Physics · Livro 1 · Grades 1–9

Física do ensino fundamental

Física do ensino fundamental · Grades 1–9

47Circuitos: voltas, série, paralelo

Quatro anos de circuitos encheram a sua caixa de ferramentas: voltas, esquemas, as duas grandes ligações. Mas um personagem trabalhou sem nome esse tempo todo — aquilo que flui. Neste ano ele recebe o nome, o sentido e a propriedade mais estranha dele: ele nunca é gasto. Com a corrente em cena, série e paralelo deixam de ser receitas e viram leis.

47.1 A corrente entra em cena

Definição 47.1 (Corrente elétrica)

A corrente elétrica é o fluxo que corre por um circuito fechado: uma multidão de partículas carregadas — inimaginavelmente numerosas, inimaginavelmente pequenas, primas do mundo molecular — postas a marchar pelo metal dos fios pelo empurrão da pilha. Sem volta, sem marcha: a corrente só existe enquanto a estrada está fechada. (O que exatamente são os marchadores, e como um metal os deixa passar, é uma bela história reservada para os últimos anos deste livro.)

Proposição 47.2 (O sentido convencional)

Por convenção mundial, os esquemas elétricos marcam a corrente como saindo do terminal ++ da pilha, por fora dela, dando a volta pelo circuito, até o terminal -. Toda seta de todo esquema do mundo obedece a essa convenção — escolhida muito antes de alguém poder perguntar aos próprios marchadores. (Quando a física enfim pôde perguntar, a resposta guardava uma pequena piada famosa, guardada para um ano mais adiante.)

A convenção que todo eletricista da Terra compartilha: as setas da corrente saem do + da pilha, passeiam pela volta e retornam pelo -.
A convenção que todo eletricista da Terra compartilha: as setas da corrente saem do ++ da pilha, passeiam pela volta e retornam pelo -.

Proposição 47.3 (A corrente não é consumida)

Os dispositivos não comem a corrente. Toda corrente que entra numa lâmpada, num motor ou numa campainha sai inteira, marchando adiante: o que o dispositivo pega é energia da reserva da pilha, entregue pela marcha que passa. Numa volta em série, portanto, uma única e mesma corrente flui por todos os dispositivos — volta para a pilha tanto quanto saiu dela.

Exemplo 47.4 (A ideia errada em julgamento)

O erro tentador: “a primeira lâmpada gasta um pouco de corrente, então a segunda tem de brilhar mais fraco”. O próprio circuito o refuta. Ligue duas lâmpadas iguais em série e observe: as duas brilham exatamente com o mesmo brilho — e trocá-las de lugar não muda nada. Se a corrente fosse consumida no caminho, a lâmpada dois deveria ser sempre a mais fraca, seja qual for a lâmpada colocada ali. Nunca é. A corrente chega inteira; o que a dupla reparte é o empurrão da pilha, e é por isso que as duas são mais fracas que uma lâmpada sozinha — igualmente mais fracas.

47.2 As duas famílias, como leis

Proposição 47.5 (A lei da série)

Num circuito em série — uma única volta — a mesma corrente flui por todos os dispositivos: uma estrada, uma marcha, sem exceção. Consequências, agora explicadas: uma falha para a marcha em toda parte ao mesmo tempo; dispositivos iguais repartem o trabalho por igual, esteja cada um onde estiver; e a ordem dos dispositivos na volta não pode importar para uma marcha que atravessa todos eles do mesmo jeito.

Proposição 47.6 (A lei do paralelo)

Num , a corrente se divide: uma parte da marcha entra em cada ramo, e as partes se juntam de novo, completas, no distante — nada perdido, nada ganho. Cada ramo recebe o empurrão inteiro da pilha, então cada dispositivo funciona como se estivesse sozinho; e um ramo bloqueado apenas não manda ninguém, enquanto os outros ramos continuam marchando.

A lei do paralelo desenhada: a marcha se divide no primeiro nó, cada parte percorre o seu ramo, e a marcha completa se remonta no segundo.
A lei do paralelo desenhada: a marcha se divide no primeiro , cada parte percorre o seu ramo, e a marcha completa se remonta no segundo.

Exemplo 47.7 (Ler o brilho como um eletricista)

Uma pilha, lâmpadas iguais. Sozinha: brilho total — a referência. Duas em série: as duas igualmente fracas — uma marcha, empurrão repartido. Duas em paralelo: as duas no brilho total — cada ramo aproveita o empurrão inteiro (e a pilha se esvazia mais ou menos duas vezes mais depressa: nada é de graça). Três em série: mais fracas ainda, todas iguais. O olhar do eletricista: conte os companheiros de volta para saber a fraqueza, conte os ramos para saber a conta da pilha.

