Physics · Livro 1 · Grades 1–9

Física do ensino fundamental

Física do ensino fundamental · Grades 1–9

36Pressão do ar e o tempo

Você mora no fundo de um oceano — um oceano de ar, com centenas de quilômetros de profundidade, e o peso inteiro dele descansando sobre os seus ombros. Por que ele não esmaga você? Por que você nem sequer o sente? E o que tudo isso tem a ver com o tempo de amanhã? O ar, o nosso velho amigo invisível, ainda tem um grande segredo para entregar.

36.1 O ar tem peso

Exemplo 36.1 (Pesando o invisível)

Uma bola de futebol bem cheia é posta numa balança de pratos precisa e equilibrada exatamente. Depois a válvula dela é aberta e o ar extra escapa chiando — mesma bola, mesma válvula, tudo igual, menos um pouco de ar. De volta à balança: a bola murcha está mais leve. A diferença é o peso do ar que escapou. O ar é material, o material tem massa, e a massa é puxada para baixo pela Terra: o oceano acima de nós é pesado.

Definição 36.2 (A atmosfera e a sua pressão)

A atmosfera é a camada profunda de ar enrolada em torno da Terra inteira. O peso dela aperta o ar lá embaixo — onde moramos — e ar apertado empurra com força toda superfície em que encosta. Esse empurrão se chama pressão atmosférica.

Proposição 36.3 (O empurrão de todos os lados)

A pressão atmosférica empurra toda superfície de todas as direções — para baixo nas mesas, de lado nas paredes e até para cima nos tetos e nas palmas das mãos. E ela é possante: numa área do tamanho da sua palma, o ar empurra com mais ou menos a força do peso de uma mala grande e cheia. Nunca percebemos porque os empurrões chegam equilibrados: o ar dentro de nós e atrás de cada superfície empurra de volta com a mesma força.

Método 36.4 (O cartão que segura a água)

O empurrão para cima do ar, pego em flagrante (faça sobre a pia):

  1. encha um copo de água até a boca;
  2. ponha um cartão rígido e liso deitado em cima, encostando na água em toda a volta;
  3. segure o cartão no lugar, vire o copo exatamente de cabeça para baixo e solte o cartão com cuidado.

O cartão fica — segurando o copo cheio inteiro. O peso da água empurra o cartão para baixo, mas a atmosfera empurra o cartão para cima com mais força ainda. Você acabou de ver o empurrão de mala vindo de baixo.

O copo de cabeça para baixo: o empurrão do ar para cima no cartão é mais forte que o peso da água. O oceano invisível é poderoso.
O copo de cabeça para baixo: o empurrão do ar para cima no cartão é mais forte que o peso da água. O oceano invisível é poderoso.

36.2 Máquinas movidas pela atmosfera

Exemplo 36.5 (O canudinho)

Você acha que puxa o suco pelo canudinho. Na verdade, não dá para puxar um líquido de jeito nenhum — tente puxar água com os dedos! O que você faz de verdade é sugar o ar de dentro do canudinho. Sem o ar lá dentro, a atmosfera, que empurra a superfície do suco no copo, empurra o suco para cima pelo canudinho vazio até a sua boca. Cada gole é a atmosfera fazendo o levantamento; você só abre a estrada.

Exemplo 36.6 (Ventosas e garrafas amassadas)

A ventosa de borracha do gancho do banheiro é apertada contra os azulejos, espremendo o ar para fora de baixo dela: agora a atmosfera empurra a ventosa contra a parede sem nada empurrando de volta por trás — ela fica presa pelo próprio céu. E rosqueie a tampa numa garrafa plástica vazia no alto de uma montanha e depois desça para o vale: a garrafa amassa como se fosse espremida por uma mão fantasma. Há mais ar empurrando por fora do que o ar rarefeito da montanha lacrado por dentro — a atmosfera ganha, e a garrafa dobra.

Exemplo 36.7 (Mais rarefeito com a altura)

Suba, e você deixa uma parte do oceano abaixo de você: menos ar por cima quer dizer um empurrão mais fraco. Os seus ouvidos estalam num teleférico rápido, conforme a pressão externa muda; os montanhistas ficam ofegantes num ar que ficou rarefeito. E aqui o mistério do chá da montanha, do ano passado, se rende: com a atmosfera apertando menos a água, a fervura vem mais fácil — a água nos grandes picos ferve bem abaixo de 100C100\,{}^{\circ}\mathrm{C}, fria demais para um chá decente.

Uma nuvem de tempestade se erguendo sobre os campos: o tempo é a atmosfera em movimento.
Uma nuvem de tempestade se erguendo sobre os campos: o tempo é a atmosfera em movimento.

36.3 O barômetro e o tempo

Definição 36.8 (Barômetro)

Um barômetro é o instrumento que mede a pressão atmosférica — mais um membro da nossa família de juízes honestos, ao lado do termômetro e da balança. O ponteiro dele sobe quando a atmosfera acima aperta com mais força, e desce quando o aperto afrouxa.

Proposição 36.9 (A pressão fala do amanhã)

A pressão da atmosfera é inquieta: ar pesado, descendo, traz céu calmo e limpo; ar leve, subindo, chama nuvens e chuva. Então o barômetro é um adivinho de tipo modesto e honesto: pressão estável ou subindo promete tempo bom; pressão caindo avisa que vêm nuvens; uma queda rápida quer dizer que uma tempestade pode estar a caminho.

Ler um barômetro: importa menos onde o ponteiro está e mais para que lado ele se move — a atmosfera anuncia os planos dela.
Ler um barômetro: importa menos onde o ponteiro está e mais para que lado ele se move — a atmosfera anuncia os planos dela.

