Physics · Livro 1 · Grades 1–9

Física do ensino fundamental

Física do ensino fundamental · Grades 1–9

39A água em todos os seus estados

Você persegue a água pelos estados dela desde o segundo ano de escola: gelo, água, vapor; bonecos de neve derretendo e janelas embaçadas. Neste ano a perseguição vira contabilidade. Quando o gelo derrete, alguma quantidade de material se perde? Quando a água congela, por que os canos estouram? Com balanças e provetas na mão, auditamos os três estados da água.

39.1 Os três estados, com nomes de gente grande

Definição 39.1 (As seis mudanças de estado)

Entre os seus três estados, a água tem seis portas, cada uma com o seu nome científico:

  1. sólido \to líquido: fusão; líquido \to sólido: solidificação (congelamento);
  2. líquido \to gasoso: vaporização — ruidosa e rápida na fervura, quieta e fria como evaporação; gasoso \to líquido: condensação;
  3. sólido \to gasoso diretamente: sublimação, e gasoso \to sólido diretamente — portas mais raras, mas reais: as penas de geada numa janela congelante crescem direto do vapor invisível, pulando por completo o estado líquido.
As seis portas da água, com os nomes próprios delas. O calor comanda as portas vermelhas; o frio comanda as azuis.
As seis portas da água, com os nomes próprios delas. O calor comanda as portas vermelhas; o frio comanda as azuis.

Exemplo 39.2 (Portas por toda parte)

A geada da manhã derretendo no capim; a roupa evaporando no varal; um espelho frio condensando o vapor do seu banho; o congelador solidificando os cubos de gelo de amanhã; as penas de geada crescidas durante a noite na vidraça. Uma substância, seis portas, todas dentro de um dia de vida comum — dê nome a elas e elas são suas.

39.2 A auditoria: perde-se material?

Método 39.3 (Pesar uma mudança de estado)

Leve a pergunta à balança:

  1. ponha um pouco de água numa garrafinha plástica, rosqueie bem a tampa e seque o lado de fora;
  2. pese: digamos 368g368\,\mathrm{g} — anote;
  3. deixe a garrafinha no congelador durante a noite: solidificação;
  4. pese a garrafa congelada na hora (secando qualquer geada).

A balança responde: 368g368\,\mathrm{g}, grama por grama. Derreta tudo de volta no parapeito da janela e pese de novo: 368g368\,\mathrm{g}. O estado mudou duas vezes; o material não piscou.

Proposição 39.4 (A massa sobrevive às mudanças de estado)

Uma mudança de estado muda a aparência de uma substância, não a quantidade dela: a massa antes é igual à massa depois, exatamente. Fusão, solidificação, fervura numa panela lacrada, condensação — por todas as portas, a balança marca o mesmo. (Deixe a tampa aberta, porém, e o vapor vai embora com os gramas dele: o material continua existindo, mas a sua auditoria não o contém mais.)

Exemplo 39.5 (Para onde foram os gramas da poça)

Uma poça de 300g300\,\mathrm{g} seca. Sumiu? Não pesava nada? Não: 300g300\,\mathrm{g} de água agora viajam pelo ar como vapor invisível, cada grama intacto — e uma parte vai cair como a chuva da semana que vem. A evaporação engana o olho, nunca a contabilidade. O contorno de giz da sua experiência de infância com a poça era uma auditoria; agora ela tem números.

39.3 A auditoria: mantém-se o espaço?

Proposição 39.6 (A água incha ao congelar)

A massa sobrevive às portas — o volume não. A água é uma substância curiosa: ao virar sólido, ela se expande. Um litro de água dá cerca de 1.11.1 litro de gelo: mesma massa, cerca de um décimo mais de espaço. A maioria das substâncias encolhe ao se solidificar; a água incha — e essa esquisitice redesenha paisagens.

A garrafa congelada: a balança sem mudança, o nível mais alto. Congelar guarda o material e exige mais espaço.
A garrafa congelada: a balança sem mudança, o nível mais alto. Congelar guarda o material e exige mais espaço.