Método 47.8 (Prever o destino de qualquer lâmpada)

Diante de um esquema, para cada lâmpada:

  1. Existência: há pelo menos uma volta sem interrupção do ++ até o - passando por esta lâmpada? Sem volta, sem luz.
  2. Companhia na estrada: quais dispositivos compartilham todas as voltas que passam por esta lâmpada? Esses são os companheiros de série dela — mais companheiros, brilho mais fraco.
  3. Vizinhos de ramo: quais dispositivos ficam em outros ramos? Eles nem enfraquecem esta lâmpada nem apagam junto com ela.
  4. Interruptores: um interruptor aberto mata exatamente as voltas em que ele está — refaça o passo 1 sem elas.

Observação 47.9 (Por que a ideia errada custa a morrer)

“Alguma coisa tem de ser gasta — a pilha se esvazia!” Verdade: a energia armazenada da pilha é gasta, entregue às lâmpadas como luz e calor pela marcha que passa. Mas os próprios marchadores circulam ilesos, como as cadeiras de um teleférico levando esquiadores morro acima o dia inteiro sem que uma cadeira sequer seja consumida. Mantenha as duas contabilidades separadas — a corrente circula, a energia é entregue — e todo circuito deste livro continua honesto. O instrumento que conta a própria marcha se junta a nós no ano que vem.

47.3 Exercícios

Exercício 47.1

O que é a corrente elétrica? Quando ela existe num circuito, e quando não existe?

Solução

Solução de Exercício 47.1.

É o fluxo de partículas carregadas marchando pelo circuito sob o empurrão da pilha. Ela só existe enquanto pelo menos uma volta fechada une os dois terminais; abra a volta e a marcha para em toda parte ao mesmo tempo.

Exercício 47.2

Enuncie o sentido convencional da corrente. Num esquema de uma volta com uma lâmpada, para onde as setas apontam?

Solução

Solução de Exercício 47.2.

Por fora da pilha, do ++ pela volta até o -. Na volta de uma lâmpada, as setas saem do ++, atravessam a lâmpada e voltam ao -.

Exercício 47.3

Duas lâmpadas iguais em série brilham exatamente igual. Qual erro popular essa igualdade refuta, e como?

Solução

Solução de Exercício 47.3.

O erro de achar que os dispositivos consomem corrente, e que por isso as lâmpadas “de baixo” deveriam brilhar mais fraco. O brilho igual — que sobrevive a qualquer troca — mostra que a mesma corrente inteira passa pelas duas: nada é comido no caminho.

Exercício 47.4

Numa volta em série com um motor e uma lâmpada, compara-se a corrente que passa pelo motor com a que passa pela lâmpada. O que a lei da série diz?

Solução

Solução de Exercício 47.4.

São uma única e mesma corrente: uma volta só carrega uma marcha só por todos os dispositivos que estão nela.

Exercício 47.5

O que acontece com a corrente no primeiro de um circuito em paralelo? E no segundo? O que é verdade sobre a parte do empurrão da pilha que cabe a cada ramo?

Solução

Solução de Exercício 47.5.

Ela se divide — uma parte da marcha entra em cada ramo — e no segundo as partes se juntam de novo, completas. Todo ramo aproveita o empurrão inteiro da pilha.

Exercício 47.6

Uma pilha, lâmpadas iguais: coloque em ordem o brilho de uma lâmpada — sozinha; com um companheiro em série; com um vizinho em paralelo; com dois companheiros em série.

Solução

Solução de Exercício 47.6.

Sozinha == com um vizinho em paralelo (brilho total), depois com um companheiro em série (fraca), depois com dois companheiros em série (mais fraca ainda).

Exercício 47.7

Qual arranjo esvazia a pilha mais depressa: duas lâmpadas em série ou as mesmas duas em paralelo? Por quê, na linguagem da marcha?

Solução

Solução de Exercício 47.7.

O paralelo: dois ramos, cada um puxando uma marcha inteira, dobram a entrega total da pilha, enquanto a dupla em série manda uma única marcha estrangulada pelas duas. O brilho total é pago na pilha.

