Física do ensino fundamental · Grades 1–9
44Densidade: por que as coisas flutuam
No seu primeiro ano, uma moedinha afundou enquanto um tronco enorme flutuava, e prometemos que o “porquê” era um tesouro deste curso. Você o conquistou. A chave foi forjada ao longo de dois capítulos — a massa para o material, o volume para o espaço — e hoje as duas giram juntas na fechadura.
44.1 A massa de um centímetro cúbico
Exemplo 44.1 (Enfim uma comparação justa)
Comparar um tronco inteiro com uma moeda inteira nunca foi justo: tamanhos diferentes, formatos diferentes. A disputa justa toma volumes iguais: um centímetro cúbico de cada concorrente. Um de água tem massa de . Um de carvalho: cerca de . De pedra: cerca de . De ferro: . Espaços iguais, materiais loucamente desiguais — esse é o número que o jogo da flutuação estava esperando.
Definição 44.2 (Densidade)
A densidade de uma substância é a massa de um centímetro cúbico dela, em gramas. A densidade da água é de por ; a do carvalho, cerca de ; a do ferro, . Para encontrar uma densidade, não é preciso nenhum instrumento novo: meça a massa e o volume de uma amostra e depois divida — reparta os gramas igualmente entre os centímetros cúbicos, e a resposta é a cota de cada centímetro.
Proposição 44.3 (A densidade é uma assinatura)
A densidade de uma substância pura é a mesma para qualquer pedaço dela, grande ou pequeno: uma lasca de carvalho e uma viga inteira carregam ambas cerca de em cada centímetro cúbico. Por isso a densidade identifica substâncias, como fazem os pontos de fusão: meça a massa e o volume de um objeto misterioso, divida e compare com a tabela — muitas vezes a substância confessa na hora.
Método 44.4 (Medir uma densidade)
Para um seixo — ou uma coroa:
- meça a massa dele com a balança: digamos ;
- meça o volume dele pela subida da água: digamos ;
- divida os gramas pelos centímetros cúbicos: — cada centímetro cúbico carrega ;
- consulte a tabela: densidade — o nosso seixo é pedra comum.
44.2 A regra da flutuação
Proposição 44.5 (Por que as coisas flutuam)
Um objeto flutua na água se a densidade dele for menor que a da água — menor que por centímetro cúbico — e afunda se a densidade dele for maior. A água, por assim dizer, compara o intruso consigo mesma, espaço por espaço: quem é mais leve que eu por espaço passeia em cima; quem é mais pesado por espaço desce. A mesma regra governa qualquer líquido, cada um com a própria densidade como juiz.
Exemplo 44.6 (Seis anos de enigmas, resolvidos)
O tronco (): flutua, por maior que seja — cada centímetro cúbico dele oferece menos que a água. A moeda (bronze, perto de ): afunda, por menor que seja. O patinho de plástico, a rolha, o lápis: abaixo de , todos flutuadores. O gelo, com — o sólido inchado da própria água — flutua no próprio líquido por um fio, e é por isso que os lagos usam tampa e os icebergs navegam. E o barquinho de massinha? Modelado como tigela, o pacote barco mais ar guarda muito ar por espaço: a densidade do pacote cai abaixo de , e lá no porto o mesmo truque lança navios de aço de dez mil toneladas.
Exemplo 44.7 (A torre de líquidos)
Despeje mel, depois água tingida com tinta e depois óleo, com cuidado, pela parede de um copo alto: três camadas, o mel () no fundo, o óleo () em cima, recusando-se a misturar as suas patentes. Solte convidados lá dentro: uma uva () afunda pelo óleo, afunda pela água e descansa sobre o mel — mais densa que dois andares, mais leve que o terceiro. A torre é a regra da flutuação encenada como teatro.
Observação 44.8 (Lendo o iceberg)
O do gelo contra o da água faz mais do que fazer o iceberg flutuar: ele define a linha da água. Nove décimos do volume de um iceberg viajam abaixo da superfície — a famosa massa escondida que afundou navios orgulhosos. Explicar exatamente por que a fração submersa acompanha a razão das densidades é uma bela lei do próprio cientista da banheira antiga, provada com honestidade no volume do ensino médio; a tabela de densidades já sussurra a resposta.