Exemplo 39.7 (O cano estourado e a montanha rachada)

Esquecida no congelador, uma garrafa de vidro cheia de água racha: o gelo, ao inchar, precisa do seu décimo extra de espaço e o toma, com vidro ou sem vidro. O inverno faz o mesmo com o encanamento — a água congelando num cano o estoura com a mesma certeza de um martelo — e com as montanhas: a chuva se infiltra nas rachaduras da rocha, congela de noite, incha e alarga a rachadura. Ano após ano, congelada após congelada, a esquisita inchadinha da Proposição 39.6 parte pedregulhos e esfarela picos.

Observação 39.8 (Por que o gelo flutua)

A mesma esquisitice responde a uma pergunta que você fez anos atrás, na hora do banho. O gelo guarda o material de um litro em 1.11.1 litro de espaço: para o mesmo espaço, o gelo é mais leve que a água — e por isso o gelo flutua no próprio líquido. Os icebergs passeiam pelo mar, os lagos congelam de cima para baixo (salvando os peixes lá embaixo) e os cubos da sua limonada boiam em vez de afundar. Poucas substâncias flutuam sobre si mesmas; a vida nos lagos congelados agradece que a água flutue.

39.4 O ciclo da água, auditado

Exemplo 39.9 (A grande viagem de ida e volta, com vocabulário)

A história de infância do mar, da nuvem e da chuva agora se lê como um livro-caixa. O calor do Sol comanda a vaporização nos mares — toneladas e toneladas sobem invisíveis. No alto e no frio, o vapor se condensa em gotinhas de nuvem; mais frio ainda, as gotinhas congelam e viram neve. A neve se empilha em geleiras; as geleiras derretem em rios; os rios devolvem cada grama ao mar. Em toda a volta, a Proposição 39.4 vale: o planeta não ganha nem perde uma gota — a água do seu copo navega esse circuito desde antes dos dinossauros.

Penas de geada numa vidraça congelante: a água do ar construiu esse gelo durante a noite, direto sobre o vidro.
Penas de geada numa vidraça congelante: a água do ar construiu esse gelo durante a noite, direto sobre o vidro.

39.5 Exercícios

Exercício 39.1

Diga as seis portas da Definição 39.1, cada uma com um exemplo do dia a dia.

Solução

Solução de Exercício 39.1.

Fusão (a geada saindo do capim de manhã); solidificação (os cubos de gelo do congelador); vaporização (a roupa secando, a panela fervendo); condensação (o embaçado no espelho frio); sublimação (um monte de neve encolhendo na geada seca); gasoso direto para sólido (as penas de geada na vidraça).

Exercício 39.2

Qual porta: o orvalho se formando no capim frio de madrugada? um boneco de neve encolhendo num dia de 5C-5\,{}^{\circ}\mathrm{C} com sol, sem que apareça poça nenhuma? os cubos de gelo enchendo o congelador de “fumaça”?

Solução

Solução de Exercício 39.2.

Orvalho: condensação. O boneco de neve que encolhe sem poça: sublimação — do sólido direto para o vapor, no ar frio e seco. A “fumaça” do congelador: condensação — o vapor do ambiente se condensando numa nuvenzinha no ar frio (gotinhas, e não gás).

Exercício 39.3

Uma garrafa lacrada de água pesa 412g412\,\mathrm{g}. Ela congela por completo durante a noite. Quanto ela pesa agora, e qual proposição responde?

Solução

Solução de Exercício 39.3.

Continua com 412g412\,\mathrm{g}: a massa sobrevive às mudanças de estado — a garrafa lacrada não perdeu nem ganhou nada.

Exercício 39.4

No Método 39.3, por que a garrafa precisa estar tampada — e por que precisa ser seca antes de cada pesagem?

Solução

Solução de Exercício 39.4.

Tampada, para que nenhum vapor vá embora com os gramas dele (a auditoria precisa ficar fechada); seca, porque água ou geada grudada por fora acrescentaria gramas estranhos, que pertencem ao ambiente e não à auditoria.

Exercício 39.5

Uma panela de água ferve destampada por dez minutos e a massa dela cai 200g200\,\mathrm{g}. A massa foi destruída? Onde estão esses gramas?

Solução

Solução de Exercício 39.5.