Exercício 47.8

Explique a imagem do teleférico da Observação 47.9: o que faz o papel das cadeiras, o que faz o papel dos esquiadores e o que realmente acaba?

Solução

Solução de Exercício 47.8.

As cadeiras são os marchadores carregados, que circulam sem fim e nunca são consumidos; os esquiadores são a energia, embarcada na pilha e desembarcada nas lâmpadas como luz e calor. O que acaba é o estoque de esquiadores da estação — a energia armazenada da pilha.

Exercício 47.9 ★★

Um esquema: pilha, interruptor e depois a lâmpada A; depois de A um manda dois ramos — a lâmpada B num deles, a lâmpada C no outro — que se juntam antes de voltar à pilha. Usando o Método 47.8: quem são os companheiros de série de A? O que o brilho de A faz quando o ramo de C é cortado?

Solução

Solução de Exercício 47.9.

Toda volta que passa por A passa pelo interruptor e depois por B ou por C — então os companheiros de série de A são o interruptor e o par de ramos como um todo, mas nem B nem C sozinhos. Cortar o ramo de C manda a marcha inteira por B: A continua acesa (de um jeito um pouco diferente — uma estrada em vez de duas — como os instrumentos do ano que vem vão medir).

Exercício 47.10 ★★

Umas luzinhas decorativas pedem um projeto: dez lâmpadas que brilhem todas no brilho total, de forma independente, a partir de uma única fonte — mas o conjunto inteiro precisa obedecer a um único interruptor geral. Desenhe ou descreva a ligação, citando as duas leis.

Solução

Solução de Exercício 47.10.

Um interruptor geral na estrada comum, logo depois da fonte, e depois dez ramos em paralelo, com uma lâmpada cada. A lei do paralelo concede brilho total e independente a cada lâmpada; a posição em série do geral — na estrada que todas as voltas compartilham — deixa um único interruptor mandar nas dez.

Exercício 47.11 ★★

No circuito em paralelo de duas lâmpadas, o ramo da lâmpada 1 é de fio grosso de cobre, enquanto o ramo da lâmpada 2 inclui um fio comprido e fino. A lâmpada 2 brilha um pouco mais fraco. O que isso sugere sobre como a própria estrada de um ramo pode estrangular a parte da marcha que cabe a ele? (O ano que vem dá a esse estrangulamento um nome e uma lei.)

Solução

Solução de Exercício 47.11.

A divisão no não é uma partilha igual: a própria estrada de um ramo pode resistir à marcha, e o fio comprido e fino estrangula a parte daquele ramo — menos marchadores por segundo, brilho mais fraco. As próprias estradas lutam contra a corrente: é a ideia por trás da resistência do ano que vem.

Exercício 47.12 ★★★

Uma pilha alimenta dois ramos em paralelo: o ramo um contém a lâmpada X sozinha; o ramo dois contém as lâmpadas Y e Z em série. Compare os brilhos das três lâmpadas, em ordem, com justificativas das duas leis. Depois preveja o destino de cada lâmpada se Z queimar — e se, em vez disso, X queimar.

Solução

Solução de Exercício 47.12.

X, sozinha no ramo dela, recebe o empurrão inteiro: a mais brilhante. Y e Z repartem em série o empurrão do ramo delas: igualmente fracas, as duas abaixo de X. Se Z queimar, a volta dela se rompe: Y apaga junto — X continua acesa, indiferente. Se X queimar, morre só o ramo de X: Y e Z continuam, fracas como antes.

47.4 Problema: O painel do faroleiro

Problema 47.1

Problema de fim de semana — refazendo a instalação do velho farol; um banco de pilhas, muitas tarefas; a noite de defeitos do faroleiro

O banco de pilhas do farol precisa alimentar: a grande lâmpada, uma sirene de neblina (uma campainha possante), a luz de leitura do faroleiro e a luz da escada — e sobreviver à noite de investigação dele.

Parte I — Projeto.

  1. A grande lâmpada nunca pode enfraquecer porque outra coisa foi ligada. Que tipo de ligação isso exige para a instalação inteira, e por que qualquer emparelhamento em série trairia os navios?
  2. Cada tarefa precisa do próprio interruptor, e o faroleiro quer um corte geral para as tempestades. Posicione os cinco interruptores.
  3. A sirene de neblina e a luz da escada nunca podem ser impedidas de funcionar pelos defeitos uma da outra. Isso já está garantido? Por qual lei?
  4. Esboce ou descreva o esquema completo: banco, interruptor geral, quatro ramos, quatro interruptores de ramo.