44.3 A coroa, enfim
Exemplo 44.9 (Arquimedes encerra o caso)
Agora termine a história começada dois capítulos atrás. A massa da coroa: fácil, a balança dá. O volume dela: impossível para uma obra-prima cheia de saliências — até a lição da banheira dar o método da subida. Massa dividida pelo volume: a densidade da coroa — e densidade é assinatura. O ouro puro assina ; a prata assina ; uma mistura secreta assina algo entre os dois. A lenda conta que a coroa do ourives confessou uma densidade bem abaixo da do ouro, e a fraude foi exposta sem um arranhão na coroa. O problema de fim de semana entrega a você os números dele.
44.4 Exercícios
Exercício 44.1 ★
O que é a densidade de uma substância? Dê a da água e enuncie a regra da flutuação.
Solução
Solução de Exercício 44.1.
A massa de um centímetro cúbico da substância, em gramas; a da água é por . A regra: menos denso que a água flutua, mais denso afunda.
Exercício 44.2 ★
Preveja se flutua ou afunda na água: carvalho (); pedra (); cortiça (); ferro (); gelo ().
Exercício 44.3 ★
Um bloco tem massa de e volume de . Encontre a densidade dele. Flutua ou afunda?
Exercício 44.4 ★
Um pedaço misterioso: massa , subida na proveta . Qual é a densidade dele — e, pelos números do capítulo, qual é a substância provável?
Solução
Solução de Exercício 44.4.
: a assinatura do ferro.
Exercício 44.5 ★
Por que a densidade de uma lasca de carvalho é a mesma de uma viga inteira de carvalho? Para que serve essa propriedade?
Solução
Solução de Exercício 44.5.
A densidade pertence à substância, e não ao pedaço: cada centímetro cúbico de carvalho carrega a mesma cota de gramas, seja lasca ou viga. É isso que faz da densidade uma carteira de identidade para substâncias desconhecidas.
Exercício 44.6 ★
Na torre de líquidos, por que o mel fica no fundo e o óleo em cima? Onde uma uva de densidade vai parar?
Exercício 44.7 ★
O gelo flutua na água — por que isso é estranho para um sólido, e qual proposição antiga sobre a água congelando explica o ?
Exercício 44.8 ★
O tronco enorme e a moedinha do seu primeiro ano: dê a resposta final e completa, com os números do capítulo.
Solução
Solução de Exercício 44.8.
A madeira assina cerca de : cada centímetro cúbico do tronco oferece menos que de água, então o tronco flutua por maior que seja. O bronze assina perto de : cada centímetro cúbico da moeda oferece mais que a água, então ela afunda por menor que seja. O tamanho nunca importou; a massa por espaço sempre importou.
Exercício 44.9 ★★
Um litro de certo líquido tem massa de . Qual é a densidade dele em gramas por centímetro cúbico? Um cubo de gelo () vai flutuar ou afundar nele?
Solução
Solução de Exercício 44.9.
, então grama por centímetro cúbico. O gelo, com , é mais denso que esse líquido: o cubo de gelo afunda nele.
Exercício 44.10 ★★
O aço assina e, mesmo assim, os navios de aço flutuam. Resolva o paradoxo com a ideia do pacote do Exemplo 44.6 — o que pertence ao pacote do navio além do aço, e qual precisa ser a densidade geral dele? Quando um navio com um rombo deixa de satisfazer a regra?
Solução
Solução de Exercício 44.10.
O pacote que flutua é o casco inteiro: a casca de aço mais o enorme volume de ar que ela encerra. Na média de todo esse espaço, a densidade do pacote cai abaixo de , e a regra manda flutuar. Um rombo deixa a água substituir o ar: a densidade do pacote sobe na direção da do próprio aço, passa de — e a regra, impassível, manda afundar.
Exercício 44.11 ★★
A água do mar é um pouco mais densa que a água doce — cerca de . Explique por que os nadadores flutuam nitidamente melhor no mar e preveja o que acontece com a linha d’água de um navio quando ele sai do mar salgado e entra num rio de água doce.
Exercício 44.12 ★★★
Uma esfera oca de metal flutua exatamente com metade submersa. Deduza a densidade do pacote esfera inteira (casca de metal mais o ar de dentro). Depois argumente para que lado ela se move se a água for vazando para dentro, e em que momento ela começa a afundar — a regra e o pacote, trabalhando juntos.
