Biology · Livro 1 · Grades 1–9

Biologia do ensino fundamental

Biologia do ensino fundamental · Grades 1–9

25A viagem do alimento

Uma mordida de pão: mastigada, engolida — sumiu. Sumiu para onde? Até hoje à noite, parte desse pão vai estar ajudando as suas pernas a correr e os seus ossos a crescer, o que quer dizer que ele precisa de algum jeito sair do tubo em que foi engolido e entrar no resto do corpo. Siga a mordida: a viagem dela é uma das melhores histórias do corpo.

25.1 O tubo digestivo

Definição 25.1 (O tubo digestivo)

O alimento viaja pelo tubo digestivo, um tubo comprido que atravessa o corpo inteiro:

  1. a boca, onde os dentes trituram (Capítulo 12) e a saliva umedece;
  2. o esôfago, o escorregador da garganta até o estômago;
  3. o estômago, uma bolsa musculosa onde o alimento é batido e misturado com sucos digestivos durante horas;
  4. o intestino delgado, um tubo dobrado de vários metros, onde a digestão termina e as coisas boas do alimento passam para o corpo;
  5. o intestino grosso, onde a água é recuperada do que sobra, antes de os restos saírem do corpo.
O tubo digestivo: um tubo só, da boca até a saída. O esôfago entrega no estômago; os metros dobrados do intestino delgado enchem o meio, emoldurados pelo intestino grosso.
O tubo digestivo: um tubo só, da boca até a saída. O esôfago entrega no estômago; os metros dobrados do intestino delgado enchem o meio, emoldurados pelo intestino grosso.

Exemplo 25.2 (Cronometrando a viagem)

A mordida de pão passa segundos na boca, uns dois segundos escorregando pelo esôfago, algumas horas sendo batida no estômago, várias horas a mais atravessando o intestino delgado e até um dia ou mais terminando no intestino grosso. A viagem inteira costuma levar de um a dois dias.

25.2 Digestão: do alimento aos nutrientes

Definição 25.3 (Digestão e nutrientes)

A digestão é a transformação do alimento, ao longo do tubo, em componentes pequenos e simples o bastante para entrar no corpo: os nutrientes. Os dentes e o batimento do estômago quebram o alimento; os sucos digestivos — a saliva entre eles — desmontam o alimento ainda mais, pedaço por pedaço, até que aquilo que era pão vire uma mistura líquida de nutrientes.

Exemplo 25.4 (O pão fica doce)

Mastigue um pedaço de pão puro por muito tempo — uma contagem lenta até sessenta — e um docinho aparece. Nada foi acrescentado: a saliva já está desmontando o pão em pedaços mais simples e mais doces. Você acabou de provar o gosto da digestão começando.

Proposição 25.5 (Atravessar para dentro do corpo)

O interior do tubo é, num certo sentido, ainda do lado de fora do corpo — como o buraco de uma rosquinha. A travessia acontece no intestino delgado: pelas paredes finas e muito dobradas dele, os nutrientes passam para o sangue, que os leva a todas as partes do corpo (o serviço de entrega que o Capítulo 27 explora). O que não consegue atravessar — fibras, cascas — segue viagem, perde a água no intestino grosso e sai como fezes.

Demonstração. Admitido neste nível.

Observação 25.6 (Por que as dobras e os metros)

Atravessar exige superfície de parede, e o intestino delgado é construído para isso: metros de comprimento e paredes dobradas e redobradas por dentro. Esticada, a superfície de travessia forraria um cômodo pequeno — e está compactada dentro da sua barriga. No corpo, trabalhos grandes ganham superfícies grandes dobradas em pouco espaço.

25.3 Ajudar a digestão a fazer o trabalho dela

Método 25.7 (Hábitos amigos da digestão)

  1. Mastigue direito: o estômago não tem dentes — o que a boca pula, o estômago tem que enfrentar;
  2. coma com calma, em horários regulares;
  3. beba água nas refeições;
  4. coma alimentos ricos em fibras — verduras, frutas, pão integral: a fibra mantém os restos em movimento;
  5. deixe a brincadeira pesada ou a natação para depois de a refeição assentar: um estômago trabalhando duro e pernas trabalhando duro competem entre si.

Exemplo 25.8 (O detetive da dor de barriga)

Almoço devorado às pressas e depois uma corrida: a clássica dor de barriga da tarde. A refeição foi engolida meio mastigada (regra 1 quebrada) e o estômago em plena digestão foi obrigado a entrar numa corrida (regra 5). O conserto não é remédio, é boa educação — com o próprio tubo digestivo.