Parte II — As perguntas do faroleiro.

  1. O faroleiro se preocupa: “Quatro tarefas bebendo ao mesmo tempo — cada ramo ainda recebe o empurrão inteiro do banco?” Responda com a lei do paralelo.
  2. “E a corrente está sendo gasta enquanto trabalha na grande lâmpada?” Corrija o faroleiro, com o teleférico se ajudar.
  3. Numa noite de neblina tudo funciona ao mesmo tempo. Qual é o preço da generosidade do paralelo, e em que parte do farol ele é pago?
  4. Só a luz de leitura está acesa; com espírito de medidor, o faroleiro acompanha a marcha: descreva a viagem completa de ida e volta dela, dizendo cada componente por que ela passa e cada um que ela evita.

Parte III — A noite dos defeitos.

  1. Meia-noite: a lâmpada da escada queima. O que mais apaga? Qual lei responde?
  2. Uma hora: um conserto desastrado deixa um trecho de fio nu ligando diretamente os dois terminais do banco, antes de todos os ramos. Diga o nome do acontecimento e explique por que agora todas as tarefas do farol falham ao mesmo tempo — para onde vai a marcha?
  3. Duas horas, defeito resolvido: o faroleiro quer a grande lâmpada protegida, para que um atalho desses nunca mais possa silenciá-la. Há um segundo banco de pilhas independente disponível. Proponha a ligação.
  4. Amanhecer: escreva o diário do faroleiro — três frases: qual lei manteve os navios seguros esta noite, qual ideia errada a noite refutou e qual único fio causou a pior hora.
Solução

Solução de Problema 47.1.

1. Quatro ramos em paralelo, uma tarefa em cada: em paralelo, cada ramo trabalha na força total, façam os outros o que fizerem. Qualquer emparelhamento em série deixaria o interruptor de uma luminária de leitura ou uma lâmpada de escada queimada enfraquecer ou apagar a grande lâmpada — imperdoável. 2. O geral na estrada comum, logo depois do banco; cada um dos quatro interruptores de ramo em série com a tarefa dele, dentro do ramo. 3. Está — pela lei do paralelo: uma falha num ramo para apenas a parte daquele ramo; os outros seguem marchando. 4. Banco, interruptor geral e depois um que se divide em quatro ramos — (grande lâmpada ++ interruptor), (sirene ++ interruptor), (luz de leitura ++ interruptor), (luz da escada ++ interruptor) — juntando-se de novo e voltando ao banco. 5. Sim: todo ramo liga os dois lados do banco, então cada um recebe o empurrão inteiro, não importa quantos vizinhos estejam bebendo ao lado. 6. Não: a corrente que passa pela lâmpada sai dela inteira — as cadeiras circulam sem serem comidas. O que a lâmpada pega é energia da reserva do banco, entregue pela marcha que passa. 7. Quatro marchas inteiras ao mesmo tempo: a energia do banco escoa depressa com quatro tarefas. A conta é paga na sala das pilhas — em energia armazenada, nunca em corrente perdida. 8. Sai do ++ do banco, passa pelo interruptor geral e vai até o ; entra no ramo da luz de leitura, atravessa o interruptor fechado dele e a luminária; passa pelo em que os outros três ramos (apagados) se juntam; volta ao - do banco. Ela evita por completo os ramos da grande lâmpada, da sirene e da escada. 9. Nada além dela — só o ramo da escada morre junto com a lâmpada dele: é a independência da lei do paralelo. 10. Um curto-circuito antes de todos os ramos. A marcha abandona todas as estradas úteis pelo atalho nu e sem esforço: as lâmpadas e a sirene passam fome enquanto o fio-atalho carrega uma disparada selvagem e esquentando — todas as tarefas falham ao mesmo tempo até o fio ser retirado. 11. Dê à grande lâmpada uma volta independente no segundo banco: banco dois, o interruptor próprio dele, a grande lâmpada — sem compartilhar fio nenhum com o painel geral. Um atalho no banco um então silencia tudo menos a luz dos navios. 12. Por exemplo: “A lei do paralelo manteve cada tarefa soberana esta noite. A noite refutou, mais uma vez, a crença de que as lâmpadas devoram corrente — a marcha voltou inteira mesmo enquanto os bancos se esvaziavam. E um único fio nu, em curto com o banco, nos custou a pior hora: todas as estradas vazias enquanto o atalho queimava.”

Termos definidos neste capítulo

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