Biologia do ensino fundamental · Grades 1–9
24Plantas sem sementes
O lado sombreado do muro velho está estofado de musgo; debaixo das faias, as samambaias desenrolam as grandes folhas verdes delas. Procure nelas o verão inteiro: você não vai achar flor, nem fruto, nem semente — nunca. E mesmo assim os musgos e as samambaias se espalham muito bem. As plantas, ao que parece, têm mais de um jeito de fazer a geração seguinte.
24.1 Samambaias e musgos: reprodução por esporos
Definição 24.1 (Esporo)
Um esporo é um grão microscópico, feito em quantidades enormes, do qual uma planta nova pode crescer. Ao contrário de uma semente (Definição 9.1), um esporo é uma partícula sozinha, sem reserva de alimento e sem plantinha pronta lá dentro — é um começo no que ele tem de mais nu.
Exemplo 24.2 (Embaixo das folhas da samambaia)
Vire uma folha de samambaia no fim do verão: fileiras caprichadas de pontinhos marrons alinhadas na parte de baixo. Cada pontinho é um pacote com milhares de esporos; quando amadurecem, os pacotes se abrem e os esporos partem pelo ar como a poeira mais fina. Um esporo que cai em chão sombreado e úmido pode virar — por etapas — uma samambaia nova.
Proposição 24.3 (As plantas de esporo precisam de umidade)
As plantas de esporo — musgos e samambaias — só conseguem se reproduzir onde há umidade: os esporos delas, e as etapas delicadas que crescem a partir deles, ressecam e morrem no ar seco. É por isso que o musgo forra o lado sombreado do muro e nunca o lado ensolarado, e por isso que as samambaias se aglomeram em matas úmidas, margens de riacho e poços.
Demonstração. Admitido neste nível. ∎
Observação 24.4 (Um esporo não é uma semente)
Os dois são começos que viajam, mas a semente é um kit de sobrevivência — casca, reserva de alimento, plantinha pronta — enquanto o esporo é nu. Daí os números: os milhões de esporos da samambaia contra a dúzia de sementes da vagem de feijão. Começos nus são baratos de fazer e fáceis de perder; os dois planos ecoam o bacalhau e a elefanta da Proposição 23.7.
24.2 Plantas novas sem plantar nada
Definição 24.5 (Reprodução vegetativa)
Muitas plantas também conseguem fazer plantas novas diretamente a partir de um pedaço delas mesmas — sem esporos, sem sementes, com um único pai. Isso é a reprodução vegetativa. A planta nova é uma continuação viva da antiga, e se parece com ela exatamente.
Exemplo 24.6 (Os estolhos do morangueiro)
Um morangueiro lança caules horizontais compridos e finos — estolhos — por cima da terra. Onde um estolho encosta no chão, ele cria raízes, brota folhas e vira um morangueiro novo e completo; o estolho depois seca, e a planta filha fica livre. Uma planta vira um canteiro sem uma única semente plantada.
Exemplo 24.7 (Bulbos e tubérculos)
O bulbo da tulipa e o tubérculo da batata são despensas subterrâneas — e kits de partida. Deixado na terra, um bulbo se divide em bulbos filhos, cada um uma tulipa futura; cada “olho” de uma batata brotando pode virar uma planta nova inteira. Quem cuida de horta planta batatas, e não sementes de batata.
Método 24.8 (Fazer uma estaca)
Quem cuida de horta copia a reprodução vegetativa com estacas:
- corte um broto jovem e saudável, do tamanho de uma mão, da planta-mãe (hortelã, salgueiro e gerânio funcionam bem);
- tire as folhas de baixo e ponha o broto em pé na água ou em terra úmida;
- espere: em dias ou semanas, nascem raízes do caule cortado;
- plante a estaca — é uma planta nova e completa, idêntica ao seu único pai.
Observação 24.9 (Um pai, cópias exatas)
As sementes misturam dois pais (a Observação 23.3 também vale para as plantas, por meio do pólen); a reprodução vegetativa copia um só. É por isso que toda planta de uma variedade de maçã com nome é obtida de estacas e enxertos, e nunca de caroços: o pomar quer cópias exatas de uma única árvore excelente. O preço de copiar é a mesmice — um pomar de árvores idênticas divide fraquezas idênticas, como um ano posterior vai mostrar.
24.3 Exercícios
Exercício 24.1 ★
Diga duas plantas que nunca fazem sementes. Como elas se reproduzem?
Solução
Solução de Exercício 24.1.
Musgos e samambaias. Eles se reproduzem por esporos — grãos microscópicos liberados em quantidades enormes.
Exercício 24.2 ★
Dê duas diferenças entre um esporo e uma semente.
Solução
Solução de Exercício 24.2.
Um esporo é microscópico e nu — sem reserva de alimento, sem plantinha pronta; uma semente carrega as duas coisas, dentro de uma casca de proteção. E os esporos são feitos aos milhões, as sementes às dúzias.
Exercício 24.3 ★
Onde são feitos os esporos da samambaia? Descreva o que você encontra embaixo de uma folha no fim do verão.
Exercício 24.4 ★
Por que o musgo cresce no lado sombreado do muro e não no lado ensolarado?
Exercício 24.5 ★
O que é a reprodução vegetativa? Quantos pais ela exige?
Exercício 24.6 ★
Conte a história de um estolho de morangueiro, do primeiro caule até a planta filha independente.
Exercício 24.7 ★
Por que quem cuida de horta planta batatas em vez de semear sementes de batata? O que cada “olho” consegue fazer?
Exercício 24.8 ★
Faça a experiência: faça uma estaca de hortelã seguindo o Método 24.8 e ponha ela em pé num copo de água no peitoril da janela. O que aparece, e depois de quanto tempo mais ou menos?
Exercício 24.9 ★★
A samambaia faz milhões de esporos; a vagem de feijão, uma dúzia de sementes. Explique a diferença de números com a Observação 24.4 — e diga o par de animais cujas estratégias elas ecoam.
Solução
Solução de Exercício 24.9.
O esporo é nu e barato: sem reserva de alimento nem plantinha, quase todos se perdem, então é preciso fazer milhões. A semente é um kit de sobrevivência caro, então uma dúzia bem equipada basta. Eles ecoam o bacalhau (milhões, sem cuidado) e a elefanta (poucos, bem providos).
Exercício 24.10 ★★
Quem cuida de horta encontra os morangueiros novos idênticos ao pai, enquanto os pés de feijão dela variam um pouco em relação aos pais deles. Explique as duas observações com a Observação 24.9.
Solução
Solução de Exercício 24.10.
Os morangueiros vieram de estolho — reprodução vegetativa, um único pai, cópias exatas. Os feijões vieram de sementes feitas por flores, misturando as contribuições de dois pais (o pólen de uma flor, as células reprodutoras femininas de outra), então cada pé de feijão varia um pouco.
Exercício 24.11 ★★★
Um galho de salgueiro arrancado por uma enchente de inverno, levado rio abaixo e encalhado num banco de lama, muitas vezes vira um salgueiro novo. Que tipo de reprodução é esse — e por que os rios tantas vezes são margeados por salgueiros? O que a enchente fez que quem cuida de horta faz no Método 24.8 com a tesoura?
Solução
Solução de Exercício 24.11.
Reprodução vegetativa — o galho é uma estaca natural. A enchente fez o trabalho de tesoura de quem cuida de horta: cortou o broto, carregou ele e plantou ele na lama molhada, o leito ideal para o salgueiro criar raiz. Os rios se margeiam de salgueiros quebrando e plantando os salgueiros no mesmo gesto.