Observação 36.10 (O A e o B do mapa do tempo)

O boletim do tempo de hoje à noite vai mostrar grandes redemoinhos marcados com A e B: regiões de alta e de baixa pressão andando pelo mapa como baleias lentas. O ar despeja sem parar das regiões pesadas de alta pressão na direção das regiões leves de baixa pressão — e esse despejo é o vento. Um capítulo, três velhos conhecidos explicados: a previsão do barômetro, a origem do vento e o motivo pelo qual os seus ouvidos sabem quando o tempo está prestes a virar.

36.4 Exercícios

Exercício 36.1

Como a experiência da bola de futebol mostra que o ar tem peso? O que exatamente é comparado?

Solução

Solução de Exercício 36.1.

A mesma bola é pesada cheia e depois murcha: só o ar saiu dela, e a balança marca menos — a diferença é o peso do ar que escapou. O ar é material com massa.

Exercício 36.2

O que é a pressão atmosférica, e de onde ela vem? Em que direções ela empurra?

Solução

Solução de Exercício 36.2.

É o empurrão do ar apertado do fundo da atmosfera sobre toda superfície em que ele encosta. Ela vem do peso do oceano profundo de ar acima de nós, e empurra de todas as direções — para baixo, de lado e para cima.

Exercício 36.3

A atmosfera aperta a sua palma com mais ou menos a força do peso de uma mala cheia — e mesmo assim você não sente nada. Por quê?

Solução

Solução de Exercício 36.3.

Porque os empurrões chegam equilibrados: o ar do outro lado da sua palma — e o de dentro do seu corpo — empurra de volta com exatamente a mesma força. Só um empurrão desequilibrado, como no cartão ou na garrafa que amassa, mostra a força que tem.

Exercício 36.4

No truque do cartão, dois empurrões brigam pelo cartão. Diga quais são e qual deles ganha.

Solução

Solução de Exercício 36.4.

O peso da água empurra o cartão para baixo; a atmosfera empurra o cartão para cima. A atmosfera ganha — o cartão fica e a água continua presa.

Exercício 36.5

“Eu puxo o suco pelo canudinho.” Corrija essa frase: o que você tira de verdade, e quem faz o levantamento?

Solução

Solução de Exercício 36.5.

Você tira o ar de dentro do canudinho. A atmosfera, apertando a superfície do suco no copo, então empurra o suco para cima pelo canudinho livre: quem levanta é o céu.

Exercício 36.6

Por que uma ventosa gruda nos azulejos? O que foi espremido para fora, e o que segura a ventosa?

Solução

Solução de Exercício 36.6.

Apertar a ventosa contra a parede espremeu para fora o ar que estava atrás dela. Sem nada empurrando de volta por baixo, o empurrão da atmosfera prende a ventosa nos azulejos.

Exercício 36.7

O que acontece com a pressão atmosférica conforme você sobe uma montanha, e por quê? Dê dois sinais disso que um viajante consegue notar.

Solução

Solução de Exercício 36.7.

Ela enfraquece — sobra menos oceano de ar acima para apertar. Sinais: os ouvidos estalando numa subida rápida, a falta de ar no ar rarefeito (e o chá que ferve frio demais).

Exercício 36.8

O que um barômetro mede? O seu barômetro está caindo depressa desde o café da manhã — o que os planos de piquenique devem esperar?

Solução

Solução de Exercício 36.8.

O empurrão da atmosfera — a pressão atmosférica. Uma queda rápida avisa que vem tempestade: leve o piquenique para dentro de casa.

Exercício 36.9 ★★

A garrafa lacrada amassou na descida da montanha. Explique o amassado com os empurrões de dentro e de fora — e preveja: o que aconteceria com uma garrafa lacrada no vale e levada para cima?

Solução

Solução de Exercício 36.9.

Lacrada no pico, a garrafa guardou por dentro o ar rarefeito da montanha; no vale, o empurrão de fora ficou mais forte que o empurrão preso lá dentro, e a garrafa dobrou. No caminho contrário, uma garrafa lacrada no vale guarda ar forte por dentro enquanto o empurrão de fora enfraquece com a altura: a garrafa incha esticada — e um pacote de salgadinho lacrado faz o mesmo em toda subida de montanha.

Exercício 36.10 ★★

De onde vem o vento, segundo os redemoinhos A e B do mapa do tempo? Ligue isso à definição mais antiga deste livro: vento é ar em movimento — movido por quê?

Solução

Solução de Exercício 36.10.

O ar despeja sem parar das regiões pesadas de alta pressão na direção das regiões leves de baixa pressão, e esse despejo é o vento. Assim a velha definição se completa: vento é ar em movimento — movido por diferenças de pressão atmosférica.

Exercício 36.11 ★★

Os montanhistas reclamam que, nos grandes picos, o chá nunca fica forte e o macarrão continua duro por mais que ferva. Junte a explicação inteira, atravessando dois anos: o que a atmosfera rarefeita faz com o ponto de ebulição, e por que ferver por mais tempo não adianta? (Duas proposições, uma delas do ano passado, encerram este caso.)

Solução

Solução de Exercício 36.11.

Com a altura, o empurrão da atmosfera sobre a água enfraquece, então a fervura vem mais fácil: o ponto de ebulição escorrega para bem abaixo de 100C100\,{}^{\circ}\mathrm{C}. E, pela lei do patamar, a água fervendo nunca consegue subir além do ponto de ebulição dela — chama a mais só produz vapor. Ou seja: a água no alto do pico ferve fria e fica presa nisso: chá fraco, macarrão duro, física satisfeita.

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