Solução
Solução de Exercício 44.12.
Com metade submersa, a esfera fica exatamente tão fundo na água quanto deve ficar um pacote com metade da densidade da água: a casca mais o ar dão na média cerca de grama por centímetro cúbico — o ar escondido fazendo quase todo o trabalho de aliviar. Conforme a água vaza para dentro, ela substitui o ar, a densidade média do pacote sobe e a esfera afunda cada vez mais; no instante em que a média passa do da água, a regra da flutuação troca de lado e a esfera vai ao fundo.
44.5 Problema: A coroa do rei
Problema 44.1
Problema de fim de semana — o caso da coroa do rei, reaberto com os seus instrumentos; o julgamento do ourives, resolvido por uma divisão
Reabra o caso de fraude mais famoso da Antiguidade com números modernos. Assinaturas: ouro , prata (gramas por centímetro cúbico).
Parte I — As provas. O rei entregou ao ourives de ouro puro. A coroa pronta, na balança: exatamente.
- A massa bate perfeitamente. Por que isso sozinho não prova nada sobre a fraude? (O que o ourives poderia ter feito e ainda assim bater a massa?)
- Que volume de ouro puro deveriam ocupar? (Reparta os gramas: quantos centímetros cúbicos a cada um?)
- Arquimedes mergulha a coroa num recipiente cheio até a borda e recolhe o transbordamento: . Qual é o volume verdadeiro da coroa?
- Compare os dois volumes. O que essa comparação já grita?
Parte II — A assinatura.
- Calcule a densidade da coroa a partir da massa e do volume medido dela (uma casa decimal basta).
- Ponha as três assinaturas lado a lado: ouro, coroa, prata. Onde a coroa cai?
- Explique ao rei, em uma frase, por que a coroa não pode ser de ouro puro.
- O ourives protesta: “Talvez a balança tenha errado!” Conceda a ele um erro generoso de para mais ou para menos. Alguma massa entre e salva uma coroa de ouro puro de volume ? (Confira a faixa de densidades.)
Parte III — Quanto foi roubado? Suponha que o ourives tenha guardado um pouco de ouro e o substituído, grama por grama, por prata.
- Por que trocar ouro por prata, grama por grama, mantém a massa certa mas incha o volume?
- Teste um palpite: uma coroa de de ouro de prata. Qual é o volume da parte de ouro? E o da parte de prata? (Uma casa decimal.)
- Some o volume da coroa palpitada e julgue o palpite diante dos medidos: prata demais ou prata de menos?
- O tribunal precisa de uma frase de veredito: diga o que ficou provado sem dúvida (ouro puro ou não), qual foi o método e por que a coroa nunca precisou ser danificada — o verdadeiro triunfo de Arquimedes.
Solução
Solução de Problema 44.1.
1. Nada: trocar ouro por uma massa igual de prata deixa a balança feliz — a massa sozinha não enxerga a substituição. 2. . 3. — o transbordamento é o volume da coroa, por deslocamento. 4. A coroa ocupa a mais de espaço do que ouro puro da massa dela deveria ocupar: alguma coisa mais volumosa que o ouro se esconde lá dentro. 5. . 6. Ouro — coroa — prata : a coroa cai entre as duas assinaturas. 7. “Majestade, cada centímetro cúbico de ouro puro carrega ; a sua coroa carrega apenas uns — de ouro puro ela não é.” 8. A faixa dá densidades de até — nem perto de : nenhum erro plausível de balança salva o ourives. 9. A prata é menos densa: cada grama de ouro roubado foi devolvido como um grama de prata que precisa de mais espaço — a troca grama por grama preserva a massa e infla o volume. 10. Parte de ouro: ; parte de prata: . 11. Total — mais que os medidos: o palpite meio a meio usou prata demais; o roubo verdadeiro foi menor (o volume medido fica entre e ). 12. “Provado: a coroa não é de ouro puro. Método: a massa dela repartida pelo volume medido com água dá uma densidade muito abaixo da assinatura imutável do ouro. E a coroa nunca precisou nem de um arranhão: a água leu o segredo dela por fora — esse é o triunfo.”