25.4 Exercícios

Exercício 25.2

O que acontece com o alimento no estômago, e quanto tempo mais ou menos ele fica lá?

Solução

Solução de Exercício 25.2.

Ele é batido pelas paredes musculosas do estômago e misturado com sucos digestivos — durante algumas horas.

Exercício 25.3

O que é a digestão? O que são os nutrientes?

Solução

Solução de Exercício 25.3.

A digestão é a transformação do alimento, ao longo do tubo, em componentes simples e pequenos o bastante para entrar no corpo. Esses componentes são os nutrientes.

Exercício 25.4

Em que parte os nutrientes atravessam para o sangue? O que acontece com o que não consegue atravessar?

Solução

Solução de Exercício 25.4.

No intestino delgado, pelas paredes finas e dobradas dele, para dentro do sangue. O que não consegue atravessar segue para o intestino grosso, perde a água ali e sai do corpo como fezes.

Exercício 25.5

Por que o pão mastigado por muito tempo fica levemente doce?

Solução

Solução de Exercício 25.5.

A saliva já está desmontando o pão em componentes mais simples e mais doces — a digestão começa na boca, e o docinho é o gosto dela.

Exercício 25.6

Por que o intestino delgado é tão comprido e tão dobrado por dentro?

Solução

Solução de Exercício 25.6.

Porque atravessar para o sangue exige superfície de parede: os metros de comprimento e as dobras profundas por dentro compactam uma superfície de travessia enorme — esticada, mais ou menos o carpete de um cômodo pequeno — dentro da barriga.

Exercício 25.7

Dê três hábitos amigos da digestão e o motivo de cada um.

Solução

Solução de Exercício 25.7.

Por exemplo: mastigar direito (o estômago não tem dentes); comer com calma em horários regulares (o tubo trabalha melhor sem pressa); beber água (a digestão funciona molhada); comer fibras (elas mantêm os restos em movimento); descansar depois das refeições grandes (estômago e pernas competem pelo esforço do corpo).

Exercício 25.8

Faça a experiência (à mesa): cronometre a sua próxima refeição. Quanto tempo o seu alimento passa na sua boca — e como isso se compara com os dias que ele tem pela frente?

Solução

Solução de Exercício 25.8.

Resposta aberta. Em geral, bem menos de meia hora na boca — contra um a dois dias para o resto da viagem. A parte da boca é minúscula no tempo e decisiva no efeito: é a única parada com dentes.

Exercício 25.9 ★★

Diagnostique a dor de barriga do Exemplo 25.8: que dois hábitos foram quebrados, e o que você mudaria amanhã?

Solução

Solução de Exercício 25.9.

Quebrados: mastigar direito (o almoço foi devorado meio mastigado) e descansar depois das refeições (uma corrida logo em seguida). Amanhã: comer devagar e deixar a refeição assentar antes de correr.

Exercício 25.10 ★★

“O alimento entra no corpo no instante em que você engole.” Corrija isso com a Proposição 25.5: onde o alimento entra no corpo de verdade, e o que precisa acontecer com ele antes?

Solução

Solução de Exercício 25.10.

O alimento engolido ainda está dentro do tubo — como o buraco de uma rosquinha, ainda não está de verdade dentro do corpo. Ele precisa primeiro ser digerido em nutrientes; só no intestino delgado esses nutrientes atravessam a parede para o sangue. Entrar na boca não é entrar no corpo.

Exercício 25.11 ★★★

O capim da vaca é um alimento bem mais duro que o seu pão — e a vaca tem quatro compartimentos no estômago, mastiga o alimento duas vezes e hospeda seres vivos ajudantes no intestino para desmontar o capim. Usando a Definição 25.3 e a Proposição 10.4, explique por que quem come capim precisa dessa maquinaria mais pesada.

Solução

Solução de Exercício 25.11.

A digestão precisa desmontar o alimento em nutrientes, e o capim é muito mais difícil de desmontar que o pão — fibras duras, pouca coisa boa por bocado (Proposição 10.7). Por isso quem come capim traz uma maquinaria mais pesada: molares trituradores usados duas vezes (ruminando), quatro compartimentos no estômago para um processamento longo e ajudantes no intestino capazes de quebrar o que os próprios sucos dela não conseguem. Entrada mais dura, fábrica maior.

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