Biologia do ensino fundamental · Grades 1–9
31Da flor ao fruto
O Capítulo 16 viu a flor da cerejeira virar cereja e deixou uma pergunta em aberto: o que acontece de verdade quando um grão de pólen pousa no pistilo? Neste ano, munidos da ideia de fecundação do Capítulo 23 e das células do Capítulo 29, podemos abrir direito a maquinaria da flor.
31.1 As flores têm partes masculinas e femininas
Proposição 31.1 (Os dois papéis da flor num só)
A reprodução nas plantas com flor é uma reprodução sexuada, exatamente no sentido da Definição 23.1 — e quase todas as flores carregam os dois papéis ao mesmo tempo:
- os estames são a parte masculina: cada grão de pólen carrega as células reprodutoras masculinas da planta;
- o pistilo é a parte feminina: lá no fundo dele ficam os óvulos, cada um guardando uma célula reprodutora feminina.
As “futuras sementes” da Definição 16.1 agora têm o nome de verdade delas: óvulos, esperando ser fecundados.
Demonstração. Admitido neste nível. ∎
Observação 31.2 (O mesmo plano dos animais)
Células masculinas, células femininas, fecundação: o vocabulário do Capítulo 23 se traduz palavra por palavra. A unidade da vida de novo (Proposição 29.2) — margaridas e golfinhos se reproduzem segundo um mesmo plano de fundo, por mais diferente que a maquinaria pareça.
31.2 Polinização e depois fecundação
Definição 31.3 (Os dois passos)
Fazer uma semente exige dois passos distintos:
- a polinização: um grão de pólen viaja de um estame até o alto de um pistilo — carregado por um inseto (Proposição 16.3) ou pelo vento;
- a fecundação: o grão que pousou faz crescer um tubo fininho para baixo, dentro do pistilo; por ele, a célula masculina chega a um óvulo e se junta à célula reprodutora feminina.
A polinização é a viagem; a fecundação é o encontro.
Exemplo 31.4 (Por que as flores não visitadas caem)
A regra do pomar da Observação 16.5 agora tem o mecanismo dela: sem visita, não há pólen no pistilo; sem pólen, não há tubo nem fecundação; e uma flor não fecundada murcha inteira — sem pistilo inchando, sem cereja. O passo que faltou era invisível, a viagem de uma célula por um tubo — mas o galho vazio em julho é bem visível.
31.3 Depois do encontro: semente e fruto
Proposição 31.5 (No que cada parte se transforma)
Depois da fecundação, a transformação da Proposição 16.3 acontece com uma precisão nova:
- cada óvulo fecundado vira uma semente — a plantinha dentro dele (Definição 9.1) cresce a partir da célula reprodutora feminina fecundada, exatamente como um animal cresce a partir da dele (Exemplo 29.8);
- o pistilo em volta desses óvulos incha e vira o fruto;
- as pétalas e os estames, com o trabalho feito, murcham e caem.
Demonstração. Admitido neste nível. ∎
Exemplo 31.6 (Contando caroços)
Corte uma maçã de través: cinco compartimentozinhos, com alguns caroços em cada um. Cada caroço é um óvulo que foi alcançado por um tubo polínico. Uma maçã torta, com compartimentos vazios de um lado, conta a história de uma flor mal polinizada — pousaram grãos de menos para fecundar todos os óvulos, e o fruto inchou desigual.
Exemplo 31.7 (Pólen levado pelo vento)
As gramíneas, o trigo e a aveleira não têm pétalas, nem perfume, nem néctar — nada a oferecer a visitantes. O pólen deles pega carona no vento: feito em quantidades enormes, fino como poeira, jogado no ar para pousar onde a sorte levar. A estratégia troca precisão por quantidade — a lógica da nuvem de esporos da Observação 24.4, jogada com pólen. (É esse pólen no ar que, de passagem, faz coçar os narizes alérgicos em junho.)
Método 31.8 (Diagnosticar uma planta sem frutos)
Uma planta floresceu bem, mas não dá frutos. Pergunte em ordem:
- Os polinizadores chegaram até ela? (Dentro de casa, coberta por tela, sem insetos por perto, semanas frias e chuvosas na época da floração?)
- Se não chegaram, polinize à mão: encoste um pincel macio nos estames de uma flor e depois no pistilo de outra;
- será que a geada ou algum estrago matou as flores antes de os óvulos poderem ser fecundados (Exercício 16.9)?
- Se agora os frutos vingarem, a maquinaria da planta estava boa — só a viagem do passo 1 é que tinha falhado.
31.4 Exercícios
Exercício 31.1 ★
Que parte da flor é masculina, e o que ela fabrica? Qual é a feminina, e o que fica dentro dela?
Exercício 31.2 ★
Defina polinização e fecundação, e diga qual vem primeiro.
