

Definição 46.1 (Respiração)

A respiração é a troca gasosa pela qual um ser vivo retira oxigênio do que está em volta dele e libera gás carbônico. Ela não deve ser confundida com os movimentos respiratórios — os movimentos visíveis do peito da Definição 26.1: esses movimentos são um jeito de servir à respiração; a respiração em si é a troca gasosa, e ela acontece em toda célula viva, com movimentos ou sem nenhum.

Proposição 46.2 (Como a troca é mostrada)

Dois testes clássicos de bancada revelam a respiração:

  • uma sonda de oxigênio num recipiente fechado mostra o nível de oxigênio caindo enquanto um ser vivo fica lá dentro;
  • a água de cal, um líquido transparente que fica leitoso na presença de gás carbônico, turva quando o ar do recipiente passa por ela.

Oxigênio caindo mais água de cal turvando, com um recipiente de controle sem vida ficando inalterado (Método 22.1 — o teste justo nos acompanha em toda parte): isso é respiração, medida.

Demonstração. Admitido neste nível.

O respirador mais discreto da bancada: um pote de ervilhas brotando pode esgotar o oxigênio dele em um dia.
O respirador mais discreto da bancada: um pote de ervilhas brotando pode esgotar o oxigênio dele em um dia.

Observação 46.4 (As plantas também respiram)

A Observação 40.5 disse isso de passagem; o pote prova: uma planta em vaso no escuro baixa o oxigênio do pote e turva a água de cal como qualquer animal. À luz do dia, a fabricação das produtoras mascara o efeito — consumindo muito mais gás carbônico do que a respiração libera —, mas a respiração nunca para. Ser verde não dispensa uma célula de respirar no sentido largo; nada que esteja vivo é dispensado.

46.2 Por que os seres vivos respiram

Proposição 46.5 (A respiração dá energia às células)

O objetivo da troca é a energia. Em toda célula viva, os nutrientes (Definição 25.3) são lentamente queimados com o oxigênio que a respiração traz: a energia deles é liberada para o trabalho da célula — contrair, construir, comandar — e o gás carbônico é o resto queimado, levado embora. A “fatia queimada” da Proposição 41.6 era exatamente isso, vista pelo balanço; aqui ela é vista pela célula.

Demonstração. Admitido neste nível.

Exemplo 46.6 (A comparação com o fogo, usada com honestidade)

A chama de uma vela também consome oxigênio e libera gás carbônico — queimar e respirar são de fato o mesmo tipo de química. As diferenças importam tanto quanto: a queima da célula é lenta, sem chama, espalhada por milhares de passinhos, e a energia dela é capturada para o trabalho em vez de se perder como luz e queimadura. A respiração é a combustão domesticada — fogo na coleira, em cada célula sua.

Exemplo 46.7 (Lendo a demanda)

Como a queima dá força ao trabalho, a demanda acompanha o esforço: a criança em disparada do Exemplo 26.6 respira muito mais rápido que a criança lendo na poltrona; a ervilha germinando — construindo uma planta a toda velocidade (Definição 9.4) — respira muito mais rápido que a semente seca e à espera ao lado dela, cuja respiração fica quase em zero por anos. A respiração é o ronco do motor da vida: alto no esforço e no crescimento, um sussurro na dormência, mudo só na morte.

46.3 A respiração em todo hábitat

Proposição 46.8 (Uma necessidade, muitos arredores)

Todo ser vivo precisa obter o oxigênio dele do que está em volta — e os arredores diferem. O ar é rico em oxigênio; a água guarda bem menos, dissolvido (o Exercício 26.11 encontrou a consequência); o solo e a lama guardam menos ainda. Onde e como um ser vivo mora é, portanto, moldado pelo jeito como ele resolve o problema de oxigênio dele — o assunto dos dois próximos capítulos, para o equipamento dos animais (Capítulo 47) e para a economia da água (Capítulo 48).

Demonstração. Admitido neste nível.

Método 46.9 (Testar uma pergunta sobre respiração)

Para testar qualquer afirmação sobre respiração (“as sementes respiram mais rápido no calor”, “a lama da lagoa respira”):

  1. feche o sujeito num recipiente, com uma sonda de oxigênio ou uma armadilha de água de cal;
  2. monte o controle gêmeo — o mesmo recipiente, com o sujeito ausente ou sem vida;
  3. varie uma condição de cada vez, se a afirmação citar alguma (calor, umidade, escuro);
  4. leia o veredito na diferença: oxigênio caído, água de cal turvada — contra a imobilidade do controle.

Exemplo 46.10 (O método numa semente fria)

Afirmação: ervilhas germinando respiram mais devagar no frio. Dois potes de ervilhas brotando, um à temperatura ambiente e outro na geladeira; armadilhas de água de cal nos dois; um terceiro sem vida como controle. No dia seguinte: a água de cal do pote quente está leitosa, a do pote frio mal ficou embaçada, a do controle está transparente. Veredito: a respiração acompanha o ritmo de trabalho das ervilhas — a regra das condições da Proposição 42.8, medida em gás.