Não foi destruída: 200g200\,\mathrm{g} de água saíram como vapor pelo ar da cozinha — a vaporização tirou os gramas da panela, não do mundo.

Exercício 39.6

Um litro de água vai para o congelador. Que volume de gelo sai, mais ou menos? Mesma pergunta para a massa.

Solução

Solução de Exercício 39.6.

Cerca de 1.1L1.1\,\mathrm{L} de gelo — um décimo a mais de espaço. A massa não muda: 1kg1\,\mathrm{kg} entrando, 1kg1\,\mathrm{kg} saindo.

Exercício 39.7

Por que os canos de água estouram em invernos rigorosos — e por que os jardineiros esvaziam as torneiras externas no outono?

Solução

Solução de Exercício 39.7.

A água presa num cano incha ao congelar, e o cano, como a garrafa de vidro, cede. Os jardineiros esvaziam as torneiras no outono para que não sobre nada lá dentro para inchar.

Exercício 39.8

Por que o gelo flutua na água? Ligue a Proposição 39.6 à regra da flutuação — mais leve ou mais pesado para o mesmo espaço?

Solução

Solução de Exercício 39.8.

O gelo enfia o material de um litro em 1.11.1 litro de espaço: mais leve que a água para o mesmo espaço — e ser mais leve para o mesmo espaço é exatamente o que faz uma coisa flutuar.

Exercício 39.9 ★★

Conte o ciclo da água como um livro-caixa: acompanhe 1kg1\,\mathrm{kg} de água do mar pela volta completa, dando o nome de cada porta por que ele passa e dizendo a massa dele em cada etapa.

Solução

Solução de Exercício 39.9.

Mar (1kg1\,\mathrm{kg}, líquido) — vaporização — vapor (1kg1\,\mathrm{kg}) — condensação — gotinhas de nuvem (1kg1\,\mathrm{kg}) — solidificação — neve (1kg1\,\mathrm{kg}) — fusão — água de degelo (1kg1\,\mathrm{kg}) — rio até o mar (1kg1\,\mathrm{kg}). Seis etapas, uma massa que não muda.

Exercício 39.10 ★★

Um copo de limonada está cheio até a boca, com cubos de gelo boiando. Um convidado teme que ele transborde quando o gelo derreter. Use as duas auditorias (massa mantida, espaço extra do gelo devolvido) para tranquilizar — ou assustar — o convidado, com o seu raciocínio.

Solução

Solução de Exercício 39.10.

Tranquilize. O gelo boiando já desloca o próprio peso em limonada; ao derreter, ele devolve exatamente essa água, encolhida de volta pelo décimo que tinha inchado — e ela escorrega para o espaço que o cubo já ocupava abaixo da superfície. O copo continua cheio até a boca, sem transbordar uma gota.

Exercício 39.11 ★★

Penas de geada aparecem durante a noite numa vidraça congelante, num cômodo seco, sem chuva e sem vidraça molhada na hora de dormir. Qual porta a água tomou, vindo de onde, e por que essa porta não se chama “congelamento”?

Solução

Solução de Exercício 39.11.

A porta do gasoso para o sólido: o vapor invisível do ar do cômodo encostou na vidraça congelante e construiu gelo diretamente, pulando o líquido. Ela não se chama “congelamento” porque nunca existiu nada líquido na vidraça — a água chegou direto do estado gasoso.

Exercício 39.12 ★★★

Os lagos congelam de cima para baixo. Explique a cadeia inteira: por que o gelo da água mais fria se forma na superfície e fica lá, o que a tampa flutuante faz com o fluxo de calor lá embaixo (uma ideia de isolamento do ano passado) e por que os peixes lá embaixo devem os seus invernos à estranha inchada da água.

Solução

Solução de Exercício 39.12.

O lago perde calor para o ar de inverno pela superfície, então a água da superfície chega a 0C0\,{}^{\circ}\mathrm{C} primeiro e o gelo se forma ali — e flutua, por ser mais leve que a água para o mesmo espaço, de modo que fica em cima. A tampa de gelo (e de neve) é uma pista lenta: ela isola a água de baixo, cujo calor agora vaza para cima apenas devagar. A água funda fica acima do congelamento o inverno inteiro, e os peixes nadam sob um telhado que a estranha água inchadiça construiu para eles.