Solução
Solução de Exercício 31.2.
Polinização: um grão de pólen viaja de um estame até o alto de um pistilo. Fecundação: o tubo do grão leva a célula masculina até um óvulo, onde ela se junta à célula reprodutora feminina. A polinização vem primeiro — a viagem antes do encontro.
Exercício 31.3 ★
Conte a viagem de um grão de pólen, do estame até a célula reprodutora feminina, em quatro passos.
Solução
Solução de Exercício 31.3.
Fabricado num estame; carregado (por inseto ou pelo vento) até o alto de um pistilo — polinização; faz crescer um tubo fininho para baixo, dentro do pistilo; a célula masculina dele chega a um óvulo e se junta à célula reprodutora feminina — fecundação.
Exercício 31.4 ★
Depois da fecundação: no que cada óvulo fecundado se transforma? No que o pistilo se transforma? O que acontece com as pétalas?
Exercício 31.5 ★
O que é cada caroço de maçã, no vocabulário deste capítulo? O que uma maçã torta com compartimentos vazios conta?
Exercício 31.6 ★
Como as gramíneas e as aveleiras polinizam sem pétalas, perfume nem néctar? Qual é o custo do método delas?
Solução
Solução de Exercício 31.6.
O pólen deles pega carona no vento: fino como poeira, feito em quantidades enormes, jogado no ar. O custo é o desperdício — quase todo grão pousa em lugar nenhum de útil, então a quantidade precisa substituir a precisão.
Exercício 31.7 ★
Por que uma flor que nenhum inseto visitou em geral não dá fruto? Diga o passo que faltou.
Solução
Solução de Exercício 31.7.
Sem visita, não há pólen no pistilo — a polinização, que é o primeiro passo, nunca aconteceu, então nenhum tubo cresceu e nenhum óvulo foi fecundado; a flor murcha inteira.
Exercício 31.8 ★
Faça a experiência (com uma planta de varanda ou de peitoril que esteja florida): polinize duas flores à mão com um pincel macio, como no Método 31.8, e marque essas flores com um fio. As flores marcadas dão fruto com mais frequência que as outras?
Solução
Solução de Exercício 31.8.
Resposta aberta. Esperado: as flores polinizadas à mão e marcadas com fio vingam bem mais vezes — o pincel fez o trabalho da abelha.
Exercício 31.9 ★★
Liste os paralelos entre a reprodução das plantas e a dos animais: células masculinas, células reprodutoras femininas, fecundação, primeira célula do novo indivíduo. Onde mora cada um desses itens, no caso da flor?
Solução
Solução de Exercício 31.9.
Células masculinas: nos grãos de pólen dos estames. Células reprodutoras femininas: nos óvulos dentro do pistilo. Fecundação: no fundo do tubo polínico, dentro do óvulo. Primeira célula do novo indivíduo: a célula reprodutora feminina fecundada, dentro do óvulo — que cresce e vira a plantinha da semente, como um animal cresce a partir da primeira célula dele.
Exercício 31.10 ★★
A primavera de quem cultiva cerejeiras foi fria e chuvosa: as abelhas quase não voaram durante duas semanas, embora não tenha havido geada e as árvores tenham florido magnificamente. Preveja a colheita de julho e explique com a Definição 31.3.
Solução
Solução de Exercício 31.10.
Uma colheita fraca — quase todas as flores caíram sem fruto. A maquinaria estava boa e as flores, intactas; o que falhou foi o passo 1, a polinização: durante duas semanas decisivas os entregadores ficaram em casa, então quase nenhum pistilo recebeu pólen e quase nenhum óvulo foi fecundado.
Exercício 31.11 ★★★
Quem cultiva tomate em estufa instala uma colmeia de mamangavas dentro dela, mesmo que nenhuma flor de fora possa ser alcançada desde a estufa fechada. Usando este capítulo, explique exatamente que serviço as mamangavas vendem — e por que ventiladores soprando ar sobre as plantas podem substituí-las em parte no caso do tomate (cujo pólen se solta com a sacudida), enquanto no caso das cerejeiras não poderiam.
Solução
Solução de Exercício 31.11.
As mamangavas vendem polinização — o passo do transporte: levar o pólen dos estames até os pistilos dentro de um prédio em que nenhum polinizador de fora consegue entrar. O pólen do tomate se solta com facilidade, então a vibração e o ar em movimento de um ventilador conseguem fazer um transporte grosseiro dentro de cada flor — um entregador mecânico. Já o pólen da cerejeira precisa viajar de árvore em árvore, de flor em flor, com uma precisão que só um corpo que visita as flores uma a uma oferece; o vento num galpão não sabe mirar, então, para as cerejeiras, o entregador vivo não tem substituto barato.