46.4 Exercícios

Exercício 46.1

Defina respiração e distinga a respiração dos movimentos respiratórios.

Solução

Solução de Exercício 46.1.

A respiração é a troca gasosa pela qual um ser vivo retira oxigênio do que está em volta dele e libera gás carbônico. Os movimentos respiratórios são só o bombeamento visível do peito — um jeito de servir à troca; a própria troca acontece em toda célula viva.

Exercício 46.2

Diga os dois testes de bancada que revelam a respiração e o que cada um mostra.

Solução

Solução de Exercício 46.2.

Uma sonda de oxigênio num recipiente fechado — mostra o nível de oxigênio caindo; e a água de cal — um líquido transparente que fica leitoso quando o gás carbônico passa por ele.

Exercício 46.3

Por que toda experiência de respiração precisa de um recipiente de controle sem vida?

Solução

Solução de Exercício 46.3.

Para provar que a mudança vem do sujeito vivo, e não do recipiente, do calor do dia ou da própria água de cal: o gêmeo do teste justo, com a vida como única diferença.

Exercício 46.5

Liste cinco seres vivos bem diferentes mostrados respirando no Exemplo 46.3.

Solução

Solução de Exercício 46.5.

Um camundongo, um tatuzinho, ervilhas germinando, um cogumelo, caramujos de lagoa — e uma colherada de solo vivo.

Exercício 46.6

Como dá para mostrar que uma planta respira, se a luz do dia mascara o efeito?

Solução

Solução de Exercício 46.6.

Teste no escuro: com a fabricação movida a luz parada, o oxigênio do pote cai e a água de cal turva — a respiração desmascarada.

Exercício 46.7 ★★

Dê duas semelhanças honestas e duas diferenças honestas entre a queima de uma vela e a respiração de uma célula.

Solução

Solução de Exercício 46.7.

Semelhanças: os dois consomem oxigênio e liberam gás carbônico; os dois liberam a energia do combustível. Diferenças: a queima da célula é lenta e sem chama, em milhares de passinhos; e a energia dela é capturada para o trabalho em vez de se perder como luz e calor de uma vez só.

Exercício 46.8 ★★

Ponha em ordem de taxa de respiração, com motivos: uma ervilha seca, uma ervilha germinando, uma criança em disparada, uma criança lendo.

Solução

Solução de Exercício 46.8.

Criança em disparada (trabalho muscular pesado) >> criança lendo (a despesa fixa e tranquila do corpo) >> ervilha germinando (construindo rápido, mas pequena) >> ervilha seca (dormente — respiração quase em zero). A taxa acompanha o trabalho.

Exercício 46.9 ★★

Um pote lacrado de ervilhas brotando passa a noite fechado; uma vela descida ali dentro na manhã seguinte apaga na hora. Explique com este capítulo — e diga o que a armadilha de água de cal teria mostrado nesse meio-tempo.

Solução

Solução de Exercício 46.9.

A noite inteira, a respiração das ervilhas brotando consumiu o oxigênio do pote e liberou gás carbônico; pela manhã sobra pouco oxigênio demais para manter uma chama acesa. A água de cal teria turvado sem parar ao longo da noite.

Exercício 46.10 ★★

Planeje, com o Método 46.9, a experiência para: “o solo vivo respira; o solo assado e sem vida não”.

Solução

Solução de Exercício 46.10.

Dois recipientes com sondas e armadilhas de água de cal: um com solo vivo fresco, outro com o mesmo solo assado até ficar sem vida — a única diferença. Se o oxigênio do pote vivo cair e a água de cal dele turvar enquanto o gêmeo assado fica inalterado, foi a vida do solo que fez isso.

Exercício 46.11 ★★

Por que quem administra um armazém de grãos teme que pilhas de grão úmido esquentem sozinhas? Ligue o Exemplo 46.7 ao calor da pilha de composto (Exemplo 42.7).

Solução

Solução de Exercício 46.11.

O grão úmido acorda: a germinação começa, e a respiração sobe de um sussurro até o ritmo da ervilha brotando — bilhões de grãos queimando as reservas deles ao mesmo tempo, aquecendo a pilha como as equipes de trabalho do composto. O calor acelera ainda mais o trabalho: uma pilha úmida pode se aquecer até estragar. Grão seco dorme frio; grão úmido é uma fornalha lenta.

Exercício 46.12 ★★★

“Os movimentos respiratórios são comportamento; a respiração é química; os primeiros servem à segunda.” Defenda cada parte com uma observação deste capítulo ou do Capítulo 26.

Solução

Solução de Exercício 46.12.

Comportamento: dá para observar os movimentos respiratórios — os movimentos do peito, quinze vezes por minuto (Exemplo 26.2). Química: a respiração acontece em coisas sem peito nenhum — ervilhas, cogumelos, solo — e é detectada só por testes de gás. Serviço: os movimentos respiratórios existem para renovar o ar dos pulmões e a troca gasosa poder continuar — disparando exatamente quando a queima das células dispara (Exemplo 26.6).