39.6 Problema: Um quilograma ao redor do mundo

Problema 39.1

Problema de fim de semana — um quilograma de água do mar em sua grande excursão; seis portas, três montanhas, um livro-caixa sem furos

Carimbamos uma etiqueta imaginária em 1kg1\,\mathrm{kg} de água do mar e o acompanhamos por um ano.

Parte I — Para cima.

  1. Junho: o Sol aquece a superfície do mar e o nosso quilograma sobe para o ar, invisível. Diga o nome da porta que ele tomou.
  2. Qual é a massa do nosso quilograma de água (agora invisível)? Qual proposição garante isso?
  3. A 3000m3000\,\mathrm{m}, o ar está frio: a água vira uma nuvem de gotinhas. Diga o nome dessa porta.
  4. Mais frio ainda, as gotinhas viram flocos de neve. Diga o nome dessa porta — solidificação — e a temperatura em que as gotinhas de nuvem de água pura começam a congelar.

Parte II — O livro-caixa da geleira. O nosso quilograma cai numa geleira e é prensado até virar gelo de geleira.

  1. Como água, o nosso quilograma ocupava 1L1\,\mathrm{L}. Que volume ele ocupa, mais ou menos, como gelo?
  2. A ponta da geleira derrete no verão. O nosso quilograma vira água de degelo: qual é a massa dele agora, e qual é o volume (de volta como água líquida)?
  3. Na descida da montanha, 250g250\,\mathrm{g} do nosso quilograma evaporam de uma poça de cachoeira iluminada pelo sol. Quanto da água etiquetada continua líquida no riacho?
  4. O quarto que evaporou saiu da auditoria? Diga onde estão esses 250g250\,\mathrm{g} e qual porta eles provavelmente vão tomar em seguida.

Parte III — Em casa, com as contas fechadas.

  1. Os 750g750\,\mathrm{g} do riacho chegam ao mar em outubro. Os 250g250\,\mathrm{g} evaporados caíram como chuva sobre o litoral em agosto e correram para o mar em setembro. Some o que o mar recebeu de volta do nosso quilograma.
  2. Em toda a excursão, o nosso quilograma esteve sem peso exatamente nenhuma vez — mas ele ficou invisível duas vezes. Em quais etapas, e em que estado?
  3. Um colega objeta: “A neve é fofa e leve — com certeza o quilograma pesava menos como neve.” Desembarace a confusão com o par de palavras certo deste ano.
  4. Escreva a excursão como uma cadeia de portas, em ordem, usando apenas os seis nomes próprios da Definição 39.1.
Solução

Solução de Problema 39.1.

1. Vaporização (evaporação a partir da superfície quente). 2. Continua 1kg1\,\mathrm{kg} — a massa sobrevive às mudanças de estado. 3. Condensação. 4. A 0C0\,{}^{\circ}\mathrm{C}. 5. Cerca de 1.1L1.1\,\mathrm{L}. 6. Massa 1kg1\,\mathrm{kg}; volume de volta a 1L1\,\mathrm{L}. 7. 1000250=750g1000 - 250 = 750\,\mathrm{g} continuam no riacho. 8. Não: os 250g250\,\mathrm{g} viajam pelo ar como vapor, intactos; a próxima porta mais provável deles é a condensação — virando nuvem e depois chuva. 9. 750+250=1000g750 + 250 = 1000\,\mathrm{g}: o quilograma inteiro voltou para casa. 10. Invisível duas vezes: como vapor logo depois de sair do mar e como vapor de novo sobre a poça da cachoeira — as duas no estado gasoso. 11. Fofo é assunto de volume: a neve é feita de cristais de gelo entremeados de ar, ocupando um espaço generoso. A massa da nossa água etiquetada continuou exatamente 1kg1\,\mathrm{kg} — leve-por-espaço não é leve-em-material: o par de palavras é massa e volume. 12. Vaporização, condensação, solidificação, fusão — e, para o quarto que evaporou: vaporização, condensação (chuva) e reencontro como líquido. Quatro portas usadas; a sublimação e a porta do gasoso para o sólido não foram necessárias nesta excursão.

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