46.5 Problema: Os potes lacrados

Problema 46.1

Problema de fim de semana — seis potes, dois mistérios, uma troca gasosa

Para a feira de ciências, a turma prepara seis potes lacrados, cada um com uma sonda de oxigênio e uma armadilha de água de cal: A — pedrinhas; B — ervilhas secas; C — ervilhas germinando; D — um camundongo (com comida, água e só por algumas horas, sob a vigilância do professor); E — uma planta verde na luz; F — uma planta do mesmo tipo dentro de uma caixa escura.

Parte I — As previsões.

  1. Preveja as leituras de A e diga o papel de A na experiência.
  2. Preveja B e C, e explique a diferença, embora os dois potes tenham “as mesmas” ervilhas.
  3. Preveja D e diga por que o professor limita as horas.
  4. E e F têm plantas idênticas. Preveja a tendência do oxigênio de cada pote e concilie a diferença usando a Observação 46.4.

Parte II — Resultados e leituras.

  1. Os dados da manhã batem com as previsões — só que uma colega fica espantada porque a planta de F “respira como um animal”. Exponha o que F de fato mostra e o que E esconde.
  2. O oxigênio de C caiu três vezes mais rápido que o de B, por grama de ervilha. Traduza esse fator de três nos termos do Exemplo 46.7.
  3. A água de cal de D turvou mais rápido que todas. Dê a cadeia — do corpo quente e em movimento do camundongo até o líquido leitoso — em quatro passos.
  4. Diga a única conclusão que B, C, D e F apoiam, numa frase começando com “Todo ser vivo…”.

Parte III — Indo mais fundo.

  1. Um sétimo pote é proposto: fatias de cogumelo. Preveja as leituras dele e diga que ponto, no nível dos grandes grupos de seres vivos, ele acrescentaria ao Exemplo 46.3.
  2. Quem visita a feira pergunta por que o pote C interessa a quem planta. Responda com o armazém de grãos do Exercício 46.11.
  3. Um oitavo pote: água de lagoa com a lama dela. O oxigênio cai durante a noite. Quem no pote está respirando, e por que esse achado importa para a pergunta do Capítulo 48?
  4. Feche o cartaz da feira com a distinção do capítulo: que potes mostraram movimentos respiratórios e quais mostraram respiração? (Cuidado — uma das palavras cobre todos.)
Solução

Solução de Problema 46.1.

1. Nenhuma mudança: oxigênio estável, água de cal transparente. A é o controle sem vida — a imobilidade contra a qual todos os outros potes são lidos.

2. B: mudança quase imperceptível — as ervilhas secas estão dormentes, com a respiração quase em zero. C: queda clara do oxigênio e turvação — a germinação é construção a toda velocidade, e o trabalho é pago em respiração.

3. D: a queda e a turvação mais rápidas de todas — um mamífero quente e em movimento queima muito. As horas são limitadas porque o camundongo está consumindo o oxigênio do pote dele; a experiência precisa terminar bem antes de o ar ficar curto.

4. E: oxigênio estável ou subindo — a fabricação da planta iluminada consome gás carbônico e libera mais oxigênio do que a respiração dela usa. F: oxigênio caindo, água de cal turvando — no escuro a fabricação para e a respiração, que nunca parou, aparece claramente.

5. F mostra que a planta respira sempre — oxigênio para dentro, gás carbônico para fora, como o camundongo. E esconde essa mesma respiração debaixo do negócio maior do dia: as entradas e saídas da fabricação a engolem. Juntos, os gêmeos separam as duas trocas.

6. A ervilha germinando está trabalhando três vezes mais por grama — construindo raiz e broto a todo vapor — e a respiração é o ronco do motor desse trabalho.

7. Os músculos e o corpo quente do camundongo queimam nutrientes com oxigênio; a queima libera gás carbônico no ar do pote; o ar retido passa pela água de cal; o gás carbônico deixa a água de cal leitosa.

8. “Todo ser vivo respira — animal, planta, semente acordada ou quase adormecida — retirando oxigênio e liberando gás carbônico.”

9. Oxigênio caindo, água de cal turvando — o cogumelo respira. Ele acrescenta que a regra também cobre os fungos: nem planta nem animal, e nenhuma exceção.

10. Porque um armazém é o pote C em escala de galpão: o grão mantido úmido começa a germinar e a respirar com força, aquecendo e estragando o estoque — as regras de secura de quem administra são controle de respiração.

11. Tudo o que está lá dentro: os caramujos de lagoa e os bichinhos, os decompositores da lama, as plantas e as células verdes sozinhas nas horas escuras delas. Isso importa porque todos os moradores da lagoa dependem de um único e pequeno estoque de oxigênio dissolvido — a economia que os próximos capítulos abrem.

12. Só D — o camundongo — mostrou movimentos respiratórios: movimentos visíveis do peito servindo à troca gasosa dele. Todos os potes com vida dentro mostraram respiração: B fraquinho, C, D e F com clareza, E mascarado pela fabricação da luz do dia, mas respirando do mesmo jeito.

Termos definidos neste capítulo

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